17 de abril de 2016, um dia abençoado.

Por Hermes Rodrigues Nery 

Apontamentos sobre o dia 17 de abril de 2016, em Brasília, em que a Câmara dos Deputados votou a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Roussef.

O dia 17 de abril de 2016 amanheceu com um céu azulíssimo, límpido; um lindo dia de domingo, estando em Brasília para a histórica votação na Câmara dos Deputados para a admissibilidade do impeachment da Presidente Dilma Roussef. Era outro o sentimento daquele 31 de outubro de 2010, quando ela havia sido eleita e que Hugo Chavez havia dito que ela era da “linha dura” do PT, comprometida com o projeto de poder da Pátria Grande socialista. O sentimento agora era o mesmo compartilhado por milhões de brasileiros que delicadamente dizia apenas “tchau, querida”. E pacificamente rechaçava, nas ruas e no parlamento treze anos de poder do lulopetismo, cujos danos à nação brasileira, foram escancaradamente expostos pela Operação Lava Jato.

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O momento do 342º voto.

Na noite anterior àquele dia memorável, estivemos em vigília na Esplanada dos Ministérios, e mesmo dividida por um muro para separar os participantes das manifestações contra e pró-impeachment, destacamos em entrevista, à Canção Nova, presente na vigília, o caráter pacífico das manifestações, desde a primeira ocorrida em 1º de novembro de 2014, logo após o pleito de 26 de outubro daquele ano, quando o povo brasileiro, em todas as partes do País, denunciou a apuração secreta feita pelo TSE, a fraude das urnas eletrônicas, operada pela empresa Smartmatick, motivo inclusive de uma audiência pública na Câmara dos Deputados e vários outros eventos para colher dados e comprovar a fraude das urnas eletrônicas. Quando Lula se queixou, por diversas vezes, de que não deixam a presidente Dilma governar desde aquele dia, é porque o povo percebeu o engodo daquele pleito, e por estar ancorada na mentira e na fraude, a presidente Dilma Roussef não teve um dia sequer de trégua, até o dia da votação do impeachment, e então o seu castelo de areia soçobrou por justamente não estar consolidado na rocha da verdade.

Desde aquela eleição do segundo turno, pipocaram imediatamente depoimentos pelas redes sociais, que motivaram uma tão grande indignação de todos, levando o povo às ruas. Fizemos então o “Manifesto pela Democracia”, com os demais movimentos populares, e a mobilização foi ganhando força, e foi se ampliando, sempre crescentemente, até chegar aonde chegamos, novamente num domingo, Dia do Senhor, para a importante deliberação no legislativo brasileiro. O lulopetismo, já em baixa, desde quando Lula foi desblindado pela ação coercitiva de 4 de março (que o obrigou ao depoimento à Polícia Federal, no Aeroporto de Congonhas), e também pela degradação moral exposta com a liberação dos áudios. Com isso, o lulopetismo ficou mais acuado ainda pela pressão popular, que resistiu cívica e bravamente, até alcançar o clímax do momento daquele domingo, tão abençoado.

 Uma celebração com quase todos os sacramentos, e a oração do Rosário

Fomos à missa, às 10:30, na igreja de São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis, na Asa Sul. No altar da igreja, vimos um painel ilustrando o primeiro ato público da história do Brasil: a celebração da primeira missa na Terra de Santa Cruz, em 1500. E cenas da vida de S. José de Anchieta, a cruz e o santíssimo ao centro, e a imagem de Nossa Senhora, também a do Papa São João Paulo II, com os braços abertos. Antes da missa, foi possível confessar-se com o sacerdote, um negro estrangeiro, com um sotaque parecendo a de um português angolano. A liturgia do dia propunha aos fiéis orarem pelos sacerdotes, e a segunda leitura lembrava as vestes brancas daqueles que venceram a grande tribulação, com o Evangelho fazendo referência ao bom pastor. Houve batizado de algumas crianças, e depois da Ação de Graças, um casal recebeu as bênçãos por 39 anos de casados. O sacerdote fez questão de oferecer a comunhão, nas duas espécies, aonde foi possível receber a Eucaristia, de joelhos e na boca. Uma celebração a confirmar assim quase todos os sacramentos.

Após o almoço, o amigo Dr. Luiz Eduardo Arima nos levou para nos encontrarmos com um pessoal que já estava nos aguardando em frente à CNBB, entre as embaixadas de Portugal e da Rússia, para a oração do Rosário. A imagem de Nossa Senhora Aparecida ficou acima da placa da CNBB, com a bandeira do Brasil, e juntamente com Renato Assis, Adrian Paz, Caio Belotte Delgado Marczuk, Maria Eduarda, Maria Luíza, Carla Assis e Marta, contemplamos todos os mistérios do Rosário, no gramado, sob o céu azul, num início de tarde tranquilo, já ouvindo, ao longe, o som que vinha da Esplanada dos Ministérios, anunciando a chegada dos manifestantes, vestidos de verdade e amarelo. Depois da oração dos mistérios do Rosário, seguimos em direção a concentração dos manifestantes pró-impeachment, passando pelo trio elétrico do VemPraRua, enquanto tocava o samba “Não é nada é meu”.

Encontrei-me com todos os amigos, lideranças dos diversos movimentos, ao subir no trio elétrico mais próximo do Congresso Nacional. Pelas três da tarde já estava bem cheia a Esplanada dos Ministérios, e ia chegando gente cada vez mais, com as mais variadas faixas, com dizeres: “Não é golpe, apenas uma faxina!”; “Brava Gente Brasileira – ou ficar a Pátria Livre ou morrer pelo Brasil”, “Tchau, querida”, “Fora Dilma, Fora PT”, “Somos Moro” etc. E também uma jararaca inflável sobre os ombros de um grupo, que desfilava entre todos. Como sempre, a marca das manifestações era o clima de festa, de congraçamento, do verdadeiro sentimento cívico e ético: crianças, jovens, casais de namorados, esposos, jovens, idosos, todos transpareciam um brilho no olhar, de esperança, de convicção de que aquele dia ia chegar. O impeachment de Dilma Roussef seria o começo da debâcle do lulopetismo em nosso País, cuja agenda, projeto de poder e modus operandi se voltaram contra o Brasil, e era preciso ter o nosso País de volta. As bandeiras tremulavam, enquanto o som tocava em ritmo de samba, e as cornetas – como em Copa de Mundo – festejavam, na tarde iluminada por um sol que parecia tardar em se por. De cima do trio elétrico se via o mar de gente, o boneco Pixuleco erguido durante a votação, próximo ao momento do 342º voto, proferido pelo deputado pernambucano Bruno Araújo.

O valor da família ressoa na maioria dos votos pelo sim

Às 17h e pouco o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, começou a histórica sessão, com o voto do deputado Washington Reis [PMDB-RJ). E um  a um, cada parlamentar foi fazendo o uso da palavra, e antes de dar o seu sim ou não, fazia as considerações que considerava importante para aquele momento. Chamou a atenção de todos, que a maioria dos deputados que votaram a favor do impeachment enaltecia a família. Os deputados que votavam pelo sim faziam questão de dedicar seus votos, dizendo que o faziam por Deus, pela sua família, pelo seu município, pelo seu estado e pelo Brasil. Em relação à família, inúmeros diziam o nome dos filhos, da esposa, da mãe ou do pai, dos avós, etc., e até dos familiares falecidos. Era o Brasil real, verdadeiro, mostrando a sua cara, a sua identidade nacional, fazendo ressoar o valor a família por todo o plenário, a voz em favor da vida e da família ecoou por toda a sociedade. Quando um deputado começava a proferir seu voto e dizia “pela minha família”, já sabíamos que votaria pelo sim. Enquanto isso, na Esplanada dos Ministérios, ao som do samba e em clima de Copa do mundo, as cornetas tocavam. E a cada voto “sim”, o som fazia ecoar o “Brasiiilllll”, como numa partida de futebol transmitida pela tevê ou nas corridas de fórmula um. Todos nós acompanhamos, voto a voto, aplaudindo cada “sim”, e toda a multidão vaiava a cada “não”, com toda paixão. “Olha o deputado da cueca”, proferiram no som, ao se referir ao deputado José Guimarães (irmão de José Genoíno), e todo mundo vaiava, em uníssono, por toda a Esplanada dos Ministérios, chamando o deputado petista de corrupto. Muito aguardado e aplaudido foi o deputado Tiririca, do Estado de São Paulo, que, curto e grosso, disse “Sr. Presidente, pelo meu País, voto sim”. Foi o seu primeiro e único pronunciamento na tribuna da Câmara. E com emoção acompanhamos cada voto, mesmo quando os deputados especialmente do Ceará e da Bahia foram alargando a margem do “não”. Mas ao chegar a 200 votos, e o governo não conseguindo 80 votos ainda contrário, já começávamos a sentir que a vitória do sim estava cada vez mais próxima, e o boneco Pixuleco começou então a ser inflado.

Passando dos trezentos votos, o trio elétrico foi se enchendo de mais lideranças dos movimentos das manifestações de rua, e os seguranças pediam para evitar o tablado principal, de receio que na explosão da alegria, ao anunciar o voto decisivo, houvesse algum problema na estrutura. E todos foram se aglomerando como podiam com seus celulares prontos para captar imagens (fotos e vídeos) do glorioso instante em que, enfim, o impeachment começou a se tornar realidade. Allan dos Santos, do Terça livre, se posicionou logo na nossa frente, ao lado de Beatriz Kicis, Meire Lopes e outros, e foi captando as imagens da multidão eufórica e ansiosa, enquanto eram distribuídas rosas brancas para as mulheres presentes. Beatriz Kicis fez a contagem regressiva, e estando ao lado dela, íamos acompanhando cada momento, na expectativa do proferimento do 342º voto, que enfim, foi feito pelo deputado Bruno Araújo, com as seguintes palavras: “Senhor presidente, quanta honra o destino me reservou. De poder da minha voz sair o grito de esperança de milhões de brasileiros. Pernambuco nunca faltou ao Brasil. Por isso digo ao Brasil sim para o futuro!” De Pernambuco, terra natal de Lula, da aparição de Nossa Senhora das Graças, veio o voto decisivo. E então, foi um momento emocionante vivido em todos esses anos indo a Brasília, acompanhar as votações no Congresso Nacional, na defesa da vida e da família, e também na defesa da ética, dos princípios e valores cristãos.

Foi uma explosão de contentamento, num momento ímpar. E tudo ocorreu como sempre desejamos: pacificamente, pela via institucional, com um movimento popular [que lembrou o movimento abolicionista] em sintonia com os melhores sentimentos cívicos e éticos, expressão do povo brasileiro, que mesmo em momentos de crise aguda, sabe criativamente manter a alegria. E aquele foi um momento de júbilo, aonde cada um festejou um passo importante para começar a passar o Brasil a limpo, a confirmar que “o crime não compensa”. O discurso petista de que a votação do impeachment era um golpe, e de que ia contra as conquistas sociais do lulopetismo, não colava mais. Houve deputado que dissesse que era preciso por Lula e Dilma na cadeia, houve outro que afirmou não caber mais o populismo, nem o clientelismo, nem a demagogia, nem o coronelismo, e tudo mais. Era preciso por fim ao lulopetismo, e a sua agenda de abortismo, de feminismo radical etc. O Brasil inteiro, como num jogo em que se ganhava com um gol de penalti, suado e sofrido, com o povo tomando conta das ruas especialmente da avenida Paulista, em São Paulo, aonde tudo começou, e de onde veio, mais uma vez o clamor do povo por um Brasil decente, de essência conservadora. E então cantamos o Hino Nacional, em lágrimas de emoção.

Mesmo sabendo que há muito o que fazer ainda pela frente, o domingo, 17 de abril, foi um dia histórico, um dia abençoado, memorável, mais uma página áurea da nossa história, em que agradeço a  Deus ter participado, sabendo de que lado estava nesse combate: ao lado daqueles que verdadeiramente amam a Deus, o Brasil e a família.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida.

2 Comentários to “17 de abril de 2016, um dia abençoado.”

  1. As pressões não poucas contra as hostes infernais do PT têm sido contundentes nas redes, notando que as críticas acérrimas e ações partem do proprio povo e não dos pastores, os quais são os que deveriam instruir as ovelhas de estarem sendo submergidas no ideologismo dos comunistas, impingindo-lhe dentro das mentes apenas esterco fétido e virulento, pilhando a nação, empobrecendo os mais fragilizados e os escravizando, e ainda esses devassos perseguindo frontalmente a doutrina da Igreja católica, adicionando ao fermento revolucionario o aborto, a pedofilia, a eutanasia, a ideologia de gênero e mais infindas mazelas!
    O comunismo, sendo satanismo, para que possa vicejar, tem que o terreno proporcionar-lhe os meios de subsistencia, para aprofundar suas raízes e dar seus “frutos”, acima relatados, e o Brasil, praticando um cristianismo quase do “jeitinho que o diabo gosta” – as vias públicas mais se parecem zonas boemias pelos despudor da grande maioria das mulheres, a começarem das velhotas, escandalosas e péssimos exemplos às mais jovens, além de seitas em cada esquina – mostrando que o diabo reina, e aqui tem sido palco ideal para sua realizações, pois onde o Senhor Deus é rejeitado, o diabo toma conta!
    Ei-lo entronizado e incensado por longos quase 14 anos (+ 8 anteriores com os socialistas), na obra de relativizar o povo – quase sem resistencia alguma!
    Os empreendimentos do prof Hermes Nery e auxiliares sempre se assentam em bases sólidas: ao invés de se basearem em meros cartazes contra isso ou aquilo materiais, como se fossem apenas situações pontuais humanas que resolvessem a questão, aprofunda-se no relevante pois esse tipo de demonio só é vencido com preces e conversões, complementando com ações exteriores!
    Enquanto isso, salvas as exceções, já que as ovelhas debatem-se sem quase nenhuma ajuda dos pastores…
    “Os seus sacerdotes violentam a minha lei, e profanam as minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem ensinam a discernir entre o impuro e o puro; e de meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles”. Ez 22 26.

  2. Pessoal,
    Precisamos apoiar o prof. Hermes na luta incansável em favor da Vida. Ele é o atual presidente nacional do Movimento Pró-vida.
    Ele sofre muitas perseguições por causa desta nobre causa.
    Foi um gde prazer, prof. Hermes, contemplar o rosário na sede da CNBB (em Brasília).
    Interessante: Do lugar onde contemplamos o Rosário, encontra-se em frente a Embaixade de Portugal e tb a Embaixada da Rússia.
    Alguém avise o papa Francisco que o tempo da Consagração da Rússia está esgotando…
    2017 está às portas!