Lutero: reformador?…

Por Pe. Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Textos e comentários extraídos do livro “A Igreja, a Reforma e a Civilização”, livro escrito pelo célebre, seguro e erudito Padre Leonel Franca, S. J.

“Não é meu intuito humilhar aqui os protestantes. Quisera tão somente iluminá-los. Verdades que amargam são muitas vezes verdades que salvam.

LuteroLutero inaugura a sua missão com o gravíssimo pecado do sacrilégio e da apostasia. Jovem, era livre. Um dia, enamorado do ideal evangélico de perfeição, desejoso de seguir de perto a Cristo, estende espontaneamente a mão sobre o altar e pronuncia os votos religiosos de pobreza, obediência e castidade. Passam os anos (dois). Raia o dia do seu sacerdócio. Ainda uma vez, quando o crisma sagrado lhe ungia as mãos, o neo-levita renova a consagração do religioso. Mais tarde, que faz Lutero de todas estas promessas firmadas com a santidade inviolável do juramento? Quebra a fé empenhada, rasga os seus compromissos, atira o burel do religioso às urtigas e enxovalha a candura da estola sacerdotal no lodo de um casamento duplamente sacrílego!

O orgulho fizera o fedífrago, o orgulho cegou o doutor. Na sua autossuficiência, dir-se-ia que esqueceu não só a humildade evangélica, mas as reservas da modéstia mais elementar. Até ao aparecimento do seu Evangelho, ninguém soubera quem era Cristo, que eram sacramentos, que era a fé, quem era Deus e a sua Igreja. Os Santos Padres, os Apóstolos, os Concílios, a Igreja toda errou! Sua doutrina é a única verdadeira. “Muito embora, escreve Lutero, a Igreja, Agostinho e os outros doutores, Pedro e Apolo e até um anjo do céu ensinem o contrário, minha doutrina é tal que só ela engrandece a graça e a glória de Deus e condena a justiça de todos os homens na sua sabedoria”. (Cf. Weimar, XL, 1 Abt., 132). Que demência de soberba!

Mais ao vivo ainda se revela o frenesi desta inteligência decaída, nestas palavras que não têm semelhantes nos fastos do despotismo e do orgulho humano: “Quem não crê como eu, escreve Lutero, é destinado ao inferno. Minha doutrina e a doutrina de Deus são a mesma coisa. Meu juízo é o juízo de Deus”. (Cf. Weimar, X, 2 Abt., 107). “Tenho certeza que meus dogmas vêem do céu… eles hão de prevalecer e o Papa há de cair a despeito de todas a portas do inferno, a despeito de todos os poderes dos ares, da terra e do mar” (Cf. Weimar, X, 2 Abt., 184). “Não devemos ceder aos ímpios papistas… Nossa soberba contra o Papa é necessária… Não havemos de ceder nem a todos os anjos do céu, nem a Pedro, nem a Paulo, nem a cem imperadores, nem a mil papas, nem a todo o mundo… a ninguém, “cedo nulli”. (Cf. Weimar, XV, 1Abt., 180-1). “Este Lutero nos vos parece um homem extravagante? Quanto a mim penso que ele é Deus. Senão, como teriam os seus escritos e o seu nome a potência de transformar mendigos em senhores, asnos em doutores, falsários em santos, lodo em pérolas”. (Cf. Ed. Wittemb. 1551, t. IV, pág. 378). Orgia de orgulho satânico ou caso de patologia mental?

Não é, pois, de maravilhar que este homem assim enfatuado de sua ciência, depois de haver negado a infalibilidade do Papa e proclamado a liberdade de exame para legitimar os próprios excessos, se tenha arvorado em cátedra inerrante de fé, constrangendo os seus sequazes a curvarem submissos a fronte ante os arestos inapeláveis de suas decisões infalíveis. Não houve tirania mais insuportável nem arrogância mais impetuosa que a deste pregador do livre exame. Todos os seus correligionários gemem sob o peso de seu jugo de ferro. Münzer dizia: “há dois papas: o de Roma e Lutero, e esse mais duro”. Ao seu confidente Bulinger escrevia Calvino: “já não é possível suportar os arrebatamentos de Lutero; cega-o a tal extremo o amor próprio que não vê os próprios defeitos nem tolera que o contradigam”; e a Melanchton dizia Calvino: “com que impetuosidade fulmina o vosso Pericles! Singular exemplo deixamos à posteridade quando preferimos abrir mão de nossa liberdade a irritar com a menor ofensa um homem só! Dizem que é de gênio arrebatado, de movimentos impetuosos, como se esta violência não se exaltasse com lhe comprazerem os outros em tudo. Ousemos ao menos soltar um gemido livre”. (Calvini Opera, XII, 99). “Vivo na escravidão, como no antro de Cyclope”, murmura por sua vez Melanchton. (Bossuet, Hist, des variations, 1. 5, n. 15 e16). Contra Carlostadt, seu antigo mestre, que em tirar as conclusões da nova doutrina foi além do que pretendia o reformador, obteve o decreto de expulsão da Saxônia e não o readmitiu senão com a promessa de “não defender em público, por palavra ou por escrito, suas opiniões contrárias às de Lutero”. (Weimar, XVIII, 86 sgs). A Münzer, por motivo análogo, cassou a liberdade de palavra apesar do “verbum Dei non est alligatum”, que ele tantas vezes invocara contra a Igreja Católica. Assim entendia Lutero o livre exame!

Ao ver esta prepotência com que o chefe da Reforma impunha despoticamente as suas opiniões, crê toda a gente sensata que nada mais firme, nada mais assentado e maduramente refletido que a nova doutrina. Erro. O inculcado emissário divino que modestamente se prefere a todos os doutores do céu e da terra, que blasona de inspirado do Espírito Santo, que recebeu “os seus dogmas do céu”, hesita, retrata-se, contradiz-se, assenta e destrói dogmas pelos motivos mais fúteis, muda de opinião como um ator de roupa.

NB.: Entre os inúmeros exemplos apresentados pelo Padre Leonel Franca, cingir-me-ei apenas a alguns, para não cansar meus caríssimos leitores.

“Quanto à origem e legitimidade de sua missão, em pouco mais de 15 anos, Lutero mudou pelo menos 14 vezes de parecer. (Cf. Döllinger, Die Reformation, III, 205 ss.)

Em 1519, Lutero escreve: “Confesso plenamente o supremo poder da Igreja Romana; fora de Jesus Cristo, Senhor Nosso, nada no céu e na terra se lhe deve preferir”. (Cf. De Wette, I, 234). “Esta Igreja é a predileta de Deus; não pode haver razão alguma, por mais grave, que autorize a quem quer que seja a apartar-se dela e, com o cisma, separar-se da sua unidade”. (Cf. Weimar, II, 72.). Em 1520, na sua Epístola Luterana tece os mais rasgados encômios a Leão X, louva-lhe a vida intemerata superior a qualquer ataque. (De Wette, I, 498). Nesse mesmo ano já, Leão X é o Anticristo e a igreja romana “uma licenciosa espelunca de ladrões, o mais impudente dos lupanares, o reino do pecado, da morte e do inferno” ( De Wette, I, 498).

… Em 1523 escrevia: “Se acontecesse que um, dois, mil ou mais concílios decidissem que os eclesiásticos pudessem contrair matrimônio, preferiria, confiado na graça de Deus, perdoar a quem, por toda a vida, tivesse uma, duas ou três meretrizes, do que, consoante à decisão conciliar, tomasse mulher legítima e sem tal decisão não a pudesse tomar”. (Cf. Weimar, XII, 237).

A obra do autor mais citado pelo Padre Leonel Franca é: “D. Martin Luthers, Werke. Kritische Gesmtausgabe, 1883 ss. Desta Edição crítica, que até 1914 contava 50 volumes, é que o Pe. Leonel Franca mais freqüentemente se serviu.

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9 Comentários to “Lutero: reformador?…”

  1. A Santa Igreja Católica Apostólica Romana vive hoje uma nova reforma protestante, me doí ver isso acontecer, mais hoje a maioria dos Padre, Bispos, Cardeais são os novos Martinho Lutero só que de batina, ou sem ela, como queiram…

  2. Como leigos e distantes fisicamente de Roma, podemos especular a vontade o que diz o Papa Francisco, podemos ficar perplexos e conjecturar o que for, tentar justificar, aguardar o Pe Lombardi vir salvar a situação, quando não piorar, podemos pegar os textos e fazer aqueles exercícios comparativos com o que a imprensa destaca, de propósito por sinal, etc..Podemos fazer o que for para bolar um jeito de sair da situação vergonhosa em ficam os católicos. Mas uma coisa é certíssima: esse Papa quer agradar ao mundo. E se Deus permite que ele continue é porque algo de bom há de vir. Provavelmente através de muito sofrimento de alguns, talvez do próprio Papa, porque o senhor desse mundo é muito exigente. Não sei se não chegamos ao fundo do poço. O que mais falta?

  3. O revolucionario Lutero parece que teria endurecido o coração por ceder a suas paixões, a ponto de perder a humildade de se submeter à fé católica, praticamente deixado a seus devaneios, resultando em seus múltis disparates doutrinarios como apresentados!
    Lutero jamais foi um reformador, pois desse tipo de ação obtêem-se resultados favoraveis, como fizeram muitos santos no decorrer da vida da Igreja, contrastando-se com a sua rebeldia contra os erros de certos membros dela, pois seus ataques foram assestados contra a essencia da doutrina, portanto agiu como um potencial conspirador!
    “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento”. Pro 3,5.
    Se ele soubesse que de invencionice doutrinaria redundaria em dezenas de milhares de seitas interindependentes, portanto relativistas, talvez delimitasse qual a “igreja” verdadeira e vetasse as vias para as facções, pois seus súditos hoje estão em dezenas e milhares de denominações, combatendo-se mutuamente e cada uma delas querendo ser mais ortodoxa que a outra!
    O termo protestante, pelo qual ficaram conhecidos seus seguidores, além de excomungados pelo Concilio de Trento, mantêm-se excluídos da Igreja por preferirem o livre arbitrio e a sola scriptura – as seitas não possuem tradição nem magisterio definido, o qual fica a criterio de cada fundador da seita – além de ousadamente se manterem no assedio com ferocidade contra a Igreja, tendo em vista o constante esforço que fazem para levar os incautos católicos para suas hostes!
    No que tange à aceitação da doutrina da Igreja foram e têm sido nossos desafetos irredutíveis!
    Quem ousa tocar no depósito da fé, caso do temerario Lutero, coloca-se como desafiante ao Legislador Divino, Jesus Cristo, portando O contestando!
    “Nosso empenho é contra aqueles que, deixando de reconhecer a Deus como Autor de suas capacidades, professaram-se sábios; gloriando-se não em Deus, mas em si mesmos, como se tivessem atingido o conhecimento da Verdade através dos esforços do seu próprio raciocínio.”
    São Próspero de Aquitânia – Chamado às Nações, IV, vs. 17-20.

  4. Se o porco saxão merece rehabilitação, deixar Judas de fora é injusta discriminação:

    18 febbraio 1546 morte suicida dell’eretico Martino Lutero ‘Porcus Saxoniae’

    «Martin Lutero, la sera prima della sua morte, si lasciò vincere dalla sua abituale intemperanza e con tale eccesso che noi fummo obbligati a portarlo via, del tutto ubriaco, e coricarlo nel suo letto. Poi, ci ritirammo nella nostra camera, senza nulla presagire di spiacevole! All’indomani, noi ritornammo presso il nostro padrone per aiutarlo a vestirsi, come d’uso. Allora – oh, quale dolore! – noi vedemmo il nostro padrone Martino appeso al letto e strangolato miseramente! Aveva la bocca contorta, la parte destra del volto nera, il collo rosso e deforme. Di fronte a questo orrendo spettacolo, fummo presi tutti da un
    grande timore! Non di meno corremmo, senza alcun ritardo, dai prìncipi, suoi convitati della vigilia, ad annunziare loro quell’esecrabile fine di Lutero! Costoro, colpiti dal terrore come noi, ci impegnarono subito, con mille promesse e coi più solenni giuramenti, ad osservare, su quell’avvenimento, un silenzio eterno, e che nulla di nulla fosse fatto trapelare. Poi, ci ordinarono di staccare dal capestro l’orribile cadavere di Lutero, di metterlo sul suo letto e di divulgare, dopo, in mezzo al popolo, che il “maestro Lutero” aveva improvvisamente abbandonata questa vita»!

    Racconto della morte suicida del Porco Sassone fatta dal suo domestico
    Kudtfeld e riportata dal francescano Enrico Sedulius in ‘Praescriptiones adversus haereses’.

    TRADUÇÃO: 18 de fevereiro de 1546 a morte de suicídio do herege Martinho Lutero ‘Porcus Saxoniae’

    “Martinho Lutero, na noite anterior à sua morte, se deixou vencer pela sua intemperança habitual e com tal excesso que fomos obrigados a levá-lo embora, completamente bêbado e deitá-lo em sua cama. Depois nos retiramos para os nossos aposentos, sem pressentir nada de desagradável! No dia seguinte pela manhã, quando retornamos pra ver nosso patrão e para ajudá-lo a vestir-se, como de costume, então que dor! Vimos o nosso patrão Martinho pendurado encima da cama e estrangulado miseravelmente! Ele tinha a boca contorcida, a parte direita do rosto negro, o pescoço vermelho e deformado. De frente a este horrível espetáculo, ficamos todos tomados por um grande temor!
    Não para menos corremos sem demora aos príncipes, seus convidados do dia anterior para anunciar-lhes aquele fim execrável que teve Lutero! Eles então, tomados pelo terror como nós, nos instaram imediatamente, com mil promessas e sob juramentos mais solenes para que observássemos sobre aquele incidente, um silêncio eterno, e que por nada o deixássemos vazar. Em seguida, eles nos ordenaram descer da forca o horrível cadáver de Lutero, colocá-lo sobre o leito e só depois divulgar em meio ao povo que o “mestre Lutero” subitamente havia abandonado esta vida “!

    Relato da morte suicida do Porco Saxão feita por Kudtfeld empregado da casa de Lutero e documentado pelo franciscano Henry Sedulius em ‘Praescriptiones Contra as heresias “.

  5. Esse é o “santo” que será celebrado ecumênicamente ano que vem… Imaculado Coração de Maria, sede nossa tábua de salvação!

  6. “Jovem, era livre. Um dia, enamorado do ideal evangélico de perfeição, desejoso de seguir de perto a Cristo, estende espontaneamente a mão sobre o altar e pronuncia os votos religiosos de pobreza, obediência e castidade.”

    Pe. Franca certamente desconhecia a fonte que afirma ter sido a consagração religiosa de Lutero fruto de uma promessa que ele se constrangeu a fazer após ser atingido por um raio. Muita liberdade…

  7. Hoje a hierarquia conciliar louva a todos os inimigos da fé. Agora vá comungar de joelhos, as moças ainda com o véu, para vocês verem o que acontece. E ainda tem quemuito afirme que o Vaticano II foi mal interpretado… doce ilusão!

  8. Já estamos vacinados ok? Não nos espantemos quando Bergoglio disser que os cristãos têm que pedir perdão aos protestantes pela falta de misericórdia com o pobre Lutero. Mas enfim, ao ser questionado pela imprensa, Kasper afirmou que Bergoglio era um reformador, por esta razão ele se identifica com Lutero.
    Pelas histórias contadas aqui e que também ouvimos em outros lugares vemos que Lutero não foi um reformador mas um deformador da fé. Se rebelou contra a Igreja, saiu chutando tudo e todos, mas não foi capaz de corrigir a si próprio em seu orgulho. Conclusão: causou tamanho dano na Igreja e a sociedade e morreu no fosso que ele mesmo cavou.
    Em vez de Francisco de Assis ser uma referência com sua humildade, amor a Cristo, a Igreja e aos irmãos, a referência de Bergoglio é Lutero com o orgulho, a rebeldia, o ódio a Lei e a disciplina (non servian). Lá no início da história alguém também foi precipitado do céu com seu orgulho. Acho que Bergoglio e seus companheiros progressistas pegaram o caminho errado. O final já podemos imaginar.

  9. Amigos, salve Maria.

    “(…) a mais criminosa de todas as detrações é a praticada por aqueles que desfazem na doutrina católica e nos seus pregadores. Pecado análogo cometem os que louvam e exaltam os mestres de doutrinas viciosas e errôneas” (III Parte do Catecismo Romano, Cap. IX: Dos Mandamentos – 8º mandamento, Par. 9 – pág. 466 –Editora Permanência).

    Abraços a todos,

    Sandro de Pontes