Misericordia et Misera: nova Carta Apostólica de Francisco.

Íntegra no site do Vaticano da Carta Apostólica para o encerramento do Ano da Misericórdia.

Sobre a FSSPX, dispõe o Papa Francisco:

No Ano do Jubileu, aos fiéis que por variados motivos frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, tinha-lhes concedido receber válida e licitamente a absolvição sacramental dos seus pecados.[16] Para o bem pastoral destes fiéis e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar, com a ajuda de Deus, a plena comunhão na Igreja Católica, estabeleço por minha própria decisão de estender esta faculdade para além do período jubilar, até novas disposições sobre o assunto, a fim de que a ninguém falte jamais o sinal sacramental da reconciliação através do perdão da Igreja.

A seguir, matéria da agência Ecclesia, da Conferência Episcopal de Portugal:

Igreja/Aborto: Papa decide alargar faculdade de absolvição a todos os sacerdotes

Decisão tomada no Jubileu da Misericórdia ganha agora caráter definitivo

Cidade do Vaticano, 21 nov 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco anunciou hoje a decisão de alargar definitivamente a faculdade de absolvição de quem praticou o aborto a todos os sacerdotes, mantendo assim a prática do Ano Jubilar da Misericórdia que se concluiu este domingo.

“Para que nenhum obstáculo exista entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto”, escreve, no número 12 da carta apostólica ‘Misericórdia e Mísera’, divulgada esta manhã pelo Vaticano.

Francisco precisa que aquilo que concedera a todos os padres, de forma limitada ao período jubilar, fica agora “alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário”.

“Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai”, explica.

O Papa espera que os sacerdotes católicos sejam “guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação”.

A prática do aborto implica, segundo o Direito Canónico, a excomunhão ‘latae sententiae’ (automática), exigindo até agora a confissão ao bispo (ou os padres a quem o bispo desse essa faculdade) para a remissão da pena.

Francisco decidiu ainda manter o serviço dos “Missionários da Misericórdia”, mais de mil sacerdotes de vários países, incluindo Portugal, que foram enviados no ano santo extraordinário (dezembro 2015-novembro 2016) para promover o perdão dos pecados.

“Desejo que permaneça ainda, até novas ordens, como sinal concreto de que a graça do Jubileu continua a ser viva e eficaz nas várias partes do mundo”, adianta o Papa.

A carta anuncia também que os fiéis que assim o desejarem podem continuar a confessar-se nas igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, um gesto explicado com o desejo de restabelecer “a plena comunhão na Igreja Católica”.

O pontífice argentino pede a todos os padres que se preparem com “grande cuidado” para o ministério da Confissão, acolhendo cada pessoa com misericórdia e comunicando o amor de Deus.

“Isto requer, sobretudo por parte do sacerdote, um discernimento espiritual atento, profundo e clarividente, para que toda a pessoa sem exceção, em qualquer situação que viva, possa sentir-se concretamente acolhida por Deus”, escreve.

Francisco deseja uma redescoberta do “ministério da reconciliação”, particularmente valorizada em iniciativas como as ‘24 horas para o Senhor’, na Quaresma.

“Que a ninguém sinceramente arrependido seja impedido de aceder ao amor do Pai que espera o seu regresso e, ao mesmo tempo, a todos seja oferecida a possibilidade de experimentar a força libertadora do perdão”, apela.

A nova carta apostólica propõe ainda iniciativas para a valorização da Bíblia na vida dos católicos, sugerindo às comunidades que escolham um domingo do ano litúrgico para “renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura”.

‘Misericordia et misera’ foi assinada publicamente este domingo, na Praça de São Pedro, após o final da Missa que encerrou o Jubileu da Misericórdia, 29.º Ano Santo na história da Igreja Católica.

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38 Comentários to “Misericordia et Misera: nova Carta Apostólica de Francisco.”

  1. Em 90-100 a Didaqué ou o primeiro Catecismo Cristão dizia:

    Não matarás… não cometerás adultério. Não matarás criança por aborto nem criança já nascida (2, 2).

    Rezemos

  2. Graças a Deus, nada de acordo!

    Sobre o resto, mais do mesmo.

  3. bem……o sonho do Papa Francisco, é emitir uma bula em que diga que a Igreja não necessita de culto, pois “o que interessa é amar”

  4. Outra permissão que o Papa poderia alargar aos sacerdotes é a permissão de fazer exorcismos. Nesse sentido o Pe. Gabriele Amorth, de saudosa memória, tentou obter do Papa, infelizmente sem sucesso, a permissão para todos os sacerdotes fazerem exorcismos. Isso também é uma necessidade pastoral, pois não é só o mal do aborto que cresce devido à descristianização das consciências, mas também as diversas práticas do ocultismo que levam a diversos níveis de compromentimento com demônio, e, consequentemente, vários níveis de sofrimento. Não são só as pessoas que estão estritamente possessas que necessitam de exorcismo, mas qualquer pessoa que de alguma forma se envolveu ou comprometeu-se com o demônio. Também essas pessoas que caíram nas garras do demônio precisam da misericórdia de Deus.

    • Seriam raros os padres que têm condições de fazerem exorcismos, porque o chifrudo conhece a fundo quem está tentando exorcizar ele e desmonta os que atrevem encarar ele sem disporem de condições; os padres para exorcismos são escolhidos a dedo pelo bispo.

  5. Acho muito louvável a atitude do Papa Francisco de alargar a permissão de absolver o pecado do aborto a todos os sacerdotes. Vivemos em tempos em que a consciência, mesmo dos cristãos, deixou de ser cristã, quer dizer, não se orienta mais por valores e princípios cristãos, não tem mais consciência da moral cristã. É necessário, portanto, facilitar e não dificultar o perdão dos pecados, inclusive do aborto.

    Agora outra situação pastoral preocupante que o Papa deveria agraciar, e que eu já mencionei no meu comentário anterior, é a situação que se torna cada vez mais comuns de pessoas que se envolvem com o ocultismo ou com religiões não cristãs, Nova Era, etc e que, por isso, ficam envolvidas com o demônio sofrendo os mais diversos tipos de males. Essas pessoas também precisam de misericórdia. E uma das formas de fazer isso é conceder permissão a todos os sacerdotes de fazerem exorcismos, pois o exorcismo não é somente para quem está estritamente possesso, mas para qualquer pessoa que esteja de alguma forma sendo atormentada pelo demônio.

  6. A Igreja sempre deixou claro que a aplicação de medidas punitivas também possuem um caráter educativo.
    Vejam o caso das exéquias para os suicidas e da cremação ao invés do sepultamento.
    A Igreja Católica durante décadas foi contrária ao rito de cremação para católicos praticantes. Agora, no entanto, parece mostrar-se de acordo. Desde 1963, que a Igreja passou gradativamente da condenação à aceitação da cremação.
    Na verdade, tal condenação nunca teve caráter absoluto, pois no período que vai do século IV ao XIX, foi permitido incinerar os cadáveres em países cristãos afetados por situações de emergência, como em casos de epidemia e catástrofes.
    Mas por volta do século XIX, quando tal opção tornou-se a favorita da Maçonaria, como símbolo anti-católico, a Igreja fez por bem bani-la e censurá-la para defender o Dogma da Ressurreição da carne. Daí a medida punitiva e ao mesmo tempo educativa de se negar as exéquias e o funeral Católico àqueles que optam pela cremação.
    O mesmo se dá com as exéquias para os suicidas. Só o fato de lembar aos que contemplam tal ato extremo, que não terão um funeral Católico e nem sequer uma cruz sobre sua lápide, por muito tempo serviu como advertência aos incautos.
    O que eu vejo agora com essa medida sobre a questão do aborto é apenas mais um relaxamento que visa banalizar a prática de um dos pecados que grita ao céu por vingança ( homicídio voluntário) relegando-o à categoria de pecado comum.
    Qual será o próximo a sair da lista dos pecados que gritam ao céu por vingança? Com certeza, a prática da sodomia! Mas a lista não será extinta, haverá apenas a substituição pelos pecados ambientalistas e capitalistas!
    A Igreja como mãe e mestra aconselha e exorta. Não seria então o caso de promover um retorno ao seu papel e dever, de exigir a observância de certos preceitos necessários para que alguém possa ser chamado de católico? Ou seja, viver pela moralidade divino-natural que é expressa nos Mandamentos?
    Será que estamos certos de que uma vez que a arma de gravidade foi deposta e substituída pela arma da misericórdia (como se a Igreja por centenas de séculos tivesse esquecido da misericórdia), aconteceu mesmo a famosa primavera da Igreja?
    Me parece que foi bem o contrário, afinal foi o próprio Paulo VI que falou da fumaça de Satanás entrando no templo, a tempestade de inverno sacudindo a Igreja permeada por um pensamento não-católico.
    Para se evitar o afogamento o leme da Igreja precisa ser tomado vigorosamente. O pastor que ama as suas ovelhas, também usa a vara para perseguir os lobos e mantê-las na via reta.

  7. Esse mundo não vai muito longe!
    O assassinato de crianças ainda no útero é um pecado hediondo que brada ao céu, mas não é menos perdoável do que qualquer outro pecado desde que haja a contrição do arrependimento sincero e uma severa penitência. No momento que o mundo legaliza essa prática sem uma veemente posição contrária da Igreja, a “piedade” de Bergóglio a corrobora. Na prática, essa absolvição indiscriminada entroniza o espírito de Herodes definitivamente na Igreja.
    Senhor tenha misericórdia!

    • Meu Deus, vocês estão ouvindo a si mesmos? Estãi falando como se o aborto tivesse sido “liberado”! Qual o problema de vocês?

    • Ao pecador ARREPENDIDO nunca pode-se fechar a porta da comunhão, e não se trata disso a nossa oposição, o nosso problema é que mesmo pecadores, a Santa e Imaculada Igreja é o farol que nos guia, por isso queremos e necessitamos-a resplandecente e sem máculas, mesmo que seja necessário amputar a nossa mão que a escandaliza.

      Esse crime hediondo já foi legalizado na maioria dos países, há relatos jornalísticos sérios que bebês abortados são utilizados como matéria prima para cosméticos, no Brasil apesar de ser ilegal na maioria dos casos o abate clandestino de bebês uterinos é uma grande industria. Qualquer abertura mesmo que tácita que facilite ou leve ao aborto é um caminho da danação.

      A Igreja tratou desse pecado hediondo com muita diligência, e assim compreendo que deveria continuar a ser tratado. É claro que há padres e padres, uns são zelosos e santos e seus cálices transbordam a verdadeira misericórdia, outros são apóstatas e à título de uma falsa misericórdia não pestanejarão em relativizar os sacramentos para encher o cálice com o sangue dos inocentes.

  8. “Que a ninguém sinceramente arrependido seja impedido de aceder ao amor do Pai”…, disse o Papa.

    Caríssimos, um pecador está no fundo do abismo, sobrecarregado de enormes e numerosas faltas. Se morresse assim sem ter um arrependimento perfeito com o desejo de se confessar, ou então com arrependimento imperfeito mas sem ter recebido a absolvição (às vezes a Extrema-Unção) estaria condenado eternamente. Mas se confessa com o coração penetrado de dor, ao menos da contrição imperfeita, com que a divina bondade se contenta, quando se junta ao sacramento, e ei-lo reconciliado com Deus e consigo mesmo! Os seus pecados estão perdoados; deixam de chamar sobre a sua cabeça terríveis vinganças, porque já não existem. “Por amor de mim, diz o Senhor, por amor da glória que tenho em perdoar, eu mesmo apagarei as tuas iniquidades, e não me lembrarei dos teus pecados” (Cf. Isaías XLIII, 25). O silêncio absoluto a que é obrigado o meu confessor, é o sinal do silêncio eterno que Deus guardará a respeito das minhas prevaricações. Afogam-se no Sangue de Jesus Cristo, como os Egípcios nas ondas do Mar Vermelho.

    Mas o Sagrado Coração de Jesus deseja que creiamos sem duvidar nunca do seu perdão. Porque ele é Deus, mas Deus de amor! É Pai, mas Pai que ama com ternura e não com severidade. O Coração de Jesus é infinitamente sábio, mas também infinitamente santo, e como conhece a miséria e fragilidade humanas, inclina-se para os pobres pecadores com Misericórdia infinita. Jesus Cristo ama as almas, depois que cometeram o primeiro pecado mortal, e vêm pedir humilde e confiantemente o perdão. E ama-as ainda, quando choram o segundo pecado e, se isso se repetir, setenta vezes sete, ou seja, sempre, ama-as e perdoa-as sempre, e lava no mesmo Sangue divino o último como o primeiro pecado. O Coração de Jesus não se cansa das almas, e espera sempre que venham refugiar-se n’Ele, por mais miseráveis que sejam! Não tem um pai mais cuidado com o filho que é doente, do que com os que têm boa saúde? Para com esse filho, não são maiores as delicadezas e a sua solicitude? Assim também o Coração de Jesus derrama sobre os pecadores, com mais liberalidade do que sobre os justos, a sua compaixão e a sua ternura. Na verdade a Misericórdia do Coração de Jesus é inesgotável: às almas frias e indiferentes, o Coração de Jesus é fogo, e fogo que deseja abrasá-las, porque as ama; às almas piedosas e boas, o Coração de Jesus é caminho para se adiantarem na perfeição e chegarem com segurança ao termo feliz. Mas Jesus Cristo quer que todas as estas almas se aproximem do Sacramento da Confissão com grande confiança na sua Misericórdia.

  9. Não quero criticar, avançar à frente de nossos prelados que tecerão suas observações.
    No entanto, confiram:
    Num trecho de 32 linhas na íntegra encontrei a palavra misericordia 20 vezes.
    Noutro de 5 linhas, 3 vezes.
    Noutro de 4, 2 vezes.
    Noutro de 7 linhas, 4 vezes.
    Noutro de 7 linhas 5 vezes…
    Salvo engano, referencia à justiça apenas uma vez, e nada teria encontrado de penas aos pecadores indispostos a se converterem e muito menos condenação ao inferno.

    • Isso é um sinal de que as profecias de Jesus Misericordioso estão se cumprindo: “Antes de vir como justo Juiz, venho como Rei da Misericórdia.” (Diário de Santa Faustina nº 83)

  10. Ao meu ver, a insistência do Papa Francisco na misericórdia assinala o tempo da misericórdia divina que precederá o tempo da justiça divina nos últimos tempos, conforme as revelações de Jesus Misericordioso à Santa Faustina kowaska.

  11. Leonel Brizola dizia: “quando tivermos dúvida sobre algo, façamos o seguinte: se a Globo for contra somos a favor; se a Globo for a favor somos contra.” Faço minha suas palavras, substituindo “Globo” por “Francisco”…

  12. E já que estamos em tempos de DUBBIA, eu queria que alguém me esclarecesse uma outra.
    Ignorando a excomunhão ipso facto que sofre tanto quem aborta como quem colabora com o aborto, o que Bergoglio fez na verdade foi equiparar o pecado de aborto ( homicídio voluntário) a qualquer outro pecado. Antes era requerido se dirigir ao Bispo, porque apenas esse tinha o poder de suspender a excomunhão que tal pecado acarreta automaticamente.
    Agora, pelo visto, (já que não é mencionado na Carta Apostólica) a excomunhão ainda permanece, mas é como se não existisse mais. Você pode ir direto ao sacerdote no confessionário e num passe de mágica desaparecem tanto o pecado do aborto como a pena da excomunhão acarretada por ele.
    Eu entendi errado ou agora o sacerdote também tem poderes pra anular excomunhões?

    • Seria a divisão de poderes, Gercione? Daqui a pouco o padre mandando quase ou igual o bispo – como tantos mandando e desmandando, igualzinho os pastores das igrejas crentes?

  13. Já que alguns leitores mencionaram nos comentários acima as supostas revelações privadas da Irmã Faustina Kowalska, peço permissão para convidá-los a conhecerem o seguinte artigo, que trata das razões teológicas para a condenação da “devoção à divina misericórdia” pelo Santo Ofício (antes do Vaticano II): https://aciesordinata.wordpress.com/2015/10/17/a-voz-de-roma-xvii/
    Acrescentaria ao artigo, como pequeno adendo, que a constatação do espírito de nossa época – tal como o vemos representado por Francisco e pelos outros “misericordiosistas”, para os quais a Justiça Divina como que deixou de existir -, desaconselha essa devoção como inconveniente, por motivos bastante óbvios. E Nosso Senhor não viria dar à Sua Igreja uma devoção no mínimo inconveniente para as circunstâncias históricas…

    • Sr. bhartolomeu,
      Fico perplexo quando leio supostos católicos (seja leigos ou religiosos) escreverem e insistirem em fatos já superados pelo autêntico magistério da Igreja.
      Atualmente, Santa Faustina Kowalska encontra-se em um lugar privilegiado no Paraíso (junto com a Santíssima Trindade). Ela, como diversos santos, foram em vida perseguidos, caluniados e censurados. Superaram tais provações com a confiança inabalável no Deus Uno e Trino.
      Recomendo a todos a leitura do famoso “Diário da Santa M. Faustina Kowalska”, que trata da Misericórdia Divina na sua alma. Tudo nessa obra é sobrenatural: o quadro, a hora da misericórdia (15h), o Terço, a Festa…

      Detalhe:
      A Misericórdia consiste na Última Tabua de Salvação da Humanidade . Depois virá o Tempo da Justiça Divina.
      Aconselho que o Sr. bhartolomeu leia, reflita sobre a visão do Inferno descritos nessa obra, em particular das penas dos condenados.
      Em suma: a obra da Santa Faustina não diz respeito à Misericórdia, mas também da Justiça Divina, os dois maiores atributos de Deus.
      Boa leitura a todos!

    • Amigos, atenham-se ao assunto do post. Obrigado,

  14. Outro dia vi numa igreja paulistana um presépio onde a gruta de Belém estava na lateral esquerda, e o centro do presépio era ornado com uma imagem de Bergoglio. O centro do presépio não era o Menino Jesus. E a cada dia que passa noto nos sermões que os padres só repetem como papagaios o que esse papa fala, como nunca fizeram com nenhum outro papa: “Pipi frincisqui dissi issi, di aquirdi cim o pipi frinciscqui”, etc, etc. Chega a ser irritante. Dia virá em que a maioria do clero deixará de lado os dois milênios de caminhada da Igreja para seguir unicamente os preceitos bergoglianos. E nenhum dos ‘pecadores’ a quem ele quer agradar terá deixado de pecar para seguir essa nova religião.

    • J Viegas,
      Estou no interior de São Paulo, aqui também tenho percebido a mesma coisa: parece um frenesi repetir tudo o que o Bergoglio fala.
      Como a “esquerda” dominou o clero, finalmente chegou um “bispo de Roma” que eles se identificassem.

  15. Qual seria o grande problema que impedem essas pessoas de se ajoelhar aos pés de um bispo? na hora de procurar a clínica para o (procedimento) , não tiveram dificuldade alguma…

  16. “A compararei os homens desta geração? Com quem se assemelham?

    32.São semelhantes a meninos que, sentados na praça, falam uns com os outros, dizendo: Tocamos a flauta e não dançastes; entoamos lamentações e não chorastes.

    33.Pois veio João Batista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Ele está possuído do demônio.

    34.Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e libertinos.

    35.Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras.”

    (Lc 7, 31-35)

    • Incomodado, não é OCD? Sabe por que? A vocação humana é para as grandes coisas. Quando alguém está apodrecendo na mediocridade ou se afogando de vez no vômito dos seus próprio vícios, então, lá no fundo, desespera como se estivesse obrigado a ficar olhando uma parede – uma única e mesma parede- o resto da vida. Sabe que o vício não lhe dá saciedade. Sabe que bebe água salgada sempre que aposta na mentira e nas próprias idiossincrasias e taras. Cansado de si mesmo, debocha, gargalha, dá risadinha dos “sérios”, dos “fariseus”, dos “legalistas” enquanto atola na areia movediça. E atola sempre mais. É uma ciranda…. O pecado arrasta … Ouve o tempo todo um barulho surdo. Vive como um autômato, de escravo de uma rotina insuportável, incapaz de um pouco de sair do mundinho apertado em que se confinou cético e egoísta, não consegue ver nada além de seus interesses mesquinhos dos seus brinquedinhos de menino bocó que não quer crescer: aposta sempre na própria neurose. Não acredita que pode mudar de vida.

      Santo Agostinho e Santa Maria Madalena, rogai..

  17. O tal padre sertanejo da TV Aparecida agora tem a autorização de perdoar o aborto.

  18. Ao se tratar de um assunto em particular, é mais do que normal e compreensível que o termo que o exprime seja muito mais vezes repetido do que o seu contrário. O nosso falar deve ser: “Sim, sim; não, não”. Assim é normal, que, em se tratando de MISERICÓRDIA, o Papa empregue muitas vezes este termo. Mas, outrossim, para bem da verdade e da justiça, devemos reconhecer e enumerar as vezes que o Papa lembra a necessidade do arrependimento, e, é claro, não poderia ser diferente. Se assim não tivesse sido, aí sim, caberia críticas, mesmo assim, positivas e respeitosas. Sei que espíritos de laivos jansenistas me censurarão. Não me importo. Falo com a consciência tranquila diante de Deus.
    Quero também deixar claro que aqui me restrinjo estritamente ao documento papal em apreço.
    Aos que trazem laivos de Jansenismo aconselho que leiam as parábolas de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a misericórdia e procurem enumerar a palavra JUSTIÇA aí empregada pelo Divino Mestre.
    Aproveitando o ensejo para uma observação importantíssima: Só receberão a absolvição no sacramento da Penitência, quem estiver sinceramente arrependido. Caso contrário, o confessor, em consciência diante de Deus, deve negar a absolvição.

    • Com todo o respeito, Padre Élcio, mas o sr. está sendo ingênuo diante de Bergoglio além de – perdoe-me a dureza da repreensão – simplório e sentimentalista em matéria doutrinária e em matéria pastoral. Um dos seis pecados contra o Espírito Santo é a presunção de salvar-se sem merecimentos, e nossa época está mais do que afundada nesse pecado, sendo que grande parte dos que ainda acreditam em Deus e na vida eterna acham que tanto eles quanto os maiores pecadores vão se salvar de qualquer jeito, porque a misericórdia divina não deixará de compadecer-se deles… Outros julgam que uma conversão meramente parcial ou um arrependimento puramente natural bastará para justificá-los. Outros, ainda, querem um perdão que exclua a estrita necessidade de reparação e expiação do mal praticado. E por aí vai. De modo que o que menos falta faz nos tempos atuais é vir aos homens falar sobre confiança na misericórdia divina, visto que o problema deles é justamente o excesso abusivo nessa confiança, cujo sentido eles pervertem para poderem pecar com mais tranquilidade. Vir pregar a confiança na misericórdia divina para os homens atuais é, numa comparação, o equivalente a ir pregar a importância da Bíblia para protestantes que já super-idolatram esta, em desprezo da Tradição. Não falta confiança aos crentes atuais: pelo contrário, falta-lhes é temor, santo temor. Se vivêssemos num tempo de almas escrupulosas e excessivamente timoratas, seria bom recordar-lhes assiduamente o dever de confiar na bondade de Deus. Mas se vivemos numa época cuja paixão dominante inclina-se antes para a presunção de salvar-se sem merecimentos do que para a desesperação da salvação, então são os rigores da Justiça Divina que convêm pregar, e isso pelo próprio bem das almas. Isso não é nem de longe Jansenismo – isso é caridade verdadeira para com as almas, e aplicação prática de um inteligente discernimento dos espíritos e das circunstâncias.

  19. Jansenismos à parte, permanece a “DUBIA”:

    Diz o Catecismo da Igreja Católica:

    § 2272 A cooperação formal para um aborto constitui uma falta grave. A Igreja sanciona com uma pena canônica de excomunhão este delito contra a vida humana. “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae” “pelo próprio fato de cometer o delito” e nas condições previstas pelo Direito. Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia. Manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao ‘inocente morto, a seus pais e a toda a sociedade.

    Diz a Carta Apostólica MISERICORDIA ET MISERA:

    12. Em virtude desta exigência, para que nenhum obstáculo exista entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto. Aquilo que eu concedera de forma limitada ao período jubilar[15] fica agora alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário. Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai. Portanto, cada sacerdote faça-se guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação.

    Ora, o único obstáculo que eu vejo aqui entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus é o fato do penitente se encontrar em um estado de excomunhão latae sententiae e esse “pequeno detalhe”, sequer é mencionado na Carta Apostólica.
    Em que pé ficamos então? Foi concedido aos sacerdotes também o poder que era exclusivo do Bispo de religar o que estava desligado? Afinal até há pouco tempo, a excomunhão para o crime do aborto era automática e só poderia ser levantada (suprimida) com a absolvição do Bispo local ou de quem ele conferisse tal capacidade.
    Seja como for, minha dúvida vem do fato de que essa mesma Igreja que se abre à misericórdia é totalmente avessa à contradição.
    Me lembro bem das anulações das excomunhões dos Bispos da SSPX. Quando foram chamados pelo Papa pra dialogarem sobre o status da SSPX, a primeira coisa que deixaram claro é que a Igreja não negocia com cismáticos e excomungados, portanto o levantamento das excomunhões era um pré-requisito pra se iniciar as conversações.
    Da mesma forma eu vejo essa questão do aborto. O penitente precisa saber antes de mais nada, que ele se encontra automaticamente fora da Igreja por ter incorrido em uma excomunhão latae sententiae e que para que essa pena seja suprimida ele precisa recorrer ao Bispo primeiramente.
    O simples fato do penitente estar disposto a trilhar esse caminho já é sinal de “um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai”. E é nesse âmbito que podemos afirmar sem sombra de dúvida “que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir”.

  20. Todo pecado mortal com sincero arrependimento e disposição de não comete-lo, pode ser perdoado, por mais grave que seja. Porque há excomunhão para quem pratica ou colabora com o aborto e não há excomunhão para quem pratica ou colabora com um infanticídio por exemplo ? ( que talvez seja até mais grave pois o criminoso esta vendo a criança) Porque o infanticídio já é punido pela lei civil. Desta forma a Igreja quis aplicar a maior pena que existe na Sua legislação: A excomunhão, para este pecado e crime, justamente porque em muitos países não são punidos pela lei civil. A excomunhão, além de indicar a gravidade do pecado, ela é um fator inibidor das consciências, principalmente dos cristãos. O fato do Papa alargar o perdão do pecador arrependido a buscar a reconciliação através do sacramento da reconciliação, pode a princípio parecer benéfico, mas pode também na prática nivelar este crime hediondo que é o aborto a outros pecados mortais menos graves. Penso que se alguém cometeu ou ajudou a praticar o aborto deve ter todo acesso ao perdão. Não vejo obstáculo algum, ou falta de misericórdia, alguém procurar o Bispo ou um sacerdote indicado por ele na diocese, para pedir perdão deste crime hediondo, acho uma humilhação até pequena e redentora, totalmente suportável, para quem cometeu um pecado tão grande. Não tenho capacidade de avaliar se esta atitude do Papa Francisco vai ajudar a inibir ou não o cometimento do crime hediondo do aborto. Pois isso sim é o mais importante !

  21. Ha necessidade de misericórdia até quando discute-se opiniões.
    Quando o “debatente” adjetiva previamente não há misericórdia alguma, é apenas uma falácia argumentativa (“cum hoc ergo propter hoc”). Ataques “ad hominem” contra um suposto oponente pode sutilmente jogar dúvida em seu caráter ou atributos pessoais. O resultado desejado de um ataque “ad hominem” é prejudicar o oponente sem precisar de fato se engajar no argumento dele ou apresentar um próprio.

    Ninguém em sã consciência é contra a bela fala do “Papa” sobre misericórdia. O que se questiona é a oportunidade dessa medida diante da da degradação moral dos nossos dias inclusive no clero. A justiça de Deus é perfeita e pressupõe a bênção e o castigo. Em toda a Escritura vemos a advertência que a benção e a maldição são consequências das atitudes humanas. É salutar discutir a misericórdia, o objetivo da Santa Igreja e salvar almas e não perde-las ainda mais.

    Uma das doenças da nossa sociedade é a impunidade, vivemos uma época que praticamente tudo pode e tudo convém e cada passo à frente conduz ao abismo.

    Uma das marcas desse período da História em que estamos vivendo é a relativização dos valores, que em si mesma já é um mal, mas não se constitui no final do processo de degeneração moral, é apenas uma passo adiante para se chegar à conclusão de sua implementação.

    Primeiro, se relativiza o valor para, depois, substituí-lo por outro com o qual foi equivocadamente equiparado. A relativização objetiva forçar uma equivalência absurda entre a virtude e o pecado para, mais à frente, tornar a virtude um pecado e o pecado, uma virtude.

    O culto ao mal eu considero o aspecto mais nefasto deste processo, pecadores impenitente em geral são tratados como vítimas, enquanto os retos e fervorosos são representados como chatos, tolos e mal informados, cismáticos e jansenistas.

    O bem e o mal existem como dados absolutos e transcendentais. A nossa identidade Cristã é composta de muitos valores absolutos que não podem ser relativizados com o passar do tempo, é a bússola sem a qual ficaríamos à deriva.

    A relativação promoveu a secularização da sociedade, agora atua na dessacralização da Igreja e na secularização da religião. Nessa etapa a fé ainda é aceita desde que se comporte como uma boa menina obedecendo a cartilha do politicamente correto.

    Essa nova “religiologia” em curso ignora os lírios do campo e transforma a Igreja de salvadora de almas num sindicato socialista de pecadores e desalentados cujos anseios mundanos é o fim principal. Deus, Deus, Deus está em todas as bocas, mas é tratado como um mero coadjuvante da causa, tipo um papai noel que vai chegar logo com saco de bondades para todos.

    Muitos princípios morais e cristãos essenciais passaram a serem vistos como algo pernicioso, meros conceitos subjetivos de um mal social; a tática satânica visa reduzir Deus a uma simples construção filosófica.

    Remamos contra essa maré, algumas medidas continuam a causar-nos preocupação, não por elas em si, mas por causa dos seus efeitos…

  22. Deixa ver se entendi.
    Uma mãe que aborta seu filho no 8o mês de gestação ou logo antes de nascer…esse pecado horroroso ficaria equiparado a um pecado solitário contra a pureza, como por exemplo um jovem que assistiu a um filme imoral?
    Não seria isso um facilitador para o aborto?
    Não seria tornar o aborto um pecado banal com o passar do tempo?

  23. Alguém irá comentar sobre a autorização permanente do Papa Francisco em relação à Fraternidade de São Pio X, ou iremos apenas criticar as decisões que não nos agradam?

  24. Caríssima Sr.a Gercione Lima, Salve Maria! Com a graça de Deus procurarei resolver sua dúvida. O grande teólogo Noldin (autor que estudei no Seminário), falando da “forma do sacramento da Penitência diz: (Traduzindo) “Por prescrição da Igreja, por cautela, o confessor tem obrigação de absolver as censuras (ab omni vinculo excommunicationis, suspensionis [q. o penitente é clérigo] et interdicti) antes de dar a absolvição dos pecados, porque não convém que o penitente seja reconciliado com Deus antes de o ser com a Igreja” E continua Noldin: Quando é certo que o penitente incorreu em alguma censura, e se no caso o padre tem a jurisdição de perdoar o pecado reservado, e ele omite a absolvição da censura, comete o confessor pecado mortal contra um grave preceito da Igreja, mas a absolvição é válida. Parece que o Papa não aboliu a excomunhão em caso de aborto provocado e cujo efeito houve. Se o fizer, seria lastimável.
    Uma observação muito importante: O confessor, sob pena de pecado, que pode ser grave, tem obrigação de dar ao penitente absolvido uma penitência proporcional à gravidade do pecado. Portanto, no caso de aborto que é um pecado gravíssimo e horrendo que brada aos céus, a penitência terá que ser muito grande.
    O Papa, talvez por ser o Pontífice do ano, dando a jurisdição (que muita gente acha que não tinham) aos padres e bispos da FSSPX, estará dando oportunidade de muitos fiéis receberem a devida orientação. Falo isto pelo conhecimento que tenho de casos aqui no meu lugar. Talvez em alguns lugares não venha fazer diferença.
    Ao caríssimo “bhartolomeu” responderei, depois, se Deus quiser, porque esgotou-se o meu tempo.

  25. Caríssimo bhartolomeu, Salve Maria!
    Se eu não estiver enganado, foi o Sr. mesmo que me pediu para fazer aqui na minha coluna no “FRATRES IN UNUM” meditações sobre a fé. Caríssimo, seria bom ler os artigos que durante todo este ano jubilar da misericórdia escrevi sobre este assunto, justamente procurando o remédio para estes males que o senhor elenca acima: desfazer a falsa noção deste atributo divino e levar assim as almas a confiarem na verdadeira misericórdia. Aproveitando o exemplo que o senhor mesmo dá: Justamente porque os Protestantes aceitam a Bíblia mas a deturpam e interpretam erradamente, procuro no meu blog e aqui no “FRATRES” e nas minhas pregações ao povo dar a legítima interpretação da Bíblia. Seria uma ingenuidade sem nome e omissão pecaminosa deixar que os inimigos da Igreja deturpem o que ela tem de mais sagrado depois do Santíssimo Sacramento do Altar. A Bíblia é a Palavra de Deus, inspirada pelo Divino Espírito Santo, é uma das fontes da Revelação, é o argumento primeiro usado na Teologia. Isto não significa que não se deva igualmente defender a Tradição, que é a mesma Palavra de Deus, só diferindo na maneira de transmissão. Aplicando o exemplo ao nosso caso: Se a Justiça é atributo divino, a Misericórdia também o é, e a Bíblia diz que “A Justiça e a Misericórdia se oscularam”. O Sacramento da Penitência é a obra prima da Misericórdia divina e sem confissão não há salvação. Mas quando dizemos que o pecador deve estar arrependido significa que ele entende no justo sentido o que é Misericórdia, ou, em outras palavras, que se exige também a Justiça, pois o arrependimento sincero e sobrenatural é exigência da Justiça divina, assim como a penitência imposta pelo confessor. Então caríssimo, não podemos calar uma verdade porque ela não é retamente compreendida e consequentemente mal empregada. Pastoralmente falando, devemos estar cientes e levar em conta aqueles (mesmo que seja minoria) que têm fé, e por isso é que se arrependem dos seus pecados. E a estes o bom Pastor deve acolher com toda bondade quando arrependidos se ajoelham no confessionário. Agora, caríssimo, assim pensar e agir é “ser simplório e sentimentalista em matéria doutrinária e em matéria pastoral”?!
    Ademais, para maiores esclarecimentos inclusive para muito dos caríssimos leitores, vou citar o Código de Direito Canônico de 1917, feito no Pontificado de São Pio X e terminado e publicado no do Papa Bento XV: Cânon 2254 § 1. Nos casos mais urgentes, isto é, quando as censuras latae sententiae não podem observar-se exteriormente sem perigo de escândalo grave ou de infâmia, ou si é duro ao penitente permanecer em pecado mortal durante o tempo necessário para que o Superior competente proveja, então qualquer confessor pode no foro sacramental absolver das ditas censuras, impondo sob pena de reincidência, a obrigação de recorrer no prazo de um mês, ao menos por carta ou por meio do confessor, sem expressar o nome, se pode recorrer sem incômodo grave à S. Penitenciaria ou ao Bispo ou a outro Superior que goze de faculdades para tanto, e a obrigação também de ater-se aos seus mandatos”.
    § 3. E se em algum caso extraordinário é moralmente impossível este recurso (…) pode o mesmo confessor dar-lhe a absolvição sem impor-lhe a obrigação de recorrer, porém, mandando-lhe aquilo que em direito deva mandar-se e impondo-lhe côngrua penitência e satisfação em lugar da censura, de tal forma que o penitente incorra de novo nela, se dentro de um prazo prudencial, que haverá de fixar-lhe o confessor, não faça a penitência nem dá a satisfação”.
    Embora não seja o Código de Direito Canônico em vigor, quis citar estes cânones para mostrar que a Igreja sempre usou de misericórdia com os pecadores arrependidos, e, é obvio, não poderia ser diferente.
    Caríssimo, quero deixar-lhe também bem claro que não alimento nenhuma ilusão e ingenuidade em relação ao Papa Francisco. Pelos meus muitos escritos o senhor já o deveria ter percebido.
    Depois, pelo que sei, o Papa não eliminou a pena de excomunhão em caso de aborto provocado e cujo efeito tenha se seguido. Mas se o fizer seria lastimável. Não sei se estou errado, mas tenho a impressão, até pelo que o senhor expôs em seu caridoso comentário, que talvez a maioria no orbe não dê lá mais muita importância à excomunhão. Uma coisa é certa, como remédio para se evitar este pecado monstruoso, já perdeu toda validade ou quase. Se muitos e muitos não têm mais fé, se nem acreditam no inferno, vão, por ocaso dar atenção à excomunhão? Mas, é claro, deve ser mantida porque pode dar mais força aos que ainda têm um pouco de fé.
    Assim, caríssimo, o seu gentil pedido para eu fazer medições sobre a fé, faz mais sentido do que seu conselho para se pregar só sobre os rigores da Justiça Divina. Não havendo o fundamento sólido da fé, seria construir sobre a areia.
    Para terminar: Quando emprego a expressão “laivos de Jansenismo”, não quero dizer que alguém é Jansenista, e, portanto, herege, mas quero apenas especificar aquelas pessoas que trilham uma via mais rigorosa, achando que este é o meio mais seguro de estar na verdade e defendê-la.
    Caríssimo, Nosso Senhor Jesus pregou não só para o seu tempo, mas para todos os tempos: “Minha palavras permanecem para sempre”. Ora, Jesus pregou sobre a Justiça e também sobre a Misericórdia, pregou sobre o Inferno, mas também sobre o Céu. Com a graça de Deus procuro fazer como o Divino Mestre. Obrigado, reze por mim!