Reflexões da Sagrada Escritura: As circunstâncias tornam uma ação boa ou má

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Santo Tomás De Aquino – Suma Teológica – Primeira Parte da Segunda Parte.

QUESTÃO XVIII  –  Da Bondade e Da Malícia dos Atos Humanos em geral

ARTIGO III – Se as circunstâncias tornam uma ação boa ou má

OBSERVAÇÃO: Santo Tomás de Aquino trata deste artigo empregando somente argumentos filosóficos e daí não cita as Sagradas Escrituras.

O terceiro artigo discute-se assim. – Parece que as circunstâncias não tornam uma ação boa nem má.

1ª OBJEÇÃO: Pois, as circunstâncias estão em torno do ato, existindo como fora dele, segundo já se disse (q. 7, a. 1). Ora, “o bem e o mal existem nas coisas mesmas” como diz o filósofo Aristóteles em VI Metaphisica, lect. IV. Logo, as ações não são nem boas nem más em virtude das circunstâncias.

2ª OBJEÇÃO: Ademais, é sobretudo da bondade e malícia dos atos que trata a ciência dos costumes. Ora, as circunstâncias, sendo acidentes dos atos, escapam à consideração da ciência, pois nenhuma trata do que acidental, como dia Aristóteles em VI Metaph. lect. II. Logo a bondade e a malícia dos atos não resulta das circunstâncias.

3ª OBJEÇÃO: Demais, o que convém a uma coisa substancialmente não se lha atribui acidentalmente. Ora, do primeiro modo é que o bem e o mal convêm às ações, pois elas podem ser genericamente boas ou más. Como já se disse no artigo segundo. Logo, não lhes convêm serem boas ou más em virtude das circunstâncias.

SED CONTRA: Mas, em contrário, diz o filósofo Aristóteles no “Lib. II Ethic. lect. III, que o homem virtuoso age “como e quando deve, e conforme às demais circunstâncias”. Logo, ao contrário, o vicioso, dado a cada espécie de vício, age como e quando não deve e em desconformidade com as demais circunstâncias.

SOLUÇÃO: [Dando as devidas explicações e fazendo as necessárias distinções, daremos a solução e teremos condições de responder às três objeções acima apresentadas]. – Os seres naturais não recebem da forma substancial, que as especifica, toda a plenitude da perfeição que lhes é devida, mas muito lhes acrescentam os acidentes supervenientes; assim ao homem, a figura, a cor e os demais acidentes, dos quais, a falta de algum, para a proporção normal, redunda em mal. Pois, o mesmo de dá com as ações, cuja plenitude de bondade não consiste toda na espécie, mas no que lhes advém como acidente. Ora, tais são as circunstâncias devidas. Logo, se uma delas falta, a ação há de ser má.

Agora podemos responder às objeções acima apresentadas:

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO [Reler a 1ª OBJEÇÃO]. – As circunstâncias são exteriores à ação, por não serem da essência desta, embora nela existam, como acidentes; do mesmo modo que os acidentes das circunstâncias naturais são exteriores à essência delas.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO: [Reler a 2ª OBJEÇÃO]. – Nem todos os acidentes têm relações contingentes com a substância, mas alguns têm necessárias, e como tais são objetos da consideração científica. E é deste modo que a ciência dos costumes considera as circunstâncias dos atos.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO: [Reler a 3ª OBJEÇÃO]. – O bem e o ser se convertem. Ora, assim como este é substancial e acidental, assim também, tanto dos seres naturais como das ações morais, o bem é essencial e substancial.