Considerações – A Carta de Padre Schmidberger encorajando a FSSPX a aceitar a regularização.

Tradução em português e original em francês.

O documento do ex-Superior Geral da Sociedade de São Pio X (FSSPX), Padre Franz Schmidberger, atual reitor do seminário da FSSPX na Alemanha, enviado a outras autoridades da Fraternidade há algumas semanas, e que vazou em seu texto original em francês, tem agora uma tradução em inglês aprovada. Em suas considerações sobre a Igreja e o estado da Fraternidade São Pio X em relação a ela, Padre Schmidberger defende que é chegado o momento para uma normalização da posição da Fraternidade na Igreja, sob o Pontificado do Papa Francisco.

O blog The New Liturgical Movement (tradução do colaborador Richard Chonak) forneceu a tradução, que postamos aqui para o registro de eventos atuais e em curso. O texto original em francês segue-se à tradução abaixo, também para o registro.

* * *

Considerações sobre a Igreja e o lugar da Fraternidade São Pio X nela.

Fonte: Rorate Caeli | Tradução: FratresInUnum.com

I. A Igreja é um mistério. Ela é o mistério do único e verdadeiro Deus, que está presente entre nós, o Deus salvador que não deseja a morte do pecador, mas que se converta e viva. Esta conversão requer a nossa cooperação.

Padre Schmidberger

Padre Franz Schmidberger foi superior geral da FSSPX de 1982 a 1994.

II. A Igreja é infalível em sua natureza divina, mas é conduzida por seres humanos que podem se extraviar e também ser sobrecarregados com falhas. Um ofício deve ser distinguido da pessoa que em um determinado momento o ocupa. Tal pessoa mantém o ofício apenas durante um determinado tempo e depois é dispensado, seja por morte ou por meio de outras circunstâncias; mas o ofício permanece. Hoje, o Papa Francisco é o titular do ofício papal com o poder do primado. Em algum momento, sabemos que ele vai deixar o cargo e outro Papa será eleito. Enquanto ele ocupa o trono papal, nós o reconhecemos como tal e oramos por ele. Nós não estamos dizendo que ele é um bom Papa. Pelo contrário, através de suas ideias liberais e sua administração, ele provoca muita confusão na Igreja. Mas quando Cristo estabeleceu o papado, Ele previu toda a linha de papas ao longo da história da Igreja, inclusive o Papa Francisco. E, no entanto, Ele permitiu a subida deste último ao trono papal. Analogamente, o Senhor instituiu o Santíssimo Sacramento do Altar com a Presença real, embora tivesse previsto muitos sacrilégios ao longo da história.

III. A Fraternidade São Pio X foi fundada pelo Arcebispo Lefebvre em meio a esses tempos confusos para a Igreja. Ela foi chamada a prover uma nova geração de padres para a Igreja, para salvaguardar o verdadeiro Santo Sacrifício da Missa e proclamar a realeza de Jesus Cristo sobre toda a sociedade, mesmo na presença de papas liberais e príncipes da Igreja que traem a fé. Necessariamente, isso levou a um conflito: a Fraternidade foi enviada para o exílio em 1975. Lá, não só sobreviveu, mas cresceu e tornou-se  para muitas pessoas um sinal de contradição contra a obra destrutiva desses dias. Esta contradição tornou-se aparente, de modo especial em 30 de junho de 1988, através da sagração de quatro bispos auxiliares por Dom Lefebvre, o que era necessário por razões internas.

IV. Apesar disso, Dom Lefebvre sempre buscou uma solução canônica para a Fraternidade após a sua condenação e não se esquivou de um diálogo com as autoridades romanas. E para essa finalidade, foi importante para ele tentar movê-los para a compreensão e a conversão. Ele prosseguiu com estes esforços mesmo depois da sagração episcopal, embora sendo realista quanto à pouca esperança de sucesso. Empregando um argumento ‘ad hominem’, ele pediu para que lhe autorizassem a fazer “a experiência da Tradição”. Ele também tinha plena consciência de que a Fraternidade se encontrava em uma situação extraordinária, mas de forma alguma por sua própria culpa e sim por culpa de seus adversários. A situação permaneceu a mesma até o ano de 2000. Desde então, Roma tem feito esforços para remediar essa situação, às vezes de modo ardiloso e às vezes com intenções honestas, dependendo de quem está lidando com o problema do lado romano.

V. O declínio dramático da Igreja desde então e, simultaneamente, o desenvolvimento estável da Fraternidade levaram um ou outro cardeal ou bispo a uma compreensão parcial ou geral que nenhum deles ousa admitir publicamente, no entanto, sem mais delongas. Por seu turno, Roma tem retrocedido em suas exigências, pouco a pouco, e nas últimas propostas não houve mais conversa sobre a obrigatoriedade de se reconhecer o Vaticano II ou a legitimidade do Novus Ordo. Assim, parece que é chegado o momento de normalizar a situação da Fraternidade, por várias razões:

1) Cada situação anormal inerentemente tende para a normalização. Isso se deve à  natureza da matéria.

2) Não percamos de vista o perigo de que os fiéis e certos confrades possam ter se acostumado à situação anormal a ponto de considerá-la como normal. A crítica aqui e ali contra qualquer participação no Ano Santo, e também o completo desprezo pela jurisdição ordinária concedida pelo Papa Francisco para as Confissões (nós sempre havíamos citado a situação de emergência e muito corretamente fizemos uso da jurisdição extraordinária para Confissões) são causa de preocupação. Se o fiel ou alguns confrades se sentem confortáveis com esta situação de liberdade e independência da hierarquia, então isso indica uma perda insidiosa do sensus Ecclesiae. Nós jamais deveríamos nos contentar em dizer: “Temos a sã doutrina, a verdadeira Santa Missa, nossos seminários e priorados e, acima de tudo, bispos. Portanto, nós não precisamos de mais nada”.

3) Temos muitos simpatizantes e amigos também entre os bispos e cardeais. Um ou outro deles de bom grado nos chamariam para auxiliá-los e dariam-nos uma igreja paroquial ou mesmo confiaria um seminário à nossa responsabilidade. Mas, na situação atual, isso é impossível para eles. Esses Nicodemos estão esperando impacientemente por uma solução que também reforçaria suas colunas particularmente. Uma série de barreiras e inibições entre os  mais ortodoxos e os Católicos ansiosos também cairiam por terra. Isso colocaria um fim à conversa ouvida na mídia e em outros lugares sobre a “cismática” ou “rebelde” Fraternidade separada da Igreja.

4) Nos próximos anos, precisaremos urgentemente de novos bispos. Sagrá-los sem mandato papal certamente nos é possível em caso de extrema emergência. Mas, se os bispos puderem ser sagrados com a permissão de Roma, devemos pedir essa permissão. [Nota do tradutor: a última palavra da frase é uma adição manuscrita.]

5) Modernistas, liberais, e outros inimigos da Igreja estão muito contrariados com esses passos em direção a uma solução canônica para a Fraternidade. Será que um discernimento dos espíritos não deixa claro que esse é um caminho certo e bom?

6) Como pode a Igreja superar mesmo essa crise? Na atual situação, não vislumbramos nenhum sinal de esperança. Por outro lado, um ato oficial de reconhecimento da Fraternidade desencadearia uma onda benéfica dentro da igreja. Os bons seriam encorajados e os malfeitores sofreriam uma derrota.

VI. Respostas a algumas objeções:

1) Por que alguém iria querer ser reconhecido pelo papa Francisco?

Resposta: Nós já havíamos salientado a distinção necessária entre o ofício e aquele que o ocupa. Sem dúvida, o atual Papa tem a tarefa dada por Deus de mostrar a todos claramente o que o Concílio realmente fez e o que suas últimas consequências estão provocando na Igreja: confusão, a ditadura do relativismo, preocupações pastorais acima da doutrina, amizade com os inimigos de Deus e os opositores do cristianismo. Mas, exatamente por causa disso, as pessoas aqui e ali estão começando a entender os erros do Concílio e auferindo as causas de seus efeitos. Além disso, aqueles que confiaram demais na pessoa do Papa Bento XVI, ao invés de colocar o ofício papal em primeiro lugar e seu titular em segundo, ficaram a ver navios quando o Papa Emérito renunciou. Não vamos cometer o mesmo erro outra vez de confiar muito numa pessoa específica, em vez da da instituição divina! Talvez, também, seja exatamente o Papa Francisco aquele que, com a sua imprevisibilidade e improvisação, seja capaz de dar esse passo. Os meios de comunicação poderiam perdoá-lo por esse expediente, considerando que pelo mesmo motivo eles nunca perdoaram Bento XVI. Com seu autoritário, para não mencionar estilo tirânico de governo, ele provavelmente seria capaz de realizar tal medida, mesmo contra toda oposição.

2) Mas o que o povo da “Resistência” vai dizer? [nota do Rorate: o chamado povo da “Resistência” é composto por um pequeno número de padres que deixaram a Fraternidade e um pequeno número de fiéis que são contra qualquer conversa com a Santa Sé.]

Resposta: Não podemos executar nossas ações pensando em agradar pessoas que obviamente perderam o sentido de Igreja e amor a ela na sua forma concreta. Além disso, agora eles se tornaram completamente divididos entre eles mesmos.

3) A partir de agora vocês deverão permanecer em silêncio sobre todos os erros atuais.

Resposta: Nós não permitimos que sejamos amordaçados; em vez disso, nós chamamos os erros pelos seus nomes, do mesmo modo que fazemos antes de qualquer normalização assim como vamos fazer depois de uma normalização. Assim, temos a intenção de retornar do “exílio”, do mesmo modo como nos encontramos agora.

4) O Papa Francisco tem uma reputação tão ruim entre os Católicos tradicionais que esse reconhecimento de sua própria iniciativa traria mais prejuízos à Fraternidade do que ajuda.

Resposta: No início nós fizemos a distinção entre ofício  e a pessoa. Se Papa Francisco é Papa, e ele o é, então ele também tem o primado de jurisdição sobre toda a Igreja, esteja ele ajudando-a ou prejudicando-a. Vamos trilhar o caminho que possa ajudar a Igreja; nós não buscamos favor por nossas ações, e então Deus nos abençoará.

5) Mas essa integração dentro do sistema de conciliar vai privar a Fraternidade de seu caráter distintivo, e talvez até mesmo sua identidade.

Resposta: Tudo depende de quão firmes nós mesmos estamos, e de quem converte quem. Se vamos trabalhar vigorosamente, contando com a graça de Deus, então nossa nova situação irá tornar-se uma bênção para toda a Igreja. Onde mais existe uma comunidade aqui e agora que pode realizar tal trabalho de conversão? É certo que não podemos contar com as nossas próprias habilidades e força, mas com a ajuda de Deus. Pense na batalha entre Davi e Golias. Uma analogia para isso: Como cristãos, somos colocados em um mundo corrupto totalmente sem Deus e temos que ser provados nele. O perigo de contágio é grande, mas ainda assim podemos e devemos escapar dele com a graça de Deus. Uma coisa é clara: a nova situação, por si só, não fará os nossos esforços mais fáceis, mas muito mais difíceis, ainda assim o faremos mais frutíferos.

6) Todas as comunidades que se submeteram a Roma tiveram que se enquadrar no sistema conciliar ou mesmo sujeitar-se a ele.

Resposta: O ponto de partida não é o mesmo: em nosso caso, Roma é a única que está ansiosa por uma solução e que veio até nós; nos outros casos, essas comunidades é que foram até Roma como suplicantes, muitas vezes com uma consciência culpada. Nenhuma delas têm agora bispos, exceto a União Sacerdotal São João Maria Vianney, da Diocese de Campos, no Brasil, onde o bispo Rifan está disposto a fazer qualquer concessão. Claro que precisamos de uma proteção sólida através de uma estrutura eclesial apropriada. Mas esta parece ser garantida através de uma prelazia pessoal. Até agora tal estrutura não foi oferecida para nenhuma outra comunidade. Finalmente, a objeção levantada é apenas parcialmente relevante: a Fraternidade São Pedro já existe há mais de vinte e sete anos, e, pelo menos nos países de língua alemã, ela manteve-se fiel à Missa Tradicional, com poucas exceções. Com efeito, ter a Fraternidade São Pio X na retaguarda foi pra eles como um seguro de vida.

VII. Conclusão

Se Deus quer vir em auxílio de sua Igreja, a qual sangra através de milhares de feridas, Ele também tem milhares de oportunidades de fazê-lo. Entre esses remédios está o reconhecimento oficial da Fraternidade pelas autoridades romanas. E não foi a Fraternidade consagrada à Virgem Santíssima, que irá proteger e guiar seu trabalho em uma nova situação? Dignare me laudare te, Virgo Sacrata – Da mihi virtutem hostes contra tuos. Faça-me digno de louvar-te, Virgem Santíssima; dai-me força contra os seus inimigos.

Zaitzkofen, 19 de fevereiro de 2016
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55 Comentários to “Considerações – A Carta de Padre Schmidberger encorajando a FSSPX a aceitar a regularização.”

  1. Sábias palavras. Rezo para que isso aconteça o mais rápido possível! Talvez não tenhamos em mente a dimensão do bem que esse reconhecimento trará à Igreja.

    • “Já não aceitarei estar na situação em que nos encontramos durante os colóquios. Isso terminou.
      Eu apresentaria a questão no plano doutrinal: Estais de acordo com as grandes encíclicas de todos os papas que vos precederam? Estais de acordo com a Quanta Cura de Pio IX, com a Immortale Dei e a Libertas de Leão XIII, com a Pascendi de Pio X, com a Quas Primas de Pio XI, com a Humani Generis de Pio XII? Estais em plena comunhão com estes papas e com suas afirmações? Aceitais ainda o juramento antimodernista? Sois a favor do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo?
      Se não aceitais a doutrina de seus antecessores, é inútil falarmos. Enquanto não tiverdes aceitado reformar o Concílio considerando a doutrina destes papas que vos precederam, não há diálogo possível. É inútil.
      As posições ficariam, assim, mais claras.
      Não é algo pequeno o que nos opõe. Não basta que nos seja dito: podem rezar a missa antiga, mas é necessário aceitar isto. Não, não é somente isso o que nos opõe, é a doutrina. Está claro.” (Dom Lefebvre, in Fideliter nº 66, DEZ/1988)

  2. Gostaria de propor o que se segue:

    1) “Cada situação anormal inerentemente tende para a normalização. Isso se deve à natureza da matéria”.

    Belo otimismo teilhardiano. No entanto, a natureza mostra exatamente o contrário: os sistemas (naturais e humanos) tendem, antes, à desorganização. Chama-se isso entropia (nos sistemas naturais). É a chamada Segunda Lei da Termodinâmica. Se alguém joga uma gota de tinta na água, ela se dispersa. Fazer com que as coisas se mantenham organizadas demanda fornecimento de energia.

    2) “Não percamos de vista o perigo de que os fiéis e certos confrades possam ter se acostumado à situação anormal a ponto de considerá-la como normal”.

    O paladar enfermo não distingue o amargo do doce (et converso) – só um doente se acostumaria ao anormal. A FSSPX adoeceu? Perdeu o sensus ecclesiae? O tempo, por sua vez, é um acidente e um argumento não é bom ou ruim em razão da sua vetustez ou novidade. O que parece ser injustificável agora não o seria também no início?

    3) “Temos muitos simpatizantes e amigos também entre os bispos e cardeais. Um ou outro deles de bom grado nos chamariam para auxiliá-los e dariam-nos uma igreja paroquial”.

    A destituição canônica do Bispo Rogelio Livieres e a defenestração do Cardeal Burke não deixaram bem claro que tipo de tolerância Bergoglio exerce em face de seus opositores? Não seria legítimo esperar a mesma mão de ferro em situações análogas? Que bispo estaria disposto a dar seu pescoço por conta de um eventual apoio a FSSPX? Que Conselho Presbiteral daria seu placet à presença da FSSPX?

    4) “Sagrá-los [novos bispos] sem mandato papal certamente nos é possível em caso de extrema emergência.”

    À época das Sagrações, apresentou-se o “estado de necessidade” como justificativa para a falta de mandato apostólico. Então: o estado de necessidade deixou de existir? Nunca existiu? Ou, hoje, mais do que antes, o estado de necessidade permanece em vista do recrudescimento da desordem na Igreja. Pois parece que se está a brincar com a boa vontade dos fieis leigos na medida em que os argumentos valem ou deixam de valer quando aplicados à mesma situação.

    5) “Modernistas, liberais, e outros inimigos da Igreja estão muito contrariados com esses passos em direção a uma solução canônica para a Fraternidade. Será que um discernimento dos espíritos não deixa claro que esse é um caminho certo e bom?”

    Tais opositores sempre se puseram assim. Então, por que tal discernimento dos espíritos não se deu, em 1988, quando das Sagrações Episcopais? Mons. Lefebvre, enquanto Fundador, não teve discernimento espiritual para saber o que convinha ou não para o seu Instituto ? A situação piorou, ergo.

    6) “Por outro lado, um ato oficial de reconhecimento da Fraternidade desencadearia uma onda benéfica dentro da igreja.”

    “Onda benéfica DENTRO da Igreja”. Como assim? Quer que a FSSPX está fora da Igreja? Que o seu apostolado não edifica e mantém a Igreja?

    E muitas outras coisas poderiam ser pensadas. Em tempo de crise, nihil inovetur.

  3. Conheci o Padre Schmidberger pessoalmente no ano passado em Zatizkofen e não posso esconder a minha decepção ao ler essa carta.
    O que Padre Schmidberger não pode perder de vista é que somos NÓS os fiéis Católicos Tradicionais que lhes demos juridisção extraordinária para cuidar do bem de nossas almas, somos NÓS os fiéis da SSPX que lhes sustentamos com nossas contribuições, são as NUMEROSAS familias que frequentam seus priorados e capelas, é que “procriam feito coelhos” para dar sacerdotes para a Fraternidade e a razão de existir da SSPX é o bem supremo da Igreja que é a salvação de almas.
    Nenhum de nós optou pela Fraternidade São Pio X só por causa da missa tridentina. Isso poderia ser achado em qualquer lugar em que se celebra o Summorum Pontificum ou em qualquer outra comunidade ligada ao Ecclesia Dei.
    Se decidimos não participar do chamado ANO SANTO foi porque sabemos em que condições ele foi proclamado. E vejam bem que nem foi a SSPX a denunciar as artimanhas por trás desse jubileu bergogliano onde até as condições pra se lucrar as indulgências foram omitidas. Foram Católicos não ligados à SSPX como Socci e Magister.
    Quando Padre Schmidberger critica o completo desprezo pela jurisdição ordinária concedida por Bergoglio para as Confissões, parece até que ele está lendo um script vindo direto das autoridades de Roma! E isso sim que é causa de preocupação!
    Nenhum fiel ou padre da Fraternidade, que eu conheço, se sente confortável com o atual estado em que se encontra a Igreja bem como nosso próprio lugar em meio a essa crise. Ou ele acha mesmo que os fiéis que se deslocam com uma van cheia de crianças todos os domingos, fazendo o sacrifício de dirigir quilômetros em estradas cheias de neve durante o inverno, o fazem só pelo gostinho “da liberdade e independência da hierarquia local”? Muito, mas muito estranha mesma essa conversa do Padre Schmidberger!
    Será que o prurido por uma “sagração episcopal” com o mandato de Roma também começou a afetá-lo? Será que a “síndrome Fernando Rifan” finalmente atingiu alguns padres da SSPX, que depois de anos nessa situação de letargia na “carreira eclesial” começaram a se esquecer por qual motivo foram ordenados sacerdotes em primeiro lugar?
    Algo que sempre me atraiu nos padres da SSPX foi o desapego daqueles que vivem no exílio, sabendo que uma carreira eclesial é algo fora de cogitação, que jamais serão Bispos e muito menos Cardeais. Serão simplesmente sacerdotes do Altíssimo, sendo ao mesmo tempo sacerdotes e vítimas para a salvação do rebanho a eles confiados.
    Não sei…se ele pode fazer conjecturas a respeito dos fiéis, nós leigos temos o mesmo direito de fazer conjecturas sobre os motivos que o levou a escrever essa carta.
    Outro tiro no pé é citar o exemplo da Fraternidade São Pedro elogiando o fato de que ela já existe há mais de vinte e sete anos, e, pelo menos nos países de língua alemã, ela manteve-se fiel à Missa Tradicional. Ora, então por que sempre ouvimos objeções à Fraternidade de São Pedro nos priorados da FSSPX? Não teria sido melhor pra tantos seminaristas irem para a FSP do que aguentar o rótulo de cismáticos na FSSPX? A contradição é tão grande que o próprio Franz Schmidberger admite que ter a “Fraternidade São Pio X na retaguarda, foi pra FSP uma espécie de seguro de vida”. Ou seja, o único motivo pelo qual João Paulo II criou essa Fraternidade Sacerdotal foi pra fazer frente à SSPX usando seus próprios egressos.
    No próximo dia 21 de maio, Padre Niklaus Pfluger, Assistente de Dom Fellay estará nos visitando para uma Conferência e eu espero que não esteja viajando em “campanha” para a regularização, porque se for, ele ouvirá de mim o mesmo que estou dizendo aqui agora. De qualquer modo não deixarei de citar essa carta e pedir esclarecimentos.
    Ah… mas então quer dizer que se isso acontecer eu me juntarei ao “bando da Resistência”? De modo algum, pois a briga desse povo não é contra Bergoglio e sim contra a SSPX. Se eles ocupassem o mesmo tempo e espaço em blogs pra criticar os desmandos e as heresias que vem de Roma, do mesmo modo em que perdem tempo em criticar a SSPX, eu ainda poderia dar-lhes alguma credibilidade, mas se ufanam de terem saído da SSPX para se tornarem massa de manobra nas mãos de outro Bispo que não queria outra coisa senão o lugar de Dom Fellay na SSPX. Em uma conferência dada em Post Falls, EUA, no dia 1º de Junho de 2014, Dom Williamson disse claramente pra quem quisesse ouvir:

    Se… Se… Se… por algum milagre, o Papa Francisco me telefonasse semana que vem e dissesse: “Excelência, o senhor e eu tivemos nossas divergências mas, neste exato momento eu estou lhe autorizando a fundar uma sociedade. Você vai em frente para o bem da Igreja.”

    “Oh, Santo Padre, eu posso ter isso por escrito? O senhor se importa se eu for a Roma e obter isso com sua assinatura?”

    “Sim, é claro.”

    “Está ceto.”

    Então pegaria o próximo avião para Roma. Então pegaria o próximo avião para Roma!

    Como podem ver, seria o mesmo que sair do espeto pra cair na brasa!
    Ah… então quer dizer que minha única opção é me juntar aos “sedevacantistas”? Também não, porque esses julgam a Sé Vacante desde João XXIII e eu, malgrado o modernismo de todos os Papas conciliares, sempre reconheci a validade de seus mandatos. O Concílio Vaticano II só foi possível devido à prevaricação de outros Papas pré-conciliares que já haviam começado as reformas e que elevaram aos postos mais altos os modernistas que fizeram o Concílio.
    Com a renúncia de Bento XVI houve uma confusão que só Deus mesmo sabe o que está por trás! Ratzinger disse ter renunciado ao exercício do Primado mas não ao Primado em si. Aí vem Bergoglio eleito pela máfia de St Galeen demolindo tudo que ainda resta de pé.
    Sua última gracinha foi permitir que um roqueiro do U2 tocasse guitarra dentro da Capela Sistina! O homem da perdição que se levanta contra tudo que é sagrado, a ponto de tomar o próprio lugar de Deus tentando separar at;e mesmo aquilo que Deus uniu!
    Esse mesmo homem que destruiu os Franciscanos da Imaculada, que chama os Católicos tradicionais de tudo quanto é epíteto, que se levanta com uma sanha demoníaca contra tudo que existe de mais sagrado dentro da Igreja, agora quer dar de presente uma prelazia logo à SSPX sem nenhuma pré-condição? Bom demais pra ser verdade!
    Padre Shmidberger simplesmente MENTE quando diz “nós não permitimos que sejamos amordaçados”. A mordaça já foi colocada no momento em que os quatro Bispos da Fraternidade assinaram as condições para as anulações das excomunhões. Todos os quatro Bispos UNANIMEMENTE ASSUMIRAM O COMPROMISSO DE EVITAR CRÍTICAS PÚBLICAS QUE DESRESPEITEM A PESSOA DO SANTO PADRE E QUE SEJAM DANINHAS À CARIDADE ECLESIAL.
    https://uvcarmel.wordpress.com/2009/01/24/inside-the-vatican-on-the-lifting-of-the-excommunication/
    Certamente quando assinaram esse termo de compromisso não esperavam que viria a renúncia de Ratzinger e logo após o “Demolidor”. Talvez seja por isso que Padre fala o tempo todo na consequência de confiar demais na pessoa do Papa Bento XVI, ao invés de colocar o ofício papal em primeiro lugar.
    O problema que eu vejo aí é que o caso de Bergoglio não dá mesmo pra separar a pessoa do ofício que ela ocupa. Porque é pelo fato de ocupar esse ofício é que ele está tendo o poder pra causar todo o mal o que está causando. Nesse caso temos toda a obrigação de resisti-lo.
    Os padres da SSPX ainda denunciam do púlpito os erros, chamando-os pelos seus nomes, mas por que então pedem que esses sermões não sejam gravados e expostos ao grande público? Certamente para não causar embaraço aos seus Bispos.
    Na verdade quem faz as grandes denúncias e alertam o rebanho são leigos como John Vennari do Family Catholic News e John-Henry editor do LifeSiteNews, entre outros, que são convidados pelos padres da SSPX para fazerem as palestras.
    Caso venha essa regularização, eu continuarei assistindo missa na mesma capela onde sempre assisti. Continuarei apoiando meu pároco naquilo que achar que devo, mas em termos financeiros minha atitude será a mesma que tenho em relação à qualquer paróquia Novus Ordo: nem mais um centavo do meu bolso e nenhuma participação em iniciativas bergoglianas.
    Como já dizia o Arcebispo Lefebvre: “eu não posso emprestar meus braços para aqueles que querem demolir a Igreja”.

    • “NÓS os fiéis Católicos Tradicionais que lhes demos juridisção extraordinária para cuidar do bem de nossas almas”

      Ops… Inversão hierárquica? Conciliarismo? Que heresia é essa, especialistas de plantão?

  4. Chegou realmente, afinal de contas, Roma retornou a Tradição, e Francisco com certeza é muito mais “tradicional” que Bento XVI. Parabéns ao Pe. Schmidberger e a FSSPX! Francisco lhes fará justiça!

  5. O Rorate Caeli só não é tendencioso, ao dizer que a dita “resistência” é composta por uns poucos fiéis e padres sem atentar que um dos bispos praticamente fundou La Reja com mgr. Lefebvre, que um convento inteiro deixou de ser “comunidade amiga” da Fraternidade, e que os superiores são contra toda e qualquer conversação com a Santa Sé… Quanta “imparcialidade”, ou seria ignorância propositada dos fatos, uma vez que os três bispos lançaram declarações dizendo que poderiam sim tornar a Roma, desde que as autoridades hoje no Vaticano se convertessem e não pusessem em risco a fé dos poucos católicos que ainda sobram, seja da dita “resistência”, na FSSPX, nas comunidades “Ecclesia Dei” e mesmo os de boa vontade entre os liberais?
    Tem muito mais coisa por trás disso tudo…

    • Quais coisas estariam por trás disso tudo? Tenho a mesma impressão, mas não consigo objetivar por falta de dados.

  6. PWIMMER, você viajou ao invocar Chardin: É da natureza de um atomo sempre se organizar e se equilibrar com suas cargas na medida em que tem possibilidade na sua ultima camada de eletróns. O CH4, por exemplo, é um Carbono que pode fazer 4 ligações e de maneira natural, eles se unem…e este natural pode envolver temperaturas diferentes que pode ou não ser um agente facilitador. Portanto, em termos de matéria, os atomos tendem sim a se organizar para uma normalidade ditada pela realidade física…não há filosofia que prove ser possivel um quinto hidrogenio a se ligar num carbono. E forma-se um tetraedro perfeito, e não torto…pois esta é a normalidade desta molécula. Quando alguem tem um vazamento em casa, a tendência é que este alguém queira resolver este vazamento, pois seria a situação de normalidade, mesmo que tal pessoa seja folgada e preguiçosa a ponto de deixar o vazamento por anos lá…fala-se de normalidade como sendo o bom senso, a situação normal e esperada…assim como é normal o comportamento tortuoso de um ser-humano afetado pelo pecado original, por isso vem Cristo e nos diz o que é a normalidade, vem Cristo e nos convida à normalidade salvífica e divina. Somos preguiçosos sim, e deixamos o vazamento lá por anos…mas Cristo já mostrou como consertá-lo e isso se faz por meio de sua Igreja, que é a nossa situação de normalidade.

    Não só a FSSPX, mas a Resistência também existem, e apenas existem por causa do suporte do Estado de Necessidade. E o Estado de Necessidade não é algo normal, é algo anormal, e ele deve ser sanado o mais rapidamente possível, é por isso que ele existe no CC, como uma provisão para os tempos anormais. Mas alguém ainda poderia vir com um discurso confuso, tolo e dizer: “ahhhh….mas o ser-humano estará sempre em estado de necessidade….necessidade da Deus e etc…” . Ora, argumento rídiculo. Há uma questão tecnica e juridica qu eenvolve o Estado de Necessidade….e ele pressupoe que algo normal esta fora do normal e é a esta normalidade que o padre Schmidberger diz que a FSSPX deve se voltar. Não há nada de mais nisso.

    E uma pergunta a todos: Se a Igreja quiser reconhecer, sem exigir reconhecimento do Vaticano II, sem exigir Missa Nova, dando prelazia pessoal para que a FSSPX faça o que quiser…numa situação em que a única diferença que haverá dos tempos atuais para os futuros pós-reconhecimento, é o fato de estar oficializada na Igreja sem ninguém mais poder dizer o inverso….qual é o problema? Onde está a traição?

    Situação claramente diferente de Campos, IBP e etc…

    É muito mimimi, muito choro sem base historica alguma para dar uma previsão inteligente…ou digam qual foi o grupo tradicional que foi aceito pela Igreja nestas condições?

    • Prezado Vladimir, encomiasta do metano, o gás dos pântanos…

      O que vc argumenta em relação ao CH4 está correto, mas isso não derroga a segunda Lei da Termodinâmica, segundo a qual os sistemas naturais tendem sempre à desorganização sem o aporte energético correspondente. Para haver estabilidade, ordem, organização, ligações covalentes ou extirpação das heresias é preciso de ENERGIA.

      A analogia, aliás infeliz, de Pe Schmidberger, a saber, que “cada situação anormal inerentemente tende para a normalização. Isso se deve à natureza da matéria”, SUGERE que as coisas humanas & naturais seguem sempre o rumo fatal de um maravilhoso congraçamento. A realidade mostra bem o contrário: deixadas por si só, as coisas tendem à desagregação e ao caos. Morreu? Apodrece. Por isso também, citei o exemplo da gota de tinta na água; para a tinta dissolvida voltar a ser gota (suposto que isso seja possível), isso só se dará por algum aporte exterior.

      _______________

      PS: O modelo atômico tradicional é, como o nome diz, apenas um modelo. Nunca ninguém irá ver o CH4 formar um tetraedro à luz de um microscópio, não é mesmo…? É pelo comportamento dos átomos e da molécula como um todo que se infere o tipo de geometria que ela pode ter (dentro do modelo clássico). Insisti no termo “modelo”, porque vc parece apostar passionalmente neles. Não se esqueça, porém, que teorias físicas contraditórias, por exemplo, a luz entendida como onda eletromagnética ou pela teoria corpuscular admitem, ambas, verificação experimental (Radiômetro de Crookes para a teoria corpuscular), Sugiro que vc estude um pouco de filosofia da ciência e recomendo vivamente os deliciosos exercícios de Termodinâmica do van Wylen, bem como as listas de exercícios do Professor Eitaro Yamane, sobretudo as antigas…

  7. Concordo com os comentários do sr. PW e da sra. Gercione Lima.
    É rematada loucura aceitar um acordo proposto pelo Vaticano modernista-franciscano.
    Por outro lado, ouvi dizer de fonte fidedigna que a Ecclesia Dei dos aflitos enviou à Fraternidade (às sua capelas, priorados etc) uma carta propondo-lhes que aceitassem o reconhecimento canônico, que não seriam obrigados a aceitar nada (Vaticano II, missa nova etc). E que a resposta da Fraternidade teria sido: convertam em lei, em documento, o conteúdo da dita carta, que a Fraternidade aceita o reconhecimento.
    A confusão é geral: em Ecône, no Vaticano, em Brasília, em toda parte. Parece que as trevas infernais invadiram o universo, obscureceram as inteligências, corromperam as vontades.
    Deus, in adjutorium meum intende. Domine, ad adjuvandum me festina. Gloria Patri et…

  8. Como membro da Adm. Apostólica, nada disso me assusta porque não é novidade para mim: uns concordam, outros discordam, alguns passam a não confiar em mais ninguém e seguem as próprias cabeças, o grupo que fica firme no legado de Dom Lefebvre e Dom Antônio é execrado (FSSPX ontem, Resistência/USML hoje) etc..

    Por envolver cargos episcopais, o acordo da FSSPX tem grande semelhança com a situação de Campos e os resultados, infelizmente, não devem ser tão diferentes. O começo pode ter sido diverso, já que as mudanças mais substanciais na Adm. Apostólica começaram anos após o acordo, enquanto na FSSPX isso começou antes mesmo do reconhecimento, de forma mais visível em 2012. Por experiência própria, sabia que o tempo daria razão aos que se mantiveram firmes às advertências de Dom Lefebvre e Dom Antônio, que hoje formam a Resistência na União Sacerdotal Marcel Lefebvre. Pelo que se vê, a queda da FSSPX se descortinará em breve e será um tempo de muita dificuldade, pois não teremos mais uma instituição para nos amparar.

    Depois de grandes decepções, quis a Providência Divina que eu encontrasse sacerdotes dentro da Adm. Apostólica ainda fiéis ao legado de Dom Antônio, a despeito de toda a dificuldade de assim serem, que me orientaram a manter tudo que tinha aprendido e a resistir às investidas modernistas. Daí, reaproximei-me da FSSPX mas não a reconheci, tomando ciência da crise que cada vez mais pessoas enxergam, motivo esse que me fez aproximar da USML pelo Mosteiro da Santa Cruz em Nova Friburgo. Deus não esquece de nenhum de seus filhos e certamente concederá graças aos sacerdotes para seguirem caminho semelhante, ainda que dentro da FSSPX ou se aliando à USML. Desde já aviso aos irmãos que serão tempos difíceis e de muitas tentações contra a Fé, por isso devemos nos ater à Sã Doutrina e aos sacerdotes que a ilustrarem corretamente.

    Sagrado Coração de Jesus, temos confiança em Vós.
    Nossa Senhora do Rosário de Fátima, convertei os pecadores.
    São José, Padroeiro da Igreja, rogai por nós.
    São Pio X, rogai por nós.

  9. Eu não me preocupo. Dom Fellay já disse que não vai fazer acordo com Roma nas condições atuais de aceitar missa nova e muito menos com textos ambíguos e etc. Dom Fellay aprendeu a lição depois de 2012. Ele disse isso numa conferência que ele fez quando estava aqui no Brasil. Agora, se o Papa vier e disser “Vocês tem total jurisdição ordinária”, aí tudo bem, nada vai mudar no pensamento da Fraternidade. Vamos continuar agindo normalmente e até mais com um certo conforto, mas o superior geral já disse e, pela primeira vez, colocou em termos claros e expressos as condições da fraternidade, sem mais aquela besteira de “Vocês interpretam do seu jeito e nós do nosso”.

    Além do mais, depois daquela tensão de 2012, não basta só o superior geral aprovar um acordo, o capítulo da fraternidade precisa concordar por uma certa maioria de votos.

  10. Há quanto tempo não lia algo razoável de alguém da FSSPX… Deo Gratias!

    À parte o fato de mostrar uma Fraternidade em contradição – o que é muito triste, pois um reino autodivido demole-se – felizmente o texto lança luzes sobre os “Nicodemos” de dentro da instituição lefevbriana.

  11. Onde está o “mimimi, o choro sem base historica alguma para dar uma previsão inteligente” nas análises feitas? Você por acaso é membro da FSSPX? Onde está a sua análise detalhada sobre o que foi escrito pelo Padre Schmidberger? Ou tudo que você tem pra apresentar é crítica aos críticos?
    A minha análise foi feita encima do conteúdo da carta “vazada” do Padre Schmidberger. Como eu disse antes, estamos aguardando a visita do Padre Niklaus Pfluger no dia 21 de maio para saber qual a posição oficial, mas em relação à carta em si, até agora a única coisa que ela nos prova é que o Padre Schmidberger, Reitor do Seminário de Zaitzkofen na Baviera Alemã, só vê benefícios em um reconhecimento unilateral por parte de Bergoglio.
    A essa altura, fico muito preocupada pelos seminaristas e futuros padres que estão sob sua autoridade e olha que conheci alguns deles quando estive lá no ano passado!
    Ainda ontem, estive com um dos padres formados por ele, o polonês Padre Kowalski, que veio para as comemorações dos 1050 anos do Batismo da Polônia.
    Ele deu uma conferência sobre a Crise na Igreja mas evitou a todo custo entrar nos temas espinhosos. Simplesmente não gostei da reticência dele ao responder certas questões, embora seja um sacerdote muito piedoso e amável. Muito me preocupa que essa nova safra de sacerdotes se torne como aquelas sentinelas denunciadas pelo Profeta Isaías 56,10:
    -“As sentinelas de Israel estão cegas e não tem conhecimento, todas elas são como cães mudos, incapazes de latir. Deitam-se e sonham; só querem dormir”.
    A geração de padres formados por Dom Lefebvre definitivamente era mais aguerrida do que os que estão sendo formados hoje.
    Padre Schmidberger diz com muita razão que “a Fraternidade São Pio X foi fundada pelo Arcebispo Lefebvre em meio a esses tempos confusos para a Igreja. Ela foi chamada a prover uma nova geração de padres para a Igreja, para salvaguardar o verdadeiro Santo Sacrifício da Missa e proclamar a realeza de Jesus Cristo sobre toda a sociedade, mesmo na presença de papas liberais e príncipes da Igreja que traem a fé”.
    Mas será que é isso que ele está fazendo ao recomendar aos outros membros da Fraternidade que aceitem esse presente de grego só porque ele vê alguns benefícios nele?
    Uma coisa é aceitar o “presente” porque não se têm outra alternativa, ou expor claramente os prós e contras para convencer-nos de que o que a Fraternidade tem a perder é muito mais do que têm a ganhar. Mas sinceramente, vir com essa rasgação de seda toda por causa de uma jurisdição ordinária, e ainda por cima menosprezando aqueles que os deram jurisdição extraordinária durante todos esses anos, beira à traição.
    Outro ponto; eu reconheço a existência desses “Nicodemos” simpáticos à SSPX, mas se eles tivessem mesmo essa intenção toda de convidar uma fraternidade tradicional como a SSPX para auxiliá-los, dando-lhes uma igreja paroquial ou mesmo confiando um seminário à SSPX, já o teriam feito convidando o Instituto do Bom Pastor, a Fraternidade de São Pedro ou o Instituto Cristo Rei. Se não o fizeram até agora é porque não querem arriscar suas carreiras indo contra a linha dura e ultra liberal do Pontífice em exercício.
    Se até o “ultra-ratzingeriano” Canizares rapidinho jogou a capa magna no lixo e adotou os farrapos bergoglianos, imagine os outros “nicodemos”, o que não fariam pra “conservar” suas púrpuras e barretes!
    Com relação à necessidade futura de novos Bispos, ficar pensando “nos próximos anos”,a declaração do Padre Franz Schmidberger paradoxalmente denota uma clara falta de fé na Providência. Uma manifesta falta de fé naquela mesma Providência que diz:

    “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”.
    (Mateus 6:34)

    Quem imaginaria a renúncia de um Papa? Quem imaginaria a eleição de um Demolidor que também tem seus dias contados? O próprio Bergoglio, aos 78 anos já admitiu em entrevista:

    “Tenho a sensação que meu pontificado será breve. Quatro ou cinco anos. Não sei, ou dois, ou três. Pelo menos dois já passaram. É como uma sensação vaga. É como a psicologia de quem joga e acredita que vai perder para não se desiludir (…) Tenho a sensação de que o Senhor me colocou aqui para uma missão breve”.

    E com fé em Deus será breve, porque disso nos assegurou o Senhor:

    _”Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria mas Ele, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias.” (Marcos 13:20)

    Até lá o que a SSPX tem a fazer é esperar na Providência como esperou até agora. Se ela resistiu a qualquer acordo com JPII (que perto de Bergoglio até parece santo mesmo), se resistiu a um acordo com Ratzinger, porque os negociadores exigiam a aceitação do Vaticano II, o que os leva a pensar que Bergoglio (que já mentiu descaradamente em dois documentos oficiais emitidos com seu selo papal) tem alguma credibilidade naquilo que ele propõe?
    Padre Schimdberger se pergunta: Será que um discernimento dos espíritos não deixa claro que esse é um caminho certo e bom? E quem está fazendo esse discernimento? Ele mesmo?
    Porque o único discernimento que ele deveria ter é aquele que teve Jesus quando foi tentado no deserto. Durante esses quarenta e seis anos de sua fundação, a SSPX passou pelas mesmas tentações de Cristo.
    Quando foi suprimido seu status canônico, quando Dom Lefebvre foi suspenso “à divinis” e seus padres proibidos de celebrar licitamente o Santo Sacrifício, foi como se o próprio demônio lhes dissesse:
    _ Sem mandato e licença de Roma, manda agora que esse pão se torne carne!
    Eles, porém, respondendo, disseram: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. E nunca deixaram de proclamar as verdades da Palavra de Deus contra o modernismo que alastrava por paróquias, dioceses e seminários.
    A segunda tentação veio quando Dom Lefebvre encontrava-se à beira da morte, padecendo de um câncer e lidando com as hostes infernais que queriam sepultar sua obra tão logo seu caixão baixasse a sepultura.
    Então o diabo o transportou mostrou-lhe Roma, a cidade santa, e disse lança-te de daqui abaixo; porque está escrito que nada lhe acontecerá.
    Mas Dom Lefebvre soube como responder: ” Não tentarás o Senhor teu Deus”. Procurou no próprio Código de Direito Canônico, na lei da Igreja, o que lhe amparava em sua decisão. As Consagrações Episcopais não foram um ato cismático, não foram um ato de rebeldia e a injustiça foi reparada quando finalmente a pena injusta por seu ato foi cancelada.
    Finalmente estamos vivendo a última e mais sedutora tentação. Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.
    E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
    Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.
    Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam.
    Bergoglio está mostrando aos Superiores da SSPX todos os reinos desse mundo e a glória deles: seminários que poderão ser colocados sob sua custódia, uma prelazia como jamais foi oferecida àqueles filhos mais fiéis da Ecclesia Dei, toda a glória de ser um Bispo com passagem livre entre os salões de Roma, mas o precinho na etiqueta é claro:
    _ Se prostados, me adorares como estão fazendo todos os outros. Se ficarem de bico calado quando eu der a próxima marretada no edifício da Igreja, se ficarem lá quietinhos só celebrando missa bonita com aqueles paramentos ricos.
    Rezemos pois, imploremos de joelhos com a Ladainha de Todos os Santos, que esses padres e Bispos saibam responder com a mesma voz de Jesus:
    _ Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.

  12. Excelente texto da sra. Gercione, lamentável que muitos ainda não entenderam o que está se passando. Santa Mãe de Deus rogai por nós, nesse mundo de loucos.

    • Lamentável mesmo também o fato de não saberem o que houve nos bastidores do Concílio Vaticano II, motivo a existência da fraternidade.

      Para os que não sabem, recomendo:

      1. Catecismo Católico da Crise na Igreja
      2. O Reno se lança no Tibre: O Concílio Desconhecido

    • Excelente texto da sra. Gercione, lamentável que muitos ainda não entenderam o que está se passando. Santa Mãe de Deus rogai por nós, nesse mundo de loucos. (2x)

  13. Na verdade pode se constatar o seguinte: que existe um grupo que concorda e outro grupo de discorda. Na minha opinião ee fundamental que esta fraternidade aceite e seja reconhecida porqui isto vai ajudar a Igreja ninguém pode ajudar a Igreja estando fora dela, ora vejamos se os tradicionalistas ainda estivessem perto da Igreja muitos exerceriam funções importantes e impediriam que Cardeais e Bispos idiotas chegassem aos altos cargos. Os tradicionalistas ajudariam o Papa Bento XVI na reforma que ele estava a introduzir, o papa não teve sucesso que esperava porque tinha opositores em abundância, os tradicionalistas já que andam longe da cúria só não puderam contribuir diretamente. Também podemos destacar o Sínodo da família os poucos conservadores que la estavam deram vida cara aos modernistas e se os tradicionalistas estivessem por perto muita coisa se evitariam e a Igreja aos poucos podia se endireitar. A mim não me vai espantar se no próximo conclave for eleito um Papa pior que Francisco, porque os modernistas ganharam espaço porque os tradicionalistas andam longe e não querem se aproximar para ajudar a Igreja. De lembrar que todos os que tentaram corrigir os erros afastando-se da relação com a Igreja terminaram criando ceitas. Eu acho que a opinião deste padre ee uma inspiração divina para os tempos que vem, que eu acho que serão mais difíceis que os atuais. com os tradicionalistas por perto pode-se evitar grandes colapsos. Diz Santa Teresa prefiro errar com a Igreja do que estar fora dela. Ninguem estaa obrigado aa concordar com o que eu escrevi simplesmente trata-se de uma opinião pessoal. Lembre-se que Deus querendo salvar a raça humana se misturou com ela exceto no pecado. Assim o tradicionalista querendo ajudar a Igreja se misture com ela exceto nos erros, e isso não ee impossível. Salve Regina

  14. “O que Padre Schmidberger não pode perder de vista é que somos NÓS os fiéis Católicos Tradicionais que lhes demos juridisção extraordinária para cuidar do bem de nossas almas”

    Não, não foi assim que aconteceu. Foi a visão e coragem de um homem de santidade extraordinária, que vendo a destruição e o fracasso nas reformas, decidiu, para o bem das almas, fundar uma sociedade sacerdotal ( que nasceu no seio da Igreja e permaneceu nela por um pequeno tempo até ser injustamente colocada para fora); foi esse homem (em benefício da Igreja e não contra ela) para dar continuidade a obra que Deus lhe designara que após muita oração, já no momento extremo de sua vida, decidiu consagrar bispos para que a Tradição na Igreja não morresse.

    Bem verdade que Deus poderia ter utilizado outros meios para salvar a Igreja e sua Tradição. Mas Ele escolheu D. Lefebvre. Sua comunidade nasceu no seio da Igreja e se as autoridades romanas não resolvessem impor a agenda conciliar na marra, talvez hoje a SSPX estivesse na Igreja sem nunca ter sido colocada para fora, debatendo pacificamente sobre o CV II.

    O retorno é a situação normal, desde que não haja exigências que contrariem aquilo que a Fraternidade sem foi. E parece que dessa vez não há…

    Não fomos nós quem criamos a FSSPX, nem essa nasceu com a consagração dos bispos. Nem foi um conjunto de fieis que deu jurisdição extraordinária para a fraternidade existir.

    Foi a coragem de um homem e sua decisão de salvar a Igreja e sua Tradição que fez com que a fraternidade nascesse.

    Ela nunca perdeu o direito de santificar as almas, seja antes ou depois da excomunhão…

    O reconhecimento canônico sem qualquer tipo de exigência seria uma derrota para o neo-modernismo e triunfo de todos aqueles que se opuseram ao CV II, dizendo ser um concílio cujo ensino não é de obrigatória adesão.

    Seria incontáveis o número de benefícios que a regularização da sspx traria para a Igreja.

    • “O retorno é a situação normal, desde que não haja exigências que contrariem aquilo que a Fraternidade sem foi. E parece que dessa vez não há…”

      A História não corrobora seu otimismo e digo isso por experiência própria. Não posso culpar ninguém por não ver o que já está acontecendo da FSSPX, pois eu mesmo levei mais de 10 anos para enxergar claramente o resultado do “reconhecimento” em Campos. Ao me reaproximar da FSSPX, não a reconheci e logo percebi sinais de infiltração modernista da qual estava fugindo.

      Sei que não é fácil porque as mudanças são sutis e a confiança nas pessoas muitas vezes pode nos levar a uma tolerância imprudente, mas basta ler os escritos de Dom Lefebvre para ver que sua obra já caminha de forma bem diferente de quando ele a guiava.

  15. Parabéns, Gercione. Se não teve acordo com Bento XVI, que carregava as vestes de um conservador, como se pode fazer acordo com Francisco, dignatário do modernismo?
    Viveu-se sem reconhecimento também com Paulo VI e João Paulo II (de fato um santo perto de Bergoglio) por que essa propensão em momento tão caótico?
    É claro que o acordo permitirá a existência da FSSPX, mas sua identidade desfigurar-se-á, como tantos outros grupos que outrora rugiam, e depois bradaram com rouquidão seus miadinhos.
    Um bastião em ruínas é bastião que se manteve, mas perdeu sua identidade de vigia e defesa.

  16. Senhores,

    Não tenho qualquer intenção de discutir melindres da presente
    questão. São muitos os melindres, e a história recente
    nos mostra que o reconhecimento da FSSPX tenderia
    a ser um fracasso (humanamente falando).

    Mas existe uma questão que muitos parecem esquecer:

    Só nos é permitido resistir a um superior naquilo
    que contraria a Lei de Deus e/ou a reta razão.

    Um reconhecimento canônico da FSSPX sem
    nenhuma exigência por parte de Roma foi tudo
    o que a FSSPX sempre quis, e sempre pediu
    (desde seus fundamentos, ou seja,
    muitos antes do pontificado de Francisco).

    Assim, se Francisco viesse a propor
    à FSSPX uma regularização nos termos
    que ela sempre pediu, simplesmente não
    haveria qualquer justificativa para uma
    possível resistência. Isso porque
    Francisco não lhes estaria propondo
    nada que repugne a Lei de Deus ou
    à reta razão (daí porque nenhum bispo,
    inclusive Dom Willianson, coloca-se
    ABSOLUTAMENTE contra a regularização).

    É claro que tudo o que eu disse acima
    pressupõe que a FSSPX reconhece
    a autoridade de Francisco como pontífice.
    E isso de fato acontece na prática.

    Portanto, para ser coerente
    com sua própria posição,
    penso que seria forçoso que a FSSPX
    aceitasse uma regularização unilateral
    vinda de Roma.

    Trata-se aqui, simplesmente,
    de uma questão de coerência.

    Daí porque o discurso de todos aqueles
    que tratam da regularização (inclusive os bispos)
    falar sempre na necessidade de confiar-se
    à Providência Divina.

    Com efeito, o paralelo feito por Pe. Schmidberger
    é bem adequado:

    Não ocorre de um santo exilado negar a suspensão
    de seu (injusto) exílio.

    Assim, parece-me que não há amparo canônico
    ou teológico para que a FSSPX pudesse negar
    uma concessão unilateral vinda de Roma
    (que é diferente do que vem ocorrendo até então).

    Nessa situação, só lhes restaria aceitar
    (ainda que com “o pé atrás”), o gesto concedido.

    Inoportuno ficar buscando
    razões obscuras para o que fazem esses sacerdotes.
    Existem boas razões canônicas e teológicas
    nessa questão, e estas não podem ser simplesmente ignoradas.

    Não obstante todo o exposto,
    vale lembrar que Santo Atanásio
    foi exilado não uma, mas cinco vezes…

  17. Se a FSSPX tiver sua situação canônica regularizada sem que se lhe exija a plena concordância com os ensinamentos atuais do Vaticano ‘modernizado’, isso provavelmente abrirá um precedente que poderá ser invocado pelas autoridades vaticanas nas relações com as mais variadas “comunidades de irmãos separados” – também para estas se poderá oferecer a ‘plenitude de comunhão eclesial’ mesmo sem elas ‘concordarem com Roma em tudo’… Dilata-se, assim, o caminho para uma espécie de Pan-Igreja que poderia abrigar, oficialmente, os grupos de ‘posição teológica’ mais divergentes – sonho antigo do ecumenismo a la Maçonaria…

    • Sagaz, Bartholomeu. Parece ser isso o que Bergoglio e outros (Calvino) pensam. Há uma Igreja supra-confessional e “inclusiva”, formada pelos eleitos ou ao menos por todos os batizados. Nem poderia ser outro o motivo de Bergoglio ofertar ESCANDALOSAMENTE um cálice ao “pastor” luterano. Talvez Bergoglio faça suas devoções particulares, se as fizer, tendo diante de si o foicefixo.

    • Ponto muito interessante e grave que passa despercebido…

      O pior é que temos alguns antecedentes… Vide Taizé, RCC e Caminho Neo-catecumenal…

  18. Parabéns Duarte. Parece-me que com essa sua afirmação

    “parece-me que não há amparo canônico
    ou teológico para que a FSSPX pudesse negar
    uma concessão unilateral vinda de Roma”

    começa-se a entrar no debate de uma maneira mais técnica, de acordo com as Leis Divinas, de acordo com o direito canônico, etc e menos com as paixões e opiniões de cada um… seu comentário foi um dos melhores que li, pois coerente e técnico, sem qualquer tipo de paixões, que é o que eu defendo.

  19. A carta do padre Schmidberger tem pontos muito corretos em termos teológicos. Ele tem razão em uma série de ponderações. O problema todo é saber como um acordo minimamente razoável poderia acontecer nestes tempos tão conturbados de Papa Francisco, ou seja, um acordo em que eles não fossem obrigados a atender aos caprichos de bispos diocesanos liberais. A maioria reprime a Missa Tradicional, não quer ouvir falar em “ambiguidades do Concílio” e mal tolera um local de missa em local pouco movimentado, longe os “fiéis normais”. Por outro lado, como o pontificado atual é imprevisível, nada impede que o próprio papa emita um Motu Proprio regularizando. Nesse caso não haveria um acordo com condições a serem aceitas, mas um documento unilateral.

    Rezemos pela FSSPX, a qual respeito e admiro, e pelos católicos que podem frequentar as suas capelas. Dom Fellay me parece um homem piedoso e experiente. Depois de tudo o que temos assistido, não creio que ele vá comprometer seus princípios.

  20. Vou explicar com letras maiúsculas, para ver se todos entendem: NÃO HAVERÁ ACORDO! O que poderá haver é uma REGULARIZAÇÃO UNILATERAL SEM EXIGÊNCIAS (o que não foi o caso do triste – aqui, sim – acordo de Campos). Falar em acordo é errado e mesmo – se feito com conhecimento de causa – leviano. Informem-se melhor antes de semear a cizânia. O termo acordo nunca foi usado, apenas pelos inimigos da FSSPX, que querem sujar-lhe a reputação. Repito: NÃO HAVERÁ ACORDO, É UMA REGULARIZAÇÃO CANÔNICA UNILATERAL (feita pelo Vaticano) SEM QUALQUER EXIGÊNCIA DE CONTRAPARTIDA (celebração da missa “protestante” de Bugnini, aceitação dos diversos erros do Concílio VAT. II etc.) Os padres de campos, sim, fizeram um ACORDO, traindo a luta de D. Castro Mayer. Deu no que deu: hoje celebram a missa “nova” – versus populum, com mesa de ceia protestante – e o Sr. Bispo se diz um feliz membro da CNBdoB…

    • Sr. Torre, infelizmente a História não corrobora seu otimismo e achar que a FSSPX não será afetada não é prudente, ainda mais porque muitos membros já foram afetados como se vê na carta em questão. Se o que Vsa. Sa. chama de “regularização” poderá ser realizada de forma “unilateral sem exigências”, qual é o empecilho?

      Falando por mim mesmo, deixei a confiança me cegar, logo me tornei um “cleaner” e desaprendi muito sobre a resistência de Dom Antônio e Dom Lefebvre, só abrindo os olhos nessa década quando o modernismo se mostra hoje de forma explícita em muitas de nossas igrejas na Adm. Apostílica, com abominações no trajar feminino e hinos protestantes.

      Se grupos conservadores como os Franciscanos da Imaculada sofreram perseguições, como acreditar que tudo será como antes na FSSPX, já que a FSSPX de hoje já não é sequer a mesma de desde o “levantamento das excomunhões”?

  21. “parece-me que não há amparo canônico
    ou teológico para que a FSSPX pudesse negar
    uma concessão unilateral vinda de Roma”

    E ao que parece alguns aqui estão dando o acordo como fechado e assinado como se o post em questão estivesse tratando disso. Os comentários deveriam se ater ao conteúdo postado, ou seja, a carta do reitor do Seminário de Zaitzkofen encorajando outros membros da SSPX a aceitar a oferta de Roma.
    Em primeiro lugar, essa é a opinião do Padre Franz Schmidberger e não o consenso geral dentro da Fraternidade.
    Provavelmente se tratou de uma consulta feita a todos os Superiores de Distrito e Reitores de Seminários e ele emitiu o seu parecer pessoal, do qual discordo veementemente.
    Propositalmente ou acidentalmente essa carta vazou para o conhecimento do público e é sobre o seu conteúdo que foram feitos os comentários, que alguns erroneamente julgam ser movidos por paixão ou insensatez.
    Em segundo lugar, alguns precisam se informar melhor sobre o que vem a ser a jurisdição extraordinária. Talvez eu não tenha explicado de modo claro, mas o fato é que os padres da SSPX possuem uma jurisdição que não é territorial nem pessoal, mas suprida (pela Igreja – Ecclesia Suplet) em vista das necessidades dos fiéis.
    Ou seja, na medida em que a crise na Igreja foi se agravando (e não demonstra nenhum sinal de arrefecimento,) os fiéis foram se sentindo em casos concretos, impossibilitados ( até mesmo por motivo de consciência) de receberem sacramentos de padres modernistas com jurisdição ordinária.
    Assim sendo, a Igreja, que tem como o bem supremo a salvação das almas, extraordinariamente supre a jurisdição em decorrência da necessidade de seus filhos, e a jurisdição é concedida com ainda mais abundância onde se encontra mais necessário. Isso é o que prevê o Direito Canônico.
    Dito isso, o que eu disse e repito é que se não fosse pelos fiéis tradicionais que lotam as capelas e priorados da SSPX, que procriam “feito coelhos” dando filhos para seus Seminários, que contribuem com suas finanças para o bem da Fraternidade, se não fosse por causa da necessidade desses fiéis, sequer se justificaria a jurisdição extraordinária dos padres da SSPX.
    Padre Franz Schmidberger , diz que “a não participação no Ano Santo, e também o completo desprezo pela jurisdição ordinária concedida pelo Papa Francisco para as Confissões são causa de preocupação”.
    Causa de preocupaçãp pra quem cara-pálida? Se foi o próprio Dom Fellay que declinou qualquer iniciativa de se organizar uma grande peregrinação à Roma por ocasião desse Jubileu.

    “[…]On the contrary, it is obvious that this 50th anniversary of the Council could not be cause for rejoicing, since we denounce and continue to denounce the errors and the harmful nature of the reforms undertaken in the Church since Vatican II (ecumenism, religious liberty, liturgical reform…). This is the reason why, although we can benefit from the extraordinary jubilee of Pope Francis to gain the indulgence and to sanctify ourselves as Roman Catholics, we cannot participate in the official ceremonies which, anyway, will be organized around the New Mass. […]

    Traduzindo: Ao contrário, é óbvio que esses 50 anos de aniversário do Concílio, não são para nós nenhum motivo de comemoração, uma vez que denunciamos e continuaremos a denunciar os erros e a natureza prejudicial das reformas feitas na Igreja desde o Vaticano II ( Ecumenismo, Liberdade Religiosa, Reforma Litúrgica…etc) Esta é a grande razão pela qual, embora podemos nos beneficiar desse jubileu extraordinário do Papa Francisco para ganhar as indulgências e nos santificarmos como Católicos Romanos, NÓS NÃO PODEMOS PARTICIPAR DE SUAS CERIMÔNIAS OFICIAIS AS QUAIS, DE QUALQUER MODO SERÃO ORGANIZADAS EM TORNO DA MISSA NOVA.

    “Because of the centennial of the apparitions in Fatima and the major international pilgrimage to Portugal that we will organize in 2017, God willing, the General House has planned no major pilgrimage to Rome during this jubilee of mercy. But nothing prevents seminaries, districts and priories from organizing them, as it is possible to gain the jubilee indulgence in all the dioceses of the world”.
    http://sspx.org/en/sspxs-participation-jubilee-mercy

    Traduzindo: “Por causa do centenário das Aparições em Fátima e por causa da grande peregrinação que se Deus quiser, organizaremos em 2017 para Portugal, a Sede Geral não planejou nenhuma grande peregrinação à Roma durante esse jubileu da misericórdia. Mas nada impede que seminários, distritos e priorados os organizem já que é possível lucrar as indulgências do jubileu em qualquer diocese do mundo”.

    Se alguém aqui fez pouco desse jubileu, foi o próprio Superior Geral que disse claramente que esse é um jubileu extraordinário, que não corresponde ao ciclo de 25 anos característicos de qualquer jubileu, que só se justifica para comemorar 50 anos de Vaticano II e por esse mesmo motivo a SSPX não iria organizar nenhum evento nesse sentido.
    Então por que Padre Schmidberger está criticando a falta de entusiasmo por parte dos fiéis? Que ele vá reclamar com o Bispo!
    Outra crítica que ele faz é com relação ao “completo desprezo pela jurisdição ordinária concedida pelo Papa Francisco para as Confissões”.
    E o que ele achou que os fiéis deveriam fazer? Sair tocando a trombeta e gritando: “Agora sim podemos confessar validamente”? E logo em seguida deveriam fazer o quê? Procurar um padre Novus Ordo ou uma ministrete pra receber a Comunhão? Porque pelo visto a jurisdição ordinária não se aplica aos demais Sacramentos e foi sobre isso que Dom Fellay reclamou como Bergoglio em seu último encontro.
    Resumindo, não há motivos pra se comemorar.
    Jesus disse claramente:
    _ A ovelha conhece a voz do seu pastor…e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.
    Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
    (João 10:4,5)
    Padre Franz Schmidberger está falando em uma linguagem que é estranha ao rebanho que frequenta a SSPX e isso sim é motivo de muita preocupação.

    • Muito bom dia a todos e

      Salve Maria.

      A seguinte noção de suplência difundida em meios da FSSPX é totalmente falsa:

      “O que Padre Schmidberger não pode perder de vista é que somos NÓS os fiéis Católicos Tradicionais que lhes demos juridisção extraordinária para cuidar do bem de nossas almas…”

      “Em segundo lugar, alguns precisam se informar melhor sobre o que vem a ser a jurisdição extraordinária. Talvez eu não tenha explicado de modo claro, mas o fato é que os padres da SSPX possuem uma jurisdição que não é territorial nem pessoal, mas suprida (pela Igreja – Ecclesia Suplet) em vista das necessidades dos fiéis.
      Ou seja, na medida em que a crise na Igreja foi se agravando (e não demonstra nenhum sinal de arrefecimento,) os fiéis foram se sentindo em casos concretos, impossibilitados ( até mesmo por motivo de consciência) de receberem sacramentos de padres modernistas com jurisdição ordinária.
      Assim sendo, a Igreja, que tem como o bem supremo a salvação das almas, extraordinariamente supre a jurisdição em decorrência da necessidade de seus filhos, e a jurisdição é concedida com ainda mais abundância onde se encontra mais necessário. Isso é o que prevê o Direito Canônico.”

      Não culpo a srª Gercione por tal coisa e, ao contrário, nos seis anos que frequentei esse mesmo ambiente da FSSPX, pude ouvir várias vezes de padres de lá tal coisa… simplesmente absurdo!

      Tal coisa nos joga fora da Fé Católica e obnubila o bom combate!

      A prova de que a FSSPX corroe internamente em sua incoerência está aqui, nas palavras de pe. Schmidberger, que contradizem o posicionamento da srª Gercione e, também, tudo aquilo que ouvia outrora das bocas dos padres da mesma FSSPX; pe. Schmidberger:

      “Hoje, o Papa Francisco é o titular do ofício papal com o poder do primado.”

      Ora, é justamente em função do Primado ( que não nos esqueçamos, é Primado de Jurisdição! ) que não cabe essa “lógica” torta da “Igreja supre” ( que já ouvi de dom Tissier… ) e, consequentemente, as ditas sagrações sem mandato apostólico, dela dependente; palavras de Pio XII sobre esse assunto e, inclusive, com as devidas colocações doutrinais, na Encíclica Ad Apostolorum Principis ( https://w2.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061958_ad-apostolorum-principis.html ) :

      “Limitações arbitrárias do magistério pontifício

      21. E partindo desse falso e ofensivo pressuposto, têm a ousadia de limitar a seu arbítrio a autoridade do magistério supremo da Igreja, afirmando que haveria questões – como as sociais e econômicas – em que seria lícito aos católicos não ter em nenhuma conta o ensinamento doutrinal e as normas emanadas desta Sé Apostólica. Opinião, é apenas o caso de dizer, absolutamente falsa e errônea, porque – como tivemos a ocasião de expor há alguns anos a selecionado grupo de veneráveis irmãos no episcopado – “o poder da Igreja não se limita somente ‘às coisas estritamente religiosas’, como se costuma dizer, mas a ela pertence todo o campo da lei natural, assim como o ensino, a interpretação e a aplicação desta, pois é considerado o seus fundamento moral. Com efeito, por disposição divina, a observância da lei natural refere-se àquele caminho pelo qual o homem deve tender ao seu fim sobrenatural. Nesse caminho, portanto, a Igreja é guia e guarda dos homens, no que diz respeito ao fim sobrenatural”.(6) É a mesma verdade já sapientemente ilustrada pelo nosso santo predecessor Pio X, na encíclica Singulari quadam de 24 de setembro de 1912, quando observava “que todas as ações do cristão estão submetidas ao juízo e à jurisdição da Igreja, no que são boas ou más do ponto de vista moral, isto é, no que concordam ou contrastam com o direito natural e divino”.(7)

      Grave ato de rebeldia

      22. Além disso, depois de ter proclamado essa limitação arbitrária, enquanto declaram com palavras de querer obedecer ao pontífice romano nas verdades que se devem acreditar e – assim como se costumam exprimir – nas norma eclesiásticas a observar, chegam a ousadia tal de recusar obediência a providências e disposições claras e precisas da Santa Sé, às quais atribuem imaginários segundos fins de ordem política, quase conspirações tenebrosas dirigidas contra o seu país.

      23. Uma prova desse espírito de rebeldia à Igreja, um fato gravíssimo que é causa de amargura profunda e inexprimível para o nosso coração de pai e de pastor universal das almas, é o que devemos mencionar agora. Há algum tempo, com propaganda insistente, o assim chamado “movimento patriótico” vem proclamando um pretenso direito dos católicos de eleger, de sua iniciativa, os bispos, afirmando que esta eleição seria indispensável para providenciar com a solicitude devida ao bem das almas, e para confiar o governo das dioceses a pastores aceitos pelas autoridades civis, enquanto não se opõem às orientações ideológicas e políticas próprias do comunismo.

      24. Ficamos sabendo, até mesmo, que já se procedeu a não poucas e abusivas eleições, e que, além disso, contra um mônito severo e explícito dirigidos por esta Sé Apostólica aos interessados, chegou-se ao atrevimento de conferir a alguns eclesiásticos a consagração episcopal.

      Doutrina sobre a eleição e consagração dos bispos

      25. Diante de tão graves atentados contra a disciplina e a unidade da Igreja, é nosso preciso dever lembrar a todos, que são outras as doutrinas e princípios que regem a constituição da sociedade divinamente fundada por Jesus Cristo nosso Senhor.

      26. Com efeito, os cânones sagrados, clara e explicitamente, estabelecem que pertence unicamente à Sé Apostólica julgar da idoneidade de um eclesiástico para a dignidade e a missão episcopal (8) e que pertence ao romano pontífice nomear livremente os bispos.(9) E mesmo quando, como em determinados casos, na escolha de um candidato ao episcopado, é admitido o concurso de outras pessoas ou entes, isto acontece legitimamente somente em virtude de uma concessão – expressa e particular feita pela Sé Apostólica a pessoas ou a corpos morais bem determinados, com condições e em circunstâncias bem definidas. Isso posto, deriva que os bispos não nomeados nem confirmados pela Santa Sé, e até escolhidos e consagrados contra suas disposições explícitas, não podem gozar de nenhum poder de magistério nem de jurisdição; pois a jurisdição vem aos bispos unicamente através do romano pontífice, como já tivemos ocasião de lembrar na carta encíclica Mystici corporis: “Os bispos… no que diz respeito à sua diocese, são verdadeiros pastores que guiam e regem em nome de Cristo o rebanho a eles confiado. Ao fazer isso, não são completamente independentes, pois estão submetidos à autoridade do romano pontífice, mesmo gozando do poder ordinário de jurisdição, que lhes é comunicado diretamente pelo próprio sumo pontífice”.(10) Doutrina que tivemos a ocasião de relembrar ainda na carta Ad Sinarum gentem que vos foi sucessivamente dirigida: “O poder de jurisdição, que é conferido diretamente ao sumo pontífice por direito divino, deriva aos bispos pelo mesmo direito, mas somente mediante o sucessor de s. Pedro, ao qual estão constantemente submetidos e ligados pelo obséquio da obediência e pelo vínculo da unidade, não somente os simples fiéis, mas também todos os bispos”.(11)

      27. E os atos do poder de ordem, postos por tais eclesiásticos, mesmo sendo válidos – supondo tenha sido válida a consagração a eles conferida – são gravemente ilícitos, isto é; pecaminosos e sacrílegos. Vêm a propósito admoestadoras as palavras do Mestre divino: “Quem não entra pela porta no redil das ovelhas mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante” (Jo 10,1); as ovelhas reconhecem a voz de seu verdadeiro pastor e seguem-no docilmente, “elas não seguirão um estranho, mas fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos” (Jo 10,5).

      28. Bem sabemos que, para legitimar suas usurpações, os rebeldes apóiam-se na práxis seguida em outros séculos; mas todos vêem a que se reduziria a disciplina eclesiástica, se numa ou noutra questão, fosse permitido a quem quer que seja, apoiar-se em disposições que já não vigoram, porque a autoridade suprema dispôs de outra maneira há muito tempo. E até o fato de apelar a uma outra disciplina, longe de desculpar a ação destes, é prova da sua intenção de subtrair-se deliberadamente à disciplina vigente e que devem seguir. Essa disciplina vale não só para a China e para os territórios de recente evangelização, mas para toda a Igreja. Ela foi sancionada em virtude daquele supremo e universal poder de apascentar, reger e governar que foi conferida por nosso Senhor aos sucessores do apóstolo Pedro. E bem conhecida, com efeito, a solene declaração do concílio Vaticano: “Apoiando-se no testemunho claro da Sagrada Escritura e em plena harmonia com os decretos precisos e explícitos dos nossos predecessores, os romanos pontífices, quer dos concílios gerais, renovamos a definição do concílio ecumênico de Florença, pela qual todos os fiéis devem acreditar que a Santa Sé apostólica e o romano pontífice exercem o primado em todo o mundo; que o mesmo pontífice é o sucessor de s. Pedro, príncipe dos apóstolos, é o verdadeiro vigário de Cristo, o chefe de toda a Igreja, o pai e o doutor dos cristãos; que a ele, na pessoa de s. Pedro, foi por Cristo confiado o poder pleno de apascentar, reger e governar a Igreja universal’. Portanto ensinamos e declaramos que a Igreja romana, por disposição divina, tem o poder ordinário do primado sobre todas as outras, e que este poder de jurisdição do romano pontífice, de caráter verdadeiramente episcopal, é imediato; e que os pastores e os fiéis, de qualquer rito ou dignidade, quer tomados singularmente, quer todos juntos, são obrigados ao dever de subordinação hierárquica e de verdadeira obediência a ela, não somente nas coisa de fé e moral, mas também nas que dizem respeito à disciplina e ao governo da Igreja, espalhada no mundo inteiro; de forma que, conservada assim a unidade da comunhão e da fé com o romano pontífice, a Igreja de Cristo seja um único rebanho sob um único sumo pastor. Este é o ensinamento da verdade católica do qual ninguém se pode afastar sem perder a fé e a salvação”.(12)

      29. Pelo exposto deriva que nenhuma outra autoridade, a não ser a do pastor supremo, pode revogar a instituição canônica atribuída a um bispo; nenhuma pessoa ou assembléia, quer de sacerdotes quer de leigos, pode-se arrogar o direito de nomear bispos; ninguém pode conferir legitimamente a consagração episcopal sem antes ter a certeza da existência do apósito mandato apostólico.(13) De forma que, para essa consagração abusiva, que é um atentado gravíssimo à própria unidade da Igreja, é estabelecida a excomunhão reservada de modo especialíssimo à Sé Apostólica, em que incorre automaticamente (ipso facto) não somente quem recebe a consagração arbitrária, mas também quem a confere.(14)

      Pretexto insubsistente

      30. O que dizer, finalmente, do pretexto aduzido pelos expoentes da “Associação patriótica”, quando, tentando justificar-se, invocam a necessidade de providenciar cuidados às almas nas dioceses privadas da presença de seu bispo?

      31. E evidente, primeiramente, que não se providencia às necessidades espirituais dos féis violando as leis da Igreja. Em segundo lugar, não se trata – como se quer dar a acreditar – de dioceses vacantes, mas muitas vezes de sedes episcopais, cujos titulares legítimos ou foram expulsos ou aprisionados, ou, então, estão impedidos por várias maneira de exercer livremente a sua jurisdição; onde também foram igualmente aprisionados ou expulsos ou de qualquer forma removidos aqueles eclesiásticos que os pastores legítimos – de conformidade com as prescrições do direito canônico e com instruções especiais recebidas da Santa Sé – tinham designado para substituí-los no governo diocesano.”

      Dizer que a FSSPX supre de maneira extraordinária ( por uma espécie de presunção por parte da Igreja e/ ou de seus membros, que compõem a hierarquia ) e que tal coisa estaria no CIC de 1917 é algo totalmente equivocado pois, nesse ponto, para se poder suprir é preciso, antes, participar de maneira hierarquica e submissa àquele que possui a mesma Jurisdição de origem divina, ou seja, o Papa, conforme as palavras do próprio Schimdberger:

      “Hoje, o Papa Francisco é o titular do ofício papal com o poder do primado.”

      A suplência de Jurisdição que consta do Can 209 do CIC de 1917 deve ser lido juntamente com os cânones 145, 147, 200, 872 e 879.

      Justamente em função deste Primado e conforme o exposto e resumido acima por Pio XII que faz sentido o seguinte ato do Santo Ofício:

      “DECRETUM

      DE CONSECRATIONE EPISCOPI
      SINE CANONICA PROVISIONE

      A Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício, tendo recebido mandato especial do Sumo Pontífice, publicou o decreto:

      Todo e qualquer bispo, de não importa qual rito ou dignidade, que sagre um bispo sem que este tenha sido nomeado pela Sé Apostólica nem confirmado expressamente por ela, ou que receba a consagração, mesmo que esteja sob grave pressão (c. 2229, § 3, 3º) incorre automaticamente [ipso facto] em excomunhão especialissimamente reservada à Sé Apostólica.

      Este decreto entra em vigor a partir de sua promulgação.

      Dado no Palácio do Santo Ofício, em 9 de abril de 1951.

      (A.A.S., XXXXIII, 1951, p. 217)”

      Um grande abraço a todos e,
      Conforme o exemplo e Caridade de S. José,
      Nos SS. Corações de Jesus e Maria.

      Alexandre V., alepaideia@gmail.com ,
      Na Festa da Ascensão de 2016.

  22. Torre, as pessoas estão comentando com base nas discussões havidas entre as partes, onde se falava em “acordo” o tempo todo. Como disse acima, penso mesmo que possa haver uma decisão pontifício unilateral. Não sabemos quando e de que forma essa regularização ocorrerá.

    Ainda não há clareza quanto ao que realmente vai acontecer. É preciso dar tempo ao tempo. Por isso, não creio ser pertinente dizer que as pessoas que mencionam a palavra “acordo” estão espalhando cizânia ou são inimigas da FSSPX só porque usam essa palavra.

  23. “E ao que parece alguns aqui estão dando o acordo como fechado e assinado como se o post em questão estivesse tratando disso.”

    Ah, quer dizer que um assunto que tem intima conexão com a carta do Padre Schmidberger não pode ser debatido?

    Ora, tratar do acordo e se mostrar favorável a ele, desde que satisfeitas as condições da sspx, não é, absolutamente, dá o “acordo como fechado e assinado”.

    Ora, sempre foi unanimidade dentro da sspx, que se os aceitassem como eles são, sem as exigências conciliares, eles aceitariam a regularização canônica….

    Pois bem, ainda que Francisco seja o pior dos Papas, se ele deseja a regularização da sspx e não impõe condição alguma para essa regularização, cabe o debate se a sspx deve aceitar ou não a regularização?

    Aí entramos em questões teológicas e de direito canônico. O debate deve ser feito nessa esfera.

    Não devemos medir a aceitação ou não do acordo com um olhar meramente humano, como muitos vem fazendo…

    É lícito a um na Igreja desobedecer a um superior se esse ordena coisas que não sejam contrárias a lei de Deus ou da Igreja?

    Ah, mais a Igreja está lotada de modernistas que tentariam controlar a sspx.
    Ah, mas isso é estratégia do Papa Francisco para tentar destruir a sspx.
    Ah, mas isso poderia abrir portas para que protestantes e cismáticos sejam reconhecidos no futuro….

    Futurólogos!!!

    O superiores da fraternidade não tem esse olhar mesquinho de vocês… eles confiam na providência divina; olham a situação, não negam a realidade, mas ao invés de ver esses obstáculos como recusa para um possível acordo, preferem enxergar esses obstáculos com os olhos da fé, vendo a regularização como vontade de Deus para benefício da Igreja, independente das intenções do atual Papa.

    Francisco pode ter uma intenção para regularização… Mas Deus pode ter outra…
    _

    ” o que eu disse e repito é que se não fosse pelos fiéis tradicionais que lotam as capelas e priorados da SSPX, que procriam “feito coelhos” dando filhos para seus Seminários, que contribuem com suas finanças para o bem da Fraternidade, se não fosse por causa da necessidade desses fiéis, sequer se justificaria a jurisdição extraordinária dos padres da SSPX.”

    E eu repito: ISSO É MENTIRA…

    Primeira verdade:

    Fundação da FSSPX
    A FSSPX, fundada por Sua Exc. Dom Marcel Lefebvre, foi aprovada pela Igreja, por decreto do Bispo de Lausana-Friburgo (Suíça), Dom Charriere, em 1o de Novembro de 1970. A FSSPX recebeu a Carta Laudatória do Prefeito da Sagrada Congregação para o Clero, Cardeal Wright, em 18 de fevereiro de 1971.
    http://www.fsspx.com.br/sobre-a-fraternidade-sao-pio-x/

    Portanto a sspx nasceu no seio da Igreja, é fruto da Santa Madre Igreja. Foi aprovada e confirmada com uma carta laudatória… Então segue aquilo que eu disse: se não fosse a ânsia modernista de implementar uma agenda progressista às pressas, talvez a fraternidade estivesse hoje regularizada, como estivera em seu início… Talvez houvesse um debate pacífico sobre o CV II, sabendo que esse não é de adesão obrigatória… Mas isso também é futurologia; mas é razoável pensar dessa maneira…

    Segunda verdade:

    A causa imediata da fundação da Fraternidade não é um número de fiéis que estavam necessitado da doutrina e dos sacramentos tradicionais. A obra de D. Lefebvre visava a Igreja Universal, sendo uma reação aos modernistas que estavam demolindo a Igreja com a implementação de uma agenda neo-modernista e progressista. Os feis são e foram beneficiários, mas o objetivo principal da SSPX é salvaguardar o sacerdócio, e a Tradição.

    Finalidade da FSSPX
    A finalidade da FSSPX é o sacerdócio e tudo que se relaciona a ele, e só o que lhe concerne, tal como quis Nosso Senhor Jesus Cristo quando disse “fazei isso em memória de Mim”.
    http://www.fsspx.com.br/sobre-a-fraternidade-sao-pio-x/

    Terceira verdade:

    Os fatos demonstram que a sspx sempre aceitou as autoridades romanas pós-concílio. D. Lefebvre, quando sua obra foi injustamente colocada para fora da Igreja, sempre esteve em tratativas com Roma para que a situação da fraternidade fosse regularizada…. Quem negar esse fato estará mentindo… A sspx sempre recusou o cisma, sempre se incomodou com o fato de não poder se unir com a Igreja hierárquica, por causa de exigências que contrariavam a fé e a tradição…

    Ora, basta ler diversos sermões de D. Lefebvre para se constatar essa verdade. Não trago nenhuma citação, pois algum outro poderia distorcer-lhe o pensamento de décadas, baseado em trechos de uma ou outra passagem circunstancial…

    Por fim, é preciso dizer que D. Fellay não se afasta em nada de D. Lefebvre. E caso ele aceite o acordo, não teria a menor dúvida que D. Lefebvre teria feito o mesmo se vivo estivesse…

    • “Devemos ser livres de compromisso tanto a respeito dos sedevacantistas como daqueles que querem ser absolutamente submissos a autoridade eclesiástica. Nós queremos permanecer apegados a Nosso Senhor Jesus Cristo. Ora, o Vaticano II tirou a coroa de Nosso Senhor. Nós queremos permanecer fiéis a Nosso Senhor Rei e Dominador do mundo inteiro. Não podemos mudar nada nessa linha de conduta. Assim, quando nos colocarem a questão de saber quando haverá um acordo com Roma, minha resposta é simples: Quando Roma recoroar Nosso Senhor. O dia em que eles reconhecerem, de novo, Nosso Senhor Rei dos povos das nações, não seremos nós que retornaremos, mas eles que voltarão a Igreja Católica na qual sempre permanecemos”. (Dom Marcel Lefebvre, in Fideliter nº 68 – mar/1989)

      “É um dever estrito para o padre que quer permanecer católico de se separar desta igreja conciliar, enquanto ela não reencontrar o caminho da Tradição do Magistério e da Fé católica”. (Dom Lefebvre, in “Itinerário Espiritual”)

      Acho que essas passagens não são nem um pouco circunstanciais, mas auto-explicativas por si mesmas.

    • Não me leve a mal, mas desconfiar de Francisco e da igreja atual não é ser “mesquinho”, ter “pouca confiança na providência” ou ser “futurólogo”.

      É, simplesmente, ter bom senso.
      “Estote ergo prudentes sicut serpentes et simplices sicut columbae.”

  24. ” o que eu disse e repito é que se não fosse pelos fiéis tradicionais que lotam as capelas e priorados da SSPX, que procriam “feito coelhos” dando filhos para seus Seminários, que contribuem com suas finanças para o bem da Fraternidade, se não fosse por causa da necessidade desses fiéis, sequer se justificaria a jurisdição extraordinária dos padres da SSPX.”
    E eu repito: ISSO É MENTIRA…

    **********************

    Eu não sei em que mundo você vive, mas a SSPX não é um instituto religioso de vida contemplativa. Ela foi fundada para prover uma nova geração de padres para a Igreja, para salvaguardar o verdadeiro Santo Sacrifício da Missa. Pra quem? Para a Igreja e quem é a Igreja?
    E de onde iria sair essa nova geração de padres? Iam brotar do chão feito topeiras? Parece que estamos falando de coisas diferentes em um mesmo post.
    A SSPX como instituição nasceu no seio da Igreja, é fruto da Santa Madre Igreja. Foi aprovada e confirmada com uma carta laudatória…e depois foi suspensa, suprimida, sufocada.
    Houve uma intensa campanha no seio dessa mesma Igreja pra dissuadir qualquer fiel leigo de frequentá-los e muito menos contribuir com a Fraternidade. Basta ler a Carta de João Paulo II, Ecclesia Dei Aflicta!

    “Nas presentes circunstâncias, desejo sobretudo dirigir um apelo, ao mesmo tempo solene e comovido, paterno e fraterno, a todos aqueles que até agora, de diversos modos, estiveram ligados ao movimento do Arcebispo Lefebvre, a fim de que cumpram o grave dever de permanecerem unidos ao Vigário de Cristo na unidade da Igreja Católica, e de não continuarem a apoiar de modo algum esse movimento”
    http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/motu_proprio/documents/hf_jp-ii_motu-proprio_02071988_ecclesia-dei.html

    Visando ainda cabar com o “estado de necessidade” que justifica a jurisdição extraordinária, o próprio João Paulo II ofereceu a Fraternidade de São Pedro àqueles padres que decidissem abandonar a SSPX.
    Depois veio o Instituto do Bom Pastor e outros presentinhos pra quem decidisse abandonar a canoa de Monsenhor Lefebvre. Além disso, alguns Ordinários locais começaram a permitir a missa tridentina em suas dioceses, mas no mesmo horário e em igrejas próximas às capelas da SSPX, também para acabar com o “estado de necessidade” que é a única coisa que justifica a jurisdição extraordinária:

    A todos estes fiéis católicos, que se sentem vinculados a algumas precedentes formas litúrgicas e disciplinares da tradição latina, desejo manifestar também a minha vontade ― a qual peço que se associem a dos Bispos a de todos aqueles que desempenham na Igreja o ministério pastoral ― de lhes facilitar a comunhão eclesial, mediante as medidas necessárias para garantir o respeito das suas justas aspirações.
    http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/motu_proprio/documents/hf_jp-ii_motu-proprio_02071988_ecclesia-dei.html

    Como você pode ver, existe uma profunda simbiose entre o clero da SSPX e os fiéis leigos. Mas se pra você isso é algo difícil de entender por não viver essa realidade fora do virtual, paciência.
    São Pio X, que tinha um profundo entendimento das necessidades da Igreja, certo dia ao ser interrogado por um grupo de carderais respondeu às seguintes perguntas:

    O que é mais necessário no momento presente para a sociedade? Um respondeu: construir escolas católicas. E o Papa disse: não. Multiplicar igrejas e capelas? Novamente, não. Aumentar o número de vocações sacerdotais? Não, respondeu o Papa. O que nós precisamos mais urgentemente no tempo presente é que em cada paróquia haja um grupo de leigos, vurtuoso, engajado, determinado e realmente apostólico” (Soul of the Apostolate; Dom Jean-Baptiste Chautard, OCSO)

    E a SSPX levou a sério esse conselho de São Pio X, porque no momento da crise mais grave, se viu em uma situação em que até pra se comprar uma capela, como fizemos recentemente, precisaram de um leigo como “testa de ferro”. E somos nós leigos que vamos comprar a Igreja com nossas contribuições e doá-la pra Fraternidade.
    É claro que isso gerou uma série de problemas principalmente no USA onde leigos compraram a capela, colocaram em nome do padre e depois esse ao romper com a SSPX ficou tanto com os leigos como com a capela. Foi assim que surgiram vários padres independentes que se desligaram da Fraternidade.
    O mesmo apoio dos leigos que estão em contínuo crescimento, gerando cada dia mais candidatos ao sacerdócio é que também está justificando a construção do novo seminário em Virgínia. E são as contribuições de todos os benfeitores, anônimos e declarados que está tornando essa obra possível. Na Europa, não raro foram os casos de membros da nobreza européia que fizeram grandes doações para a obra de Monsenhor Lefebvre.
    E antes que você suba na sua caixinha de sabão pra gritar lição de moral pra quem você não conhece, saiba que há 20 anos frequento a SSPX, suas capelas e seminários, presto serviço pra eles, sou amiga de padres e Bispos de lá que dizem exatamente o mesmo que estou dizendo.
    Quanto à polêmica “acordo X não acordo”, continuo achando que não é o cerne da questão aqui. Pelo menos no que diz respeito a mim, minha crítica é ao conteúdo da Carta do Padre Franz Schmidberger, que de forma alguma reflete o clima geral no resto da Fraternidade.

  25. Parece temerário ignorar que a regularização canônica insere, por força do direito, a FSSPX no aparato jurídico da Igreja conciliar. Dá-se, porém, que tal inserção não produzirá apenas direitos, mas também obrigações, isto é, trato com os Ordinários e, naturalmente, submissão a estes em questões de regime. Não sei o quanto uma prelazia pessoal é imune à jurisdição do Ordinário local. Isto é, pelo jeito qualquer iniciativa extra muros dos Priorados deverá submeter-se ao placet da autoridade local. Pense-se no exemplo de se querer fundar um colégio católico ou erigir capelas. Ir-se-á abertamente contra a sua vontade? E se o Bispo local for um galego que promove workshops sobre as pretensas virtudes da sodomia? Lembram? Tal eventual regularização traz consigo, portanto, uma série de obrigações que, a julgar pelos tempos em que vivemos, irão no sentido de cercear e mesmo destruir o apostolado da FSSPX. E como irão os padres da Fraternidade se opor ou denunciar toda a gama de heresias, blasfêmias e escândalos que pululam na Igreja conciliar se tiverem que tomar o chá das 5 com S. Excias. Hereticíssimas e Aggiornatissimas? Non intelligo.

  26. Prezado sr. PWimmer,

    As preocupações naturalmente existem.

    Mas, uma vez que a Igreja de Cristo continua sendo
    a Igreja com sede em Roma, temos que nos lembrar
    que não são as “Excias. Hereticíssimas e Aggiornatissimas”
    as “donas da casa”, mas sim os católicos de verdade.

    Conseguiria o sr. imaginar Santo Atanásio rejeitando
    a suspensão de seu exílio para não ter que
    “tomar o chá das 5” com um arianista?
    Ou ele simplesmente retornaria e continuaria
    agindo como sempre agiu (justamente o que
    está dito acima que a FSSPX deveria fazer),
    ainda que sob pena de um novo exílio?

    E alguém que tenha sua casa invadida por
    vagabundos deve tê-la por perdida?
    Ou deve retornar e enxota-los para fora?

    No mais, essa questão de diminuir a legitimidade
    do ato pontifício pelo simples fato de vir
    de Francisco é, mutatis mutandis, tão absurdo
    quanto diminuir a legitimidade do impeachment
    da Dilma porque Eduardo Cunha era
    o presidente da Câmara.

    Pouco importa a pessoa detentora do múnus.
    O que importa mesmo é o poder do múnus em si.
    Isso é de todo claro em qualquer bom Código de Direito
    (inclusive o Canônico).

    Salve Maria.

    • Prezado sr. Duarte,

      Embora toda essa discussão verse sobre algo ainda bastante incerto, penso que princípios gerais – por exemplo, que “os católicos de verdade” são os donos da casa – não podem, por sua própria natureza, contemplar a singularidade de cada situação. Por isso mesmo, na ordem do agir, que se dá no âmbito da contingência, é preciso, antes de tudo, levar em conta a “circunspeção” no sentido de “mapeamento da realidade” (e não apenas contemplação de normas gerais). Tal circunspecção, como o sr bem sabe, faz parte da virtude da prudência, a qual supõe também a “lembrança das experiências anteriores” ou ao menos a evocação de experiências análogas (v.g.: todos os institutos Ecclesia Dei que jazem pateticamente amordaçados).

      Assim, o princípio geral de que “os católicos de verdade” são os “donos da casa” em nada muda a disposição de os hereges os combaterem e boicotarem.

      Assim, imagine a bagunça que instalaria no regime da FSSPX caso um padre mais combativo fizesse frente aos hereges enquanto outro, talvez mais tímido, talvez na diocese vizinha, se dispusesse a comparecer ao chá das 5 na Cúria… Imagine isso em escala: 500 ou mais padres. Um exército assim disposto está claramente fadado ao fracasso. Além disso, parece impróprio que um súdito resolva, sempre e em todo o caso, se deve ou não obedecer a um superior herético: “nisso eu obedeço” “naquilo não obedeço”. Isso é impensável. Então, dada a multiplicidade de situações concretas que se poriam, parece melhor manter um total afastamento da Igreja conciliar.

      De resto, essa suposta abertura de Bergoglio bem poderia ser comparada a uma Estatização, uma manobra de enquadrar compulsoriamente a FSSPX na esfera jurídica da Igreja conciliar.

      Perdoe-me alguma impropriedade ou lapso de raciocínio. Estou muito cansado.

    • Prezado sr. PWimmer,

      Ocorre que, em certas situações, nem mesmo a analogia
      pode ser aplicada com grande precisão. É o caso, por exemplo,
      dos Institutos Ecclesia Dei, cuja regularização sabemos
      se deu em termos bem diferentes da situação atual.

      A virtude da prudência sempre impõe uma análise
      cuidadosa dos fatos. No entanto, assim como não se
      deve colocar a obediência acima da Doutrina,
      também não se deve colocar uma certa prudência
      acima do Dogma (notadamente aqueles de que fora
      da igreja, não há salvação e de que as portas do inferno
      não prevalecerão).

      E também creio que não podemos evocar simplesmente a
      “multiplicidade de situações” para decidir
      o que obedecemos e o que não obedecemos.
      Veja: ao substituir-se o critério filosófico-teológico-canônico
      como amparo para se decidir (o que se deve
      e o que não se deve obedecer) pelo pragmatismo
      e pela prudência humana, corre-se grande risco
      de simplesmente cair em prevaricação.

      Em outras palavras: enquanto os líderes
      guiam-se por critérios claros e sadios,
      porque ligados às exceções do Direito,
      os liderados podem ainda saber o que
      esperar deles. Mas o que acontece
      quando esses líderes entram na seara
      do subjetivo, do excepcional,
      do pragmatismo? Não haverá aqui grande
      perigo de arbitrariedade?

      Aliás, critérios subjetivos e evocação
      de excepcionalidades sempre foi o
      “modus operandi” dos modernistas.
      E é precisamente essa a desculpa esfarrapada
      que coloca-se na AL a fim de permitir
      a sacrílega prática de comunhão
      para adúlteros.

      Veja, com isso não quero acusar
      alguém que esteja apenas receoso com a regularização
      de modernismo ou relativismo.
      O que quero dizer é que não aceitar uma regularização
      unilateral vinda de Roma, nos termos que a FSSPX
      sempre pediu, poderia significar uma entrada na
      perigosíssima seara do subjetivismo e do pragmatismo
      (e também quanto a isso deve-se ter a devida
      prudência, não é verdade?).

      Salve Maria.

  27. Por maiores que tenham sido as contribuições dos fies leigos à SSPX, esses tem apenas o direito de manifestar suas preocupações em relação ao futuro da mesma sociedade e não decidir sobre o futuro da mesma.
    Cabe ao Superior da mesma fraternidade a decisão final se aceita o reconhecimento unilateral de Roma ou alguma especie de acordo.
    Qualquer intenção maliciosa de um fiel leigo de tentar influenciar seu superior é contrário ao ordenamento divino que o Senhor deu à Sua Igreja. O ordenamento da Igreja se dá por meio dos superiores estabelecidos e só é legítima a resistência quando há matéria que contrarie a Lei Divina ou da Igreja. PONTO!
    Para mim apelar a autoridade como “eu só repito o que os mesmos superiores dizem”, “eu frequento a sspx há 550 anos portanto eu sei o que estou falando” ou tentativas de desqualificar o oponente como “você não sabe o que diz pois só enxerga a situação do seu mundinho virtual” só mostra o quão viciado uma postagem já pode ser….

    Não nego os fatos apontados… houve terrível campanha contra a sspx…. de calúnia, mentiras, de impedir suas ações, etc… Mas também há e houve cardeais e bispos que foram favoráveis a mesma fraternidade, sem poderem manifestar publicamente… isso é escondido… Dom Athanasius mesmo é um grande defensor da sspx… Dom Burke é outro…. enfim… não cabe aqui ficar apontando…

    Não nego, repito, os fatos apontados pela Gercione, todos são verdadeiros e lamentáveis…

    Mas, infelizmente, o passado não pode ser modificado e nem ser tomado como critério absoluto para uma decisão presente que é de máxima importância para a vida da Igreja e da SSPX…

    “Aceitem-nos como nós somos…”

    Isso que a fraternidade sempre pediu. Se Roma finalmente a aceita como é, mesmo através de uma regularização unilateral e o Superior D. Fellay vem e diz:

    Não, obrigado…. não aceitaremos porque nossos fieis não permitem e alguns superiores são contrários.

    Como ele passará para a História e como esse gesto sera visto historicamente?

    Outra pergunta:

    Será possível, em qualquer época, alcançar uma unanimidade dentro da sspx favorável a um possível acordo, mesmo sendo o melhor acordo do mundo?

    O que é mais favorável a causa da Santa Igreja e da Tradição:

    Esperar até ter certeza, coisa que nunca poderemos ter, ou arriscar a aceitação do reconhecimento sem qualquer tipo de exigência?

    Esperar que a Igreja seja completamente purificada dos modernista e esperar um novo são Pio X é pura utopia…

    Novamente eu faço minha as palavras do Duarte.

    • Quidam dicunt:

      “Ordenamento da Igreja se dá por meio dos superiores estabelecidos e só é legítima a resistência quando há matéria que contrarie a Lei Divina ou da Igreja. PONTO!”

      Realmente…Quanta lucidez e boa doutrina… Submeter-se e ter trato habitual com hereges está em perfeitíssimo acordo com a lei divina e da Igreja. Gostaria que gente versada em história eclesiástica indicasse UM ÚNICO exemplo em que os católicos seguiram essa via.

      Haereticum hominem post primam et secundam correptionem DEVITA (Tit. 3, 10)

    • Quidam dicunt:

      “Ordenamento da Igreja se dá por meio dos superiores estabelecidos e só é legítima a resistência quando há matéria que contrarie a Lei Divina ou da Igreja. PONTO!”

      Realmente…Quanta lucidez e boa doutrina… Submeter-se e ter trato habitual com hereges está em perfeitíssimo acordo com a lei divina e da Igreja. Gostaria que gente versada em história eclesiástica indicasse UM ÚNICO exemplo em que os católicos seguiram essa via.

      Haereticum hominem post primam et secundam correptionem DEVITA (Tit. 3, 10)

      By the way:

      “TODAS as vezes que deverem ser feitas coisas importantes no mosteiro, convoque o Abade TODA a comunidade e diga ele próprio de que se trata. [2] Ouvindo o CONSELHO dos irmãos, considere consigo mesmo e faça o que julgar mais útil. [3] Dissemos que TODOS fossem chamados a conselho porque MUITAS VEZES o Senhor revela ao mais moço o que é melhor. [4] Dêem pois os irmãos o seu conselho com toda a submissão da humildade e não ousem defender arrogantemente o seu parecer, e [5] que a solução dependa antes do arbítrio do Abade, e TODOS lhe obedeçam no que ele tiver julgado ser mais salutar; [6] mas, assim como convém aos discípulos obedecer ao mestre, também a este convém dispor todas as coisas com PRUDÊNCIA e justiça.”

      (São Bento, Regra: Cap 3 – Da convocação dos irmãos a conselho).

      Se tivesse sido possível aos LEIGOS católicos manifestarem sua vontade é verosímil dizer que que o rito latino jamais teria sido destruído para dar lugar a um rito espúrio e protestantizante. Se o POVO brasileiro tivesse sido ouvido, D. Pedro II jamais perderia o trono.

      A Igreja não é nem se pauta pela democracia como tampouco pelo regime cubano.

    • “Mas, infelizmente, o passado não pode ser modificado e nem ser tomado como critério absoluto para uma decisão presente que é de máxima importância para a vida da Igreja e da SSPX…
      ‘Aceitem-nos como nós somos…’
      Isso que a fraternidade sempre pediu.”
      O que Dom Lefebvre disse em 1976 foi bem diferente de apenas uma aceitação: http://permanencia.org.br/drupal/node/316

      “Esperar até ter certeza, coisa que nunca poderemos ter, ou arriscar a aceitação do reconhecimento sem qualquer tipo de exigência? Esperar que a Igreja seja completamente purificada dos modernista e esperar um novo são Pio X é pura utopia…”

      Se em 1991 a questão estava clara, os dias atuais cada vez mais corroboram a visão e prudência de Dom Lefebvre: “É absolutamente impossível no clima atual de Roma, que se torna cada vez pior. Não devemos ter ilusões. Os princípios que dirigem agora a Igreja conciliar são cada vez mais abertamente contrários à doutrina católica. Todas as idéias falsas do Concilio continuam se desenvolvendo, se reafirmam cada vez com mais clareza. Ocultam-se cada vez menos. É, pois, absolutamente inconcebível que se possa colaborar com semelhante hierarquia.” (Dom Lefebvre, Fideliter N° 79, JAN/1991)

  28. O que eu disse?! Já vem citações de D. Lefebvre para defender um dos lados, coisa absolutamente execrável, pois o mesmo tem mais de duas décadas de textos, estudos, homilias, pregações, entrevistas etc…. só um estudo acurado, como a própria sspx já fez é que pode revelar o verdadeiro pensamento de seu fundador. Quem quiser saber há um estudo em inglês sobre o pensamento de D. Lefebvre feito pela sspx…

    Esse estudo foi motivado exatamente por esse tipo de postura, de manipulação de suas falas e textos… Foi por isso que me recusei a trazer suas passagens que poderiam corroborar o que defendo.

    Eu me recuso a entrar nesse jogo de falsários, mais típicos de grupelhos de grupos da ‘resistência’ do que qualquer outra coisa.

    Muitos santos da Igreja foram obrigados a conviver em situações tão calamitosas e desastrosas como a nossa, com autoridades tão corruptas e degeneradas como a nossa.

    Talvez o exemplo não seja o melhor (e nem quero comparar situações), mas hoje todos se lembram quem foi Santa Joana D’arc… mas ninguém se lembra de seus algozes… Mas esse é um dentre milhares de exemplos que poderiam ser citados…

    Quero deixar claro aos caros colegas que também seria contra qualquer tipo de acordo que faça exigências conciliares para a SSPX… Que concordo com os senhores em praticamente tudo o que diz respeito a sspx… sua postura frente ao CV II, às autoridades romanas, etc… Mas se há um pedido de plena reintegração à Igreja sem qualquer tipo de exigência, eu não poderia ser favorável a uma recusa da sspx… Nisso que basicamente discordamos… E sim, também concordo sobre a situação calamitosa da Igreja, mas ela continua sendo a única fundada por Cristo e não uma outra que surgiu depois do CV II…

    • “Mas se há um pedido de plena reintegração à Igreja sem qualquer tipo de exigência, eu não poderia ser favorável a uma recusa da sspx…”

      Vamos sintetizar a questão de uma forma prática: se Dom Lefebvre não aceitou um acordo sob João Paulo II e Ratzinger, acha que ele aceitaria sob Francisco e Müller? O passado corrobora a prudência de Dom Lefebvre quando vemos os rumos da FSSP, do IBP e principalmente da Adm. Apostólica, bem como da retaliação aos grupos conservadores “cripto-lefebvristas” como os Franciscanos da Imaculada e clérigos de posturas divergentes, como Cardeal Burke e Dom Rogerio Livieres.

      O cerne da divisão FSSPX x USML é exatamente o que Vsa. Sa. citou, pois até 10 anos atrás não havia essa discussão sobre a correta hermenêutica da obra de Dom Lefebvre. Isso “per si” já é um sinal grave, pois já é um sintoma modernista se apresentando entre os chamados “tradicionalistas”. As palavras de Dom Lefebvre são claras e se há alguém as manipulando para promover posturas por assim dizer, políticas entre a FSSPX e a Igreja Conciliar, esse tipo de postura oscila do modernismo ao próprio protestantismo!

      Não culpo a nenhum dos irmãos da FSSPX por não conseguirem ver claramente o que se passa, pois mudanças doutrinárias e de posturas são aceitas pela confiança em nossos Bispos e Sacerdotes. O mesmo aconteceu com a grande maioria de nossos irmãos nos anos 1960 em quase toda o Ocidente quando da adoção do Concílio e do Novus Ordo. Só quando começarem as mudanças no âmbito Moral é que as vozes se levantam, como vemos hoje contra os atuais avanços modernistas contra o Matrimônio; no caso da FSSPX quando passarem a tolerar certas mudanças de postura quanto ao Concílio Vaticano II e suas consequências. Como membro da Adm. Apostólica e observador externo da questão FSSPX-USML, infelizmente não posso dizer que vislumbro as vantagens da “plena reintegração à Igreja sem qualquer tipo de exigência” com as quais sonham os defensores dessa postura, pois tinha os mesmos anseios de vocês e a História de Campos mais uma vez deu razão à resistência de Dom Lefebvre e Dom Antônio à Roma Conciliar.

      Não queria entrar nesse detalhe, mas quando de nosso “reconhecimento” em Campos eu não via de nossa parte a falta de caridade para com discordantes e membros da Resistência (FSSPX no nosso caso) que amiúde vejo por aqui. Sei que na Internet a distância física nos deixa “valentes”, mas isso é deveras desairoso entre católicos. Afastei-me desse site por conta disso e limito-me hoje a participar somente de discussões referentes à FSSPX e USML. Não vou julgar a “árvore acordista” por um ou outro indivíduo, mas entristeço-me e temo que certas posturas já sejam maus frutos, frutos esses que infelizmente também vi surgir entre nós em Campos.

      São Pio X, rogai por nós!

  29. Prezados,

    Traremos aqui alguns exemplos retirados da História da Igreja,
    a fim de trazer luz à presente questão:

    ——————————————————-

    i) “Juliano o Apóstata, ex-aluno dos arianos (…) utilizou toda a força do Império para restabelecer o paganismo e debilitar o cristianismo. PARA AUMENTAR A DESORDEM DA IGREJA, permitiu o regresso dos bispos católicos desterrados . (..) Apenas regressado à Alexandria, Santo Atanásio tratou de reparar as ruínas espirituais que os arianos tinham causado (…)”.

    Ou seja, Santo Atanásio, que fundou Mosteiros enquanto esteve
    no exílio (por várias vezes), poderia ter pensado também:

    – Não aceitarei a suspensão de meu exílio feita pelo Apóstata,
    já que tem a intenção deliberada de nos destruir. Não regressarei à terra
    dominada por arianos, para não contaminar com a heresia
    nem a mim nem os meus, etc.

    Mas vemos que não foi isso que aconteceu.

    Santo Atanásio não só aceitou a suspensão de seu exílio,
    como desde logo trabalhou pela restauração do catolicismo tradicional.
    Embora sempre “prudente e caridoso”, o santo era
    bastante intransigente contra os hereges arianistas.
    Já quanto aos semi-arianos (que hoje seriam os “conservadores”
    ou “semi-modernistas”), posicionava-se da seguinte maneira:

    “Tinha a mesma maneira de considerar os semiarianos, adotada por Santo Hilário, o qual dizia: ‘Os semiarianos que querem reunir-se aos católicos devem ser tratados como homens que saem de uma grave enfermidade: não estão nem completamente enfermos, nem completamente sãos; é preciso tratá-los com mansidão e cuidado'”.

    http://beneditinos.org.br/2012/02/santo-atanasio-e-a-crise-da-fe-no-seculo-iv/

    ===================================

    ii) De como os cristãos aceitaram a “concessão” vinda de
    “Maximino, único sobrevivente dos INIMIGOS DA RELIGIÃO e
    que manifestou ser o pior de todos”:

    “Mas, para que seja maior o nosso presente, julgamos digno legislar também o seguinte: que se algumas casas e campos, anteriormente propriedade por direito dos cristãos, tiverem vindo a cair em posse legal do fisco por ordem dos nossos, ou se alguma cidade deles tiver se apropriado, seja por
    leilão ou porque foi obsequiado a alguém, tudo isto ordenamos que seja restituído ao antigo direito de propriedade dos cristãos, com o fim de que, inclusive nisto, todos percebam nossa piedade e nossa providência.”

    Estas são as palavras do tirano, que chegaram com quase um ano de atraso sobre os editos que ele mesmo havia feito afixar em esteias contra os cristãos. E aos que até pouco antes sucumbiam ante seus próprios olhos a ferro e fogo e como pasto das feras e aves de rapina, e sofriam todo tipo de castigo, de suplício e de morte do modo mais miserável, como se se tratasse de ateus e ímpios, a estes o mesmo declarava agora observantes da religião e lhes permitia construir igrejas. E até o tirano em pessoa
    confessa que têm parte em certos direitos!

    E quando havia realizado tais confissões, padecendo sem dúvida menos do que merecia padecer, como se por causa delas tivesse alcançado certo favor, ferido repentinamente pelo flagelo de Deus, sucumbe na segunda refrega da guerra (…)”.

    (Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica. Livro IX, capítulo X).

    Certamente que os “direitos” concedidos por Maximino, que à época foi
    chamado o “pior de todos os inimigos da religião”, trariam consigo
    obrigações de cunho administrativo, provavelmente também algumas “tratativas
    com pagãos”. Mas os cristãos, vendo apenas nesse gesto uma reparação de um
    injusto dano que lhes fora causado, aceitaram a “concessão” vinda do
    tirano, pouco importando quão indigno fosse o indivíduo que a fez.

    ===================================

    Os exemplos colocados em i) e ii) foram selecionados de tempos mais
    remotos. Mas temos também exemplos mais recentes, mesmo hodiernos:

    iii) São Pio de Pietrelcina, que não escondia sua reprovação ao Concílio Vaticano II,

    (http://www.rainhamaria.com.br/Pagina/17820/Sao-Pio-de-Pietrelcina-o-Concilio-e-a-Missa-Nova)

    jamais desprezou a autoridade de João XXIII e Paulo VI (naquilo que era
    legítima). Chegou mesmo a escrever uma carta a este último pedindo
    autorização para continuar celebrando a Missa de São Pio V,
    uma vez imposto o Rito de Paulo VI:

    “Antes mesmo de ter o seu texto [da Missa Nova] debaixo dos olhos, escreveu imediatamente a Paulo VI pedindo-lhe fosse dispensado desta experiência litúrgica e pudesse continuar a celebrar a missa de São Pio V”. (Carta aos amigos de São Francisco, n° 17, de 02.02.1999).

    Do exemplo dado pelo Santo de nossos tempos, podemos tirar algumas conclusões:

    a) São Pio não era sedevacantista.
    b) São Pio julgou por bem pedir autorização de Paulo VI antes de tomar
    qualquer outra medida mais drástica perante a Missa Nova (Dom Lefebvre
    seguiu seu exemplo e achou por bem pedir a autorização do Papa antes de
    proceder às Consagrações Episcopais em 1988).
    c) Não sabemos com absoluta certeza como agiria o Santo se, por uma
    arbitrariedade, tivesse seu pedido negado.
    Mas é certo que só então São Pio recorreria à resistência ao superior.

    =====================================

    iv) “Eis porque estamos PRONTOS E SUBMISSOS para aceitar tudo o que for conforme à nossa fé católica, tal como foi ensinada durante dois mil anos, mas recusamos tudo o que lhe é contrário”. (Dom Marcel Lefebvre. http://permanencia.org.br/drupal/node/316).

    ====================================

    v) Ainda, sabemos que um dos mais (talvez O mais) controverso(s)
    caso(s) de um papa herege (privado) que tivemos foi o de Honório I.
    Assim fala dele São Leão II:

    “Anatematizamos Honório, que não ilustrou esta Igreja Apostólica com a doutrina da Tradição Apostólica, mas permitiu, por uma sacrílega traição, fosse maculada a Fé imaculada (…) e não extinguiu, como convinha à sua autoridade apostólica, a chama insipiente da heresia, mas a fomentou por sua negligência” (Denz. Sch. 563).

    E sabemos também que Honório I foi filialmente combatido
    e mesmo RESISTIDO por São Máximo, o Confessor,
    que acabou por sofrer o martírio (também em virtude de sua santa resistência,
    embora não por ordem de Honório):

    http://zelozelatussum.blogspot.com.br/2014/12/o-papa-honorio-i-e-sao-maximo-o.html

    Pois bem, e o que teria falado o Confessor sobre a comunhão com Roma?

    Isso nos informa Leão XIII, na Encíclica Satis Cognitum, nos seguintes termos:

    “El abad Máximo enseña igualmente que el sello de la verdadera fe y de la verdadera comunión consiste en estar sometido al Pontífice Romano. ‘Quien no quiera ser hereje ni sentar plaza de tal no trate de satisfacer a éste ni al otro… Apresúrese a satisfacer en todo a la Sede de Roma (…)'”.

    [“Da mesma maneira, Maximus Abade ensina que a obediência ao Romano Pontífice é a prova da verdadeira fé e da comunhão legítima. “Quem não quer ser, ou não deseja ser chamado, herege, que não se esforce para agradar este ou aquele homem … MAS DEVE APRESSAR-SE ANTES DE TODAS AS
    COISAS PARA ESTAR EM COMUNHÃO COM A SÉ ROMANA”]*****.

    http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/es/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_29061896_satis-cognitum.pdf

    Portanto Máximo, o Confessor, vítima de injustiça por sua
    resistência a um papa herege (ou, ao menos,
    terrivelmente negligente), e vítima de martírio por sua (justa)
    resistência ao imperador, disse o que está acima.

    Mas, segundo a Doutrina, quando é lícito ao inferior
    resistir ao superior?

    Leão XIII é bem claro:

    “Desde que falta o direito de mandar ou o mandato é CONTRÁRIO À RAZÃO, À LEI ETERNA, À AUTORIDADE DE DEUS, então é legítimo desobedecer aos homens a fim de obedecer a Deus” (Encíclica Libertas Praestantissimum, n.15).

    É o que quisemos dizer desde o início.

    Salve Maria.

    ****Não obstante, os doutores da Igreja admitem a possibilidade
    de uma excomunhão injusta/inválida, hipótese em que devem
    ser desconsideradas:

    “quando o Soberano Pontífice fulmina uma sentença de excomunhão
    que é injusta ou nula, não se deve recebê-la”.

    (São Roberto Belarmino).

  30. Prezado Duarte,

    Não pretendo alongar-me nesse assunto.

    De início, se o sr. fizer a gentileza de retornar ao que acima disse, ficará patente que, em momento algum, são negados os princípios universais que regem a razão especulativa e a prática.

    Antes, parece que o sr. não distingue, com a desejada acuidade, o âmbito da razão especulativa daquele da razão prática. Como o sr deve saber, segundo o Estagitira e o Aquinate, a sabedoria é a máxima virtude especulativa, e a PRUDÊNCIA é a máxima virtude ética, sendo mesmo chamada de “auriga virtutum” por São Tomás. E, de fato, como observa o Santo Doutor, a prudência exige não apenas o conhecimento dos casos singulares, mas também dos princípios universais (II-II, 47, 3). Penso que estamos de acordo nesse ponto, apesar de sua infundada impressão de pragmatismo de minha parte. A doutrina espúria do pragmatismo não reconhece princípios que dirigem a mente na busca da verdade, mas espera que esta se revele progressivamente pela experiência. Trata-se de uma forma de empirismo vulgar excogitada por um povo de comerciantes.

    Os primeiros princípios da razão prática são “fazer o bem / evitar o mal”. Eles são aplicados no âmbito da contingência, das situações particulares. Que situação particular? Trato com os hereges. Ora, é mau ter trato com os hereges – proíbe-o a lei divina e eclesiástica – e maior mal seria, e sumamente temerário, submeter-se efetivamente ao seu jugo. Nesse particular, não colhe a analogia que o sr estabeleceu entre a jurisdição dos magistrados seculares e a dos clérigos caídos em heresia. Pois é dificilmente sustentável que a jurisdição eclesiástica subsista em caso de pública defecção da fé católica. Sobretudo nesse caso é preciso evocar a dependência do direito eclesiástico em relação à doutrina e ao direito divino, algo que lhe parece bem caro. É claro, no entanto, que os leigos não são aptos para destituir quaisquer hereges e prevaricadores, cabendo aos vindouros pastores da Igreja a anatematização de seus erros bem como a revisão – e eventual “sanatio” – de todos os seus atos de jurisdição (improprie loquendo). Diga-se aqui que é ridícula a opção sedevacantista: as sedes não estão vagas; elas estão mal ocupadas. Não há nada a fazer exceto esperar.

    De resto, a indefectibilidade da Igreja que o sr. cita (“as portas do inferno não prevalecerão” etc) não autoriza ninguém a ter trato com os hereges. O substrato dessa indefectibilidade é a profissão da fé católica, sem a qual não se congrega a Igreja católica, mas qualquer outra coisa ou agremiação que não merece este nome. Aliás, diz Trento (Sessão III, 4. 2.1546): “o Símbolo de Fé usado pela Santa Igreja Romana é o princípio em que devem concordar todos os que professam a fé cristã sendo o fundamento firme e único contra o qual jamais prevalecerão as portas do inferno (Mt 16, 18)”.

    Pensar que a indefectibilidade da Igreja possa dar suporte à convivência e trato habitual com os hereges é como partir para trincheira com roupas de dormir, confiando indevidamente na providência e na certeza da filiação divina; ademais, ninguém deixa a porta da casa aberta porque há leis que garantem a inviolabilidade do lar e outras que punem roubos e assaltos.

  31. PW sempre, sempre, sr Sempre,

    Sobre o tetraedro, sério que o senhor já não sabe dos novos equipamentos que mostram a figura geométrica dos atomos? Que coisa estranha…também recomendo atualização.

    Meu exemplo foi para mostrar como as coisas devem voltar à normalidade. Ou o senhor vai dizer que a normalidade não é ter posicionamento jurídico dentro da Igreja e ser oficialmente reconhecido pelo Papa como católicos? Claro que não se deve fazer isso a qualquer custo, afinal de contas, sabemos bem as questões que envolvem a crise atual. O normal, é claro, que a FSSPX seja reconhecida canonicamente pela Igreja. Não quer dizer que isto precise acontecer já ou desta forma, mas é o caminho normal. Tanto é que, como disse que é principal (e do que o senhor nada comentou), o Estado de Necessidade é um estado que já pressupõe uma situação anormal de necessidade. Isso é óbvio.

    REPITO: Qual é o problema se o Vaticano, o Papa, quiser reconhecer a FSSPX dizendo: Voces fazem parte da Igreja agora, oficialmente, e não precisam fazer nada em troca por este reconhecimento e podem continuar o que são.

    Qual é o PROBLEMA? Realmente gostaria de entender. É diferente de tudo que ja foi proposto, seja pra Campos, IBP ou FSSP.

    Parece até a historia de Humpelstilsken que, quando escuta seu nome, explode de raiva e se aniquila. Se a FSSPX escutar “voce esta reconhecida”, do Vaticano, ela deveria se explodir de raiva e dizer: “Nãããão, deixaremos de existir, vocês nos destruiram com esta palavra magica do reconhecimento…”.

    E sobre ter status juridica iria automaticamente inserir a FSSPX num ambito de obrigações…o senhor esta corretissimo. O que as autoridades da FSSPX estão dizendo é que NÃO IRÃO ACEITAR NEM CORRESPONDER A ESTAS OBRIGAÇÕES QUE ESTA RECONHECIMENTO EXIGIRIA, até porque, terá sido algo unilateral. E se o Papa não gostar disso, que ele retire o tal reconhecimento canônico. Confio nos padres e Bispos da FSSPX e acredito que, se esta obrigações forem realmente forçadas e obrigadas (pela força desta pleonasmo), o reconhecimento durarrá 6 meses, e ninguem poderá dizer que a FSSPX ao menos não tentou. Se o Vaticano pensa que, com reconhecimento unilateral, fará com que os padres da FSSPX se calem, eles verão que estão enganados. E talvez eles ja saibam disso…e o Papa quer reconhecer por puro carnaval mesmo….e a FSSPX continuará mais forte ainda criticando. Ou sera expulsa, DE NOVO, dali alguns meses. E o melhor: Será ótima oportunidade para separar os fieis dos liberais.

    —-

    Gercione, escutei do proprio Dom Fellay que, mesmo que reconhecidos, não irão de forma alguma aceitar coisas como concelebração, vaticano ii, missa nova e etc…não preciso mais nem me alongar com a senhora depois disto.

    —-

    Sobre quem falou da FSSPX: “o que eu disse e repito é que se não fosse pelos fiéis tradicionais que lotam as capelas e priorados da SSPX, que procriam “feito coelhos” dando filhos para seus Seminários, que contribuem com suas finanças para o bem da Fraternidade”

    Parabéns! Você acaba de entender a lógica católica que funciona por séculos..a Igreja sempre viveu de famílias numerosas, graças a Deus, e quando as familias numerosas cessaram, a Igreja ja se aprofundava no poço liberal. Claro que esta expressão “feito coelhos” é muito inapropriada e errada, chega a ser ofensiva e desrespeitosa. Mas aquilo que ela representa, ou seja, muitos filhos, que maravilha, bom para a FSSPX e melhor para a Igreja. Foi isto que Cristo pediu e pede desde sempre.

  32. Eu penso que uma dos cuidados que a sspx toma em relação a uma possível regularização é exatamente essa: não ter tratos com hereges, mas combatê-los:

    “Nós não permitimos que sejamos amordaçados; em vez disso, nós chamamos os erros pelos seus nomes, do mesmo modo que fazemos antes de qualquer normalização assim como vamos fazer depois de uma normalização. Assim, temos a intenção de retornar do “exílio”, do mesmo modo como nos encontramos agora.”

    A regularização não irá amordaçar a sspx. Ao contrário, ela irá continuar combatendo os erros dos modernistas e dos auto-demolidores da Igreja.

    5) Mas essa integração dentro do sistema de conciliar vai privar a Fraternidade de seu caráter distintivo, e talvez até mesmo sua identidade.

    Resposta: Tudo depende de quão firmes nós mesmos estamos, e de quem converte quem. Se vamos trabalhar vigorosamente, contando com a graça de Deus, então nossa nova situação irá tornar-se uma bênção para toda a Igreja. Onde mais existe uma comunidade aqui e agora que pode realizar tal trabalho de conversão? É certo que não podemos contar com as nossas próprias habilidades e força, mas com a ajuda de Deus. Pense na batalha entre Davi e Golias. Uma analogia para isso: Como cristãos, somos colocados em um mundo corrupto totalmente sem Deus e temos que ser provados nele. O perigo de contágio é grande, mas ainda assim podemos e devemos escapar dele com a graça de Deus. Uma coisa é clara: a nova situação, por si só, não fará os nossos esforços mais fáceis, mas muito mais difíceis, ainda assim o faremos mais frutíferos

    O que eu disse anteriormente, os superiores da sspx não possuem o olhar naturalista de certas pessoas vigorosamente opositoras a QUALQUER acordo que beneficia a sspx.

    Nessa luta quem ira triunfar? Os modernistas ou os verdadeiros católicos, presentes na sspx e em outras partes da Igreja?

    Finalizo aqui, porque também já cansei e imagino que a posição de ambos os lados já ficou mais do que clara:

    “Se vamos trabalhar vigorosamente, contando com a graça de Deus, então nossa nova situação irá tornar-se uma bênção para toda a Igreja. Onde mais existe uma comunidade aqui e agora que pode realizar tal trabalho de conversão? É certo que não podemos contar com as nossas próprias habilidades e força, mas com a ajuda de Deus.”

    Sim, a AJUDA DE DEUS…

    • Desculpe-me a franqueza, mas essa é uma postura no mínimo imprudente, para não dizer algo mais grave. Vimos gigantes na Defesa da Tradição caírem e achar que isso não vai acontecer com os membros da FSSPX alegando a proteção da Providência Divina não é um pensamento católico, mas facilmente encontrável entre os erros protestantes. Quando vejo alegações como essa, lembro-me imediatamente da seguinte passagem, que pode ser aplicada com propriedade à História dos “tradicionalistas” e suas perdas (Barroux, IBP e Campos):

      “Todas estas desgraças lhes aconteceram para nosso exemplo; foram escritas para advertência nossa, para nós que tocamos o final dos tempos. Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia.” (I Cor 10, 11-12)

  33. Prezado sr. Pwimmer,

    Fico contente que o sr. não esteja falando
    de mero pragmatismo. Em que pese,
    quando eu falei em “entrar na seara do pragmatismo”,
    eu estivesse me referindo especialmente
    a possíveis consequências de uma possível recusa da
    oferta feita por Roma (mas, para não nos alongarmos,
    deixemos passar essa questão).
    Quanto à virtude da prudência,
    parece que realmente estamos de acordo.
    No entanto, essa virtude deve ser empregada
    para ambos os “lados” (tanto para uma aceitação
    quanto para uma recusa), o sr. não concorda?

    De qualquer forma, o sr. faz várias considerações
    de implicação teológica em seu último comentário,
    No entanto, parece-me que não se deteve em especificar
    a inaplicabilidade das narrações que retiramos
    da História da Igreja, especialmente os exemplos:
    (i), que envolveria “tratativas com hereges”;
    (iv) que envolve claramente o reconhecimento da autoridade
    de Paulo VI por parte do Santo de Pietrelcina.

    Ressalto que seria mesmo impossível
    que existisse um exemplo totalmente análogo
    à situação atual, já que a catástrofe do CVII
    evidentemente tomou proporções inéditas na
    História da Igreja.

    Em todo caso, além de amparados em situações
    razoavelmente análogas à situação em questão
    (voltando-se, assim, para uma análise mais específica),
    citamos ainda o ensinamento de Leão XIII, que
    sustenta nosso posicionamento em âmbito principiológico.

    Em vista disso, o sr. poderia citar a Doutrina Católica
    (stricto sensu) em que se baseia para
    tomar seu(s) posicionamento(s)?

    Também, se possível, gostaríamos de apreciar alguns exemplos
    de História Eclesiástica que sustentem sua posição.
    Ou seja:
    situações em que os cristãos teriam recusado concessões
    e/ou resistido a ordens vindas de superiores,
    na hipótese de tais ordens não contrariarem, de per si,
    à fé nem à razão.

    Creio que isso seria justo, certo?
    Uma vez que, de nossa parte,
    já citamos exemplos, bem como trouxemos uma síntese
    bem clara da Doutrina da Igreja nesse assunto.

    Salve Maria.

  34. Vejo que toda essa celeuma mostra que, a despeito de partidarismos, querem as partes o bem da FSSPX, o que é muito bom. O problema é se os inimigos também percebam a boa missão da Fraternidade.