O que é ambiguidade?

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Já que o Português veio do Latim, comecemos por este. E por trilhar caminho mais seguro, vejamos pelo uso clássico. Não resta dúvida que Virgílio foi um grande escritor latino. Pois bem, ele empregou a palavra ambiguus para significar: o que tem dois sentidos (Eneidas 3, 180). Este seria o sentido próprio. Cícero empregou o termo ambiguus no sentido de enganador (já no sentido figurado). Se um gesto, ato ou palavra têm dois sentidos, naturalmente podem levar ao engano.

3692461733_469a9f17dfEm Português, ambíguo significa equívoco, incerto, impreciso. O antônimo é: claro, preciso, firme.

Vamos, agora, ao mais importante e seguro: O que diz a Bíblia Sagrada?

Disse Nosso Senhor Jesus Cristo: “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo o que disso passa, procede do maligno” (S. Mateus V, 37).

São Tiago repete a mesma pregação de Jesus: “Mas seja a vossa palavra: – sim, sim – não, não – para que não caiais sob o peso do juízo” (S. Tiago V, 12).

Lemos no Eclesiástico II, 14: “Ai do coração dobre… e do pecador que anda sobre a terra por dois caminhos”. No capítulo V, 11 do mesmo livro: “Não te voltes a todo vento, e não andes por todos os caminhos, porque é assim que todo pecador se dá a conhecer pela duplicidade da sua língua”.

Provérbios, VIII, 13: “O temor do Senhor odeia o mal. Eu detesto a arrogância e a soberba, o mau proceder e a LÍNGUA DUPLA”.

Destaquei esta última citação do Livro dos Provérbios porque é sobre ela que me deterei mais um pouco. Língua dupla é justamente a língua que profere ambiguidades, ou palavras de dois sentidos e, portanto, enganadoras. Estudamos em Teologia que, todas as vezes que as Sagradas Escrituras empregam a palavra detestar ou detestável etc. isto significa que se trata de algum mal grave. Estudamos isto na Teologia quando se trata de saber o que seria pecado grave ou leve.

Logo, em se tratando de ambiguidades que provocam desastres na fé e, portanto, de consequências eternas, é evidente, que neste caso, se revestem de uma gravidade incomensurável. Sabemos que a Santa Madre Igreja sempre ostentou uma clareza singular nos seus dogmas, definidos no decorrer dos séculos pelos vários Papas e Concílios.

A ambiguidade é tão perigosa que não adianta o Magistério “Vivo” da Igreja ficar sempre dizendo qual é o sentido verdadeiro. Os inimigos da Igreja sempre tirarão suas consequências no sentido que não é o verdadeiro. E 50 anos foram suficientes, sobretudo para quem os vem acompanhando, para se perceber que os modernistas no Concilio tiveram a intenção (como parece mostrar o cardeal Kasper — houve até no Concílio quem declarou esta sua intenção; mas é claro não podemos julgar e generalizar; veremos no dia do Juízo) de colocar ambiguidades onde poderiam tirar depois suas conclusões. E tudo parece indicar que eles entendiam que Concílio Pastoral era sinônimo de Ecumenismo. E talvez a ambiguidade tenha sido empregada para se poder fazer ecumenismo. Cito apenas esta passagem do Concílio Vaticano II: “A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”. Todos os Santos, Papas, Concílios e Doutores sempre ensinaram que a Igreja de Cristo é a Igreja Católica. O povo católico nunca teve dificuldade em entendê-lo. Agora, o tal “subsist in”, “subsiste em” é tão difícil de entender que até os teólogos se sentem embaraçados na ginástica que fazem para explicá-lo. Então a Pastoral não é para o povo entender melhor, mas, para os protestantes se sentirem melhor e mais firmes nas suas heresias. Que Concílio Pastoral é esse! Queremos deixar claro o seguinte: o que o Concílio repetiu da Tradição e não o deturpou por nenhuma ambiguidade, é bom! Mas, há um axioma que diz: “Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu”. Extraindo pela raiz o que há de defeituoso, ambíguo e perigoso do Concilio Vaticano II, este não provocará mais meio século de discussões e desastres. Tornar-se-á uma boa árvore e dará bons frutos. É o que certamente fará o Magistério Vivo, Perene e Infalível da Santa Madre Igreja. Quando, não sabemos! Como o Concílio Vaticano II não definiu nada, restará o que nele traz da Tradição.

O perigo da Ambiguidade e o Bom Senso

Vimos o que é uma coisa ambígua: o que pode ser interpretado em dois sentidos. Algo, portanto, perigoso. E por isto mesmo autores clássicos, como por exemplo Cícero, empregaram o adjetivo “ambiguus” para significar “perigoso”.

Vamos compreendê-lo com um exemplo infelizmente acontecido, e não simples ficção. Trata-se do maior desastre aéreo até hoje acontecido. Ocorreu em 27 de Março de 1977, no Aeroporto de Tenerife, que fica nas Ilhas Canárias. Dois Jumbos, um da Pan Am e outro da companhia aérea da Holanda KLM, se chocaram quando se preparavam para decolar. Morreram 612 pessoas.

Mas, qual a causa desta tão terrível tragédia? A ambiguidade, e foi uma ambiguidade apenas fônica. Foi o seguinte: a torre de controle havia ordenado a um dos pilotos “Hold position”, isto é, sustente a posição, ou seja, FIQUE PARADO. Mas o piloto entendeu “Roll to position”, o que quer dizer: vá para a posição, isto é, SIGA. O piloto do outro jumbo recebeu esta última ordem bem entendida. E foi assim que os dois aviões se chocaram em pleno aeroporto.

Então, a partir deste dia a aviação internacional retirou do seu vocabulário a expressão “roll to position”, trocando-a por outra que não provocasse dúvidas e novos desastres. A avião internacional agiu segundo o bom senso. Não se limitou a avisar que os pilotos ficassem mais atentos para não se equivocarem. Não disse que estivessem bem convencidos dos significados das duas expressões. Em se tratando de vidas humanas, a voz do bom senso exigia a máxima segurança.

Agora, apenas, uma ficção. Suponhamos (só para efeito de argumentação) que desde Santos Dumont (início do século XX), a expressão de comando fosse outra sem a mínima ambiguidade de som, tanto assim que nunca tinha havido mal entendido neste ponto, e, consequentemente, nunca ninguém tinha morrido por isso. Pois bem, depois foi mudada. E então, depois desse acidente tão fatídico, tão triste, suponhamos que a aviação internacional não quisesse voltar à expressão tradicional que nunca apresentou perigo de ambiguidade. Isso seria o cúmulo da ausência de bom senso. Seria um absurdo inqualificável.

Caríssimos e amados leitores, sirva tudo isso como parábola.

A Santa Igreja é o avião que nos conduz ao Céu. Quando se trata de avião, é mister empregar sempre o mais seguro. E todo cuidado é pouco quando se trata de se chegar ao Céu ou não. Céu e inferno são eternos. Felicidade eterna ou infelicidade eterna. Por isso, a Santa Igreja, como Mãe solícita e bondosa, sempre ostentou uma clareza singular nos seus dogmas. Por exemplo, a Santa Missa, que é ao mesmo tempo a sua oração por excelência e uma explícita profissão de fé, clara e sem ambiguidades, deu tantos frutos de santidade! Foi sempre uma barreira inexpugnável contra as heresias, defendendo a fé dos seus filhos. Por isso os protestantes tinham ódio da Missa de sempre. E por que elogiaram tanto a Missa Nova? Porque em si mesma tem ambiguidades. E podendo ser feita em vernáculo poderia ser assim manipulada à vontade!

No Concílio Vaticano II, repetindo o exemplo, trocou-se a expressão “A Igreja de Cristo é a Igreja Católica” por esta outra tão ambígua que até os que querem explicá-la no bom sentido, sentem dificuldade: “A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”. Quer dizer: a primeira expressão inequívoca desde o início do Cristianismo nunca pôde ser interpretada heterodoxamente e os católicos nunca tiveram a mínima dificuldade em entendê-la. Mas, no Concílio Vaticano II, para dar azo ao ecumenismo, aquela expressão foi trocada pela outra mais difícil de ser entendida pelos católicos e com uma facilidade imensa de ser explorada pelos inimigos da Igreja, como realmente foi e está sendo mesmo após o Magistério “Vivo” dizer que o sentido verdadeiro é o da Tradição. É o perigo da ambiguidade.

O pior é que as almas estão se perdendo. Os desastres na fé provocados por essas ambiguidades têm consequências eternas. Milhões de católicos estão passando para as seitas. E o pior de tudo isto é que pessoas que comandam o avião da Igreja continuam com as expressões novas ambíguas. E péssimo é que as antigas são “detritos”. As expressões inequivocamente tradicionais foram inseridas no Concilio Vaticano II apenas como acessórios descartáveis, com a finalidade única de conseguir todas as assinaturas dos Padres do Concilio. A maioria do Concílio, terminado o Concílio, na prática, tiraria as consequências das ambiguidades, e descartaria os acessórios tradicionais. Uma árvore má só pode dar maus frutos.

Parece que não poderia haver algo mais triste, lamentável e desastroso do que o Papa empregar uma linguagem ambígua em questões dogmáticas (a indissolubilidade do Matrimônio e a presença real de Jesus Cristo Eucarístico). No entanto, mais desastroso, lamentável e triste do que isto, é o fato de o Soberano Pontífice se recusar a responder às respeitosas e bem fundadas “DUBIAS” que os quatro cardeais lhe apresentaram. Se se tratasse de um possível desastre ambiental, certamente logo procuraria dar uma explicação (aliás, ao tratar deste assunto (LAUDATO SI) usou de muita clareza!). Às vezes, fico a pensar que as profecias de Nossa Senhora de La Salette já se estão cumprindo!

Rezemos não só para que esses quatro cardeais vão à frente e não retrocedam, mas que apareçam outros em defesa da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. NA SANTA MADRE IGREJA, A LEI SUPREMA É A SALVAÇÃO DAS ALMAS. Amém!

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15 Comentários to “O que é ambiguidade?”

  1. Que artigo estupendo! não tenho nada a acrescentar.

  2. Padre Élcio, saiba que o sr. está nas minha orações. Essas questões estavam me assolando nesses dias e eu suplicava a Deus para me iluminar. Hoje, chega-me esse texto, que responde tudo. Oh! Bondosa Providência Divina!
    Como o sr disse num artigo seu: nem sedevacantistas e nem progressistas, mas católicos! Esse texto explica bem como o católico deve agir nesses tempos de crise. Obrigado, padre! Que a Virgem Santíssima o abençoe na luta em defesa da Santa Missa de Sempre e da Sā Doutrina!
    Viva Dom Mayer, que o bem formou!
    Viva o Papa!

  3. Sabemos terem existido infiltrações no Concilio Vaticano II, elementos estranhos à Igreja travestidos de Altos hierárquicos comparecendo com segundas intenções e seus discípulos se sucedem; foi bastante evidente, procedendo bem ao mostrado no post, de forma exata.
    Hoje estão bem mais à vista, reconhecidos, podendo nos recordar desde os que se ajuntaram no “Pacto das Catacumbas – que seriam pró esquerdas – até aos heterodoxos no presente, sem disfarce algum, bem à vista de todos.
    A Igreja católica sempre foi o último bastião a ser transposto para instalação da NOM e, vencido esse obstáculo, tudo o mais está sob controle, a começar de sua parodia, o relativista protestantismo do patrono das ideologias e do cristianismo diet/light, Lutero, no qual cada um por ser o auto espírito santo a se iluminar, decide pelos caminhos da fé a seguir, conformando-o uma serie de conveniencias ou interesses pessoais, inclusive comerciais!
    Aliás, se desde a Cúpula se esforçariam para destruir a S Missa e profanado a S Comunhão – pisoteio de partículas consagradas e mais profanações – têm obtido êxito nessa sinistra empreitada, que mais não será alvejado em detrimento da fé?
    *Quanta dor sinto ao te manifestar que haverá muitos e enormes sacrilégios públicos e também ocultos, profanações da Sagrada Eucaristia. […].
    Outro dia, entrando numa igreja, tive a sensação de entrar num salão de baile, com pessoas se remexendo por um sonzão sertanejo estridente!…
    Crescimento de seitas, ignorancia religiosa e apostasia ao cristianismo pareceriam homogeneizarem-se!
    Quanto à suscitação de dúvidas e ambiguidades presentes em muito, coloco aqui uma opinião bastante relevante e quem duvidaria de estar correto:
    *Tornou-se claro que a exortação do Papa Francisco Amoris Laetitia é “marcada pela ambiguidade”, e que parece ter sido esta a intenção do Santo Padre, escreveu Bispo Thomas J. Tobin nesta quinta-feira.
    Em um post no Facebook, o bispo de Providence, Rhode Island, escreveu que o documento permite uma ampla gama de interpretações e é por isso que muitos prelados e comentadores têm diferentes pontos de vista sobre ele.
    *N Senhora do B Sucesso.
    **Claire Chrétien LifeSiteNews 08/07/16

  4. “A ambiguidade é tão perigosa que não adianta o Magistério “Vivo” da Igreja ficar sempre dizendo qual é o sentido verdadeiro”.

    Esse é o problema atual. Ensina-se que os pronunciamentos dogmáticos podem sofrer novas luzes, interpretações. Eu mesmo já li o Papa Bento XVI, quando Cardeal, escrevendo que, sobre o Primado de Pedro, poderia ser pensada uma nova forma de entender a jurisdição do Papa. Ele chega a dizer que a Igreja poderia até repensar se a forma como os ortodoxos veem não seria a correta!

    Deixarei abaixo as citações, caso alguém queria me desmentir. Eu terei o maior prazer de reconhecer meu erro.

    Bento XVI, Princípios de Teologia Católica, 1982, pág. 198: “Nem tampouco é possível, por outro lado, que se considere como a única forma possível e que, em consequência, seja vinculativa para todos os cristãos a forma que tomou esta primazia nos séculos XIX e XX. Os gestos simbólicos do Papa Paulo VI e, em particular, o haver se ajoelhado ante o representante do patriarca ecumênico [o patriarca cismático Atenágoras] foram um intento de expressar precisamente isto…”

    Bento XVI, Princípios de Teologia Católica, 1982, pp. 197-198: “Neste contexto, podemos agora pesar as possibilidades que se abrem ao ecumenismo cristão. A máxima exigência, na qual a busca da unidade destina-se ao fracasso, torna-se imediatamente clara. Por parte do Ocidente, a máxima exigência seria que o Oriente reconhecesse a primazia de Roma em todo o âmbito da definição de 1870 e, ao fazê-lo, se submetesse na prática a uma primazia, tal como a que foi aceite pelas igrejas uniatas. (…)

    Enquanto que as três primeiras máximas exigências são rejeitadas com uma significativa unanimidade pela consciência cristã, a quarta exerce uma espécie de fascinação por ela — como se fosse, por assim dizer, uma certa conclusividade que a fizesse parecer como a solução real para o problema.

    Isto torna-se ainda mais verdadeiro quando a ela se une a expectativa do surgimento de um Parlamento de Igrejas, um ‘verdadeiro conselho ecuménico,’ que pudesse então harmonizar este pluralismo e promover uma unidade de acção cristã. Qualquer um que examinasse a sugestão em detalhe ficaria convencido de que nenhuma união verdadeira poderia resultar disto, mas que a sua própria impossibilidade tornar-se-ia um único dogma comum, e que tal caminho não traria a união da Igreja mas apenas uma renúncia final a esta. Como resultado, nenhuma das soluções máximas oferecem uma real esperança de unidade.”

    Bento XVI, Princípios de Teologia Católica, 1982, pp. 216-217: “O patriarca Atenágoras [o patriarca não-católico cismático] falou ainda mais energicamente quando deu as boas-vindas ao Papa [Paulo VI] em Fanar: ‘Contra todas as expectativas, o bispo de Roma é entre nós, o primeiro entre nós em honra, ‘aquele que preside no amor’.’ Está claro que, ao dizer isto, o patriarca [não-católico cismático] não abandonou as reivindicações das Igrejas orientais ou reconheceu a primazia do Ocidente.

    Ao invés disso, ele afirmou claramente o que o Oriente entende como a ordem, grau e título de igualdade dos bispos na Igreja ― e seria positivo para nós considerarmos se esta confissão arcaica, que não tem nada que ver com a ‘supremacia de jurisdição’ mas que confessa uma primazia de ‘honra’ e ágape, não possa ser reconhecida como uma fórmula que reflecte adequadamente a posição que Roma ocupa na Igreja ― ‘a santa coragem’ exige que a prudência seja combinada com a ‘audácia’: ‘O reino de Deus sofre violência.’”

    Papa Francisco idem, já disse que estão buscando novos caminhos de compreensão do dogma do Primado do Bispo de Roma. Cito:

    “A questão do Primado não é uma exigência; é um acordo, porque também eles o querem. É um acordo para encontrar uma forma que seja mais cônsona com a dos primeiros séculos (…) a Igreja tem o defeito, o hábito pecador, de olhar demasiado para si mesma…”

    http://m.vatican.va/content/francescomobile/pt/speeches/2014/november/documents/papa-francesco_20141130_turchia-conferenza-stampa.html

    Nem falo da frase escandalosa “Igreja tem o hábito pecador”…. Escândalo. Quem se confessa sou eu, não a Igreja.

    Vejam que, sobre o dogma, o Papa fala em “acordo para encontrar uma forma que seja mais cônsona com a dos primeiros séculos”. Ou seja, uma NOVA FORMA, que não é aquela definida de forma dogmática no Vaticano I.

    SENHORES, deve-se crer num dogma tal como esse foi declarado. Cito, definição DOGMÁTICA:

    Papa Pio IX, Primeiro Concílio do Vaticano, Sessão 3, Cap. 2, sobre a Revelação, 1870, ex cathedra: «Por isso, também há que manter perpetuamente aquele sentido dos sagrado dogmas que uma vez declarou a santa mãe Igreja; e jamais há que apartar-se desse sentido sob o enganador pretexto de o fazer em nome de uma compreensão mais profunda.»

    Portanto, qualquer discussão com “ortodoxos” sobre o tema no sentido de achar um “novo caminho de unidade” que não seja reconhecer esse dogma é não somente inútil, mas uma completa heresia. Uma coisa é dizer uma heresia, outra é ser herege. Não estou acusando o Papa de ser herege, quem sou eu. Mas o que ele disse é sim herético.

    Ao pretender encontrar uma NOVA FORMA de entender o Primado de jurisdição do Bispo de Roma, o Papa vai de encontro ao dogma. Pois os pronunciamentos da Cátedra de São Pedro já são a PALAVRA FINAL sobre as possíveis interpretações.

    Diante de um pronunciamento da Cátedra de Pedro só nos resta, como cristãos, acatar, pois eles estão revestidos do carisma de infalibilidade que Cristo concedeu a Sua Igreja. Teólogos possuem interpretações. O pronunciamento da Cátedra de Pedro NÃO É mais uma interpretação.

    Caso contrário, nunca haveria resolução final sobre assuntos de Fé e Moral e, por conseguinte, não haveria verdades eternas! Tudo seria mutável, o que é justamente a heresia modernista sempre condenada pelos Papas antes do Vaticano II.

    Os dogmas não podem sofrer novas luzes, acréscimos e interpretações. Devem ser acolhidos com o SENTIDO que foram definidos. São verdades IMUTÁVEIS. São a PALAVRA FINAL das possíveis interpretações teológicas.

  5. Complementando minha postagem anterior, fica claro que os pronunciamentos dogmáticos da Cátedra de Pedro são uma das maiores provas do amor que Deus possui por nós. Sem eles, como resistir aos erros? Sem eles, a autoridade estaria acima da verdade.

    Um camponês não poderia dizer ao Bispo “o senhor está errado”, pois, se a verdade pode mudar conforme o “sentir” daqueles que momentaneamente estão no poder, no final das contas o que vai contar são títulos e diplomas. Cargos na Igreja. Quem está no poder manda e desmanda. Ora, isso não é a Igreja Católica.

    Graças ao carisma da infalibilidade papal, um camponês pode ter razão. E um membro do alto clero, pois mais letrado e diplomas que tenha, pode estar errado. E não serão seus muitos doutorados e diplomas que mudarão isso.

    Agradeçamos a Deus pelo Papado e por esse dom maravilhoso que Cristo deixou para Sua Igreja. Cito um trecho para reflexão, escrito por um amigo meu.

    “A verdade é estreita: há apenas uma resposta certa para 2+2, mas há infinitas respostas erradas.

    Partindo dos falsos princípios, os teólogos modernistas chegarão a mil “teologias” falsas. Rebater uma por uma pode ser útil, mas é desgastante.

    Mais importante é estudar e se formar na verdadeira fé. Para isso, é fundamental termos santos padres, que ensinem a Verdade que a Igreja sempre ensinou, que santifiquem o mundo com os Sacramentos e que governem as paróquias e famílias como os padres sempre o fizeram”.

    Repito um trecho que julgo resumir bem o cerne da questão: “Rebater uma por uma pode ser útil, mas é desgastante”.

    Se isso não fosse verdade, meus caros, somente Santo Tomás e assemelhados se salvariam. Sem a Cátedra de São Pedro e seus pronunciamentos que devem conservar o MESMO SENTIDO DE SEMPRE, não somente não poderíamos nos defender dos “erros de nosso tempo”, como nossa salvação iria depender de um grande esforço intelectual, teríamos que ser todos grandes teólogos, o que é absurdo.

    Santo Atanásio resistiu ao erros justamente porque ele NÃO OLHOU PARA O LADO. Não olhou para novas luzes e interpretações. Ficou firme no dogma tal como foi pronunciado em Niceia. Guardando o MESMO SENTIDO.

    Quero frisar que meu comentário não possui nenhuma conotação sedevacante. Eu não sigo essa posição. Também não nego a validade do novo rito da Missa, embora esconda sim verdades da Fé católica e induza a erros sobre aspectos fundamentais de nossa religião.

  6. Excelente artigo. Claro, preciso, firme. Eco fidelíssimo da linguagem evangélica, ao dizer sem artimanhas: sim, sim; não, não. Muito ganham os leitores de “Fratres in Unum” com esse marco sólido, lançado por piedoso e culto sacerdote, sobre questão delicadíssima: a apreciação dos documentos conciliares e pós-conciliares quanto à ambiguidade ou clareza doutrinal. Ponto inicial, talvez, de uma série de desdobramentos futuros, que poderão chegar até ao “Novus Ordo”, à “Amoris Laetitia” ou outros documentos, ou ainda, à análise de atos, gestos e atitudes ambíguas de Pontífices e altos prelados. Aliás, não houve só a ambiguidade, pois da escandalosa omissão na aula conciliar quanto à denúncia do comunismo e do socialismo, se passou infelizmente à promoção dessas nefastas ideologias na prática pastoral.
    .
    Com efeito, assevera com clareza singular o Padre Élcio: “o que o Concílio repetiu da Tradição e não o deturpou por nenhuma ambiguidade, é bom”. Quando dele for extraído “pela raiz o que há de defeituoso, ambíguo e perigoso”, restará o que nele traz da Tradição. Mas não sabemos quando e por quem isso será feito. Será obra do magistério infalível de um futuro Pio XIII, que talvez nem queira fazer essa depuração e prefira cancelar todo o Vaticano II e prosseguir na continuação e conclusão do Vaticano I, porquanto Pio IX foi forçado a suspender o seu curso.
    .
    E sobre o emprego pelo Papa Francisco de linguagem ambígua em questões dogmáticas na “Amoris Laetitia”, e sobre o fato ainda mais desastroso, lamentável e triste da sua recusa em responder às respeitosas e bem fundadas “DUBIAS”, considera o Pe. Élcio que resta aos católicos rezar, “não só para que esses quatro cardeais vão à frente e não retrocedam, mas que apareçam outros em defesa da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Ou seja, convém que rezemos para que a Resistência (Gal. II, 11) ganhe corpo dentro da Santa Igreja.

  7. “Às vezes, fico a pensar que as profecias de Nossa Senhora de La Salette já se estão cumprindo!”

    “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. (São Lucas, 21:25)
    “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz.” (Apocalipse 12:1)

    Vamos aguardar o que virá após o sinal no céu, 23 de setembro tá próximo…

  8. O papa Paulo VI deu continuação ao Vaticano II mas estava triste com o resultado pelas frases dele, isso acontecendo lá nos anos 60, imagine hoje depois de tantos na Igreja que entraram pelas portas dos fundos saltarando o muro.
    ‘A Igreja se encontra em uma hora inquieta de autocrítica, ou melhor dito, de autodemolição. A Igreja está praticamente golpeando a si mesma’ (7 de dezembro de 1968).
    Com o passar dos anos, e na medida em que surgiam novos sintomas da crise que ia se instalando na Igreja, também novos lamentos do Papa Paulo VI apareceram:
    ‘Por algum buraco foi introduzida a fumaça de Satanás no Templo de Deus. (29 de junho de 1972).
    ‘É lamentável a divisão e a desregação que, por desgraça, se encontra não em pouco setores da Igreja’ (30 de agosto de 1973).
    ‘A abertura ao mundo foi uma verdadeira invasão do pensamento mundano na Igreja’.(23 de novembro de 1973).

  9. Excelente artigo, Pe. Elcio! Muito esclarecedor.

  10. Acho que descobri a chave para entender Amoris Laetitia:

    “A única irmã [de Francisco] ainda viva , Maria Elena, foi casada duas vezes, tendo um filho de cada marido.”

    “” José Ignacio[ sobrinho de Francisco] vive com sua namorada e sonha que quando ele se casar seu tio vai oficiar a cerimônia.

    “Eu perguntei a ele, talvez não seja possível, mas é meu desejo”, revela. “”

    (http://callmejorgebergoglio.blogspot.com.br/2016/04/the-bergolgios-in-argentina-are.html?m=1)

    Nota: a irmã dele é catequista.

  11. Prezado, Pe. Élcio. O maior elogio que posso fazer ao artigo é, obviamente, dizer que louvo a sua clareza. Ultimamente, confesso, tenho combatido um forte sentimento de desesperança. A Igreja brasileira já ultrapassou, há muito, a ambigüidade, com muitos sacerdotes usando-a como trampolim para saltos hermenêuticos alucinados. Recentemente, por exemplo, um padre da minha Diocese publicou um extenso artigo atacando, com adjetivos como “absurda” e “fascista”, a consagração a Nossa Senhora conforme os ensinamentos de São Luís Montfort. Outros já negaram comunhão a quem se ajoelhasse, censuraram severamente moças jovens de véu, e ridicularizaram pessoas que procuram o sacramento da Confissão com frequência. Outra peculiaridade, praticamente unânime por aqui, é dizerem que não é necessário Confissão para acesso à Eucaristia (pois esta seria “o suficiente para perdoar todos os pecados”). Veja bem, não se tratam daqueles sacerdotes que trazem estampado “teologia da libertação” em todo seu linguajar e modos. Quase sempre, são jovens, celebram sem exageros a liturgia nova, nem mencionam política em suas homilias. Entretanto, expressam opiniões totalmente relativistas e liberais no seu dia a dia e prática pastoral. Como ler esse movimento? A confusão é tamanha que vejo até mesmo amigos protestantes negando muito menos pontos cruciais da fé cristã do que a maioria dos padres com quem convivo.

  12. Padre Élcio, a sua bênção. E Deus o abençoe também. O senhor me trouxe em esperança através deste texto. Gostaria, mas sei ser impossível, que o tempo voltasse, pelo menos uns qinze anos, para podermos recuperar, dentro da Tradição o que foi perdido, sorrateiramente, e o que ainda estamos perdendo. Mas vossas palavras me trouxeram ânimo. Que Deus conserve vossa sabedoria , pelo bem de vossa alma e de tantas outras que o acompanham. Nossa Senhora esteja sempre ao vosso lado. Salve a Liturgia Tradicional. Salve Maria!

  13. D. Steven Lopes: outro Bispo sem ambiguidades que condena a doutrina escandalosa de “Francisco” na “Amoris Laetitia” (Paganorum Sarracenorumque more).

    Lopes é o atual Ordinário de clérigos ex-anglicanos:

    https://cruxnow.com/church-in-the-usa/2017/01/17/another-bishop-says-chastity-key-communion-debate/

  14. Não deixem de ler. Efeito USA pro-life. “Explicação” sobre o porquê de não falar sobre certos temas. : )
    I cattolici di fronte ai temi cruciali del nostro tempo
    Al di sopra della politica
    La posizione tenuta dal Papa, fin dai primi mesi del pontificato, nei confronti di grandi temi come l’aborto, il
    matrimonio omosessuale, l’eutanasia, è stata ferma e coerente con la morale cattolica, ma attenta a non
    legarla a scelte partitiche…
    Un atteggiamento che non si può confondere con il relativismo, perché basato sulla consapevolezza
    profonda che ogni volta bisogna scegliere, e che per farlo è fondamentale muoversi a un livello più
    alto di quello della polemica politica.
    http://www.news.va/vaticanresources/pdf/QUO_2017_031_0802.pdf

  15. Não vão comentar a última entrevista ? Ele está usando a tática da esquerda política progressista de relativização da pedofilia.“Questionado sobre os escândalos de abusos sexuais dentro da Igreja Católica, o papa disse que a “disseminação dos abusos é devastadora”, mas que o caso precisa ser visto como uma “doença”. “Se há religiosos envolvidos, é claro que está em ação o diabo que estraga a obra de Jesus através de quem deveria, justamente, anunciar Jesus. Mas vamos falar a verdade: isso é uma doença”.
    Segundo a lógica torpe do Humaniza Redes, pedofilia é apenas uma condição clínica do indivíduo que tem distúrbios na personalidade que o leva a enxergar a criança como um ser maduro para o sexo e relacionamento afetivo. A malandragem dessa afirmação se dá exatamente porque partindo de tal princípio, será fácil para qualquer ideólogo absolver um abusador de menores com a justificativa de que “se trata apenas de uma condição, que o sujeito não quer fazer mal à criança com sua prática”. Já circula na Internet o termo “portador de pedofilia”. PT usa humaniza redes para relativizar a pedofilia.
    Malati . Sofferente. Tesoro prezioso della Chiesa.