A sagração de Dom Tomás de Aquino.

Por Manoel Gonzaga Castro* | FratresInUnum.com

No último sábado, 19, conforme anunciado por Fratres in Unum, ocorreu a sagração episcopal de Dom Tomás de Aquino, 62, prior do Mosteiro Beneditino – não reconhecido oficialmente pela Igreja Católica – da Santa Cruz, em Nova Friburgo, RJ. Com efeito, realizada um ano após a sagração de Dom Jean-Michel Faure, no mesmo local, o movimento conhecido como “Resistência” ganhou seu terceiro bispo. Materializada na União Sacerdotal Marcel Lefebvre (USML), fundada em 15 de julho de 2014, ela conta hoje também com cerca de 60 sacerdotes espalhados pelo mundo e com um seminário, iniciado em 03 de outubro de 2015, na cidade de Angers, França, que tem como responsável Dom Faure.

aquino

Da esquerda para direita: Dom Faure, Dom Tomás e Dom Williamson, após a sagração.

Antes do acontecimento, o bispo diocesano de Nova Friburgo se pronunciou:

Nova Friburgo, 18 de março de 2016

NOTA OFICIAL

Ao Clero, religiosos e fiéis leigos da Diocese de Nova Friburgo

Tendo tomado conhecimento da iminente celebração de mais uma ilegítima ordenação episcopal no Mosteiro da Santa Cruz, em nossa amada Diocese de Nova Friburgo faz-se necessário mais uma vez lembrar alguns aspectos importantes.

Afirma-se “ilegítima” porquanto será realizada sem o necessário mandato apostólico de Sua Santidade Papa Francisco. No entanto, como temos comprovado, nem todos atendem às súplicas e propostas generosas de diálogo e empenho pela comunhão plena.

A ordenação episcopal ora em causa será mais uma desobediência ao Papa em matéria gravíssima, num tema de importância capital para a unidade da Igreja, a ordenação dos Bispos, mediante a qual é mantida sacramentalmente a sucessão apostólica. Sem dúvida, mais esta ordenação manifesta a contumácia da desobedência que acarretou a excomunhão há um ano atrás, tanto do Bispo Ordenante Richard Williamson quanto do Bispo que receberá a ordenação, Dom Tomás de Aquino, atual “Prior” do referido Mosteiro.

Não se pode permanecer fiel rompendo o vinculo eclesial com aquele a quem o próprio Cristo, na pessoa do Apóstolo Pedro, confiou o ministério da unidade na sua Igreja.

Como Bispo de Nova Friburgo, cabe-me exortar a todos os fiéis católicos para que cumpram o grave dever de permanecerem unidos ao Papa na unidade da Igreja, e de não apoiarem – sobretudo participando – de modo algum essa ordenação episcopal e suas conseqüências. Ninguém deve ignorar que a adesão formal ao cisma constitui grave ofensa a Deus e comporta excomunhão prevista pelo Código de Direito Canônico.

Penso poder garantir em nome de todo o Clero, religiosos e fiéis leigos ao Sucessor de Pedro o Papa Francisco, primeiro a quem compete a tutela da unidade da Igreja, a nossa filial união e obediência. Também este fato será comunicado à Congregação para Doutrina da Fé. De qualquer forma mais este ato ilegítimo e cismático nos oferece a ocasião para refletir e renovar o empenho de fidelidade a Cristo e a sua Igreja.

Finalmente, supliquemos incessantemente a intercessão da Santíssima Virgem Maria, Mãe da Igreja, no sentido de que o imperativo das palavras de Jesus na busca pela unidade seja uma exigência que se renove a cada dia: Ut omnes unum sint!

+Edney Gouvêa MattosoBispo Diocesano de Nova Friburgo

Abaixo segue testemunho do conhecido Prof. Carlos Nougué sobre Dom Tomás, que também foi reproduzido no Comentário Eleison no mesmo 19/03. Esse testemunho relata a posição da “Resistência” de evitar qualquer aproximação com Roma antes que ela se “converta” e condene os erros do Concílio Vaticano II e da Missa de Paulo VI, posição diferente da de Dom Bernard Fellay, que aceita aproximação e até a regularização, desde que a Santa Sé permita a FSSPX não ceder em relação a esses pontos.

Miguel Ferreira da Costa nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1954. Até a Faculdade de Advocacia, fez seus estudos no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, onde tive a oportunidade de ser por um breve tempo seu colega de classe. Fez parte do movimento tradicionalista e antimodernista organizado em torno de Gustavo Corção e da revista Permanência; teve início então sua vida de “fiel guerreiro da guerra pós-conciliar pela Fé”, como escreve Dom Williamson. Começou, como dito, a cursar Advocacia, mas abandonou-a para tornar-se monge beneditino, com o nome de Tomás de Aquino, no mosteiro francês do Barroux, que tinha então por superior a Dom Gérard; e foi ordenado sacerdote em 1980, em Êcone, por Dom Marcel Lefebvre. Pôde então privar da amizade, do exemplo, dos ensinamentos do fundador da FSSPX.

Veio ao Brasil com um grupo de monges do Barroux para fundar o Mosteiro da Santa Cruz, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro/Brasil. Nesse ínterim, porém, Dom Gérard, contra a instância de Dom Lefebvre, marchou para um acordo com a Roma conciliar, contra o que se opôs também Dom Tomás de Aquino. A separação foi então inevitável. O Mosteiro da Santa Cruz, com total apoio e incentivo de Dom Lefebvre, tornou-se assim independente, ainda que amigo da FSSPX. Com efeito, escreveu pouco mais ou menos Dom Lefebvre a Dom Tomás em carta que tive o privilégio de ler: O senhor deve reverência e consulta aos bispos da FSSPX, mas estes não têm jurisdição sobre o senhor, que, como prior do Mosteiro, há de ter autonomia.

Mas foi-se tornando difícil a relação de Dom Tomás e seu Mosteiro com a FSSPX, sobretudo com a aproximação desta à Roma neomodernista. Quando Bento XVI publicou seu Motu proprio sobre o “rito extraordinário”, Dom Tomás de Aquino negou-se a cantar na Missa de domingo o Te Deum pedido por Dom Fellay para comemorar o documento papal, e, especialmente pela “suspensão das excomunhões” pelo mesmo papa, escreveu Dom Tomás a Dom Fellay uma carta em que dizia que não seguiria seus passos rumo a um acordo com a Roma conciliar. Um tempo depois, aparecem no Mosteiro (sou testemunha presencial disto) Dom de Galarreta e o Padre Bouchacourt para dizer a Dom Tomás que ele teria quinze dias para deixá-lo; se não o fizesse, o Mosteiro deixaria de receber ajuda e sacramentos (incluído o da ordem) da FSSPX.

Escrevi a Dom Fellay para queixar-me de tal injustiça, e recebi por resposta o seguinte: “O problema de Dom Tomás é mental. Enquanto não deixar o Mosteiro, este não receberá nossa ajuda”. Respondi-lhe: “Devo ter eu também o mesmo problema mental, porque convivo há doze anos com Dom Tomás e nunca o percebi nele”. Tratava-se em verdade de algo similar ao stalinismo e seus hospitais psiquiátricos para opositores.

Hesitou então Dom Tomás: se deixasse o Mosteiro, seria a ruína deste com respeito à Fé; se porém permanecesse, privá-lo-ia de toda a ajuda de que necessitava. Foi então que veio em seu socorro Dom Williamson: o nosso Bispo inglês escreveu uma carta a Dom Tomás em que assegurava ao Mosteiro todos os sacramentos; poderia assim Dom Tomás permanecer nele. Foi o suficiente para que todos aqui reagíssemos: foi o começo do que hoje se conhece por Resistência, e que teve por órgão primeiro a página web chamada SPES, hoje desativada por ter cumprido já o papel a que se destinava. O Mosteiro passou a ser então centro de acolhimento para os sacerdotes que, querendo deixar a FSSPX pela traição de seus superiores, hesitavam porém em sair justo por não ter onde viver fora dela. Foi o lugar da sagração de Dom Faure, e será agora o lugar da sagração do mesmo Dom Tomás de Aquino Ferreira da Costa, meu pai espiritual e o amigo mais entranhável que Deus me poderia haver dado. Sim, sou filho seu e do Mosteiro da Santa Cruz, e foi aqui, neste cantinho do céu, que pude sentir pela primeira vez o tão agradável odor da santidade.

sagracao aquino

19 de março de 2016 – Sagração de Dom Tomás de Aquino.

Importante notar como esse relato aponta a centralidade do Brasil (especialmente do Mosteiro de Nova Friburgo) no contexto do movimento da Resistência, haja vista que dois de seus três bispos foram aqui sagrados.

Críticas de tradicionalistas

Evidentemente, essa nova sagração realizada em Friburgo foi criticada pelos demais movimentos ligados à missa tradicional.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), da qual Dom Richard Williamson é dissidente, alegou que tal ato não se justifica, tendo em vista a existência dos bispos da própria FSSPX, que cumpririam a função da manutenção da Tradição à margem da oficialidade da Igreja, segundo o “estado de necessidade”.

Instituto do Bom Pastor (IBP) e Montfort (isto é, atualmente Alberto Zucchi), por sua vez, classificaram o ato como cismático, visto que sem autorização papal e devido ao fato de que existem sim bispos hoje disponíveis para ordenações tradicionais, como um Cardeal Raymond Burke e Dom Athanasius Schneider, grandes amigos da TFP e de entes Ecclesia Dei. Dessa forma, não haveria mais o já citado “estado de necessidade”.

Ignorando a uns e outros, a Resistência responde não haver bispos que sigam sua orientação, isto é, anti-Vaticano II e anti-Missa Nova, disponíveis no momento, nem mesmo bispos dispostos a resistir ao que consideram erros do Vaticano II até que Roma se converta às suas próprias posições. Além disso, acrescentam, qualquer convivência com o modernismo é danosa, haja vista as chamadas “traições” que atribuem a Dom Fernando Rifan e aos demais institutos Ecclesia Dei, como a Fraternidade São Pedro e o IBP.

Com essa atitude, na prática, eles realmente acabam por se isolar e sem ter quem possa ordenar sacerdotes para a continuação de sua obra. Diferentemente da FSSPX, a qual, apesar de também viver à margem da oficialidade, tem seus próprios meios; e também dos demais institutos Ecclesia Dei que recebem ordenações de bispos regulares. Portanto, afirmar superficialmente que há bispos regularizados por aí ordenando segundo a forma extraordinária é uma simplificação que não leva em conta as divergências doutrinárias.

Donde a pergunta: “estado de necessidade”? Há uma discussão interminável sobre isso, haja vista a “elasticidade” com a qual esse tema é tratado no meio tradicionalista. De fato, no momento, não há bispo que aceitaria ordenar os padres da Resistência, do que decorre o entendimento deles de que precisam, por “necessidade”, agir por conta própria para sobreviver: Dom Faure já tem mais de 70 anos e precisa focar suas atividades no seminário em Angers; Dom Williamson, por sua vez, está querendo se recolher na Inglaterra, sua terra natal, dado o avanço de seu Parkinson. O debate se estende sobretudo quanto ao entendimento do que seria a “necessidade” aos olhos da Igreja, e não simplesmente quanto a uma necessidade particular – discussão que deixamos aos especialistas.

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

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23 Comentários to “A sagração de Dom Tomás de Aquino.”

  1. Diante do caos da Igreja em nossos dias, diante dos problemas gravíssimos causados pelo próprio Vaticano parece-me um exagero censurar ou condenar uma sagração episcopal que se diz apoiada no estado de necessidade.
    Alguns dos grupos citados como inimigos de D. Tomás de Aquino OSB (principalmente a MFT-Z) engolem camelos e coam mosquitos.
    Por que não atacam os erros do bispo de Roma e só se preocupam com supostos problemas no IPCO ou na FSSPX ou na Resistência?
    Oxalá o IPCO ou a Resistência fossem os problemas da Igreja em nossos dias!
    São cegos e guias de cego. Ou mestres de refinada hipocrisia.

  2. A situação do mundo atual, especialmente a da Igreja, está bem longe de ser alvissareira. Os católicos estamos cientes da defecção generalizada da hierarquia. Vícios de todas as espécies, todo tipo de heresia e subjetivismo em matéria moral infectam o clero, não excluída uma parte do clero tido por “conservador”: basta espremer um pouco para ver quanto chorume vomitam essas bocas. Fazem “exorcismo” de manhã e à tarde acorrem aos bordeis. E são tantos. Estamos bem informados de tantos casos e estamos fartos desse tipo de hipocrisia, palhaçada e impostura.

    O fato é que a noite caiu sobre o mundo. Vemos um ou outro bispo levantar a voz contra a iniquidade; os demais cuidam do ventre, do baixo-ventre e de seus pífios e ineficazes “planos pastorais”, apostando em cisternas rotas. Pois sem a verdadeira fé, a fé católica integralmente professada, e os sacramentos da fé, é impossível edificar-se qualquer coisa sadia e duradoura.

    Espero apenas que essa gente da tal “resistência” saiba manter os olhos bem abertos para saber quem são os fieis que lhes frequentam e os candidatos ao ministério. O curriculum de Williamson deixa muuuuito a desejar no quesito prudência e lucidez. Espero que todos neonazistas e neofascistas, racistas e representantes bufões de uma pretensa e burra “superioridade wasp” sejam sumariamente denunciados e defenestrados. Pois não se cura uma câncer com outro.

  3. Meus caros, há um parasita que se oculta e se oculta para poder ser parasita e como parasita ludibriar o Corpo desde os seus membros e a cada uma de suas células. Se identificamos o parasita, logo, somos tidos como loucos com uma mera teoria da conspiração, apesar dela ser histórica e retratada até pelos periódicos da época e, inclusive, por papas santos e infalíveis porque se acreditavam infalíveis, condição sine qua non, porque “a Deus é impossível se agradar sem a Fé”. E é em vista deste parasitismo que persiste o Estado de Necessidade que só terminará com uma conversão de cima para baixo ou apenas com a direta intervenção divina, já que o parasita também atua de cima para baixo. Como, aliás, previu Nossa Senhora em Salete. Mas o mais importante, agora, é lembrar São Pio X quando disse que “para as gerações futuras será muito difícil a salvação sem conhecerem bem a recente História da Igreja”. Estudem bem, não se fiem na opinião privada ou particular, mas recorram a Nossa Senhora e aos verdadeiros santos que lutaram para que a Igreja continuasse fazendo como a Igreja sempre fez e acreditou. É a única defesa contra o parasita muito bem ocultado. Mas não deixem a história registrada ou a realidade acontecida sobre a qual Deus também mandou o Seu recado.

  4. Os três bispos fazem aquilo que Mons. Lefebvre pediu. Condená-los é condenar o próprio arcebispo francês, a quem todas as instituições Eclesia Dei devem muito. Vejam:

    “¡Es un estricto deber para todo sacerdote que quiere permanecer católico, el separarse de la iglesia conciliar, hasta que la Iglesia no reencuentre la tradición del Magisterio de la Iglesia y de la fe católica!” He aquí las palabras de nuestro fundador, yo lo repito: Es un estricto deber para todo sacerdote que quiere permanecer católico, el separarse de la iglesia conciliar, hasta que la Iglesia no reencuentre la tradición del Magisterio de la Iglesia y de la fe católica de todos los tiempos”. ( (Mons. Lefebvre, Intinerário espiritual)

  5. Recordo as palavras do então Bispo da saudosa União Sacerdotal São João Batista Maria Vianney, D. Rangel: “… a situação ideal (normal) é que eu não fosse bispo…”
    Alguns interpretariam como se ele estivesse reconhecendo o erro de sua Sagração, sem o Mandado Apostólico, ocorre que não era isso que ele dizia. Acredito que hoje, os bispos da FSSPX e os da Resistência, inclusive D. Tomás de Aquino, repetiriam a mesma coisa que D. Rangel. A situação da Santa Igreja é tão conturbada que os poucos que se encontram na Fé, estão porque Deus Pai, os guarda. A parte “oficial” da Igreja, está mais preocupa com a letra, por isso, comparando com a situação atual de nosso país, pouco importa que as provas sejam verdadeiras, estejam berrantes aos nosso olhos, não podemos aceitá-las pois não obedecem a as regras processuais, em nosso caso os cânones. A Lei máxima da Igreja, o fim último da Santa Igreja é a Salvação da Almas. Salvação essa, que foi conquistada por um preço alto: o Sangue do Cordeiro de Deus. Como podemos agora dar as costas a essa moeda tão cara, para nos vangloriarmos por algo que é nítido que é manipulado diabolicamente para contra a Verdade de Deus? Os “tradicionalistas” que acordaram com os agentes políticos da Igreja, foram de livre e espontânea pressão orientados a não combaterem os erros, as heresias as falsas concepções de santidade, proclamadas pós-concílio. O indulto, que na verdade foi apenas uma decisão declaratória, pois nunca foi proibido a Liturgia de S.Pio V, parece que surtiu um enfeito acalmador que os outrora tradicionalistas, aceitaram participar na igreja moderna, mantendo o rito antigo. Já estamos colhendo os frutos, pois a cada dia Roma salta aos 4 ventos erros, que durante 20 séculos foram condenados expressamente pelos santos padres. O convívio entre o Bem e o Mal, o certo e o errado, está sendo amigavelmente empregado nas igrejas protestantes, católicas, espíritas, religião judica e muçulmana. A prova disso foi o encontro em Assis, a famigerada Campanha da Fraternidade, atos ecumênicos e tantos outros que se alastram.
    Realmente, a Sagração de Bispos, sem a anuência do Bispo de Roma é grave, mas temos um bem maior que é a Salvação das Almas, e esta só vem pelo Sangue do Cordeiro, e este Sangue só é dado por meio da Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana. Ora, portanto não se pode conceber comunhão ecumenista sem negar as demais denominações, seitas, ideologias que não aceitam isso. Se alguém que esteja em estado de cisma, excomunhão, com toda certeza não são aqueles que fazem cara de paisagem com os que abertamente negam o papel do Salvador, no Mundo. Não podemos servir a dois senhores, portanto se Cristo viesse hoje na sua carne humana, seria novamente entregue à morte pelos membros da igreja oficial, pois Ele não diria o que esses esperavam ouvir.
    Como já dito, o ideal que tais Sagrações não houvem acontecido, o ideal que Roma estivesse em plena Comunhão com a Santa Igreja, mas o arcabouço jurisdicional está sendo usado para punir a Verdade e chancelar o erro.
    O cisma e excomunhão parte do princípio de que há uma negação tácita contra a Santa Igreja, e não meramente as normas canônicas que podem ser manobradas a favor, infelizmente é o que está acontecendo, da Verdade Incriada. Teremos a oportunidade de ouvir na Sexta-feira Santa, no momento das Grande Orações, para que Cristo se encarnou, padeceu e morreu na Cruz. E veremos que não há lugar para convivência que se prega nesse mundo de paz e amor. Oremos pelo Sumo Pontífice, pelos Bispos, por todas as classes de fiéis, pelos nossos Governantes e também pelos infiéis.

  6. Montfort-zucci acusando alguém de cismático soa como uma piada. Não basta todo o esforço de querer, como um Dom Quixote vesgo, querer classificar todos os grupos tradicionalistas como “direitistas gnósticos” só porque alguns gatos pingados dentro deles ainda caem na lorota Olavo-duguinista ainda me vem com essa… ora, são eles que idolatram Bento XVI – aquele que ainda não abdicou de seus erros modernistas – como um santo súbito e que Zucci, que mais parecia um desses jovenzinhos que fazem piada com coisas santas mas que na hora de algum escândalo bergogliano vem com o papo de que a impressa deturpou. Cheta tem razão: é um tradromantismo que beira ao brega!

  7. Perante o escandaloso pontificado de Francisco o estado de necessidade é um fato cabal. Negá-lo equivale a negar o sol.

    • Para a neoconsada, a Igreja vai bem. O Vaticano II não mudou a fé. A missa nova é uma maravilha apesar das similaridades com a “missa” anglicana. Nada disso é ruim. Quem saiu da Igreja não era católico de verdade e não teve empurrão nenhum dos modernistas. Aliás, modernismo não existe mais, isso é coisa de tradicionalista paranóico que esta preso ao passado! SIC!

  8. Não entendo de leis canônicas e nada do tipo, mas que o estado de necessidade existe, me parece evidente.

    De qualquer modo, 60 e poucas pessoas da hierarquia moverem-se desse modo é algo que suscita admiração, mesmo se considerado o quixotismo.

  9. Coitado de Dom Lefebvre! As loucuras que se fazem usando o nome dele como desculpa! Se ele quisesse mesmo uma “igreja paralela”, teria deixado ordens explícitas para que os bispos escolhidos por ele saíssem por aí sagrando outros bispos a rodo! E olha que o que não falta dentro da FSSPX são padres capacitados para o posto!
    Se ele não deixou mandato expresso em testamento, eu assumo que aqueles que assim procedem, o fazem por conta própria. Portanto deveriam ter pelo menos a hombridade e a honestidade de assumir suas decisões ao invés de ficar tentando justificar sua vaidade e orgulho usando o nome de Dom Lefebvre.
    É muita pretensão tentar destruir a obra do fundador com a desculpa de serem os mais aptos para preservá-la!

    • Conheço pessoalmente Dom Tomás de Aquino, tive os privilégios de conhecer Dom Faure e conversar com Dom Williamson (já havia assistido missas celebradas por ele há mais de uma década atrás) nessa cerimônia, sendo que suas palavras não condizem com o que pessoalmente testemunhei. Fazia tempo que não assistia a uma Santa Missa tão respeitosamente celebrada e assistida; quisera eu que assim ainda fosse em todas as igrejas católicas.

      Como já citei amiúde, sou da Adm. Apostólica mas concordo com as posições defendidas pelos membros da USML, pois percebo que infelizmente a FSSPX está passando por processo semelhante ao que passamos em Campos. Em alguns pontos, infelizmente, o modernismo se apresenta de forma mais avançada na FSSPX do que entre nós, como em algumas tristes entrevistas do Pe. Niklaus Pfluger ou naquela infelicíssima arquitetura da capela de San Tiago na Espanha, pois nenhuma igreja ou capela da Adm. Apostólica se assemelha àquela, a despeito de nossos problemas pós-acordo.

      Entrementes, Deus não se esquece de nenhum de seus filhos e a Verdade é a Sã Doutrina, cuja correta ilustração não se restringe nem pode se restringir a grupos específicos. Rezemos e que Nosso Senhor e a Virgem Dolorosa se apiedem de nós sobremaneira nesse momento de crise na Igreja.

  10. Foi-se o tempo de seriedade da Montfort. Hoje, ser criticado pela Montfort significa acerto. O que aquele povo quer é simplesmente ter padres para si e se entregaram a todo tipo de bajulação em nome deste objetivo. Esses nossos monges da Santa Cruz não são de brincadeira, buscam verdadeiramente a santidade, são orgulho do Rio de Janeiro. Os antigos monarquistas do Rio também são sérios e o IPCO está ao lado destes.

  11. Ninguém nota que D. Williamson e os bispos da Resistência não foram excomungados como foi D. Lefebvre?

    Isso é muito significativo.

    Não imagino Francisco excomungando ninguém, pois seria muito ”autoritário” e ”retrógrado” excomungar.

    • Isso tem uma explicação lógica: quando Dom Marcel Lefebvre sagrou os três bispos sem autorização, ele era um bispo católico em comunhão com a Santa Sé. Por isso ele foi excomungado.
      Agora em tese não haveria porque Roma excomungar Williamson e seus “bispos” pois eles não pertencem a Roma, não constam no Anuário Pontifício, então em tese não são bispos da Igreja Católica.
      Seria a mesma coisa de o Papa lançar excomunhões toda vez que os anglicanos e os luteranos fazem “ordenações”. Não são ministros da Igreja Católica então não há porque se preocupar com eles. O caso Williamson se encaixa nisso.
      O mesmo ocorreu quando Emmanuel Milingo ordenou os primeiros “bispos” sem mandato pontifício: como ele era um bispo católico em situação regular, ele e seus ordenados foram excomungados. Agora os que foram “ordenados” pelos “ordenados de Milingo”, não houve porque Roma se esquentar com eles.

  12. ” Não é então de espantar que o Concílio Vaticano II tenha realizado e posto em execução as reformas preconizadas pelos hereges modernistas. Foi do Vaticano II que nasceu uma Nova Igreja oposta à Igreja Católica Apostólica Romana. Essa Nova Igreja, sem dogmas, evolutiva, ecumênica, igualitária e humanista abriu-se ao mundo e à civilização moderna, aceitando até o Socialismo. Essa Nova Igreja Conciliar se mostra sedenta de coisas novas (“Rerum novarum semel excitata cupidine”) tal como a igreja desejada pelos hereges medievais… É uma tentativa de dominar a Igreja por dentro que Eco descreve em O Nome da Rosa.” Orlando Fedeli, in Nos Labirintos de Eco.

    Cabe ao Sr. Alberto Zucchi esclarecer suas relações com Dom Scherer sob essas observações do fundador da Montfort. Indaga-se: Zucchi mantém contatos com um herege da Nova Igreja, ou é o Sr. Orlando Fedeli o herege que se rebelou contra o Clero católico porque viu neste o representante da igreja impostora que se antepõe à Igreja Católica?

  13. O fato é que a igreja saída do vaticanosegundo se exauriu. Acabou. O fato de haver gente que ainda acorra aos templos e pareça dar uma ilusão de normalidade, é miragem de cegos. A qualidade doutrinal dessas pessoas, pode se presumir, é ínfima. Misturam cristianismo com todo tipo de doutrina espúria, desde o reencarnacionismo ao pseudo-casamento sodomita, passando pelo ecumenismo bastardo e outras coisas mais. Não sabem nada. Nem desconfiam. Não há quem as instrua e discipline. São ovelhas sem pastor. Sabem da religião tanto quanto, talvez, a maioria dos ordenados: nada.

    É preciso muita ideologia para não ver que Bergoglio é o fruto perfeito e acabado dessa decadência vertiginosa que assola o catolicismo faz décadas. Ele é a consequência perfeita das reformas cretinas e irresponsáveis feitas em nome do dito concílio, ele é a encarnação do espírito do concílio, concílio aliás, muito pouco estudado seja nos documentos oficiais seja em suas crônicas. A esmagadora maioria de seus atuais “defensores” jamais lhe folheou as páginas. Quando muito uma monografiazinha para constar no curso de “teologia”. Outros defensores, mais ideológicos e eruditos, já baixaram à sepultura faz tempo. As atuais muitas frangas do clero, ao menos as do infeliz Brasil, falam por falar, são sinos que balançam ao vento, gente triste atolada nas paixões mais primárias, incapazes de nos fazer lembrar qualquer coisa de religioso ou de confiável.

    Talvez o clero dito conservador (já) se ponha (finalmente) a pergunta: E agora? E esse “Papa”? De onde veio essa tempestade?

    Não é possível saber o que vai sair dessa sagração episcopal. Talvez nada; talvez muita coisa. Agora é fato consumado. Está feita. É preciso esperar que, vencidas as paixões e ciumeiras, algo de bom redunde para a Igreja, nessa sua agonia. Quem sabe saia de tanta confusão o “bispo vestido de branco”.

    Amém.

  14. As ordenações episcopais de 1988 atendiam ao problema específico daquela época uma vez que dom Marcel Lefebvre estava à beira da morte, ficando em perigo, portanto, sua obra. Não deveríamos exigir que o arcebispo previsse todas as vicissitudes que passaria a tradição. Até porque uma acordo com Roma era algo futuro e incerto. Parece falsa a seguinte afirmação: “Coitado de Dom Lefebvre! As loucuras que se fazem usando o nome dele como desculpa! Se ele quisesse mesmo uma “igreja paralela”, teria deixado ordens explícitas para que os bispos escolhidos por ele saíssem por aí sagrando outros bispos a rodo!” Em primeiro lugar, não estão sendo sagrados bispos a rodo. Nem seria exigível que o arcebispo francês deixasse ordem escrita. Aliás, se os bispos ordenados por dom Marcel Lefebvre chegassem à idade avançada ( Algo perto de acontecer) e não houvesse acordo com Roma, não se deveria ordenar bispos tradicionais mesmo na ausência de ordem expressa? Em segundo lugar, não se pode afirmar com certeza que as ordenações atuais sejam feitas por vaidade ou orgulho, até porque não parece que o estado de necessidade alegado em 1988 tenha passado; pelo contrário, parece que se agravou.

    • As sagrações feitas por Mons. Lefebvre foram dolorosas e evitadas por um longo tempo, feitas apenas após muitas tentativas e espera por um mandato apostólico. O Estado de Necessidade existia – e ainda existe – mas tentou-se primeiro pelas vias ordinárias. Não sendo possível, aí sim Mons. Lefebvre realizou a sagração. Tenho certeza que será o caminho seguido pelos atuais bispos da FSSPX.

      D. Williamson, pelo contrário, faz tudo de sua própria cabeça. Ele sagra, sim, “a rodo”. E a prova disso é que escolheu um padre idoso e um monge sem muitas qualidades humanas (Embora, digam, seja muito piedoso) para serem seus sucessores.

      Então ficam as perguntas… Para que tudo isso? Por que esse desprezo para com a figura do papa, de modo a se orgulhar de não ter sequer avisado o Pontífice sobre a sagração? D. Williamson é sedevacantista? Pois parece. Para que mais um bispo? Para ordenar os novos padres? Que novos padres? Onde estão as vocações da USML? 3 bispos para 8 seminaristas e pouco mais de 50 padres espalhados no mundo. Perdoem-me, sei que a intenção de muitos é das melhores, mas é francamente ridículo.

  15. Parabéns ao antístite de Nova Friburgo pela coragem em denunciar o triste episódio ocorrido à revelia da Verdade em sua diocese.
    Meus pêsames aos excomungados, que sempre justificarão os próprios caprichos como “estado de necessidade”.

  16. No ambiente da Igreja paira um estado de confusão abissal, por muitos lados. Toda prudência é pouca neste século XXI. Muita névoa e neblina. Estreitar-se ao que é a Igreja enquanto Igreja é o pé no chão do católico apostólico romano. O caso do sr. M. Lefebvre é uma coisa, um facto e esse caso de “Tomás de Aquino” é outro facto. Santo Deus coitado de S. Tomás o santo real. Tenha-se cautela com comprometimentos de “grupos” no ambiente da Igreja. Vejo que certos senhores desse meio tem muito de inclinação para a genealidade, mas ter só gênio não diz tudo. É preciso ver abrangentemente se isso confere com a Verdade Católica. Logo, eu não ponho minha mão sobre o fogo a respeito desse caso mas nem se alegassem que eu ganharia o “paraíso”. Valha-nos Deus e a Virgem Maria.

  17. Não gosto de comentar, porém vejo a necessidade de fazê-lo. Muitos não conhecem a situação da Resistência Católica terminam falando o que pensam. A resistência tem um seminário oficial que todavia tem 8 seminaristas (verdade) e que nesse ano mais ou menos 15 pessoas estão para ingressar no seminário, portanto não se pode acusar de pouco número. A Resistência tem missões também na Filipinas (na qual há mais seminaristas e religiosos), também missões na África e em outras partes do mundo, como na Colômbia que é mais frutuosa que a própria Fraternidade São Pio X, apesar de haver somente dois padres nesse país e um deles passou do modernismo para a Resistência recentemente. Bem, para haver um apostolado seguro, necessitamos de bispos católicos e prudentes, que é o que Dom Williamson está fazendo, querendo ou não a Igreja mais do que nunca se encontra em um estado de necessidade evidente, mais evidente que na época do nosso grande Arcebispo. E pelo contrário do que falam nos comentários, a Resistência não está criando um clero paralelo, a situação dos bispos são as mesmas que a partir de 1988, sem nenhuma intenção de criar uma hierarquia paralela, ninguém na Resistência alega uma “Jurisdição Ordinária”, longe disso, os bispos e padres (mais que na Fraternidade) sabem muito bem a qualidade de estado eclesiástico que têm de viver. Mais que fazer guerras desnecessárias, devemos rezar muito e agir em contra a destruição da Igreja de Nosso Senhor.

    • Senhor Evandro, só por seu comentário já se vê que o “problema” para a Resistência é a Fraternidade e não o modernismo reinante e disseminado na Igreja e seus péssimos frutos para a humanidade toda. Quanta confusão! Quanta cizânia, zelo amargo e orgulho! O Sr. Evandro sabe muito bem que não há qualquer cisco de modernismo ou falta de zelo da parte dos padres da FSSPX no Brasil. Suas objeções são as de alguém magoado, só isso.

    • Evandro, a sua argumentação vai contra os fatos. Todas as ações da dita Resistência estão caminhando para a formação de uma igreja paralela sim!