Fraternidade São Pio X, reconciliação cada vez mais próxima.

Por Andrea Tornielli, La Stampa, 30 de janeiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com –  “Neste momento, estamos trabalhando no aprimoramento de alguns aspectos da figura canônica, que será a prelazia pessoal”. O Arcebispo Guido Pozzo, secretário da Comissão “Ecclesia Dei”, encarregada do diálogo com a Fraternidade São Pio X, confirma a Vatican Insider que a fase de plena comunhão com os lefebvrianos se aproxima. A meta do acordo está à vista, embora ainda demore algum tempo.

O superior da Fraternidade São Pio X, Dom Bernard Fellay, em 29 de janeiro de 2017, participou como convidado no programa “Terres de Mission” da TV Liberté. Durante a entrevista, Fellay confirmou que o acordo está a caminho e que para chegar à solução jurídica não será necessário esperar até que a situação da Igreja torne-se “totalmente satisfatória” aos olhos da Fraternidade São Pio X, que, ademais, em todos esses anos nunca deixou de mencionar o nome do Papa e de rezar por ele na celebração da Missa. Fellay enquadrou a atitude de Francisco para com a Fraternidade como parte da atenção às “periferias” e explicou a importância de colocar um fim à separação com Roma.

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Quanto aos problemas doutrinais, o essencial parece alcançado em vista do acordo. Aos membros da Fraternidade de São Pio X seria pedido o que é necessário para ser católicos, ou seja, a “professio fidei”, reconhecer a validade dos sacramentos celebrados com o Novus Ordo (a liturgia resultante da reforma pós-conciliar), a obediência ao Papa. Houve um diálogo e uma discussão sobre a relação entre magistério e tradição, enquanto ainda são objeto de aprofundamento – e até mesmo de desacordo que poderia permanecer – tópicos relacionados ao ecumenismo, à liberdade religiosa e ao relacionamento Igreja-mundo.

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27 Comentários to “Fraternidade São Pio X, reconciliação cada vez mais próxima.”

  1. Primeiro, aceite-se a FSSPX sem que ela aceite o “super dogmático” Vaticano II.
    Depois, aceite-se os Luteranos sem que estes aceitem o “retrógrado” Sacrossanto Concílio de Trento
    Depois, aceite-se qualquer coisa.

    Os que acham que isso é uma vitória para a Tradição, isso é só mais uma manobra. Quando, no futuro, reclamarmos dos protestantes comungando, dos divorciados recasando e dos hereges de toda espécie tendo que fazer uma “professio fidei” mínima para entrar na Igreja, sem abandonar suas heresias, eles dirão: “Quando foi com a “sua” FSSPX, vocês acharam bom”.

    Em época de Francisco, uma pretensa “reconciliação” da FSSPX com a Sé Romana é BURRICE.

  2. Será que haverá uma boa alma a legendar ou transcrever a entrevista de Monsenhor? Não confio inteiramente no olhar desse vaticanista. Ele coloca o acento onde ele o enxerga, e assim pode minimizar pontos da entrevista que fazem diferença. Deus tenha misericórdia da Igreja nesta hora, e da Sociedade de São Pio X sobretudo, que até hoje fez magnificamente seu papel de guardiã da Tradição Católica. Deus não a deixará morrer na praia após sacrificar-se tanto, eu tenho confiança nisto.

  3. Engraçado falar em Prelazia… a FSSPX JÁ SE PRONUNCIOU à respeito dizendo o contrário do que a notícia afirma:

    “5) Suponhamos que o Papa conceda à Fraternidade a forma de uma Prelazia Pessoal, como dizem muitas fofocas na Internet. O que isso significa?

    Resposta: A Prelazia Pessoal é uma forma de legalidade na Igreja que nos faz depender diretamente de Roma. Dar uma forma qualquer de legalidade para a Fraternidade é uma obrigação da autoridade já que a Fraternidade não sofre mais de injusta censura e que assim pode continuar a sua atividade: combater o concílio Vaticano II para restaurar a Tradição na Igreja com a solicitação da ajuda da autoridade. A prelazia Pessoal significa uma situação jurídica na Igreja mais fácil para a Fraternidade, visto o mal-entendimento dos bispos para com o nosso trabalho; assim não teremos que nos submeter aos bispos locais, senão que diretamente ao Papa. ESTA SITUAÇÃO JURÍDICA PARA A FRATERNIDADE SÓ FAZ SENTIDO DEPOIS DA IGREJA OFICIAL RECONHECER A LEGITIMIDADE DO COMBATE DA MESMA FSSPX.”

    Aqui: http://www.fsspx.com.br/acordos-com-roma/

    Grifos meus.

  4. De fato, na entrevista Fellay chega a afirmar que o acordo já está pronto faltando apenas o selo!
    Tal acordo será catastrófico para a Fraternidade, qualquer um pode perceber isso!

  5. D. Fallay não acompanha os noticiários. Não é possível que Ele não esteja enxergando o que está acontecendo.

  6. Sei não, acho que esse notícia é falsa em alguns pontos; Dom Fellay é muito lúcido e não faria nenhum acordo que colocasse a situação da fraternidade e da Igreja em geral numa condição relativista, onde tanto faz aprovar a tradição como as heresias, bastando uma simples profissão de fé ou qualquer outro compromisso formal, sem qualquer aplicação prática. Espero não estar enganado. Rezemos e esperemos, sem juízos precipitados, confiando sempre no auxílio do Bom Deus.

  7. “Quanto aos problemas doutrinais, o essencial parece alcançado em vista do acordo. Aos membros da Fraternidade de São Pio X seria pedido o que é necessário para ser católicos, ou seja, a “professio fidei”, reconhecer a validade dos sacramentos celebrados com o Novus Ordo (a liturgia resultante da reforma pós-conciliar), a obediência ao Papa. Houve um diálogo e uma discussão sobre a relação entre magistério e tradição, enquanto ainda são objeto de aprofundamento – e até mesmo de desacordo que poderia permanecer – tópicos relacionados ao ecumenismo, à liberdade religiosa e ao relacionamento Igreja-mundo.”
    Esse trecho não traz nada de novo: é a mesma coisa das discussões de 2012 com Bento XVI; tanto tempo, e foram essas condições para um acordo, sem nenhum avanço significativo? Muito estranho… recentemente, Dom Fellay disse que a profissão de fé proposta no atual pontificado era realmente católica, uma vez que a outra exigia (se não me engano, foi elaborada pelo Cardeal Ratzinger) adesão à liberdade religiosa. No mais, tudo na mesma…

  8. Comenta-se, especula-se por aí que a reconciliação, se é que o termo corresponderia a tal na prática, viria a público e estaria estaria junto com algo referente (ao heresiarca) a Lutero – eventual reabilitação dele (e de seus asseclas e seitas), de como se ele já está sentenciado definitivamente também pela Igreja? – e seria algo correlacionado a uma suposta misericordia para com esse e com a FSSPX.?…
    Meditando: *”Não seria supérfluo lembrar aos meus irmãos no episcopado de uma afirmação feita por uma loja maçônica italiana a partir por volta do ano de 1820: “Nosso trabalho é um trabalho de uma centena de anos. Deixemos de lado as pessoas mais velhas e vamos nos concentrar na juventude. Os seminaristas se tornarão sacerdotes com as nossas ideias liberais. Não devemos nos lisonjear com falsas esperanças. Nós não vamos conseguir fazer um Papa franco-maçom. No entanto, bispos liberais, que irão trabalhar na comitiva papal, irão propor a ele, na tarefa de governar a Igreja, pensamentos e idéias que são vantajosas para nós e para o Papa irá implementá-las na prática. Esta intenção do Franco-maçons está sendo implementada cada vez mais e de forma aberta, não só graças aos inimigos declarados da Igreja, mas com a conivência de algumas falsas testemunhas que ocupam altos cargos na Igreja hierárquica…
    *Trechinho da “Carta aberta de um arcebispo sobre a crise na Igreja”.

    • Eduardo Gregoriano, sabes que não é bem assim. Tampouco ajuda esse tom. Deveriam se inspirar mais serenidade de Dom Bernard Fellay.

  9. Tenho grandes esperanças que o acordo seja firmado em breve, para o bem de toda Igreja. Sou da opinião de Dom Athanasius. A Igreja precisa muito dessa reconciliação e há muitos católicos que aguardam esse momento para poderem participar da Santa Missa conforme a Sagrada Tradição e viverem os carismas da Igreja do Pré-Concílio.

  10. Entrevista transcrita:
    D. Fellay: “ Faltam o selo e depois também a afirmação clara e evidente que essas garantias serão respeitadas ”.

    Entrevistador: E é o papa quem deve dar esse selo, essas garantias?

    D. Fellay: É o papa quem o dá. Sim.

    Ou Seja, para o Papa dar, ele tem que jogar 50 anos de Igreja Conciliar no lixo, ou seja, é mais uma prerrogativa retórica do que concreta, considerando o estado atual, e isso a FSSPX disse desde sempre, em especial em 2012.

    » http://www.catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-entrevista-dada-por-d-fellay/

  11. Carlos Eduardo Marques, essa Conferência de Imprensa foi há pouco mais de três anos.

  12. Acabei de ler a transcrição da entrevista. Vê-se claramente ali que não se fala em nenhum acordo já pronto, mas sim das condições para um possível acordo, cujo desfecho são a confirmação de todo o processo pelo Papa, o tal “selo” ao qual Dom Fellay se refere. Dom Lefevbre não disse que a solução da crise teria de vir da parte de Roma ou do Papa? Pois então, é isso. E se o Papa tiver que jogar fora os 50 anos de concílio, bem consciente disso ou não, para o bem da Igreja, que o faça, se assim Deus quiser!

  13. “Dividir para reinar”!!! Mais um passo na tentativa de dividir a Igreja.

  14. “o Papa que nos dá o poder de confessar e também de (fazer) atos jurídicos .”

    “No verão passado confirmou-se que o Superior Geral pode livremente ordenar os sacerdotes da Fraternidade sem ter que pedir permissão ao bispo do local. Este foi um texto de Roma publicou em várias partes e que diz que a Fraternidade ordena, portanto, lícitamente pois diz livremente.”

    (http://www.catolicosribeiraopreto.com/sobre-a-entrevista-dada-por-d-fellay/)

    Mas Bento XVI não disse que eles não exerciciam ministério legítimo ? Como então alguns dizem que nada mudou ? Claro que depois do que aconteceu com os Franciscanos da Imaculada e com a Ordem de Malta esses “favores” são apenas uma isca para a “armadilha da misericórdia”

  15. E aqueles que entraram nesta nau para escaparem da borrasca conciliar? Como ficarão suas cabeças e seus espíritos? Muito provavelmente este estado de espírito deve ter ocorrido entre os católicos depois do Concílio Vaticano II, porque ao que tudo indica, como sucedeu em outras ocasiões, tudo acaba em uma “geleia” ideológica onde não fica muito claro qual é a posição das partes, especialmente dos conservadores convertidos aos “novos tempos”.

  16. A questão é simples de se resolver. Estas noticias todos os anos aparecem. “Está quase, é agora, vai sair, etc”, mas o facto é que nunca foi assinado qualquer acordo. Se repararem todos os anos esta noticia surge. Não liguemos a nada disso e aguardemos o que a FSSPX oficialmente dizer. Até agora, não há um ÚNICO comunicado da FSSPX. Por isso, é tudo fumaça.

  17. Na Igreja Imbrogliana TODOS são incluídos: braços abertos para com TODOS; aí inclusos os católicos e os neo-católicos (até mesmo os anti-católicos).
    Mons. Fellay está agindo pragmaticamente, isto é, o que era cláusula pétrea antes (a Doutrina), agora é contornada pela perspectiva real de inclusão na plena comunhão da Igreja Periférica de Francisco.
    Mas isso é uma faca “de dois legumes” como se diz no populacho, pois será uma subordinação obsequiosa a Autoridade – e, neste caso, importando muito sobre quem ela está investida!
    O que eu quero dizer é a minha estranheza perante as palavras ásperas que a FSSPX proferia antes, até Bento XVI, e uma espécie de abrandamento obsequioso de tom para com Francisco.
    Como falei, se por um lado, antes, a Doutrina era importantíssima, condição prévia para o diálogo e início da tal plena comunhão, agora não há obstáculo nenhum e nenhuma crítica na condução da Igreja pelo Papa fulgurantemente reinante.
    O que me perturba é essa subordinação incontinenti na profissão de fé nessa futura inclusão perimétrica: o Papa atual já mostrou que a sua misericórdia tem um perfil definido…
    Para os amigos: tudo.
    Para os indiferentes: a lei.
    Para os inimigos: nada; nem a lei.

  18. Pela violação que vimos na Ordem de Malta, com Francisco no trono no dia seguinte ao fechamento de um acordo aparecerá um interventor na porta da prelazia para normalizar aquilo tudo. É melhor esperar outro Papa.

  19. Em todas essas questões relativas à Fraternidade de São Pio X, deveríamos ter em mente o que dizia o salmista:

    Por que se amotinam as nações, e os povos tramam em vão?

    Depois de todos esses anos cogitando-se um “acordo” as pessoas ainda não perceberam que Dom Fellay tem procurado seguir aquele famoso conselho evangélico: … sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas. … Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta é a estratégia de Dom Fellay que poderíamos também chamar “estratégia Sherazade”.
    Sherazade é a famosa princesa dos contos das Mil e Uma Noites que revela a coragem e a inteligência de uma mulher que conseguiu, através do dom de contar histórias, aplacar a ira e a raiva de um sultão traído pela ex mulher.
    Depois de se certificar das traições da mulher, o sultão Schahriar mandou o Vizir matar a sua esposa, as servas e os escravos. De seguida, tomou uma decisão: daí em diante não manteria nenhuma esposa viva para além da noite de núpcias. E assim aconteceu. Schahriar todos os dias pedia ao Vizir que lhe escolhesse uma esposa que, no dia seguinte, estaria invariavelmente morta. O terror invadiu o reino, e todas as famílias com filhas donzelas temiam o dia em que a terrível sorte as atingisse.
    Até que um dia, Sherazade, uma das duas filhas do Vizir, foi ter com o pai para lhe comunicar uma importante decisão, pois tinha imaginado um plano para acabar com a loucura do rei. O Vizir, desesperado, tentou demovê-la da sua decisão, mas nem lágrimas, nem palavras conseguiram vencer a obstinação de Sherazade que, antes de partir para o casamento no palácio, pediu a ajuda da irmã Duniazade para levar a bom termo o seu plano.
    Depois da noite de núpcias e antes do amanhecer, Sherazade pediu a Schahriar que lhe concedesse um último desejo, o de ver e o de despedir-se da irmã. Quando Duniazade chegou, sentou-se junto do leito real e pediu à irmã que lhe contasse uma história a qual o rei não também quis ouvir. Sherazade contou uma história tão bela que deixou o rei preso às suas palavras e, quando a manhã interrompeu a narrativa, Sherazade disse-lhe que o que havia contado não se comparava com o que teria para lhe contar na noite seguinte. Desejoso de saber a continuação da história, Schahriar permitiu que Sherazade vivesse mais um dia e, depois, outro dia e, ainda, outro dia…
    Durante mil e uma noites, Sherazade superava-se noite após noite, estimulando, dessa forma, a imaginação do rei com histórias belas, fantásticas e inteligentes. Até que à milésima e uma noite, Sherazade pediu-lhe que a resgatasse do destino que o rei havia previsto para ela. Schahriar reparou então que a amava e decretou grandes festas no reino, durante trinta dias, para celebrar a sua união com a mulher de quem nunca mais se separaria e com a qual viveu feliz para sempre.
    Não sei se Dom Fellay leu muito a história de Sherazade mas a estratégia dele tanto com Ratzinger como Bergoglio tem sido a mesma: ganhar tempo e nesse meio vai deixando escapar ali e aqui uma historinha de que está prestes a se chegar a um acordo.
    Ele sabe muito bem que Bergoglio não quer acordo coisíssima nenhuma. Ele tem visto o que Bergoglio tem feito com todas as Ordens tradicionais e agora com a Ordem de Malta. O que Bergoglio quer com essas ofertas generosas é dizer que Roma estendeu a mão, fez tudo pela Fraternidade e eles não aceitaram, portanto estão de fato excomungados. Bergoglio foi um dos que nunca aceitou o fato de Bento XVI ter levantado as excomunhões.
    Então a estratégia é ganhar tempo, contar todo dia uma historiazinha pra o sultão do Vaticano, soltar de vez enquando um elogio, fingir que aceita seus termos mas sempre colocando uma condição sine qua non a ser discutida mais tarde.
    Eu percebi isso ao conversar com Dom Galarreta no mês passado sobre essas negociações. Eu lhe perguntei porque tantos falam de um acordo como se fosse sair amanhã. E ele me respondeu:
    _ Amanhã de moribundo.

  20. Não sei se a comparação é devida.
    Isso me lembra 1995, quando uma rede de eletrodomésticos noticiou que queria comprar uma rede concorrente, chamada Ponto Frio. Era só um blefe para desestabilizar a concorrente.

    Parece a mesma coisa, uma vez por ano essa notícia de acordo com a FSSPX surge, quando não mais.
    Estratégia só com objetivo de desestabilizar a Fraternidade.

  21. A exempli gratia do post anterior, seria uma vitória de Pirro. Com o humilde e misericordioso Francisco não se negocia.

  22. Antes de opinar sobre o que a FSSPX fará, leiam o que ela relata: http://sspx.org/en/news-events/news/bp-fellay-clarity-needed-to-move-forward

    O resumo é: “só nos moveremos quando houver garantias”.