O escândalo dos nossos tempos.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 19-04-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comO mundo está cheio de escândalos, e Jesus diz: “Ai do mundo por causa dos escândalos” (Mt 18, 7). O escândalo, de acordo com a moral católica, é o comportamento daqueles que causam o pecado ou a ruína espiritual de seu próximo (Catecismo da Igreja Católica n° 2284).

amoris-laetitiaNão basta abster-se de fazer aquilo que em si mesmo é pecado, mas é preciso evitar aquilo que, não sendo pecado, põe os outros em perigo de pecar; e o Dicionário de teologia moral dos cardeais Roberti e Palazzini ensina que isso é especialmente obrigatório para aqueles que têm uma posição elevada no mundo ou na Igreja (Editrice Studium, Roma 1968, p.1479).

As formas mais graves de escândalo são hoje a publicidade, a moda, a apologia que a mídia faz da imoralidade e da perversão, as leis que aprovam a violação dos mandamentos divinos, como aquelas que introduziram o aborto e as uniões civis homo e heterossexual.

A Igreja sempre considerou escândalo também o recasamento civil dos divorciados. João Paulo II, na Familiaris consortio, indica o escândalo que dão os divorciados recasados como uma das razões pelas quais eles não podem receber a Sagrada Comunhão. De fato, “se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio” (nº. 84).

O cânon 915 do Código de Direito Canônico afirma: “Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditos, depois da aplicação ou declaração da pena, e outros que obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto.” 

Uma declaração do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos reafirmou a proibição contida nesse cânone contra aqueles que pretendem que tal regra não se aplica ao caso dos divorciados recasados. A declaração afirma: “No caso concreto da admissão dos fiéis divorciados novamente casados à Sagrada Comunhão, o escândalo, concebido qual ação que move os outros para o mal, diz respeito simultaneamente ao sacramento da Eucaristia e à indissolubilidade do matrimónio. Tal escândalo subsiste mesmo se, lamentavelmente, um tal comportamento já não despertar alguma admiração: pelo contrário, é precisamente diante da deformação das consciências, que se torna mais necessária por parte dos Pastores, uma ação tão paciente quanto firme, em tutela da santidade dos sacramentos, em defesa da moralidade cristã e pela reta formação dos fiéis” (Pontifício Conselho para os Textos legislativos, Declaração sobre a admissibilidade à Sagrada Comunhão dos divorciados recasados, 24/06/2000, em Communicationes, 32 [2000], pp. 159-162).

Após a promulgação da Exortação pós-sinodal Amoris laetitia, aquilo que sempre representou um escândalo para o Magistério da Igreja passou a ser considerado um comportamento aceitável, que merece ser acompanhado com compreensão e misericórdia. Monsenhor Pietro Maria Fragnelli, bispo de Trapani e presidente da Comissão para a família, os jovens e a vida, da Conferência Episcopal Italiana, disse em uma entrevista de 10 de Abril à agência SIR (dos bispos), dedicada ao documento do Papa Francisco, que “a recepção da exortação apostólica na diocese está crescendo, no sentido de se procurar entrar cada vez mais no espírito profundo da Amoris laetitia, que pede de nós uma nova mentalidade face ao amor em geral, vinculado à família e à vida de família”.

Para transformar a mentalidade do mundo católico, a Conferência Episcopal Italiana está empenhada numa assídua obra de promoção de conferências, seminários, cursos para noivos ou para casais em crise, mas, sobretudo, como escreve a agência dos bispos, a fim de promover “uma mudança de estilo para sintonizar a pastoral familiar ao modelo de Bergoglio”. De acordo com Mons. Fragnelli, “pode-se dizer claramente que começou uma mudança de mentalidade, tanto do episcopado, quanto das nossas dioceses, como algo que tem de ser feito, vivido e procurado em conjunto. Pode-se dizer: trabalho em andamento”.

Os “trabalhos em andamento” consistem na “deformação das consciências” denunciada há poucos anos atrás pelo Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, ou seja, adotar uma mentalidade que nega, no plano da práxis, a santidade dos sacramentos e a moralidade cristã.

Em 25 de fevereiro último, falando em um curso de formação para os párocos, o papa Bergoglio os convidou a se tornarem “próximos, com o estilo próprio do Evangelho, no encontro e no acolhimento daqueles jovens que preferem conviver sem se casar. Nos planos espiritual e moral, eles se encontram entre os pobres e os pequeninos, dos quais a Igreja, nos passos do seu Mestre e Senhor, quer ser uma mãe que não abandona, mas que se aproxima e cuida deles”. 

De acordo com a agência SIR, os casais conviventes – com ou sem filhos – representam atualmente 80% daqueles que participaram, na Itália, dos cursos de preparação para o casamento em 2016. Ninguém recorda a esses conviventes que eles vivem em situação de pecado grave. A própria expressão “casais irregulares” é proibida. Em 14 de janeiro, o Osservatore Romano publicou as orientações pastorais dos dois bispos malteses, D. Charles Scicluna (arcebispo de Malta, ex-promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé), e D. Mario Grech (Gozo). “Através do processo de discernimento – dizem eles – precisamos avaliar o grau de responsabilidade moral em determinadas situações, dando a devida consideração aos condicionamentos e às circunstâncias atenuantes”. Por causa desses “condicionamentos e circunstâncias atenuantes, o Papa ensina que ‘já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada ‘irregular’ vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante”. 

A consequência é que “se, como resultado do processo de discernimento, empreendido com ‘humildade, reserva, amor à Igreja e a seu ensinamento, na busca sincera da vontade de Deus e com o desejo de alcançar uma resposta a ela mais perfeita’ (AL 300), uma pessoa separada ou divorciada que vive uma nova relação consegue com clara e informada consciência, reconhecer e crer que ela ou ele estão em paz com Deus, ela ou ele não podem ser impedidos de participar dos sacramentos da Reconciliação ou Eucaristia”. 

Um ano após a promulgação da Amoris laetitia, o “modelo Bergoglio” que vem sendo imposto é o acesso dos divorciados recasados a todos os sacramentos. A coabitação não constitui escândalo. Mas, para o Papa Francisco, o escândalo – mais ainda, o principal escândalo do nosso tempo – é a desigualdade econômica e social.

Em carta dirigida no Domingo de Páscoa ao bispo de Assis-Nocera Umbra, D. Domenico Sorrentino, o papa Bergoglio disse que os pobres são “um testemunho da escandalosa realidade de um mundo marcado pela desproporção entre o gigantesco número de pobres, amiúde privados do estritamente necessário, e a minúscula parcela de endinheirados que detêm a maior parte da riqueza e pretendem determinar os destinos da humanidade. Infelizmente, a dois mil anos do anúncio do Evangelho e após oito séculos do testemunho de Francisco, estamos diante de um fenômeno de ‘iniquidade global’ e de ‘economia que mata’.

O antagonismo moral entre o bem e o mal é substituído pela oposição sociológica entre riqueza e pobreza. A desigualdade social passa a ser um mal pior que o assassinato de milhões de nascituros e o oceano de impureza que submerge o Ocidente. Como não compartilhar o que escreveu o cardeal Gerhard L. Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, no livro-entrevista Esperança da Família: “O maior escândalo que pode dar a Igreja não é o fato de que dentro dela existam pecadores, mas que deixe de chamar pelo nome a diferença entre o bem e o mal e passe a relativá-la, que pare de explicar o que é o pecado ou finja justificá-lo em nome de uma alegada maior proximidade e misericórdia para com o pecador”

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13 Comentários to “O escândalo dos nossos tempos.”

  1. “They who make a sacrilegious Communion,” writes St. Cyril, “receive satan and Jesus Christ into their hearts—satan, that they may let him rule, and Jesus Christ, that they may offer Him in sacrifice as a Victim to satan.”
    ” Aqueles que recebem a Comunhão sacrilegamente”- escreve São Cirilo- recebe simultaneamente Satanás e Jesus Cristo. Satanás para que ele os governe e Jesus Cristo, para ser oferecido como vítima em sacrifício para Satanás”.
    Pois bem, em tempos de “misericórdia” ninguém fala nos efeitos da Comunhão sacrílega para essas pobres almas!
    São Paulo nos diz: “Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. (1 Coríntios 11:29,30)
    O ensinamento da Igreja sempre foi claro a esse respeito. Mas agora Satanás, que é quem governa essa impostura que se sobrepôs à Igreja, tenta convencer as pobres almas de que não há nada de errado com a vida de adultério permanente que elas levam, afinal nem podemos ter certeza de que Jesus condenou mesmo o adultério porque naquela época não haviam gravadores de fita K7 e nem smartphone pra gravar o que Jesus disse!
    Disse bem o Cardeal Muller: ““O maior escândalo que pode dar a Igreja não é o fato de que dentro dela existam pecadores, mas que deixe de chamar pelo nome a diferença entre o bem e o mal e passe a relativá-la, que pare de explicar o que é o pecado ou finja justificá-lo em nome de uma alegada maior proximidade e misericórdia para com o pecador”.
    Ele só esqueceu de dizer que o nome desse grande escândalo é Jorge Mario Bergoglio.

  2. O escândalo dado por Francisco às almas é patente, no sentido de que ele, com a pastoral que adotou, acaba favorecendo vários tipos de pecado. Tanto assim que, se eu fosse sacerdote e tivesse de administrar os sacramentos a Francisco, eu não o poderia fazer, em consciência, enquanto ele não se retratasse publicamente de seus escândalos (mesmo a absolvição em artigo de morte só lhe poderia ser dada sob a condição de ele prometer que, em recuperando as forças, se retrataria publicamente o mais cedo possível). Essa foi sempre a prática da Igreja: quem escandaliza as almas pela publicação de escritos maus (ou por outras vias de magistério [ensino, direção]), tem a obrigação de reparar também publicamente seus escândalos, se quiser o perdão divino (do mesmo jeito que, no caso dos ladrões, não se perdoa o pecado se não se restitui o roubado [podendo, claro]).
    A propósito, recordando um caso histórico relativo à obrigação de reparar publicamente os escândalos dados também publicamente, permitam-me lembrar o que se passou na morte de Voltaire.
    Três meses antes de sua morte, em 1778, Voltaire, muito doente, recebeu a visita do piedoso padre Gaultier: ao avistá-lo, o filósofo agarrou-lhe a mão e pediu-lhe que o ouvisse em confissão. A isto respondeu o sacerdote ser necessário antepor uma retratação. Voltaire não recusou, redigindo então e assinando o seguinte texto:
    «Eu, abaixo-assinado, declaro que, estando há quatro dias atacado de vômitos de sangue, na idade de oitenta e quatro anos, não me pude arrastar até a igreja. O Sr. Cura de S. Sulpício, então, aos seus méritos anteriores quis acrescentar o de me enviar o Pe. Gaultier; confessei-me a ele. Se Deus dispuser de mim, morrerei na santa Religião Católica, em que nasci, cheio de esperança de que a santa misericórdia de Deus se digne apagar todas as minhas faltas; e, dado que alguma vez tenha escandalizado a Igreja, peço perdão a Deus e a Ela».
    O padre Gaultier registrou pessoalmente esse documento no cartório do tabelião de Paris e Voltaire o autorizou a publicá-lo também em todos os jornais dessa cidade. A notícia, de fato, se espalhou tão rápido que, em poucos dias, atravessou os Alpes e chegou (talvez um pouco aumentada) aos ouvidos do bispo de Santa Ágata dos Godos, monsenhor Afonso Maria de Ligório, que se apressou a escrever uma pequena carta de felicitação a Voltaire por sua conversão.
    Entretanto, quem não aceitou o esboço de retratação de Voltaire foi o bispo de Paris, que exigiu do padre Gaultier que obtivesse dele uma retratação mais pormenorizada de seus erros: como podia alguém ter sido tão prolixo em dizer absurdos como esse Francisco [o nome verdadeiro de Voltaire era Francisco], mas tão sucinto em palavras na hora de pedir perdão?
    D’Alembert e Diderot, chamados às pressas para ‘conter a crise de piedade’ de Voltaire, se estacaram às portas da residência deste para impedir o padre Gaultier de apresentar a Voltaire a fórmula de retratação prescrita pelo bispo de Paris diretamente para ele. Melhorando de saúde, o enfermo voltou a recair em novos pecados, mas exatamente na manhã do dia em que morreria, 30 de maio (festa de Santa Joana d’Arc), mandou chamar o padre Gaultier para se confessar, prometendo que assinaria a retratação completa que o bispo exigia. Ao chegar o padre, porém, Voltaire delirava já quase sem lucidez, e não pode assim cumprir o que anunciara; morreu pouco depois. O bispo proibiu que se lhe desse sepultura eclesiástica, mas parece ter havido algum retardo ou desencontro na transmissão dessa ordem, e quando ela chegou o enterro cristão do ‘patriarca da impiedade’ já havia sido feito, embora com certa discrição.
    No século seguinte, tanto o Santo Cura d’Ars quanto S. João Bosco afirmaram crer que Voltaire tinha se salvado, ainda que ao preço de um longo e terrível purgatório. Foi praticamente o único caso, na história da Igreja, de um grande, célebre e obstinado inimigo da Fé que aceitou assinar alguma retratação antes da morte, a fim de reparar em alguma medida os escândalos dados em vida. A retratação de fato assinada era fraca e vacilante, mas já era certamente melhor do que nada, e ao menos no derradeiro momento houve o pedido de assinar uma retratação mais perfeita.
    Em agosto de 1955, o periódico francês «Le Figaro Littéraire», publicou os documentos, descobertos nos arquivos de Paris, registrando o caso, inclusive o «fac-símile» da retratação (a julgada insuficiente pelo bispo), com a assinatura de Voltaire e de duas testemunhas: o Pe. Gaultier e o Pe. Mignot, sobrinho do moribundo. A Maçonaria, porém, como era de se esperar, fez o que pode ao longo do tempo para negar ou pelo menos esconder essa história…

  3. Caro Bhartolomeu, permita-me fazer uma correção. O santo Cura d’Ars não afirmou acreditar que Voltaire tenha se salvado. Ele diz exatamente o contrário em seu sermão “Eles pertencem ao mundo”:
    […]Durante um jantar que Voltaire deu num certo dia para seus amigos, – um bando de ímpios– ele rejubilou-se porque entre todos os presentes não havia um sequer que acreditava em religião. Embora, no fundo, ele próprio ainda acreditava. Tanto é verdade, que ele demonstrou isso claramente na hora de sua morte. Naquele momento crucial, ele ordenou com grande pressa que um sacerdote fosse levado à sua presença para reconciliar-lhe com Deus. Mas foi tarde demais!
    Deus, contra Quem ele havia lutado e falado mal com tanta fúria, durante toda a sua vida, agiu com ele do mesmo modo como agiu com Antíoco. Deus simplesmente o abandonou à fúria dos demônios. Naquele momento de pavor, Voltaire tinha apenas o desespero e o pensamento da condenação eterna que lhe estava destinada. […]
    https://gloria.tv/article/GgaPgRLqJonX2BxHyX63RQuu4

    • Obrigado pela correção, Gercione. Os pontos referentes ao Sto. Cura d’Ars e a S. João Bosco eu os citei de memória, e fiando-me de antigas biografias desses santos, lidas há bastante tempo e cujas referências, na época, não cuidei de anotar. Pode ser que eu tenha entendido mal o que essa biografias relatavam, ou que minha memória esteja me enganando, ou que os autores eles mesmos é que tenham se enganado de algum modo nesse ponto.

  4. Relativizar a moral, no caso a moral cristã, com a falsa justificativa de que se “está levando a Igreja aos necessitados”, é como descarrilhar um comboio. Cristo nos deu a Igreja para que Ela seja o farol. Não “a maria vai com as outras”. Está na hora de tomar posições mais firmes contra a heresia. Não que Cristo precise de ajuda. Mas nós que devemos cumprir com a nossa obrigação!

  5. “O antagonismo moral entre o bem e o mal é substituído pela oposição sociológica entre riqueza e pobreza. A desigualdade social passa a ser um mal pior que o assassinato de milhões”… Pois é. Ele é o maior promotor da aceitação, pelas pessoas de bem, da migração em massa planejada e promovida pela ONU. A igualdade no centro do desenvolvimento sustentável. Esta política, que para tentar acabar com a pobreza até 2030 vai também espalhar radicais pelo mundo. Vocês conseguem imaginar no que vai dar isso ? Agora estão abrindo as fronteiras da maioria dos países da América do Sul, vários mudaram suas leis de imigração neste início de ano, nos mesmos moldes da nossa, desenhada e exigida pela ONU. http://www.conectas.org/pt/acoes/politica-externa/noticia/47192-nova-lei-de-migracao-e-aprovada-no-congresso Colocando no google ‘nueva ley de migraciones latinoamericanas’, pode-se ver muitas semelhanças, na política de vistos humanitários, por exemplo. O que os europeus já estão passando nos assusta. São os deuses socialistas da ONU planejando o nosso futuro com a ajuda do Papa. O Raio-x da ONU apresenta o Brasil como país com discriminação estrutural, intolerante e ameaçado por pressões de grupos e bancadas religiosas dentro da política.
    http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/mundo/brasil/noticia/2017/04/20/raio-x-da-onu-apresenta-brasil-como-pais-com-discriminacao-estrutural-279461.php
    E aqui tem o planejamento feito no ano passado para América do Sul e Caribe, CEPAL no México. Agora, de 26 a 28 de abril tem outra reunião no México. http://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/40161/4/S1600654_pt.pdf

  6. A ordem política globalista decretou que se deturpem as mentes e as relativizem para dominação ao sistema ideológico atual, fazê-las se inserirem no “politicamente correto”, o qual significa “renunciar ao proprio criterio para aceitar bovinamente falsas concepções de revolucionarios, impostores, desequilibrados e material-ateístas, como de dissimulados de eclesiásticos, a começarem até de dentro da Igreja; dessa forma, certos procedimentos, como alguns do Pe Arturo Abascal que são perniciosos, maléficos e contaminantes do rebanho”!
    *“Quase não se encontrará a inocência nas crianças nem pudor nas mulheres, e nessa suprema necessidade da Igreja, calar-se-á aquele a quem competia a tempo falar” (II, 7).
    Temos alguns exemplos de escãndalos que jamais são combatidos, como a Comunhão nas mãos e pisoteio de partículas, desmerecendo a S Eucaristia, assim como a grande ou maior parte das mulheres semi nuas pelas ruas – assim havendo varias delas dentro das igrejas – e nunca, sob hipótese alguma admoestadas, nem nos boletins paroquiais!
    Esse tipo de veneno vinha sendo aplicado em doses diminutas, embora gradativamente pela midia, como via novelas por desmerecerem a fé católica – doravante de forma bastante ostensiva – de modo recorrente de relativização dos pecados, eufemizando-os, dando-lhes uma conformação sob a “misericordia”, a qual mais se pareceria complacencia com o erro, assim como o “acolhimento” a todos no estado em que se encontram, incentivando-os a permanecerem no status quo e jamais querendo convertê-los a Jesus, como ordenou àqueles que se dispusessem a segui-Lo!
    Dessa forma – talvez alguns ou diversos dos promotores de escândalos em altos postos da Igreja – admitir-se-ia serem infiltrados, tomando as mais diversas atitudes como relação a procedimentos inconvenientes que bem caberiam a qualquer pagão!
    No entanto, como os escãndalos se multiplicam e nossos pastores e os padres não advertem os cristãos – uns raros apenas são contundentes – pareceria que a vida espiritual que levariam não lhes dá as graças da virtude da fortaleza suficiente para advertirem os fieis; pareceriam acuados, combalidos, temerosos de desagradarem, serem “discriminados e processados ” – quem sabe, prefeririam não se arriscarem para se não serem interpelados!
    Outra aviso de N Senhora é que: ““Todos os governos civis terão um e mesmo plano, que será abolir e acabar com todo princípio religioso, para abrir caminho para o materialismo, o ateísmo, espiritualismo, e vícios de todos os tipos”.
    “Todavia, se faz necessário que haja divergências entre vós, para que os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio”. 1 Cor 11,19.
    * N Senhora do Bom Sucesso

    • Enfim, o concílio-primavera do “papa bom” transformou boa parte do que FOI a Igreja católica num imenso pardieiro de gente debochada que pode usufruir dos “direitos” à fornicação e adultério, satanicamente reconhecidos por certo prelado argentino carreirista. Que grande cortiço! Quantas ratazanas!

  7. “os casais conviventes – com ou sem filhos – representam atualmente 80% daqueles que participaram, na Itália, dos cursos de preparação para o casamento em 2016.”
    Senhor, tende piedade de nós!

  8. “O antagonismo moral entre o bem e o mal é substituído pela oposição sociológica entre riqueza e pobreza. A desigualdade social passa a ser um mal pior que o assassinato”… A coisa está chegando a um ponto que beira a irresponsabilidade, perigoso. Se eu tivesse uma filha adolescente na Europa não deixaria seguir o Papa, ir à JMJ. O que vocês acham deste tipo de fala aos jovens: O Papa afirmou que Jesus é o Senhor do risco, não o Senhor do conforto, da segurança e da comodidade. Para seguir a Jesus, afirmou o Pontífice, é preciso ter uma boa dose de coragem, é preciso decidir-se a trocar o sofá por um par de sapatos que te ajudem a caminhar por estradas nunca sonhadas. O Papa pediu aos jovens que ensinem os adultos a conviverem na diversidade, no diálogo, na partilha da multiculturalidade não como uma ameaça mas como uma oportunidade: “tende a coragem de nos ensinar que é mais fácil construir pontes do que levantar muros!”“Aceitais? Que respondem as vossas mãos e os vossos pés ao Senhor, que é caminho, verdade e vida?”, E sobre o vídeo do mês de abril, aos jovens ?


    Ficaram sabendo deste caso ? E tantos outros…..
    https://criticanacional.wordpress.com/2016/12/07/tragedia-muculmano-estupra-e-mata-filha-de-dirigente-da-uniao-europeia/

  9. “Lembrai, lembrai… De um julgamento injusto, do flagelo rasgando a carne, da coroa de espinhos, dos espancamentos, das humilhações, da pesada cruz, dos cravos de ferro atravessando os pulsos e pés, do cheiro de sangue, da agonia, da morte e da ressureição. ’
    Lembrai ó povo católico de onde vem tua força, hoje quase esquecida.
    Lembrai-vos de vossa herança.
    Lembrai-vos do Verbo Encarnado, nascido da Santíssima Virgem.
    Lembrai-vos de um homem pobre que calava os poderosos, andava sobre as águas, aplacava as tempestades, dava visão aos cegos, fazia os aleijados andarem, curava os doentes e ressuscitava os mortos.
    Lembrai-vos Dele, que prometia o Reino dos Céus a quem o seguisse, mostrou que o mais humilde seria o primeiro.
    Lembrai-vos Daquele que disse simplesmente “Venha a mim”, “Siga-me”, “Obedeça-me”.
    Lembrai-vos Daquele que deixou claro que sua principal missão era perdoar os pecados, algo que somente Deus poderia fazer.
    Lembrai-vos Daquele que disse “Eu Sou o Caminho, A Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai a não ser por Mim”, “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;” “Eu sou o pão da Vida, quem come deste Pão, mesmo que morra viverá”.
    Lembrai-vos de Jesus Cristo, o Filho de Deus.
    Lembrai-vos da Santa Ceia, onde nos deu Seu Corpo e Sangue.
    Lembrai-vos de seu Sacrifício na Cruz, onde verdadeiramente tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores; e os seus o reputavam por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
    Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
    Lembrai-vos de um pequeno bando de covardes derrotados, num sótão, em um dia e, poucos dias depois, transformados numa companhia que nenhuma perseguição podia silenciar.
    Lembrai-vos de 12 homens que testemunharam que viram Jesus levantado de entre os mortos, ascendendo aos Céus e depois proclamaram essa verdade durante 40 anos, nunca a negando. Todos eles foram espancados, torturados, apedrejados, colocados na prisão e sofreram mortes horríveis. Teriam suportado isso, caso não fosse verdade?
    Lembrai-vos das perseguições, quando éramos crucificados, apedrejados, flagelados, presos, queimados vivos e jogados as feras.
    Lembrai-vos dos tempos em que nos escondíamos nas catacumbas.
    Lembrai-vos do tempo que o Evangelho conquistou os bárbaros.
    Lembrai-vos do tempo que as nações eram irmãs em Jesus Cristo.
    Lembrai-vos dos cavaleiros, os monges guerreiros que defendiam os fracos.
    Lembrai-vos das glórias da cristandade, suas catedrais e universidades.
    Lembrai-vos dos santos, servos humildes de Nosso Senhor, que conquistaram multidões não com espadas, como os maometanos, mas com Rosários.
    Lembrai-vos de São Domingos Gusmão, São Francisco de Assis, Santo Antônio de Lisboa e São Tomás de Aquino.
    Lembrem-se da batalha de Lepanto, quando as orações do Rosário derrotaram os turcos maometanos.
    Lembrai-vos dos missionários, que foram aos confins da terra pregar o Evangelho.
    Lembrem-se do tempo em que os padres falavam da vida eterna, da indispensabilidade de salvar a própria alma fugindo do pecado e vivendo na graça de Deus.
    Lembrai-vos de quando não havia altares-mesa no estilo luterano em nossas igrejas, mas somente altares-mores voltados para Deus, cuja própria aparência despertava o sentido de temor respeitoso e reverência nas pessoas.
    Lembrai, lembrai… de quando não havia tradicionalistas, porque não havia necessidade de descrever qualquer católico com essa expressão. Todos os católicos aceitavam instintivamente o que uma série de papas havia prescrito como parte da própria profissão de nossa fé: “Admito firmemente e abraço as tradições apostólicas e eclesiásticas e outras observâncias e constituições da Igreja.”.
    Lembrai-vos de quando não havia leitores leigos, “ministros da Eucaristia” leigos ou meninas no presbitério, mas somente padres, diáconos a caminho do sacerdócio e os acólitos, que eram a fonte primária de geração após geração das vocações sacerdotais, que enchiam os seminários.
    Lembrai-vos de quando não havia música profana durante a Missa, mas somente canto gregoriano ou polifonia, despertando a alma para a contemplação do divino, ao invés batidas de pés, palmas ou puro tédio.
    Lembrai-vos de quando os padres rezavam em latim, e a missa era contemplativa e meditativa. Todos podiam rezar o terço durante o silencio e as igrejas eram cheias.
    Lembrai, lembrai…do tempo em todos católicos carregavam um terço no bolso, e o rezavam todos os dias.
    Lembrai-vos de quando não havia seminários vazios, conventos vazios, paróquias abandonadas e escolas católicas fechadas. Havia somente seminários, conventos, paróquias e escolas repletas de católicos fiéis provenientes de família numerosas.
    Lembrai-vos de quando não havia “ecumenismo.” Havia somente a convicção de que a Igreja Católica é a Igreja única e verdadeira, fora da qual não há salvação. Os católicos seguiam o ensinamento da Igreja que “[diz] que os fiéis não podem de maneira alguma assistir ativamente ou participar de qualquer culto de acatólicos,” e eles compreendiam mesmo se apenas de maneira implícita.
    Lembrai-vos de quando não havia “diálogo.” Havia somente evangelização pelo clero e apologistas leigos com o objetivo de converter as pessoas à verdadeira religião. E havia os convertidos, que entravam para a Igreja em números tão grandes que parecia mesmo que os Estados Unidos estavam se tornando uma nação católica, uma vez que 30 milhões de americanos ouviam o programa de rádio de Dom Fulton Sheen todo domingo.
    Lembrai-vos de quando não havia defecções em massa do sacerdócio, das ordens religiosas, e de leigos, levando à “apostasia silenciosa” na Europa e em todo o Ocidente. Em vez disso, havia aquilo que um Padre do Concílio Vaticano Segundo descreveu no início do Concílio: “a Igreja, não obstante as calamidades que grassam no mundo, está experimentando uma era gloriosa, se vocês considerarem a vida cristã do clero e dos fiéis, a propagação da fé, e a influência universal salutar que a Igreja possuía no mundo de hoje.”
    Lembrai-vos de quando não havia “Católicos Carismáticos,” “Neo-Catecumenais,” ou outros “movimentos eclesiais” promovendo novos modos estranhos de culto inventados por seus fundadores. Havia somente católicos, que praticavam o culto da mesma maneira que seus antepassados com continuidade inquebrável durante séculos.
    Lembrem-se do tempo em que a Igreja não precisava imitar seitas protestantes para ficar pop.
    Lembrai, lembrai, do tempo em que a palavra divórcio não fazia sentido. Homens e mulheres casavam-se para toda a vida.
    Lembrai-vos do tempo em que ter filhos não era considerado fardo, mas sim a coisa mais importante para as famílias.
    Lembrai-vos do tempo em que os padres catequizavam seu rebanho. De quando o sim era sim e o não era não.
    Lembrai-vos do tempo que os padres atendiam confissões todos os dias, e ninguém precisava marcar hora para se confessar.
    Lembrai-vos do tempo que os todos católicos tinham horror ao pecado. Ao contrário de hoje.
    Lembrai-vos de quando tudo mudou, quando o espirito mundano invadiu a igreja. No Concílio Vaticano II.
    Lembrai-vos do que pediu a Santa Virgem em Fátima.
    Lembrai-vos que ela disse que seu Imaculado Coração triunfará.
    “Salve Rainha, Mãe de Misericórdia,
    Vida, doçura e esperança nossa, salve!
    A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva.
    A Vós suspiramos, gemendo e chorando
    neste vale de lágrimas.
    Eia, pois, advogada nossa,
    Esses Vossos olhos misericordiosos
    A nós volvei,
    E, depois desse desterro,
    Mostrai-nos Jesus, bendito fruto do Vosso Ventre.
    Ó Clemente, Ó Piedosa, Ó Doce Virgem Maria.
    Rogai por nós Santa Mãe de Deus,
    Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém”.
    Acompanha o Rosário, eis a oração que nos diz como devemos rezar pelo Reino de Maria. Como Trata-la, quem somos, o que é este mundo, quem Ela é para nós, e o que devemos lhe pedir.
    Salve Mãe Rainha
    Deste seu escravo inútil.

  10. Muito bom o artigo. Francisco Bergoglio, através da prática, conseguiu mudar até mesmo o conceito de cristão, o qual deixou de ser aquele que busca a própria santificação e a dos outros para ser aquele que não “discrimina” nem “julga”; para ser o que acolhe, não só os outros pecadores (pois todos somos pecadores) mas acolhe também o pecado deles e não julga como sendo pecados os atos que na Escritura e na Tradição da Igreja sempre foram considerados como tais. Essa idéia, que hoje se passa, não é nova. Ela já vem sendo ventilada há décadas. O Vigário de Cristo agora lhe dá apoio. E o rebanho do Senhor a engole. Permitindo que recebam a Santa Comunhão aqueles que se encontram em pecados graves, não é mais preciso alertar o próximo para a necessidade de abandonar esses mesmos pecados. Eis o golpe de mestre. Esquece-se que Nosso Senhor Jesus Cristo acolhia os pecadores públicos de sua época, mas nunca se conformando com o pecado deles, e sempre lhes disse a verdade, obtendo sua conversão. O Senhor se aproximava deles não para que continuassem em pecado, mas para se tornarem santos, o que, efetivamente, ocorreu com Santa Maria Madalena, São Mateus Apóstolo e muitos outros.
    A nova mentalidade lançada por Bergoglio e alegremente abraçada e incentivada por uma parte da Hierarquia, deixa implícita a a perniciosíssima idéia de que a Igreja teria sido injustamente discriminadora e preconceituosa quando, desde o início de sua jornada e através dos Séculos, teve cuidado com as almas dos fiéis, advertindo para que não recebessem o Corpo e o Sangue do Senhor se estivessem em estado de pecado grave. E até negando a comunhão em determinadas circunstâncias muito sérias e públicas. “Discriminando” e “julgando”, ela evitava que através de uma comunhão sacrílega, os fiéis se tornassem réus do Corpo e do Sangue do Senhor e recebessem a condenação de suas almas. Eis aí a grande caridade da Santa Igreja. É como a mãe que impede a criança de pegar numa brasa incandescente. Caridade sincera e santa, inspirada por Deus. O mesmo entenda-se especialmente da posição que a Igreja sempre teve para com os casais separados e casados em segundas núpcias (isto é, em pecado de adultério público). Ela os “julgava”, isto é, dizia que seu ato era pecado; e os “discriminava”, isto é, negava-lhes a Sagrada Comunhão para que não comungassem em pecado mortal.
    Às vezes a caridade espiritual exige dureza, mas é para o nosso próprio bem quando pecamos, e para o bem do próximo. Sabe-se que Padre Pio certa vez recusou ouvir a confissão de um homem porque este não havia feito o necessário exame de consciência. Mandou-o de volta para casa. Foi um repúdio, não foi um acolhimento. Mas, por causa disso o homem percebeu que se não fosse assim, faria uma confissão mal feita, e esta não lhe proporcionaria o perdão. Fez o exame de consciência e dias depois voltou, fez uma boa confissão de suas faltas ao mesmo Padre Pio, que o ouviu, o aconselhou e o absolveu (isso, aliás, deve ter acontecido com mais de uma pessoa). Segundo a lógica do acolhimento, hoje tão em voga, dir-se-ia que o Santo de Pietrelcina foi injusto ao repudiar o dito homem. É certo que Padre Pio tinha dons extraordinários e Deus mostrava-lhe os pecados das pessoas antes que estas lhe contassem. Mas, a moral da história é que nem sempre o acolhimento é o melhor remédio para nós, pecadores. Isso devido ao germe que carregamos do pecado original. Um acolhimento mal entendido pode nos confirmar no nosso pecado, em vez de nos levar à conversão. Enquanto uma boa repreensão ou uma boa “sacudida” pode nos fazer ver que nossa alma está em perigo de morte eterna e nos ajudar enormemente. Se Padre Pio não tivesse mandado aquele homem fazer um bom exame de consciência, talvez não tivesse conseguido que ele se arrependesse dos seus pecados. Santo Afonso conta-nos que Santa Maria Egipcíaca, antes de sua conversão era uma prostituta. Converteu-se a partir do momento em que uma força estranha a impedia de entrar numa igreja. Ela queria entrar, mas apesar da porta estar aberta, havia como uma parede invisível que não a permitia passar dali. Ela, então, percebeu que seu modo de vida desagradava o Senhor. Sentiu-se indigna. Arrependeu-se, converteu-se e se tornou uma grande santa. Nosso Senhor Jesus Cristo mesmo deixou a regra para que na Igreja quem cometesse pecado público (por exemplo, a heresia) fosse repreendido, de início individualmente, sem testemunhas, e se não se corrigisse, fosse advertido depois, por duas ou três testemunhas, para lhe mostrarem seu erro e incentivarem sua correção. Se a pessoa não atendesse as testemunhas, então se deveria buscar a intervenção da Igreja. E se o pecador não atendesse a Igreja, deveria ser tratado como um gentio e pecador público, isto é, deixado a si mesmo. A “mentalidade do acolhimento” hoje se escandaliza com essa passagem do Evangelho, mas é por desconhecer a natureza humana. Por que Nosso Senhor deu uma orientação tão “dura”? Resposta: para o bem da pessoa que pecou. Para a salvação dela. O isolamento do pecador público, a privação dos sacramentos e outros remédios é porque com isso ele pode cair em si e ver que errou. Pode ter verdadeira dor de ter ofendido a Deus. E, sobretudo, para que volte e, então, será acolhido. E também estará livre do erro. Se não for corrigido, nem ele se converte e ainda pode levar outros ao mesmo erro, ao mesmo pecado.
    Todo esse cuidado e caridade verdadeiramente divinos, que a Mãe Igreja e seus santos tiveram para com o rebanho de Cristo, é hoje atacado, numa inversão antes impensável. A conseqüência disso é, em última análise, a abolição do pecado. Agora, sob o pretexto de acolhimento, abre-se aos fiéis as portas do inferno.
    Na época de João Paulo II este evitou chamar as segundas uniões de “adultério”, e incentivou que os casais em união irregular participassem da vida da Igreja, a fim de não se sentirem melindrados nem excluídos. Teve, no entanto, o cuidado de deixar claro que não podiam receber a Sagrada Comunhão. Isso, aliás, vale para todos nós quando cometemos pecados graves. A diferença é que os casais separados e unidos em segundas núpcias com novos cônjuges têm uma situação pública, e, enquanto continuam nela, significa terem a firme resolução de viver no pecado. Dar-lhes a Sagrada Comunhão traria um triplo desastre: primeiro, exporia os mesmos à condenação eterna; segundo, daria a falsa impressão de que o casamento não é indissolúvel (a pastoral da segunda união já dá essa impressão, razão pela qual é um tremendo erro); e terceiro, causaria grande escândalo, isto é, daria a entender para os outros fiéis a idéia errada de que a Igreja aprova essas uniões, incentivando-os a seguir o mesmo caminho, e isso poria em risco suas almas. Acresce que o engajamento dos casais em situação irregular na assim chamada “pastoral da segunda união” nunca obteve a conversão deles. Não vemos esses casais que vivem em adultério desejando se separarem para viver em castidade (o ideal seria cada um voltar ao cônjuge verdadeiro do primeiro casamento válido, mas como nem sempre é possível, a castidade passaria a ser a melhor alternativa). É possível haver exceções, mas a dita “pastoral” não lhes ensina a abandonar o pecado. Ela teve foi o efeito contrário de fortalecê-los na situação em que se encontram (e que não querem deixar) e de, em número cada vez maior, passarem a reivindicar a Santa Comunhão como se não estivessem em pecado mortal. Agora, são recompensados. Francisco Bergoglio vem alegremente ao seu encontro.
    No artigo acima, lemos o seguinte trecho: “se, como resultado do processo de discernimento, empreendido com ‘humildade, reserva, amor à Igreja e a seu ensinamento, na busca sincera da vontade de Deus e com o desejo de alcançar uma resposta a ela mais perfeita’ (AL 300), uma pessoa separada ou divorciada que vive uma nova relação consegue com clara e informada consciência, reconhecer e crer que ela ou ele estão em paz com Deus, ela ou ele não podem ser impedidos de participar dos sacramentos da Reconciliação ou Eucaristia”.
    Belas palavras que escondem veneno mortal. E ditas por um Bispo!
    Incentiva-se que um casal separado e recasado em segundas núpcias, cada membro do casal unido a novo cônjuge, examine a si mesmo e caso se sinta bem para com Deus, poderá receber a Hóstia Consagrada. Então, é preciso apenas alguém chegar ao padre e dizer: “padre, deixei minha mulher legítima e uni-me a outra, com a qual pretendo permanecer, mas não me sinto culpado diante de Deus”. Isso é o suficiente, então? Está dada a condição atenuante para não haver pecado mortal? Basta alguém achar que está em estado de graça, para realmente estar em estado de graça?
    Mas, desde quando nosso pensamento e nosso sentimento são a medida para sabermos se estamos na graça de Deus? Não é mais o que praticamos? Não é mais a maneira como vivemos, mas nossa subjetividade que nos diz se estamos ou não na graça e na amizade de Deus?
    Pode acontecer do pecado não ser imputado a uma pessoa quando ela vive em uma situação na qual é impossível conhecer Jesus Cristo, Sua Igreja e Seu Santo Evangelho e, portanto, tal pessoa não teria como saber com certeza se os atos praticados por ela são ou não são pecados. Não teria consciência do pecado e, portanto, o mesmo não lhe seria imputado, ainda que continuasse objetivamente sendo um ato mau (e mesmo há a Lei Natural, que ainda restaria, na falta da lei moral positiva). Havendo matéria grave, mas faltando o pleno conhecimento ou o pleno consentimento, o pecado passa a ser venial. Mas, esquece-se que isso nem de longe é uma situação boa e desejável (pois Deus quer que todo homem chegue ao conhecimento da verdade). E também não vale em nossa sociedade, onde a maioria das pessoas recebeu o Santo Batismo e se declara católica. O Evangelho é lido e pregado em toda parte em nossas igrejas particulares. Nunca poderemos usar como desculpa falta de conhecimento das exigências do Evangelho, pois todos os dias a Palavra de Deus é lida nos altares e nos é dito o que é certo e o que é errado. Assim, não temos desculpa. Nosso Senhor Jesus Cristo disse aos fariseus que se Ele não tivesse vindo e revelado a eles o que era pecado, eles não seriam culpados. Mas, dando-lhes a conhecer a verdade, Jesus deixou-lhes sem desculpas. Conhecendo o mal, são culpados se optarem por praticá-lo. E isso vale para todos nós, que conhecemos o Santo Evangelho e suas exigências.
    A nova “mentalidade”, querida e incentivada pelo Papa atual, não é senão o selo oficial de Roma a uma prática degradante que não é nova. Ela existe há muito tempo entre os católicos. Abortistas, adúlteros, casais amasiados e homossexuais já comungam tranqüilamente nas Missas há bastante tempo, e não querem deixar suas práticas. Apenas esperam que elas sejam confirmadas por uma Hierarquia eclesiástica que pense diferente. E aí está. Vemos um pensamento e uma prática alcançando proporções tão grandes, que membros importantes da Hierarquia, os quais em tempos não muito remotos não ousariam defender tal coisa, agora o fazem publicamente sem medo algum. Dom Vicenzo Paglia que o diga. Ignorando as advertências da Sagrada Escritura e os documentos da Igreja, nos quais nunca acreditaram, preferem acreditar em seu próprio ventre. Há quanto tempo ouvimos frases como: “sou católico, mas sou a favor do aborto”, “sou católico, mas acho que a Igreja devia dar a comunhão aos divorciados em segundas núpcias”, “a Igreja devia ordenar mulheres”, “a Igreja devia ser a favor do casamento homossexual”. E assim por diante. No fundo, o pensamento predominante é este: “faço a religião do jeito que me agrada. O que vale é o que eu quero, o que eu gosto”. A origem disso tudo – já sabemos – está no Modernismo, que plantou na formação dos padres e dos fiéis a falta de fé nas Sagradas Escrituras e na Sagrada Tradição. Afinal, se o Novo Testamento – segundo o Modernismo – não é Palavra Viva e Definitiva do Senhor, mas simples interpretação (leia-se invenção) feita pelas comunidades cristãs primitivas, então hoje seria possível dar-lhe nova interpretação (ou reinventá-la) a nosso bel-prazer. Os teólogos modernistas começaram com isso no século passado, mas sua maneira de pensar passou para o povo. Daí não adianta a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja dizerem que o adultério é pecado grave; não adianta dizerem que a Eucaristia não deve ser recebida se estamos em estado de pecado mortal; não adianta dizerem que o aborto e os atos homossexuais são pecados horrendos, que bradam ao céu por vingança. Muitos que continuam a se dizer católicos simplesmente não acreditam. E eles crescem em número a cada dia. Ora, que devemos esperar quando a sociedade, em sua maior parte, deseja o pecado? Só faltaria mesmo um Papa para dar o seu aval. E é o que está acontecendo.
    O “modelo-Bergoglio” abre a porta para coisas muito piores. Ele considera que uma pessoa em estado de adultério público pode estar em estado de graça para receber a Santa Comunhão. Claro que isso é só o início. Apenas a preparação para algo maior. Sim, porque o mesmo pode ser dito para os outros pecados. Por onde passa um boi, passa a boiada. O que falta para se abolir tudo? Se a pessoa que vive em adultério público, estando em pecado grave, puder, sem precisar abandoná-lo, receber a comunhão, por que isso não valeria para as outras faltas graves? Essa maneira de pensar, em última análise, leva ao seguinte resultado: o pecado não existe (a não ser o pecado da ganância, o pecado da desigualdade social). Assim, para quê decálogo? Para que confissão? Para quê penitência? Para quê buscar absolvição sacramental? Para quê buscar a santidade? Tudo isso fica ultrapassado. É a falência da religião Católica. A Igreja só existiria para dizer ao homem que ele está salvo e para condenar apenas os males sociais. É esse o abismo no qual já estamos.

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