Dom Bernard Fellay, superior da FSSPX: Pouco a pouco, Roma nos está dando tudo o que precisamos para a reconciliação.

Em uma longa entrevista ao Register [ver vídeos legendados aqui], o líder da Fraternidade Sacerdotal tradicionalista detalha como Papa Francisco abriu a porta para a plena integração da FSSPX à Igreja.

Por Edward Pentin, National Catholic Register, 19 de maio de 2016 | Tradução: FratresInUnum.comMenzingen, Suíça – A reconciliação entre a Fraternidade São Pio X e Roma parece ser iminente, já que o principal obstáculo – oposição a certos aspectos do Concílio Vaticano II – não mais seria uma causa para uma separação contínua da Igreja.

Dom Bernard Fellay

Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X.

Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X, disse ao Register no dia 13 de maio que ele está “persuadido, pelo menos em parte, de uma abordagem diferente”, segundo a qual ele acredita que o Papa Francisco está colocando menos peso sobre o Concílio e mais ênfase em “salvar almas e encontrar uma maneira de fazê-lo”.

Essa mensagem foi reforçada esta semana quando o próprio Papa Francisco sugeriu que uma reconciliação poderia estar próxima, ao declarar ao jornal católico francês La Croix, em 16 de maio, que os membros da FSSPX são “católicos a caminho da plena comunhão” e que um “bom diálogo e um bom trabalho estão em andamento”.

De acordo com Dom Fellay, o Vaticano está dizendo à Fraternidade, por meio de palavras cheias de nuances, que agora é possível questionar os ensinamentos do Concílio sobre a liberdade religiosa, o ecumenismo e a reforma litúrgica “e permanecer católicos”.

“Isso significa, também, que os critérios que eles impõem sobre nós, para provarmos para eles que somos católicos, não mais serão necessários , disse ele. “Isso, para nós, seria muito importante”.

Em 1970, o Arcebispo Marcel Lefebvre, dos Padres do Espírito Santo, fundou a fraternidade internacional para formar e apoiar sacerdotes destinados a espalhar a fé católica pelo mundo inteiro.

Mas a sua oposição a alguns ensinamentos do Concílio Vaticano II no tocante ao ecumenismo, a liberdade religiosa e aspectos da reforma litúrgica veio à tona em 1988, quando Dom Lefebvre sagrou quatro bispos em 1988 contra a vontade expressa do Papa João Paulo II. Todos os cinco incorreram em excomunhão automática, e a fraternidade permaneceu em uma situação canonicamente irregular desde então.

Dom Lefebvre morreu em 1991 e o Vaticano e a FSSPX começaram a trabalhar por uma reconciliação desde o ano 2000.

Bento XVI procurou melhorar as relações, em primeiro lugar, em 2007, confirmando que os sacerdotes podem celebrar a missa em latim segundo o Missal Romano de 1962 (oficialmente chamado de forma extraordinária da Liturgia) e salientando que ele jamais havia sido revogado, e em seguida anulando as excomunhões dos quatro bispos vivos da FSSPX em 2009.

Ele também abriu colóquios de reconciliação formais com a FSSPX em 2011, mas tais colóquios posteriormente fracassaram porque o Vaticano, aparentemente em contraste com os próprios desejos de Bento XVI, elevou suas exigências sobre a questão central: que a fraternidade deveria aceitar a validade de todos os ensinamentos do Concílio, incluindo os textos sobre liberdade religiosa e direitos humanos, que a FSSPX rejeita como erros teológicos.

A última inovadora e surpreendente concessão sobre esta questão tem, portanto, o poder de trazer a FSSPX à beira da regularização,  que segundo algumas fontes, poderá acontecer em questão de semanas ou meses.

Papa Francisco recebeu Dom Fellay, pela primeira vez em audiência privada no mês passado, sinalizando uma intenção clara da parte do Santo Padre, o qual deseja que a fraternidade seja regularizada. “Dom Fellay é um homem com quem se pode dialogar “, disse Francisco ao La Croix.

O Papa também anunciou que confissões da FSSPX seriam válidas e lícitas tanto durante como após o Ano Jubilar da Misericórdia. Até então, Roma as considerava como inválidas porque faltava-lhes a jurisdição necessária.

Acredita-se agora que a FSSPX está com um rascunho de um acordo do Vaticano para assinar e formalizar a regularização, mas quer ter certeza de que tem garantias seguras. “A bola está na quadra deles”, disse uma fonte do Vaticano ao Register do dia 12 de maio. “Queremos que eles a toquem pra frente.”

A mensagem de Menzingen

Dom Fellay sentou-se para uma longa entrevista com o Register numa chuvosa e tempestuosa sexta-feira de maio, festa de Nossa Senhora de Fátima, na Casa Geral da FSSPX em Menzingen, perto de Zurique, Suíça.

O edifício modesto, uma ex-pousada suíça, cercada por campos agrícolas ao sopé dos Alpes, está passando por uma reforma. Cerca de 25 padres e freiras vivem lá; e devido às abundantes vocações da FSSPX, eles estão contemplando a busca por instalações maiores em breve. Em uma mesa repousa um jarro de estanho único, rodeado por várias pequenas canecas, cada uma gravada com um momento chave da vida de Dom Lefebvre.

Apesar de uma agenda lotada e cansativa marcada por longas viagens, Dom Fellay chegou de bom humor e falou livre e abertamente em inglês. Ele está bem ciente do quão surpreendente e estranho parece ser o fato de que uma reconciliação estaria tão perto, sob o pontificado de um papa considerado como sendo muito mais preocupado com outros assuntos.

“[A situação] é realmente paradoxal, porque nós não mudamos nada, e nós continuamos a denunciar o que está acontecendo”, disse ele. “No entanto, você vê esse movimento a nosso favor, dentro de Roma.” Ele disse que tem notado que quanto mais tempo as negociações tomam, mais leniente Roma se torna.”

Mas ele também observou duas abordagens diferentes em Roma para a questão da FSSPX. “Temos de distinguir a posição do Papa, que é uma coisa, e, em seguida, a posição do CDF”, explicou ele, fazendo referência ao órgão doutrinário do Vaticano, a Congregação para a Doutrina da Fé, liderada pelo cardeal Gerhard Müller, que está oferecendo maiores concessões para a regularização. “Eles não têm a mesma abordagem, mas têm a mesma conclusão, que é: vamos acabar com o problema dando o reconhecimento para a fraternidade”.

De acordo com o líder da FSSPX, a Congregação para a Doutrina da Fé tem uma “nova perspectiva” sobre a fraternidade, e, contrariamente às observações feitas pelo cardeal Müller em 2014, ele já não vê o grupo como cismático.

“Isso significa que os pontos que nós defendemos não tocam naqueles pontos que separariam a fraternidade da Igreja, quer seja no nível do cisma ou pior, quer seja no nível de heresia, contra a fé”, disse Dom Fellay. “Eles [CDF] ainda estimam que algo deveria ser esclarecido sobre a questão da percepção do que é o magistério. Mas nós alegamos que são eles que o fazem confuso”.

Em uma entrevista à Zenit, em fevereiro, Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, encarregado da regularização da FSSPX, disse que a Santa Sé quer mais “esclarecimentos” sobre as críticas da Fraternidade ao Concílio, mas isso poderia ter lugar “mesmo depois da plena reconciliação.” Ele disse que a FSSPX deve também afastar-se de “confrontos polêmicos e antagônicos.” Uma fonte do Vaticano revelou que a Fraternidade já “baixou o tom em alguns de seus escritos, entrevistas e publicações”.

Confirmando o que fontes em Roma disseram ao Register, Dom Fellay implicitamente deixou claro que é o Vaticano que se aproximou da FSSPX, em vez do contrário, mesmo porque a Fraternidade vê a reconciliação como um direito e porque seria uma “injustiça não dá-la a nós”. De acordo com o líder do grupo, o Arcebispo Lefebvre nunca quis romper com Roma, e a Fraternidade sempre insistiu que nunca estiveram em cisma.

Dom Fellay disse que alguns no Vaticano vêem a FSSPX como vindo para o “resgate” da Igreja e por outros como vindo em auxílio da Igreja e revelou que isso é mencionado no documento de conciliação que lhes fora oferecido para assinar. Uma fonte informou disse que Roma está dando à fraternidade “tudo” o que precisam para a plena reconciliação.

Mas alguns ligados à FSSPX – incluindo o ex-bispo da FSSPX Richard Williamson, que foi expulso da fraternidade em 2012, alegadamente por ter semeado dissidência dentro da FSSPX e aconselhado contra a reconciliação com o Vaticano – acusam Dom Fellay de estar buscando a reconciliação a qualquer custo e com isso a fraternidade corre o risco de ficar sob a influência do que o bispo Williamson chama de “loucos modernistas” que ocupam o Vaticano.

Dom Fellay rejeita essa posição como “totalmente errada”, insistindo: “Nós não vamos fazer concessões que firam a fé ou a disciplina da Igreja”. Em vez disso, declarou: “estamos pedindo de Roma garantias de que nós podemos continuar da forma como fazemos”.

“Roma está, pouco a pouco, concedendo o que vemos como uma necessidade e o que eles começam a ver como uma necessidade, dada a situação da Igreja”, disse ele.

Uma prelazia pessoal semelhante à do Opus Dei seria a estrutura canônica mais provável e, já com relação à questão sensível das nomeações episcopais, a FSSPX concordou que seja o Papa a escolher um candidato de uma lista de três candidatos propostos pela Fraternidade.

Dom Fellay disse que o Papa Francisco o deixa perplexo mas que é alguém com quem ele pode finalmente lidar a nível pessoal. “O modo normal de julgar alguém é decorrente de suas ações e concluir que ele está agindo assim porque é assim que ele pensa”, explicou. “Com o atual Papa, você fica totalmente confuso, porque um dia ele faz ou diz alguma coisa e no dia seguinte ele faz ou diz, quase o contrário.”

Diálogo com o Papa Francisco

Mas o franco-suiço líder da FSSPX aprendeu a se comunicar com este Papa, reconhecendo que Francisco muitas vezes parece ver a doutrina como um obstáculo para levar as pessoas até Jesus. Para o Papa, disse Dom Fellay: “o que é importante é a vida, é a pessoa, e assim ele tenta olhar para a pessoa, e é nisso, se assim posso dizer, é que ele é muito humano.”

Quanto aos motivos do Papa, Fellay acredita que Francisco é alguém que quer ver todos salvos, assim “como alguém que trabalha com resgate, ele desamarra a corda, que é a sua segurança, e colocar-se em uma situação de risco para tentar chegar às outras pessoas”, e “que é provavelmente o que ele está fazendo com a gente”.

Ao ser perguntado se ele achava que as condenações frequentes do Papa contra os “doutores da lei” e “fundamentalistas” foram parcialmente dirigidas a ele e à Fraternidade, ele riu, dizendo que as pessoas em Roma lhe disseram que nem eles mesmos sabem a quem o Papa se refere. “A resposta que mais obtive foi “os conservadores americanos”! Ele riu. “Então, realmente, francamente, eu não sei.”

No tocante à visão geral do Papa em relação à FSSPX, Dom Fellay falou que a sua familiaridade com a FSSPX em Buenos Aires ajuda. Na verdade, em sua entrevista com La Croix, Francisco disse que “muitas vezes falou” com os membros da FSSPX em Buenos Aires. “Eles me cumprimentavam, me pediam de joelhos uma bênção”, disse Francisco.

O Papa vê que “nós nos preocupamos com as pessoas”, disse o Bispo Fellay.

“Certamente ele não concorda com a gente sobre estes pontos do Concílio, que estamos atacando. Definitivamente, ele não concorda. Mas, para ele, como a doutrina não é tão importante – e sim o homem, as pessoas, que são importantes – então já demos prova suficiente de que somos Católicos”.

“Ele vê que somos genuínos – ponto final”, afirmou Dom Fellay. “Ele certamente vê as coisas em nós com as quais discorda, coisas que ele gostaria de ver-nos mudar, mas para ele, isso não é o que é importante. O que é importante é amar a Jesus, e só isso”.

Preocupações internas
Dom Fellay falou antes de sua preocupação de que a fraternidade poderia “se desintegrar,” ao invés de ser “integrada”, caso venha a ser regularizada. Será então que ele teme que o Papa pode estar cortejando-os com  uma “plena comunhão”, a fim de neutralizá-los?
“Essa não é sua perspectiva”, disse ele. “Eu diria o contrário. Ele seria alguém que vê vantagem em criar controvérsia… Assim eu preferiria vê-lo como alguém querendo que sejamos nós a controvérsia para provocar e criar uma nova situação, a qual talvez, de uma forma hegeliana, traria uma situação melhor. Claro, somos contra uma tal abordagem dialética, mas poderia ser isso”.

Ainda assim, a FSSPX está tentando inserir garantias de sua identidade em qualquer acordo com Roma. E sentem-se confiantes de que podem continuar a criticar a Igreja pós-conciliar e o Concílio se for necessário, em grande parte porque muitas outras vozes agora estão fazendo o mesmo. “Vamos manter a urgência de fazer correções, e eu diria que, em parte, eles [Roma] estão começando a reconhecer essa urgência”, disse o Bispo Fellay.

E se estas “correções” não vierem? “Bem, nós vamos ser pacientes”, disse ele, antes de abrir um largo sorriso. “Elas virão.”

Mas, dadas as preocupações expressas sobre aspectos da Igreja pós-conciliar de hoje, com destaque para a recente controvérsia sobre a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, a FSSPX pode ter certeza do apoio dos fiéis da FSSPX para a reconciliação?

Esta parece ser uma das incógnitas mais significativas e um grande desafio para a Fraternidade. “Vai ser uma grande tarefa, e vai levar tempo para sermos capazes de fazer com que os fiéis compreendam esta nova fase na história da Igreja, esta nova realidade,” Dom Fellay concedeu. Mas, acrescentou, “não avançar porque as coisas estão ruins de maneira alguma é o que Deus, Nosso Senhor, está solicitando de Seus apóstolos.”

“Eu vejo isso como um passo”

Dom Fellay é mais seguro sobre a situação da Igreja, que ele vê como inevitavelmente se agravando:

“A situação da Igreja, quando olhamos agora, vai se transformar em uma situação realmente muito confusa”, disse ele, acrescentando que “todos os católicos” devem fazer a sua parte para fortalecer a Igreja. A regularização canônica da Fraternidade não será uma solução, afirmou, porque o problema “está na Igreja” e no que está acontecendo agora, “que é a confusão em todos os níveis, moral e doutrinário.”

Então será que ele vê a mão estendida do Vaticano como uma recompensa por tudo pelo que a FSSPX  lutou e defendeu ao longo das últimas décadas?

“Eu vejo isso como um passo”, disse Dom Fellay: “o que prova o quão certos estivemos e que de maneira alguma significa o fim”.

Edward Pentin é correspondente em Roma do Register.

18 Comentários to “Dom Bernard Fellay, superior da FSSPX: Pouco a pouco, Roma nos está dando tudo o que precisamos para a reconciliação.”

  1. O otimismo da nossa geração me impressiona…

  2. Não tenho coragem de desconfiar da idoneidade de dom Fellay e principalmente de seu amor pela Igreja, mas não tenho tantos motivos para ser tão otimista. Acredito firmemente que a virtude da prudência seja uma caraterística forte em um Bispo da Tradição e que a minha desconfiança da Cúria hodierna seja mais um de meus muitos pecados.

  3. Que bom!

  4. Para não deixar-me levar por sentimentalismos sempre me vêm à recordação este vídeo de arrepiar,em idos em Julho de 2013, na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro:

    Bergoglio não cessa fogo contra nós, por ele chamados de “restauracionistas gnósticos”, que surgiram depois do Motu Proprio Summorum Pontificum de Bento XVI, ou seja, os católicos que resistimos à liquidação final e inglória da Igreja católica.

    Onde ele acusa o chamado “desvio da Igreja Católica primitiva”.

    Onde condena qualquer tipo de piedade, oração e ascese, indicando a seguir o caminho a trilhar: a da luta revolucionária, prática, pastoral. A deles, a da Teologia da Libertação.

    E riem a gargalhadas dos Bispos e católicos “polígamos”, que vão morrer esperando a por ele chamada “outra Igreja”, a Igreja de São Pio V e São Pio X.

    Vejam o vídeo.

    Pois é, “Amoris laetitia, terroris noticia.”

  5. Não consigo conciliar: amar a Jesus e não dar importância à Sua doutrina,,,

    • É fácil de conciliar: é uma armadilha! Quem faz um discurso como o acima, ao CELAM, está querendo alguma espécie de Restauração?!

  6. As falas de Dom Fellay (suposto que o jornalista as tenha registrado com fidelidade) parecem deixar claro que ele está sutilmente deslizando para o modernismo teológico. Começa-se assim: de uma oposição ardente se cai numa oposição ‘moderada’, e daí em diante se vai caindo cada vez um pouco mais, até chegar ao fundo do poço. Como já dizia um autor antigo, “não se passa de uma angelical inocência a uma diabólica perversidade de um só salto…”

    • “Uma fonte do Vaticano revelou que a Fraternidade já ‘baixou o tom em alguns de seus escritos, entrevistas e publicações’.”

      Dizer que nada mudou ou mudará não tem amparo no passado – dos que já aderiram à Roma conciliar – tampouco na visão objetiva dos fatos, como a da fonte supracitada. Quanto ao risco de cisão na FSSPX, essa questão é forte e parece-me que Dom Fellay vai pagar o preço, pois há os que irão com ele, os que juntarão forças com a USML contra o acordo e, pelo que leio na Internet, haverão outros que seguirão seus próprios rumos.

      A aproximação para com a Roma conciliar nunca deu frutos positivos para a causa da Defesa da Fé combatida por Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer, o que no mínimo deveria alertar aos otimistas. Assim, a realidade aponta mais para o esfacelamento da obra de Dom Lefebvre do que para um “futuro melhor” que a História não corrobora.

      São Pio X, rogai por nós!

  7. Por que esta mão estendida também não se estendeu aos Franciscanos da Imaculada desde o início do pontificado de Francisco? Foi dada a eles liberdade para criticar certos pontos do Concílio?

    Ao que se sabe os Franciscanos da Imaculada estão em “plena comunhão”, mas por estarem estritamente mais ligados a celebração da Santa Missa no Rito Extraordinário e criticarem – com uma fundamentação incrível – o Concílio, a situação da Igreja no pós-concílio, recaiu sobre eles algo muito diferente deste amor que visa, independentemente dos fatos, a salvação de todos.

    Até hoje não conseguir encontrar consonância entre as constantes insistências na misericórdia e as constantes repressões contra esta ordem.

    • Simples: os Franciscanos da Imaculada estão na “plena comunhão” e sujeitos às autoridades da Roma conciliar, enquanto a FSSPX precisa ser atraída com “agrados” para depois ser subjugada.

      Sou da Adm. Apostólica e conheço essa história…

    • É claro que se trata de uma armadilha. É só concluir pelo problema que vc levantou acima sobre os Franciscanos. Agora, é preciso dizer que os Franciscanos da Im., foi mais dura e rap;idamente castigada pela posição “meio-lá-meio-cá”. Rezando ora missa de Paulo VI, ora de S.Pio V etc. Se tivessem batido o pé, como faziam a FSSP (veja “faziam”, pois daqui para frente fica um ponto de desconfiança) o Vaticano tinha receio. Cederam em ser biritualistas, adeus. Foi o que aconteceu com os Franciscanos da Im. E é o que vai acontecendo com a FSSP.
      Mas a sua observação é bem pertinente e lúcida. Abraços.

  8. “É cilada, Bino!” Ou melhor: “é armadilha, Dom Fellay!”

  9. A pergunta que fica é: seria possível rejeitar um ato unilateral do Papa que não faça qualquer exigência?

    Ou a FSSPX poderia dizer que “bem, agora que João Paulo II nos colocou de lado, daqui não queremos sair”? Antes das excomunhões, não era feito um apostolado tradicional, mesmo com encontros alegres em Assis? Ora, que se faça o mesmo e, se for preciso, pague-se o mesmo preço outra vez.

    Ademais, Dom Fellay não tomará nenhuma decisão sem consulta a seus padres.

  10. Realmente senhor Pedro Rocha. Pelo pouco que conheço da Administração Apostólica, sinto ela bastante restrita aqui no Brasil. Se não estou afirmando erroneamente, a Administração nem está realizando mais o Encontro Nacional Summorum Pontificum, encontros estes que quando foram realizados levaram a Administração a uma maior evidência no âmbito Católico nacional. O encontro realizado em Salvador, por exemplo, parece ter sido bem divulgado e apreciado, lamento não ter ido.

    Como a “filha da obra de Dom Lefebvre”, desde que foi reconhecida canonicamente a Administração poderia ser um diferencial no país e infelizmente não é isso que vemos.

    PS.
    Agradecido pelo comentário ao que expus anteriormente.

  11. Será que Roma está mesmo dando tudo o que é necessário para essa plena reconciliação? No site da SSPX de hoje publicaram uma entrevista do Cardeal Muller onde ele diz claramente que a SSPX tem que reconhecer a liberdade religiosa e o ecumenismo como “direitos humanos”.

    http://sspx.org/en/news-events/news/key-points-council-negotiable

    Quer dizer que aquele papo de aceitação incondicional é tudo conversa fiada? Espero que as autoridades de Roma continuem mostrando toda a sua duplicidade e língua bifurcada pra ver se os superiores da SSPX acordam!
    Na semana passada foi minha vez de confrontar Padre Plufger que está em sua peregrinação pelos Distritos da SSPX, testando as águas pra ver a reação e o ânimo dos fiéis. Se depender dos fiéis esse reconhecimento não sai e eu fiz questão de externar pessoalmente ao Padre Pfluger nossa opinião:

    Para quem não sabe inglês aqui vai a tradução do que eu falei:
    “Com relação a essa situação da Igreja agora, com relação a essa proximidade à Roma, que é uma grande causa de preocupação para a maioria de nós, há um evangelho, o evangelho do Bom Pastor e eu amo aquela parte que fala das ovelhas que não seguirão o estranho, mas fugirão dele porque não reconhecem a sua voz. E esse é o grande problema pra nós fiéis, reconhecer a voz do Bom Pastor nesse atual Pontifice. Porque nós estamos nessa capela já há um bom tempo, alguns aqui até mais do que eu, e nós viemos a conhecer a verdade pelo Arcebispo Lefebvre, nós viemos a conhecer a verdade através da Tradição e agora vemos essa ruptura com a Verdade. Eis porque é difícil para nós reconhecer a voz do Pastor. E isto é nós como ovelhas. Quero dizer, nós temos agora essa situação muito trágica na Igreja, que não tem nada a ver com sedevacantismo, mas no passado podíamos reconhecer fragmentos de verdade aqui e ali, que era como ter um pai sofrendo de mal de Alzheimer, que de vez enquando diz alguma coisa que faz sentido e a gente imediatamente reconhece, Oh esse é o meu velho pai. Mas agora é difícil reconhecer nesse papa a voz do pastor , porque temos um Papa que ao renunciar disse que estava renunciando ao exercício do Primado mas não ao Primado em si . Aí vem esse Papa Bergoglio, da América do Sul , especialmente pra mim que veio da América Latina e sei muito bem quem é ele, filho da teologia da libertação”.

    Depois tive oportunidade de conversar em privado externando todas as minhas objeções de modo mais cordial. Mas teve um lugar aqui no Canadá que ele teve que encerrar logo a conferência devido a reação exaltada e nada receptova dos fiéis.
    Todavia engana-se quem pensa que os fiéis da SSPX irão atrás da tal “Resistência”. Há muito tempo as pessoas perceberam que a briguinha de Dom Williamson é contra Dom Fellay enquanto deixa Bergoglio passar de liso e ninguém está a fim de sair do espeto pra cair na brasa…pelo menos entre os que eu conheço.
    Rezemos pela SSPX e sobretudo pelos 7 seminaristas que estão sendo ordenados hoje, dia 03 de junho na última ordenação sacerdotal no Seminário de Winona no USA. A próxima, se Deus quiser, será no novo seminário em Virgínia.

    • Salve Maria,

      Sra. Gercione, em seu ponto de vista, qual foi a motivação do rompimento entre Dom Williamson e Dom Felay? Até onde sabemos (ignorando os achismos, questões sem prova e aspectos subjetivos) Dom Williamson rompeu com a FSSPX justamente porque desconfiava que Dom Fellay iria fazer um acordo temerário com Roma.

      A Sra. Conhece alguma outra razão para o rompimento?

      Em JMJ

      Francisco.

  12. É complicado. Eu mesmo sem conhecer a FSSPX de perto, tenho defendido Dom Fellay e tentando entendê-lo do ponto de vista católico através de seus discursos otimistas. Mas só que nunca vi com bons olhos estes discursos amenizadores em relação ao Papa Francisco. Não digo que não deva ressaltar os aspectos católicos de Bergoglio, mas este Papa do fim do mundo já demonstrou que não merece confiança. Por isso, é assustador ler entrevistas como essas!

  13. Já vi esse filme anteriormente na AASJMV e similares Ecclesia Dei. É assustador pensar qualquer tipo de negociação com Bergoglio para os que conhecem seu perfil. Fica aqui registrado meu endosso a tudo que foi exposto pela Sra. Gercione Lima de maneira clara e precisa. Este pensamento não é só meu mas de muitos que seguem a orientação da FSSPX. São Pio X rogai por nós.