Nada ambíguo. 

No último dia 10, foi lançado na Itália um novo livro organizado pelo influente jesuíta Antonio Spadaro, coletando principalmente sermões do então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio. Intitulado “Nei tuoi occhi è la mia parola”  [Em teus olhos está minha palavra”, em tradução livre], a edição contém também uma entrevista com o Papa Francisco. Nela, Spadaro pergunta ao bispo de Roma sobre a “Missa em latim”, ao que recebe como resposta:

[A Missa em Latim] É apenas uma exceção. O papa Bento realizou um próprio e generoso gesto para ir ao encontro de certa mentalidade de alguns grupos e pessoas que tinham nostalgia e que estavam distantes.

Questionado a respeito, na última quinta-feira, o cardeal Raymond Leo Burke respondeu:

Não há exceção. Trata-se da missa da Igreja de todos os tempos e, portanto, não pode ser jogada fora e tem igual dignidade. Quanto ao resto, basta ler o motu proprio do Papa Bento XVI. Que não é nada ambíguo.

burke

Com informações de Katholisches.

7 Comentários to “Nada ambíguo. ”

  1. Tomando-se por base a resposta sob a ótica do papa Francisco, quer dizer então tudo que se referiria aos tempos anteriores de 2000 anos de Magisterio da Igreja pertinente à S Missa até ao presente seriam meras recordações de saudosistas, nostálgicos?
    Essa situação se aplicaria àqueles que não apreciariam avanços, não aceitando a mentalidade de se adaptar de acordo com o tempo, ainda que fosse sob o impulso de ideologias, como hoje sucede, as quais possuem e são em si mesmas o relativismo absoluto, além desse que seria o objetivo a ser atingido e implementado na Igreja?
    E mais: os anteriores a ele distariam da realidade e hoje é que temos a verdade, que outrora fôra incompleta; doravante é que estaria devidamente revelada, pois apenas agora é que apareceu o “tempo favorável”?
    Preferimos: “Não há exceção. Trata-se da missa da Igreja de todos os tempos e, portanto, não pode ser jogada fora e tem igual dignidade. Quanto ao resto, basta ler o motu proprio do Papa Bento XVI. *Que não é nada ambíguo”.
    *Essa foi de doer.

  2. De fato, o motu proprio de Bento XVI não é ambíguo, pois diz claramente que a missa de antes do Vaticano II é a forma extraordinária.
    Com isso, indica o birritualismo, restando a missa reformada como o rito ordinário.

  3. Se Bergoglio não conseguiu ser um jesuíta das antigas – um intelectual versado nas ciências divina e humana- isso se deve, em parte, penso eu, pelo fato de sua formação intelectual (?) ter-se dado nos ruinosos anos de 1960, quando, plaudente orbe, parte do clero se esmerou em destruir e devastar as instituições católicas enquanto outra parte se escondia na moita de um vexaminoso silêncio. Houve, é verdade, nobres exceções.

    Bergoglio não conseguiu ser um jesuíta das antigas por conta seu confesso horror a “modelos abstratos” ou assuntos tais, e outros, que demandam alguma sutileza e refinamento intelectual, virtudes essas comumente ausentes na desorientada igreja-em-saída (do sambódromo) rumo às periferias inexistenciais…

    Mas se Bergoglio não tem a cultura de um jesuíta de outrora, tem ao menos a proverbial arte (jesuítica) de dissimular e dizer sempre o que o interlocutor quer ouvir. E isso bastaria para explicar a contradição das posições reportadas no artigo.

  4. Gente!

    É um Papa! Um Papa! Um Papa!!!!!!! falando da missa! da missa! da missa!!!!!!!!

    Senhor Jesus!!! Tem misericórdia de nós!!!!!!!!!

  5. “…Além disso, em virtude de Nossa Autoridade Apostólica, pelo teor da presente Bula, concedemos e damos o indulto seguinte: que doravante, para cantar ou rezar a Missa em qualquer Igreja, se possa, sem restrição, seguir este Missal com permissão e poder de usá-lo livre e licitamente, sem nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa incorrer em nenhuma pena, sentença e censura, e isto PARA SEMPRE.”

    Bula Quo Primum Tempore
    Papa São Pio V
    14 de Julho de 1570

    Graças a Deus tivemos São Pio V para nos confortar com essa Bula e São Pio X para nos defender do modernismo.

  6. Até o ambíguo CVII diz:4. O sagrado Concílio, guarda fiel da tradição, declara que a santa mãe Igreja considera iguais em direito e honra todos os ritos legitimamente reconhecidos…”
    Ninguém mais que um papa como Pio V reconhece este rito tridentino e junto dele uma multidão de almas santas ou como nós pobres pecadores.
    Mas palmas para D. Burke esse sim como sempre nada ambíguo.

  7. PS: O trecho citado é da Sacrosanctum Concilium.