A César o que é de Deus?

Por André Tomaz de Carvalho

Sabemos que próceres secularistas e militantes anticristãos de variados matizes não veem problemas em que o Estado anule qualquer soberania que a Igreja possa ter sobre suas práticas, sobre o que defende seu Magistério, sobre o decoro de seus ritos, enfim, sobre todo e qualquer elemento que a permita existir e agir no mundo. Mas não é esse o modelo de Estado formalmente vigente. Pelo menos ainda. E por isso nos parece que a lei deve prevalecer no caso de profanação que está sendo amplamente comentado nas redes sociais. O leitor poderá conhecer em maior detalhe o ocorrido ao ver a matéria publicada recentemente aqui.

Após análise do caso, tem-se, em resumo, que um senhor, provavelmente por sua exaltação contra o rito latino (como comentaremos), quis receber a Eucaristia na mão – o que em si apenas constitui uma exceção menor ao rito –, mas quis também, em desafio, deixar o altar com ela em sua mão. Disse que comungaria como quisesse e onde quisesse, e que aquela não era a sua religião. Em seguida, quando cercado por acólitos e por parte da assembleia, tentou deixar o altar à força, ato em que caiu no chão com o Sacramento em seu punho fechado (o que obviamente o despedaçou), e resultou em sua imobilização para que se retirassem de sua mão os fragmentos do Corpo Eucarístico. Como resultado, o cidadão bradou que era procurador, que acabaria com a vida do sacerdote, e registrou queixa-crime de lesão corporal.

A nosso ver, a conduta do procurador foi péssima sob três aspectos distintos.

Primeiro, porque o fiel, que posteriormente se presumiu grande canonista ao apontar ao policial (na queixa-crime) seu direito de receber na mão a Eucaristia desde o Concílio Vaticano II, provou-se errado por (no mínimo) ignorar algo de conhecimento comum: que a Eucaristia, mesmo se dada na mão pelo sacerdote, deve ser consumida imediatamente. Ignorava que nem sob a forma nova do rito, que ele erradamente considera haver revogado todas as outras, lhe seria permitido consumir o Cristo Eucarístico onde ele quiser, como ele quiser – como vemos no documento Redemptionis Sacramentum, cap. IV, n.92. E dissemos “ignorava” por mera concessão, visto que sua tentativa de afastamento com a Eucaristia nas mãos parecia derivar de sua aversão ao rito tradicional, aparentemente relegado por ele ao status de uma prática quase herética: “Essa Missa não existe! Isso não existe!”, dizia. Em suas próprias palavras (conforme testemunhos), aquela não era a sua religião. Errou também por afirmar, conforme suas próprias palavras na queixa-crime, que o Cristo Eucarístico “não pertence ao padre, mas a todo fiel”. Embora belas, estas palavras (que soariam tão bem em certos círculos teológicos) traem novamente um mau entendimento do tema. Mesmo quem não é canonista entende que o Cristo Eucarístico, pessoa que é, não pertence a ninguém: nem ao padre, nem ao fiel leigo, mas a Si mesmo, e deve ser dado, recebido e consumido conforme Ele escolheu, e conforme ensinado a nós por intermédio do Magistério, incumbido de definir as práticas da comunhão.

Segundo, errou por preferir crer-se tão conhecedor, que – literalmente ensinando o padre a rezar a Missa – preferiu fiar-se em suas certezas a ponto de expor o Corpo de Cristo a maus-tratos, interromper o rito e escandalizar a assembleia, ao invés de suspeitar que tanto sua autoridade quanto suas credenciais (jurídicas, por exemplo) não lhe valiam ali na mesma medida que no ofício secular que realiza como procurador.

Terceiro, porque desejou constranger o sacerdote com sua autoridade secular, visto que este não conduziu a Missa e a comunhão como ele quis. Dizendo-se procurador, prometeu “destruir a vida” do sacerdote. É impossível haver caso mais emblemático. Visto que sua ameaça veio junto com a declaração de sua posição de poder, não é exagero especular que o protagonista deste episódio possa neste momento estar exercendo sobre o sacerdote pressões indevidas baseadas em seu cargo – pressões que, se de fato existentes, constituiriam abuso de autoridade –, mas o que é concreto e certo é que registrou contra ele uma queixa-crime de lesão corporal. Seu testemunho na queixa-crime é contrariado por diversos outros, fornecidos espontaneamente pela assembleia.

Quanto a este terceiro aspecto, especialmente grave, perguntamo-nos: acaso pode qualquer um julgar-se soberano do rito religioso, exceto o celebrante? Ainda mais especificamente, pode um prócer secular valer-se de seu poder para impor sua vontade sobre a do celebrante na condução deste rito? A resposta é evidentemente negativa. Em verdade, por ser crime o vilipêndio a culto, é a queixa-crime do procurador que parece carecer de fundamento. Pois não é necessário ser jurista para deduzir o óbvio: se é ilícito ferir a integridade e a dignidade de um culto religioso, é lícito defendê-lo – inclusive com o uso de força proporcional – contra quem esteja cometendo este crime. Se é ilícito violar uma dama, é lícito usar a força para parar quem esteja naquele momento cometendo tal crime. É o que se chama de “legítima defesa”, a ser realizada no momento imediato, e de maneira proporcional. Mesmo sendo profanação grave o que ocorria, a pessoa não foi linchada, não foi golpeada, mas imobilizada após haver caído no chão enquanto tentava abrir caminho à força. E foi imobilizada apenas para que se retirasse de sua mão – em pedaços – a Eucaristia que nela estava. Não se pode pretender ilícito o uso da força para defender a integridade do rito religioso de uma assembleia (e de seu elemento principal, o Cristo Eucarístico), pois há uma lei que define como crime o ultraje a culto. Do contrário, seria como haver uma lei que prevê como crime o roubo, mas considerar-se ilegal usar força proporcional contra quem esteja, em flagrante, cometendo aquele mesmo roubo.

Se o leitor concorda conosco, reiteramos que por favor manifeste na página de Facebook do padre Anderson Batista seu apoio a ele e aos fiéis que defenderam a integridade da Eucaristia e interromperam o ultraje que ali se perpetrava. Pelo que parece, a queixa-crime do procurador está sendo confrontada com uma queixa oposta, movida pelo sacerdote [informação ainda não confirmada].

Reiteramos também o pedido feito em publicação anterior:

1) Oferecer orações em desagrado a Nosso Senhor e nas intenções do padre Anderson Batista da Silva. Neste momento, mais do que nunca, suas orações serão de grande conforto e ajuda. Sejamos generosos!

2) Escrever à Arquidiocese de Niterói parabenizando-a por ter em seus quadros um sacerdote tão bravo e piedoso como o padre Anderson, que há muitos anos dá o seu melhor na defesa da doutrina e da liturgia da Igreja Católica. As mensagens podem ser postadas no Facebook da Arquidiocese e no site da arquidiocese de Niterói.

Peçam à Arquidiocese que AMPARE e APOIE o padre Anderson contra quaisquer processos judiciais que ele venha sofrer e que não o abandone nessa aflição. Que a Arquidiocese de Niterói não se dobre às ameaças do reclamante e ao seu status social (como ele mesmo disse, seria procurador), mas norteie-se tão somente pelo zelo para com a Eucaristia.

3) Rezar por esse senhor que apareceu inesperadamente na paróquia e causou tanta confusão. Que Deus o ilumine e que ele venha a se dar conta da grande afronta que causou ao Cristo Sacramentado, do distúrbio que causou ao insultar a forma tradicional do rito, do ultraje que foi querer – em tom de desafio e desprezo pela celebração – deixá-la com a Eucaristia em seu punho, e da gravidade da ameaça que fez ao sacerdote.

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10 Comentários to “A César o que é de Deus?”

  1. V sabe com quem está falando?
    Esse foi o modelo da chamada “carteirada”, adotado por esse sedizente procurador, se acaso o for, abusou de sua autoridade para coagir os outros e não de servir; o caso dele em principio era de policia por perturbar a ordem estabelecida.
    Se procurador, está a serviço da bem e não da anarquia ou de querer se impor sobre os outros por supostamente desejar valer-se de sua autoridade à revelia, comportamento impostor, ação de intolerantes muçulmanos e comunistas, além de que está sendo pago por esses mesmos que foram molestados por ele para adequadamente servir a comunidade – infelizmente, existem tipos excêntricos desse naipe.
    Outra possibilidade não remota seria de esse cidadão politicamente correto idem estar sob controle de forças estranhas que o induziu a tal, previsto que chegaríamos a um tempo em que a Sagrada Eucaristia será contemplada com todos os tipos de profanações e calcada aos pés!
    Eis pois esse sendo o caso de ser colocada nas mãos dos comungantes – péssimo procedimento comum em todas quase todas paroquias – para mais duras prestações de contas dos promotores e dos que a permitem, sabem os riscos não poucos, ou teriam perdido a fé!
    *“O mesmo sucederá com a Sagrada Comunhão. Mas, ai! quanto sinto ao te manifestar que haverá muitos e enormes sacrilégios públicos e também ocultos de profanação da Sagrada Eucaristia. …. Meu Filho Santíssimo ver-Se-á jogado ao chão e pisoteado por pés imundos”.
    Forjou a situação, dramatizou o cenario e até com ameça de morte e certamente ainda quereria receber por supostos danos “morais” – ai ai ai; são procedimentos típicos de esquerdistas de acusarem para se defender, como os graúdos petistas!
    * N Senhora do Bom Sucesso.

  2. Para restabelecer a justiça, resguardar o sacerdote e restabelecer a verdade dos fatos, sugiro que cada um que testemunhou o sacrilégio naquela missa, que entre com queixa crime na delegacia do distrito contra o “procurador por: “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso;” (Art. 208 CP)

  3. É um acontecimento trágico sob todos os pontos de vista. Rezo para que Deus proteja o seu Cristo que cada Presbítero é…Parece-me que quando alguém demonstra estar perturbado os próprios fiéis já devem acionar a segurança, a polícia algo que faça a pessoa se retirar. Carta vez quando uma pessoa perturbando a s. missa nova, não a Tridentina, na minha paróquia o Padre celebrante parou e pediu a dois paroquianos homens e mais fortes que conduzissem a pessoa para fora. e funcionou, a pessoa foi embora. Então acho que deve-se ter esse cuidado de prontidão por parte de todos os fiéis para tomar providencias imediatas aos primeiros sinais. E além disso acho que o Padre deveria ter negado a entregar a Hóstia Santa na mão de tal pessoa e até encerrado a distribuição da Eucaristia, fechando-a no Sacrário imediatamente acontecesse o que fosse. Primeiro salvar o Cristo o que fez São Tarcísio por exemplo, o primeiro Mártir da Eucaristia. Não é brincadeira, a Presença Real de Cristo em Corpo e Sangue, Alma e Divindade, como estava pregado na Santa Cruz é fato e devemos colocá-lo sempre em primeiro lugar a salvo, aconteça o que aconteça. então precisamos estar mais de sobreaviso nestes tempos das trevas finais que inevitavelmente temos de enfrentar. Psiquiatras católicos devem dar apoio ao Padre declarando que o senhor este estava evidentemente surtado. O Padre e ninguém pode ser condenado por legítima defesa e ainda em solo sagrado.Advogados católicos devem ajudar nisso também.Que o Sagrado Coração de Jesus nos perdoe e o Imaculado Coração de Maria interceda a favor da verdade e da justiça!!Amém.

  4. Salve Maria!
    Este senhor que agrediu o Sacerdote e a Santíssima Eucaristia deve ser processado de acordo com o código criminal brasileiro:
    Art. 208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
    Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa.
    Parágrafo único – Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência.
    Excomungado ele já está de acordo com o Cân. 1367 do CIC: “Quem deitar fora as espécies consagradas ou as subtrair ou re tiver para fim sacrílego incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica (…)”.

  5. É triste constatar que a Diocese de Niterói não se dignou publicar sequer uma pequena nota sobre o ocorrido. (Pelo menos no site da diocese eu não encontrei nada nesse sentido.) Em tempos mais católicos, creio que o bispo local iria até reconsagrar o templo, profanado pelo sacrilégio público do tal ‘procurador’. Hoje, porém, parece que o bispo nem está dando a mínima importância ao caso…

  6. Tem outro crime mais interessante neste caso (com a pena bem maior), denunciação caluniosa… o padre não pode ficar quieto, por amor à verdade e à justiça, deve denunciar o “procurador” (de encrenca), pelos dois crimes, o do art. 208 e o de denunciação caluniosa… basta de impunidade e desrespeito!!!

  7. Figuras patéticas e arrogantes, analfabetos funcionais, gente sem eira nem beira, tecnocratas sem doutrina jurídica, sem distinção, sem modos, sem decoro, tudo isso e muito mais ainda é pouco para traçar o perfil médio dos egressos dos cursos jurídicos nesse fim de mundo em que se transformou o triste Brasil sob a sombra funesta de seus imundos mandatários – os públicos e os amoitados.
    Seria bom que PROCURASSEM, todos eles, um fosso da profundidade da sua falta de hombridade e lá se jogassem aos montes, como aqueles porcos que, tendo abrigado uma legião de espíritos imundos, precipitou-se no abismo por mandato do Senhor.
    VINDICA, DOMINE!

  8. iguras patéticas e arrogantes, analfabetos funcionais, gente sem eira nem beira, tecnocratas sem doutrina jurídica, sem distinção, sem modos, sem decoro, tudo isso e muito mais ainda é pouco para traçar o perfil médio dos egressos dos cursos jurídicos nesse fim de mundo em que se transformou o triste Brasil sob a sombra funesta de seus imundos mandatários – os públicos e os amoitados.
    Seria bom que PROCURASSEM, todos eles, um fosso da profundidade da sua falta de hombridade e lá se jogassem aos montes, como aqueles porcos que, tendo abrigado uma legião de espíritos imundos, precipitaram-se no abismo por mandato do Senhor.
    VINDICA, DOMINE!

  9. Favor considerar a correção do texto acima: “1) Oferecer orações em desagrado a Nosso Senhor…”
    Seria “desagravo”.
    Lido meu comentário pela equipe do site, pode este ser retirado.
    Obrigado.