“Francisco construiu sua popularidade às custas da Igreja que lidera”: coluna no New York Times.

Por Pete Baklinski, LifeSiteNews, 3 de outubro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com – Quando o editor do First Things, Matthew Schmitz, escreveu um artigo na semana passada no New York Times descrevendo como o Papa Francisco “falhou” com os fiéis católicos de diversas formas, o editor do Catholic World Report, Carl Olson não pôde fazer outra coisa senão concordar, escrevendo o seu próprio artigo que levou os pensamentos de Schmitz ainda mais adiante.

Em seu artigo de 28 de setembro, intitulado “Será que o Papa Francis fracassou?”, a resposta de Schmitz é “sim”,  enquanto observa o que o “efeito Francisco” fez na Igreja, pelo menos nos EUA.

Schmitz escreve que, na medida em que Francisco “colocou uma grande ênfase em atingir os católicos descontentes” com seu “tom não-dogmático e declarações como : Quem sou eu para julgar?”, bem como sua “postura mais branda em relação à comunhão para divorciados novamente casados”, o número de frequência à missa dominical caiu desde que ele se tornou papa, especialmente entre os jovens Católicos.

Não só a frequência à missa dominical caiu sob Francisco, mas até mesmo vários outras práticas religiosas.

“Em 2008, 50% da geração do milênio relataram o recebimento de cinzas na Quarta-Feira de Cinzas, e 46% disseram que fizeram alguma penitência além da abstinência de carne às sextas-feiras. Este ano, apenas 41% relataram o recebimento de cinzas e apenas 36% disseram ter feito um sacrifício extra, de acordo com [o Centro Georgetown de Pesquisa Aplicada em Apostolado]”, escreve Schmitz.

“Apesar da popularidade pessoal de Francisco, os jovens parecem estar se afastando da fé”, acrescenta.

Schmitz opina que apesar da popularidade de Francisco, a Igreja não foi “revigorada”, porque ele não deu aos “descontentes qualquer motivo para voltar”.

“Ele descreve párocos como ‘monstrinhos’ que ‘atiram pedras’ em pobres pecadores. Ele deu aos funcionários da Cúria um diagnóstico de ‘quem sofre de doença espiritual de Alzheimer’. Ele repreende ativistas pró-vida por causa de  sua ‘obsessão’ com o aborto. Ele disse que os católicos que colocam ênfase em ir à missa, frequentando confissão e orações tradicionais são ‘Pelagianos’ – pessoas que acreditam, hereticamente, que podem ser salvos por suas próprias obras “, assim ele os descreve.

“Tais denúncias desmoralizam os fiéis católicos, sem dar aos desafetos qualquer motivo para voltar. Afinal por que participar de uma igreja cujos sacerdotes são monstrinhos e cujos membros gostam de jogar pedras? Quando o próprio Papa dá mais ênfase a estados espirituais internos do que sobre a observância ritual, há pouca razão para entrar na fila da confissão ou acordar para ir à missa “, acrescenta.

Schmitz conclui que a popularidade de Francisco com essa abordagem light da doutrina da Igreja tem um preço inesperado.

“Francisco construiu sua popularidade às custas da Igreja que ele lidera. Aqueles que desejam ver uma igreja mais forte terão que esperar por um tipo diferente de papa. Ao invés de tentar suavizar o ensino da Igreja, tal homem teria de falar que a disciplina sólida é que pode levar à liberdade. Confrontar uma era hostil com as inusuais afirmações de fé católica pode não ser popular, mas com o tempo pode revelar-se mais eficaz. Pois até mesmo Cristo foi recebido com as vaias da multidão”, conclui.

Olson, que intitulou seu artigo de 28 de setembro com a conclusão de Schmitz, “Francisco construiu sua popularidade à custa da igreja que ele lidera”, segue de onde Schmitz parou.

“Schmitz só pode tocar em alguns desses assuntos de passagem, mas aqueles entre nós que vem seguindo este pontificado de perto desde o início, sabemos como nos últimos três anos temos assistido a um fluxo constante de confusão, hipérbole, ambiguidades, incoerências, mensagens contraditórias, imprecisões, insultos velados- para não mencionar o uso estranho e manipulação de idiomas no serviço de semear mais confusão”, ele escreve.

Olson escreve que ele concorda com a avaliação de Schmitz, ou seja, que “denúncias” do papa contra fiéis católicos desmoraliza-os sem dar aos desafetos qualquer motivo para voltar.

“Francisco é mais preferido e elogiado por aqueles que vêem seu pontificado como o início de uma revolução que irá derrubar a ladainha usual de críticas feitas contra a Igreja: muito patriarcal, rígida, intolerante, moralista, cheia de julgamento, homofóbica, islamofóbica , etc, etc. Sim, há católicos que estão chateados e até mesmo irritados com Francisco, mas a resposta esmagadora, na minha experiência, é simplesmente: ‘o que ele está fazendo? e por quê?'”, ele escreve.

Olson pergunta se Schmitz está certo ao dizer que Francisco está “tentando suavizar o ensinamento da Igreja.”

“Pessoalmente, não vejo maneira de contornar essa conclusão. Afinal, se Francisco nunca quis mudar ou suavizar o ensinamento da Igreja, por que a dependência constante do Cardeal Kasper e outros alemães, os dois Sínodos, a confusão frequente, os fingimentos, os gestos, os intermináveis discursos irritados na conclusão do Sínodo de 2015, a frequente, tortuosa e proposital ambiguidade do capítulo 8 da Amoris Laetitia, e assim por diante?”, ele escreve.

“É lamentável – na verdade, profundamente doloroso – ver essa confusão, tumulto e frustração frequentemente gerada na Barca de Pedro, a qual deveria, antes de tudo, proporcionar alívio, conforto, refúgio e clareza em meio às ondas escuras de um mundo cada vez mais hostil e volátil “, conclui.

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6 Comentários to ““Francisco construiu sua popularidade às custas da Igreja que lidera”: coluna no New York Times.”

  1. Conclusão: mais do que nunca é necessário rezar pela Igreja, mortificar-se, e lutar com firmeza e entusiasmo pela santa fé que recebemos. Momento para estarmos amorosamente confiantes ao lado da Virgem Maria. A vitória virá.

  2. Pete Baklinski é um repórter canadense mestre em teologia a serviço do LifeSiteNews; interessante que ele descreveu suas apreensões em relação ao pontificado do papa Francisco justamente no esquerdista New York Times, sempre a serviço dos globalistas, com seus conteúdos de relativismo, tentando impô-los na sociedade para a alienar.
    As oposições que têm aparecido em relação a esse pontificado parecem crescer, á medida que surgem opositores dentro da Alta Hierarquia da Igreja, cada vez mais de forma ostensiva, composta de varios cardeais, bispos, sacerdotes e leigos experts em doutrina católica!
    Aliás, os leigos engajados nessa missão estão a níveis semelhantes a eminentes teólogos que discordariam abertamente de certas posições doutrinarias disseminadas pelo papa Francisco, os quais atribuem como sendo opiniões pessoais dele, segundo esses discordantes, não devendo pois elas serem incorporadas ao ensino ou contempladas como merecedoras de credibilidade pois conteriam ambiguidades, heterodoxia, indevidas concessões em certas situações e semeariam ainda mais confusão no meio católico a mais do existente.
    O estranho nesse caso é que, aparentemente, o papa Francisco não aparentaria se dispor em se apresentar publicamente para tentar se justificar das acusações de que estaria alvo, como apoiaria os diversos desafetos da igreja!
    Doutra forma, silenciaria-se e prosseguiria como se inexistisse oposição a ele no que ele define como as reformas necessarias à Igreja e, nesse tempo, dá trelas a elementos e a agregados suspeitos, como o excomungado Lutero com sua doutrina marginal, discriminatoria, anti cristã católica, sumamente herege e relativista!

  3. Acompanho o blog a algum tempo….é lamentável que alguns indivíduos ao invés de acolherem com júbilo o Concílio Vaticano ii e obedecerem àquele que é o clímax do Espírito do Concílio preferem inventar teorias da conspiração e se apegarem a revelações privadas como se fossem depósito de fé, pois, segundo os tradicionalistas, aí daqueles que não acreditarem em Fátima, Lourdes e La Salette. Coam um mosquito e engolem um camelo. Lamentabili.

    • João Victor, não captei se você foi irônico. Mas não temos nada que acolher do Vaticano II, pois neste Concílio explicitamente se declarou que não havia a intenção de definir nada. Em acréscimo, o vaticano II e o magistério (vá lá, concedamos) posterior a ele contradiz em muito o Magistério anterior, que, este sim tinha a intenção de definir e obrigar e não de ‘propor diálogo’.

  4. O último parágrafo do texto em questão resume bem a situação atual da Igreja Católica, principalmente no que se refere aos comportamentos e declarações do Papa Francisco. Triste, mas verdadeiro.

  5. Querem um critério bom para saber quem ainda presta na Igreja Católica? É só olhar quem Bergoglio despreza ou combate. Se ele não gosta, é porque tem algo de bom ali. Esses são aqueles que merecem nosso apoio.