Papa indica aos padres a leitura da encíclica de Pio XII sobre o Sagrado Coração.

IHU – Na primeira das três meditações para o Jubileu dos Sacerdotes, Francisco convida a retomar a carta de Pacelli sobre o amor de Deus que não se esfria nem desaparece “à vista de monstruosas infidelidades e pérfidas traições”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 02-06-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa Francisco, na primeira das meditações sobre a misericórdia para o Jubileu do Clero, realizada na Basílica de São João de Latrão, na manhã dessa quinta-feira, 2 de junho, ele citou uma encíclica de Pio XII.

Falando do Sagrado Coração de Jesus, culto particularmente celebrado no mês de junho, ele aconselhou os bispos e os padres que o ouviam a reler o texto de Pacelli.

“Recordo que, quando a encíclica foi publicada – disse o Papa Bergoglio –, houve quem, torcendo o nariz, disse que o culto do Sagrado Coração era um culto de freiras.” Em vez disso, “nos fará bem relê-la”, acrescentou, embora alguns dirão que “é pré-conciliar”. Francisco explicou que “o Coração de Jesus é o centro”, e talvez justamente as freiras, que são “mães” na Igreja, entenderam isso melhor.

A encíclica Haurietis aquas traz a data de 15 de maio de 1956 e é dedicada ao culto do Sagrado Coração de Jesus, que Pio XII pretendia purificar de formas e práticas de um certo devocionalismo sentimental, mas sem diminuí-lo em nada, mostrando, em vez disso, a sua verdadeira doutrina: o culto do Sagrado Coração se refere a toda a pessoa deJesus e tem como objeto o coração por ser um símbolo não só do amor humano e divino de Cristo, mas também de toda a Sua vida.

Por isso, o Papa Pacelli convidava os homens a dirigirem o seu olhar ao Nazareno crucificado. A encíclica é um hino ao amor divino: “Não nos deve causar estranheza que Moisés e os profetas (…) compreendendo bem que o fundamento de toda a lei se baseava nesse mandamento do amor, descrevessem todas as relações existentes entre Deus e a sua nação recorrendo a semelhanças tiradas do amor recíproco entre pai e filhos, ou do amor dos esposos, em vez de representá-las com imagens severas inspiradas no supremo domínio de Deus ou na nossa devida servidão cheia de temor”.

Deus, continuava Pio XII, ama “o seu povo escolhido com um amor justo e cheio de santa solicitude, qual é o amor de um pai cheio de misericórdia e de amor, ou de um esposo ferido na sua honra. É um amor que, longe de decair e de cessar à vista de monstruosas infidelidades e pérfidas traições, castiga-os, sim, como eles merecem, mas não para os repudiar e os abandonar a si mesmos, mas só com o fim de limpar, de purificar a esposa afastada e infiel e os filhos ingratos, para tornar a uni-los novamente consigo uma vez renovados e confirmados os vínculos de amor”.

“O mistério da redenção divina”, escrevia ainda o papa, “é, antes de tudo e pela sua própria natureza, um mistério de amor: isto é, um mistério de amor justo da parte de Cristo para com seu Pai celeste, a quem o sacrifício da cruz, oferecido com coração amante e obediente, apresenta uma satisfação superabundante e infinita pelos pecados do gênero humano.”

“Não havendo, pois, dúvida alguma de que Jesus possuía um verdadeiro corpo humano, dotado de todos os sentimentos que lhe são próprios, entre os quais o amor claramente tem o primado, do mesmo modo é muito verdade que Ele foi provido de um coração físico em tudo semelhante ao nosso, não sendo possível que a vida humana, privada desse excelentíssimo membro do corpo, tenha a sua natural atividade afetiva. Por conseguinte, o Coração de Jesus Cristo, unido hipostaticamente à Pessoa divina do Verbo, sem dúvida deve ter palpitado de amor e de todo outro afeto sensível; contudo, esses sentimentos eram tão conformes e estavam tão em harmonia com a vontade humana, transbordante de caridade divina, e com o próprio amor infinito, que o Filho tem em comum com o Pai e com o Espírito Santo, que jamais se interpôs a mínima oposição e discórdia entre esses três amores.”

“O culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus“, concluía Pio XII, “é o culto ao amor que Deus tem por nós em Jesus Cristo, e, ao mesmo tempo, a prática do nosso amor a Deus e aos homens.”

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22 Comentários to “Papa indica aos padres a leitura da encíclica de Pio XII sobre o Sagrado Coração.”

  1. É sempre a tática do “uma no cravo e outra na ferradura”!
    Depois de terem praticamente destruído na Igreja Conciliar toda a devoção ao Sagrado Coração, diluindo-a e substituindo-a pela suspeitíssima devoção da “Divina Misericórdia”, desenterram agora a Haurietis Aquas de Pio XII quase que numa tentativa de ressucitar também a “hermenêutica da continuidade” nesse pontificado de ruptura.
    “Recordo que, quando a encíclica foi publicada – disse o Papa Bergoglio –, houve quem, torcendo o nariz, disse que o culto do Sagrado Coração era um culto de freiras.” Em vez disso, “nos fará bem relê-la”, acrescentou, embora alguns dirão que “é pré-conciliar”.
    Só isso mostra o apreço pelas devoções mais tradicionais da Igreja! Entre os que torceram o nariz não só pra essa encíclica mas para tudo que é devoção pré-conciliar estava o próprio Bergoglio, que praticamente destruiu a fé na arquidiocese que ele comandou. Hipocrisia elevada à enésima potência!
    Onde foram parar as cerimônias de entronização do Sagrado Coração nos lares? Onde foi parar a própria festa de hoje que era celebrada de modo solene? Onde foi parar a promoção da comunhão nas nove primeiras sextas-feiras? Aliás, quem ainda consegue achar um padre pra se confessar e receber de modo digno a Comunhão nas primeiras sexta-feiras do mês?
    Para um pontífice que acredita, segundo seu “moleque-de-recado”, Bruno Forte que:

    “Os homossexuais têm dons e qualidades a oferecer à comunidade cristã: seremos capazes de acolher essas pessoas, garantindo a elas um espaço maior em nossas comunidades? Serão nossas comunidades capazes de proporcionar isso, aceitando e valorizando sua orientação sexual, sem fazer concessões na doutrina católica sobre família e matrimônio”…

    Será que ele agora vai sugerir também a entronização do Sagrado Coração nos “lares sodomitas” e nos das “segundas uniões adúlteras”? Vindo de quem vem, não me espantaria tal acinte!
    Em 1675, Nosso Senhor apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque e mostrando o seu Coração divino, fez-lhe o seguinte apelo:

    “Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências, sacrilégios, e pela tibieza e desprezo que têm para comigo na Eucaristia. Entretanto, o que Me é mais sensível é que há corações consagrados que agem assim. Por isto te peço que a primeira sexta-feira após a oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar Meu Coração, comungando neste dia, e O reparando pelos insultos que recebeu durante o tempo em que foi exposto sobre os altares”.

    Nosso Senhor se queixava diretamente das indignidades e sacrilégios que vemos esse Pontífice promover abertamente e diariamente em nome de uma pseudo misericórdia.
    Se Pio XII pretendia apenas purificar o culto ao Sagrado Coração de formas e práticas de um certo devocionalismo sentimental, mas sem diminuí-lo em nada, os demolidores que vieram após ele acharam por bem jogar fora a água da banheira com o bebê junto.

    • Gercione
      Há algo de errado no seu pensamento. Quando o Papa diz algo discordante do que pensamos saímos com críticas ácidas. Quando indica leituras tão louváveis como a que ele indicou saímos com críticas ácidas. Demos Graças a Deus que ele não indicou algum livreto do cardeal Walter Casper sobre o assunto………………

    • Sra. Gercione,
      Em sua ira e fúria irracional contra o Santo Padre, a Sra. chega a blasfemar ao falar de “suspeitíssima devoção à Divina Misericórdia”. Penso que a Sra. tem a obrigação moral de reparar esta blasfêmia, pois isto também é pecado mortal contra o primeiro mandamento da Lei de Deus.

    • Salvo engano, acho que a Gercione em si não quis criticar o papa Francisco aí, mas quereria dizer que alternaria posições, ora para um lado ora para outro; nesse caso, dá excelente ideia, mas noutras ocasiões dá colher de chá aos protestantes que vivem na alienação de tantas igrejocas de seitas, onde cada um faz o que quiser.

    • Dizer o Papa praticamente destruiu a fé na arquidiocese de Buenos Aires não é um tanto exagerado? Achei louvável a indicação do Papa, penso que não precisamos ver maldade e falsidade em tudo, senão caímos no risco de sempre nos acharmos melhores que os outros…

  2. O Santo Padre poderia indicar a leitura da Humani Generis também…

  3. Jesus apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque em 27 de dezembro de 1673; freira, pertencia à Ordem da Visitação e a aparição sucedeu durante uma exposição do Santíssimo Sacramento; ela teve a visão de Jesus Cristo mais 2 vezes e nessas, o próprio Senhor pediu que divulgasse a devoção a seu Sagrado Coração, e relatou-lhe as promessas aos que as cumprissem nas nove primeiras sextas-feiras de cada mês a comunhão reparadora e lhe apresentou o seu Coração transpassado pela lança, Jesus disse a Santa Margarida:
    “Eis o coração que tanto tem amado os homens e em recompensa não recebe da maior parte deles, senão ingratidões pelas irreverências e sacrilégios, friezas e desprezos que tem por mim nesse sacramento do Amor. E continuou dizendo: Prometo-te pela minha excessiva misericórdia, a todos que comungarem nas primeiras sextas de nove meses consecutivos, a graça da penitência final. Estes não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os sacramentos. O meu Sagrado Coração lhes será refugio seguro nessa última hora”.
    No entanto, as promessas vinculadas à pessoa salvar-se por esse modelo de devoção não seria aval para posteriormente voltar á vida de pecados e achar-se salvo, pois nesse caso, seria como que julgasse que adquirira a salvação e – quem somos nós para barganharmos com o Senhor?!
    Destina-se essa devoção à reparação pela frieza, desprezo e sacrilégios, que muitas vezes sofreu na Eucaristia e particularmente JESUS SOFRE HOJE, COM AJUDA DE MUITOS, A COMEÇAR DA ALTA HIERARQUIA, COMO PRATICAMENTE EXIGIR A S COMUNHÃO NAS MÃOS EM QUE, POR MUITOS DESCUIDOS, MINI PARTÍCULAS DESPRENDEM-SE, CAEM NO CHÃO E JESUS É PISOTEADO A TODO INSTANTE DENTRO DAS IGREJAS, por parte dos maus cristãos e dos que não acreditam em Jesus Cristo, A PARTIR DO TOPO, MAIS SE PARECENDO SEREM DA MAÇONARIA, INFILTRADOS PARA O ESPEZINHAREM!
    Ideal seria que nesse dia se promulgasse a extinção da S Comunhão nas mãos – quantas infindas profanações a menos!
    A Instrução Geral do Missal Romano no número 160 é bem clara quanto ao modo de se comungar:
    “O sacerdote pega depois na patena ou na píxide e aproxima-se dos comungantes, que habitualmente se aproximam em procissão. Não é permitido que os próprios fiéis tomem, por si mesmos, o pão consagrado nem o cálice sagrado, e menos ainda que o passem entre si, de mão em mão”. (…).
    Meu arcebispo bispo recomenda, por receio de pegar moléstias, a S Comunhão nas mãos; se verdade fosse, proibiríamo-nos de ir a lojas, a shoppings e mesmo dentro das igrejas via bacterias aereas…
    Se imaginassem o quanto vou receoso a essas horas à S Comunhão pensando estar pisoteando a Jesus e procurando sempre a ser dos primeiros e à volta, passando nos cantos, risco menor…

  4. Gercione, quando você menciona a “suspeitíssima” devoção à Divina Misericórdia, você está se referindo a Santa Faustina? Se for, explique-se melhor de ter utilizado esse termo.

    Sei que estão usando a “misericórdia” pra passar a mão na cabeça do pecador, mas a devoção á Divina Misericórdia exposta no Diário de Santa Faustina em nada passa a mão na cabeça do pecador.

  5. Será que o jovem Bergoglio, antes de ser tragado pela máquina teilhardiana e pelo megaespelho de narciso, foi um bom católico…? Deus sabe (e também o diabo).

    Seja como for, nunca é demais ler e recordar Pio XII. Noutra ocasião, aliás, Bergoglio o defendeu publicamente dos caluniosos ataques que infligem à sua memória por conta de sua atuação durante a II Guerra.

    Sobre esse assunto, aliás, lemos o seguinte na resenha de um vagabundíssimo e diletante livreco sensacionalista publicado pela Editora VOZES contra o Papado:

    “As relações entre poder e religião protagonizadas pelo Vaticano ainda hoje são analisadas através de cinco histórias fabulosas: o reencontro arqueológico com o Apóstolo Pedro, a pureza e a corrupção do Cristianismo Primitivo, a salvação pública pela Reforma Gregoriana, a tirania familiar do Papa Bórgia e a suspeita da cumplicidade entre a Santa Sé e Hitler”.

    http://www.franciscanos.org.br/?p=85203

    Essa Editora, Vozes, constituída inicialmente com a esmola (es-mo-la) de bons católicos a fim de divulgar bons livros católicos, é hoje gerida por obscuros ex-fradecos-Honda-Civic e cabeleira pintada.

    Dançai, pois, jubilosas, ó Avestruzes risonhas e gordas… Celebrai o Vaticano-Dois, defendei-o com bicos e plumas, afetai o vosso chilique e o vosso escândalo farisaico contra os que o recusamos! Ide celebrar Lutero, o concubinato adúltero e as supostas vantagens de ser sodomita!

    “Obstupescite caeli super hoc et portae eius desolamini vehementer dicit Dominus …”

  6. Que foto triste de executivos de calça e paletó dentro da basílica de Sao Joao de Latrao. Onde estao as batinas destes senhores?

  7. “Miserando atque eligendo” (Olhou-o com misericórdia e o escolheu).
    Parabenizamos Sua Santidade o papa Francisco pelo discurso em epígrafe.
    Lamentamos que, ainda, existem “católicos” que insistem no discurso infantil de criticar por criticar o representante de Deus aqui na Terra. Que Deus não nos puna na mesma proporção de nossas faltas.
    Talvez, o papa Francisco não seja o representante IDEAL para alguns católicos, mas foi o próprio Espírito Santo (eleitor invisível) que o elegeu. E quem somos nós para questionar as intenções da Santíssima Trindade?!?
    Deus escreve certo, por linhas tortas, diz a sabedoria popular.
    Viva Franciscus!!!

  8. O partido bergogliano por essas bandas anda a todo vapor! Chegam a acusar o Santo Ofício sob o comando do Cardeal Ottaviani de “blasfêmia”!
    Não era minha intenção mexer em vespeiro e nem detonar os ataques de mi-mi-mi, mas já que me pediram a razão da minha fé, deixo aqui a tradução de um artigo escrito pelo Padre Peter Scott da SSPX na Angelus Press:
    http://www.angelusonline.org/index.php?section=articles&subsection=show_article&article_id=2895

    “O que pensamos dobre a devoção da Divina Misericórdia?
    Certamente muitas pessoas têm recebido graças da devoção à Divina Misericórdia propagada por St. Faustina, e sua piedade pessoal era certamente da mais exemplar. No entanto, isso não significa necessariamente que esta devoção tenha vindo de Deus. É verdade que o Papa João Paulo II promoveu esta devoção, e que foi através de seus esforços que a proibição foi levantada em 15 de abril de 1978, e que foi ele ainda que introduziu a festa da Divina Misericórdia no Novus Ordo. No entanto, o fato de boas e piedosas pessoas receberem graças ou da Irmã Faustina ter sido uma freira piedosa não necessariamente significa que ela tenha vindo do céu. Na verdade, essa devoção não apenas não foi aprovada antes do Vaticano II, mas foi formalmente condenada, apesar das orações do terço da misericórdia serem ortodoxas.

    Condenada pelo Santo Ofício

    Havia dois decretos em Roma sobre esta questão, ambas do tempo do Papa João XXIII. A Suprema Congregação do Santo Ofício, em reunião plenária, realizada em 19 de novembro de 1958, tomou as seguintes decisões:

    1-A natureza sobrenatural das revelações feitas à Irmã Faustina não é evidente.

    2-Nenhuma festa da Divina Misericórdia deverá ser instituída.

    3- É proibida a divulgação de imagens e escritos que propagam esta devoção sob a forma recebida pela Irmã Faustina.

    O segundo decreto do Santo Ofício saiu em 6 de Março de 1959, no qual o seguinte foi estabelecido:

    1- foi proibida a difusão de imagens e textos que promovem a devoção à Divina Misericórdia sob a forma proposta pela mesma Irmã Faustina.

    2- A prudência dos bispos é julgar quanto à remoção das imagens acima referidas que já estão expostas para veneração pública.

    O que havia nessa devoção que impediu o Santo Ofício de reconhecer sua origem divina? Os decretos não deixam claro, mas parece que a razão reside no fato de que há excessiva ênfase na misericórdia de Deus a ponto de excluir a Sua justiça. Nossos pecados e a gravidade da ofensa que eles infligem a Deus é deixado de lado como sendo de pouca importância. É por isso que o aspecto da reparação pelo pecado é omitido ou obscurecido.
    A verdadeira imagem da misericórdia de Deus é a do Sagrado Coração de Jesus, atravessado pela lança, coroado de espinhos, pingando o sangue precioso. O Sagrado Coração exige uma devoção de reparação, como os papas sempre o solicitaram. No entanto, este não é o caso com o culto da Divina Misericórdia. A imagem não tem coração. É um Sagrado Coração sem coração, sem reparação, sem o preço dos nossos pecados sendo claramente evidente. É isto que torna essa devoção muito incompleta e nos faz suspeitar de sua origem sobrenatural, independentemente das próprias boas intenções da Irmã Faustina e de sua santidade pessoal. Esta ausência da necessidade de reparação pelos pecados manifesta-se na estranha promessa de libertação de toda a pena temporal para aqueles que observam a devoção das 3:00 da tarde de domingo após a Páscoa. Como poderia tal devoção ser mais poderosa e melhor do que uma indulgência plenária, aplicando-se o tesouro extraordinário dos méritos dos santos? Como pode ser que não requeira como condição que realizemos uma obra penitencial da nossa própria parte? Como não pode exigir o desapego até mesmo do pecado venial como sendio necessário para se obter a indulgência plenária?
    Talvez não seja por acaso que o Papa João Paulo II promoveu esta devoção, pois ela está muito em linha com sua encíclica Dives in Misericordia. Na verdade, a teologia do mistério pascal que ele ensinou joga para escanteio toda a consideração sobre a gravidade do pecado e a necessidade de penitência, para a satisfação da justiça divina e, portanto, da Missa como sendo um sacrifício expiatório, e também a necessidade de ganhar indulgências e de se fazer obras de penitência. Uma vez que Deus é infinitamente misericordioso e não conta nossos pecados, tudo isso se torna irrelevante. Este não é o espírito católico. Temos que fazer reparação pelos nossos pecados e pelos pecados de todo o mundo, como o Sagrado Coração repetidamente pediu em Paray-Le-Monial. É a renovação da nossa consagração ao Sagrado Coração e as horas santas frequentes de reparação que irão trazer de volta a conversão dos pecadores. É desta forma que podemos cooperar para trazer o Seu Reino do Amor Misericordioso, porque é o reconhecimento perfeito da santidade infinita da Majestade Divina e a completa submissão às suas legítimas demandas. Misericórdia passa a significar alguma coisa apenas quando compreendemos o preço da nossa Redenção”.

    Aí está o que o “blasfemo” Padre Peter Scott escreveu e que os Católicos da SSPX levam em consideração.
    Quanto ao fato de Bergoglio citar uma encíclica de Pio XII defendendo a devoção ao Sagrado Coração, ao mesmo passo que ataca tenazmente o coração do Catolicismo que é a Eucaristia ao promover as comunhões sacrílegas, se não for piada de mal gosto, só pode ser algo bem pior!
    A Eucaristia é o coração de nossa fé. Lembrem-se que em todo milagre eucarístico comprovado, em que a hóstia se transformou em carne, todos os exames constataram que se trata de músculo cardíaco, carne do coração!
    Pra mim o que existe de realmente errado é o fato das pessoas não se darem por conta dessa confusão diabólica! São capazes de elogiar até a boa ação do assassino que comparece ao funeral pra dar condolências aos familiares da vítima!

    • A Santa Igreja é sempre muito cautelosa ao avaliar e aprovar devoções que estejam ligadas a revelações particulares, como são as devoções ao Sagrado Coração (com Santa Margarida Maria) e à Divina Misericórdia (Santa Faustina). É natural, portanto, que em um primeiro momento haja restrições ou mesmo proibições que, depois de um estudo mais acurado, são suspensas, de tal maneira que essas devoções são não apenas incentivadas, mas tomam lugar até mesmo na Sagrada Liturgia. Lembremos, por exemplo, que nem mesmo a devoção ao Sagrado Coração foi imediatamente aprovada pela Igreja. Como se trata de revelações particulares, os fiéis estão livres para as aceitar e praticar, mas não podem se opor ao juízo autorizado do Magistério, apresentado como nociva uma devoção que a Suprema Autoridade (o Romano Pontífice) aprova e recomenda. Neste caso, a opinião pessoal de um sacerdote da FSPX não se sobrepõe ao juízo autorizado do Santo Padre. Afirmar o contrário significa semear dúvidas e divisões entre os fiéis. Além disso, se não se aceita a autoridade suprema do Romano Pontífice, já não se pode falar de verdadeira comunhão com a Santa Igreja, por mais que se tente defender a Tradição e a ortodoxia.

  9. É muito difícil que concordem com o comentário de Gercione Lima os católicos que desconhecem a luta de São Pio X contra o modernismo. Por não conhecerem as manhas e manobras da seita modernista , denunciadas na Pascendi, são incapazes de entender a sistemática demolição da Santa Igreja que vem sendo empreendida com êxito pelos progressistas. Ao Rev. Pe. José William que se manifestou acima, recomendo que leia e estude o quanto antes a encíclica Pascendi.

  10. Ainda tem gente que desconhece as condenações dessa suposta (já que suspeitíssima saiu tão mal assim…) devoção da misericórdia?

    http://www.catolicostradicionais.com.br/2015/06/a-condenada-devocao-divina-misericordia.html

    E a Sra. Gercione em nada mentiu, caluniou ou foi desonesta. Menos respeito humano, né, pois a mesma não condenou Francisco como um herege antipapa, apenas comentou sobre seus atos que, se vocês não veem nada de errado, então são vocês precisam fazer reparação.

  11. Jesus, manso e humilde de Coração! Fazei o meu coração semelhante ao Vosso! Meu Jesus, misericórdia! Sagrado Coração de Jesus, tende misericórdia de mim, porque sou um pecador! Sem a vossa Misericórdia, eu já estaria consumido!

  12. NÃO PERSEGUIR OS SACERDOTES
    “Não toqueis nos meus cristos” (Salmo CV, 15).
    No tocante a este assunto seríssimo por se tratar de uma advertência do próprio Divino Espírito Santo, decidi não empregar uma só palavra minha. Lembrei-me do “DIÁLOGO” do próprio Deus com Santa Catarina de Sena. Eis o que Deus lhe disse atinente ao título do artigo em apreço:
    “Os ministros são ungidos meus. A respeito deles diz a Escritura: “Não toqueis nos meus cristos” (Sl 105, 15). Quem os punir cairá na maior infelicidade. Se me perguntares por que a culpa dos perseguidores da santa Igreja é a maior de todas e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque, em virtude do sangue por eles ministrado, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a mim. Não fosse assim, poderíeis ter para com eles o mesmo comportamento de praxe para com os demais homens. Quem vos obriga a respeitá-lo é o ministério do sangue. Quando desejais receber os sacramentos, procurais meus ministros; não por eles mesmos, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-lo, em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. A reverência é dada a mim e a meu Filho encarnado, que somos uma só coisa pela união da natureza divina com a humana. Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos”!
    Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: “Eu não ofendo a santa Igreja, nem me revolto contra ela; apenas sou contra os defeitos dos maus pastores”! Tal pessoa mente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou e não vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar a voz da consciência. Ela compreende muito bem que está perseguindo o sangue do meu Filho e não os pastores. Nestas coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que meus cristos sejam ofendidos. Somente eu devo puni-los, não outros. No entanto, homens ímpios continuam a revelar a irreverência que têm pelo sangue de Cristo, o pouco apreço que possuem pelo amado tesouro que deixei para a vida e santificação de suas almas. Não poderíeis ter recebido maior presente que o todo-Deus e todo-Homem como alimento. Cada vez que o conceito relativo aos meus ministros não coloca em mim sua principal justificativa, torna-se inconsistente e a pessoa neles vê somente muitos defeitos e pecados. De tais defeitos falarei em outro lugar. Mas quando o respeito se fundamenta em mim, jamais desaparece, mesmo diante de defeitos nos ministros; a grandeza da Eucaristia não é diminuída por causa dos pecados. A veneração pelos sacerdotes não pode cessar; se tal coisa acontecer, sinto-me ofendido.
    São muitas as razões que fazem desta ofensa a mais grave. Vou lembrar apenas três. A primeira, é porque os perseguidores agem contra mim em tudo o que fazem em oposição aos meus ministros. A segunda, é porque desobedecem àquela ordem pela qual proibi que meus sacerdotes fossem tocados. Ao persegui-los, os homens desprezam a riqueza do sangue de Cristo recebida no batismo. Desrespeitando o sangue de Jesus e perseguindo os ministros, rebelam-se e tornam-se membros apodrecidos, separados da jerarquia eclesiástica. Caso venham a morrer obstinados em tal revolta e desrespeito, irão para a condenação eterna. Se reconhecerem a própria culpa na última hora, humilhando-se e desejando a reconciliação, mesmo que não o consigam fazer exteriormente, serão perdoados. Mas não devem esperar pelo momento da morte, pois será incerto o próprio arrependimento. A terceira razão, pela qual este pecado é o mais grave, está no seguinte: é uma falta maldosa e deliberada. Os perseguidores têm consciência de que o não devem cometer, sabem que vão pecar; cometem um ato de orgulho, em que não entram atrações sensíveis, muito pelo contrário. Tais pecadores arriscam a alma e o corpo: a alma, privando-se da graça, muitas vezes em meio a remorsos da consciência; o corpo, gastando seus bens a serviço do diabo e indo morrer como animais. Não, este pecado cometido contra mim não possui características de satisfação ou prazer pessoais; acompanham-no apenas os desvarios e a maldade do orgulho! Um orgulho que nasce do egoísmo e daquele medo próprio de Pilatos, quando matou meu Filho por temor de perder o cargo. É o que sempre fizeram e fazem os perseguidores. Os demais pecados procedem de uma certa simploriedade, de ignorância ou satisfação pessoal desordenada, de certo prazer ou utilidade presentes no ato mau. Naqueles pecados, o homem prejudica a si mesmo, ofende a mim e ao próximo. Ofende-me por não me glorificar; ao próximo, por não o amar. Na realidade, não se ergue frontalmente contra mim; ergue-se contra si mesmo, e isso me desagrada. Já no pecado de perseguição contra a santa Igreja, sou ofendido diretamente. Os outros vícios possuem uma justificativa, uma razão intermediária. Já afirmei que todo pecado e virtude são feitos no próximo. O pecado é ausência de amor por mim e pelos homens; a virtude é amor caritativo. Neste pecado, os maus perseguem o próprio sangue de Cristo ao se investirem contra meus ministros, e privam-se de sua riqueza espiritual. Entre todos os homens, os distribuidores do sangue do meu Filho, em quem vossa natureza está unida à minha. Quando consagram a Eucaristia, os ministros, o fazem na pessoa de Jesus. Como vês, realmente este pecado é dirigido contra meu Filho; por conseguinte, contra mim, pois somos um. É uma falta gravíssima. Não se dirige aos ministros, dirige-se a mim. Também o respeito demonstrado para com eles, considero-os como se fossem para mim e meu Filho. Por tal motivo te dizia que, se colocasses de um lado todos os demais pecados e este, sozinho, do outro, o último ser-me-ia mais ofensivo. (…) Em suma, ninguém deveria perseguir meus sacerdotes por causa de defeitos seus!”

    • Perseguir difere muito de discordar!
      Na epístola aos gálatas, vemos o conflito entre S. Paulo e S Pedro em Antioquia, que também nos ajuda a compreender que até mesmo Pedro também estava sujeito às mais duras críticas e repreensões:

      “Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, resisti-lhe na cara, porque era repreensível. Pois antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios; mas quando eles chegaram, se foi retirando e se apartava deles, temendo os que eram da circuncisão. Os demais judeus também se uniram a ele nessa hipocrisia, de modo que até Barnabé se deixou levar. Quando vi que não estavam andando de acordo com a verdade do evangelho, disse a Pedro perante todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como os judeus, como é que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2:11-14)

      Note que S.Paulo não apenas critica a atitude de S.Pedro, mas diz que o resistiu na cara, porque era repreensível! Os católico nos dias atuais necessitam de coragem suficiente para sê necessário for, dizer face a face e resistir na cara de quem quer que seja aquilo que for é repreensível. A submissão à autoridade não pode ser confundida com subserviência cega. Antes de subalternos somos irmãos, não é insolente, insubmisso aquele que contesta o erro da autoridade, caso contrário” até as pedras clamarão”. E, portanto, a tese que um sacerdote e até o Papa só poderia ser repreendido por Deus, e não por alguém de autoridade inferior não encontra verdade no Evangelho. S. Paulo não hesitou em repreender S.Pedro tão fortemente quando ele se fez repreensível, não passou aos gálatas um exemplo de insubmissão, mas que qualquer irmão não importando a hierarquia é passível de ser repreendido por outro irmãozinho.

    • Data venia, Pater reverendissime, Lutero também era sacerdote. Eu o teria perseguido e acossado até os portões do inferno, caso o encontrasse.

  13. Meus amigos, infelizmente chegamos aos tempos em que se nos calarmos, as pedras clamarão. As próprias pedras falarão por nós se não falarmos das verdades de fé que Deus confiou aos Apóstolos e seus sucessores o mandato de ensinar, mas que eles por prevaricação se omitem.
    Como bem ensinou Dom Lefebvre, Satanás nesses tempos usa a virtude da obediência a seu favor. Basta colocar um bando de impostores maçônicos em pontos de comando da Igreja e exigir obediência cega dos subordinados.
    Na esfera civil, Satanás usa a mesma artimanha ao fazer com que sejam promulgadas leis iníquas contra Deus e a humanidade.
    Num dia, sodomitas pedem leis que protejam seus “direitos” à depravação e vemos até Bispos promovendo sínodos em defesa dessas leis iníquas usando como desculpa a “misericórdia”. Assim que tais leis são aprovadas, elas são usadas como açoite contra os que dissentem. Os próprios cristãos que num dia defendiam o “direito” dos sodomitas, no dia seguinte são oprimidos e têm seus direitos cerceados por essas mesmas leis.
    Estamos assistindo ao vivo e a cores a demolição dos pilares da Igreja. Como foi dito pelo Professor Roberto de Mattei em outro artigo: “A ruptura do Papa Francisco com o passado é de ordem linguística, mais do que doutrinária”.
    Mas é preciso que se ressalte que, “No princípio era o Verbo; e Verbo estava com Deus; e o Verbo era Deus. … Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. Tudo Foi criado pela “ordem linguística” de Deus, pela Palavra de Deus, Pelo Verbo de Deus.
    E na mesma ordem, tudo que foi criado pela Palavra de Deus, agora está sendo destruído pela palavra do homem que ao invés do sim, sim, não, não, prefere usar a palavra dúbia proveniente do Maligno ou a estratégia dos fariseus que é aquela de dizer uma coisa e fazer o seu contrário.
    Como eu disse ao Padre Pfluger, eu falo como ovelha e não como pastor. Podem até me arrastar ao matadouro, mas irei berrando, esperneando e alertando às outras ovelhas que tem mercenário no redil: fujam dele se quiserem salvar suas vidas.

    • Que também acho ser algo estranho focar demais em misericordia, sem quase nunca falar em justiça, parecendo separadas. Assim, por insistir demais numa só e cito aqui o que li nesse site e copiei de S Thomaz: A justiça e a misericordia estão tão unidas que uma sustenta a outra; a justiça sem misericordia é crueldade; e a misericordia sem justiça é ruína e destruição”.

  14. Fico perplexo com a adulação meliflua de pessoas q se referem a Bergoglio, o baluarte do foicefixo e da manipulação doutrinal, como se as condições que o catapultaram à Santa Se fossem perfeitamente regulares e canônicas. Se o Prefeito da Casa Pontifícia designa de “máfia” ao grupo de péssimos elementos que o elegeram – coisa absolutamente inaudita para os modos curiais é romanos – é de se pensar que a situação é mais que nebulosa e demandando pudor quando da proclamação de títulos sonoros que não aplicam aos hereges, cismáticos e opressores da verdade e dos filhos de Deus.