Por que não devemos desacreditar a Companhia de Jesus.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 29-03-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comEntre as consequências mais desastrosas do pontificado do Papa Francisco há duas, intimamente ligadas entre si: a primeira é a deturpação da virtude tipicamente cristã da obediência; a segunda é o descrédito lançado sobre a Companhia de Jesus e seu fundador, Santo Inácio de Loyola.

simbolo_gesuitaA obediência é uma virtude insigne, reconhecida por todos os teólogos e praticada por todos os santos. Ela tem seu modelo perfeito em Jesus Cristo, de quem São Paulo diz que se tornou “obediente até à morte, e morte de cruz!” (Fil 2, 8). Ser obediente significa estar com Cristo (2 Cor 2, 9) e viver plenamente o Evangelho (Rom 10, 16; 2 Tessalonicenses 1, 8).

Assim, os Padres e os Doutores da Igreja definiram a obediência como a guardiã e a mãe de todas as virtudes (Santo Agostinho, De Civ. Dei, Liber XIV, c. 12). O fundamento da obediência é a subordinação aos superiores, por representarem a própria autoridade de Deus. Mas eles a representam enquanto guardando e aplicando a lei divina, a qual,  por sua vez, é superior ao poder humano dos encarregados de fazê-la respeitar. A obediência é para um religioso a mais excelsa virtude moral (Summa Theologica 2-2ae, q. 186, AA. 5, 8). No entanto, peca-se contra essa virtude não só pela desobediência, mas também pelo servilismo, conformando-se com as decisões flagrantemente injustas dos superiores.

A deturpação da obediência no pontificado do Papa Francisco ocorre quando os bispos ou o próprio Papa abusam de sua autoridade, exigindo dos fiéis uma submissão servil a documentos que induzem à heresia ou à imoralidade. Essas orientações pastorais não podem ser aceitas. Mas a tentação daqueles que, nesta situação confusa, querem permanecer firmes na fé, é a de questionar não apenas o exercício abusivo da autoridade, mas o próprio princípio de autoridade. Isto é favorecido por uma certa propensão psicológica ao anarquismo que caracteriza as gerações nascidas depois da Revolução de Maio de 1968. Minguando o princípio de autoridade, perde-se o significado da virtude da obediência, com efeitos graves para a vida espiritual.

Nesta perspectiva, atribuem-se às vezes aos jesuítas culpas que não são suas, como a de terem introduzido na Igreja uma concepção hipertrofiada e voluntarista da obediência religiosa. Cita-se a tal respeito o convite de Santo Inácio de Loyola à “obediência cega”, deturpando o significado que o fundador da Companhia de Jesus dá a essa virtude. A palavra “cega” evoca de fato a irracionalidade, mas se entre os santos há um campeão da racionalidade, este é Santo Inácio, cujos Exercícios Espirituais são uma obra-prima de lógica, com base na aplicação do princípio da não-contradição à vida espiritual e moral do exercitando.

A afirmação de Guilherme de Ockham segundo a qual tudo quanto Deus manda é justo, mas poderia mandar também o injusto (iustum quia iussum), deitou as bases para o voluntarismo de Lutero, que representa a antítese do conceito inaciano. A obediência cega a que Inácio se refere seria irracional se prescindisse da razão, a qual constitui pelo contrário, como ele explica, o seu pressuposto, porque tal obediência é o resultado de uma atenta e cuidadosa reflexão (Monumenta Ignatiana (MI), G. Lopez del Horno, Madrid 1903I, 4, pp. 677-679). A obediência inaciana nada tem a ver com o voluntarismo, precisamente porque é baseada na lógica e no respeito de uma lei divina e natural objetivas, às quais o superior deve subordinar-se.

Santo Inácio trata da obediência nas Constituições da Companhia, na Carta sobre a Obediência dirigida aos jesuítas de Portugal em 26 de março de 1553, bem como em muitas outras cartas, como as que escreveu aos escolásticos de Coimbra, à Comunidade de Gandia, aos jesuítas em Roma, a Andrés Oviedo, ao Pe. Urbano Fernández. Nesses documentos ele deixa claro como a obediência tem limites precisos: o pecado e a prova em contrário. Nas Constituições, por exemplo, Santo Inácio diz que os jesuítas devem obedecer ao Superior “em todas as coisas onde se não vir pecado” (n° 284.); “em tudo que é mandado pelo Superior, e não pode, como se disse, ser argüido de pecado de espécie alguma” (n° 547.); “isto é, em todos os casos em que não há evidência de pecado” (n° 549). Logo, quando a ordem do superior induz ao pecado, deve ser rejeitada. Trata-se naturalmente tanto de pecado mortal quanto de pecado venial, e até mesmo de ocasião de pecado, com tal de que o subordinado que recebe uma ordem injusta esteja subjetivamente certo de sua iliceidade.

Além dessa limitação proveniente da vontade, que é o pecado, há aquela que depende do julgamento, como resulta da carta aos jesuítas de Coimbra de 14 de Janeiro 1548, na qual o fundador da Companhia especifica que a obediência é válida enquanto “não se entre em coisa que seja pecado ou que seja de tal maneira conhecida como falsa, que chegue a impor-se necessariamente ao juízo” (MI, I, I, p. 690). Este limite também se expressa na Carta sobre a Obediência, onde o jesuíta é convidado a obedecer “em muitas coisas nas quais a evidência da verdade conhecida não o força” a recusar (MI, I, 4, p. 674). O Pe. Carlos Palmes de Genover S.J., que estudou o assunto, disse: “É claro que a evidência contrária é um limite natural da obediência, pela impossibilidade psicológica de dar o seu consentimento àquilo que se apresenta como evidentemente falso” (La obediencia religiosa ignaciana, Eugenio Subirana, Barcelona, 1963, p. 239). Se no pecado o limite é de ordem moral, no caso da evidência é de natureza psicológica. A obediência é portanto “cega” sob determinadas condições, mas nunca irracional.

Quando a evidência mostra que um documento pontifício como a Amoris laetitia promove o pecado, um verdadeiro filho de Santo Inácio só pode rejeitá-lo. E o fato de ele ter sido promulgado precisamente por um filho de Santo Inácio não significa que o papa Bergoglio seja um fruto autêntico da espiritualidade inaciana, mas mostra quão verdadeiro é o ditado corruptio optimi pessima.

A corrupção moral e intelectual da Companhia de Jesus dos últimos cinquenta anos não deve fazer-nos esquecer suas realizações extraordinárias no passado. Entre a Revolução Protestante e a Revolução Francesa, os jesuítas representaram a barreira impenetrável que a Providência levantou contra os inimigos da Igreja. E o dique se rompeu em 1773, justamente quando um papa, Clemente XIV, suprimiu a Companhia de Jesus, privando a Igreja de seus melhores defensores.

O Pe.  Jacques Terrien empreendeu uma cuidadosa pesquisa histórica sobre uma tradição que remonta aos primeiros dias da Companhia, segundo a qual a perseverança na vocação no interior do Instituto fundado por Santo Inácio seria um penhor seguro de salvação (Recherches historiques sur cette tradition que la mort dans la Compagnie de Jésus est un gage certain de prédestination, Oudin, Paris 1883). Entre os muitos testemunhos que o religioso elenca, dos Bollandistas a Santa Teresa de Ávila, reveste-se de particular interesse uma revelação que teve em 1569 São Francisco de Borja, Prepósito geral da Ordem. “Deus me revelou  – afirmou o santo espanhol – que nenhum daqueles que viveram, vivem ou viverão na Companhia, morrendo na mesma, será condenado, pelo espaço de trezentos anos. É a mesma graça que já foi concedida  à Ordem de São Bento” (Terrien, op.cit, pp. 21-22). Tendo os jesuítas sido fundados em 1540, o privilégio de salvação para aqueles que morreram dentro da Ordem se estenderia até 1840, deixando de fora as gerações sucessivas. E é de fato no final do século XIX que se inicia a decadência da Ordem fundada por Santo Inácio, embora com muitas exceções.

Essa decadência teve uma significativa expressão nos anos do Concílio Vaticano II, durante os quais  o jesuíta Karl Rahner desempenhou um papel decisivo, e especialmente naqueles que se lhe seguiram, quando, sob o governo do padre Arrupe, os jesuítas promoveram sob diversas formas a Teologia da Libertação na América Latina. Hoje um Papa jesuíta, formado na versão populista argentina dessa teologia, alimenta a crise na Igreja.

Para resistir a uma autoridade exercida abusivamente, peçamos a ajuda daqueles santos jesuítas que nos seus escritos ou nos seus testemunhos de vida mostraram quais são os limites da obediência: de São Roberto Belarmino, que recordava como a regula fidei não está no superior, mas na Igreja, ao Beato Miguel Pro, do qual se comemora este ano o nonagésimo aniversário do martírio, ocorrido em 23 de novembro de 1927, por sua resistência ao governo maçônico do México. 

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15 Comentários to “Por que não devemos desacreditar a Companhia de Jesus.”

  1. Número de membros da Companhia de Jesus:
    1965: 36,038
    2015: 16,740 (boa parte já idosos)
    Toda escolha tem uma consequência.

  2. A Companhia de Jesus, os jesuítas e o Santo Inácio de Loyola são maravilhosos, sempre iluminados por Deus!

    Ponto final.

    O papa, com p minúsculo, estraga e arrebenta a imagem de qualquer instituição e até de um Santo.

    Deixou de ser jesuíta há muito tempo!

    Forte abraço a todos.

    Atenciosamente.

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    EDISON MADRUGA MARTINS Engenheiro Gerência – RJMN Superintendência – SBRJ madruga.cnrj@infraero.gov.br * (21) 3814 – 7684

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  3. Não se pode depreciar de forma alguma os padres Jesuítas, instituídos por S Inacio de Loyola como vanguardas da fé católica: inversamente, eles foram os contra-reformistas que se opuseram resolutamente aos anarquistas protestantes e lhes obstruiram em muito sua disseminação, reconverteram a muitos e, como sempre, foram e continuam sendo os herois da fé católica – aliás, a introdução do catolicismo no Brasil a quem devemos, senão a eles?.
    No entanto, também vêm sofrendo com infiltrações de inimigos dentro da Igreja, particularmente da década de 30 adiante nessa congregação, e então o Pe Arrupe em suas viagens constantes a Moscou sempre em seu tempo trouxeram interrogações do porque dessas viagens, pois deveria estar de forma inamistosa e confrontando os comunistas.
    Caotizando ainda mais, aparece-nos um Pe Arturo Abascal com uma mentalidade deformada da fé – seria um esquerdista – podendo-se ter ideia da dimensão de como a subversão inimiga adentrou a congregação, na nova tática maçônica de tentarem destruir a Igreja – quer dizer, subverterem seus eclesiásticos e fazê-los seguir certos altos hierárquicos dela com suas mentes deturpadas, aqueles subornados por uma obediencia irracional, sem lhe avaliar os custos, a qualquer preço – e como tem funcionado!
    Aliás, essa “obediencia” consta até mesmo nas remotas cartas e planos urdidos entre Vindice e Nubius das sabotagens que empreenderiam, em que os seus em breve no topo hierárquico, embora “religiosos”, como consequencia junto com o povo desinformado do sutil golpismo, acompanharia-nos, como previram: “ambos seguirão nossas bandeiras, pensando estarem sob as chaves de Pedro”…
    “Ao que Pedro e os demais apóstolos afirmaram: “É necessário que primeiro obedeçamos a Deus, depois às autoridades humanas. At 5,29.

  4. Em si, a espiritualidade jesuítica, tal como a ensinaram e viveram os Santos e mestres espirituais da Companhia, é perfeitíssima. A decadência atual dos jesuítas – dentre eles, Francisco – é fruto justamente de nas últimas décadas eles não terem mais seguido essa espiritualidade clássica. Abandonaram a vida de oração, de mortificação e de intenso exercício ascético, para se entregarem a hábitos relaxados e mundanos. Abandonaram a ortodoxia da Fé, manchando-se com as mais diversas ideias heréticas ou no mínimo errôneas e temerárias. Na decadência quase universal das congregações religiosas no pós-Vaticano II, eles foram dos mais afoitos em se ‘modernizar’. O resultado é terem transformado a Companhia num meio antes de perdição das almas do que de salvação. Espero, contudo (embora contra toda humana esperança) que Deus há de providenciar a reforma da Companhia, em atenção aos méritos dos numerosos Santos que ela deu à Igreja, e em recompensa por todas as almas que os jesuítas salvaram, antes de caírem eles mesmos em desgraça espiritual.

  5. O título tem cara de mais uma daquelas piadas de jesuítas. Por que não devemos desacreditar a Companhia de Jesus?
    – Porque os jesuítas já fazem isto por nós! xD

  6. Si cum Jesuitis itis, non cum Jesu itis.

  7. Achei alguns livros sobre jesuítas na web. Não li ainda.
    Os jesuítas e o apostolado social durante a ditadura militar – Grimaldo Carneiro Zachariadhes
    http://static.scielo.org/scielobooks/4znpy/pdf/zachariadhes-9788523208929.pdf
    El jesuíta – Sergio Rubin , Francesca Ambrogetti
    http://directoriocatolico.blogspot.com.br/2013/08/pdf-libro-el-jesuita-reportaje-cardenal.html
    La iglesia traicionada – Antonio Caponnetto
    https://pt.scribd.com/doc/299876233/Antonio-Caponnetto-La-iglesia-traicionada-docx
    Os jesuítas e a traição à Igreja Católica – Malachi Martin

    A maçonaria e os jesuítas – D. Frei Vital M G de Oliveira ( 1876 )
    https://ebrael.files.wordpress.com/2014/05/a-mac3a7onaria-e-os-jesuc3adtas-d-frei-vital-m-g-oliveira.pdf

  8. Um franciscano e um jesuíta andavam pela floresta. O jesuíta notou que suas palavras faziam eco, então, para zombar do franciscano, gritou:
    – Quod est Franciscanorum regula?
    E o eco respondeu:
    – gula, gula, gula!
    O franciscano, para se vingar, perguntou:
    – Fuitne Judas Jesuita?
    E o eco confirmou:
    – ita, ita, ita!

  9. Ler Roberto de Mattei é como um almoço, uma refeição.
    É permitido parar o trabalho por cinco minutos para ler o que ele escreve.
    Ignorava a revelação que teve São Francisco de Borja; agora a conheço. Aguardemos.
    Corruptio optimi pessima est.

  10. E por falar no ditado “corruptio optimi pessima”, não foi só a Ordem Jesuíta que sofreu a invasão modernista denunciada por São Pio X e se tornou totalmente mutilada pelo “aggiornamento” do Vaticano II. A Igreja como corpo de Cristo tem no Papa sua cabeça visível. Mas quando a “cabeça não pensa, o corpo inteiro padece”.
    O mal começa na alta-hierarquia e vai descendo até os capilares! Basta dar uma olhada no antro de cobras que se tornou as Ordens Dominicana, Franciscana, Beneditina e Carmelita! Faço excessão apenas para aqueles ramos tradicionalistas dessas Ordens que resistiram ao aggiornamento e se isolaram.
    O resto é de dar dó! Não è à toa que estão fechando mosteiros e seminários por falta de vocações. Nesses ninhos de cobras só sobrou lugar pra feministas e sodomitas, que como bons funcionários de Satanás, estão lá pra denegrir o nome da Ordem e jogar na lama o nome e a honra de seus fundadores.

  11. Ah…
    A obediência…
    Em nome dela os bispos e os fiéis aceitaram as determinações conciliares… Os resultados estão aí, comprovamos na apostasia generalizada.
    Acredito que devemos obedecer, primeiramente a Deus, depois aos homens.
    Mons. Marcel Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer testemunharam com suas vidas a obediência a Deus e à Sã Doutrina Católica. Pagaram por isso, porém, salvaram suas almas e ofereceram Sacerdotes e Bispos Católicos à Igreja.
    Em nome de uma i”pseudo” obediência, que beirou o irracional, os modernistas aproveitaram para seu projeto de demolição do Catolicismo.
    Agora, novamente o que restou da Igreja se vê atacado e, em nome da “obediência”!devemos nos calar e consentir?
    Somos Católicos, como Santo Atanásio, S. Thomas More, Mons. Lefebvre ou “católicos” como aqueles que se deixaram arrastar pelo conformismo, seja no arianismo, no cisma anglicano ou na nova igreja conciliar?
    Está passando da hora de tomarmos atitudes firmes!
    Que a Virgem Santíssima nos ajude e proteja de todo o mal, mormente, do comodismo e dos “respeitos burgueses”!
    Primeiro a Deus e depois aos homens!

  12. Caros fraternos, paz e bem!

    Só espero que o santo padre o papa Francisco cumpra os dois pedidos formulados por Deus:

    1- Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria;
    2- Unificação da data da páscoa (Latinos e Ortodoxos).

    Cumprindo tais pedidos, o Céu fará o resto.

    O tempo urge, no relógio de Deus faltam apenas 20 minutos para às 18h.

    Quem viver, vera!

  13. Os jesuítas são admiráveis pela sua formação de alto nível intelectual, mas atualmente eles estão num grau de modernização muito grande! Aliás, a maioria das Ordens e Congregações religiosas estão perdendo vocações devido a modernização das mesmas. Nesse sentido, vejam este artigo.

    http://lumenrationis.blogspot.com.br/2017/03/entre-2000-e-3000-religiosos-abandonam.html

  14. CAROS IRMÃOS.

    Uma curiosidade. Abaixo está por ordem alfabética a listas dos Santos da Cia de Jesus. Como conseguiram formar tantos santos???Vejam a lista.

    A
    Afonso Rodrigues
    Alberto Hurtado
    Afonso Rodrigues (mártir)
    B
    Roberto Belarmino
    São João Berchmans
    André Bobola
    Francisco de Borja
    C
    Pedro Canísio
    Cláudio La Colombière
    E
    Edmundo Campion
    Estanislau Kostka
    F
    Francisco Xavier
    I
    Inácio de Loyola
    J
    João Ogilvie
    José de Anchieta
    José María Rubio
    Juan del Castillo
    Julião Nakaura
    K
    Diogo Kisai
    L
    Luís de Gonzaga
    M
    Mártires canadenses
    P
    Paulo Miki
    Pedro Claver
    José Pignatelli
    R
    Roque González de Santa Cruz
    S
    São Pedro Fabro