São Paulo: 5 dioceses em um mesmo município!

A maior cidade do país, que no dia 25/1/2017 comemora 463 anos de existência, se sobressai também pela diversidade eclesiológica. No entanto, a mídia parecer crer que o arcebispo de São Paulo representa todos os católicos paulistanos. 

Por Edson L. Sampel | FratresInUnum.com: A geografia eclesial do Brasil geralmente compreende uma enormidade de municípios, formando uma única diocese. Por exemplo, a Diocese de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, compõe-se de dezenas de municípios.

Uma exceção à regra, em que se verifica o fenômeno inverso, é a cidade ou município de São Paulo, onde há 5 dioceses, a saber: a Arquidiocese de São Paulo, a Diocese de Santo Amaro, a Diocese de Campo Limpo, a Diocese de São Miguel Paulista e parte da Diocese de Osasco.

O termo “diocese” equivale à “Igreja particular”; é o gênero, do qual “arquidiocese” é espécie. Assim, diz-se corretamente que a Arquidiocese de São Paulo é uma diocese que se localiza no território da capital bandeirante. Juridicamente falando, salvo algumas situações raras, não ocorre nenhuma preponderância governamental de uma “arquidiocese” sobre uma “diocese”. Observe-se que a Igreja particular mais importante do mundo é a “Diocese de Roma”.

Os 5 bispos diocesanos que estão à frente de cada uma das dioceses do município de São Paulo titularizam o mesmíssimo grau de soberania e poder. Nenhum é maior que os outros. O bispo da Diocese de Campo Limpo, exemplificando, apenas deve obediência ao papa. Sem embargo, como uma das dioceses paulistanas, a Arquidiocese de São Paulo, ostenta o nome da cidade, toda vez que a imprensa secular  noticia algum posicionamento da arquidiocese acerca de determinado assunto, boa parcela dos munícipes e dos brasileiros, inclusive dos católicos incautos, creem que se fala em nome da Igreja ou do povo de Deus que está na cidade de São Paulo. Demais, a m&iacute ;dia, principalmente o jornalismo em papel, só concede espaço ao arcebispo de São Paulo. Grande injustiça! Em São Paulo existem 5 Igrejas particulares, isto é, 5 dioceses, com 5 bispos diocesanos plenipotenciários, com métodos e objetivos pastorais às vezes distintos! Um exemplo: na Arquidiocese de São Paulo ordenam-se homens casados para o diaconato permanente; o mesmo não sucede na Diocese de Santo Amaro, a qual não considerou oportuno instituir o referido ministério.

Recentemente, a Rede Globo de Televisão, no programa dominical “Antena  Paulista”, levou ao ar uma reportagem sobre o bairro de Santo Amaro, município autônomo até a década de 30, inclusive mais velho que a cidade de São Paulo. Entrevistado, o cura da catedral perdeu a oportunidade de explicar aos telespectadores que o extinto município de Santo Amaro corresponde hoje parte da Diocese de Santo Amaro, eclesialmente independente da Arquidiocese de São Paulo.

Edson Luiz Sampel

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano.

Membro do Conselho Diretor da Academia Marial de Aparecida (AMA).

Anúncios
Tags:

3 Comentários to “São Paulo: 5 dioceses em um mesmo município!”

  1. Não sei se a informação procede, mas já ouvi dizer que João Paulo II criou várias dioceses na região de São Paulo, ou no município de São Paulo, como queiram dizer, como forma de refrear o avanço da Teologia da Libertação.

    Agora, quanto às dioceses brasileiras serem constituídas de várias municípios, isso é algo que já venho observando e sobre o qual refletindo há algum tempo. E me tem parecido algo ruim, pois, humanamente falando, é muito difícil para um bispo sozinho governar uma diocese com tantos municípios. E a maioria dos bispos não aceitam ou não querem bispos auxiliares para as suas dioceses. Não sei o que pensa a Santa Sé sobre isso, mas penso que seria de se pensar em formar dioceses menores no Brasil, que permitissem os bispos gastem mais energia com um número menor de fieis, em vez de terem de pastorear com muitas limitações um rebanho em um território grande.

  2. O autor ainda não citou que há ainda os bispos autônomos orientais na cidade: Greco-Melquitas e Maronitas

  3. A informação do Alex procede. Me lembro bem que o Papa João Paulo II quis frear o Cardeal D Paulo Arns, de infeliz memória, com a divisão. A imprensa fez um alarde na época. Hoje esse falecido Cardeal é lembrado como um santo, mas só por que não o conheceu, ou pelos esquerdistas.