Pedofilia no clero, uma crise moral e doutrinária.

Por Roberto de Mattei, Il Tempo, Roma,  08-10-2016 | Tradução: FratresInUnum.com – O cotidiano “Il Tempo”, de Roma, dirigido por Gian Marco Chiocci, publicou no dia 8 de outubro uma ampla reportagem dedicada à difusão da pedofilia no clero italiano. Triste fenômeno, que resultou em 130 sacerdotes condenados e 100 processados. Para erradicá-lo, o padre Nicola Bux declarou em entrevista ao referido cotidiano que “é preciso ter a coragem de dizer que a pedofilia é conexa à homossexualidade. Todos o negam, mas os estudiosos e especialistas afirmam que é assim”. Reportamo-nos à contribuição de Roberto de Mattei publicada em “Il Tempo” sob o título Crise moral e doutrinária.

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A difusão da pedofilia no clero é uma das muitas manifestações da profunda crise moral que explodiu nas últimas décadas dentro da Igreja. Bento XVI, que na Via Crucis de 2005 denunciou a “sujeira na Igreja”, sempre se expressou por uma linha extremamente rigorosa contra os abusos do clero, sublinhando a urgência de uma reforma moral da Igreja. Entre suas muitas declarações nesse sentido, destaca-se a Carta aos católicos da Irlanda, de 19 de março de 2010.

crise-morale-et-doctrinale-delleglise-468x232Às vezes, porém, a pedofilia é utilizada instrumentalmente para desqualificar o clero como um todo, e propor a abolição do celibato como solução para o problema. Na verdade, a pedofilia não afeta senão uma parte mínima do clero, e os casos de padres pedófilos não nos devem fazer esquecer a existência de sacerdotes acusados falsamente, como o padre Giorgio Govoni, pároco da Bassa Modenese, acusado por um assistente social no final dos anos noventa de liderar um grupo de “satanistas pedófilos”. O Supremo Tribunal confirmou em 2002 a decisão do Tribunal de Recurso de Bolonha, segundo o qual o sacerdote havia sido difamado injustamente. Mas o padre Govoni, atingido pela vergonha, morreu em 19 de maio de 2000 de ataque cardíaco, no escritório de seu advogado.

Além disso, segundo o sociólogo Philip Jenkins, um dos principais estudiosos da pedofilia no clero, a taxa de padres condenados por abuso infantil varia, de acordo com as áreas geográficas, de 0,2% a 1,7% do total, enquanto que para ministros protestantes ela é de 2 a 3%. Nos Estados Unidos, em particular, a presença de pedófilos entre os pastores protestantes supera de duas a dez vezes aquela existente entre padres católicos.

A estatística é importante, porque o fato de os pastores protestantes serem quase todos casados demonstra que o problema não reside de modo algum no celibato dos sacerdotes. Outro estudo da John Jay College of Criminal Justice da City University of New York, citado pelo sociólogo Massimo Introvigne, afirma que mais de 80% dos padres incriminados por pedofilia são de orientação homossexual.

Isso não estabelece a equivalência entre homossexualidade e pedofilia, mas confirma que a solução do problema não está no casamento dos padres. Deve também ser dito que dentro da Igreja Católica se espalhou uma cultura hedonista e relativista, existindo hoje seminários, faculdades de teologia e instituições religiosas nas quais a homossexualidade, ou pelo menos uma tendência homossexual, é considerada irrelevante do ponto de vista moral e pacificamente tolerada. Mas as práticas homossexuais, que ao contrário da pedofilia não são crime na maioria dos países, continuam a ser um grave pecado para a Igreja Católica e a sua propagação no interior do clero deveria provocar na hierarquia eclesiástica um alarme que tem faltado.

O verdadeiro problema reside no fato de a crise moral da Igreja vir acompanhada de uma crise doutrinária. A Igreja, em vez de converter o mundo com a lei do Evangelho, parece querer adaptar o Evangelho às exigências do mundo. É o caminho que parece indicar a Exortação Amoris laetitia do Papa Francisco, cujo equívoco de fundo está na ilusão de que, acolhendo com “misericórdia” as tendências amorais da cultura contemporânea, será a sociedade, e não a Igreja, quem vai renunciar à sua identidade.

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7 Comentários to “Pedofilia no clero, uma crise moral e doutrinária.”

  1. A perseguição da maçonaria contra a Igreja católica por causa de alguns casos de pedofilia é seletiva, incriminando-se nesses assedios suas subsidiarias, as golpistas esquerdas (e seus asquerosos partidos comunistas, os implantadores oficiais de pedofilia), as quais são associadas aos globalistas!
    Sabemos também que a grande midia politicamente correta e revolucionaria está sob o controle maçõnico, o que facilita todo tipo de sabotagens e calunias contra a Igreja, pois seguem os mesmos modelos do maquiavélico: “todos os meios justificam os fins”!
    Uma das maiores autoridades da Maçonaria italiana, o Píccolo Tigre, exclamava: “Conspiremos contra Roma; e para isto sirvamo-nos de todos os incidentes, aproveitemos todas as eventualidades”. (Padre Teófilo Dutra – As Seitas Secretas – 1931).
    O Jornal do Recife, órgão da Maçonaria, na edição de 18 de Setembro de 1897, lançou esta pergunta: “O que adianta, que utilidade tem a Missa?” “A Missa é uma mentira convencional como outra qualquer”. Ainda do mesmo jornal: “O celibato clerical é um absurdo! o voto da castidade, uma blasfêmia!… (Livro “Um Cristão Católico” – Recife – 1898).
    Admite-se que, dentre os infratores clérigos, quem sabe se a maioria seria de infiltrados na Igreja a serviço da maçonaria?
    Dessa forma, contando uma poderosa midia parcial controlada por desafetos da Igreja, nunca censuram seus simpáticos relativistas protestantes que deveriam ser o alvo; no entanto, promovem recorrentes ataques apenas a ela e, ao mesmo tempo, convencendo fraudulentamente o povo de todo o mal estar nela, por culpa do celibato, sem jamais citar outros muito mais incriminados nesse gravíssimo pecado, devassidão e delinquencia!
    Analisados os dados, os pastores protestantes casados e com sexo à vontade deveriam ser uma amostragem que esse mal está vinculado ao celibato, até mesmo contestando a Jesus sobre o valor da consagração ao Senhor sem reservas facilitado pelo celibato, idem S Paulo!
    De igual forma, essa mesma midia maliciosa, inescrupulosa e insensata nunca relata que uma quantidade incontável desses casos sucedem dentro dos lares, tendo como os principais protagonistas os proprios parentes como os autores!

  2. Em todos os grupos humanos existem frutas podres, até entre os Apóstolos havia um demônio!
    “Jesus acrescentou: Não vos escolhi eu todos os doze? Contudo, um de vós é um demônio!…” (São João 6:70)

    É claro que sempre existiu algum joio entre os sacerdotes, suspeito que esse número tenha aumentado muito nessa podre geração contemporânea, mas a volúpia das acusações visava atingir o Santo Padre Bento XVI, Os pedófilos, beberrões, homossexuais, sádicos, hereges e ladrões continuam infiltrados na Igreja mas depois da eleição de Bergóglio, praticamente sumiram da “grande” mídia.

    Infelizmente, o maligno, solto por um tempo, se apossou de muitos seminários para destruir a Igreja por dentro, e até a consumação dos séculos creio que essa tendência não será revertida. Os “sinais” preditos nas Santas Escrituras e nas profecias privadas são tantos, que ninguém mais em sã consciência pode ignorá-los ou refutá-los, o tempo é chegado, que venha o dia do Senhor…

    “Em verdade vos declaro: não passará esta geração antes que tudo isto aconteça.
    O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.” (São Mateus 24:34)

  3. O Papa Bento XVI, em uma de suas entrevistas com Peter Seewald, fez um comentário interessante sobre a postura da Igreja frente aos casos de pedofilia . Ele disse:

    “Sobre isso [como a Igreja lidou com os casos de abuso sexual no passado], o arcebispo de Dublin contou-me algo muito interessante. Disse-me que, apesar de não estar completo, o Direito Penal Canônico funcionou até ao final dos anos 50 e, embora muito nele fosse criticável, mesmo assim foi aplicado. Mas, a partir da segunda metade dos anos 60, simplesmente deixou de ser aplicado. Reinava a consciência de que a Igreja não deveria ser uma Igreja de direito, mas uma Igreja de amor; de que ela não poderia punir. Assim, foi apagada a consciência de que a punição pode ser um ato de amor. Nessa altura, assistiu-se ao obscurecimento do pensamento de muito boa gente.
    Hoje temos de reaprender que o amor para com o pecador e o amor para com o lesado têm de estar num equilíbrio tal que se puna o pecador nos termos possíveis e adequados. Neste sentido, houve no passado uma mudança de mentalidade que acarretou um obscurecimento do direito e da necessidade de punição – e, em última instância, também um estreitamento do conceito de amor, o qual não é apenas bondade e cortesia, mas está também na verdade. E a verdade implica igualmente que se castigue aquele que pecou contra o verdadeiro amor.”

    Agora indo para a questão preventiva, o que se deve fazer é simplesmente recusar nos seminários a entrada de candidatos com tendências homossexuais arraigadas.

    O bispo emérito da minha diocese, quando fazia a entrevista aos candidatos a entrada no seminário, perguntava de praxe a todos os candidatos se eles tinham tido alguma experiência sexual com mulher ou homem e, aqueles que tiveram, se conseguiriam praticar a abstinência sexual. E os homossexuais que tiveram experiências sexuais com outros homens, ele os mandava embora com a justificativa de que esses homossexuais praticantes não seriam capazes de guardar a continência devido ao peso das experiências homossexuais que eles tiveram. Simples assim.

  4. Crise moral da Igreja vem, de fato, acompanhada de uma crise doutrinária, mas é antes de tudo uma crise de autoridade. Quem deveria por o lobo pra correr, o põe dentro de casa. S.Paulo a Timóteo:

    “Caríssimo: Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste. Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra. Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de vir a julgar os vivos e os mortos, e em virtude da sua manifestação gloriosa e do seu Reino, eu te peço com insistência: proclama a palavra, insiste oportuna ou importunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina”.

    É exatamente isso que não temos mais hoje. Perdeu-se. O Concílio Vat. II levou embora. O atual Papa rasgou essa parte da Bíblia. É só pobre, gay, muçulmano, judeu, comunista e refugiado africano que tem valor. Se você não se encaixa numa destas categorias acima nomeadas, você não merece o respeito do Papa Francisco.

  5. “Deve também ser dito que dentro da Igreja Católica se espalhou uma cultura hedonista e relativista, existindo hoje seminários, faculdades de teologia e instituições religiosas nas quais a homossexualidade, ou pelo menos uma tendência homossexual, é considerada irrelevante do ponto de vista moral e pacificamente tolerada.”

    Lendo o livro “Adeus, homens de Deus” de Michael Rose entende-se muito bem como isso aconteceu em muitos seminários americanos desde a década de 70. E o resultado foi catastrófico para a Igreja naquele país.

  6. Tive oportunidade de ouvir a palestra no Recife ano passado do Prof. de Matei. Um católico sincero e consciente de seus deveres e também de seus direitos. Li a sua magnifica obra sobre os bastidores do Concilio. Ele exerce o seu direito e sua liberdade – tão apregoada pelos clérigos atuais – de valorizar os leigos. Por que só os mitrados e purpurados teriam esse direito? Duvido que qualquer teólogo conciliarista tenha a capacidade e coragem de uma análise tão exaustiva e objetiva das ocorrências do Vaticano II. O próprio atual Pontífice tem denunciado o “clericalismo” na Igreja. Esse clericalismo não seria também o dos reverendos que acreditam que só eles são os donos da verdade e que leigos do peso do Prof. De Matei não teriam algo de importante a dizer à Igreja sobre qualquer tema da vida católica? Entendo a posição do diretor da rádio Maria, mas esta me parece mais um comprometimento com o tal clericalismo – denunciado pelo Pontífice – do que motivos sérios e aceitáveis para afastar o brilhante leigo. Padre Miguel.

  7. Não se pode mais corrigir ninguém. O tempo moderno não permite correção. A Palavra de Deus não tem, segundo dizem, poder para julgar ninguém. A não ser que você seja conservador e goste da Missa de sempre. A hierarquia está para julgar e punir apenas um tipo de gente: quem gosta da Tradição.