Novas disposições para sacerdotes da Fraternidade São Pio X.

Cidade do Vaticano (RV) –  Com o objetivo de evitar problemas de consciência nos fiéis que aderem à Fraternidade São Pio X, incertezas a respeito da validade do Sacramento do Matrimônio, e para apressar o caminho rumo à plena regularização institucional, a Congregação para a Doutrina da Fé divulgou um comunicado orientando os bispos das Conferências Episcopais.

O comunicado ressalta os diversos encontros e iniciativas que estão em andamento visando levar a Sociedade Sacerdotal São Pio X à plena comunhão. Neste sentido, recentemente o Santo Padre decidiu, por exemplo, conceder a todos os sacerdotes do referido instituto a faculdade de confessar validamente os fiéis (carta Misericordia et misera, n.12), a fim de garantir a validade e legitimidade do Sacramento por eles administrado, evitando assim provocar inquietação nos fiéis.

Na mesma linha pastoral – que deseja contribuir para o serenamento da consciência dos fiéis – apesar da objetiva persistência, “por ora”, da situação canônica de ilegitimidade enfrentada pela Sociedade São Pio X, o Santo Padre, por proposta da Congregação para a Doutrina da Fé e da Comissão Ecclesia Dei, decidiu autorizar os Reverendíssimos Ordinários do lugar para que possam conceder também licenças para a celebração de matrimônios de fiéis que seguem as atividades pastorais da Fraternidade, segundo as modalidades seguintes.

Sempre que possível, a incumbência do Ordinário para assistir ao matrimônio será concedida a um sacerdote da diocese (ou a um sacerdote plenamente regular) para que acolha o consenso das partes no rito do sacramento que, na liturgia do Vetus ordo, ocorre no início da Santa Missa, seguindo depois a celebração da Santa Missa votiva por parte de um sacerdote da Fraternidade.

Onde isto não for possível, ou não há sacerdotes da diocese que possam receber o consenso das partes, o Ordinário pode conceder atribuir diretamente as faculdades necessárias ao sacerdote da Fraternidade que celebrará também a Santa Missa, advertindo-o do dever de fazer chegar o quanto antes à Cúria diocesana a documentação da celebração do Sacramento. (JE)

* * *

A seguir, nossa tradução da íntegra da carta:

Eminência:

Excelência Reverendíssima:

Como é do vosso conhecimento, há algum tempo estão sendo realizados diversos encontros e iniciativas visando trazer à plena comunhão a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Recentemente, o Santo Padre decidiu, por exemplo,  conceder a todos os sacerdotes do referido Instituto a faculdade de confessar validamente os fiéis (cf. Carta Apostólica Misericordia et misera, n. 12), assegurando a validade e a licitude do Sacramento administrado por eles e para não deixar os fiéis na insegurança.

Na mesma linha pastoral, que visa aliviar a consciência dos fiéis, apesar da objetiva persistência da situação canônica de ilegitimidade em que se encontra a Fraternidade São Pio X, o Santo Padre, por proposta da Congregação para a Doutrina Fé e da Comissão Ecclesia Dei decidiu autorizar os Reverendíssimos Ordinários locais para que concedam licenças para a celebração de casamentos de fiéis que seguem as atividades pastorais da Fraternidade, de acordo com as seguintes diretrizes.

Sempre que for possível, o bispo delegará um sacerdote diocesano (ou, um sacerdote de outra circunscrição eclesiástica com licença regular) para acolher o consentimento dos noivos durante o rito do casamento na liturgia Vetus Ordo que é feita no início da Missa. Seguido logo após a celebração da Santa Missa votiva por um sacerdote da Fraternidade.

Quando isso não for possível ou não houver sacerdotes da diocese que possam receber o consentimento das partes, o Ordinário poderá conceder diretamente as faculdades necessárias ao sacerdote da Fraternidade que celebrará também a Santa Missa, avisando-o da obrigação de dar a conhecer o mais breve possível à Cúria diocesana sobre a documentação da celebração do casamento.

Certos de que também deste modo seja possível remover os escrúpulos de consciência dos fiéis que aderem à SSPX e a incerteza no tocante à validade do sacramento do matrimônio, e ao mesmo tempo, buscando avançar o caminho em direção à plena regularização institucional, este Dicastério confia na Vossa colaboração.

O Sumo Pontífice Francisco, na audiência de 24 de Março de 2017, em uma audiência concedida ao Cardeal Presidente, aprovou a presente Carta e ordenou a sua publicação.

Dado em Roma, na sede da Congregação para a Doutrina da Fé,

27 março, 2017.

Cardeal Gerhard. L. Müller

Presidente

+ Guido Pozzo

tit Arcebispo. De Bagnoregio

Secretário

Tags:

28 Comentários to “Novas disposições para sacerdotes da Fraternidade São Pio X.”

  1. Fico muito feliz que o Espírito Santo, através de caminhos que só Ele poderia conduzir, está trazendo à plena comunhão essa santa Fraternidade, dando-lhe a justiça e o reconhecimento que lhe é devida. Tenho certeza que essas sinalizações de unidade só farão, como já o fazem, bem à Igreja. Aliás, entendo que a unidade fará bem para ambos os lados.

  2. Sinceramente terrível…
    O Papa Francisco aos poucos vai fechando o cerco…
    Não resta mais dúvidas.

    Mas não é ele mesmo que disse que “a Missa Antiga é coisa de moda”…
    Não foi ele mesmo que disse em 07 de março de 2015 que aqueles que pensam que é possível voltar atrás com as reformas litúrgicas feitas pelo Vaticano II estão enganadas…

    Não estou entendendo mais nada!

  3. Só vai gerar atrito. Digo em os padres…

    • É o teste para saber se eles já estão prontos para se submeter às autoridades alinhadas com a Roma conciliar. É agora que vamos ver quem vai ficar do lado de Nosso Senhor, Dom Antônio e Dom Lefebvre ou do lado da Roma conciliar.

  4. Isso é Francisco distribuindo “doces” aos padres e fiéis da FSSPX para ver se se torna menos impopular entre eles… O que ele quer é só acalmar os ânimos tradicionalistas para poder prosseguir sua obra de demolição da Igreja com menos oposições!

  5. Uma pergunta (que não terá resposta) a Monsenhor Pozzo: essa decisão do Papa tem efeitos ex tunc ou ex nunc? Uma e outra resposta ainda levariam a perguntar: por quê?

  6. Não acho que seja artimanha do Papa Francisco para querer acalmar os tradicionalistas ou dar um “golpe”. Esse movimento já tem sua própria força e continuará, mesmo que surjam novas dificuldades. A maioria das novas vocações já são de seminários tradicionais.
    O Papa Francisco nunca perseguiu diretamente a FSSPX na Argentina, eles próprios admitem e confessam que ele ajudou-os.
    Francisco é simplesmente um liberal o qual não nega que a FSSPX seja católica mas talvez apenas subestime a força que esse movimento tem para mudar o estado da Igreja. Ele é pratico demais e nada teológico.
    Os Sacramentos da Penitência e do Matrimônio exigem o poder de jurisdição para sua validade, não basta o Sacramento da Ordem conferido ao ministro, no caso da Confissão, e, quanto ao Casamento, talvez a ausência de jurisdição gere defeito de forma, tornando o contrato nulo. Não sei como a FSSPX e os fiéis lidam com essa situação.

    • Thiago, tens toda a razão!

    • Muito bom ver pessoas sem mania de perseguição interpretaram um ato objetivo de forma objetiva.

    • A FSSPX sempre se baseou no estado de necessidade. No caso dos matrimonios na maioria dos casos não precisa nem recorrer ao estado de necessidade, pois o direito canonico diz que se um casal não puder recorrer a um padre com jurisdição por causa de algum inconveniente grave, como seriam a Missa Nova ou as formações liberais para os casais, o casal pode recorrer a um outro padre qualquer.

  7. Óbvio que esse papa é inteligente e não gosta de nada católico. O que ele quer e está fazendo é continuar o processo de demolição da Igreja sem a oposição da FSSPX. Simples assim.

  8. Não sei as reais intenções do Papa, creio que não são inteiramente boas mas vejo que não são inteiramente más… afinal seu reinado não durará para sempre!
    Uma vez que a semente estiver plantada (em plena comunhão) ela irá germinar e assim restaurar tudo em Cristo, de dentro pra fora, não conseguirão nos sufocar, assim como não conseguiram até agora….espero em Deus por este dia!!!

    • Também já pensei assim, mas hoje tenho ciência de que me iludi. E não foi por falta de aviso ou referência, dado o exemplo de outras comunidades “Ecclesiae Dei” e o próprio São Paulo, cujas palavras soam atualíssimas ao nosso caso:
      “Todas estas desgraças lhes aconteceram para nosso exemplo; foram escritas para advertência nossa, para nós que tocamos o final dos tempos. Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia.” (I Cor, 11-12)

  9. Caros irmãos, vendo os comentários acima, vejo que não há um espírito muito católico nos pensamentos expostos. Sei que há muita mágoa, sei que feridas ainda estão abertas e que há desconfiança fundada, mas não esqueçamos que todos fazemos parte do rebanho do Senhor. A maior alegria que poderemos dar à Cristo é ajudarmos no sentido de promover a unidade da sua Igreja. Discursos de pura raiva não ajudam e só fazem alimentar uma falsa impressão sobre os tradicionalistas que não gerará nenhum fruto positivo. Para deixar claro: participo diariamente da missa no Rito Antigo, com certeza vejo graves problemas com o nosso Papa atual, mas também não deixo de enxergar alguns exageros em alguns irmãos na fé que são mais tradicionais. Deus tem seus caminhos! Essa unidade só fará bem a Igreja de Cristo como um todo. Trazer a FSSPX para a plena unidade canônica só dará mais força a esse movimento tradicional que, com certeza, é a vontade de Deus para sua Igreja. Então, convido a todos, numa fraternal correção, a medirmos mais nossas palavras… Não sejamos desrespeitosos mesmo com aqueles pastores que merecem censura. Acima de tudo oremos e ofereçamos sacrifícios nessa intenção. D. Fellay não é um homem ingênuo. Vejo nele um homem de Deus que poderá viabilizar, com o devido equilíbrio e bem para ambos os lados, essa unidade. E por mais contraditório que possa parecer, Deus pode se utilizar também do Papa Francisco para isso. Lembrem-se que o Papa Francisco não é um homem de doutrina. Ele se coloca como um humanista. E nessa lógica de periferias humanas dele, essa pode ser a motivação que o está fazendo estender às mãos para a Fraternidade. Então não vejo más intenções. Podem até não ser pelos motivos mais corretos, mas vejo aí um “empurrão” do Espírito Santo para dar boa vontade ao Papa. E isso trará reflexos positivos a todas as dioceses, pois são ações vinculantes. Paz e Bem a todos! Salve Maria Santíssima e São Vicente Ferrer que comemoramos hoje, cuja intercessão é muito bem-vinda e conveniente dado o contexto atual!

  10. Há 5 anos essa notícia me traria extrema alegria, hoje, com tudo o que vem acontecendo, sinceramente não sei o que pensar… as alegadas “crises de consciência” que me incomodavam naquela época quando pude participar de uma peregrinação e Missa da FSSPX hoje não existem mais. Ao contrário, há mesmo uma sensação de certo “orgulho” ao saber que ainda posso recorrer a uma Fraternidade de padres católicos que é considerada como “não em plena comunhão” com os que aí estão representando “a Igreja oficial”. Digo isso no sentido de que tem se tornado evudente que grande parte da “Igreja oficial” é composta por pessoas que já não podem ser consideradas católicas, enquanto o motivo da Fraternidade “não estar em plena comunhão” com essa parcela é justamente o fato de buscar ser plenamente católica.
    Ora, uma autorização como essa não muda nada, ao contrário, até soa estranha e mesmo preocupante diante do que estamos acompanhando. Deus proteja a FSSPX.

  11. É isso mesmo, José Santiago Lima. As coisas desandaram muito mais nesses últimos 5 anos, que coincidem, não por acaso, com o pontificado do Papa Francisco. Talvez isto explique sim que sua crise de consciência deu lugar a uma certeza de estar no lugar certo, de ter concluído com acerto, etc.

    Eu não confio nem 1mm nas intenções do Papa Francisco, que é uma contradição viva, e essa decisão é apenas mais uma contradição dele. E confio menos ainda em Monsenhor Pozzo. Mas confio em Monsenhor Fellay e acho que entendo a linha de pensamento dele e de seus Padres: não podem fingir que isto não está acontecendo ou recusar os gestos de Roma a respeito da congregação, se e enquanto esses gestos não implicarem qualquer mudança de orientação, porque recusar sem motivo seria uma atitude tendente ao cisma. Então, que dá medo, dá. Mas temos que ter coragem. Não somos uma seita, somos católicos na mais estrita acepção do termo. Tenhamos confiança, Monsenhor é um homem prudente.

    Por outro lado, fala a verdade, dá um certo conforto dar aos detratores e difamadores da Fraternidade essa nova diretriz do Papa que eles tanto idolatram. Afinal, não somos só nós que ficamos perplexos, a contradição de Francisco é insolúvel para qualquer pessoa, embora possa simplesmente ser chamada de modernismo.

    • Não confia no Papa nem em Monsenhor Pozzo, mas confia em quem se aproxima deles? O quê Dom Fellay conseguiu de importante além de causar cisões no legado de Dom Lefebvre ao desobedecer as instruções deste?
      A pergunta é para refletir, mas os sintomas já são nítidos com o cada vez maior silenciamento do combate ao modernismo e com a ala modernista da FSSPX (não sejam ingênuos, pois ela existe e todos somos tentados e podemos cair) escrevendo textos infelizes pró-acordo e exigindo obediência a troco de “confiança” na Providência Divina…
      Sei que não é fácil perceber os problemas quando se está vendo de dentro, mas o próprio Alessandro Gnocchi já entendeu e está criticando a “prudência” de Dom Fellay.

  12. “Os Sacramentos da Penitência e do Matrimônio exigem o poder de jurisdição para sua validade, não basta o Sacramento da Ordem conferido ao ministro, no caso da Confissão, e, quanto ao Casamento, talvez a ausência de jurisdição gere defeito de forma, tornando o contrato nulo. Não sei como a FSSPX e os fiéis lidam com essa situação”.

    Thiago isso é uma velha discussão que Dom Tissier já explicou várias vezes devido aos embates com Orlando Fedeli.
    Os Bispos e sacerdotes da Fraternidade jamais disseram que ela tem “a suplência de jurisdição” em seu apostolado. Ou seja, jamais levaram qualquer fiel a pensar que a Fraternidade tem uma jurisdição ordinária ou delegada, que na realidade não possui, mas sim que age somente pela necessidade espiritual dos fiéis que a ela recorrem!
    Essa jurisdição não é ordinária, mas extraordinária, não é delegada ab homine (por um superior), mas a iure (pelo direito) porque adquirida por causa da necessidade espiritual dos fiéis.
    Como Dom Tissier escreveu explicitamente em 9 de outubro de 1996 ao professor Fedeli, o apostolado da Fraternidade e a suplência de jurisdição estão baseados na necessidade espiritual dos fiéis segundo o princípio enunciado no cânone 1752 do novo CDC (cân.682, CDC 1917): “tendo diante dos olhos a salvação das almas que, na Igreja, deve ser sempre a lei suprema” (Cf. Anexo 4).
    Como os fiéis lidam com essa situação? Na prática é muito simples, pelo menos aqui no Canadá e no USA qualquer um pode “oficializar” um casamento, até uma “drag-queen” como alguns tem preferido. Basta ser licenciado para tal.
    Os ministros de qualquer religião são automaticamente autorizados. Então os noivos vão ao cartório da Prefeitura, pagam a licença, preenchem os requisitos e marcam a data. Depois disso levam a licença para o oficiante da sua preferência, que no nosso caso são os padres da SSPX.
    O casamento então é oficializado no rito tradicional e em seguida vem a Missa Tradicional específica para essa ocasião, seguida das bênçãos especiais do Sacramento.
    A Igreja como boa mãe vem em socorro dos fiéis, os quais até agora “oficialmente” só conquistaram o direito à Missa Tradicional pelo Summorum Pontificum, mas não aos Sacramentos em sua forma tradicional.
    Com isso cai a tese de que o “sacramento” foi inválido. Poderiam até argumentar que foi “ilícito”, mas não inválido. Mas até o ilícito cai por terra, quando vemos que a Igreja reconhece a validade até dos casamentos dos não-Católicos.
    Então, voltando ao que foi publicado por Roma no tocante às novas disposições para sacerdotes da Fraternidade São Pio X, acredito que é muito barulho para nada.
    Como eu já disse antes, eu costumo chamar essas negociações de Dom Fellay com Roma, de “estratégia Sheherazade”.
    Aquela que pra ganhar tempo ficou contando a história das mil e uma noites. É uma estratégia perigosa? Não tenho dúvidas! Ela deixa os fiéis e inimigos inquietos? Sem sombra de dúvida! Mas nelas Dom Fellay sempre acaba arrancando algumas concessões que depois servem para a Igreja inteira, como foi o caso do Summorum Pontificum.
    Nesse caso específico dos casamentos, muitos fiéis assustados com o rumo que a Igreja está tomando com a Amoris Laetitia e essa mudança nas anulações de casamento, podem começar a buscar a SSPX também para casamentos.
    Pelo que eu conversei com os padres daqui, isso foi uma decisão unilateral de Roma, depois que Dom Fellay contou mais uma historinha das mil e uma noites pra postergar o processo.
    Então observem bem o que está escrito no final do boletim:

    “Certos de que também deste modo seja possível remover os escrúpulos de consciência dos fiéis que aderem à SSPX e a incerteza no tocante à validade do sacramento do matrimônio, e ao mesmo tempo, buscando avançar o caminho em direção à plena regularização institucional, este Dicastério confia na Vossa colaboração.
    O Sumo Pontífice Francisco, na audiência de 24 de Março de 2017, em uma audiência concedida ao Cardeal Presidente, aprovou a presente Carta e ordenou a sua publicação”.

    Ou seja, isso foi obra do Pozzo e do Muller que depois de terem encontrado entrave nas negociações com Fellay, foram até Bergoglio em audiência e pediram um “caramelo” pra adoçar os tradicionalistas de “cara-de-vinagre” da SSPX.
    Lembrem-se que numa negociação há sempre que se ter algo pra oferecer ao adversário, para que ele não tenha desculpas pra se retirar da mesa de negociação. Foi assim que Bergoglio resolveu aprovar essa “concessão” que não vai funcionar por dois motivos:

    1- A Carta é endereçada aos Bispos Ordinários locais pedindo deles a “cooperação” ( buscando avançar o caminho em direção à plena regularização institucional, este Dicastério confia na Vossa colaboração). Ou seja, não impõe, não determina. Fica a cargo do Ordinário local “colaborar”.
    Lembram-se quando JPII pediu o mesmo na Ecclesia Dei pra Missa Tridentina? Quantos foram mesmo os Bispos que convidaram a Fraternidade de São Pedro para as suas dioceses? Como eram e ainda são tratados os sacerdotes que tentam implementar o Summorum Pontificum em suas paróquias?
    Quantos são mesmo os Bispos que querem ver “avançar o caminho em direção à plena regularização institucional da SSPX”?
    Na verdade, uma possível regularização do status canônico da SSPX seria o mesmo que retirar da mão desses impostores o bordão que usam pra bater nos fiéis e sacerdotes que se arriscam para além dos muros da Impostura.
    E Bergoglio sabe disso, caso contrário jamais teria permitido essa iniciativa, pois ele foi um dos que fez ouvidos moucos à “solicitação de João Paulo II” na Ecclesia Dei Aflicta quando era Arcebispo em Buenos Aires:

    “…além disso, em toda a parte deverá ser respeitado o espírito de todos aqueles que se sentem ligados à tradição litúrgica latina, mediante uma ampla e generosa aplicação das diretrizes, já há tempos emanadas pela Sé Apostólica, para o uso do Missal Romano segundo a edição típica de 1962”.

    Ele mais do que ninguém deveria ter permitido e incentivado o Indulto Ecclesia Dei e o Summorum Pontificum em sua Diocese de Buenos Aires para frear a “competição” da SSPX, mas como todo TL doente, preferiu contar com Roma pra isolar a SSPX e continuar trabalhando firme pela sua “visão pastoral” de Igreja. Aliás, combateu até além de suas fronteiras, bispos como Dom Livieres, por destoarem da ideologia TL que varria e varre ainda o continente Latino Americano.

    2- Nem os padres e muito menos os fiéis da SSPX irão aceitar um padre Novus Ordo no altar “co-celebrando rito de matrimônio”. Dentro da SSPX não existem “co-celebrações” nem durante as missas. Se houver necessidade de um auxiliar, o segundo sacerdote faz o papel de Diácono. Cristo é um só no altar.
    Por outro lado, o próprio comunicado já prevendo essa possibilidade, oferece uma segunda opção:

    “Quando isso não for possível ou não houver sacerdotes da diocese que possam receber o consentimento das partes, o Ordinário poderá conceder diretamente as faculdades necessárias ao sacerdote da Fraternidade que celebrará também a Santa Missa, avisando-o da obrigação de dar a conhecer o mais breve possível à Cúria diocesana sobre a documentação da celebração do casamento”.

    Duvido que haverão padres Novus Ordo dispostos a fazer esse papel e muito menos “Bispos modernistas” dispostos a enviá-los, porque na mentalidade deles, os noivos deveriam procurá-los diretamente, pagar a taxa de matrimônio,( que em algumas paróquias custam até 1000 dólares), ao invés de fazê-los deslocar até uma capela da SSPX pra “colher o consentimento”. Grátis?
    Em suma, eles não tem absolutamente nada a ganhar com isso. Na melhor das hipóteses, o que um bispo simpático à SSPX poderia fazer é “conceder diretamente as faculdades necessárias ao sacerdote da Fraternidade”.
    Mas isso também vai criar outro entrave. Dom Fellay deixou claro que no caso de uma “prelazia” para a SSPX ela deveria ficar totalmente independente do Bispo local, justamente para evitar esse tipo de problema. A Fraternidade foi criada e os seus Bispos consagrados por Dom Lefebvre justamente para que os padres não ficassem à mercê dos bispos modernistas. Todos nós estamos carecas de saber disso!
    Então porque Roma resolve dar esse caramelo para adoçar os “cara-de-vinagre”, mas colocam nele amendoim picadinho quando a SSPX já deixou claro que é alérgica a amendoim?

    De qualquer forma, em Maio teremos uma conferencia com Padre Couture e ele vai explicar melhor essa nova situação.
    Aguardem.

  13. Sou amigo (e fiel a) dom Tomás de Aquino Ferreira da Costa e seu movimento de Resistência, e rezo para que a futura Prelazia São Pio X “contamine” a Igreja conciliar com a tradição, doutrina e liturgia tradicionais. Este é meu anseio, não torço para o jacaré.
    Rezo porque não acredito que isso ocorrerá. Seria um milagre. Vide Campos e outros grupos acordistas, no que se transformaram…

    • Isso deveria servir de alerta para lembrar aos que estão de pé tratarem de não cair, irmão Pedro.

      Temo pelo futuro da FSSPX sob a Roma conciliar, se isso porventura ocorrer, com o risco de que o legado de Dom Lefebvre será estilhaçado em várias dissidências e essa desunião enfraqueça humanamente ainda mais a defesa da Tradição.

  14. Pra mim a explicação é que o Papa age de boa fé e subestima a FSSPX.

  15. Deus sempre traça seus caminhos de maneiras surpreendentes ! Já estou vendo o que vai acontecer : Sacerdotes que forem designados para “vigiarem” as celebrações das Bodas , vão acabar se convertendo-se ao verdadeiro Rito ! Louvado Seja a Santíssima Trindade .

  16. É uma notória provação de submissão à regras a serem impostas pela Roma conciliar, certamente visando a criação da Prelatura. Na verdade, é quase um “censo” de quem no Clero da FSSPX vai se permitir subjugar pelos Bispos diocesanos.
    Se a maioria dos sacerdotes não se submeterem à vontade do Bispo diocesano – e é isso que está sendo posto à prova – a FSSPX não estará pronta para ser “reconhecida”. As consequências disso são imprevisíveis, pois a Roma conciliar pode simplesmente “dar mais tempo ao tempo” ou execrar a FSSPX como “cismática” ou “rebelde”, pois esta vai ficar perante o orbe católico em frontal desobediência à autoridade diocesana.
    Não querendo julgar as intenções de ninguém de nenhum dos lados, mas esse “teste” é de uma capciosidade farisaica!

  17. Já estou vendo que com o possível reconhecimento da SSPX muitas outras “resistências” aparecerão, eu já vi esse filme em algum lugar.

    • Sr. Anderson, também acredito que a FSSPX se esfacelará após a capitulação perante a Roma conciliar:
      * entre os que ficarão na FSSPX e possíveis vertentes:
      – seguirão o “aggiornamento” de forma consciente ou inconsciente;
      – fingirão que nada está acontecendo, mas sem mais combater abertamente o modernismo;
      – tornar-se-ão modernistas, mantendo apenas a “casca de tradicionalistas”;
      – criarão grupos de resistência interna em volta de sacerdotes que não aceitarão as mudanças.
      * entre os que sairão da FSSPX:
      – aliar-se-ão à Sociedade dos Apóstolos de Jesus e Maria (Resistência Católica);
      – criarão grupos pequenos em volta de sacerdotes com suas próprias ideias/estratégias;
      – criarão grupos pequenos de leigos com suas próprias ideias/estratégias;
      – migrarão para outras comunidades “Ecclesiae Dei”;
      – migrarão para comunidades diocesanas com ou sem Missas do “Motu Proprio”;
      – tornar-se-ão sedevacantistas;
      – tornar-se-ão modernistas;
      – tornar-se-ão cismáticos;
      – tornar-se-ão hereges;
      – tornar-se-ão apóstatas sem religião.
      A maioria dessas situações descritas eu vi acontecer na Adm. Apostólica, enquanto outras são hipóteses ou casos acontecidos no passado em momentos de crise na Igreja. O importante é controlarmos a decepção e as ciladas que o demônio fará nessas horas de angústia e mesmo dúvida, pois eu mesmo fui tentado a me tornar um apóstata sem religião e verdadeiramente me preocupo com as almas que passarão pelas mesmas tentações e inquietudes que sofri.
      Por sermos seres sociais, depositamos confiança em nossos líderes e muitas vezes temos dificuldade, por conta dos sentimentos, a ver claramente o que ocorre. Por isso, não julgo aos irmãos das comunidades “Ecclesiae Dei” tampouco da FSSPX que não conseguem enxergar o que aconteceu e o que acontece. A deturpação da Fé pelo modernismo é sutil e, no meu caso, só consegui identificar a árvore quando seus frutos começaram a ficar amargos demais para não mais notar.
      Mas não foi por falta de aviso do Divino Mestre nem de seus Vigários que caímos. Nesses momentos, rezemos e estudemos a Sã Doutrina com mais devoção e buscando um sacerdote zeloso para dirimir dúvidas, cuidando sempre para que estando de pé também não caiamos. Reitero isso porque o sacerdote zeloso que me ajudou 4 anos atrás em minha aflição aparentemente está caindo.
      Coração de Jesus, abismo de todas as Virtudes, tende piedade de nós!
      Nossa Senhora do Rosário de Fátima, convertei os pecadores!
      São Pio X, rogai por nós!