Cardeal Müller sobre a Comunhão a recasados: “O Papa, um concílio, nem a lei dos bispos podem mudar isso”.

Nota: os bispos da conferência alemã não concordam em nada com o Cardeal Müller, tendo aprovado um texto que diz exatamente o contrário do que o cardeal disse na entrevista que aqui publicamos.

Por Church Militant, 01 de fevereiro de 2017| Tradução: FratresInUnum.com: O Cardeal Gerhard Müller está afirmando que os divorciados e civilmente recasados devem comprometer-se a permanecer continentes antes de serem admitidos novamente aos sacramentos, e que nem mesmo o Papa pode remover essa condição indispensável.

Müller

Cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

A revista italiana Il Timone recentemente perguntou ao prefeito da Congregação para Doutrina da Fé (CDF) se a condição de que esses casais “se esforcarem para viver a castidade” antes de receberem a Confissão e a Sagrada Eucaristia – como exigido pelo Papa S. João Paulo II – ainda era válida. O chefe da guarda doutrinária do Vaticano respondeu: “Claro, isso não é dispensável”.

O Cardeal enfatizou que a Igreja não tem a faculdade de alterar essa regra. “Nenhum poder no céu ou na terra, nem mesmo os anjos, ou o Papa, um concílio, nem a lei dos bispos tem a faculdade de mudar isso”.

Na entrevista publicada na quarta feira (01/02/2017), Müller foi questionado a respeito das conflituosas interpretações acerca da exortação pós-sinodal Amoris Laetitia. O cardeal advertiu que o documento não pode ser interpretado isoladamente em relação ao ensinamento perene da Igreja.

Amoris Laetitia deve claramente ser interpretada à luz de toda a doutrina da igreja” ele insistiu.

Ele também deixou claro que a exortação deve ser interpretada pelo seu todo e não por passagens retiradas do contexto. “Não se pode referir apenas a pequenas passagens apresentadas na Amoris Laetitia, mas deve-se lê-la como um todo, com o propósito de tornar o Evangelho do matrimônio e da família mais atrativo às pessoas”.

Cardeal Müller expressou seu descontentamento com as opiniões discordantes propostas por vários bispos a respeito da exortação. “Eu não gosto disso, não é correto que tantos bispos interpretem a Amoris Laetitia de acordo com seu próprio entendimento dos ensinamento papais”, lamentou. ”Isso não se alinha a doutrina Católica”.

Ele alertou aqueles bispos que, segundo ele, “estão falando demais”, para que primeiro aprendam a Doutrina eles mesmos antes de tentar ensinar aos outros. “Eu insisto que eles estudem antes a Doutrina [dos concílios] sobre o papado e o episcopado”. Se os bispos não se tornarem bem informados eles mesmos, então eles “podem cair no risco de serem cegos guiando cegos”.

Perguntado se a consciência pessoal poderia em algum momento sobrepor o ensinamento da Igreja sobre fé e moral, o cardeal rejeitou terminantemente a possibilidade. “Não, isso é impossível”, ele respondeu. “Por exemplo, não se pode dizer que existem circunstâncias nas quais um ato de adultério não constitua um pecado moral. Para a Doutrina católica, é impossível que o pecado mortal e a Graça santificante coexistam”.

E adicionou que essa é a razão pela qual Deus instituiu o Sacramento da Reconciliação.

Tem-se dado muita atenção à exortação apostólica de João Paulo II Familiaris Consortio, que reafirmou que os recasados não poderiam permanecer sexualmente ativos e serem admitidos aos sacramentos. Mas o cardeal Müller afirma que muita da confusão está na rejeição da “clara Doutrina [da Igreja] sobre os males intrínsecos”, como apresentada pela Encíclica Veritatis Splendor também de João Paulo II.

A Igreja ensina que ações intrinsecamente más são sempre e em todo lugar erradas, independente dos motivos e circunstâncias nas quais são praticadas. Exemplos dessas ações são  o aborto, o adultério e o suicídio.

A Veritatis Splendor ensina que todo mal intrínseco é errado para todos, independente de qualquer julgamento que a consciência pessoal faça. “Preceitos morais negativos,  que proíbem certas ações ou comportamentos como intrinsecamente maus, não aceitam exceções legítimas”.

Em outras palavras, o Mandamento de Deus “Não se deve…” é aplicado a qualquer pessoa em qualquer tempo.

Isso também está explicado no parágrafo 1650 do Catecismo da Igreja Católica, onde se lê: “Se os divorciados estão civilmente recasados, encontram-se em uma situação objetiva de contravenção à Lei Divina. Consequentemente, eles não podem ter acesso à Sagrada Eucaristia enquanto essa condição persistir.”

Coincidentemente, as questões apresentadas ao Papa Francisco e ao dicastério do Cardeal Müller pelos quatro cardeais nos Dubia estão centradas nesses dois pontos:

  • O papel da consciência em obedecer a Lei Divina.
  • Atos intrinsecamente maus nunca não podem ser feitos de consciência limpa.

O Cardeal Müller reforça que o papel dos padres e bispos é de esclarecer e não de confundir. E insiste que todos os sacerdotes e leigos aprendam a Fé. “Todos nós temos que entender e aceitar a Doutrina de Cristo e da Sua Igreja, e ao mesmo tempo estar prontos a ajudar os outros a entendê-la e colocá-la em prática, mesmo nas situações mais difíceis”, ele explicou.

 

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5 Comentários to “Cardeal Müller sobre a Comunhão a recasados: “O Papa, um concílio, nem a lei dos bispos podem mudar isso”.”

  1. Salvo engano, o Cardeal Muller teria mudado de posição correlacionado ao acima: … *Um bem informado oficial recentemente declarou ao Register que uma comissão da CDF que revisou um rascunho de Amoris Laetitia levantou dubia “similares” àquelas dos quatro cardeais. Esses dubia fizeram parte da correção de 20 páginas [a Amoris Laetitia] da CDF, primeiramente revelada por Jean-Marie Genois em Le Figaro, de 7 de abril, na véspera da publicação do documento.
    Outro experiente oficial foi além, revelando ao Register que, na semana passada, o Cardeal Müller disse-lhe pessoalmente que a CDF “apresentou muitas, muitas correções, e sequer uma das correções foi aceita”. Ele acrescentou que o que afirma o Cardeal na entrevista “é exatamente o contrário de tudo que ele me disse sobre a questão até agora” e que tinha a “impressão de alguém que não falava por si mesmo, mas repetia o que alguém dizia-lhe para dizer”.
    … **Ele alertou aqueles bispos que, segundo ele, “estão falando demais”, para que primeiro aprendam a Doutrina eles mesmos antes de tentar ensinar aos outros. Nesse caso, incluiriam os 4 das Dubia e todos varios cardeais e bispos conservadores discordantes, como os 3 do Cazaquistão.
    … **A Igreja ensina que ações intrinsecamente más são sempre e em todo lugar erradas, independente dos motivos e circunstâncias nas quais são praticadas.
    … **”A Veritatis Splendor ensina que todo mal intrínseco é errado para todos, independente de qualquer julgamento que a consciência pessoal faça. “Preceitos morais negativos, que proíbem certas ações ou comportamentos como intrinsecamente maus, não aceitam exceções legítimas”.
    … Como permaneceria atualmente a ideia de permitir a S Comunhão em certos casos irregulares a se discernirem e com acompanhamento pastoral?
    *https://fratresinunum.com/page/3
    *fratresinunum.com/2017/02/03/cardeal-muller-sobre-a-comunhao-a-recasados-nem-o-papa-um-concilio-nem-a-lei-dos-bispos-pode-mudar-isso/#respond

  2. Não foi a conferência episcopal alemã que aprovou as directrizes mas o Conselho Permanente do mesmo episcopado, bem sabendo que o texto não seria facilmente aprovado por parte da assembleia plenaria dos BIspos. Saber isto é mesmo importante…

  3. Nosso Senhor Jesus Cristo é a Verdade. Quem O segue não anda nas trevas. Por isso Ele é também o Caminho que nos conduz à Vida Eterna e à Luz indefectível da Glória no Céu. Só Nosso Senhor Jesus Cristo tem palavras de Vida Eterna. Não podemos dividir a Jesus Cristo. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. É um Homem-Deus. Não se pode negar nem a Sua Humanidade, nem a Sua Divindade. Si se negar a Sua Humanidade, Ele não seria Nosso Salvador, porque não poderia nem sofrer nem morrer. Si se negar a Sua Divindade, também deixa de ser Jesus, ou seja, Salvador: porque Seus sofrimentos e Sua morte não teriam valor infinito para apagar os pecados do mundo. Ouçamos o Apóstolo do Amor, São João Evangelista: “Caríssimos não queirais crer em todo o espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, porque muitos falsos profetas vieram para o mundo. Nisto se conhece o espírito de Deus: todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne, é de Deus; todo o espírito que divide Jesus, não é de Deus, mas é um anticristo, do qual vós ouvistes que vem, e agora está já no mundo” (1Jo. IV, 1-3). Dos falsos doutores de então uns negavam a divindade, outros a humanidade de Cristo, outros ainda a união das duas naturezas na pessoa do Verbo. Quem divide assim Jesus Cristo, não vem de Deus. E São João na sua 2ª Epístola repete e acrescenta uma gravíssima advertência: “…Muitos sedutores se têm levantado no mundo, que não confessam que Jesus Cristo tenha vindo em carne; estes tais são sedutores, são anticristos. Estai alertas sobre vós, para que não percais o fruto do vosso trabalho, mas recebais uma plena recompensa. Todo o que se aparta e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus consigo; o que permanece na doutrina, este tem consigo o Pai e o Filho. Se alguém vem a vós e não traz esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis, porque quem o saúda, participa das suas obras más”. No fim de sua primeira epístola São João diz: “Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está sob o maligno. Mas sabemos que veio o Filho de Deus e que nos deu entendimento para que conheçamos o verdadeiro Deus e estejamos no seu verdadeiro Filho. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém.

    Depois de ter elogiado o Hinduísmo e o Budismo, diz o Concílio Vaticano II: “Quanto aos muçulmanos, a Igreja igualmente os vê com carinho… Não reconhecem a Jesus Cristo como Deus; veneram-no, no entanto, como profeta”. Devemos saber, (e é claro que os Padres do Concílio, sabiam-no muito bem!) que Maomé dizia que Jesus era um grande profeta, mas não era Deus e por conseguinte não era o Messias. Jesus, dizia Maomé, era um profeta, mas menor do que ele e aliás seu Precursor.

    Caríssimos leitores, francamente digo, que desde o tempo de seminário, quando tomei conhecimento desta terrível ofensa feita a Nosso Senhor Jesus Cristo, nunca consegui conciliar estas palavras do Concílio com as palavras de São João acima citadas.

    Devemos defender a doutrina de Nosso Senhor com todo amor e ardor de nossa alma. Dizia São Pio X que a força dos maus provém da fraqueza dos bons. Certa vez, em Turim, numa reunião de círculos católicos, se discutia por que razão os Partidos comunistas cresciam e progrediam. Depois de muitas opiniões, um senhor, que tinha sido militante comunista e se convertera ao catolicismo, levantou-se para falar, dizendo que sabia perfeitamente e por experiência a causa daquela diferença: “É porque nós comunistas falávamos a mentira, mas com toda a desfaçatez e coragem como se estivéssemos falando a verdade; e os católicos falam a verdade, mas com medo terrível como se estivessem falando a mentira!” É triste, mas é a realidade! A verdade, no entanto, é intolerante.

    Eis o que escreveu o Revmo. Pe. Fernando Arêas Rifan então simples padre, hoje Bispo e Administrador Apostólico: “Costumam acusar a posição dos católicos ditos tradicionalistas de intolerante e contraditória, pois pleiteiam o direito de professarem suas idéias e não querem reconhecer este direito a outras expressões religiosas. Se numa escola, uma professora ensina que 2+2 são 4, e outra quer ensinar que 2+2 são 5, evidentemente só a primeira tem razão e só ela tem o direito de ensinar. A verdade é intransigente por si mesma. E se um aluno quiser seguir outras opiniões e colocar na prova que 2+2 são 5 levará um zero e ninguém acusará a professora de sectária ou intolerante. A intransigência e a exclusividade fazem parte da verdade. 2+2 são 4 e não 3 ou 5, e nem ao menos 3,9 ou 4,1. São 4 e só! Obviamente intolerante! E por mais que as outras opiniões adquiram adeptos, nem por isso se tornam menos erradas ou adquirem algum direito. A verdade não se faz pelo número de adeptos.
    “Condenar a verdade à tolerância é condená-la ao suicídio. A afirmação se aniquila se ela duvida de si mesma, e ela duvida de si mesma se admite com indiferença que se ponha a seu lado sua própria negação. Para a verdade, a intolerância é o instinto de conservação, é o exercício legítimo do direito de propriedade. Quando se possui alguma coisa é preciso defendê-la sob pena de ser despojado dela bem cedo” (Cardeal Pio – Sermão na Catedral de Chartres).
    “Podemos e devemos ter caridade e tolerância para com as pessoas, mas devemos ser intolerantes com relação ao erro e ao mal, do mesmo modo que o médico deve ser tolerante com o doente mas intransigente com a doença, sob pena de fracassar.
    Aliás, tratar-nos de intolerantes na defesa da verdade é fazer-nos um elogio. É colocar-nos em companhia dos primeiros cristãos, dos santos mártires, símbolo e modelo da convicta intolerância com relação ao mal.
    Por que os romanos, que eram tolerantes com todas as religiões e colocavam os deuses dos povos conquistados junto com os seus deuses no Panteon, por que razão eles perseguiram atrozmente a ferro e fogo os cristãos? Porque estes eram intransigentes e não permitiam que se colocasse Jesus Cristo lado a lado com os deuses falsos. Eles não eram partidários do ecumenismo irenista atual, infelizmente patrocinado até pelas autoridades da Igreja. Deles dizia Tácito: “Não são criminosos, mas são intolerantes, com uma fé exclusiva que condena as crenças de todos os povos”. A acusação que se fazia contra eles era a sua rigidez exclusiva e o apego absoluto à sua fé.
    Mas foi por isso, por sua firmeza e convicta adesão à verdade, com exclusividade, que eles são santos e colocados pela Igreja infalível como modelos de todos os heróis e cristãos.
    Nosso Senhor deu como característica dos seus verdadeiros discípulos a perseguição que haveriam de sofrer. E esta sempre foi uma das notas identificadoras da verdadeira Igreja de Cristo, desde as catacumbas até hoje”. ( Extraído do Livro “QUER AGRADE, QUER DESAGRADE”).

    Para terminar, meditemos estas palavras de São Paulo na sua 2ª Epístola aos Coríntios, VI, 14-18: “Não vos sujeiteis ao mesmo jugo que os infiéis. Pois, que união pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que sociedade entre a luz e as trevas? E que concórdia entre Cristo e Belial? Ou que de comum entre o fiel e o infiel? E que relação entre o templo de Deus e os ídolos? Com efeito, vós sois o templo de Deus vivo, como Deus diz: “Eu habitarei neles e andarei entre eles, serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Portanto, saí do meio deles e separai-vos, diz o Senhor, e não toqueis o que é impuro: e eu vos receberei e serei vosso pai, e vós sereis meus filhos e minhas filhas, diz o Senhor todo poderoso”.

  4. Esse artigo foi compartilhado no twitter de Antonio Spadaro:

    http://www.unita.tv/focus/il-cardinal-burke-e-salvini-lincerto-asse-trumpiano-tra-le-due-sponde-del-tevere/

    Começa a caçada daqueles sacerdotes que não compartilham do “pensamento Bergogliano”.

  5. “Amoris Laetitia” deve claramente ser interpretada à luz de toda a doutrina da igreja” (Card. Müller). Penso que tratar-se-ia de uma tentativa frusta, qual seria a de pintar um luz brilhante com um carvão. Muitos pontos da “Amoris Laetitia” fazem-na antes uma “Erroris Tristitia”. Alguém poderá inquirir: que autoridade você, simples sacerdote, tem para assim falar atinente a um documento papal? Respondo: por que em consciência não vejo concordância com o que o Divino Mestre ensinou. Enquanto o Santo Padre não responder às “DUBIA” dos 4 cardeais, sou obrigado em consciência a assim pensar.