Surrexit Christus vere, Alleluia!

Resurrexit sicut dixit. Alleluia!

O Fratres in Unum deseja a seus leitores uma Feliz e Santa Páscoa! Viva Cristo Rei!

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

“Vós não sabeis que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Nós fomos, pois, sepultados com Ele, a fim de morrer (para o pecado) pelo batismo, para que assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim nós vivamos uma vida nova” (Rom. VI, 3 e 4).

Os méritos de Jesus Cristo adquiridos pela sua Paixão e Morte, subsistem para depois da Sua gloriosa Ressurreição. Para isto significar, quis conservar as cicatrizes das chagas: apresenta-as ao Pai em toda a sua beleza, como títulos à comunicação da sua Graça. Como diz São Paulo: “… (Jesus) porque permanece para sempre, tem um sacerdócio que não passa. Por isso pode salvar perpetuamente  os que por Ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por nós”(Hebr. VII, 25).

É logo no Batismo que participamos da graça da Ressurreição. É também o que diz S. Paulo, como acima transcrevemos.  A água santa em que mergulhamos no Batismo é, segundo o Apóstolo, a imagem do sepulcro (Na época se administrava o batismo também por imersão). Ao sair dela, fica a alma purificada de toda a falta, de toda a mancha, livre da morte espiritual e revestida da graça, princípio da vida divina. Jesus Cristo tem infinito desejo de nos comunicar a Sua vida gloriosa, assim como teve um ardente desejo de ser batizado com o batismo de sangue para nossa salvação. E o que é mister seja feito para correspondermos a este desejo divino e nos tornarmos semelhantes a Jesus ressuscitado?

É preciso viver no espírito do nosso Batismo: renunciar de verdade (e não só de lábios) a tudo o que na nossa vida é viciado pelo pecado; fazer “morrer” cada vez mais o “velho homem”. Continuando o texto supracitado no início: “Porque, se nos tornarmos uma só planta com Cristo, por uma morte semelhante a d’Ele, o mesmo sucederá por uma ressurreição semelhante, sabendo nós que o nosso homem velho foi crucificado juntamente com Ele, a fim de que seja destruído o corpo do pecado, para que não sirvamos jamais ao pecado” (Rom. VI, 5 e 6).

Assim, tudo em nós deve ser dominado e governado pela graça. Nisto consiste para nós toda a santidade: afastar-nos do pecado, das ocasiões do pecado, desapegarmo-nos das criaturas e de tudo o que é terreno, para vivermos em Deus e para Deus com a maior plenitude e estabilidade possíveis. E São Paulo continua explicando: “De fato aquele que morreu, justificado está do pecado. E, se morremos com Cristo, creiamos que viveremos também juntamente com Cristo”…

Caríssimos, esta obra de santidade inaugurada no Batismo, continua durante toda a nossa existência. São Paulo dizia: “Eu morro todos os dias”. É certo que Jesus Cristo só morreu uma vez; deu-nos assim o poder de morrer com Ele para tudo o que é pecado. Nós, porém, devemos “morrer” todos os dias, pois conservamos em nós as raízes do pecado, raízes estas que o demônio trabalha para fazer brotar de novo. Portanto, destruir em nós essas raízes, fugir de toda a infidelidade, desapegar-se de todo criatura amada por si mesma, afastar das nossas ações todo o motivo, não só culpável, mas puramente natural; libertar-nos de tudo o que é criado, terreno, conservar o coração livre duma liberdade espiritual, – eis, caríssimos, o primeiro elemento da nossa santidade. Mostra-o S. Paulo em termos os mais expressivos: “Purificai-vos do velho fermento para serdes uma massa nova; pois, desde que Jesus Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado por nós, tornastes-vos pães ázimos. Participemos portanto do banquete, não com o fermento antigo, o fermento do mal e da perversidade, mas com os ázimos da verdade e da sinceridade”.

Aqui também faz-se mister uma explicação: Entre os Israelitas, nas vésperas da festa da Páscoa, deviam desaparecer das casas toda a espécie de fermento; No dia da festa, depois de imolado o cordeiro pascal, comiam-no com pães ázimos, isto é, sem fermento, não levedados (Cf. Ex. XII, 26 e 27).  Pois bem! Tudo aquilo eram apenas “figuras e símbolos” da verdadeira Páscoa, a Páscoa cristã. Naquele momento da regeneração batismal, participamos da morte de Cristo, que fazia morrer em nós o pecado: tornamo-nos, e assim devemos permanecer pela graça, uma nova massa, isto é, “nova criatura”, “novo homem”, a exemplo de Jesus Cristo saído glorioso do sepulcro.

Os judeus, chegada a Páscoa, se abstinham de todo o fermento para comer a cordeiro pascal, assim também vós, cristãos,  que quereis participar do mistério da Ressurreição e unir-vos a Jesus Cristo, Cordeiro imolado e ressuscitado por vós, deveis, doravante, levar uma vida isenta de todo o pecado; deveis abster-vos desses maus desejos que são como que um fermento de malícia e perversidade; deveis conservar em vós a graça que vos fará viver na verdade e na sinceridade da lei divina.

Não podemos servir a dois senhores ao mesmo tempo. E, se renunciamos ao demônio, suas obras que são os pecados, e suas pompas e vaidades que levam ao pecado, digo, se renunciamos a tudo isto, é justamente para vivermos para Deus. E este viver para Deus encerra em si uma infinidade de graus. Supõe em primeiro lugar afastamento total de todo pecado mortal; pois, entre este e a vida divina há incompatibilidade absoluta. Há depois a separação do pecado venial, das raízes do pecado, de todo o motivo natural; desapego de tudo quanto é criado. Quanto mais completa for esta separação, mais libertados estamos, mais livres espiritualmente e mais se desenvolve e desabrocha também em nós a vida divina; à medida que a alma se liberta do humano, abre-se para o divino, vive na verdade a vida de Deus.

Caríssimos, permaneceremos em Jesus que é a Vida, pela graça, pela fé que n’Ele temos, pelas virtudes de que Ele é o modelo perfeito. E é preciso que Jesus Cristo reine em nossos corações. É mister que tudo em nós Lhe seja submetido.  Jesus deve ser a nossa vida. Oxalá pudéssemos dizer com toda verdade como São Paulo: “Vivo, mas não sou mais que vivo, é Jesus Cristo que vive em mim!”

Vamos resumir tudo também com palavras de São Paulo: “Portanto, se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são lá de cima, onde Cristo está sentado à destra de Deus; afeiçoai-vos às coisas que são lá de cima, não às que estão sobre a terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Col. III, 1-3). Amém!

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2 Comentários to “Surrexit Christus vere, Alleluia!”

  1. Feliz Santa Pascoa ao Pe Elcio e ao Fratres!
    A ressurreição de Jesus é um fato que se desenrola no segredo de Deus, fora de nosso alcance, portanto, permanece oculta aos nossos olhos; no entanto, ela deixa um rastro perceptível na história, como na intervenção primeira das mulheres e depois dos discípulos, testemunhos dos que viram, dos que continuam a ver da mesma forma e pelos que repassarão para os que os sucedaneos: o sepulcro está aberto, mas não vazio; está cheio de sinais de vida!
    E aqueles mesmos que ficaram pasmos com os acontecimentos que circunstanciaram a deposição de Jesus no sepulcro, e posteriormente por o Sudario estar dobrado, indicando que o Corpo Santíssimo de Jesus não fora furtado com todos os pertences!
    E os sinais misteriosos e as interrogações que poderiam advir do fato mostram uma presença nova; a ressurreição de Cristo é para eles um acontecimento inesperado, inusitado, frente ao qual precisam de tempo para se orientar. «Nem nos sonhos da história, nem nos seus, ousaram pensar tão clara madrugada», jamais esperaram ver assim «Cristo ressurgir em íntima alvorada, naquela manhã florida, anunciada» (cf. pagela pascal)!
    Eis pois a nova esperança que surge da Páscoa de Cristo e ressurge como confiança inabalável na vida dos cristãos nesse mundo quase completamente envolto por nuvens tenebrosas, a cada dia mais ameaçadoras!
    Ressuscitou o Bom Pastor, «Aquele que, mesmo na morte, me acompanha e com o seu bastão e o seu cajado me conforta, de modo que não devo temer nenhum mal» (Bento XVI, Spe Salvi, 6).

  2. A ressureição de Cristo marca a direção do nosso amor e o nosso compromisso de fé e esperança