Papa reencontra sacerdote albanês preso 28 anos pelo regime.

“Na prisão – recorda  ele – celebrei a missa em latim de cor e também distribuí a comunhão”.

Cidade do Vaticano (RV) – Foi com um beijo na mão que o Papa Francisco acolheu na manhã desta quarta-feira, na Praça São Pedro, o sacerdote albanês Padre Ernest Simoni, que passou 28 anos na prisão durante a perseguição comunista na Albânia. O Santo Padre já o havia abraçado comovido em 21 de setembro, em Tirana, após ter ouvido a história da sua perseguição.

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“Por 11 mil dias Padre Ernest foi submetido a torturas e trabalhos forçados”, conta ao L’Osservatore Romano Mimmo Muolo, jornalista do “Avvenire”, que escreveu o livro “Padre Ernest Simoni. Da perseguição ao encontro com Francisco”. E foi precisamente o sacerdote que entregou esta manhã uma cópia do livro ao Papa. Ele estava acompanhado pela Ir. Marisa, representante das Edições Paulinas, responsável pela publicação da obra.

A prisão

“A minha perseguição – afirmou Padre Simoni ao jornal da Santa Sé – teve início na noite do Natal de 1963 quando, pelo simples fato de ser sacerdote, fui preso e colocado na cela de isolamento, torturado e condenado à morte”. Seu companheiro de cela recebeu a ordem de registrar “a previsível raiva” do sacerdote contra o regime, mas Padre Ernest pronunciou somente palavras de perdão e de oração aos seus algozes. Assim, a pena prescrita foi de 25 anos de trabalhos forçados, a ser cumprida nas minas e nos esgotos de Scutari. “Na prisão – recorda  ele – celebrei a missa em latim de cor e também distribuí a comunhão”.

A liberdade

Finalmente, em 5 de setembro de 1990, chegou a liberdade e Padre Ernest recomeçou sua atividade pastoral que – confia – em realidade nunca havia interrompido, “mas somente vivido em um contexto especial”. E o seu primeiro ato foi o de confirmar o perdão aos seus algozes: “para eles – precisou – invoco constantemente a misericórdia do Pai”.

Oração

À inevitável pergunta sobre como pode resistir a tal perseguição sem curvar-se, o sacerdote respondeu com um sorriso antes de revelar o seu segredo: “Mas eu não fiz nada de extraordinário, sempre rezei a Jesus, sempre falei de Jesus”.

Perseguição será temas de mais dois livros

A edição do L’Osservatore Romano dedica uma página inteira ao tema das perseguições contra a Igreja na época da União Soviética. Em 21 de abril, às 17h30min, de fato, será apresentado o livro organizado por Jan Mikrut intitulado “A Igreja e o comunismo na Europa Centro-oriental e na União Soviética” (San Pietro in Cariano, Gabrielli Editori, 2016, 797 páginas, 48 euros). Entre as pessoas que se pronunciam no livro estão o Cardeal Miloslav Vkl, Arcebispo Emérito de Praga, que assinou o Prefácio; Dom Cyril Vasil, Secretário da Congregação para as Igrejas Orientais; o historiador jesuíta Nuno da Silva Gonçalves e o curador da obra, de quem são publicados trechos da apresentação.

O projeto editorial prevê outros dois livros que analisarão “a refinada e multiforme batalha dos comunistas contra a religião em geral e, de modo particular, contra a Igreja Católica”. Em particular, o segundo volume será dedicado aos testemunhos dos cristãos na Europa Centro-oriental, enquanto o terceiro tratará inteiramente da Igreja Católica em território da União Soviética. (JE)

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8 Comentários to “Papa reencontra sacerdote albanês preso 28 anos pelo regime.”

  1. Uma no cravo, outra na ferradura… Assim segue Francisco I.
    Ante a monstruosidade cometida contra esse sacerdote albanês, o abençoado Padre Ernest Simonie que resistiu na fé e outras milhões de pessoas, seria uma ótima oportunidade para Bergoglio condenar o ateísmo de estado, a supressão coercitiva da expressão religiosa e o anticlericalismo do comunismo. Infelizmente o “Papa” ficou só nas relações públicas.
    “Tudo isto será apenas o início das dores.
    Então sereis entregues aos tormentos, matar-vos-ão e sereis por minha causa objeto de ódio para todas as nações.
    Muitos sucumbirão, trair-se-ão mutuamente e mutuamente se odiarão.
    Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos.
    E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará.
    Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo.
    Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim.
    Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel (9,27) – o leitor entenda bem” (São Mateus 24: 8-15)
    Quem venha o dia do Senhor e eu seja contado entre os dignos. Amém.

  2. Quem mandou ele querer ser um sacerdote tradicionalmente católico?

    Se ele tivesse sido uma espécie de “frei” Betto ou Boff,poderia ter sido ministro da cultura ou coisa que o valha.

  3. O encontro do Bergóglio com o padre Ernest Simoni expõem como seu comportamento perante a Fé, dubiedades. Num momento, talvez em dois ou até em três momentos, o Bergóglio afaga os “modernistas”, e em um, e somente em um momento, o Bergóglio mostra alguma gratidão à tradição Católica. Do guia da Igreja Católica se espera a constância ao mostrar o caminho certo. Quem sabe o evento com o padre Ernest seja uma auspiciosa mudança de comportamento. Com fez o padre Ernest, nunca perder a Fé!

  4. Não tem dubiedade nenhuma, mesmo porque “Tirana” não é mais a mesma. O regime Comunista maoísta na Albânia foi substituído em 1990 por um salve-se-quem-puder de corrupção, migração e contrabando e não ameaça mais ninguém.
    Eu queria ver é ele recebendo os familiares de Asia Bibi e bradando alto contra a violência muçulmana, o sequestro e estupro de centenas de mulheres cristãs e yazidis por militantes muçulmanos, defendendo os vários cristãos que se encontram nas prisões do Paquistão acusados injustamente de “blasfêmia”.
    O momento urge que se dê ajuda à “Igreja que sofre”…e não à que sofreu e sobreviveu.
    É um escândalo que ele tenha levado no avião Papal 3 famílias de muçulmanos para o Vaticano e deixado pra trás 2 famílias cristãs, alegando que os primeiros estavam com os papéis em dia e os últimos não e ainda se saído com a desculpa de que todos eram “filhos de Deus”:

    “These three families had their documents in order. For instance, there were two Christian families in the first list but their papers were not in order. It is not a privilege. All twelve of them are children of God.
    https://press.vatican.va/content/salastampa/en/bollettino/pubblico/2016/04/18/160418e.html

    • Tão verdade que as crias das “muié-de-pano-na-cabeça” para entrarem na Europa como refugiados era fácil, enquanto os cristãos brecavam.
      Agora, a onda migratoria está diminuindo por causa da revolta dos cidadãos e muito mais pelos estupros, se não fossem esses, né Dona Merkel e cupinchas, os países estavam abertos para as pragas de gafanhotos do Islam, sem contar que os vândalos do Islam são apoiados pelos devotos de Fidel Castro, Obama e mumias parecidas!

  5. Defrontamo-nos com um lindo gesto do papa Francisco homenageando uma das milhares de vítimas do clero da genocida ideologia comunista – enquanto a CNBB e seus membros que não a confrontam deveriam estar sob censura, conspirando para reedições do Pe Ernest – colaborando na relativização da sociedade ao se associarem aos comunistas e afiliados da TL e do PT.
    Enquanto isso, vemos certas situações que estariam em desencontro ao gesto acima anti ideologias, mas conduzentes a elas, a partir da Amoris laetitia:
    “Muitas vezes a escolha do matrimônio civil ou, em diversos casos, da simples convivência não é motivada por preconceitos ou relutância face à união sacramental, mas por situações culturais ou contingentes”. Par. 294.
    “É possível que uma pessoa, no meio de uma situação objetiva de pecado — mas subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente —, possa viver na graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja”. Par. 305.
    “Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada ‘irregular’ vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante”. Par. 301.
    “A lei natural não pode ser apresentada como um conjunto já constituído de regras que se impõem a priori ao sujeito moral, mas é uma fonte de inspiração objetiva para o seu processo, eminentemente pessoal, de tomada de decisão”. Par. 305.

  6. Uma tristeza IMENSA, invade meu coração de católico.
    De que vale elegerem um papa latino-americano, que tem um comportamento tão dúbio, tão inconstante?
    De que vale, ele beijar a mão desse sacerdote, injustamente perseguido pelos comunistas albaneses, e ficar elogiando os irmãos Castro?
    Nossa Madre Igreja vai de mal a pior!

  7. Ele está se preparando para ir na JMJ na Polônia, tenho visto matérias contra o comunismo no jornal também, L’Osservatore Romano. Ele não é São João Paulo II, falando do lado político.