Grupo de intelectuais católicos apelam ao Papa para repudiar ‘erros’ em Amoris Laetitia.

Por Edward Pentin – National Catholic Register, 11 de julho de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Um grupo de estudiosos católicos, prelados e clérigos enviou um apelo ao Colégio dos Cardeais pedindo que eles solicitem do Papa Francisco um “repúdio” ao que eles vêem como “proposições errôneas” contidas na Amoris Laetitia.

Em um comunicado divulgado hoje, os 45 signatários do apelo dizem que Amoris Laetitia – o documento pós-sinodal do Papa (documento de síntese) sobre o recente Sínodo sobre a Família, que foi publicado em abril – contém “uma série de declarações que podem ser entendidas num sentido contrário à fé católica e à moral”.

O documento de 13 páginas, traduzido em seis idiomas e enviado ao cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio dos Cardeais, bem como 218 cardeais e patriarcas individuais, cita 19 passagens na exortação que “parecem entrar em conflito com doutrinas católicas”.

Os signatários – descritos como prelados católicos, estudiosos, professores, autores e clérigos de várias universidades pontifícias, seminários, faculdades, institutos teológicos, ordens religiosas e dioceses de todo o mundo – então prosseguem com uma lista de “censuras teológicas aplicáveis especificando a natureza e grau dos erros” contidos na Amoris Laetitia.

Uma censura teológica é um juízo sobre uma proposição concernente à fé católica ou a moral como contrária à fé ou no mínimo duvidosa.

A declaração diz que aqueles que assinaram o apelo fizeram a solicitação ao Colégio dos Cardeais, na sua qualidade de conselheiros oficiais do Papa,  para que “se aproximem do Santo Padre com um pedido: que ele repudie os erros listados no documento de forma definitiva e final, e afirme com autoridade que Amoris Laetitia não requer que se creia em qualquer um desses itens, ou que sejam considerados como possivelmente verdadeiros”.

“Nós não estamos acusando o Papa de heresia”, disse Joseph Shaw, um dos signatários do apelo e que também está atuando como porta-voz para os demais autores, “mas consideramos que numerosas proposições da Amoris Laetitia podem ser interpretadas como heréticas se fazemos uma leitura natural do texto. Declarações adicionais cairiam no campo de outras censuras teológicas estabelecidas, como escandalosas, errôneas em matéria de fé e ambíguas, entre outras”.

Tal é o clima em grande parte da Igreja de hoje, que um dos principais organizadores do apelo disse ao Register que a maioria dos signatários prefere permanecer anônimos porque “temem represálias, ou estão preocupados com repercussões em sua comunidade religiosa, ou têm uma carreira acadêmica e uma família e temem que possam perder os seus empregos”.

Entre os problemas citados na exortação, os signatários acreditam que Amoris Laetitia “mina” o ensinamento da Igreja sobre a admissão dos católicos divorciados e recasados civilmente aos sacramentos. Eles também acreditam que ela contradiz o ensinamento da Igreja de que todos os mandamentos podem ser obedecidos, com a graça de Deus, e que certos atos são sempre errados.

Shaw, um acadêmico da Universidade de Oxford, disse que os signatários esperam que, “ao buscar do nosso Santo Padre um repúdio definitivo desses erros, nós podemos ajudar a dissipar a confusão já provocada pela Amoris Laetitia entre os pastores e os fiéis leigos”.

Essa confusão, ele acrescentou, “pode ser dissipada eficazmente apenas por uma afirmação inequívoca do autêntico ensinamento católico pelo Sucessor de Pedro”.

Várias interpretações e críticas a Amoris Laetitia se seguiram à sua publicação. Em particular, cardeais têm debatido se o documento é magistério ou não.

O Cardeal Christoph Schönborn, que apresentou o documento em abril, acredita firmemente que é, ao dizer à Civilta Cattolica na semana passada que “não faltam passagens na Exortação que afirmam fortemente o seu valor doutrinário e de forma decisiva.”

O Cardeal Raymond Burke, no entanto, acredita que o documento contém passagens que não estão em conformidade com os ensinamentos da Igreja e é, portanto, não magisterial, algo que o Papa Francisco “deixa claro” no texto.

Na semana passada, o arcebispo Charles Chaput, da Filadélfia emitiu orientações pastorais para a implementação da Amoris Laetitia em que ele esclareceu passagens na exortação que parecem ambíguas no cuidado pelas almas dos católicos que vivem em situações difíceis ou objetivamente pecaminosas. Dom Chaput fez parte da delegação americana de padres sinodais no Sínodo sobre a Família em outubro passado.

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14 Comentários to “Grupo de intelectuais católicos apelam ao Papa para repudiar ‘erros’ em Amoris Laetitia.”

  1. Incluem-se nesses postulantes de revisão e/ou retífica do texto o grande bispo D Athanasius Schneider e mais outros signatarios que representam a totalidade dos conservadores da Doutrina Tradicional da Igreja, inconformados com tantas ambiguidades e dúvidas que se suscitariam de certos trechos, possivelmente conduziriam ao relativismo, equiparando a Igreja às seitas protestantes onde tudo pode, dependendo da mentalidade de cada “fiel”!
    O que mais me tem deixado impressionado é que até agora, à exceção dos bispos discordantes nossos conhecidos do exterior – aqui, ao que parece, apenas ostensivo D Aldo Pagotto, recém demitido via calunia de golpistas esquerdistas na Arquidiocese de João Pessoas e mais de fora – como os bispos e cardeais africanos!
    Aliás, daqui nenhuma mínima restrição me deparei até contra tudo que diz o papa Francisco, proveniente de bispos, varios sacerdotes; muito ao inverso, existe uma aprovação total e absoluta do que fala sempre o recordando nas homilias de forma muito entusiasta!
    Quando veio ao Brasil na JMJ, comecei a ficar algo entristecido por silenciar nas condenações às ideologias como procedera o saudoso emérito Bento XVI, que não deixou de fazer admoestações, foi até hostilizado por certos grupos abortistas, por nunca ter contemporizado com os relativistas!
    Será que aceitaria rever o texto, e ainda se D Schöenborn substituir a D Müller?

  2. O medo que os manifestantes expressam da represália dos arautos da misericórdia, da cultura do encontro, do respeito às diferenças, do diálogo e da tolerância a ponto de optar pelo anonimato, revela as contradições próprias do contexto atual.
    Há alguns dias atrás os constituintes católicos da Costa Rica pediram pronunciamento do papa para que o aborto não fosse aprovado naquele país.
    Vários Papas já lutaram em defesa da Igreja, da família e dos valores cristãos. Mais um papa para tratar dos mesmos assuntos é obsessão. O foco do atual pontífice são os gays, recasados, protestantes e refugiados. Recordemos as palavras de Francisco na entrevista dias atrás: “eles fazem o trabalho deles e eu faço o meu”.
    É um ato profético denunciar dos desvios cometidos em relação a verdadeira doutrina venha de quem vier, mas a essa altura dos acontecimentos esperar que Francisco corrija as deformações do engenhoso Amoris Laetitia, é ingenuidade.

  3. Esse apelo já tem destino certo: o cesto de lixo do Papa Francisco…

  4. Aff…ingenuidade tem limite!

  5. Sem nenhum futuro.

  6. Francisco voltar atrás do que escreveu muito bem pensado? É mais fácil o mar secar e a lua perder o seu clarão.

  7. Vejamos o que diz o Catecismo da Igreja Católica, o Catecismo pós-Conciliar:

    “O objeto da escolha por si só pode viciar o conjunto de determinado agir. Existem comportamentos concretos – como a fornicação – cuja escolha é sempre errônea, pois escolhê-los significa uma desordem da vontade, isto é, um mal moral.” (n. 1755).

    “É errado, pois, julgar a moralidade dos atos humanos considerando só a intenção que os inspira ou as circunstâncias (meio ambiente, pressão social, constrangimento ou necessidade de agir etc) que compõem o quadro. Existem atos que por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos, em virtude de seu objeto: a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério. Não é permitido praticar um mal para que dele resulte um bem.” (n. 1756).

    Conclusão 1: O Catecismo amarrou a situação de tal forma que não deixou qualquer brecha para o que se pretendeu fazer por meio da Amoris Laetitia. Nota-se a maneira de falar do Catecismo e sua insistência.

    “O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper o contrato livremente consentido pelos esposos de viver um com o outro até a morte. O divórcio lesa a Aliança de salvação da qual o matrimônio sacramental é o sinal. O fato de contrair nova união, mesmo que reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura; o cônjuge recasado passa a encontrar-se em situação de adultério público e permanente” (n. 2384).

    “O ato sexual deve ocorrer exclusivamente no casamento; fora dele, é sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental.” (n. 2390).

    Conclusão 2: Mais uma vez o Catecismo não deixou brechas!!!

    A partir de agora farei algumas comparações. Peço que não sejam entendidas como apologia ao pecado, mas apenas como o Catecismo da Igreja Católica se manifestou para cada caso, prevendo possíveis atenuantes, excepcionalidades ou condicionantes:

    1- Sobre a masturbação:

    “Para formar um justo juízo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos e orientar a ação pastoral, dever-se-á levar em conta a imaturidade afetiva, a força dos hábitos contraídos, o estado de angústia ou outros fatores psíquicos ou sociais que minoram ou deixam mesmo extremamente atenuada a culpabilidade moral.” (n. 2352).

    2- Sobre a prostituição:

    “Se é sempre gravemente pecaminoso entregar-se à prostituição, a miséria, a chantagem e a pressão social podem atenuar a imputabilidade da falta.” (n. 2355).

    3- Sobre a homossexualidade:

    “Um número não negligenciável de homens e mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta.” (n. 2358).

    “As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.” (n. 2359).

    4- Sobre a luxúria, a fornicação, a pornografia e o estupro:

    O Catecismo da Igreja Católica não prevê qualquer atenuante, excepcionalidade ou não imputabilidade para estes tipos de pecado, conforme os nn. 2351, 2353, 2354 e 2356, respectivamente.

    “O prazer sexual é moralmente desordenado quando é buscado por si mesmo” (n. 2351).

    “A fornicação é a união carnal fora do casamento entre um homem e uma mulher livres. É gravemente contrária à dignidade das pessoas e da sexualidade humana… Além disso, é um escândalo grave quando há corrupção de jovens.” (n. 2353).

    “A pornografia… Ela ofende a castidade porque desnatura o ato conjugal, doação íntima dos esposos entre si. Atenta gravemente contra a dignidade daqueles que a praticam (atores, comerciantes, público), porque cada um se torna para o outro objeto de um prazer rudimentar… As autoridades civis devem impedir a produção e a distribuição de materiais pornográficos.” (n. 2354).

    “O estupro… É sempre um ato intrinsecamente mau.” (n. 2356).

    Conclusão Geral: Há pecados graves para os quais a dogmática católica e a Lei Natural não preveem qualquer atenuante.

    O Catecismo da Igreja Católica prever isto e não admite de forma alguma atenuante para certos tipos de pecado, inclusive para o que se pretendeu fazer por meio da Amoris Laetitia.

    Porém, o Cardeal Christoph Schönborn evidencia não concordar com isto. E prova de sua postura e comportamento é o seu catecismo, feito de acordo com seu entendimento, o Catecismo Jovem da Igreja Católica (You Cat) – verdadeiro escândalo!

    “Uma intenção boa (por exemplo, ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento desordenado em si mesmo (como a mentira e a maledicência).” (n. 1753).

    Volto a frisar:

    “É errado, pois, julgar a moralidade dos atos humanos considerando só a intenção que os inspira ou as circunstâncias (meio ambiente, pressão social, constrangimento ou necessidade de agir etc) que compõem o quadro. Existem atos que por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos, em virtude de seu objeto: a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério. Não é permitido praticar um mal para que dele resulte um bem.” (n. 1756).

    Att,

  8. “A propósito destes condicionamentos, o Catecismo da Igreja Católica exprime-se de maneira categórica: «A imputabilidade e responsabilidade dum acto podem ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência, o medo, os hábitos, as afeições desordenadas e outros factores psíquicos ou sociais».[343] E, noutro parágrafo, refere-se novamente às circunstâncias que atenuam a responsabilidade moral, nomeadamente «a imaturidade afectiva, a força de hábitos contraídos, o estado de angústia e outros fatores psíquicos ou sociais».[344] Por esta razão, um juízo negativo sobre uma situação objetiva não implica um juízo sobre a imputabilidade ou a culpabilidade da pessoa envolvida.[345] No contexto destas convicções, considero muito apropriado aquilo que muitos Padres sinodais quiseram sustentar: «Em determinadas circunstâncias, as pessoas encontram grandes dificuldades para agir de maneira diferente. (…) O discernimento pastoral, embora tendo em conta a consciência rectamente formada das pessoas, deve ocupar-se destas situações. As próprias consequências dos actos praticados não são necessariamente as mesmas em todos os casos».[346]” (Amoris Laetitia, n. 302)

    Neste número, o redator do documento deturpou e falsificou as citações do Catecismo da Igreja Católica, que não se referem aos divorciados recasados, mas sim a outros tipos de pecado.

    Isto é uma sabotagem dos ensinamentos do Catecismo da Igreja Católica. As citações que este número da Amoris Laetitia faz menção referem-se a outras realidades.

  9. Eu já entendi qual é a desse papa e me mantenho apenas com um tipo de contato com ele: rezando por sua salvação. Fora isso, ver tais atitudes por parte desses neoconservadores só mostra que, ou não sabem o que fazem, ou sabem muito bem, aí não tem do que reclamar. Esse papa foi colocado aí para nos afligir. Ele já deu o recado dele: ele não liga para doutrina. Só quer contentar as pessoas, o mundo atual. Insistir com essa excessiva confiança para com ele é loucura.

  10. Tentativas minhas anteriores, de fazer postagens aqui, foram infrutíferas, de uns dez meses ou mais para cá.
    Tento novamente. Tentei, e não ficou postado.Apareceu: detectado comentário repetido.Parece que você já disse isto. sim, TENTEI dizer. Mas não foi postado.Acho que é algum problema de software.Usei dois laptops diferentes para tentar postar no Fratres( como vinha fazendo, com sucesso, por ANOS), mas nada aparece, nem mesmo a informação de que meu texto está sob análise ou moderação.Vou clicar publicar comentário pela última vez, para ver se funciona.

  11. Segue o texto completo desse grupo de intelectuais católicos:

    http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/catequese/diversos/900-critica-exortacaoapostolica

    Entre os signatários está Roberto de Mattei… e o texto tem apoio de Dom Athanasius e do próprio Cardeal Burke.