Nota de condenação ao aborto da CNBB.

Nesta tarde, a CNBB lançou uma nota de condenação ao aborto. Rezemos para que esse crime e pecado gravíssimo seja erradicado de nossa terra.

Por CNBB

  CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

Presidência

NOTA DA CNBB

PELA VIDA, CONTRA O ABORTO

“Não matarás, mediante o aborto, o fruto do seu seio”

(Didaquê, século I)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através da sua Presidência, reitera sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural . Condena, assim, todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil.

O direito à vida é incondicional. Deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. O direito à vida permanece, na sua totalidade, para o idoso fragilizado, para o doente em fase terminal, para a pessoa com deficiência, para a criança que acaba de nascer e também para aquela que ainda não nasceu. Na realidade, desde quando o óvulo é fecundado, encontra-se inaugurada uma nova vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano. Contém em si a singularidade e o dinamismo da pessoa humana: um ser que recebe a tarefa de vir-a-ser. Ele não viria jamais a tornar-se humano, se não o fosse desde início . Esta verdade é de caráter antropológico, ético e científico. Não se restringe à argumentação de cunho teológico ou religioso.

A defesa incondicional da vida, fundamentada na razão e na natureza da pessoa humana, encontra o seu sentido mais profundo e a sua comprovação à luz da fé. A tradição judaico-cristã defende incondicionalmente a vida humana. A sapiência  e o arcabouço moral  do Povo Eleito, com relação à vida, encontram sua plenitude em Jesus Cristo . As primeiras comunidades cristãs e a Tradição da Igreja consolidaram esses valores . O Concílio Vaticano II assim sintetiza a postura cristã, transmitida pela Igreja, ao longo dos séculos, e proclamada ao nosso tempo: “A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis” .

O respeito à vida e à dignidade das mulheres deve ser promovido, para superar a violência e a discriminação por elas sofridas. A Igreja quer acolher com misericórdia e prestar assistência pastoral às mulheres que sofreram a triste experiência do aborto. O aborto jamais pode ser considerado um direito da mulher ou do homem, sobre a vida do nascituro. A ninguém pode ser dado o direito de eliminar outra pessoa. A sociedade é devedora da mulher, particularmente quando ela exerce a maternidade. O Papa Francisco afirma que “as mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. ‘Indivíduo’ quer dizer ‘que não se pode dividir’. As mães, em vez disso, se ‘dividem’ a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer” .

Neste tempo de grave crise política e econômica, a CNBB tem se empenhado na defesa dos mais vulneráveis da sociedade, particularmente dos empobrecidos. A vida do nascituro está entre as mais indefesas e necessitadas de proteção. Com o mesmo ímpeto e compromisso ético-cristão, repudiamos atitudes antidemocráticas que, atropelando o Congresso Nacional, exigem do Supremo Tribunal Federal-STF uma função que não lhe cabe, que é legislar.

O direito à vida é o mais fundamental dos direitos e, por isso, mais do que qualquer outro, deve ser protegido. Ele é um direito intrínseco à condição humana e não uma concessão do Estado. Os Poderes da República têm obrigação de garanti-lo e defendê-lo. O Projeto de Lei 478/2007 – “Estatuto do Nascituro”, em tramitação no Congresso Nacional, que garante o direito à vida desde a concepção, deve ser urgentemente apreciado, aprovado e aplicado.

Não compete a nenhuma autoridade pública reconhecer seletivamente o direito à vida, assegurando-o a alguns e negando-o a outros. Essa discriminação é iníqua e excludente; “causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto” . São imorais leis que imponham aos profissionais da saúde a obrigação de agir contra a sua consciência, cooperando, direta ou indiretamente, na prática do aborto.

É um grave equívoco pretender resolver problemas, como o das precárias condições sanitárias, através da descriminalização do aborto. Urge combater as causas do aborto, através da implementação e do aprimoramento de políticas públicas que atendam eficazmente as mulheres, nos campos da saúde, segurança, educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil. Espera-se do Estado maior investimento e atuação eficaz no cuidado das gestantes e das crianças. É preciso assegurar às mulheres pobres o direito de ter seus filhos. Ao invés de aborto seguro, o Sistema Público de Saúde deve garantir o direito ao parto seguro e à saúde das mães e de seus filhos.

Conclamamos nossas comunidades a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana.

Neste Ano Mariano Nacional, confiamos a Maria, Mãe de Jesus, o povo brasileiro, pedindo as bênçãos de Deus para as nossas famílias, especialmente para as mães e os nascituros.

Brasília-DF, 11 de abril de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha

 Arcebispo de Brasília

Presidente da CNBB

             Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ

 Arcebispo de São Salvador

Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo U. Steiner, OFM

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário-Geral da CNBB

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13 Comentários to “Nota de condenação ao aborto da CNBB.”

  1. Complementando o estrondoso silêncio: “Quem ousar cometer tal crime e horroroso pecado “que brada aos céus por justiça” incorre em excomunhão latae sentenciae – sem que a Igreja percise se pronunciar. Incorre na mesma pena quem apoiar de qualquer maneira, concorrendo para o crime, ou incitá-lo, ou defendê-lo publicamente, ou promover sua prática ou sua aprovação política, bem como quem votar em políticos que concordem com o mesmo.

    Onde estão as excomunhões, CNBB?

  2. “Urge combater as causas do aborto, através da (…) educação sexual”.
    O que será que a chefia da CNBB quis dizer com isso? Ora, todos sabemos que a tal “educação sexual” oferecida pelo Governo (e outras entidades) consiste fundamentalmente em propagar o uso de preservativos e de anticoncepcionais. De um ponto de vista mundano e imoral, não haveria, certamente meio mais eficaz para combater o aborto do que impedindo a própria concepção (sem impedir a fornicação, todavia). É isso que a direção da CNBB está propondo (ou ao menos insinuando)? Se não for, então o texto da nota deveria deixar isso claro (mas não deixa).

  3. Exceto nos casos de estupro, que se perfaz mediante coação e violência – um caso atinente, portanto, à segurança pública e, assim, ao Estado – não procede dizer que o assunto gravidez seja da alçada de alguma intervenção política do Estado.

    Será que esses senhores da CNBB NÃO se dão conta de que os agentes de saúde são, em sua esmagadora maioria, promotores de uma agenda que não tem nada a ver com as pautas defendidas (oficialmente) pela Igreja? Em que planeta vivem? Não percebem que solicitar a implementação e o aprimoramento “de políticas públicas que atendam eficazmente as mulheres, nos campos da saúde, segurança, educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil” é abrir a porta do galinheiro para as raposas?

    Pega muito mal a um bispo solicitar que alguém, em nome do Estado da Luz Vermelha, dê aulas sobre o coito. Pois é mediante o coito que se engravida.

    Condenem o mal, mas não sugiram os meios que a ele conduzem.

    O remédio contra o flagelo aborto chama-se DECÁLOGO, seus parvos alienados!

  4. A nota é boa. Nem parece que foi feita pela CNBB.

  5. No arrazoada entra violação a divisão dos poderes, desigualdade econômica, de mulher, antidemocráticas e que tais etc. Parece uma nota de um partido de centro para angariar simpatias de sua base. E é só. Não entra a palavra pecado, Deus e as condenações com citações de trechos da Escritura e documentos da Igreja etc. É tudo muito por alto.
    “Oração, Deus e Maria” só entram na última linha, ou parágrafo quase caindo do texto. Uma nota pífia, um miado de quem se esperava um rugido de luta e de indignação.
    Não acho que poderemos esperar muita coisa dessa nota.
    Em todo caso, fica constando que a CNBB falou. É para isso.

  6. A nota da CNBB está adequada, porém, quantas décadas demorou, mesmo assim constando situações questionaveis.
    Recordando à instituição que em 2010 D Luiz Bergonzini fez uma dura campanha anti comunista, precavendo o povo de forma ostensiva de se reelegerem os marxistas para o poder com o caudal de infindas desgraças que aportam para a nação,, caso do aborto!
    A CNBB acaso o apoiou, a ponto de ele dizer que “não posso concordar com certos pontos de vista de alguns irmãos do episcopado”. Evidente que não, apoiar um maldito regime que aporta todas as mazelas que o diabolismo em si proporciona como suposto governo, inclusive adesaão a todos tipo de bandidagens e narco traficantes, como as FARC!
    Não vemos cardeal o Hummes, por ex., aos abraços com o traste Lula, um escãndalo sem precedentes de apoio a esse scroc, mesmo a esquerdista TL conferenciando na Sede e do PT sendo tratados com tanta amabilidade quando em apuros, gerando a impressão que compartilhariam?
    …. “Neste tempo de grave crise política e econômica, a CNBB tem se empenhado na defesa dos mais vulneráveis da sociedade, particularmente dos empobrecidos” – pareceria ser verdadeiro se a CNBB desde há mais tempo, senão décadas, precavisse o povo brasileiro de elegerem os genocidas e caóticos partidos comunistas. Primeiro, os socialistas do PSDB, depois o PT possuidor do aborto como programa oficial de governo e similares anti cristãos que odeiam a Igreja católica, dessa forma, não lhes oportunizassem implantar essa praga no país de fé cristã por aparelhar varios setores do poder com apoiadores do regime em decisões ideológicas!
    Também, essa de proteger os empobrecidos e vulneraveis, como como ser verdadeira se a primeira ação dos quadrilheiros marxistas acima é miserabilizar o povo, induzi-lo para a relativização, levá-lo às drogas, à corrupção da infancia-juventude numa violencia ímpar para implantar a depravada ideologia de gênero e esforço na propagação da ideologia marxista!
    Dessa forma, não agem os vermelhos para o povo que caia sob suas patas o façam comer das migalhas que caem de suas mesas para o manter subjugado ao regime, como sucede em Cuba e na bola da vez, campo de refugiados famélicos, Venezuela?
    Quantas dezenas de bilhões de dólares em detrimento do Brasil foram desviados para ditadores sanguinarios comunistas e para enriquecimento dessa facção criminosa às barbas da CNBB que ainda patrocinava aquela hipócrita “Reforma política para eleições Limpas” sendo que nos bastidores era promovida pelo PT, MST, CUT e varios mais movimentos que são as milicias comunistas, travestidos “movimentos sociais”?
    Nesse ínterim, comprovando afastamento da função evangelizadora, a CNBB desvia-se da S Quaresma de conversão do coração para o conteúdo do ecohumanismo da globalista “Mãe Terra” – só se for mãe dela – pois de nós católicos é Nossa Senhora!
    Por ora, até o Vaticano escandaliza por acolher e incentivar a continuarem na luta os “movimentos sociais” dos marxi-terroristas, idem das abortistas feminocomunonazifascistas, sendo o padre Arturo Abascal orador oficial delas em recente ida ao Vaticano – imagine a que ponto chegamos…

  7. Antes tarde do que nunca.
    O trabalho fundamental, indispensável e inescapável de combater o crime do aborto não pode ser exclusividade dos leigos, enquanto bispos e padres se ocupam de biomas e reforma da previdência.

  8. Texto muito bom. no geral. Mais dizer “Urge combater as causas do aborto, através da (…) educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil. ” é loucura. É a educação sexual umas das causas do aborto.

  9. Eu quase sempre sou crítico à CNBdoB, mas nesse caso louvo essa atitude contra o pior dos crimes, que caso seja aprovado trará a maldição Divina para nosso país.

  10. PALMAS PARA CNBB.

    Até que enfim estão sendo claros e objetivos. É um bom sinal. Alguma coisa está mudando na CNBB.

  11. Agora só falta parar de dar apoio aos políticos que querem promover o aborto.

  12. “Muito razoável e equilibrada esta nota da Conferência”, é assim que eles gostam de parabenizar uns aos outros e de serem considerados como ponderados e prudentes, quase um Maçon-Sereníssimo que não se deixa levar pelas emoções. Em meio a essa serenidade toda, milhões morreram para que a fama de ponderados fosse mantida. A nota vem com anos de atraso, sem conclamar o povo, sem apontar as causas da calamidade e sem apontar as consequências para a vida espiritual daqueles que estão envolvidos na prática atroz do aborto: assim é a CNBB no seu eterno costume de falar, falar, falar, falar, falar, falar e falar, sem dizer ………………… nenhuma, mas o que importa é ser considerado prudente e ponderado, como um Maçon-Sereníssimo.

  13. Parabens CNBB