Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: A volta do filho pródigo.

“Aproximam-se d’Ele os publicanos e os pecadores para O ouvir. Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe os pecadores e come com eles” (S. Lucas XV, 1 e 2).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Nosso Senhor Jesus Cristo mostra com três parábolas, a da ovelha tresmalhada, a da dracma perdida e a do filho pródigo, que assim agia porque a misericórdia de Deus é infinita. E Deus é infinitamente misericordioso porque conhece a fundo a nossa miséria. Como a meditação destas parábolas é confortadora para os pecadores arrependidos!

O  Nosso Pai do céu espera o pecador com paciência, busca-o com solicitude e recebe-o quando arrependido, com grande alegria.

O-pai-misericordioso-e-os-dois-filhos

É bom ler todas estas três parábolas. Encontram-se no Evangelho de São Lucas XV,  1-32. Quanto a parábola do filho pródigo, há três partes distintas: a partida, os desmandos e a volta do filho pródigo. Vamos meditar aqui apenas a terceira parte.

A primeira operação da graça na conversão do pecador é pôr-lhe à vista os seus pecados. Ela descobre-lhe o profundo abismo em que caiu, e inspira-lhe o desejo de sair dele. O filho pródigo entra em si. Faz, digamos assim, um exame de consciência. Ai! andava fora de si, havia muito tempo; até onde o tinham arrastado as suas paixões! Entra em si. Uma luz viva lhe dissipa as trevas; a ilusão cessa. Vê as coisas como são; já não exagera o valor dos gozos criminosos que tanto desejou. “Onde estou, diz ele consigo mesmo, e que fiz eu? Que significam estes vestidos esfarrapados, esta ocupação, esta fome? Que foi feito das minhas riquezas, da minha liberdade, da minha consciência, da minha honra? Casa paterna, não te tornarei a ver jamais? Quão longe estão de mim esses belos dias, em que, nada tendo a exprobrar-me, nada tinha a temer! Agora, a minha companhia são animais imundos; a mais dura escravidão, eis o meu estado; viver na miséria, eis a minha triste sorte. Quanto invejo a vossa sorte, ó servos de meu pai! A sua bondade previne os vossos pedidos, tendes em sua casa a abundância e eu, seu filho, morro aqui de fome.

A graça prepara assim a conversão de uma alma extraviada; esclarece-a, ilumina-a. Ao pecador, diz o Espírito Santo: “Pobre filho, onde estás”, como Deus perguntou a Adão logo que este pecou e procurou se esconder envergonhado: “Adão, onde estás, que fizeste?”

Deus derrama uma luz penetrante na sua alma; força-o a lembrar-se do estado de graça, do dia feliz da primeira comunhão. Então ele era tão feliz! Que doce paraíso estar com Jesus! Ah! que mudança terrível! Dantes, vencedor do demônio; hoje, seu mais desgraçado escravo. Antes alimentava-se com a própria Carne de Jesus pela comunhão.  O pecador, cheio de amargura, atormentado pelos remorsos, pode dizer como o filho pródigo: “Quantos diaristas há na casa de meu pai, que têm pão em abundância e eu aqui morro de fome!” Quantos conhecidos e parentes têm a consciência em paz, gozam santamente com as práticas religiosas, principalmente com a sagrada comunhão, nada lhes falta na casa de Deus; e eu, pereço de fome!

Para fazermos estas reflexões, tínhamos deixado o filho pródigo sentado debaixo de uma árvore, cabeça baixa, derramando lágrimas, na companhia imunda dos porcos. Agora, voltemos a ele novamente. Envergonhado do passado, receoso do futuro, enche-se de generosidade, e decide-se reparar seus erros. Seu coração está contrito e humilhado! Diz: “Levantar-me-ei, irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus diaristas”. E não perdeu tempo! Foi generoso!”E levantando-se foi para seu pai.

Aqui façamos também algumas reflexões: Eis o modelo do pecador penitente. Em vez de se entregar a um louco desalento, tem confiança; mas a sua confiança em nada diminui a sua humildade. “Levantar-me-ei”. Se é vergonhoso cair, é honroso levantar-se. Mas aonde ireis, pobre rapaz? Quem quererá interessar-se pela vossa sorte?  – “Irei para meu pai; enquanto me restar um pai, cuja ternura me é conhecida, resta-me um recurso seguro. É verdade que levei muito longe a minha ingratidão para com ele; mas se eu fui um filho desnaturado, ele é sempre bom pai”. – E que lhe direis vós? – “Dir-lhe-ei: Pai, esta só palavra comoverá seu coração. Se os soluços me impedirem de falar, as minhas lágrimas lhe falarão por mim; mas, se eu puder dominar a minha emoção confessar-lhe-ei todos os meus crimes. Dir-lhe-ei: Pequei contra o Céu, testemunha das minhas desordens; mas pequei também contra vós, o melhor dos pais!”

“Já não sou digno de ser chamado teu filho”. O filho fez justiça à bondade de seu pai, esperando que lhe perdoasse; e faz justiça a si mesmo, humilhando-se. Não reclama as prerrogativas de filho, é indigno delas; basta-lhe ser admitido no número dos criados: “Trata-me como a um dos teus diaristas”. Finalmente não se limita a vãos desejos: o que resolveu, executa-o, e sem demora. Disse: Levantar-me-ei e já está em pé; irei buscar a meu pai, e já deixou o vil rebanho, e se dirige para a casa paterna.

Quem esqueceu o seu destino eterno como filho de Deus, imite este modelo. Humilhe-se primeiramente; a humildade aproximá-lo-á de Deus, quanto a soberba o afastou d’Ele. A verdadeira penitência gera o desprezo de si. Deus não resiste aos seus atrativos: Deus se inclina para o homem humilde. Se o pecador se humilhar na sua presença, deve contar com a misericórdia divina. Quanto mais indigno for de tão bom pai, tanto mais excitará a sua compaixão. Perdoará o seu pecado, precisamente porque é grande: “Por causa de teu nome, Senhor, me hás de perdoar o meu pecado, porque é grande” (Salmo XXIV, 11).

Caríssimos, Deus, Nosso Senhor e Pai, quis mostrar-nos o seu próprio coração na terceira parte desta parábola, assim como nas duas primeiras nos mostrou o nosso. Teria o bom pai esquecido o seu filho? Não absolutamente! Pelo contrário, pensava nele incessantemente. Como o reconheceu logo, quando o viu no triste estado, a que o haviam reduzido o crime e a miséria? Como não se indignou ao dar com os olhos nele? Como pôde esquecer tão depressa todas as suas desordens, para só se lembrar da sua desgraça? São segredos do amor paternal. “Quando ele ainda estava longe, seu pai viu-o, ficou movido de misericórdia”. Oh! que belo espetáculo tenho aqui para contemplar! O pai não espera por seu filho: corre para ele, abraça-o, beija-o, cobre-o de carícias.

Este acolhimento tão terno e tão pouco merecido aumenta o arrependimento do culpado. Quer fazer a humilde confissão do seu pecado; mas o pai interrompe-o, e diz aos criados: “Ide buscar o melhor vestido para meu filho; metei-lhe um anel no dedo, e sapatos nos pés; preparai um festim, regalemo-nos; e todos os que me querem bem, tomem parte na minha alegria: meu filho estava morto, e reviveu; tinha-o perdido, e achei-o”.

Pecador arrependido, não temas as exprobrações de Deus, que desejava tanto a tua conversão; restituir-te-á a sua amizade, e com ela todos os vossos direitos, todos os bens que tínheis perdido, ofendendo-O.

O filho mais velho, voltando do campo, queixa-se, e indigna-se. Não, ó vós sempre fiéis pela graça, não sejais invejosos. Ninguém vos tira o que tendes: os vossos direitos, os vossos merecimentos, o amor do vosso Deus. Vosso irmão, de escravo torna-se rei, mas sem vos destronar a vós; enriquece-se, mas vós nada perdeis. Convinha que houvesse alegria, porque o vosso irmão era morto, e reviveu. A conversão de um pecador é motivo de alegria até para os Anjos do Céu!

Amém!

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11 Comentários to “Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: A volta do filho pródigo.”

  1. Infelizmente nesses tempos de confusão diabólica, a exegese dos modernistas em nossas igrejas faz outra interpretação dessa passagem:

    “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (Exortação Evangelii Gaudium)

    Por aí fica claro que aquele pai que se levantava todos os dias, rezava e esperava avistar o filho na estrada tomando o caminho de volta para casa, era um doente, paralisado pelo comodismo, agarrado à própria segurança de sua casa. Ele deveria ter saído pelas estradas, se embrenhado pelos matagais e se enlameado na mesma pocilga em que vivia o filho para demonstrar sua solidariedade e misericórdia!
    Total inversão de valores! Não é o filho que arrependido depois de ter quebrado a cara e desonrado o bom nome do pai que deve cair sem si e retornar à casa daquele que sempre lhe esperou de braços abertos!
    A reflexão do Padre Élcio Murucci é a interpretação tradicional desse Envangelho, é a que ensinaram os Padres da Igreja e é a que vai tocar os corações daqueles que ainda guardam o amor pela verdade.
    Rezemos para que o joio semeado por essas “exortações” modernistas não ofusque o esplendor da verdade no coração dos que ainda guardam a fé.

    • Prezada Gercione Lima … saudações!
      A dracma não tinha consciência de sua perdição … a ovelha também precisou que seu dono se interessasse em encontrá-la … … … enquanto procuravam, os donos como que estavam também perdidos, não? ou sabiam onde estavam a dracma e a ovelha?
      Já o jovem era consciente quando se desviou … e novamente exercitando a consciência se viu na perdição! coube ao pai a esperança, que se transformou em Restauração da totalidade da família!!!

  2. O personagem central dessas parábolas é o próprio Senhor Deus que é o Pai por excelencia, que lança mão de todos os meios para recuperar os seus filhos feridos pelo pecado e que se dispõem a mudar seus cursos de vida. Nesse caso, ao regressar arrependido o filho rebelde e envergonhado, ao invés de o receber cobrando-lhe uma fatura pelos seus erros – e não foram poucos – ao inverso, ouvindo suas palavras contritas e dispondo-se até a sacrificios, contanto que o recebesse, acolhe-o e lhe restitui tudo como se nada tivera sucedido!
    De igual forma, a parábola nos remete a nos despertarmos para a beleza do Sacramento da Reconciliação ou Confissão; darmo-lhe o devido valor que merece no qual, por meio do sacerdote, o Senhor nos devolve tudo o que perdemos por culpa própria, por desatendimento a seus preceitos!
    Desse modo, recuperamos imediatamente a graça e a dignidade de filhos de Deus, cumula-nos da suas bênçãos e, se o arrependimento foi profundo, entristecido e arrependido por ter ofendido a um Deus que não merece por Ele mesmo ser desobedecido, coloca-nos num lugar mais alto do que aquele em que estávamos anteriormente!
    O comportamento desse pai que recebeu o filho é uma evidente demonstração dos abismos existentes entre a justiça e misericordia quando provindas dos homens, de quanta parcialidade percebemos em tantos julgamentos nas mais diversas esferas da justiça ou condescendencia em que, em grande parcela ou até mesmo na maioria da vezes o infrator seria o beneficiario do indulto!
    Assim, a nossa justiça demonstra que possui certo grau de tolerancia, dispõe-se a aceitá-la até certo ponto, e partir daí passa para a execução; age por diversas outras formas de intolerancia, mostrando a nossa mediocridade nesse plano – por pouco não chegando ás raias de uma justiça e misericordia algo mercantilistas!

  3. São 3 as parábolas da Restauração.
    Uma dracma perdida … ao ser encontrada por sua dona, é restaurada a totalidade da sua poupança.
    Uma ovelha perdida … ao ser encontrada por seu dono, é restaurada a totalidade de seu rebanho.
    A dracma não tinha consciência de sua perdição – dependeu de sua dona para ser encontrada!
    Também a ovelha dependeu de seu dono, né?
    Um jovem vai procurar o que não tem em sua casa – festas, churrasco, música e danças, achando que só na prostituição encontraria a alegria de viver … não pede a seu pai uma esposa!
    Pede sua herança … até que um dia se vê na fome; e é na fome que lhe vem idéias de Restauração!

  4. Prezado Lionço, minha intenção ao comentar a Reflexão do Padre Élcio foi apenas reforçá-la porque tragicamente vivemos tempos em que muitos estão passando depressa daquele que nos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas infelizmente há alguns se inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.” (Gl. 1.6-7).
    Dracmas e ovelhas são figuras de linguagem utilizadas em algumas parábolas como elementos que se aplicam a um contexto específico. O contexto aí é alegria de Deus pelo pecador que se arrepende, por quem estava perdido e foi achado.
    Na parábola do Filho Pródigo o contexto já não está tão centrado na alegria do pai, mas sim no arrependimento do filho, na sua tomada de consciência.
    No início de dezembro passado saiu um artigo no jornal O Clarin escrito pelo padre Guillermo Marcó
    da Arquidiocese de Buenos Aires que serviu durante anos como porta-voz oficial do Cardeal Bergoglio e onipresente na figura mídia. Nesse artigo Padre Marcó dá algumas dicas sobre como o Santo Padre deve modificar substancialmente o sacramento da confissão.
    http://www.valoresreligiosos.com.ar/Noticias/el-jubileo-un-gran-desafio-5823
    O artigo gira em torno de duas grandes mentiras. A primeira é para garantir que o filho pródigo volte para casa de seu pai por necessidade e não por arrependimento. Ora, o Evangelho é claro quando diz que o filho retorna e admite seu pecado e, consequentemente, pede perdão e muda de vida. E isso tem a interpretação unânime dos Padres da Igreja. Por exemplo, São Gregório de Nissa, Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São João Crisóstomo. O que deixa implícito esta interpretação do mentiroso? É que já não se faz necessário que o filho pródigo, depois do arrependimento deixe sua vida dissipada entre as prostitutas. Se ele está tem fome, o dever do pai é ir lá no bordel levar-lhe seu pão com mortadela para que ele continue se divertindo sem passar necessidade.
    A segunda mentira, pior ainda, se possível, é quando ele diz que, até o século XII o sacramento da confissão era usado exclusivamente para pecados de escândalo público.

    • Prezada Gercione Lima … Saudações!
      São 3 parábolas riquíssimas … em função dos sinais dos tempos, gosto de ler as Escrituras em sua riqueza escatológica!

      Conforme “1. Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. 2. Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida! 3. Então lhes propôs a seguinte parábola: … 8. Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la? … 11. Disse também: Um homem tinha dois filhos.”. (Lc 15)

      O que Lucas escreve é em função de Jesus receber e comer com pessoas de má vida (pão com mortadela?) e Jesus gostava sim do comer e beber (tanto que Ele mesmo – “O Filho do Homem vem, come e bebe, e dizem: É um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos devassos. Mas a sabedoria foi justificada por seus filhos”. (Mt 11,19)) … Porém, muitos cristãos vivem como se o mestre fosse o Batista!!! Restauração JÁ!!!

  5. “Não é qualquer presunção que é considerada pecado contra o Espírito Santo, mas a que nos leva a desprezar a justiça de Deus por confiarmos indevidamente na Sua misericórdia. E tal presunção que (…) nos leva a desprezar um bem divino [a justiça], opõe-se à caridade ou, antes, ao dom do temor que nos manda reverenciar a Deus” (São Tomás de Aquino, Suma Teológica II-II, Q.130, a.2, ad 1)

  6. Isso da Gercione pode ser aplicado à questão de “comemorar” 2017 com os protestantes: eles é que sairam daqui, que se arrependam e voltem!
    Mas o pai ir procurar o filho no meio da lama da heresia, de uma doutrina tão cheia de virtudes como bola de árvore de Natal, não ficaria bem!

  7. Alguém, num e-mail, disse-me: “De misericordia nunquam satis”. E isto depois de ter dado uma noção errada de misericórdia. Respondi-lhe: “De vera misericordia nunquam satis”.

    • Revmo Pe Elcio!
      Tem pessoas por aí contaminadas pela misericordia a qualquer preço!
      Recordo o caso de receberem imigrantes na Europa, os perigosos do Islã, que detestam os cristãos, incentivados pelo Alcorão, livro discriminador – livro do odio de quem discorde dessa religião traiçoeira, falsa e mix de judaísmo com paganismo!
      Não se pode esquecer que o primeiro dever de cada um é para com quem se responsabilidade direta, nossos filhos, nossos entes queridos e o bem comum é um equilíbrio sutil e não um bolo compartilhável indefinidamente.
      Solidarizar humanitária e materialmente o risco não é zero para criar novos desequilíbrios no Bem Comum, e aliviar o sofrimento imediato não pode ser à custa do bem sustentável, porque um bem não pode justificar um mal e poderiam alimentar um círculo vicioso infernal, ainda mais recebendo dentro de nossos países inimigos declarados, e deixando de receber os cristãos mortos às centenas, que nunca privilegiam, ficam sempre esquecidos, preferem receber e dar cordas aos inimigos, criar jararacas dentro de casa, não é?!.

  8. Caro Lionço, creio que já disse-lhe que leio as Escrituras com os olhos e a interpretação dos Doutores da Igreja e não com as minhas próprias.
    Portanto enquanto você me vem com a Misericordiae Vultus de Bergoglio, eu volto com a Pascendi de São Pio X.
    O modo como você afirma com tanta convicção que o que Lucas escreve é em função de Jesus receber e comer com pessoas de má vida, se encaixa como luvas naquela crítica que faz São Pio X na Pascendi contra os historiadores e exegetas modernistas, os quais procuram apoderar-se da pessoa de Jesus Cristo e como que revestir-se dela, e assim lhe atribuem, nem mais nem menos, tudo o que eles mesmos fariam em circunstâncias idênticas”[…]
    E chegam mesmo a escrever a história, e com tanta persuasão que parecem eles mesmos ter visto com seus próprios olhos cada um dos escritores, que nos diversos séculos estenderam a mão sobre a Escritura para ampliá-la.[…] E no entanto, quem os ouvir discorrer a respeito dos seus estudos relativos à Escritura, na qual lograram descobrir tantas incongruências, é levado a crer que antes deles ninguém mais manuseou aqueles livros, e que não houve uma infinita multidão de Doutores, em talento, em sabedoria, e na santidade da vida muito superiores a eles, que os esquadrinharam em todos os sentidos[…]
    Mas é que os nossos doutores ( e santos) não se entregaram ao estudo da Escrituras com os meios de que se proviram os modernistas! Isto é, não se deixaram amestrar nem guiar por uma filosofia que tem a negação de Deus por ponto de partida, e nem se arvoraram a si mesmos em norma de bem julgar. Parece-nos, pois, já estar bem declarado o método histórico dos modernistas”.
    Aí está São Pio X colocando os “misericordiosistas” no seu devido lugar. Não se interpreta as Sagradas Escrituras guiando-se pela filosofia niilista de Kasper e nem pela Teologia da Libertação que tem a negação de Deus por ponto de partida.
    Mas numa coisa eu fecho contigo: Restauração JÁ!!! INSTAURARE OMNIA IN CHRISTO!