Surge carta do Papa dando a impressão de apoiar a Comunhão para divorciados recasados.

Por Steve Skojec, OnePeterFive, 9 de setembro de 2016 |  Tradução: FratresInUnum.comO site católico de língua espanhola InfoCatólica – que está sediado na Espanha, mas que também cobre assuntos da América Latina – publicou um documento dos bispos argentinos em resposta a Amoris Laetitia. Eles também publicaram uma carta correspondente atribuída ao Papa Francisco, na qual ele elogia o trabalho deles, dizendo (de acordo com a tradução levemente corrigida com a qual estamos trabalhando) que “a carta é muito boa e expressa plenamente o sentido do Capítulo VIII de Amoris Laetitia. Não há outras interpretações”.

E, ainda , os nºs 5 e 6 do documento dos bispos faz uma afirmação sobre a possibilidade de confissão e comunhão para os divorciados novamente casados que não estão vivendo em continência,  que é muito mais concreta do que o que é encontrado na própria exortação apostólica. Confira as seções em negrito (ênfase minha) abaixo:

1) Em primeiro lugar, recordamos que não convém falar em “permissão” para aceder aos sacramentos, mas sim um processo de discernimento acompanhado por um pastor. É um discernimento “pessoal e pastoral” (300).

2) Neste caminho, o pastor deveria enfatizar o anúncio fundamental, o kerygma, que estimule ou renove o encontro pessoal com Jesus Cristo vivo (cf. 58).

3) O acompanhamento pastoral é um exercício da “via caritatis”. É um convite a seguir “o caminho de Jesus, da misericórdia e de integração” (296). Este itinerário apela para a caridade pastoral do sacerdote que acolhe o penitente, ouve-o com atenção e mostra o rosto materno da Igreja, uma vez que aceita a sua boa intenção e seu bom propósito de colocar a vida inteira à luz do Evangelho e de praticar a caridade (cf. 306).

4) Este caminho, não termina necessariamente nos sacramentos, mas pode orientar-se para outros modos de se integrar mais na vida da Igreja: uma maior presença na comunidade, a participação em grupos de oração ou reflexão, o compromisso em diversos serviços eclesiais , etc. (Cf. 299).

5) Quando as circunstâncias específicas de um casal tornam isso possível, especialmente quando ambos são cristãos com uma jornada de fé, se pode propor o compromisso de viver em continência. Amoris Laetitia não ignora as dificuldades desta opção (ver nota 329) e deixa em aberto a possibilidade de acesso ao Sacramento da Reconciliação quando eles falharem nesse propósito (ver nota 364, de acordo com o ensinamento de João Paulo 11 ao Cardeal W . Baum, de 22/03/1996).
6) Em outras circunstâncias mais complexas, e quando eles não puderem obter uma declaração de nulidade, a opção acima mencionada pode não ser viável de fato. No entanto, é também possível um caminho de discernimento. Se vier a reconhecer que, num caso particular, há limitações que diminuem a responsabilidade e culpa (cf. 301-302), particularmente quando uma pessoa considerar que cairia em uma falta subsequente prejudicial aos filhos da nova união, Amoris Laetitia abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia (cf. notas 336 e 351). Estes, por sua vez, dispoem a pessoa a continuar a amadurecer e crescer com o poder da graça.

O texto completo [tradução de nossa valorosa Gercione Lima] do original em espanhol pode ser visto abaixo:

Critérios de base para a aplicação do capítulo VIII da Amoris Laetitia
Região Pastoral Buenos Aires 

Estimados sacerdotes:

Recebemos com alegria a exortação Amoris Laetitia, que nos chama acima de tudo a fazer crescer o amor dos esposos e a motivar os jovens a optar pelo casamento e a família. Esses são os grandes temas que nunca deveriam ser esquecidos ou ofuscados por outras questões. Francisco abriu várias portas na pastoral familiar e nós somos chamados a aproveitar este tempo de misericórdia, para assumir como Igreja.

Agora vamos nos deter somente no capítulo VIII, uma vez que se refere a “orientação do Bispo” (300), a fim de discernir sobre o possível acesso aos sacramentos por alguns “divorciados numa nova união”. Acreditamos ser conveniente, como bispos de uma mesma região pastoral, concordarmos em alguns critérios mínimos. Assim oferecemos, sem prejuízo para a autoridade que cada Bispo tem sobre sua própria diocese para esclarecê-los, complementá-los ou limitá-los.

1) Em primeiro lugar recordamos que não convém falar em “permissão” para aceder aos sacramentos, mas sim um processo de discernimento acompanhado por um pastor. É um discernimento “pessoal e pastoral” (300).

2) Neste caminho, o pastor deveria enfatizar o anúncio fundamental, o kerygma, que estimule ou renove o encontro pessoal com Jesus Cristo vivo (cf. 58).

3) O acompanhamento pastoral é um exercício da ‘via caritatis “. É um convite a seguir “o caminho de Jesus , o da misericórdia e de integração” (296). Este itinerário apela para a caridade pastoral do sacerdote que acolhe o penitente, o ouve com atenção e mostra o rosto materno da Igreja, uma vez que aceita a sua boa intenção e seu bom propósito de colocar a vida inteira à luz do Evangelho e de praticar a caridade (cf. 306).

4) Este caminho, não termina necessariamente nos sacramentos, mas pode orientar-se para outros modos de se integrar mais na vida da Igreja: uma maior presença na comunidade, a participação em grupos de oração ou reflexão, o compromisso em diversos serviços eclesiais , etc. (Cf. 299).

5) Quando as circunstâncias específicas de um casal tornam isso possível, especialmente quando ambos são cristãos com uma jornada de fé, se pode propor o compromisso de viver em continência. Amoris Laetitia não ignora as dificuldades desta opção (ver nota 329) e deixa em aberto a possibilidade de acesso ao Sacramento da Reconciliação quando eles falharem nesse propósito (ver nota 364, de acordo com o ensinamento de João Paulo 11 ao Cardeal W . Baum, de 22/03/1996).

6) Em outras circunstâncias mais complexas, e quando eles não puderem obter uma declaração de nulidade, a opção acima mencionada pode não ser viável de fato. No entanto, é também possível um caminho de discernimento. Se vier a reconhecer que, num caso particular, há limitações que diminuem a responsabilidade e culpa (cf. 301-302), particularmente quando uma pessoa considerar que cairia em uma falta subsequente prejudicial aos filhos da nova união, Amoris Laetitia abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia (cf. notas 336 e 351). Estes, por sua vez, dispoem a pessoa a continuar a amadurecer e crescer com o poder da graça.

7) Todavia há que se evitar entender esta possibilidade, como sendo um acesso irrestrito aos sacramentos, ou como se qualquer situação pudesse ser justificada. O que se propõe é um discernimento que distinga adequadamente cada caso. Por exemplo, um cuidado especial exige-se para  “uma nova união que vem de um recente divórcio” ou “a situação de alguém que tenha falhado repetidamente em seus compromissos familiares” (298). Além disso, quando há uma espécie de apologia ou ostentação da própria situação”, como se ela fosse parte do ideal cristão” (297). Nestes casos mais difíceis, os pastores devem acompanhar pacientemente à procura de um caminho de integração (cf. 297, 299).

8) É sempre importante orientar as pessoas a colocar a sua consciência diante de Deus, e para isso é útil o “exame de consciência”, proposto em Amoris Laetitia 300, especialmente no que diz respeito a “como eles têm se comportado com seus filhos” ou com relação ao cônjuge abandonado. Quando houver injustiças não resolvidas, o acesso aos sacramentos é particularmente escandaloso.

9) Pode ser conveniente que um eventual acesso aos sacramentos se realize de forma reservada, especialmente quando situações de conflito estão previstas. Mas ao mesmo tempo não há que deixar de acompanhar a comunidade para que cresça num espírito de compreensão e acolhida, sem que isso implique em criar confusão no ensinamento da Igreja sobre o matrimónio indissolúvel. A comunidade é um instrumento da misericórdia que é “imerecida, incondicional e gratuita” (297).

10) O discernimento não se fecha, porque “é dinâmico e deve permanecer sempre aberto a novas etapas de crescimento e novas decisões que permitam realizar o ideal de maneira mais plena ” (303), segundo a “lei da gradualidade” (295) e contando com a ajuda da graça.

Somos antes de tudo pastores. Por isso, queremos acolher estas palavras do Papa: “Convido os pastores a escutar com carinho e serenidade, com o sincero desejo de entrar no coração do drama das pessoas e compreender seu ponto de vista, para ajudá-los a viver melhor e reconhecer o seu próprio lugar na Igreja “(312).

Com afeto em Cristo.

Bispos da Região

05 de setembro de 2016
* * *

O texto completo da carta original Papa Francisco em espanhol – escrito em resposta a este documento – pode ser visto a seguir:

Carta do Papa Francisco em apoio aos critérios de aplicação do capítulo VIII da “Amoris Laetitia”

CIDADE DO VATICANO, 05 de setembro de 2016
Mons. Sergio Alfredo Fenoy
Delegado da Região Pastoral Buenos Aires
Querido irmão:

Eu recebi a carta da Região Pastoral Buenos Aires “critérios básicos para a aplicação do capítulo VIII da Amoris Laetitia”. Muito obrigado por tê-la me enviado e felicito-os pelo trabalho que executaram: um verdadeiro exemplo de acompanhamento para os sacerdotes … e todos nós sabemos como é necessário essa proximidade do bispo com o clero e do clero com o bispo. O próximo “mais próximo” do bispo é o sacerdote e o mandamento de amar o próximo como a si mesmo começa para nós bispos,  precisamente com os nossos sacerdotes.

A carta é muito boa e expressa plenamente o sentido do Capítulo VIII da Amoris Laetitia. Não há outras interpretações. E eu tenho certeza de que fará muito bem. Que o Senhor os recompense por esse esforço de caridade pastoral.

E é precisamente a caridade pastoral que nos move a sair ao encontro dos alijados e uma vez encontrados, iniciar um caminho de acolhida, acompanhamento, discernimento e integração na comunidade eclesial. Sabemos que isso é trabalhoso, se trata de uma pastoral “corpo a corpo” que não se satisfaz com mediações programadas, organizacionais ou legalistas, mas necessária. Simplesmente acolher, acompanhar, discernir, integrar. Destas quatro atitudes pastorais, a menos cultivada e praticada é o discernimento; e eu considero urgente a formação no discernimento, pessoal e comunitário, em nossos seminários e presbitérios.

Finalmente, gostaria de lembrar que Amoris Laetitia foi o fruto do trabalho e da oração de toda a Igreja, com a mediação de dois Sínodos e do Papa. Portanto, eu lhes recomendo uma catequese completa da Exortação que certamente vai ajudar no crescimento, consolidação e santidade da família.

Mais uma vez agradeço-lhe pelo trabalho realizado e incentivo-os a seguir em frente nas diversas comunidades da diocese, com o estudo e a catequese da Amoris Laetitia.

Por favor, não se esqueçam de rezar e rezar por mim.

Que Jesus os abençoe e a Virgem os cuide.

Fraternalmente

Francisco

O que nós não sabemos com certeza é se o Papa Francisco, de fato, escreveu e assinou esta carta. Ela está sendo atribuída a ele sem uma cópia fotografada do original. É improvável, todavia, que seja falsa, pois tem um estilo que parece ser autêntico, e este será o ponto de discórdia que será levantado por aqueles que preferem não acreditar que um Papa poderia endossar e promover sacrilégio.

Nós também carecemos de uma tradução dos originais em espanhol. [a tradução acima é exclusiva para o português, fornecida pela nossa colaboradora Gercione] (Um comentário francês sobre isso também surgiu, para aqueles que podem lê-lo.) É improvável que quando obtivermos um original isso vá mudar alguma coisa, mas muitas vezes há nuances sutis e expressões idiomáticas que podem de alguma forma alterar o significado. O veredito final terá que esperar até que possamos identificar um tradutor que decifre o texto. (Infelizmente, os nossos recursos são limitados a este respeito.)

No entanto, enquanto aguardamos a confirmação final, isso parece ser exatamente o que se parece: uma confirmação direta e afirmativa do próprio papa de que ele pretende permitir que aqueles que vivem em pecado grave e objetivo possam receber os sacramentos da confissão e comunhão sem o arrependimento necessário e mudança de vida. Isso é um sacrilégio. Tomado como uma contradição dos Evangelhos, tal afirmação poderia sem dúvida ser considerada herética.

Este é um assunto muito a sério e pesado, pois se afasta do terreno da ambiguidade para o endosso, conectando Francisco ainda mais estreitamente com as censuras teológicas contra a Amoris Laetitia, às quais ele tem o dever moral de responder.

Anúncios
Tags:

14 Comentários to “Surge carta do Papa dando a impressão de apoiar a Comunhão para divorciados recasados.”

  1. Se eu disser que não vi nada de tão errado ou escandaloso, vão me chamar de herética. Então vou dizer apenas o seguinte: “o que ligares na terra será ligado no céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus”.
    Não há uma permissão pra descumprir o mandamento de Jesus quanto ao divórcio, mas há uma proposta de avaliar caso por caso e ajudar casal por casal a discernir a solução melhor e mais condizente com a vontade divina, aplicada a casos concretos e atuais. Levando em conta não só o momento do pecado mas os momentos posteriores, e as situações que dele derivaram.
    Será que aquele que recebeu tal poder de ligar e desligar não pode fazer isso?
    O quinto mandamento diz “não matar”, mas sabemos que não se aplica a legítima defesa, sabemos que não se aplica a animais que serão usados como alimento, não se aplica a plantas ou insetos. Por que temos que na questão do divórcio ser tão literais no entendimento das palavras do Senhor? a ponto de não dar sequer ao Papa o direito de abrir exceções ou de permitir que bispos o façam, com critérios sérios?
    O próprio Jesus estabeleceu uma exceção pouco clara pra nós hoje, quando disse “quem deixar sua mulher, EXCETO EM CASO DE…, comete adultério”. E S.Paulo, que abriu o chamado privilégio paulino que todos conhecem… Não teriam eles delineado um caminho menos rígido pra lidar com o assunto? Caminho não aberto a todos, mas apresentado aos apóstolos, que agoram procuram trilhá-lo.
    Talvez devido a situação atual de relativismo, devido a tendência atual de aceitar todo pecado como coisa normal, devido a inclinação de muitos pra distorcer o sentido da misericórdia, isso tudo acabe provocando muito mal a Igreja. Quando penso “que tipos e pastores vão avaliar, orientar, permitir”, fico aterrorizada. Mas daí a considerar o texto e a carta do Papa heréticos, é um pouco demais. Não me parece caso pra tanta indignação.

    • Teresa, é compreensível o seu desejo de livrar o texto de Francisco de acusações mais pesadas, mas, no caso, não parece haver como evitar o levantamento dessas acusações. Veja: o poder papal não é onipotente; antes, pelo contrário, está cercado de limitações advindas do direito divino, de tal modo que, a frase “tudo o que ligares…”, deve, sem dúvida, ser entendida de acordo com a restrição que a própria Igreja sempre fez questão de observar: “tudo o que ligares (dentro dos limites estabelecidos pela Revelação Divina)”. E a Revelação se encerrou com a morte do apóstolo S. João. Depois disso, não há mais nada de essencialmente novo a esperar em matéria doutrinal, cabendo apenas um desenvolvimento da exposição magisterial dos dados revelados, sempre, porém, na perfeita submissão a estes. Na questão do matrimônio, em particular, o magistério de 20 séculos já fixou tudo o que se podia saber de fundamental sobre o assunto, desde o ponto de vista da Revelação. As passagens bíblicas que você mencionou já foram alvo de estudos os mais aprofundados ao longo dos séculos e já se extraiu delas, em termos dogmáticos, o que seria possível extrair. Por sinal, tais passagens bíblicas não favorecem o divórcio propriamente dito, mas apenas indicam (no caso do privilégio paulino) que o valor sacramental do casamento depende de os cônjuges serem batizados (antes do batismo não se pode receber validamente nenhum sacramento), e que (no caso da exceção aduzida por Nosso Senhor no Sermão da Montanha) um casal pode licitamente deixar de viver juntos, mas sem as partes separadas casarem-se com terceiros (“… e o que desposar a mulher repudiada comete adultério” – Mt 5, 32). Pode-se ser infiel a esse conteúdo da Divina Revelação negando-o em sua generalidade (isto é, dizendo que a coisa decididamente nunca é assim), ou recusando a sua aplicação a casos concretos (o que dá no mesmo que a negação geral, porque a norma universal que rege um aspecto essencial de algo não pode admitir exceções sem autodestruir-se). Ora, Francisco pode não incorrer na negação geral, mas incorre na recusa de aplicação da norma universal – o efeito de contradição à Fé é o mesmo.

    • Pode um Papa ligar tudo?
      É muito fácil criar uma doutrina baseada num parágrafo das escrituras para atender aos interesses pessoais de quem a formula. Lê-se nas escrituras “Pedi e se vos dará” (São Mateus 7:7), isso significa que posso pedir qualquer coisa? Claro que não! Para o esclarecimento faz-se necessário o estudo completo e orientação do Espirito Santo. Em outra parágrafo:”Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões” (São Tiago 4:3). Na elaboração de qualquer doutrina é preponderante a divina justiça.
      Adúlteros, não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. (São Tiago 4:3)
      Sede submissos a Deus. Resisti ao demônio, e ele fugirá para longe de vós.(São Tiago 4:7)
      O Papa tem autoridade e o poder de ligar e desligar, devemos-lhe obediência na piedade, mas não pode tudo, nenhum Papa pode ligar o bem com o mal, o certo com o errado, o justo com o injusto ou subverter as escrituras e a igreja.

  2. O partido de Bergoglio, realmente, se esmera em degradar e achincalhar a Santa Sé (que tomaram eles de assalto). Coisas sérias como uma carta vinda de um papa versando sobre questão doutrinal que empenha a consciência de milhões de pessoas são tratadas como assunto de manicure, botequim ou novela vagabunda de Umberto Eco: “vagabunda” é pleonasmo. “Clero apóstata” também.

    Escapemos do inferno, pois, além de tudo, deve estar bem lotado.

  3. Há de se observar nesse texto, seja escrito ou não pelo papa Francisco, no entanto atribuído a ele, trata-se de que em momento algum se refere à justiça do Senhor Deus para com os transgressores de Suas santas Leis e Mandamentos, para os quais o Mestre não fez nenhuma ressalva, ou que pudessem ser resguardadas certas circunstancias em que poderiam ser aliviadas, desprezadas ou então submetidas a subjetivismos; porém, devem-se priorizar todas as Suas exigencias e posporem todos os interesses pessoais e/ou eventuais casualidades.
    A Justiça do Senhor Deus hoje em dia é esquecida, e se dá uma visão deturpada e unilateral de sua infinita Misericórdia!
    Ao contrario, esse cristianismo fácil não pertence a Jesus, no entanto, aquela via repleta das mais diversas dificuldades, bastando para tal compararmos a penosíssima vida do Mestre, além de que nunca esse foi o perene ensinamento da Igreja e nem da vida sacrificada dos santos!
    Se o justo com dificuldade consegue salvar-se, em que situação ficará o pecador? 1 Pd 4,18.
    Imaginemos nessa nossa época em que até certos bispos apoiam ostensivamente causas de diabolistas, como dos comunistas, comungam nessa mesma direção muitas centenas de sacerdotes, que poderão esses fazerem dessas aberturas das propostas acima senão se comportarem como no relativismo protestante, onde tudo pode, apenas depende de v?!

  4. Os absurdos teológicos contidos nas falas desses eclesiásticos são inúmeros, mas eu gostaria de ressaltar aqui aquele que se pode identificar no item 5 da declaração dos bispos de Buenos Aires, na passagem em que se diz: “(…) e deixa em aberto a possibilidade de acesso ao Sacramento da Reconciliação quando eles falharem nesse propósito (…)”. Vejam: uma doutrina fundamental em sã Teologia Moral é a de que o repúdio às ocasiões próximas e voluntárias de pecado grave é ABSOLUTAMENTE necessário para se obter o perdão divino mediante a Santa Confissão (ou, na impossibilidade desta, por meio do ato de contrição perfeita). Logo, os casais ilegítimos são obrigados por direito divino a se separarem (salvo se não se incomodarem com ir para o inferno quando morrerem…), e essa obrigação se torna tanto mais imperiosa quanto mais tiverem quedas no tocante ao propósito de continência (propósito, aliás, que não pode suprir nem dispensar da obrigação de fazerem todo o possível para se separarem, dado que, mesmo quando não houvesse nenhuma queda em impureza entre eles, haveria sempre a ocasião próxima desta). Aos interessados em estudar o tema da obrigação absoluta do repúdio às ocasiões de pecado, sugiro a leitura dos tratados de Santo Afonso de Ligório sobre o assunto, bem como os escritos dos moralistas que nele se basearam (por sinal, a questão dos casais ilegítimos que vivem juntos foi precisamente um exemplo tratado de modo direto por Santo Afonso: ele considera o caso de um homem, casado e ‘separado’, que mora com uma amante, a qual depende dele para a sua sobrevivência, de forma que despachá-la seria causar-lhe grave dano à vida temporal – e mesmo nesse caso Santo Afonso defende que o tal homem não pode ser absolvido, nem em artigo de morte, se não expulsar a amante de sua casa.)

  5. Ontem foi publicada a confirmação no Osservatore Romano
    http://www.osservatoreromano.va/it/news/discernimento-e-carita-pastorale

  6. Dureza…
    Será que ainda existe algum religioso que tenha a coragem de oferecer a sua cabeça, a exemplo do Maior dos profetas (João Batista), em defesa do matrimônio monogâmico?
    Jesus está voltando!!!

  7. Teresa você realmente é suspeita pra falar porque defende seu próprio interesse. Se estivesse no papel de legisladora, com certeza legislaria em causa própria. O dia em que o ser humano passar a raciocinar sub specie aeternitatis, procurando a vontade de Deus ao invés da sua própria, ele terá descoberto o caminho da perfeição e da santidade.
    Mas por causa de Católicos que escolheram a estrada larga, Deus nos deu como castigo esse Pontífice. É o castigo que merecem todos aqueles que não cultivaram o amor à verdade mas consentiram no erro. ( II Tessalonicenses 2-11)

  8. Está muito clara a coisa.

    A) O ponto #6 do documento dos bispos argentinos adviga a comunhão para adúlteros
    B) O Papa afirmou que “A carta é muito boa e expressa *plenamente* o sentido do Capítulo VIII da Amoris Laetitia. Não há outras interpretações.”

    Precisa ser mais claro que isso? A propósito, que nome se da a alguém que defende teses teológicas contrárias à fé da Igreja?

  9. Pra aqueles católicos que, nesse momento, estão suportando um casamento infeliz em prol da educação dos filhos, nem uma palavra de ânimo, nenhum consolo, nenhum elogio…pra aqueles católicos que evitam se envolver com separados (as) nada também…Assim vai a misericórdia seletiva que vem de Roma.

  10. Ricardo, essas pessoas terão o consolo de Deus e esse virá na hora certa. Eu já passei por uma separação e foi quando morei na Itália, eu já fui tentada a achar que a grama do vizinho era mais verde, mas Nossa Senhora me pegou pela orelha e me mostrou o caminho de casa.
    Enfim depois de 25 anos de casada e muitos altos e baixos no casamento, até uma filha Deus me mandou como milagre em meio à esterilidade de ambos…só pra salvar o meu casamento!
    O que Deus queria me mostrar com isso? Talvez tenha demorado muito pra eu entender, mas ontem ao ver meu marido ali ao meu lado no hospital buscando água pra mim, me levando ao banheiro com o poste onde estava a medicação, saindo pra comprar minhas comidas favoritas, eu pude entender perfeitamente aquela promessa:
    _ Na saúde e na doença…até que a morte os separe!

  11. Muito bonito seu exemplo, Gercione. Mas como não quis me responder, eu mesma vou corrigir a afirmação que você fez sobre eu estar defendendo causa própria, que imagino ter se baseado na compreensão errônea de algo que falei em alguma ocasião(ou eu mesma tenha me expressado mal):
    O meu caso não é de alguém que deseje uma compreensão e tratamento mais flexível e diferenciado do geral, por achar que mereço isso devido à circunstâncias especiais. O meu caso foi de PECADO cometido e de forma bem consciente. Pecado cometido, arrependido, perdoado e reparado dentro do possível. Ponto final. Nada mais a ser feito. E em nenhum momento me julguei merecedora de tolerância. E jamais comungaria na situação em que estava. Mesmo que tivesse sido autorizada pra isso.
    A flexibilidade, a tolerância na aplicação da lei de Deus, que ALGUNS deveriam receber no julgamento individual de seus casos, e que eu demonstrei aceitar e concordar, não reivindiquei pra mim, mas para os outros.
    Não falo isso porque sou boazinha. Falo porque, como disse o Senhor referindo-se a Maria Madalena, “quem mais foi perdoado, mais ama”, ou, se poderia dizer também, “quem mais foi perdoado, mais é capaz de perdoar os erros alheios”. Falo porque nem todos tem a compreensão do pecado que eu tinha, quando pequei, e talvez por isso não possam ser tão exigidos. Nem todos tiveram as condições necessárias que eu tive para reparar seus erros sem acrescentar grandes e trágicas consequências. E isso também precisa ser levado em conta. Nem todos merecem ser julgados com a dureza que eu fui julgada, pelo menos por mim mesma. Pois a quem mais foi dado, mais pode ser exigido (foi o meu caso), mas a quem menos foi dado, menos deve ser exigido (e é o caso de muitos).
    Por isso, considerei bastante injusto seu julgamento de que eu queria legislar em causa própria, de que escolhi o caminho mais largo. Como assim “escolhi o caminho mais largo”? se saí dele e entrei no mais estreito, por amor e fidelidade a Deus. Ao Deus que havia perdoado minha infidelidade.
    Você venceu suas tentações e foi agraciada pela bondade de Deus, vivendo agora seu momento difícil mas na companhia do seu esposo. Se eu vier a passar por situação semelhante a que você agora está, certamente não terei a mesma consolação. E justamente porque, passando pela porta estreita, me privei disso. Sem nenhum mérito. Fiz o que devia fazer.
    Sim, eu olho com compreensão os que estão numa concreta situação semelhante a que eu vivi, e não contam com a bagagem e as raízes que eu tinha pra poder virar o jogo. Não sei se estou certa. Não desprezo seus argumentos nem os do Bhartolomeu. Apenas apresento os meus.
    Sucesso no seu tratamento. Que N.Senhora da Saude te dê a cura para continuar lutando pela Verdade, ensinando com sua sabedoria e dando bons exemplos…ainda que com um pouquinho menos de dureza.