Exortação pós-sinodal Amoris laetitia: primeiras reflexões sobre um documento catastrófico.

Roberto de Mattei

Corrispondenza Romana, 10-04-2016

Com a Exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia, publicada em 8 de abril, o Papa Francisco pronunciou-se oficialmente sobre problemas de moral conjugal, em discussão há dois anos.

No Consistório de 20 e 21 de fevereiro de 2014, Francisco havia confiado ao cardeal Kasper a tarefa de introduzir o debate sobre esta questão. A tese do cardeal Kasper, de que a Igreja deve mudar a sua prática pastoral nas questões matrimoniais, foi o leitmotiv dos dois Sínodos sobre a família de 2014 e 2015, e constitui hoje a pedra angular da exortação do Papa Francisco.

No decurso desses dois anos, ilustres cardeais, bispos, teólogos e filósofos intervieram no debate, a fim de mostrar que deve existir uma íntima coerência entre a doutrina e a práxis pastoral da Igreja. Pois, de fato, a pastoral se baseia na doutrina dogmática e moral. “Não pode haver pastoral que esteja em desarmonia com as verdades da Igreja e com a sua moral, e em contraste com as suas leis, e que não seja orientada a alcançar o ideal da vida cristã”, observou o cardeal Velasio De Paolis em seu discurso inaugural ao Tribunal Eclesiástico Umbro de 27 de março de 2014. A ideia de separar o Magistério de uma prática pastoral passível de evoluir de acordo com as circunstâncias, as modas e as paixões, segundo o cardeal Sarah, “é uma forma de heresia, uma perigosa patologia esquizofrênica” (“La Stampa”, 24 de fevereiro de 2015).

Nas semanas que antecederam a Exortação pós-sinodal, multiplicaram-se as intervenções públicas e privadas de cardeais e bispos junto ao Papa, a fim de evitar a promulgação de um documento prenhe de erros, detectados pelas numerosas alterações que a Congregação para a Doutrina da Fé fez ao projeto. Francisco não retrocedeu, mas parece ter confiado a última reescritura da Exortação, ou pelo menos de algumas de suas passagens-chave, a teólogos de sua confiança, que tentaram reinterpretar São Tomás à luz da dialética hegeliana. O resultado foi um texto que não é ambíguo, mas claro em sua indeterminação. A teologia da práxis exclui qualquer declaração doutrinária, deixando à história desenhar a linha de conduta dos atos humanos. Portanto, como afirma Francisco, “é compreensível” que, sobre a questão crucial dos divorciados recasados, “(…) se não devia esperar do Sínodo ou desta Exortação uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos” (§300). Se se está convencido de que os cristãos, em seu comportamento, não devem se conformar com os princípios absolutos, mas se porem a escutar os “sinais dos tempos”, seria contraditório formular regras de qualquer gênero.

Todos esperavam resposta a uma pergunta de fundo: Podem receber o sacramento da Eucaristia aqueles que, depois de um primeiro casamento, se recasam civilmente? A esta pergunta a Igreja sempre respondeu categoricamente que não. Os divorciados recasados não podem receber a comunhão porque a sua condição de vida contradiz objetivamente a verdade natural e cristã sobre o casamento, significada e realizada na Eucaristia (Familiaris Consortio, §84).

A resposta da Exortação pós-sinodal  é o contrário: em linha geral não, mas “em certos casos” sim (§305, nota 351). Os divorciados recasados devem realmente ser “integrados” e não excluídos (§299). A sua integração “a sua participação pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais, sendo necessário, por isso, discernir quais das diferentes formas de exclusão atualmente praticadas em âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional possam ser superadas” (§299), sem excluir a disciplina sacramental (§336).

O fato é o seguinte: a proibição de os divorciados recasados se aproximarem da comunhão não é mais absoluta. O Papa não autoriza, como regra geral, a comunhão aos divorciados, mas tampouco a proíbe. “Aqui – havia sublinhado o cardeal Caffara contra Kasper  – se toca na doutrina. Inevitavelmente. Pode-se arguir que não se toca, mas toca-se. Não só. Introduz-se um costume que a longo prazo incute a seguinte ideia nas pessoas, até nas não cristãs: não existe nenhum casamento absolutamente indissolúvel. E isto é certamente contra a vontade do Senhor. Não há dúvida sobre isso” (Entrevista a “Il Foglio”, 15 de março de 2014).

Para a teologia da práxis, as regras não contam, mas sim os casos concretos. E aquilo que não é possível em abstrato, é possível na prática. Mas, como bem observou o cardeal Burke: “Se a Igreja permitisse a recepção dos sacramentos (ainda que em um só caso) a uma pessoa que está em união irregular, significaria ou que o casamento não é indissolúvel e, portanto, que a pessoa não está vivendo em estado de adultério, ou que a sagrada comunhão não é a comunhão no Corpo e no Sangue de Cristo, o que, pelo contrário, requer uma reta disposição da pessoa, ou seja, o arrependimento do pecado grave e a firme resolução de não mais pecar” (Entrevista a Alessandro Gnocchi no “Il Foglio”, 14 de outubro de 2014).

Além disso, a exceção é destinada a se tornar uma regra, porque em Amoris laetitia o critério do acesso à comunhão é deixado ao “discernimento pessoal” do indivíduo. O discernimento é feito através do “diálogo com o sacerdote, no foro interno” (§300), “caso a caso”. Mas quais serão os pastores de almas que ousarão vetar o acesso à Eucaristia, se “o próprio próprio Evangelho exige que não julguemos nem condenemos” (§308), que é necessário “integrar todos” (§297) e “valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondem ou já não correspondem à sua doutrina sobre o matrimônio” (§292)? Os pastores que quisessem recordar os mandamentos da Igreja correriam o risco de agir, segundo a Exortação, “como controladores da graça e não como facilitadores” (§310). “Por isso, um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas. É o caso dos corações fechados, que muitas vezes se escondem até por detrás dos ensinamentos da Igreja ‘para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas’” (§305).

Esta inédita linguagem, ainda mais dura que a dureza de coração que ela recrimina nos “controladores da graça”, é o traço distintivo da Amoris laetitia, a qual, não por acaso, na conferência de imprensa de 8 de abril, o cardeal Schönborn definiu como “um evento linguístico”. “Minha maior alegria em relação a este documento”, disse o cardeal de Viena, é que ele “constantemente supera a artificial, externa, clara divisão entre regular e irregular”. A linguagem, como sempre, exprime um conteúdo. As situações que a Exortação pós-sinodal define como “chamadas irregulares” são o adultério público e a coabitação extraconjugal. Para Amoris laetitia, ambos realizam o ideal do matrimônio cristão, embora “de forma parcial e analógica” (§292). “Por causa dos condicionalismos ou dos fatores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio duma situação objetiva de pecado – mas subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente –, possa viver em graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja” (§305), “em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos” (nota 351).

De acordo com a moral católica, as circunstâncias que formam o contexto no qual a ação se desenvolve não podem alterar a qualidade moral dos atos, tornando bom e reto o que é intrinsecamente mau. Mas a doutrina dos absolutos morais e do intrinsece malum é frustrada pela Amoris laetitia, que se alinha à “nova moral” condenada por Pio XII em numerosos documentos e por João Paulo II na Veritatis Splendor. A moral de situação deixa às circunstâncias e, em última análise, à consciência subjetiva do homem, a determinação do que é bom e do que é mau. A união sexual extraconjugal não é considerada intrinsecamente ilícita, mas, enquanto ato de amor, sujeita a uma avaliação de acordo  com as circunstâncias. Mas geralmente não há nenhum mal em si, pois não existe pecado grave ou mortal. A equiparação entre pessoas em estado de graça (situações “regulares”) e pessoas em estado permanente de pecado (situações “irregulares”) não é apenas linguística: parece sucumbir à teoria luterana do homem simul iustus et pecator, condenada pelo Decreto sobre a justificação do Concílio de Trento (Denz-H, nn. 1551-1583).

A Exortação pós-sinodal Amoris laetitia é muito pior do que o relatório do cardeal Kasper, contra o qual foram justamente lançadas tantas críticas em livros, artigos, entrevistas. O cardeal Kasper havia colocado algumas perguntas, a Exortação Amoris laetitia oferece a resposta: abre a porta para os divorciados recasados, canoniza a moral de situação e inicia um processo de normalização de todas as coabitações more uxurio [NdT: incluindo a dimensão de intimidade conjugal].

Considerando que o novo documento pertence ao Magistério ordinário não infalível, deve-se desejar que seja objeto de análise crítica aprofundada por parte de teólogos e Pastores da Igreja, sem se iludirem com a idéia de que a ele se pode aplicar a “hermenêutica da continuidade”.

Se o texto já é catastrófico, mais catastrófico ainda é o fato de que ele foi assinado pelo Vigário de Cristo. Mas para aqueles que amam a Cristo e à sua Igreja, esta é uma boa razão para falar, não para calar. Assim, fazemos nossas as palavras de um bispo corajoso, Dom Athanasius Schneider: ‘Non possumus!’. Não aceitarei um ensinamento ofuscado nem uma abertura habilmente disfarçada da porta dos fundos para que por ela passe uma profanação dos Sacramentos do Matrimônio e da Eucaristia. Da mesma forma, não aceitarei uma burla do Sexto Mandamento de Deus. Prefiro ser ridicularizado e perseguido a ter que aceitar textos ambíguos e métodos insinceros. Prefiro a cristalina ‘imagem de Cristo, a Verdade, à imagem da raposa ornamentada com pedras preciosas’ (Santo Irineu), porque ‘Sei em quem pus minha confiança’, ‘Scio credidi cui’ (II Tm 1, 12)” (“Rorate Coeli”, 2 de novembro de 2015). [Tradução de Hélio Dias Viana]

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11 Comentários to “Exortação pós-sinodal Amoris laetitia: primeiras reflexões sobre um documento catastrófico.”

  1. Ao que tudo indica, os inimigos da Igreja em nada se manifestaram contrariamente à Amoris laetitia; estão silentes em críticas e alegres pelas aberturas – senão invasões – o que indicaria plena ou parcial concordancia com as exortações pós sinodais; ao menos os deixou tranquilos que os católicos continuarão a cairem na onda de uma certa e indeterminada misericordia!
    Aliás, da real misericordia pouco ou nada possuiria, mas os induziria sim, a pecarem; no entanto, sem carregarem sobre si tantos sentimentos de culpabilidades; mentes que teriam sido deformadas pelos atenuantes por quem as deveria orientar de ser evitarem excepcionalidades em determinados casos, como em ostensivo adulterio!
    O novo comportamento cada vez mais desconceituado de culpas pessoais, máxime em uniões irregulares, fatalmente poderiam facilitar outros casos, os relativizaria cada vez mais a ponto de se converterem em alienados ao cristianismo, apesar de se julgarem católicos, induzidos aos erros por quem deles os deveria acautelar!
    Muitos serão os que cairão nessa onda do possível misericordiosismo subjetivista da Amoris Laetitia, principalmente nesse tempo em que, a partir de dentro da igreja, não poucos se esforçam com denodo para afrouxarem os Mandamentos do Senhor, torná-los mais palataveis e adaptados ao comodismo moderno, tais como os confortos que a tecnologia atual proporciona ao homem!
    Os opositores prelados resistentes aos novos conceitos emanados do Vaticano desde a entrada do papa Francisco persistem, irão se manter no “non possumus” e continuarão a repassarem o cristianismo de sempre, desconsiderando casuísmos e tomadas de posições pessoais para concederem atenuantes nesse ou naquele caso particularizado, como propõem, chegando ao ponto de ser como nas seitas, cada qual tem um tipo de doutrina atendente a um determinado perfil de exigencias!
    Os detalhes explicitando as facilitações de excepcionalidades estão enumerados no proprio post.

  2. Vamos ser claros: para Bergoglio, o concubinato adúltero não é pecado mortal. É isso. Pois, no atinente à vida privada, sobretudo no que diz respeito às questões de ética sexual, nada é pecado para PF. A Bergoglio interessam apenas os pecados cometidos contra a ordem social; por isso, vira e mexe ele volta sua fúria histriônica contra a corrupção política, a máfia etc: são os únicos pecados na cartilha do jesuíta.

    A Exortação Apostática em desapreço é, antes de tudo, enfadonha. Ela está coalhada de sociologismos e psicologismos dignos de um café da manhã com Ana Maria Praga, com muito açúcar e pouca ou nenhuma referência à graça, e tem a clara intenção de vencer pelo cansaço. Repete, neuroticamente, sem um plano argumentativo claro, os temas desses três anos de vandalismo (“acolhimento”, “inclusão digital”, “misericórdia” etc). Trata-se de alimento azedo feito com o velho fermento que os patrões de Bergoglio mandaram-no trazer de Buenos Aires.

    Depois de cansar bem o leitor com sua cantilena, PF sentencia que o adultério permanente pode ser “la donazione che Dio stesso sta richiedendo in mezzo alla complessità concreta dei limiti, benché non sia ancora pienamente l’ideale oggettivo” (Amoris laetitia, 303). E isso tem nome: chama-se blasfêmia.

    Assim, a Exortação Apostática ataca violentamente a natureza e sacralidade dos Sacramentos da Igreja, tenta sujar, e suja, o que cimenta e dá sentido à vida “eclesial”. Para a parte do clero que há muito tempo permitia o que Bergoglio agora sanciona, a Exortação é apenas um mais detalhe vindo da burocracia “romana”. Nem vão ler, preferem ir à sauna saunear.

    Nada de muito novo.

    “Dois amores fundaram duas cidades, a saber, o amor próprio levado ao desprezo de Deus, a terrena; o amor de Deus levado ao desprezo de si próprio, a celestial. Uma gloria-se em si mesma, a outra em Deus. Aquela busca a glória dos homens, e esta tem por máxima glória de Deus, testemunha de sua consciência”.

    “Se te surpreenderes cidadão de Babilônia, extirpa as apetências, planta a caridade. Se te reconheceres cidadão de Jerusalém, tolera o cativeiro e espera a liberdade.”
    (Santo Agostinho, “A Cidade de Deus”)

  3. No dia 4 de outubro de 1987, cansado dessa linguagem dúbia e mentirosa, desses ardis demoníacos, Dom Lefebvre manifestou seu desencanto com as autoridades Romanas de uma maneira clara e sem rodeios:

    “Eu resumi assim para o Cardeal Ratzinger: ainda que vocês concordem em nos dar um bispo, ainda que vocês concedam uma certa autonomia para os bispos, ainda que vocês nos concedam toda a liturgia de 1962, ainda que vocês nos permitam continuar o Seminário e a Fraternidade como fazemos agora, não podemos mais colaborar. É impossível, é impossível! Porque nós trabalhamos em uma direção diametralmente oposta. Vocês trabalham pela descristianização da sociedade, da pessoa humana e da Igreja e nós trabalhamos pela cristianização. Não podemos nos entender! Roma perdeu a fé, meus caros amigos. Roma está na apostasia. Não é só um modo de dizer, não são palavras ao vento o que estou lhes dizendo. É a verdade. Roma está na apostasia. Não se pode ter confiançaa neles. Roma abandonou a Igreja, abandonou a Igreja. Isso é seguro”.

    Espero que Dom Fellay não se esqueça dessas palavras!

    • Salve Maria,

      Sra. Gercione, esta é a dúvida: será que ele se lembrará das palavras de Dom Lefebvre?

      Está dúvida é mais ainda angustiante, pois, salvo melhor juízo, as críticas feitas pela FSSPX contra os erros do Papa Francisco diminuíram tanto na quantidade quanto na dureza necessária.

      Enfim, o tempo dirá os rumos da FSSPX.

      Em tempo, como a senhora avalia o atual momento da FSSPX, com relação a um eventual acordo?

      Em JMJ.

      Francisco.

  4. “Para a parte do clero que há muito tempo permitia o que Bergoglio agora sanciona, a Exortação é apenas um mais detalhe vindo da burocracia “romana”. Nem vão ler, preferem ir à sauna saunear.”…

    Exatamente assim, o Bispo de Roma pensa que seus admiradores vão ler um documento chato e patético que tenta justificar os opostos?

    Bergóglio pode ser tudo, menos burro, ele sabe o nível curtural dos seus admiradores e seguidores desde dos tempos de Buenos Aires…

    Ele continua PONTIFICANDO da capela de seu palacete s. Marta todas as manhãs, descendo a lenha nos “apegados a lei”, colocando-se como o “todo misericordioso”…Vejamos as “pérolas”:

    “O coração fechado à verdade de Deus – observou o Papa – fica preso somente à verdade da lei”, ou melhor – precisou o Pontífice – “mais do que pela lei, pela letra”, e “não encontra outra saída a não ser a mentira, o falso testemunho e a morte”. Jesus já os havia repreendido por esta atitude, porque “seus pais tinham matado os profetas” e eles, agora, construíam monumentos a esses profetas.

    E a resposta dos “doutores da letra” é mais “cínica” do que “hipócrita”: “Se nós estivéssemos na situação dos nossos pais, não teríamos feito o mesmo”. E “assim – explicou o Papa – se lavam as mãos e se julgam puros diante de si mesmos. Mas o coração está fechado à Palavra de Deus, está fechado à verdade, está fechado ao mensageiro de Deus que traz a profecia para levar avante o povo de Deus”.

    Leiamos com mais atenção essas próximas “pérolas” saída da boca de um Papaaaaaa…..É TRISTE…..Parece mais um texto saído dos professores mais loucos dos cursicos de pré vestibular que temos por aí, que ouviu o galo cantar e não sabe onde…Ouvir isso de um Papa?????????????

    “A história nos fala de muita gente que foi morta e julgada não obstante fosse inocente. Julgada com a Palavra de Deus, contra a Palavra de Deus. Pensemos na caça às bruxas ou em Santa Joana D’Arc, em muitos outros que foram queimados e condenados porque não se ajustaram, segundo os juízes, à Palavra de Deus”….

    Meu Deus, sair de um Papa Bento para um Bergóglio é….sem palavras…

    Só nos resta rezar e nos apegarmos cada vez mais ao MAGISTÉRIO e ignorar o que sai do palacete s. Marta…

    Será que os Bispos da FSSPX ainda continuam animados a um acordo depois da publicação dessa carta espetacular assinada por Bergóglio???

    • Na homilia de ontem ele disse que Judas se enforcou pq os faraiseus não foram misericordiosos com ele…..

  5. Caro Francisco, eu já expliquei isso várias vezes aqui. A partir do momento em que os quatro Bispos da Fraternidade assinaram um acordo com Roma para a anulação das excomunhões, o termo de compromisso, segundo o próprio Cardeal Castrillon Hoyos estabelecia:

    1. O compromisso de responder proporcionalmente à generosidade do Papa.
    2. O compromisso de evitar qualquer intervenção pública que não respeite a pessoa do Papa e que seja negativa para a caridade eclesial.
    3. O compromisso de evitar se outorgar um Magistério superior ao do Santo Padre e não colocar a Fraternidade em contraposição à Igreja.
    4. O compromisso de demonstrar o desejo de agir honestamente em completa caridade eclesial e respeito pela autoridade do Vigário de Cristo.
    5. O compromisso de respeitar a data- fixada pra o final do mês de junho de 2008- para responder positivamente. Estas serão as condições necessárias e requeridas como imediata preparação para o termo de adesão que irá promover a plena comunhão.
    Assinado + Darío Card. Castrillón Hoyos
    https://uvcarmel.wordpress.com/2009/01/24/inside-the-vatican-on-the-lifting-of-the-excommunication/

    Como você pode ver, nesse termo de compromisso não se menciona nem o Vaticano II e nem a Liturgia…só diz respeito à pessoa e o ofício do Vigário de Cristo.
    Aparentemente essas condições pareciam inócuas e razoáveis naquele momento, mas quem imaginaria que a Igreja sofreria o golpe que sofreu com a eleição de Bergoglio?
    O problema tanto da Fraternidade como dos pseudo-resistentes é que todos eles reconhecem a autoridade de Bergoglio e aí então o Acordo continua valendo.
    Dom Lefebvre não estava amarrado a nenhum compromisso dessa natureza e por isso ele descia mesmo a lenha. Não poupava ninguém e dava nomes aos bois, gritava pra quem quisesse escutar:
    _ Rome est dans l’apostasie!! Rome est dans l’apostasie!
    E agora? Como é que fica o compromisso de responder proporcionalmente à generosidade do Papa? ( seja lá quem for esse Papa!). Muito simples: se o Papa chama, eles tem que atender. Se o Papa oferece uma jurisdição sem condições eles tem que agradecer, se o Papa oferece-lhes a faculdade de ouvir confissões durante o pseudo-jubileu e ainda estende essa faculdade como acabou de fazer agora, eles não podem sair por aí contestanto, mesmo porque o segundo termo do acordo deixa claro:
    2- O compromisso de evitar qualquer intervenção pública que não respeite a pessoa do Papa e que seja negativa para a caridade eclesial.
    Como sair dessas amarras sem que a “excomunhão” e o rótulo de cismáticos sejam prontamente restabelecidos? Complicado! Chegamos àqueles tempos em que “Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por causa de Cristo e pelo Evangelho salva-la-á.( Mt 16)
    O que eu posso dizer-lhe é que de todos padres que eu conheço da Fraternidade nenhum está feliz com a situação atual e nem sentem a menor simpatia por Bergoglio.
    Todo dia é um golpe diferente, daí o motivo pelo qual Dom Fellay disse em seu sermão no Santuario de Puy- Velay domingo, 10 de abril sobre essa nova catástrofe bergogliana:

    “… Uma Exortação Apostólica que tem o título” A alegria do amor “, mas que nos faz chorar. Esta exortação é um resumo dos dois sínodos sobre o casamento. É muito longa e contém muitas coisas que estão certas, que são belas e depois de construir um belo prédio, um belo barco, o Sumo Pontífice faz um buraco no fundo do barco, bem longo da linha de água. Vocês todos sabem o que está acontecendo.
    Inútil dizer que o buraco foi feito tomando todas as precauções possíveis, é inútil dizer que o buraco é pequeno: o barco vai afundar! Nosso Senhor mesmo disse que nem um pingo, nem um único iota será retirado da lei de Deus. Quando Deus fala, as suas palavras não admitem exceções, quando Deus manda é de uma sabedoria infinita que já previu todos os casos possíveis. Não há exceção à regra da lei de Deus. E agora, de repente se afirma que esta lei do casamento, que continuam dizendo que “o casamento é indissolúvel” (repete esta frase, diz-se), apesar de tudo, pode ter exceções no sentido de que os chamados divorciados novamente casados poderiam neste estado de pecado mortal estar também em estado de graça, e, portanto, poderiam receber a comunhão. É gravíssimo! Gravíssimo! Eu acho que não se pode medir o suficiente a gravidade do que foi dito. É inútil dizer que são pequenas exceções colocadas lá num canto, porque foi assim que passaram a comunhão na mão e como eu disse, o pequeno buraco no barco é suficiente para afundá-lo”.

    E prosseguindo o discurso ele define a exortação como um documento terrível que faz um mal imenso à Igreja. (min. 21:35)

    Mais tarde, descrevendo a situação geral da Igreja, o Superior Geral diz: “Há um grande número de bispos e até cardeais e até o Papa que, dizem não só coisas absurdas mas verdadeiras heresias que abrem caminho para o pecado […] “(Min. 23:55)
    http://www.sanpiox.it/public/index.php?option=com_content&view=article&id=1776%3Ariflessioni-di-mons-fellay-sull-esortazione-apostolica-amoris-laetitia&catid=67&Itemid=83

  6. Canonização de Judas a caminho?

    “Faz-me mal quando leio aquele pequeno trecho do Evangelho de Mateus quando Judas, arrependido, vai aos sacerdotes e diz ‘pequei’. Ele quer dar… e dá as moedas. ‘Que nos importa! – dizem eles – o problema é seu!” Um coração fechado diante desse pobre homem arrependido que não sabia o que fazer. ‘O problema é seu’ e foi se enforcar.

    E o que eles fazem quando Judas vai se enforcar? Falam e dizem ‘pobre homem? É… Não! ‘As moedas, rápido! Essas moedas são a preço de sangue, não podem entrar no templo’…e a regra é esta, esta e esta… Os doutores da letra: Não importava o arrependimento de Judas, mas somente o seu esquema de leis e muitas palavras e coisas que construíram. Essa é a dureza de seu coração. Essa é a dureza do coração, da tolice do coração dessa gente”

  7. Quando a blasfêmia já não mais incomoda quem a ouve e não faz tremer quem a pronuncia:

    “Faz-me mal quando leio aquele pequeno trecho do Evangelho de Mateus quando Judas, arrependido, vai aos sacerdotes e diz ‘pequei’. Ele quer dar… e dá as moedas. ‘Que nos importa! – dizem eles – o problema é seu!” Um coração fechado diante desse pobre homem arrependido que não sabia o que fazer. ‘O problema é seu’ e foi se enforcar.

    Sente-se mal por que? Será que é porque vê naquela passagem um espelho do que acontece com os sucessores dos Apóstolos que traem o Filho do Homem?

    “O Filho do homem vai, como de fato está escrito a respeito dele. Mas ai daquele que trai o Filho do homem! Melhor lhe seria jamais haver nascido”. Então Judas, que haveria de consumar a traição, disse: “Acaso, seria eu, meu Mestre?” E Jesus afirmou-lhe: “Sim, tu o declaraste!”

    Infelizmente parece que Bergoglio passou rápido dos Evangelhos Sinóticos para os Apócrifos, pois o “Evangelho de Judas”, redigido pela seita gnóstica dos Cainitas é que apresenta Judas Iscariotes de maneira positiva e o descreve como alguém que obedeceu a uma ordem divina ao entregar Jesus às autoridades para a salvação do mundo.
    Esse apócrifo também foi citado e condenado por Santo Irineu de Lyon em sua obra «Contra as heresias», escrita em torno ao ano 180.
    Mas o que a Igreja e os Evangelhos sempre ensinaram a respeito de Judas Iscariotes está muito longe do coitadinho arrependido!
    Judas andava lado a lado com o próprio Deus Encarnado, mas nunca o reconheceu como tal. Tinha a responsabilidade de ser uma espécie de tesoureiro do grupo de Jesus, mas havia algo que o manchava: o apego ao dinheiro. Quando Maria tomou um perfume valiosíssimo e derramou nos pés de Jesus, Judas se revoltou, considerando que aquele ato era um desperdício: “Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres?” João 12.5
    A reação de Judas não era uma preocupação com os pobres e sim “porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava” (João 12.6).
    Assim como os demais discípulos, Judas foi muito amado por Jesus. Teve as mesmas oportunidades de crescer espiritualmente, de conhecer as riquezas do Reino de Deus, de receber o Espírito Santo prometido e ser salvo. No entanto, 30 moedas de prata foram suficientes para que ele entregasse o seu próprio Salvador.
    Mas Judas coitadinho, aquele pobre homem arrependido não sabia o que fazer! Em vez de buscar pelo perdão de Deus, suicidou-se. Uma morte terrível, que foi relatada de duas formas na Bíblia: na primeira, o Evangelho de Mateus fala que ele se enforcou (Mateus 27.5); na segunda, o livro de Atos descreve como foi terrível a forma como Judas morreu: “Ora, este homem adquiriu um campo com o preço da iniquidade; e, precipitando-se rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram” Atos 1.18
    Seja lá como for, os textos explicam o preço que ele pagou por ter traído Jesus. Se Judas tivesse tido a humildade de buscar o perdão de Deus, certamente teria sido perdoado e se tornado um grande homem tal como aconteceu com Pedro quando este também traiu Jesus ao negá-Lo por três vezes. A diferença é que Pedro, ao se arrepender, caiu em si e buscou pela misericórdia e perdão, enquanto Judas se matou porque certamente andou com Jesus o tempo todo e não acreditou em nada do que Ele falou sobre a vida eterna.
    Não muito diferente desses clérigos modernistas que só acreditam no aqui e agora.