Vaticano: queimando a língua em três dias.

Matéria do La Stampa de 23 de julho de 2016, apenas 3 dias antes do martírio do Padre Jacques Hamel. 

Declaração do Vaticano acusa políticos poloneses de espalhar medo contra os muçulmanos.

O porta-voz dos bispos salienta, no entanto, que a Igreja na Polônia acolheu refugiados enquanto o país se prepara para receber Francisco para o Dia Mundial da Juventude

Por Christopher Lamb, Cidade do Vaticano, La Stampa – 23 de julho de 2016| Tradução: FratresInUnum.com: Poucos dias antes a visita do papa Francisco à Polônia, uma declaração do Vaticano denunciava um “temor artificialmente criado contra os muçulmanos”, que estaria sendo alimentado por alguns partidos políticos no país.

O comunicado de imprensa, divulgado pela Santa Sé, mas escrito por um porta-voz dos Bispos poloneses, descreve a Polônia como “etnicamente homogênea” e que a imigração é um fenômeno relativamente novo, visto até como estranho para a pessoa média polonesa.

“Por esta razão, mesmo as estatísticas oficiais relativas a cidadãos estrangeiros residentes legalmente na Polônia mostram que eles representam apenas 0,4 por cento da população como um todo, existe um grande medo”,  escreveu Padre Pawel Rytel-Andrianik em um comunicado emitido apenas antes do início da Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, no qual ele ressaltou que era um resumo do debate na mídia da Polônia.

Esses receios, explica Pe Rytel-Andrianik, são devidos à falta de um debate público, procedimentos de imigração complicados e nenhum programa público para ensinar os poloneses sobre a diversidade de religião, raça e cultura.

Mas ele escreve: “Infelizmente, esses temores são alimentados por alguns partidos políticos e declarações inapropriadas feitas por alguns políticos. Existe um medo criado artificialmente contra os muçulmanos, que é compreensível em alguns aspectos (ataques terroristas). A Polônia faz fronteira com a Alemanha, que tem uma grande população muçulmana, e na fronteira eles não fazem controles regulares”.

A declaração segue louvando a generosidade da igreja polonesa em acolher refugiados do Oriente Médio e Norte da África, incluindo o aumento de 1,2 milhões de euros para ajudar e auxiliar 3.000 migrantes por ano. E acrescenta que os bispos poloneses fizeram um apelo para ajudar os refugiados antes que o Papa faça sua convocação do dia 06 de setembro para que cada paróquia e casa religiosa aceite uma família migrante.

O comunicado de imprensa, no entanto, será lido como uma tentativa de abordar as tensões entre a hierarquia polonesa e Francisco: este Papa fez da acolhida a imigrantes uma parte fundamental do seu pontificado e pediu aos líderes europeus para encontrar melhores formas de integrar os recém-chegados no continente .

Os bispos da Polônia são próximos do partido Lei e Justiça, governante do país, um  governo que se recusou a aceitar sua quota de migrantes estabelecida pela União Europeia – tensões sobre a questão são crescentes no país e há vários incidentes em que os requerentes de asilo foram atacados.

Mas, numa tentativa de trazer os bispos poloneses e o Papa para a mesma página sobre os migrantes, a declaração emitida no sábado incluía uma linha do arcebispo de Poznan, Stanislaw Gadecki, interpretando a política do Papa sobre os migrantes.

“Papa Francisco é a favor de uma política de integração, e não do multiculturalismo desejado por elementos de esquerda”. O arcebispo é citado como tendo dito isso em uma homilia pronunciada em 10 de julho.

A questão da acolhida aos migrantes é algo que o Papa poderia resolver endereçar durante sua visita à Polônia e durante uma vigília de oração em que ele vai participar em Cracóvia, no sábado, 30 de julho, onde também uma mulher síria está escalada para falar.

Este não é o único problema onde tem havido tensões entre Francisco e a hierarquia polonesa. Os bispos da Polônia se uniram coletivamente em oposição aos desenvolvimentos no ensinamento da Igreja que se seguiram aos dois Sínodos dos Bispos sobre a família.

E com Amoris Laetitia, seu documento divulgado na sequência destes encontros, o Papa abriu a possibilidade para os católicos divorciados e recasados receberem a comunhão. Por outro lado, muitos bispos poloneses permanecem leais a João Paulo II, que foi firme contra tal movimento.

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4 Comentários to “Vaticano: queimando a língua em três dias.”

  1. Texto curto e excelente:

    Maomé e islamismo segundo Santo Tomás de Aquino

    http://www.saopiov.org/2011/01/maome-e-islamismo-segundo-sao-tomas-de.html#ixzz4FchSpYHK

  2. Onde Francisco esteve durante a segunda guerra ? Espero queaPolônia se mantenha firme com suas portas FECHADAS !

  3. Espero que na Polônia tenha sacerdotes fieis a Deus que diga diante de Francisco não algumas, mais muitas verdades.

  4. Esta notícia mostra a grande preocupação do clero atual e mesmo da Polônia que é de autodemolição da Igreja e do que resta de Civilização Cristã no Ocidente.

    Eu espero da TFP polonesa algo mais do que uma “Filial Súplica” a Francisco. Espero que o clero polonês seja increpado, fustigado pela omissão e como no caso deste sacerdote a cumplicidade naquilo que é o desejo da maçonaria, de erguer das ruínas da cristandade o reino do demônio.