Dom Negri fala: “Bento XVI sofreu uma pressão enorme. Responsabilidades graves, tanto dentro como fora do Vaticano, pela renúncia”.

“Eu estou me aproximando do meu próprio ‘fim do mundo’ e a primeira pergunta que farei a São Pedro será exatamente sobre esta questão”.

“Bento XVI sofreu uma pressão enorme”, explica o bispo que iniciou o seu ministério episcopal na Diocese de San Marino e Montefeltro e está terminando em Ferrara. Com ele, “eu me sentia em minha casa.” Essa Igreja atual é marcada por “um monte de confusão em toda estrutura eclesiástica” e os antipapistas de outrora tornaram-se superpapistas em proveito próprio. Mas Negri também fala sobre família, do risco que corre a democracia na Itália por causa da criminalização de opiniões não “politicamente corretas” do Movimento Comunhão e Libertação, e muito mais.

Por Franco Fregni, Rimini 2.0 | Tradução: FratresInUnum.com: O encontro com Monsenhor Luigi Negri ocorreu na sede da Arquidiocese de Ferrara e Comacchio, no dia em que se comemoram quatro anos desde a sua nomeação como arcebispo. “Quatro anos maravilhosos e desgastantes”, explica Dom Negri que depois de ter atingido a idade de 75 anos, no próximo dia 03 de junho, passará o comando da Diocese de Ferrara para Monsenhor Giancarlo Perego.

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Dom Luigi Negri.

Uma cerimônia de despedida que seria até um exagero definir como simples: um copo de água, uma velinha em cima de uma torta salgada e um bate-papo com seus mais próximos colaboradores.

Dom Negri, só uma curiosidade para um completo leigo: mas pode um padre se aposentar? Se é uma missão e não um trabalho, como é possível dizer a uma pessoa “agora basta”? 

“Não se pode dizer, e, de fato, vou continuar a trabalhar. No máximo, podem me dizer que não tenho mais o comando operativo da arquidiocese de Ferrara e Comacchio, o qual aceitei com humildade e espírito de serviço a pedido de Bento XVI. Mas eu permaneço como arcebispo emérito, não excluído da  responsabilidade de guiar os Católicos, algo que eu certamente farei, embora de outras maneiras. Vou concentrar-me principalmente no lado cultural. Vou tentar levar adiante uma política de sensibilização alinhada com a tradição Católica. Vou tentar implementar plenamente esse compromisso com grande liberdade, confortado por muitos amigos influentes”.

É bem conhecido o seu ótimo relacionamento com o Papa emérito Bento XVI …

“Ao longo desses últimos 4 anos, eu me encontrei várias vezes com Bento XVI. Foi ele que me pediu para guiar a diocese de Ferrara, porque estava muito preocupado com a situação em que se encontrava a diocese. Com Bento nasceu um relacionamento de forte amizade. Eu sempre me dirigi a ele nos momentos mais importantes para discutir as escolhas a respeito do que fazer e ele nunca me negou seu parecer, sempre num espírito de amizade.”

Devido a esse relacionamento, o senhor tem uma opinião sobre o que teria levado Bento XVI a renunciar ao papado, um gesto dramático na história milenar da Igreja?

“Foi um gesto sem precedentes. Nos nossos últimos encontros, eu o vi fisicamente fragilizado, mas lúcido no pensamento. Eu tenho pouco conhecimento – felizmente – dos fatos da Cúria Romana, mas estou certo de que um dia irão emergir graves responsabilidades tanto dentro, como fora do Vaticano. Bento XVI foi submetido a enormes pressões. Não é por acaso que, na América, até mesmo com base no que foi publicado pelo Wikileaks, alguns grupos Católicos pediram ao Presidente Trump a abertura de uma comissão de inquérito para investigar se a administração de Barack Obama pressionou de algum modo Bento XVI. Por ora, tudo permanece um mistério gravíssimo, mas tenho certeza de que serão revelados os responsáveis. Eu estou me aproximando do meu próprio ‘fim do mundo’ e a primeira pergunta que farei a São Pedro será exatamente sobre essa questão.

Após a “renúncia” de Bento XVI houve uma reviravolta na Igreja. É um dado, de fato, que o Pontificado de Francisco está ao centro das discussões. Por um lado, talvez, se assiste a uma celebração efusiva do novo papa por aqueles que historicamente sempre estiveram distantes da Igreja, enquanto nos ambientes mais tradicionalistas ocorrem críticas e dúvidas…

“A Igreja deve a Bento XVI a extraordinária conjugação entre fé e razão. A razão para indagar e a fé pra ver como se verifica. Ao aplicar este método, eu me senti em casa, em uma espécie de continuação ideal de anos de entendimento com pe. Luigi Giussani.

O momento atual assiste a um grande debate e muita confusão em toda a estrutura eclesiástica, suspeita-se que as chaves para uma autêntica compreensão não estão muito claras, porque não são corroboradas pela tradição e nem ancoradas em todo o dogma cristão. A hipótese é de tentar fazer coincidir o caminho da Igreja com o presente, mas não se considera que, sem levar em conta a tradição, esta tentativa está fadada à esterilidade.

Além disso, se desencadeou uma damnatio memoriae imensa à obra dos pontificados de Bento XVI e João Paulo II.

Entre outras coisas, é incompreensível que algumas personalidades de caráter duvidoso e discutível tenham encontrado respaldo dentro da Santa Sé. E são discutíveis exatamente porque são totalmente privados de base científica. Da “Gaudium e Spes” emerge o fato de que a Igreja deve respeitar a liberdade e autonomia da pesquisa científica e técnica (“a legítima autonomia das realidades terrenas”), porque a pesquisa, com métodos verdadeiramente científicos e de acordo com as normas morais, não é contrária à fé. Então é justa a reação contra essas escolhas incompreensíveis da parte de muitos círculos científicos que são preteridos enquanto se promovem cientistas menos competentes e ideologizados no sentido anti-Católico”.

As reportagens diárias oferecem sempre material novo para a questão fundamental da bioética. Sobre esta questão, ainda só do ponto de vista de um observador da mídia, parece evidente um enfraquecimento da voz da Igreja Católica.

“Este é um aspecto desconcertante. O ministério não deve jamais ser calado. Até mesmo nesses casos, parece que nós esquecemos completamente do esplendor dos pontificados do século XX. Naqueles casos, assistíamos a uma importância absoluta do ato de julgar, para em seguida, fazer brotar, a partir daquele juízo, a caridade.

Agora estamos testemunhando uma “vulgata” que coloca em dúvida as próprias palavras de Deus, há um contraste entre doutrina e pastoral, entre verdade e caridade.

Sobre este ponto bastaria a brilhante definição do Cardeal Cafarra: “A pastoral sem verdade é puro arbítrio.”

A Igreja agora, infelizmente, está repleta de associações e grupos que fornecem orientações e normas de comportamento sobre todas as questões, independente da verdade.

A Igreja sempre lutou para defender o humano. Se o mundo destrói o ser humano e eu ajudo o mundo, então eu destruo o ser humano. Infelizmente, a impressão que se tem é que pessoas muito próximas à Igreja estão ajudando na destruição da humanidade “.

Uma história que está dividindo o mundo católico é representado pela “dubia” levantada pelos quatro cardeais em relação à exortação apostólica Amoris Laetitia do papa Bergoglio . A resposta a esta “dubia” nunca chega. Em sua opinião, o Papa Francisco deveria abordar os problemas?

“A Amoris Laetitia precisa de uma especificação, infelizmente, aquele que é a palavra última da Igreja ainda permanece calado. Eu acho que o Santo Padre deveria responder, embora parece ter decidido o contrário. Infelizmente, ele desencadeou uma histeria real contra esses quatro cardeais que foram acusados de tudo. Algumas pessoas chegaram a sugerir que se removesse dos quatros cardeais o barrete cardinalício. São episódios repugnantes. Os anti-papistas de um tempo atrás, se tornaram super-papistas da noite para o dia e em proveito próprio.

Monsenhor, em sua própria vida como bispo diocesano, o senhor nunca se furtou ao debate público e muitas vezes teve que sofrer insultos. 

“Eu sempre me gloriei, como diz São Paulo, das ofensas que recebi por causa da defesa da fé e da caridade. Estão em jogo questões mais profundas do que minha própria história pessoal. Um exemplo desse modo de proceder eu vivi aqui mesmo em Ferrara quando eu levantei a questão da “movida” noturna em frente à catedral. Eu coloquei o tema fundamental da educação, do que poderia ser feito em prol daqueles jovens desgarrados que faziam de um lugar sagrado como o adro da catedral um verdadeiro prostíbulo. Por causa dessa minha tomada de posição, que era sobre uma questão fundamental e inevitável – a questão educativa – fui atacado por pseudomoralistas também presentes nas instituições, mas ninguém respondeu no mérito do tema que eu havia levantado. Eu fui deixado sozinho nesta batalha por todas as instituições, com exceção do prefeito da época, que, coincidentemente, foi prontamente substituído. Eu fui acusado de ser um reacionário, moralista, de não conhecer os jovens. Eu não conheço os jovens? Como se pode dizer uma coisa dessas? Em toda a minha experiência no movimento Comunhão e Libertação, eu sempre estive e ainda estou em contato com milhares de jovens. O problema é que se torna mais fácil criminalizar do que afrontar os problemas reais, é mais fácil ofender do que discutir com aqueles que colocam questões racionais e de bom senso.

O problema é que, depois de quatro anos, a situação não mudou, agora não há mais a “movida” noturna em frente à catedral só porque há obras ali. A tragédia é que ninguém se pergunta sobre o futuro desses jovens”.

A partir da leitura de seus textos, especialmente aqueles relacionados com a história da Igreja e os de Bento XVI, aparecem muitas críticas aos Estados modernos, às vezes eu quase tive a impressão de estar diante de um “anarquismo Católico”.

“Eu não gosto da expressão anarquismo. Na esteira de uma sólida tradição eu identifiquei alguns problemas. A Igreja sempre insistiu que nenhuma outra instituição tem direitos sobre assuntos religiosos. Orígenes, já no século II, afirmava sobre o Imperador: “Você pode até ser grande coisa sob o céu, mas os direitos de Deus são maiores do que o seu.” Então sempre houve uma clara posição da Igreja sobre estas questões.

O Estado moderno e contemporâneo pôs em ação uma tentativa terrível de absolutização da política e da ideologia política. A Igreja sempre combateu essa deriva e impediu que o totalitarismo triunfasse . O Estado deve permanecer em suas respectivas áreas.

Há também um outro aspecto importante. Como disse Hannah Arendt, a democracia não é um procedimento, mas um costume. Se falta o costume, isto é o diálogo entre as partes, a democracia pode ser violada. Quando vejo que algumas opiniões não são sequer levadas em consideração, eu temo pela democracia. Paradoxalmente, na Itália em 2017, onde as opiniões diferentes, as que não são “politicamente corretas” são frequentemente criminalizadas, a democracia corre um risco elevado, muito maior do que no passado “.

O tema do “fim da vida” é um dos mais debatidos. Se tem às vezes a sensação de que surge uma vontade de negar o sofrimento, como se ele não devesse mais existir para o homem contemporâneo. Platão, ao contrário, em sua concepção filosófica, afirmava que um dos métodos para se atingir o conhecimento é precisamente o sofrimento. Inútil acrescentar que este conceito encontra o seu clímax no Cristianismo, na Paixão e na Cruz. Em suma, essa pretensão de eliminar o sofrimento parece negar uma possível via do conhecimento.

“A concepção pós-iluminista, que é majoritária no mundo contemporâneo, vê o conhecimento como um “arranjo de objetos”, onde tudo é catalogado e explicável. O conhecimento autêntico ao invés, é o abrir-se para o mistério da vida, é a busca do significado desta vida terrena. O sofrimento é um aspecto fundamental da compreensão desta realidade. Mas agora se banaliza o sofrimento, predomina uma antropologia onde o sofrimento não tem lugar. Mas a realidade é teimosa e permanece, toma de assalto todas as vezes que o mistério de Deus permite”.

Outros eventos sociais estão inflamando o debate, tais como aqueles relacionadas à família. E muitas vezes eventos muito complexos são resolvidos por decisões judiciais.

“Em nosso país está em andamento, legitimamente, um debate onde está emergindo uma antropologia que vê a vida como objeto de um processo manipulável, alterável, onde se avançam reivindicações e direitos. Aqueles que lutam contra essa visão propõe, ao invés uma antropologia onde a vida é considerada como um dom.

Há apenas um lugar onde estes assuntos podem ser discutidos e esse é o Parlamento que é a expressão da soberania popular.

Outras tentativas para resolver estes problemas, como sempre acontece mais frequentemente através das decisões dos tribunais não são legítimas. A decisão dos juízes da cidade de Trento, que reconhece dois pais para as crianças nascidas em reprodução assistida, é vergonhosa. Os juízes e o Judiciário devem aplicar o que está estabelecido pelo Parlamento. Infelizmente, nos últimos 30 anos, temos assistido com muita frequência decisões do judiciário que são lesivas ao caráter democrático do nosso país.”

Ao lermos e estudarmos as obras de muitos expoentes da Igreja definidos como “tradicionalistas”, às vezes me surpreendo diante de afirmações que eu vejo como revolucionárias. Porém, será que esses sempre são referidos como “retrógrados” porque lhes são aplicados rótulos frequentemente enganosos?

“Há uma maravilhosa página de Manzoni que afirma:”O bom senso sempre existiu, mas estava escondido por medo do senso comum“. E isso é a perfeita representação do nosso tempo. O senso comum hoje em dia, é aquele imposto por eficazes meios de comunicação que são guiados por grandes poderes econômicos e políticos. O que estamos assistindo é a negação absoluta do bom senso. Assim vemos negada a beleza do amor entre o homem e mulher, a capacidade de sacrifício e até aquela que Bento XVI chama “a vida boa e bela”. A tradição deve ser condenada porque nega esse progressismo que não tem nenhuma base racional e nem é positivo sociologicamente. Os paladinos destas posições não sentem sequer a necessidade de justificar suas afirmações. Se alguém decidir desafiar o senso comum, imediatamente é acusado do crime de “lesa-majestade. E o crime de lesa-majestade não é uma expressão da democracia. Na verdade, a nossa democracia é frágil, parece estar se esvaindo.”

E o que se pode fazer para evitar isso?

“As pessoas que não se sentem definidas por este conformismo devem expressar suas próprias convicções, tanto individual como coletivamente. E depois há o aspecto mais importante, deve verificar o resultado de suas ações. Este é o grande ensinamento de pe. Giussani: a verificação”.

Giussani e Comunhão e Libertação, uma parte fundamental da sua vida. O senhor foi um dos protagonistas desse movimento, que agora não parece mais em sintonia com os vértices .

“Comunhão e Libertação é uma extraordinária experiência de fé, um encontro real com Jesus Cristo, a quem aprendemos amar mais do que o nosso pai e nossa mãe. Giussani nos animou, levou-nos a ser filhos da Igreja e seus humildes servos. Giussani nos ensinou a fazer rigorosa referência à tradição teológica.

Agora é inegável que estão propondo outras visões, sobre as quais não tem havido por vezes, uma coincidência de pontos de vista, mas espero que a minha maior liberdade e a possibilidade de permanecer regularmente em Milão, tornem possível, nem tanto uma retomada mas o nascimento de um diálogo, que espero que seja mais colaborativo”.

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16 Comentários to “Dom Negri fala: “Bento XVI sofreu uma pressão enorme. Responsabilidades graves, tanto dentro como fora do Vaticano, pela renúncia”.”

  1. *“É difícil acreditar que o Papa Bento XVI renunciou livremente ao seu ministério como sucessor de Pedro”.
    E tem razão, pois em seu pontificado era extremamente caluniado e vilipendiado por ser conservador e prezar a doutrina de sempre da Igreja – até mesmo bastante hostilizado porque desejaria retornar para antes do Vaticano II – além de molestado sempre nos Charlie Hebdo da vida, sempre arguido pelos esquerdo-globalistas, incluindo-se de serem conduzidos ele e a Igreja a tribunais internacionais por os acusarem de condescender com a pedofilia de clérigos!
    No entanto, sabemos tratar-se de perseguição seletiva da maçonaria, arquiinimiga da Igreja, a maior das injustiças, pois os protestantes são bem mais incidentes nesse casos, em geral casados e têm sexo à vontade, motivos por que não se justificariam tais desvarios de parte deles – e jamais são interpelados sob quaisquer hipótese!
    À realidade, houve uma conspiração globalista contra o papa Bento XVI chegando ao cúmulo de bloquearam todas as transações do Banco do Vaticano via SWIFT, um dos fatores inviabilizadores de sua continuação, imediatamente revogadas após sua saída – nem esperaram eleger o novo pontífice!
    *D Jan Pawel Lenga

    • Olá Isaías. Sabe onde eu posso buscar informações sobre isso que você escreveu?

      “À realidade, houve uma conspiração globalista contra o papa Bento XVI chegando ao cúmulo de bloquearam todas as transações do Banco do Vaticano via SWIFT”

  2. Então, se: “Bento XVI sofreu uma pressão enorme” para renunciar; a sua renuncia segundo no Código de Direito Canônico é invalida (cânone 332, parágrafo 2).

  3. O Papa Bento XVI sofreu uma pressão terrível e foi obrigado a renunciar! O buraco é bem mais embaixo no reino do Vaticano. Se ele não renunciasse, eles o renunciariam de uma forma ou de outra! Bento XVI é uma alma vítima, exatamente como fizeram com Jesus Cristo quando foi levado ao patíbulo para a execração pública! Manso Cordeiro de Deus levado para o abate! Assim como Cristo foi crucificado, a Igreja também percorrerá a sua Via Crucis, porque o servo não é maior do que o seu Senhor, se me perseguiram, também perseguirão a vós!

  4. Acho que nunca vi alguém definir de forma tão concisa e objetiva o atual momento em que vivemos: “O momento atual assiste a um grande debate e muita confusão em toda a estrutura eclesiástica, suspeita-se que as chaves para uma autêntica compreensão não estão muito claras, porque não são corroboradas pela tradição e nem ancoradas em todo o dogma cristão.”

  5. Mons. Negri fará um ótimo trabalho em sua aposentadoria caso ele consiga junto aos seus “amigos influentes” colocar o C.L. nos trilhos sobretudo moralizando os meetings de Rimini, de onde, lembremos, os Dominicanos de Bolonha foram escorraçados ao sustentarem posições (minimamente) tradicionais em face da esculhambação satânica implementada por Bergoglio, seus asseclas e incensadores.
    Seria bom que Carrón, que foi o maior erros de Giussani, descesse de el coche de “El Papa” e tomasse vergonha na cara. Ou ele quer ser bispo, cardeal, papa ou deus desse arremedo de igreja que aí está?

  6. Dom Negri não é o primeiro bispo que diz que Bento XVI sofreu uma pressão enorme pra renunciar. E aí vem o Código de Direito Canônico e diz que uma renúncia sob pressão é invalida (cânone 332, parágrafo 2). E ainda querem me convencer de que Bergoglio é um Pontífice legítimo!!
    Sedevacantista uma pinóia! Tem é excesso de “papas” na Sé de Roma!

  7. A confusão é grande mesmo!!!! Fruto da “primavera conciliar”, da janela aberta por João XXIII para entrar “um pouco de ar fresco” (anos depois, Paulo VI diria que ‘por alguma fissura [uma janela seria mais preciso] a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus’).

  8. É realmente triste que muitos tradicionalistas ainda exaltam Bento XVI como “restaurador da tradição”, acaso esqueceram-se do papel que ele desempenhou no Concílio ? Leram as obras que ele escreveu quando era padre ?. É verdade que no pós-concílio ele foi ficando cada vez mais conservador mais nunca se tornou tradicionalista e quando foi eleito a grande maioria da tradilândia entrou num wishful thinking que infelizmente ainda cega a muitos, lamentável quando a vontade domina o intelecto.

  9. Lembrei deste texto do Prof. Hermes Nery. 2 trechos entre aspas.
    https://fratresinunum.com/2016/03/14/das-conversas-com-frei-betto/
    “Um projeto de poder regional como expressão do internacionalismo de esquerda. Frei Beto,convencido do sucesso desse projeto de poder pela capacidade de organização do PT e de sua extraordinária eficácia na captação de recursos e da mobilização das bases (das OnGs e movimentos criados para dar suporte ao PT), tudo isso possível pelo aparelhamento das instituições, da imprensa, dos meios acadêmicos, especialmente da Igreja. Disse-me que os movimentos populares tinham muitos bispos e até cardeais trabalhando, em silêncio, nos bastidores, para a concretização do projeto de poder das esquerdas. E que esse aparelhamento fazia a força do PT, e o tornava quase que imbatível. E chegando ao poder (o que para ele era inevitável), fariam a revolução, dando poder aos conselhos populares, etc.” (O Papa fala e dá força aos movimentos e conselhos populares. Inclusive falou nisto para os movimentos populares em Roma na semana em que o projeto 8.243 foi derrubado em outubro de 2014.)
    “Mas o que mais me impressionou daquelas conversas, já, naquela época, foram duas convicções de Frei Betto, naquele distante ano de 1996:
    1.Eles fariam Lula Presidente da República, sem dúvida alguma, ele estava absolutamente convencido disso (estávamos ainda no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso);
    2.Eles fariam um papa latino-americano.”
    Nos USA a Igreja trabalhou para eleger e treinar o “organizador de comunidades” marxista Obama ( treinado por Saul Alinsky, que treinou também uma rede de bispos). E em outros países ? Provavelmente fizeram uso do mesmo método. Quando o internacionalismo de esquerda conseguiu a hegemonia no Ocidente, o Papa Bento XVI não cabia mais, forçaram sua renúncia de várias maneiras. Neste ponto provavelmente o papa latino-americano já tinha sido escolhido e já tinha votos suficientes. Estava tudo pronto. A Igreja ( infiltrada por agentes de esquerda ) ajudou a esquerda a tomar o poder e quando conseguiram hegemonia plantaram um Papa sob medida. : ) É o que eu acho que talvez tenha acontecido.

    • O projeto da esquerda consiste, basicamente, na “emancipação” das “opressões”. Mulheres “emancipadas” do homens; “trabalhadores” emancipados dos patrões; etc. Não deixa de ser curiosa a afinidade dessa plataforma com a de Lutero, o qual, na sua invenção “eclesial”, “emancipou” os leigos dos clérigos mediante sua teologia do sacerdócio comum (e isso já foi notado por muita gente).

      Não sei quantos de nós já nos demos conta que também o Islã prega a “emancipação” geral, ampla e irrestrita; daí, a curiosa afinidade da esquerda com essa religião. Eles, os seguidores do Corão, têm também uma versão de “teologia da libertação”, contando com alguns teóricos de renome (basta dar um search). Eles pregam que NENHUM ser humano pode exercer algum tipo de domínio sobre o outro; esse “domínio” pertence somente a Alá, isto é, há uma correlação imediata da mensagem fundamental do Islã, com a emancipação pretendida pelos liberteiros. Juntando tudo, entende-se por que Mister Bergoglio não se importa com a islamização da Europa. Para ele, ao que tudo indica, isso facilitaria “providencialmente” o surgimento de uma sociedade cujo domínio seria apenas o de Deus, e nunca o de um homem sobre outro homem. Sob esse aspecto, não resta dúvida que o maior sonho do prelado argentino seria, para o nosso pesadelo, o de devastar o mais rapidamente possível todos os elementos hierárquicos da Igreja.

  10. A inédita criação do “pontificado emérito” bem como a frase: “Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando” atestam que não havia o desejo de renúncia. Conseqüentemente todos os atos posteriores se tornam inválidos.

  11. LAM, eu não exalto ninguém. Papa é papa independente de ser bom, mau, néscio ou santo. O problema com Bergoglio já vem antes de sua eleição. Pra começar, Santo Ignácio de Loyola não queria que nenhum de seus filhos se tornasse bispo, que dirá Papa! Além disso, os votos de todo jesuíta incluem um quarto que é o de servir ao Papa. Talvez isso venha explicar porque Bergoglio serve a si próprio ao invés da Igreja!
    Depois vem o problema canônico que criaram com a instituição do Papa Emérito, uma aberração que vai contra a lei da não-contradição. Enfim, criaram uma confusão diabólica como bem disse a Irmã Lúcia e querem nos convencer de que tudo está bem!
    Seu critério de julgamento de Bento XVI poderia ser aplicado a qualquer Papa do pré-Concílio e eu já expliquei isso aqui numa longa discussão:
    https://fratresinunum.com/2014/05/28/chegou-o-tempo/
    Eu poderia pegar por exemplo o brilhante Pio XI que escreveu a Castii Conubi e a Mortalium Animus e usar o seu mesmo raciocínio:
    _ Pio XI “restaurador da tradição”? Acaso esqueceram-se do papel que ele desempenhou na tragédia dos Cristeros e a sua mão de ferro contra a L’Action Française?
    E Pio XII? “restaurador ou reformador da tradição”? Acaso esqueceram-se que sem Pio XII o Concílio Vaticano seria uma mera quimera? Quem foi mesmo que reformou os ritos da Semana Santa? Quem foi mesmo que convocou Anibale Bugnini para uma comissão liturgica encarregada de “reformar” o rito da Santa Missa?
    Essa é a discussão que eu tenho com todo sede-vacantista que exalta Pio XII! Ele agiu igualzinho a João Paulo II que denunciava os erros da teologia da libertação ao mesmo tempo em que apontava e promovia bispos ligados a essa famigerada ideologia.
    Pio XII viu o perigo, denunciou-os em encíclicas, mas ao mesmo tempo a turminha sinistra que estava tocando o terror no Concílio foi toda nomeada e promovida durante o seu pontificado.
    O que nós assistimos no último século foi o mistério da iniquidade em ação, a todo vapor, esperando o crepúsculo da Igreja, esperando o desaparecimento daquela que ainda o detinha.
    Quer você queira ou não, Bento XVI trouxe sim, de volta para a Igreja como um todo, o rito tradicional da missa através do Summorum Pontificum.
    Ingenuamente, ele ainda acreditava em uma “hermenêutica da continuidade”, e exatamente por causa disso e por sua resistência a tudo que Bergoglio agora está promovendo e implementando, ele foi sim forçado a sair.
    Com a sua saída, aqueles bispos como Dom Negri que se achavam bem confortáveis como “conservadores”, foram obrigados a sair de suas zonas de conforto ou melhor, estão simplesmente sendo jogados pra fora da barca pelo pirata que assumiu o leme e obrigados a nadar em mar revoltoso.

    • Dificilmente podemos dizer que ele trouxe de volta. Podemos, sim, dizer que ele tentou, ou melhor, podemos dizer que ele tentou consertar os estragos que causou durante o Concílio Vaticano II com suas ideias modernistas.

  12. Maxwell, da mesma forma que dificilmente podemos dizer que os passarinhos são responsáveis pelo reflorestamento. Mas sabemos que as poucas sementes que eles carregam no bico têm o poder de fazer uma grande diferença.
    Basta que a semente caia em terreno fértil e portanto, podemos dizer sim que o Summorum Pontificum, malgrado todas as contradições, foi uma semente que teve o poder de reacender a busca pelo sagrado em muitos lugares, principalmente entre os jovens que não tinham nem idéia de onde encontrar uma missa no rito tridentino.
    De vez enquando eu me confronto com sedevacantistas que dizem que Bento XVI não fugiu por medo dos lobos porque ele era um deles.
    No mínimo é um juízo temerário. Não sabemos exatamente o que o levou a renunciar, há conjecturas e situações que nos levam a crer que foi pressionado.
    E como eu já disse, pra falar dos estragos do Concílio teríamos que voltar a Pio XII e suas concessões no terreno da teologia, da experimentação litúrgica e na promoção dos arautos do Concílio ainda em seu Pontificado.
    https://pt.zenit.org/articles/pio-xii-o-papa-que-preparou-o-concilio-vaticano-ii/

    Por exemplo, você pega a Humani Generis e lá está Pio XII reclamando de todos os erros que já estavam sendo semeados a rodo durante o seu Pontificado. Aí depois do Concílio Vaticano II, você vê os mesmos semeadores de erros promovidos a altos escalões da hierarquia ainda em seu pontificado.
    Qualquer um que leia a Humani Generis encontrará lá uma concessão terrível que pariu a escola da nouvelle theologie da qual Ratzinger e Teilhard de Chardin eram ambos adeptos.

    “Por isso o magistério da Igreja não proíbe que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente”. ( n.36- Humani Generis)

    Ou seja, Pio XII permite-nos, por meio de concessão, crer na possibilidade de que o corpo humano possa ter evoluído a partir de material biológico preexistente ( quem sabe até a carcassa de um macaco que se decompôs?), desde que aceitemos a criação imediata e exclusiva da alma por Deus e que em seguida foi infusa em nossos primeiros pais.

    O próprio Rtazinger depois faz uma crítica a essa concessão em um ensaio seu chamado:

    “Agora, alguns têm tentado contornar o problema, dizendo que o corpo humano pode ser um produto da evolução, mas de modo algum a alma humana: pois o próprio Deus a criou, uma vez que o espírito não pode emergir da matéria. Essa resposta parece ter a seu favor o fato de que o espírito não pode ser examinado usando o mesmo método científico que é usado pra estudar a história dos organismos. Mas será que poderíamos dividir o homem dessa maneira, ou seja, segundo a visão dos teólogos e dos cientistas? O cientista vê o homem como um todo gradualmente tomando forma, enquanto o teólogo também está convencido de que a alma dá forma ao corpo, então esta divisão do corpo humano perde todo o sentido.” (Credo for Today: What Christians Believe. Ignatius Press)

    Uma vez que foi feita a concessão à própria criação do corpo humano segundo o evolucionismo, por que não também a evolução do dogma? Uma vez que importantes partes do Missal podiam ser cortados, por que não o missal inteiro e substituído por outro? Não adianta reclamar da interpretação da Sagrada Escritura que não leva em consideração a tradição da Igreja, quando se coloca no Biblicum um cardeal jesuíta Agostinho Bea.