Entrevista de Dom Fellay, FSSPX, sobre as relações com a Santa Sé.

Nosso agradecimento ao amigo Fabiano Rollim pelas legendas no vídeo e notas abaixo.

Entrevista de Dom Bernard Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em 04 de março de 2016.

As notas abaixo referem-se a contextos abordados por Dom Fellay em momentos determinados (identificados por mm:ss) durante a entrevista:

01:28 – Essas pré-condições foram: a Missa Tridentina permitida a todos os padres e o levantamento das censuras contra a Fraternidade.

02:12 – De outubro de 2009 a abril de 2011.

21:44 – Eis a resposta de Mons. Guido Pozzo, Secretário da Comissão Ecclesia Dei, na entrevista que deu à Zenit em 25 de fevereiro de 2016. Pergunta: “Vossa Excelência, em 2009 o Papa Bento XVI levantou a excomunhão da Fraternidade São Pio X. Isso significa que agora eles estão novamente em comunhão com Roma?” Resposta: “Desde que Bento XVI levantou a censura da excomunhão dos bispos da FSSPX (2009), eles não estão mais sujeitos àquela grave penalidade eclesiástica. Mesmo após aquele passo, todavia, a FSSPX ainda está numa situação irregular, porque não recebeu reconhecimento canônico da Santa Sé. Enquanto a Fraternidade não tem um status canônico na Igreja, seus ministros não exercem o ministério e a celebração dos sacramentos de uma forma legítima. De acordo com a fórmula do então Cardeal Bergoglio em Buenos Aires, e confirmada pelo Papa Francisco à Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, os membros da FSSPX são católicos a caminho da plena comunhão com a Santa Sé. Essa plena comunhão virá quando houver um reconhecimento canônico da Fraternidade.”

22:12 – Mons. Pozzo, ibid.: “O que parece crucial é encontrar uma plena convergência no que é requerido para estar em plena comunhão com a Sé Apostólica, a saber, a integridade do Credo Católico, o vínculo dos sacramentos e a aceitação do Supremo Magistério da Igreja.”

25:02 – Papa Francisco, Carta ao Arcebispo Rino Fisichella datada de 1 de setembro de 2015, quando o Ano Santo estava para começar: “Por meio de minha própria disposição, estabeleço que aqueles que durante o Ano Santo da Misericórdia aproximarem-se desses padres da Fraternidade São Pio X para celebrar o Sacramento da Reconciliação receberão válida e licitamente a absolvição de seus pecados.”

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5 Comentários to “Entrevista de Dom Fellay, FSSPX, sobre as relações com a Santa Sé.”

  1. Eu me lembro bem quando eu tinha por volta de 11 anos de idade, de um episódio que abalou minha cidade. A mãe de uma colega de escola se suicidou ateando fogo ao corpo. Era sua última tentativa desesperada de chamar atenção de um marido que a rejeitava e a traía com uma amante mais jovem e moderna.
    Pouco tempo depois, o marido não só se casou com a amante como a trouxe pra dentro de casa. Aquilo me deixou sobremaneira indignada e pra meu espanto não demorou muito para que os filhos também começassem a aceitar a madrasta e até defendê-la dizendo que era uma boa pessoa, que o pai havia se tornado um homem mais feliz e por isso os tratava melhor.
    Os vizinhos, e pasmem, até minha mãe que havia ficado indignada a princípio, também começou a falar com a nova esposa do tal homem. Política da boa vizinhança!
    Mas eu nunca consegui olhar pra aquela mulher com bons olhos e da mesma forma me sinto com relação ao successor de Ratzinger.
    Naquela manhã do dia 11 de fevereiro de 2013, um cataclisma abalou a Igreja e esse cataclisma só pode ser comparado em magnitude àquele do dia 30 de novembro de 1969 em que a Missa milenar da Igreja, o Santo Sacrifício, foi substituida pelo Novus Ordo que transformou o Santo Sacrifício numa espécie de banquete fraterno, uma espécie de “Agape” em que a Presença Real só é lembrada de vez enquando quando se canta um daqueles hinos de São Tomás de Aquino.
    A Lex Orandi passou a determinar uma lex credenti completamente diferente. E foi em defesa dessa Missa de sempre que Dom Lefebvre se levantou, ergueu Seminários, ordenou padres e até sagrou Bispos.
    Mas enquanto ele corria atrás da defesa da Missa, o cancer modernista dentro da Igreja avançava a sua métastase não mais para o coração da Igreja que é a Eucaristia e sim para a cabeça que é o Papado.
    Pois bem, chegamos a esse estado desastroso e querer negociar alguma coisa com essa hierarquia que está aí, é o mesmo que tentar fazer quimioterapia com novalgina!
    Mas pra qualquer um que reconhece a legitimidade de Fracisco/Bergoglio não há outra alternativa. A consequência lógica de reconhecer Francisco como um Papa legítimo, de aceitar sem nenhuma reserva, como válida e irreversível a renúncia de Ratzinger é ter que atendê-lo quando se é convocado.
    E isso vale tanto para a SSPX como para qualquer um desses grupos da pseudo-resistência, que malgrado esperneiem contra cada decisão da SSPX, também reconhecem a legitimidade de Bergoglio.
    A minha posição, e eu já deixei claro pra quem quiser ouvir, é que tenho sérias dúvidas quanto à legitimidade de Bergoglio. Nunca conseguirão me convencer de que temos um Papa reinante em pleno uso de suas funções, Francisco, e um emérito que tem como «único e último objetivo» rezar pelo seu sucessor”.
    E desde quando Nosso Senhor estabeleceu dois Pedros? Um pra ir para o combate e outro pra ficar recluso em oração? Pelo que eu saiba essas funções foram dadas num passado longínquo a Moisés e Josué: enquanto Josué lutava, Moisés e Aarão oravam! Ratzinger poderia ficar em oração como um simples bispo ou cardeal, não precisavam ter criado a instituição “Papa Emérito”! Algo inédito na história da Igreja!
    Nosso Senhor Jesus Cristo nos avisou que “não há nada oculto que não venha a ser descoberto”, portanto eu creio que o dia em que for esclarecido os bastidores da renúncia de Ratzinger e as artimanhas para a eleição de Bergoglio, muitos ficarão surpresos com as consequências da queda dessa impostura. Principalmente aqueles que tão rápido viraram a casaca depois de “rei morto, rei posto”.
    Quanto à entrevista em si, vejo Dom Fellay tentando ser diplomatico e até fazendo algumas conjecturas ingênuas, como dizer que talvez Bergoglio considere a SSPX como uma daquelas “periferias” que ele tanto defende. Ora, e desde quando para um cripto marxista, a Tradição é periferia? Sempra foi e será elite ou burguesia!
    Bergoglio não vê com benevolência nenhum grupo tradicionalista, haja visto o modo como tratou os Franciscanos da Imaculada e a maneira como se refere aos Católicos tradicionalistas em geral. A única solução honesta em todas essas negociações, se é que elas são inevitáveis, é que o status canônico/jurídico da FSSPX que foi fraudulentamente suspenso seja restaurado sem nenhuma pré-condição. Algo que acho muito improvável, visto que o jogo aqui me parece o mesmo da inscrição do anel de Sauron:

    Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
    Um Anel para a todos trazer, e na Escuridão aprisioná-los.

    Eu entendo que os religiosos, em virtude da santa obediência precisam ser cautelosos e aceitar certas normas que não se estendem a nós leigos. Mas nós leigos, o que precisamos mesmo é da graça dos Sacramentos, da boa catequese e luz espiritual para nos lançarmos pelas trincheiras do mundo em defesa do Reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo. Graças à Divina Providência isso nunca me faltou na SSPX.

  2. Gercione, vc podia me passar um e-mail da FSSPX porque eu gostaria de encomendar uma missa e não consigo na aba “contato” do site deles. Pode ser de Santa Maria/RS, ou outro. Obrigada.
    Se tiver acesso ao meu endereço eletrônico pode mandar pra ele ao invés de responder aqui. Obrigada de novo.

  3. Ate’ os maniqueus de plantao percebem que algo esta errado, mas ainda bem que nao sao eles a ter a palavra final.

  4. Esse conceito, de “plena comunhão” é espúrio e não tem lastro algum no bom senso e na boa fé: ou se está em comunhão ou não se está em comunhão.

    De início, mercê do Concílio, essa falácia da “plena comunhão” aplicava-se apenas aos cristãos; depois, a porta foi se escancarando de tal forma que saltou dos próprios batentes. Todo mundo estaria em “comunhão parcial”, e, o pior: mesmo sem saber. Esse devaneio foi ensinado, por exemplo, por João Paulo II quando ele insistia em dizer que, pela Encarnação, o Filho de Deus se unira a TODOS os seres humanos indistintamente, o que, além de péssima cristologia, tem funestas consequências eclesiológicas, pois, no ao fim e ao cabo, termina por identificar a Igreja com a “humanidade”. Péssima metafísica, também. Se a esse caldeirão de bruxa, juntarmos o “cristão anônimo” de Karl Rahner e os delírios ecumenistas de R. Panikkar, então a sopa venenosa está pronta (não faltam asa de morcego, unha de dragão e barba de bode). O infeliz Hans Kung percebeu o simplismo dessa falácia, e ironizou dizendo que isso introduzia na Igreja, “pela porta dos fundos” (a expressão é dele), 3/4 da humanidade.

    Além disso, o otimismo pelagiano e rousseauniano do Vaticano II diz, em relação aos “irmãos separados”, que os elementos doutrinais que eles AINDA conservam da fé católica os impeliria (saltitantes e sorridentes ) à “unidade católica”: outra falácia. De fato, uma Ferrari ou um fusca sem pneus não presta pra nada e não consta que pneus apareçam por geração espontânea. Mal comparando, eis a maldosa doutrina dos teólogos liberais do Concílio. Pois o fato de os “irmãos separados” conservarem muito ou pouco da fé católica não quer dizer que isso os predisponha, de per si, a jogar fora todos os seus erros e heresias. É muito simplismo, e sobretudo simplismo inverificável, que se espere que os tais “irmãos separados” saiam correndo para a Igreja católica porque, por exemplo, AINDA professam a fé na Santíssima Trindade.

    Então, é preciso não cair no conto do vigário da “comunhão plena”. “Comunhão” é como virgindade, e não admite meio termo.