Foto da semana.

Estátua da Virgem Maria intacta entre as ruínas do terremoto no Equador torna-se um farol de esperança

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Católicos aos pés de Nossa Senhora do Monserrat. A estátua da Virgem Maria que permaneceu intacta após o terremoto que sacudiu o Equador, na quarta-feira, 20, em Montecristi.

Por The New York Times, 21 de abril de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Montecristi, Equador – A terra tremeu e o campanário caiu, levando a maior parte da torre do sino com ele. A fachada branca cedeu, deixando os bancos a céu aberto na rua.

Mas entre os destroços na Basílica, um objeto permaneceu intocado: Nossa Senhora do Monserrat, a estátua da Virgem Maria que deu nome à Igreja.

Vestida com vestes douradas e adornada com uma pequena coroa, ela tem apenas cerca de três pés de altura. Mas a estátua, que desembarcou nessas terras trazida da Espanha no século 16, há muito que tem desempenhado um papel descomunal na história de Montecristi.

Ela já sobreviveu ao ataque de piratas e tornou-se um ponto de refúgio para os Católicos quando um governo laicista expulsou sacerdotes algumas gerações mais tarde. Todo mês de novembro, centenas de milhares de peregrinos cruzam todo o Equador durante nove dias de festas em sua honra.

Agora, depois que um terremoto de 7,8 graus de magnitude abalou o país no último final de semana, a sobrevivência de Nossa Senhora do Monserrat se tornou um símbolo da persistência desta cidade costeira.

“Ela é a mãe que cuidou de nós durante esse terremoto”, disse o Reverendo Ángel Toaquiza, o padre que cuida da igreja destroçada. “E eu acho que um sinal disso é que ela não sofreu nenhum dano naquele dia”.

O fato de que ela tenha permanecido de pé é nada menos que um milagre.

Oito pessoas de Montecristo estavam entre os mais de 570 que morreram em todo o Equador desde que o terremoto atingiu o país. Gabriela Rocío Mero, 36, uma professora da cidade, tinha saído com sua filha de 8 anos e sua sobrinha de 9, no sábado à noite, para comprar o material escolar na cidade portuária de Manta quando um prédio desabou e matou todas as três.

O corpo da mãe foi encontrado na segunda-feira. Na terça-feira à noite, depois que os corpos das duas filhas foram encontrados e sepultados, os vizinhos de um beco ao lado da igreja se reuniram para uma vigília noturna.

“Ela era muito religiosa, muito sincera”, disse Adriana Palma, uma amiga de infância.

A vigília estava sendo realizada sob os escombros da torre do sino. Com a igreja fechada, o único lugar para o memorial era fora do santuário, disse Palma.

Naquela noite, o dano provocado à igreja parecia pesar sobre as pessoas na vigília quase tanto como as mortes em Montecristi.

A cruz no topo da torre do sino costumava ser a primeira coisa que as pessoas avistavam da estrada quando se aproximavam da cidade, disse a mãe da Senhora Palma. Até mesmo os marinheiros podiam avistar a pequena igreja branca nas montanhas quando eles vinham do mar.

“É o orgulho desta cidade”, disse Fabricio Quijije, um vizinho.

Tempos como estes eram precisamente o que fazia Montecristi se voltar para Nossa Senhora do Monserrat em busca de consolo e orientação.

Segundo a história local, a estátua foi enviada para a América do Sul pelo rei Carlos V da Espanha, fazendo par com uma estátua chamada da Virgem da Misericórdia. O rei queria que a segunda estátua permanecesse no Equador, enquanto Nossa Senhora do Monserrat deveria ser encaminhada para o vice-rei, em Lima.

Mas as estátuas tinham outros planos. Quando o navio partiu para o Peru, misteriosamente foi incapaz de deixar o porto, de acordo com os relatos. O capitão considerou isso como um sinal de que Nossa Senhora do Monserrat deveria permanecer no Equador.

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Uma missa ao ar livre em Montecristi, na quarta-feira. O campanário da Basílica da cidade desabou no terremoto recente, e os líderes da igreja decidiram que seria muito perigoso celebrar no interior.

Desde então, dizem os moradores, a estátua interveio repetidamente a favor deles ao longo de várias gerações. Quase todo mundo tem uma história a contar.

Padre Toaquiza recorda de um paciente com câncer terminal de Guayaquil que foi curado depois de visitar a igreja. Luzmila Morales, uma professora de catecismo, afirmou que exatamente neste mês, mesmo antes que o terremoto atingisse, ela e outros paroquianos tinha escapado quando uma encosta desabou, deixando o ônibus em que se encontravam sob o deslizamento de terra.

“Nós começamos a rezar”, disse ela. “Ela cobriu-nos com seu manto.”

A sobrevivência da estátua durante o terremoto de sábado foi algo que capturou a imaginação dos moradores de Montecristi, e é um sinal de esperança em uma semana com tão poucas boas notícias

Dalinda Bravo, de 28 anos, natural de Portoviejo e que está se preparando para se tornar freira, lembrou que estava sentada na igreja no sábado à noite, como ela tinha feito inúmeras vezes antes, rezando e cantando para a Virgem Maria.

De repente, um barulho ecoou pela igreja. Rachaduras começaram a se abrir nas paredes. Uma estátua de São Pedro caiu e se partiu em dois pedaços.

“Parecia que estávamos em um liquidificador”, disse ela.

Padre Toaquiza estava tomando café do outro lado da rua, antes da preparação para a missa das 7:30, quando o tremor começou.

“Graças a Deus que não tinha ainda começado a missa quando a torre do sino caiu”, disse ele. “Isso foi um milagre.”

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Trabalhadores limpando os escombros da torre da Basílica em Montecristi. Oito pessoas de Montecristi estavam entre as mais de 570 que morreram em todo o Equador por causa do terremoto.

Quatro dias mais tarde, ele reuniu um grupo de cerca de 200 pessoas para celebrar a missa vespertina, que teve que ser feita ao ar livre.

O sol se pôs depois de uma tarde quente. Atrás dele, pardais voavam para dentro e fora de uma rachadura nas paredes da Basílica.

“As pessoas tem me perguntado como nós fomos afetados por este terremoto”, ele começou. “Nós ainda acreditamos em Nossa Mãe?”

“Sim”, respondeu a multidão.

Mas a pergunta sobre o que seria feito da igreja, deixou preocupados todos que participavam. Poderia ser reparada? Ou seria necessário encontrar dinheiro para derrubá-la e construir de novo?

“Por favor, deixe alguém reconstruir o nosso templo. Vamos reconstruí-lo com ainda mais amor”, disse uma mulher que pegou o microfone.

Outros, como Silvia Quijije, cuja irmã Gabriela morreu com as duas filhas no sábado, viu a esperança, mesmo em uma  igreja em ruínas.

“Acreditamos que a Virgem nos salvou”, disse ela. “Ela sacrificou sua casa para salvar as nossas vidas, assim como Jesus morreu por nossos pecados”.

Ela apontou para a torre do sino em colapso perto de sua casa e disse: “A torre caiu na igreja. Não caiu em nossa casa”.

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3 Comentários to “Foto da semana.”

  1. A imagem de São Pedro se partiu ao meio. A imagem da Virgem permaneceu de pé! Nossa Senhora vem mostrando há algum tempo seu poder por meio de suas imagens nas Américas, justamente de onde vem o atual papa. Será que uma das coisas (uma só pois são muitas as coisas que Deus diz em seus milagres) que Maria quis dizer é que mesmo com o trono de Pedro sendo partido ao meio pelas vilezas de um papado a Igreja continua protegida sob seu manto que nunca sofre um dano qualquer até mesmo em meio a tremores terríveis e grandiosos? Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora!

  2. A Mãe pune para correção dos filhos e o milagre é para dar esperança, mostrar o Seu poder. No entanto o incrivel é que não há um comentario, na noticia, falando de pedir perdão pelos pecados, de emenda, de desagravar o Imaculado Coração de Maria. Não se faz uma procissão em honra de Nossa Senhora pedindo perdão pelos pecados e ajuda para mudar de vida. Olha a foto durante a Missa: as mulheres estão mal vestidas e até um idoso usa a imoral, vulgar e igualitaria calça jeans.

  3. A ilha de Bohol nas Filipinas, em menos de um mês de intervalo, duas enormes calamidades caíram sobre esse país muito populoso de maioria católica, sendo um imenso arquipélago exposto a fenômenos sísmicos e a furacões extremos.
    Em 2013, esse terremoto de magnitude 7.2 atingiu especialmente a ilha de Bohol danificando severamente grandes e sólidas igrejas coloniais, de até 400 anos de antiguidade, mas nas duas imensas tragédias registrou-se o mesmo fenômeno: imagens de Nossa Senhora e do Sagrado Coração de Jesus ficaram admiravelmente intactas às convulsões da natureza.
    No entanto, no mesmo país, recentemente a Conferencia Episcopal desse país implantou a S Comunhão aos adúlteros – patrocinio da maçonaria eclesiática? – que contraste!
    Idem no Equador, recentemente, com a urna de vidro com a imagem de Nossa Senhora da Luz no mesmo estado em que se encontrava anteriormente ao terremoto de magnitude 7,8 graus, que ocorreu no sábado, 16 pp., no Equador, causando centenas de vítimas.
    Apesar desses e mais similares portentos, convites para nos desapegarmos desse mundo e nos fixarmos no eterno, seus efeitos parecem causar impactos apenas inicialmente, pois num terreno ruim a planta germina, mas logo após fenece; ou inicia o crescimento, porém, pouco depois murcha; ainda, se produz frutos, são de má qualidade, sendo o que sucede no mundo atual da alienação quase geral, comprovantes da desatenção que se dá a esses chamamentos de conversão e de desapego dos bens provisorios!