Reflexões da Sagrada Escritura: A consciência cristã.

“Tudo o que não é segundo a fé é pecado” (Rom. XIV, 23).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Todo ato cristão parte do íntimo da alma unida a Deus em conformidade com a Verdade que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim os dois conceitos FÉ e CONSCIÊNCIA CRISTÃ, coincidem perfeitamente. É, pois, a adesão interior a Jesus Cristo que faz nossa fé e nossa consciência. Portanto, quando o cristão unido interiormente a Jesus Cristo, age em desacordo com essa luz divina, peca. É neste sentido que S. Paulo diz: “Tudo o que não é segundo a fé é pecado”. São João Crisóstomo, com todos os intérpretes gregos, ensina que, no texto em apreço, “FÉ” quer dizer “CONSCIÊNCIA”.

Nuvens sobre o Vaticano.

Caríssimos, Nosso Senhor Jesus fez sua Igreja com sua hierarquia para ser a luz do mundo e o sal da terra. O Cristianismo é, por essência, uma doutrina sobrenatural da salvação. Seu fim é ensinar ao homem a sua elevação a um destino superior e subministrar-lhe os meios proporcionados à sua consecução. Mas a graça supõe a natureza. É a natureza do homem que é elevada à ordem sobrenatural. É sobre a natureza reta ou retificada que ele poderá realizar a sua missão sobrenaturalizadora. A moral humana e o direito natural só podem desenvolver-se e formular-se em corpo de doutrina pela Santa Madre Igreja. Por isso, onde e na medida em que o racionalismo laicista ou o materialismo ateu tentam banir a doutrina católica, renascem os ídolos pagãos com as suas servidões humilhantes e a pessoa perde sua dignidade. Enquanto os instintos cegos e as paixões indisciplinadas, onde a impureza, a ambição e o orgulho multiplicam os erros e as desordens, o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo será o único meio para difundir claridades para o verdadeiro progresso aqui e máxime para as vias que conduzem à Eternidade Feliz. A Igreja de Nosso Senhor Jesus esclarece as inteligências e possui o segredo de energias sobrenaturais capazes de fortalecer a vontade. É ela, e somente ela, que plasma e ilumina as consciências tornando-as certas, retas e delicadas. Sua ação é interior, profunda e eficaz. Na prática do bem a consciência apura-se numa delicadeza e sinceridade que deve ter por testemunha o olhar de Deus. O amor de Jesus Cristo, modelo de perfeição humano-divina, deve introduzir no dinamismo da vida moral dos verdadeiros católicos uma força misteriosa de dedicação e generosidade, chegando mesmo ao heroísmo do martírio. É o fruto da consciência bem formada, é o exercício da virtude exaltada até à santidade.

Mensageira autorizada da verdade e do bem, a Igreja não poderá jamais deixar de testemunhar a verdade de Jesus, assim como jamais poderá eximir-se de ligar as consciências a esta Verdade, sem que pretenda com isso, é óbvio, violentá-las. O que ela quer é a sua adesão não puramente exterior, mas interior. Quando esta adesão interior lhe é resolutamente recusada, a Igreja não força, mas não pode senão implorar a misericórdia divina que converta os recalcitrantes. Nunca será misericórdia abraçar o pecador com o pecado e tudo, no caso de o pecador se recusar a voltar atrás e se converter. A Igreja, a exemplo do Divino Mestre, é missionária, e deve ir à procura do pecador para o converter e não para falsear sua consciência no afã de tranquilizá-la no erro e no pecado. Isto é, sim, monstruosa impiedade: enganar as almas com uma paz que não é a de Jesus Cristo, mas a do mundo. Procurar tirar os pecados das consciências não é fanatismo nem dureza de coração; é simplesmente preocupação de sinceridade e de retidão interior. A Igreja não pode tolerar, nem tem mesmo o direito de fazê-lo, que no número dos seus membros se encontrem católicos que só o sejam de nome. A Igreja Católica, deve ser por excelência, a preservadora e impulsora da moralidade humana. Deve ser o sal da terra para, dando gosto pelas coisas de Deus, preservar a almas e a sociedade da corrupção, seja ela lá de que espécie for. Só o Cristianismo pode ser escola de santos. A graça supõe a natureza, mas uma natureza reta ou retificada. Não será bom católico quem não começar por ser homem honesto.

A Igreja considerou sempre como parte de sua missão divina, elevar e sanear o ambiente moral da família. Se é verdade que, sendo a consciência a regra imediata que se deve seguir, nunca será lícito alguém ir contra ela, não é menos verdade que a intenção de conformar os nossos atos com a regra absoluta, que é a condição essencial do seu valor moral, supõe necessariamente o desejo e a intenção eficaz de a conhecer o mais exatamente possível. Eis porque o erro e a ignorância em semelhante matéria são imputáveis quando provêm da negligência em se instruir ou da prática continuada do mal, que acabou por obscurecer ou falsear a consciência. Assim, toda consciência errônea deve ser endireitada. Portanto, não poderia ser maior a impiedade, por parte de alguém da hierarquia eclesiástica ser o primeiro a exortar a alguém que esteja  procurando esclarecimento, a seguir em frente com sua consciência, ainda que clara e gravemente errônea. Seria a mãe dar uma serpente ao filho que lhe pedisse um peixe; dar uma pedra em lugar dum pão; e pior ainda, dar ao filho doente, em vez de remédio, veneno. Outrossim, é uma impiedade sem nome, a autoridade suprema da Igreja se recusar a esclarecer as consciências que esta mesma autoridade perturbou com alguma ambiguidade em questões de fé e moral. Devemos pedir a Deus pelos quatro cardeais que apresentaram ao papa os “DUBIA” e por todos os que os estão aprovando, para que continuem firmes na defesa da santa doutrina  de Nosso Senhor Jesus Cristo! Devemos também orar para que o Papa Francisco veja que não se trata de coisas de somenos importância, mas sim da Lei suprema da Igreja que é procurar a salvação das almas. Não se trata, pois, de procurar evitar a extinção de espécies animais, mas trata-se de evitar a extinção da fé nas almas.

Caríssimos, na religião do homem que hoje se procura instaurar, até quanto ao SER MORAL o homem é deus para si mesmo. Nestes tempos calamitosos e faltos de fé, geralmente não se leva mais em conta a LEI de DEUS; já em muitos países são aprovadas leis contra o Decálogo e até contra a natureza, leis nela já insculpidas por Deus desde à criação. E  já foram aprovados por lei,  o divórcio e até o aborto, a sodomia, pecados estes que bradam aos céus exigindo vingança. Não poderia ser maior o falseamento das consciências! As novas gerações acharão natural o que na verdade são monstruosos desrespeitos a Deus. Na míngua de sacerdotes que orientem as almas na verdade e no verdadeiro amor e adoração ao Criador, o mundo caminha no sentido de adorar as criaturas. Realizam-se, sem dúvida, as profecias de Nossa Senhora de La Salette. Não foi sem razão que Nossa Senhora apareceu chorando. E neste ano completam-se 45 anos que a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima derramou lágrimas várias vezes em Nova Orleans nos Estados Unidos.

Feita esta breve exposição, torna-se mais fácil compreender o porquê desta crise atual, crise esta que se estende a todos os campos, desde o religioso até ao econômico. É que o sal perdeu a sua força e não presta para outra coisa senão para ser jogado fora e pisado pelos homens. Apagou-se, ou quase, a luz da fé, a doutrina do Divino Mestre é substituída por novidades fabricadas ao sabor do mundo. A verdadeira Moral é substituída por uma NOVA: é a Moral de Situação.

Anúncios
Tags:

3 Comentários to “Reflexões da Sagrada Escritura: A consciência cristã.”

  1. O post, com seus questionamentos tão justificaveis no presente caos global, intriga-nos pelo silencio ou conivencia com tantos erros, logo a partirem de certos altos hierárquicos, a começarem do Vaticano, o qual pereceria ter tomado em parte a sina do “politicamente correto”, recordando:
    “Quase não se encontrará a inocência nas crianças nem pudor nas mulheres, e nessa suprema necessidade da Igreja, calar-se-á aquele a quem competia a tempo falar” (II, 7).
    Essa grave omissão é repetida por Nossa Senhora na aparição seguinte, em 2/2/1610:
    “Campearão vícios de impureza, a blasfêmia e o sacrilégio naquele tempo de depravada desolação, calando-se quem deveria falar” (II, 17).
    As familias, por ex., de onde sairão os futuros homens que conduzirão muitas dezenas de milhões de cidadãos nos mais diversos lugares, inclusive atuando na Igreja, estão sendo pervertidas por dissolutos nas novelas e afins midiáticos no Ocidente desde os anos 60 pelo MARXISMO CULTURAL-LUTAS DE CLASSES e, nesse ínterim, nossos eclesiásticos, a partir do topo, em grande ou a maior parte deles silentes ou coniventes!
    Não é que por aqui deveriam estar num recorrente confronto às redes de tv, caso da sinistra e obscena Globo e aos promotores de mazelas gerais que, nos lares e em público, promovem diariamente verdadeira lavagem cerebral para o relativismo, fazendo deles ambientes promiscuos, induzindo os presentes à alienação, futuros zumbis?
    Os religiosos deveriam ao menos instruirem e advertirem os cristãos da gravidade dos riscos pessoais para a salvação, assim como daqueles a quem cabe zelarem pela fé e integridade da familia para que boicotassem os programas levianos; porém, o que sempre percebeu e segue é um silencio sepulcral a esses ou apoio pela omissão de os denunciar, enquanto isso, tudo que nos acerca vai sendo transformado em centros de instrução para a anarquia e delinquencias gerais!
    E para piorar o que já está ultra decadente…
    … *”O documento Amoris Laetitia do Papa Francisco, gerou grande perplexidade e confusão entre os Bispos, sacerdotes e fiéis, razão pela qual os quatro Cardeais: Raymond Burke, Walter Brandmuller, Carlo Caffarra e Joachim Meisner, pediram respeitosamente que o Papa se pronunciasse a respeito e reafirmasse a doutrina da Igreja para que se dissipassem a divisão e a confusão que estavam (e estão) crescentes, entretanto o Papa ignorou solenemente o pedido dos quatro Cardeais o qual o irritou sobremaneira, e acionou seus colaboradores mais próximos que os atacaram duramente e de modo desonesto”…
    *Pe Rodrigo Maria.

  2. A consciência é o juízo da razão realizado sobre uma escolha que a pessoa faz, quando procura se colocar em sintonia, quanto aos seus pensamentos, atos ou omissões, com os critérios hauridos da Santa Igreja. Em outras palavras: a consciência formula um juízo sobre algum pensamento, ato ou omissão, e conclui que é bom e santo por estar conforme com a doutrina católica, ou então, que é mau e pecaminoso por estar em desacordo com a lei natural e a lei divina. A consciência e a fé cristã coincidem, portanto, quando o juízo da razão está em consonância com a Verdade, Caminho e Vida, que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Se o cristão age em desacordo com a lei divina e os critérios hauridos da Igreja, peca. “Tudo o que não é segundo a fé é pecado”, disse S. Paulo (Rom. XIV, 23). Significa, segundo São João Crisóstomo e os intérpretes gregos, que tudo o que não é segundo a consciência é pecado.
    .
    Se a consciência é o juízo da razão em conformidade com o ensinamento da Santa Igreja, torna-se a regra imediata que se deve seguir, e nunca será lícito ir contra ela. Não obstante, a consciência errônea, fruto da negligência em se instruir ou da fraqueza da inteligência, deve ser endireitada. A má consciência, que se obscureceu devido à prática continuada do mal, deve ser retificada. É à Igreja de Nosso Senhor Jesus, Mãe e Mestra da verdade, que cabe esclarecer e retificar as consciências. Por meio de uma ação interior, profunda e eficaz, ela ilumina as inteligências e robustece as vontades quando ministra os Sacramentos que transmitem a graça sobrenatural. É a Igreja, e somente ela, que plasma e ilumina as consciências, através do Magistério tradicional e dos Sacramentos, tornando-as certas, retas e delicadas.
    .
    A delicadeza é um requinte ou excelência da consciência que se aplica à prática do bem. A consciência bem formada, submissa ao Magistério tradicional da Santa Igreja e habituada à prática das virtudes cristãs, caminha com passo seguro rumo ao heroísmo da santidade. “Que vem a ser a delicadeza? É o coração do amor. … A delicadeza consiste em nada se permitir que possa ofender a Deus; em abster-se até da aparência do mal”, disse São Pedro Julião Eymard.(A Divina Eucaristia, vol IV) A delicadeza de consciência, tão encarecida pelo Santo da Eucaristia, é a decisão da vontade empenhada em seguir esse juízo da razão para assim manter a coerência com a doutrina católica na sua conduta. É o zelo amoroso e diligente com que a pessoa verifica se está voltada para Deus e reporta tudo a Ele, procura conhecê-Lo, amá-Lo e servi-Lo, e tudo faz para agradá-Lo, nada se permite que possa desagradá-Lo, inclusive, até abstém-se da aparência do mal e assim parece sempre honesta e proba.
    .
    O relaxamento das consciências pode conduzir à racionalização ou elaboração do juízo de acordo com critérios falsos, e ao relativismo moral, quando então cada pessoa define a seu bel-prazer a sua verdade e o seu bem. A moral de situação autoriza o comportamento segundo a opinião corrente e não segundo os critérios hauridos da Igreja Católica. O Brasil atual – e o mundo todo – vive enorme crise moral. Como ensinou o prof. Plinio Corrêa de Oliveira, as muitas crises que abalam o mundo hodierno não constituem senão múltiplos aspectos de uma só crise fundamental, a crise moral do homem contemporâneo, cuja consciência rompeu com a doutrina tradicional da Santa Igreja e aderiu às máximas da Revolução gnóstica e igualitária.
    .
    Agradeço ao Rev. Pe. Elcio Murucci pelo que transmitiu, que me possibilitou concluir esta meditação espiritual.

  3. Caríssimo Sr. André F. Falleiro Garcia, também lhe agradeço pelo belo e acertado complemento ao meu artigo. Realmente dentro do espaço estreito de um artigo não é possível explicar tudo. E assim com os comentários bem feitos, as almas poderão tirar maior proveito. E é tudo o que almejo. Muito obrigado! Aproveito o ensejo para estender meu agradecimento aos demais caríssimos comentaristas. Quando se fizer necessário nunca recuso dialogar, sempre visando o maior bem das almas. Quanto a mim, minha preocupação é implorar a caridade das orações de todos.