Vaticano apresentará novo documento sobre carisma e hierarquia.

Cidade do Vaticano (RV) – Um novo documento da Congregação para a Doutrina da Fé, a carta “Iuvenescit Ecclesia” aos bispos da Igreja católica, “sobre a relação entre dons hierárquicos e carismáticos na vida e na missão da Igreja”, será publicado terça-feira (14/06) e apresentado em coletiva de imprensa no Vaticano.

Os Cardeais Gerhard Ludwig Mueller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos; Mons. Piero Coda, membro da Comissão Teológica Internacional e Maria del Carmen Aparicio Valls, docente na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Gregoriana.

A carta “Iuvenescit Ecclesia” (A Igreja se rejuvenesce) estará sob embargo até 12h da data da apresentação, e será publicada em italiano, francês, inglês, alemão, espanhol e português.

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6 Comentários to “Vaticano apresentará novo documento sobre carisma e hierarquia.”

  1. Igreja: Carisma e Poder. Esse vai ser o documento.

  2. Estava precisando mesmo de um documento “sobre a relação entre dons hierárquicos e carismáticos na vida e na missão da Igreja”. Agora fica uma dúvida: qual será o viés ou o ponto de vista adotado para lidar com o problema? Será que vai reforçar ainda mais o autoritarismo da hierarquia ou será que vai ficar mais ou menos do mesmo jeito que já está?
    Penso que a RCC é a maior visada, embora os dons carismáticos não se restrinjam a ela. Talvez o documento beneficie mais a RCC onde ela não é bem acolhida ou onde ela é reprimida. Penso que essa questão da relação entre hierarquia e dons carismáticos seja muito atual, porque em alguns lugares a RCC tem total liberdade e em outros ela é fortemente reprimida pela hierarquia. Penso que a Renovação Carismática possa fazer um grande bem aos fieis, mas deve ser purificada de coisas estranhas. Cito um exemplo. Uma vez eu estava conversando com um carismático e ele me disse que em um encontro de oração da RCC, a senhora que ministrava o encontro, disse a ele, que era ainda jovem ou adolescente, que se colocasse diante de um senhor que estava no encontro e beijasse o seu pé, pedindo perdão a ele como se fosse o seu pai (o pai do jovem), porque esse jovem tinha causado um desgosto ao seu pai. Ele me disse que fez isso e que, depois disso, o seu pai verdadeiro o perdoou. E isso não é uma prática isolada. Uma vez eu estava passando perto de uma igreja onde estava tendo um encontro carismático e a senhora que ministrava o encontro pediu que as mães presentes no encontro se colocassem diante dos jovens que estavam lá e os perdoassem como se fossem seus filhos. E em outro encontro, o jovem que dirigia as orações pediu que os participantes pedissem perdão a um sacerdote como se ele estivesse presente (na verdade ele estava ausente). Penso que questões ou práticas como essas devem ser tratadas. Espero que o documento fale alguma coisa essas questões relacionadas a certas práticas estranhas da RCC. Se não forem abordadas nesse novo documento, seria bom que fossem abordadas, talvez em um outro documento, que tratasse do que pode ser considerado religiosidade sadia e o que deveria ser retirado da RCC, mas não com uma abordagem legalista ou autoritária com com um viés mais teológico e místico. Finalmente, gostaria de deixar claro que faço essas críticas a RCC não para negá-la, mas para que ela possa se purificar de coisas estranhas.

  3. Será que esse documento vai abordar também a questão das missas de cura e libertação e dos exorcismos? Por que mesmo tendo o Cardeal Ratzinger abordado essas questões em um Instrução do ano de 2000, parece que tal instrução não foi levada muito a sério. É aquele problema de alguns bispos darem total liberdade a RCC e outros a reprimirem ferrenhamente. Não seria necessário que a questão das missas de cura e libertação e do exorcismo voltasse a ser abordada e aprofundada?

  4. Como foi noticiado o documento foi publicado hoje. (14-06-2016)
    No site do Vaticano, até agora ele se encontra em italiano, francês, espanhol e alemão. Em português, ele foi publicado nesse outro endereço:

    https://www.rs21.com.br/noticias/iuvenescit-ecclesia-documento-na-integra/

    A Agência Ecclesia publicou um artigo sobre esse novo documento, o qual diz:
    ” D. Gerhard Müller frisou ainda a importância de uma relação entre “a hierarquia” católica e os vários “carismas” que contribua para “um renovado impulso missionário” e para “uma conversão pastoral” da Igreja que “continuamente” tem sido defendida pelo Papa Francisco.

    “Não é lícito contrapor a uma ‘Igreja do Espírito’ uma ‘Igreja Institucional’, porque os dons hierárquicos e carismáticos estão sempre implicados um no outro”, concluiu o cardeal alemão. ”

    Ainda não li o documento, mas por essas palavras do Cardeal Müller, parece que o documento será favorável aos portadores de dons carismáticos, o que é bom!

  5. Terminei de ler esse documento hoje.Pensei que iria abordar várias questões pastorais, mas foi essencialmente teológico. Nesse aspecto, fiquei um pouco decepcionado. Poderia ter dado mais incentivo aos dons carismáticos. Mas o documento teologicamente falando é muito interessante. Achei também que reforçou demais a autoridade eclesiástica. Ao meu ver não havia necessidade disso, pois já há um grande autoritarismo na Igreja.

    A Rádio Vaticano publicou alguns artigos sobre esse novo documentos. Entre eles:
    http://br.radiovaticana.va/news/2016/06/14/card_m%C3%BCller_fundamental_sinergia_movimentos-institui%C3%A7%C3%B5es/1237198

  6. O documento não abordou a questão das missas de cura e libertação nem dos exorcismos, mas disse algo muito interessante em relação a esses assuntos:
    “O exercício de carismas vistosos (profecias, exorcismos, milagres) infelizmente pode coexistir com a ausência de uma relação autêntica com o Senhor.” Cf. nº 5. Ou seja, não é porque uma pessoa faz profecias, exorcismos e até mesmo milagres que ela é necessariamente santa.