Reflexões da Sagrada Escritura: As vestes à luz da Sagrada Escritura (I).

“Fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher umas túnicas de peles e os vestiu” (Gênesis, III, 21).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

Como muitos padres não usam mais falar contra a imodéstia das modas, muitas pessoas, sobretudo as mais novas, ficam pensando que as exigências da modéstia são invenções de alguns padres. Por isso, quero tratar deste assunto baseado na Sagrada Escritura, que é a palavra de Deus escrita para nosso ensinamento.

modestia1 – Deus criou Adão e Eva no estado de inocência, sem a concupiscência, isto é, sem o desregramento das paixões. Daí, antes do pecado, Adão e Eva estavam nus e não se envergonhavam. (Confira Gênesis, II, 25). E eles conversavam familiarmente com Deus. Mas, a partir do momento que pecaram, perderam a inocência, começaram a ter maldade e então, tiveram vergonha em se verem nus, e coseram folhas de figueira e fizeram para si cinturas. (Confira Gênesis, III, 7). Foi o que eles puderam conseguir naquele momento após o pecado. Mas embora assim cobertos na cintura, se julgaram ainda nus, tiveram vergonha e se esconderam de Deus: “E o Senhor Deus chamou por Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele respondeu: Ouvi a tua voz no paraíso, e tive medo, porque estava nu, e escondi-me” ( Gênesis, III, 9 e 10). E notai que o próprio Deus não achou suficiente esta veste sumária. Eis o que diz a Bíblia em Gênesis, III, 21: “Fez também o Senhor Deus a Adão e à sua mulher umas túnicas de peles e os vestiu”.

2 – Consideremos bem isto, porque é uma ação do próprio Deus. Quem ousará contestá-la?! Se veste fosse assim algo secundário, Deus teria deixado à critério de Adão e Eva. Considere-se, primeiramente, que Deus os vestiu assim com modéstia, embora fossem esposos e os únicos que existiam até então sobre a terra. Como tudo que Deus faz é bom, disto tiramos duas conclusões: 1ª- aqui também se aplica a palavra de São Paulo que recomenda a modéstia “porque Deus está perto” (Filipenses, IV, 5). 2ª – Deus assim agiu para servir de ensinamento à toda posteridade. A pessoa deve se vestir com modéstia não só na igreja, mas em toda parte. É claro que na igreja exigir-se-ão modéstia e decoro ainda maiores. São Paulo diz: “Do mesmo modo orem também as mulheres em trajes honestos, vestindo-se com modéstia e sobriedade” (1 Timóteo, II, 9). Considere-se, outrossim, que Deus vestiu nossos primeiros pais com TÚNICAS. A túnica, por sua própria natureza, é uma veste que satisfaz as exigências da modéstia, porque oculta inteiramente o corpo, não só enquanto o cobre, mas também enquanto não deixa transparecer a sua forma.

3 – Sobre veste, há ainda no Antigo Testamento uma outra passagem: “A mulher não se vestirá de homem nem o homem se vestirá de mulher, porque aquele que tal faz é abominável diante de Deus” (Deuteronômio, XXII, 5). Estas palavras da Bíblia indicam duas coisas:

1ª – Que havia diferenciação entre o modo de se vestir dos homens e das mulheres. A própria ordem natural feita por Deus exige que as diferenças entre os sexos sejam manifestadas. Já que depois do pecado original, os corpos têm de ser cobertos, as vestes têm que ser adequadas a cada sexo. Fica assim condenada toda moda unissex.

2ª – Em segundo lugar, a Bíblia condena o travestimento, ou seja, a mulher vestir as  roupas próprias de homem, e o homem vestir as roupas próprias de mulher. A Bíblia Sagrada não falam que tipo de veste se deveria usar. Santo Tomás, citando Santo Agostinho, diz que se deve usar as vestes segundo o costume de cada região ou país, desde que sejam modestas e apropriadas para cada sexo. No Antigo Testamento, quando homens e mulheres usavam túnicas, havia diferença, sobretudo por causa dos véus que as mulheres usavam. E nos primeiros séculos do Cristianismo o véu para as mulheres era obrigatório, como diz Santo Agostinho. Santo Tomás de Aquino atesta que este costume caiu, embora a queda do mesmo  não fosse uma  coisa louvável. Mas o uso do véu para o sexo feminino continua obrigatório na igreja: pelo menos, assim fazem os fiéis tradicionalistas, obedecendo o que diz São Paulo: “Julgai vós mesmos: é decente que uma mulher faça oração a Deus, não tendo véu? (1 Cor. XI, 13). E, como disse Jesus, a igreja é casa de oração.

Entre o povo fiel a Deus, procurando obedecer ao Seu preceito, desde os primeiros tempos, procurou-se um feitio de túnica para cada sexo, além das vestes complementares que davam naturalmente uma diferenciação maior, sobretudo o uso do véu para as mulheres, como já foi dito. Há, no entanto, testemunhos de que os pagãos não obedeciam
estas normas. Não reconheciam o verdadeiro Deus e a Sua Lei.   Os sacerdotes da Antiga Lei também usavam túnicas cujo modelo era bem diferente e foi indicado pelo próprio Deus. Confira Êxodo, XXVIII, 31. Nosso Senhor Jesus Cristo também se cobria com túnica. Confira S. João, XIX, 23. Há muitas outras passagens do Antigo e do Novo Testamento que mostram ser a túnica usada entre o povo. Por exemplo: Gênesis XXXVII, 32; São Mateus, V, 40; (fala também da capa); Atos, IX, 39 etc. Até hoje, os padres ( pelo menos alguns) usam a batina que é uma veste talar que lembra a túnica de Jesus. Ninguém vai dizer que
é veste feminina. O feitio da batina é muitíssimo diferente de um  vestido como hoje é usado pelas mulheres. Além disso há o colarinho que é obrigatório; e a faixa que é facultativa.

Além da primeira razão da decência para as vestes (o respeito à presença de Deus; a concupiscência própria e a vergonha natural depois do pecado original), há também uma outra razão que diz respeito ao próximo. Como depois do pecado original passou a existir no homem a concupiscência da carne e a concupiscência dos olhos pelos quais entram no coração os maus desejos, a lascívia, os adultérios etc., as vestes cobrindo direito o corpo se tornam necessárias também em relação ao próximo, ou seja, para se evitar o escândalo, isto é, tropeço que leva as pessoas a cair no pecado. E neste particular, indecente e condenável é não só a veste que não cubra bem o corpo, mas também quando deixa transparecer a forma do corpo ou em razão do seu próprio feitio ou por ser ajustada. Aliás, roupa muito ajustada, só pode ter uma razão de ser: a maldade. Além de ser incômoda, é, segundo a medicina, prejudicial à saúde. Nosso Senhor Jesus Cristo deixou os princípios, os avisos, as regras da Moral pelos quais todos os homens devem guiar o seu modo de proceder. Segundo diz a Sagrada Escritura na Epístola aos Hebreus, XXII, 8 e 9: “Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem e hoje, e por todos os séculos”. E, por outro lado, os homens, quanto à concupiscência, são também sempre os mesmos. Daí, não pode ninguém dizer que os tempos mudaram e por isso, as advertências de Jesus não têm mais valor hoje. Consideremos, então, algumas destas advertências de Jesus. Ele falou contra os escândalos, isto é, as seduções que levam os outros ao pecado. Disse Jesus: “Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é inevitável que sucedam escândalos; mas ai daquele por quem vem o escândalo!” (São Mateus, XVIII, 7-9). Jesus advertiu igualmente: “Quem olhar para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração” (São Mateus, V, 28). Agora, quem é que não reconhece que uma pessoa vestida menos decentemente é causa destes maus desejos e adultérios contra os quais fala Jesus acima?

E há também o escândalo das crianças que se sentem tentadas a imitar as adultas e assim vão perdendo o recato, o pudor e a pureza já desde pequenas. Jesus advertiu: “É melhor uma pessoa amarrar uma pedra de moinho ao pescoço e se lançar no fundo do mar do que escandalizar uma criança” (São Mateus, XVIII, 6). Já imaginaram as contas que vão dar a Deus as mães que dão este mau exemplo às suas filhas! Os pais procurem, pois, seguir o conselho que a Bíblia Sagrada lhes dá em relação aos filhos: “Tens filhos? Ensina-os bem, e acostuma-os à sujeição desde a sua infância. Tens filhas? Conserva a pureza de seus corpos” (Eclesiástico, VII, 25 e 26). Quantas mães, no entanto, desculpam seus filhos dizendo que são jovens e devem aproveitar a mocidade. Estas ouçam o que diz a Sagrada Escritura: “Regozija-te, pois, ó jovem na tua mocidade e viva em alegria o teu coração na flor de teus anos, segue as inclinações de teu coração e o que agrada a teus olhos, mas sabe que Deus te chamará a dar contas de todas estas coisas” (Eclesiastes, XI, 9 e 10). Meditem, outrossim, nos elogios que a Bíblia faz a castidade e pureza: “Oh! quão formosa é a geração pura com o seu brilho!” (Sabedoria IV, 1). “Graça sobre graça é a mulher santa e cheia de pudor! Todo preço é nada em comparação de uma alma que pratica a castidade” (Eclesiástico, XXVI, 19 e 20).

CONCLUSÃO: A Sagrada Escritura e a Tradição são as duas bases sólidas sobre as quais se funda a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se alguém não as aceita, então vai se basear em quê? No seu modo de pensar? Nas máximas do mundo? Mas quem age assim, não é de Jesus Cristo.

NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE FÁTIMA! CONVERTEI OS PECADORES!

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6 Comentários to “Reflexões da Sagrada Escritura: As vestes à luz da Sagrada Escritura (I).”

  1. O mundo atual sob as mais densas trevas direciona-se celeremente ao inverso do ideal cristão apresentado na reflexão acima, pois a propria maçonaria(marxismo) vem cuidado de perverter as mulheres com imenso ardor, sabendo que as tornando relativizadas, os homens fatalmente as seguirão em seus desvarios e terão chegado aonde necessitam.
    Dessa forma, como teleguiados de Satã que os inspira e rege, desde o séc. XIX, os maçônicos cuidam com desvelo instigando, propagaando a imodestia e o despudor das mulheres pois o pansexualismo desenfreado que perverte as mentes é antes de mais nada um potencial fator de descristianização e de dominio sobre as pessoas amoralizadas.
    Em 1928, o Papa Pio XI, escreveu: “Há um esquecimento triste da modéstia cristã, especialmente na vida e no vestuário da mulher”. Redemptor Miserentissimus.
    Doutra forma, mundanos sedizentes católicos e a sociedade secular argumentam que a modéstia no vestir se regula por “costumes e estilos de tempo, lugar e circunstâncias.” Eles incentivaram as mulheres a ignorarem essas declarações da Igreja. Em vez disso, alardeiam ser a sociedade e a cultura a ditarem o que é modesto e apropriado, chegando às raias de que o Estado é “laico”.
    Porém, a maçonaria infiltrou e comanda a industria da moda, como sucede, seguindo à risca as metas até ao presente de não mais quase geral diferenciarmos pelo vestuario as senhoras(!), moças e meninas das profissionais do sexo, a grande maioria, sobrando até dentro da igreja se comportando dessa forma despudorada!
    Assim, as mulheres exibindo-se em campos de nudismo, como em praias, piscina etc., vestindo-se de formas instigadoras de paixões, tornaram-se provocantes, voluptuosas, escandalosas e compartilharão de pecados alheios para os quais concorreram pela imodestia, dos quais também prestarão contas!
    Incluam-se os homens que entraram na mesma onda, andando semi nus, exibindo-se!,
    “A religião não teme a ponta da adaga, mas pode desaparecer sob a corrupção. Não vamos nos cansar de corrupção: nós podemos usar um pretexto, como o esporte, a higiene, os recursos da saúde. É necessário corromper, que nossos meninos e meninas pratiquem o nudismo no vestuário. Para evitar muita reação, se teria que avançar de forma metódica: primeiro despir-se até ao cotovelo e, depois, até os joelhos, depois braços e pernas completamente descobertos, mais tarde, a parte superior do tórax, os ombros, etc. etc.” (International Review on Freemasonry, 1928).
    *“Campearão vícios de impureza, a blasfêmia e o sacrilégio naquele tempo de depravada desolação, calando-se quem deveria falar” (II, 17).
    Quase geral, conhecidos, nossos pastores não versam do acima nem nos boletins paroquiais!
    * N Senhora do Bom Sucesso

  2. O pior é que há padre que se diz da Tradição que diz aos seus fiéis que não trata destes assuntos de modéstia porque se preocupa com assuntos mais superiores. E todo sermão fala sobre o Facebook e o Whatsapp.

  3. Excelente artigo! O que pensam os leitores depois de terminada a leitura? Há muitas respostas possíveis. Entre elas, pode ser que alguns pensem dessa maneira: “Pelo que foi dito pelo padre, dever-se-ia voltar a usar túnicas; mas isso seria ridículo, além de anacrônico; o bom senso indica que o vestuário segue a moda; não se pode impor às mulheres o uso de roupas que as deixam com o aspecto de freiras, o ar de sensualidade faz parte do perfil feminino contemporâneo”. É católico esse modo de pensar? Dir-se-ia que sim, porque praticamente não se ouve mais nas igrejas os sacerdotes tratarem dessa questão, de modo que o público católico considera normal pensar desse jeito, acompanhar a moda e ter esses ares. Mas são mesmo católicos os padres que omitem o ensino moral nessa matéria?
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    As roupas têm a finalidade prática de proteger o corpo e a saúde, esconder a vergonha e favorecer a moralidade pública. Mas não é só isso. Elas podem refletir valores espirituais e da tradição ou promover o espírito revolucionário da época. Conforme seja a indumentária, pode-se dizer que ela favorece a virtude ou inclina para o pecado. A sociedade sacral supõe o uso das vestes de modo a conjugar a beleza com a praticidade, a modéstia com o decoro, a manter o pudor e a honra. A sociedade revolucionária, por sua vez, caminha em direção à nudez e à exposição provocante de partes do corpo humano inconvenientes. O que diria o grande doutor da Teologia Moral, Santo Afonso de Ligório, se percorresse as ruas de uma cidade qualquer do mundo contemporâneo e observasse as vestes usadas pelas pessoas?
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    Se, à maneira de um Robson Crusoé, o leitor passasse vinte anos numa ilha deserta, e ao ser resgatado e retornar à vida social pudesse notar que a sociedade adotou o uso das túnicas, qual seria a sua reação? Sentiria desagrado e mal-estar ou estremeceria de júbilo? Em outras palavras, preferiria a continuidade dos costumes do mundo atual ou o surgimento de uma nova atmosfera social de inocência e castidade?
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    Conforme seja o procedimento humano quanto a essa delicada matéria moral, haverá razão para aquisição de méritos para a vida eterna, ou de longos e prolongados sofrimentos no purgatório, ou ainda de castigos e sofrimentos indizíveis por toda a eternidade. Aguardemos a continuação das preciosas lições transmitidas pelo Pe. Élcio Murucci.

  4. Um ótimo texto, Padre Élcio.

    Que DEUS o abençoe em sua missão.

  5. Hoje se fala muito de filosofía de gênero, pois só pode a Revolução chegar a este ponto depois de promover longamente as calsas compridas femininas. Quem quiser combater a teoria de gênero, que comece a pregar que as mulheres se vistam com saias. E o uso das mesmas fará um grande dano à revolução tendencial.

  6. Excelente texto Padre Murucci !
    Nosso tempo será lembrado na história, por uma época em que os povos viviam pior dos que viviam em Sodoma e Gomorra.
    Nossa tempo é aquele que corrompe os corações e a inocência das crianças, estimulando-as a se vestirem imodestamente, estimulando-as a malícia com desenhos, danças e músicas.
    Nossa tempo é aquele que promove nas crianças a sexualização precoce dentro das escolas e nas grandes mídias e a bestialização e a desconstrução da personalidade com a ideologia de gênero.
    Nosso tempo será conhecido por aquele que corrompe o ser humano no seu início, fechando as possibilidades desde cedo, para que estas tenham a possibilidade de se encontrarem com Deus com o coração ainda puro.
    Nosso tempo também será lembrado como aqueles tempos em que os pais eram tão covardes, tão covardes, que não serviam nem para defenderem seus filhos.
    Não sabemos os desígnios de Deus a respeito do nosso tempo, mas Sua Palavra é clara:
    “É melhor uma pessoa amarrar uma pedra de moinho ao pescoço e se lançar no fundo do mar do que escandalizar uma criança” (São Mateus, XVIII, 6)
    Que Nosso Senhor venha logo ao nosso socorro !