Francisco responde.

A uma jornalista, não aos Cardeais. Para estes, só há indiretas.

“Seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não; porque o que passa disto vem do maligno” (Math. V,37)

Como é seu costume, Papa Francisco dispara mais uma indireta, e com tom bastante violento, aos eminentíssimos cardeais que lhe dirigiram as cinco “dubia”. Decerto, seria mais fácil responder cinco vezes “sim” ou “não”, mas ele prefere continuar com seus discursos sinuosos, serpenteando.

Vamos a duas perguntas e respostas (original em Avvenire, tradução de FratresInUnum.com):

AVVENIRE: Então, o Jubileu foi também o Jubileu do Concílio, “hic nunc” (ndt, aqui e agora), onde o tempo da sua recepção e o tempo do perdão coincidem…

FRANCISCO: Fazer a experiência vivida do perdão que abraça toda a família humana é a graça que o ministério apostólico anuncia. A Igreja existe apenas como instrumento para comunicar aos homens o desígnio misericordioso de Deus. A Igreja sentiu no Concílio a responsabilidade de ser no mundo como que o sinal vivo do amor do Pai. Com a Lument Gentium retornou às fontes da sua natureza, ao Evangelho. Isso mudou o eixo da concepção cristã de um certo legalismo, que pode ser ideológico, à Pessoa de Deus, que se fez misericórdia na encarnação do Filho. Alguns — pensa a certas réplicas a Amoris Lætitia — continuam a não compreender — ou branco ou preto — que também é no fluxo da vida que se deve discernir. O Concílio nos disse isso. Os historiadores, porém, dizem que um Concílio, para ser absorvido bem pelo corpo da Igreja, precisa de um século… Estamos na metade.

 [….]

AVVENIRE: Há quem pense que nestes encontros ecumênicos se queira vender a preço baixo a doutrina católica. Alguém já disse que se quer “protestantizar” a Igreja.

FRANCISCO: Não me tira o sono. Eu continuo na estrada de quem me precedeu, continuo o Concílio. Quanto às opiniões, é preciso sempre distinguir o espírito com o qual são ditas. Quando não tem um espírito ruim, ajudam a caminhar. Outras vezes se vê de cara que as críticas se fazem aqui e ali para justificar uma posição já assumida, não são honestas, são feitas com espírito ruim, para fomentar a divisão. A gente vê logo que certos rigorismos nascem de uma falta, nascem da vontade de esconder dentro uma armadura, a própria e triste insatisfação. Vejam o filme “A festa de Babete”, ali há este comportamento rígido.

 


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24 Comentários to “Francisco responde.”

  1. Vejam a baixaria: Francisco responde a um texto teológico sério e grave dos cardeais, apelando para um filme (“Festa de Babete”). Será que ele está de deboche com a nossa cara?…

  2. O Papa Francisco usa o Concílio de amuleto.
    Se os atos que ele está fazendo mostram a finalidade do Concílio, vemos que o Concílio está sendo levado até as últimas consequências. Nada mais do que um calvário de cusparadas, chibatadas, zombarias, açoitamentos e ódio (ódio de dentro pra fora,sendo pior que o de fora pra dentro) contra a Santa Madre Igreja no trajeto doloroso de sua crucificação.

    Que a Santíssima Virgem e os Santos Apóstolos Pedro e Paulo intercedam a Deus Nosso Senhor pro nós.

  3. IMPRESSIONANTES estas palavras, esta autodefesa tão personalíssima, vir de um Papa. “Não me tira o sono”. Uma resposta jocosa, vulgar, nada caridosa como essa se espera de cínicos, mas jamais do Vigário de Cristo. Sua resposta é revanchista, seu pensamento é dialético, (quando ele dá a entender que posições suscetíveis de temperamentos até valem, mas os que já fecharam posição contra a dele não). É o papa mais personalista do pós-concílio, os outros não pagam nem placê.

    Mas ele fala com coerência e propriedade quando diz que apenas segue os que lhe precederam: seus antecessores, de triste memória, até o Concílio.

    Depois há quem tenha a desfaçatez de defender a continuidade do Vaticano II. Só se for solução de continuidade!

    Deus nos dê força, e abrevie esse tempo!

  4. Se fosse só essa a parte mais escandalosa da entrevista…
    Duro é ler que “O proselitismo entre os cristãos é em si um pecado grave” (sobre o ecumenismo com os protestantes).

  5. Já assisti várias vezes esse filme que por sinal é muito bom. Mas ele se presta a várias interpretações que podem inclusive contradizer o que o papa prega e diz. Interessante que o filme retrata uma comunidade luterana da Dinamarca. Pelo tempo em que o papa faz referência ao filme dá para deduzir que ele foi apresentado a esse filme recentemente. Acho que teve “sessão pipoca” na Suécia em companhia da arcebispa luterana.

  6. Da Gaudium et Spes: “Porém, a dignidade desta instituição [o matrimônio] não resplandece em toda a parte com igual brilho. Encontra-se obscurecida pela poligamia, pela epidemia do divórcio, pelo chamado amor livre e outras deformações. Além disso, o amor conjugal é muitas vezes profanado pelo egoísmo, amor do prazer e por práticas ilícitas contra a geração.”.

  7. Acaso recordam como os liberais dentro da Igreja regozijaram-se à saída do papa Bento XVI e satisfizeram-se a eleição do papa Francisco?
    Se o papa Bento XVI acaso estivesse no pontificado, estaria sendo entronizado pela midia globalista, tão nossa conhecida quando, ao contrario, despejavam todo tipo de calunias e imprecações contra ele, até no Charlie Hebdo!
    Onde já se viu o vermelho L Boff et alii modernistas cardeais e bispos velhos nossos conhecidos virem a público e demonstrarem tanta satisfação pela renuncia(?) do papa Bento XVI?
    Quem não viu videos e entrevistas do L Boff, o qual não falava apenas por si, porém compartilhando com tantos relativistas e associados às esquerdas, adeptos do multiculturalismo, naturalismo, tolerancia às diversidades, eco-humanismo, antropocentrismo, “Mãe-Terra”?
    Admitir que o papa Bento XVI compartilharia com o cap. VIII da A laetitia de pleno acordo, por ex., seria arriscado enganar-se!
    Quando foi que deu indicios que possibilitaria permissão da S Comunhão a recasados com vínculos anteriores, afirmar que inexiste condenação para sempre?
    De igual forma integrar a todos na Igreja, sem exceção, no estado em que se encontrem?
    Tempos obscuros vivemos; diálogo com quem finge aceitar, acompanhamento pastoral complacente com a decisão de cada consciencia – como no relativismo protestante – nova evangelização, etc;
    Não seriam máscaras doutros objetivos?

  8. Meu Deus…não entendo nada do que esse papa diz. Fala…fala…e não clareia nada.

  9. Enquanto isso, 2 bispos americanos batem de frente: D Charles Chaput discordando da aplicação da ALaetitia nos divorciados recasados. Se quiserem comungar, vivam como irmãos ou então ficam de fora.
    Já D Kevin Farrell que foi nomeado cardeal pelo papa Francisco, disse que não compartilha da visão de D Chaput que tem muitas situações e circunstancias diferentes que devem ser levadas em conta, como fala o papa Francisco.
    Mas D Chaput não deixou de dar uma resposta bem amarga para ele:
    ‘A misericórdia e compaixão não podem ser separadas da verdade […] A Igreja não pode contradizer ou contornar a Escritura e seu próprio Magistério sem invalidar sua missão. Isto deveria ser óbvio. As palavras do próprio Jesus são muito diretas e muito radicais em materia de divórcio […] De acordo com o direito canônico […] o governo de uma diocese reporta ao bispo local, como sucessor dos apóstolos não a uma conferência se uma conferência Episcopal mesmo fornece um fórum muito valioso para a discussão. Como ex-bispo residencial, o cardeal designado certamente sabe que faz seus comentários bem mais desconcertantes. CNS.

  10. “continuo o Concílio”, Hasta la victoria siempre!

  11. O negócio está sério, amigos. Pra mim a parte mais problemática de todas que notei foi sobre o “proselitismo”. Chamando de “pecado grave”! Pra mim, que tenho a espiritualidade da Renovação Carismática e ouvir isso numa entrevista foi uma faca no meu coração. E não só aos da Renovação, mas a qualquer padre/religioso/celibatário missionário ou qualquer leigo normal que tem a prática de evangelizar. Quer dizer que agora se a minha comunidade tiver evangelizando e entregar um panfleto de um evento pra um protestante é pecado? E grave ainda por cima??? Conheço uma comunidade católica que faz um Festival de Musica todo ano(!!!) e os gastos são quase 20 mil reais por ano, e esse festival existe com a única finalidade de converter as pessoas que as pessoas tenham uma experiência com Cristo. Dizer que evangelizar é “pecado grave” é pisar na cara de cada um dos organizadores desse festival que faz das tripas a coração pra realizar o evento e ficar com as contas em dias todo ano, é pisar na cara dos missionários, no sangue dos martires. E o que dizer dos blogs de apologética, vlogs e canais no Youtube que evangelizam? Vão ter que expulsar os carismáticos, os trads, os conservadores e todos os missionários, não é possivel!!! Mas como a boca é minha, a mão é minha, o pé é meu, vou continuar evangelizando, inclusive pra protestantes e a qualquer um que ainda não creia e sugiro a cada um de vcs fazer o mesmo. Não concordo com muitas coisas de vcs, trads, mas continuem com os blogs de apologética de vcs, refutem muuuuuiiito os erros, evangelizem o pessoal por meio da apolgética e rezemos todos pelo Papa, QUE ELE TÁ PRECISANDO É DEMAIS!

    • Parabéns, Karol, por haver percebido e reconhecido que os posicionamentos de Francisco são ofensivos e desrespeitosos não só para com os fiéis tradicionalistas, como também para com os carismáticos, os conservadores, etc., para todos aqueles, enfim, que valorizam de algum modo o apostolado e a evangelização e que admiram o belo lema de São João Bosco: “Dai-me almas, e ficai com o resto”. Todos estes deviam manifestar publicamente seu desacordo em relação às malvadezas de Francisco.

  12. o que os tradicionalistas precisam entender é que não houve ruptura com o passado, pelo contrário houve evolucao.

    • Meu caro Rafael, o Concílio Vaticano Segundo foi sim, infelizmente, uma grande ruptura com o grande passado da Igreja Católica. Tristes tempos os nossos, em que as pessoas acham que Caridade existe sem Verdade, e que os protestantes são nossos “irmãos separados”. :(

    • Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

    • Segundo a teoria da evolução, evolução nem sempre é para algo melhor. Fica a dica.

  13. Papa aponta os pecados da mídia: desinformação, calúnia e difamação.” Para mim, os pecados da mídia, os maiores, são aqueles que seguem pelo caminho da mentira e são três: a desinformação, a calúnia e a difamação. Estes dois últimos são graves, mas não tão perigosos como o primeiro. Por que? Vos explico. A calúnia é pecado mortal, mas se pode esclarecer e chegar a conhecer que aquela é uma calúnia. A difamação é um pecado mortal, mas se pode chegar a dizer: ‘esta é uma injustiça, porque esta pessoa fez aquela coisa naquele tempo, depois se arrependeu, mudou de vida’. Mas a desinformação é dizer a metade das coisas, aquilo que para mim é mais conveniente e não dizer a outra metade. Seguir a estrada da bondade, da verdade e da beleza”,
    Sem mais…

  14. “Legalismo” e tantos outros jargões estavam em moda na década de 1970. Coisa muito comum é dizer que alguém com posturas mais conservadoras esconde algum mal (psicológico, de identidade etc), e, para mascarar esse pretenso mal, escondem-se atrás de um “rigorismo”. Esse pretenso rigorismo estaria “estruturaria” o “rigorista”, o qual, no fundo, seria apenas um tipo inseguro e mesmo “de mal espírito”. Pelo jeito, esse tipo de artifício doutrinou muita gente à época. Conheci padres que recorriam tranquilamente a esse tipo de jargão SEM se darem conta de que foram doutrinados. Pela KGB?

  15. “Não me tira o sono. Eu continuo na estrada de quem me precedeu, continuo o Concílio. …
    Outras vezes se vê de cara que as críticas se fazem aqui e ali para justificar uma posição já assumida, não são honestas, são feitas com espírito ruim, para fomentar a divisão. A gente vê logo que certos rigorismos nascem de uma falta, nascem da vontade de esconder dentro uma armadura, a própria e triste insatisfação. Vejam o filme “A festa de Babete”, ali há este comportamento rígido.”…

    Meus caros…Bergóglio está chegando no fundo do poço em sua obra de destruição na Igreja…
    Por favor, alguém pode me mostrar atitude mais patética e chula do que usar de um lenga lenga tão abestalhado como o que ele usou nessa entrevista??? POR FAVOR… Um Papa usar de filme para alfinetar seus desafetos??? Isso é coisa do disse que me disse da mãe joana…

    “Continuo o Concílio”… Jargão mais que furado e desgastado há décadas…Sem dúvida…Qual Concílio? O senhor e os intérpretes do Concílio poderia nos dizer,se fosse capaz, de qual Concílio está falando? De acordo com o trocentos espíritos do Concílio há milhares de interpretações, logo, é uma contradição vossa falar em continuador do Concílio… Qual Concílio???

    Aliás, H. Kung é um continuador do Concilio, o padre Ernesto Cardenal também, o cardeal kasper também, o Genésio Bofado também, Karl Rahner que inventou os cristãos anônimos também,de Lubac concluiu um livro, também como continuador do Concílio dizendo: “O drama do Vaticano II consiste no fato que em vez de ter sido feito por santos — como o foi o Concílio de Trento – ele foi monopolizado pelos intelectuais. Sobretudo foi monopolizado por certos teólogos cujo pensamento teológico partia do preconceito de que era preciso atualizar (aggiornare) a fé às exigências do mundo, e de emancipá-la de sua pressuposta condição de inferioridade com relação à civilização moderna. O lugar da Teologia cessa assim de ser a comunidade cristã, isto é a Igreja, e se torna a interpretação dos indivíduos. Neste sentido, o pós Vaticano II representou a vitória do protestantismo no interior do catolicismo” (Henri de Lubac, O Verdadeiro Concílio e Quem o Traiu, in “Il Sabato, 12- 18 de Julho de 1980, apud Antonio Socci, Il Quarto Segreto di Fatima, Rizzoli, quinta edição, Fevereiro de 2007, p. 213).

    Dom Fellay nos dá uma pista para entender o senhor. Disse ele recentemente numa entrevista: “Chega o papa Francisco. Gostaria de dizer a mesma coisa. “Tudo está bem!“. Com o papa Bento há coisas que não estão bem. Com o papa seguinte tudo está bem. O concílio das mídias? Não existe mais, acabou. Além do mais, as mudanças, era muito bom, era preciso isso; Ele vai até dizer que está absolutamente fora de questão discutir o concílio, ele é a vida da Igreja, isso é fato.

    Olha Bergóglio, o senhor está caindo na própria arapuca que armou… Já imaginou que coisa insólita um Papa usar de um filme pra dar indiretas pra seus desafetos??? Coisa feia… Ainda que usasse de teólogos do seu gosto para contradizer seus opositores, ainda mereceria nosso respeito, mas, “a festa de Babete???? CRUZ CREDO AVE MARIA….

    Só imagino Papa Bento lendo suas pérolas…

    Não é só os Cardeais que estão insatisfeitos não, caro Bergóglio, é muito mais gente que o senhor pensa…

    Todo mundo sabe a raiva que o senhor está passando por essa iniciativa dos EMINENTÍSSIMOS CARDEAIS, mas não se preocupe… “o carnaval acabou”, mas sua saga de invencionices e não por que de heresias está a todo vapor…Prepare-se, se puder, para cair ainda mais no ridículo…

    NÃO SE ESQUEÇA DE 2017….

  16. Quando faltam argumentos há sempre o argumento Ad hominem ,”.. as críticas .., não são honestas, são feitas com espírito ruim, para fomentar a divisão. .. certos rigorismos nascem de uma falta, nascem da vontade de esconder dentro uma armadura, a própria e triste insatisfação.”
    Realmente o Vaticano não passa de uma fachada pintada de Igreja católica porque de conteúdo católico não tem nada. Agora resta-lhe a conversa de sogras.

  17. Quando não tiver resposta, fale “Concílio” [2]

  18. Precisamente, em A festa de Babete, o “rigorismo” denunciado pelo Papa provém de protestantes, continuamente afagados por ele (vide sua última viagem a Lund), como autênticos cristãos. Babete, que é francesa e católica, por isso mesmo mal vista no início, é quem introduz naquele ambiente pesado um pouco de “festa”. Não sei se o Santo Padre pensou na essência do exemplo por ele aduzido. Contesta inteiramente o seu proceder.