Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Maria, Mãe do Belo Amor.

“Ad Jesum per Mariam”. Pelo servo de Deus Pe. Mateo Crawley-Boevey SS. CC.

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

“Maria, da qual nasceu Jesus” (Mt 1, 16 ). [Acrescentei este texto bíblico] (…) Ab initio et ante saecula, desde toda a eternidade (Ecli 24, 17) já estava íntima e inseparavelmente unida a Rainha ao Verbo, no plano que este devia realizar como Salvador dos filhos decaídos. Com o Redentor, a Corredentora Imaculada! Respeitemos e adoremos os desígnios do Altíssimo. Conservemos perfeitamente unidos os Corações que Deus mesmo uniu, o de Jesus e o de Maria. A eles honra e glória!

mariaMeu caminho para chegar ao Santo dos Santos, ao Coração mesmo de Jesus, até o mais íntimo desse santuário de justiça e de amor, tenho-o perfeitamente traçado: o caminho obrigatório e direto é Maria! Assim como ninguém conhece o Pai senão aquele a quem o Filho o revelar (Mt 11, 27), assim também, em outro plano e relativamente falando, poderíamos dizer que não alcança o Rei senão aquele a quem se revelar a formosura da Rainha.

Por Maria chega do Pai até nós o Verbo. Teria podido tomar mil outros caminhos, ou nenhum, aparecendo e apresentando-se quando quisesse, uma vez que, sendo Deus, não necessitava de pontes e intermediários. Mas assim se manifesta patentemente a vontade de Deus: que Maria entre de cheio no plano divino. Assim como Deus vem aos homens por Maria, os homens resgatados devem alcançar a Deus por intermédio d’Ela. Porque o quis positivamente, Jesus fez de sua Mãe ponte indispensável. Com efeito, nenhum cristão digno do nome pretenderá tomar um caminho que não seja Maria, o traçado por Aquele que chamou a si mesmo “o Caminho”.

Seria pretender corrigir os planos de um Deus e emendar uma afirmação sua, feita por meio do prodígio assombroso da Encarnação, não querer passar pelos braços da Rainha Imaculada, ao ir em busca de Deus e ao encontro de seu Filho. Observemos aqui, que Maria não é um desvio, por belo e sublime que fosse, na senda que nos traz a Deus ou que nos leva a Ele. Quero dizer que, eliminando por um momento a Maria, não retificamos a linha, não encurtamos a distância. Suprimir a intermediária divina que é a Mãe de Jesus, não é o mesmo que num palácio fazer desaparecer a antecâmara do Rei. Oh, não ! Maria, desde 25 de março, foi de tal modo e por tal forma colocada entre Deus e os homens que, desde então, quem pretendesse iludir sua intervenção, quem quisesse eliminar essa “porta do céu”, alongaria tanto o caminho e o faria tão fatigante e perigoso, que correria o risco de não chegar à meta final.

Mais que interessante, é comovedor pensar que, em Belém, os pastorinhos, os Reis, o próprio José recebem das mãos de Maria o adorável Menino. Ela toma o seu tesouro e, no seu direito de propriedade, depois de beijá-Lo e abraçá-Lo, “empresta-O” aos afortunados a quem uma vocação especial atraiu ao presépio. E, tendo acariciado e adorado o Menino, devolvem-no a Maria, consciente e amorosa arca de tão grande riqueza. É indubitável que, durante largos anos, sendo embora, como hoje diríamos, maior de idade, Jesus não tenha feito nada de importante – ia dizer não se distanciou da casinha venturosa de Nazaré – sem pedir licença a sua Mãe, ainda que não fosse senão para dar-lhe sempre uma prova a mais de ternura e amor filial.

Aquele “subditus illis” (Lc 2, 51) “era-Lhes submisso” é abismo insondável no qual se destaca com muito relevo Maria que manda, decide, ordena como Rainha, e Jesus que obedece. Essa atitude de Nosso Senhor, a sua voluntária dependência de Maria, essa situação de Maria possuidora e dispenseira de Jesus, perdura ainda por vontade de Jesus; e perdura realçada e sublimada pelo estado de glória do Filho e da Mãe.

Quem chegou a Belém ou a Nazaré conhecendo já a Maria, ou acorreu confiante a ela solicitando o gozo e a glória de poder contemplar o Menino adormecido, ou dar-lhe um beijo, jamais se desapontou. Tanto mais hoje em dia, porque a Assunção de Maria e sua coroação no céu não empalideceram por certo – oh, não! – nenhum dos seus privilégios e ainda menos nenhum dos seus direitos. Ao contrário, o céu os ratificou todos. Uma outra observação: Maria é uma criatura, é a Nazarena, quase deusa por sua hierarquia, única entre todas as criaturas por sua maternidade divina, mas irmã nossa, da nossa carne e do nosso sangue. Na corte, portanto, da qual Ela é Rainha, rodeada de espíritos angélicos, somos os preferidos porque realmente congêneres e irmãos da Soberana. Quero dizer que, se admitindo o impossível, tivesse Ela que escolher, Ela, a Nazarena, entre confiar Jesus a um anjo ou a uma Santa Teresinha, não vacilaria, e Teresinha teria a melhor parte, por ser da raça e do sangue de Maria.

“Tu és, Rainha Imaculada, a ponte estendida por Deus mesmo entre o Paraíso que  perdemos e o Paraíso que esperamos”. Venha Jesus a nós, das Tuas mãos! Carrega-nos sobre ela, Rainha e Mãe, até as profundezas do seu Coração Adorável!”

O primeiro Mestre do amor de Maria é Jesus. A principal razão por que devo amá-la, sem medir a torrente das minhas ternuras para com Ela, é que o primeiro dos amores do Coração de Jesus, depois de seu Pai Celeste, foi Maria. A primeira palavra que o Bebê divino balbuciou, quando apenas desatara sua língua, foi seguramente “Mãe… Maria”. E a fibra mais delicada do seu Coração de Homem-Deus reservara-a para sua Mãe Imaculada. Amou como só Deus pode amar a criatura mais perfeita saída de suas mãos, a única santa. Tota pulchra, “toda formosa!” (Cânt. 4, 7).

Amou-a com só Deus poderia amar àquela de quem ia tomar a carne e o sangue humanos para ser, pela Paixão e Morte, já agora possíveis, o Salvador do mundo. Constituiu Maria, nesse mesmo momento, em colaboradora direta, em Corredentora. Amou-a Jesus com gratidão de Deus, porque, com seu “Fiat”, completara Ela o que faltava a Deus: a possibilidade de agonizar e morrer.

Amou-a Jesus com gratidão de Filho, dormiu tranqüilo em seu regaço materno. Seu Coração gozou as ternuras e desvelos, as carícias e as lágrimas amorosas que Maria, e só Maria, era capaz de prodigalizar ao Filho de Deus vivo, Filho seu!

Amou-a Jesus durante trinta anos de intimidade. Na mais estreita convivência, foram-se fundindo, mais e mais  – se fosse possível –  os Corações do Filho e da Mãe, naquele diálogo perpétuo das suas duas almas, naquela paixão e agonias secretas que os crucificava a ambos, já desde então, na mesma cruz.

Amou-a Jesus na Sexta-Feira Santa. Como lhe deu o seu Coração, durante a via dolorosa, para fortificá-la e consolá-la…! Quanto a amou ao cravar n’Ela os olhos moribundos, ao confiar-lhe, em João, todas as almas e a Igreja, ao despedir-se d’Ela que recebera o seu primeiro vagido e suas primeiras lágrimas em Belém! (…).

Em boa escola aprendemos nós, o amor a Maria. Nada menos que no Coração de Jesus! (…) Para não desviar, nem pouco, nem muito, quero amar o que Ele amou, e quanto possível, como Ele amou. (…) Dando-me, pois, a Maria, não só não subtraio nenhuma migalha a Jesus, mas, por imitá-Lo no amor à sua Mãe, torno-me mais unido ainda ao seu Sagrado
Coração. (…)

Extraído do livro “JESUS, REI DE AMOR”.

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2 Comentários to “Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Maria, Mãe do Belo Amor.”

  1. Nascemos maculados pelo pecado original, cometido pelos nossos pais, porém, o Senhor Deus, por meio de Jesus Cristo, a 2ª Pessoa da SS Trindade, não queria ter a sua humanidade doravante definitivamente conspurcada pelo pecado original e escrava do diabo.
    E, tendo pois o Pai como filho a Jesus, que é o Cordeiro sem mancha e que poderia libertar toda a humanidade, coube por bem que Ele livrasse a humanidade desse pesadelo e Seu Filho devia ser recebido no ventre de uma pessoa absolutamente pura, imaculada, e a escolhida teria de satisfazer plenamente as condições de O receber dignamente, repleta de dons especiais e particulares!
    E, à saudação do “Ave, cheia de graça”, de imediato Maria possuiu a partir daquele momento as graças e o estado de alma aptos para realização do sonho do Senhor Deus de ver a humanidade liberta da escravidão total do demonio, diferente de todos os nascidos de homem e mulher, pelas graças provindas por meio Espírito Santo direcionadas àquela eleita, antes mesmo de o Espirito Santo fecundar a Jesus no puríssimo seio de Maria!
    Desses altíssimos dons e graças peculiares recebidos, originou-se o Dogma de Nossa Senhora da Conceição Imaculada, querendo dizer que fôra gerada isenta de toda a culpa que recai automaticamente sobre os pósteros de Adão e Eva, e que desde então nos mantém na dualidade de possuirmos dentro de nós o bem e o mal, e mais adeptos a esse por alimentar nossas paixões inerentes à carne!
    Nossa Senhora possui portanto o grau máximo de santidade que um ser humano pode atingir, porque ela nunca pecou e nem uma leve sombra de nele incidir, mesmo às mais leves imperfeições!
    Assim sendo, N Senhora é imune aos erros e nesse estado de perfeição, é merecedora de uma devoção particularizada, como procedem os cristãos sem escrúpulos, não temendo ofender a Jesus por isso, nem a deificando, como poderiam agir alguns indevidamente; aliás, procedimento que nem a Ela agrada!
    E qual a atitude de Maria, com todas as bençãos e dons que ela recebeu de Deus? Ela permaneceu humildemente oculta e recatada, apagou-se, para que a luz de seu Filho, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem fulgurasse sem nada que pudesse distrair a evidência de Jesus, digno de adoração por ser Deus!
    Ela esteve junto a Jesus á Morte, também quando Ele ascendeu ao céu, e estava junto com os apóstolos no cenáculo em Pentecostes, quando o Espirito Santo desceu sobre eles até sua assunção aos Céus permaneceu como discípula!
    Rogai por nós, Santa Mãe de Deus!

  2. Nesses tempos de “Discordi Laetitia”, conservemos perfeitamente unidos os Corações que Deus mesmo uniu, o de Jesus e o de Maria em “Concordi Laetitia”. A eles honra e glória por todos os séculos dos séculos!

    Concordi laetitia, Propulsa maestitia, Mariae praeconia Recolat Ecclesia: Virgo Maria
    Quam concentu parili Chori laudant caelici, Et nos cum caelestibus, Novum melos pangimus: Virgo Maria.
    O Regina virginum, Votis fave supplicum, Et post mortis stadium, Vitae confer praemium: Virgo Maria.
    Gloriosa Trinitas, Indivisa Unitas, Ob Mariae merita, Nos salve per saecula: Virgo maria.