Cardeal Sarah: Igreja enfrenta sério risco de cisma sobre assuntos morais.

Por LifeSiteNews, Nova York, 24 de abril de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: O Cardeal Robert Sarah advertiu que a unidade da Igreja está sendo ameaçada por líderes influentes que, de dentro dela, “insistem” na ideia de que igrejas nacionais têm a “capacidade de decidir por si mesmas”  sobre questões morais e doutrinais.

“Sem uma fé comum, a Igreja é ameaçada pela confusão e então, progressivamente, pode acabar deslizando para a dispersão e o cisma”, disse ele.

sarah“Hoje existe um sério risco de fragmentação da Igreja, de se dividir o Corpo Místico de Cristo ao insistir na identidade nacional das igrejas e, portanto, na sua capacidade de decidir por si mesmas, sobretudo no domínio tão crucial da doutrina e da moral”, acrescentou.

Católicos professam todos os domingos no Credo Niceno que a Igreja é “Una, Santa, Católica e Apostólica.” Estas são as quatro “marcas” assim chamadas da una e verdadeira Igreja.

Sarah, que vem de Guiné, fez os comentários quando foi perguntado em uma entrevista, no dia 18 de abril, pela organização “Ajuda à Igreja que Sofre” sobre a relação entre a “Igreja Africana” e a “Igreja Universal”.

O cardeal, que é o Prefeito da Congregação para o Culto Divino, afirmou que, estritamente falando, não existe tal realidade como  “Igreja Africana.”

“A Igreja Universal não é uma espécie de federação de igrejas locais”, disse. “A Igreja Universal está simbolizada e representada pela Igreja de Roma, com o Papa como sua cabeça, o sucessor de São Pedro e o chefe do colégio Apostólico, portanto, é ela que deu à luz a todas as igrejas locais e é ela que as sustenta na unidade da fé e do amor”.

Os comentários de Sarah serão vistos por alguns como uma oposição ao impulso que o Papa Francisco está dando às conferências episcopais de cada país, garantindo-lhes mais poder, até mesmo para resolver disputas doutrinais e morais.

Em sua exortação Evangelii Gaudium de 2013, o Papa Francisco pediu uma “conversão do papado”, que iria ajudá-lo  no “exercício” do ministério petrino.  Ele criticou no mesmo documento  a “centralização excessiva” do poder no ofício de Pedro, sugerindo que as conferências episcopais devem ser “empoderadas” com “autoridade doutrinária genuína.”

Francisco também escreveu sobre uma Igreja descentralizada em sua Exortação Amoris Laetitia de 2016: “Gostaria de deixar claro que nem todas as discussões sobre assuntos doutrinais, pastorais e  morais precisam ser resolvidas por intervenções do Magistério… Cada país ou região,  além disso, podem procurar soluções mais adequadas à sua cultura e sensíveis às suas tradições e as necessidades locais. “

Segundo o Arcebispo Stanislaw Gadecki, presidente da Conferência dos bispos da Polônia, o papa disse aos bispos poloneses no ano passado, que uma Igreja descentralizada seria capaz de interpretar encíclicas papais e resolver questões controversas, como dar a comunhão aos católicos divorciados e recasados civilmente.

Na entrevista à Ajuda à Igreja que Sofre, o Cardeal Sarah disse que a Igreja só vai crescer em todo o mundo se estiver unida pela “nossa fé em comum e nossa fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho, em união com o Papa.”

“Como o Papa Bento XVI nos diz: ‘É claro que a Igreja não cresce ao tornar-se individualizada, separando-se a nível nacional, encerrando-se fora do contexto ou dentro de um contexto culturalmente específico, ou se outorgando um papel inteiramente cultural ou nacional. Em vez disso, a Igreja precisa ter unidade de fé, unidade de doutrina, unidade de ensino moral. Ela precisa do primado do Papa e de sua missão de confirmar na fé seus irmãos”, disse ele.

Mais adiante na entrevista, Sarah disse que a Igreja estaria “gravemente equivocada” se pensasse que questões de justiça social como a luta contra a pobreza e ajudar os migrantes são sua verdadeira missão.

“A Igreja está gravemente equivocada quanto à natureza da crise real, se ela acha que sua missão essencial é oferecer soluções para todos os problemas políticos relacionados com a justiça, a paz, a pobreza, a recepção de migrantes, etc… enquanto negligencia a Evangelização”, disse.

O cardeal disse que enquanto a Igreja “não conseguir dissociar-se dos problemas humanos”, ela acabará por “falhar em sua missão”, se ela se esquecer de seu verdadeiro propósito. Sarah, em seguida, baseou-se em Yahya Pallavicini, uma ex-católica italiana que se converteu ao Islã, para conduzir seu argumento: “Se a Igreja, com a obsessão que tem hoje com os valores da justiça, dos direitos sociais e da luta contra a pobreza, acabar, como resultado, por esquecer sua alma contemplativa, ela irá falhar em sua missão e será abandonada por muitos de seus fiéis, devido ao fato de que eles não mais reconhecerão nela o que constitui sua missão específica. “

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14 Comentários to “Cardeal Sarah: Igreja enfrenta sério risco de cisma sobre assuntos morais.”

  1. O Cardeal Sarah está certíssimo! O rumo que as conferências nacionais de bispos estão tomando está se tornando um perigo à unidade da Igreja. O pior é ver o Papa Francisco endossando e reforçando essa suposta autonomia das conferências nacionais de bispos. Na prática, isso está dividindo e enfraquecendo a unidade da Igreja. Não sei até que ponto essas conferências devem existir. Não seria melhor que elas deixassem de existir? Ou, que, pelo menos, as suas funções fossem diminuídas ao máximo? A situação é tão “triste”, por exemplo, que o meu bispo acha que o que a CNBB legisla através de seus documentos deve ser obedecido. E o pior é que a maioria do bispos do Brasil pensam da mesma forma. Outra coisa triste é que o Papa Francisco está universalizando a visão e praxis de igreja da Teologia da Libertação. A Teologia da Libertação está sendo ressuscitada e revigorada ao máximo pelo Papa Francisco. Todo o empenho que o Cardeal Ratzinger e o Papa João Paulo II fizeram para refrearem a TL está sendo revertido, um processo ao contrário está sendo feito.

  2. Num cenário ideal, e infelizmente pouco provável, esse homem deveria ser o próximo papa.

    • Concordo plenamente. A Igreja é a única força que poderia deter a secularização da humanidade, mas enquanto esta defendendo o CVII, na minha opinião um barco furado, só uma intervenção divina para mudar isso.

  3. Os modernistas estão querendo para a Igreja o mesmo destino que teve o protestantismo: a infinita dispersão doutrinária, concretizada na fragmentação incontrolável em seitas e mais seitas, cada uma mais louca que a outra. Neste ano do 5º centenário da pseudorreforma, a melhor (pior) homenagem que poderiam oferecer a Lutero seria, por certo, fazer a Igreja cair na mesma desgraça dos protestantes, a qual Bossuet já no século XVII descrevia tão bem em sua “Histoire des variations des églises protestantes” (https://archive.org/details/histoiredesvari02bossgoog). Que Deus nos livre disso!

  4. O cisma exista há 50 anos, a unidade atual é meramente ilusória.

  5. “O cardeal disse que enquanto a Igreja “não conseguir dissociar-se dos problemas humanos”, ela acabará por “falhar em sua missão”, se ela se esquecer de seu verdadeiro propósito”. Comentário: Papa aluga praia particular na Itália para visitação de pessoas com deficiência.
    Nosso Senhor Jesus Cristo disse a Pedro: “Rezei por ti, para que uma vez convertido, confirmes teus irmãos na fé”.

  6. O emin Cardeal Sarah, como sempre, é muito confiável e emite com precisão os importantes ensinamentos da Igreja e não se rende ao relativismo!
    Haveriam indicios que a tentativa de liberação das Conferencia Episcopais como autônomas para decidirem seriam de conspiradores internos, como sucede tal qual nas igrejas ortodoxas – nem tão doxas como desejam se apresentarem – no entanto, à realidade são ultra divididas, senão estilhaçadas em grupos até antagonistas, em nada se diferenciando das seitas do relativismo protestante onde v é o auto espírito santo para discernir o que é o correto!
    Imaginemos a CNBB, por ex., legislando sobre doutrina em varios pontos e nós seguindo determinadas orientações estranhas, como seu ecohumanismo ideológico globalista que ela defende ostensivamente junto com a falsaria Teologia da Libertação-PCs-ONU-NOM?
    Igualmente, apoiaria partidos comunistas, possuidores de uma doutrina intrinsecamente má, que são relativistas, satanistas e tentam perverter a sociedade a qualquer custo e, que durante quase 14 anos jamais denunciou os socialistas do PSDB, congêneres dos comunistas do PT como inimigos da fé, além de perseguidores da Igreja, comprovando-o eles nunca a atacarem?
    Como a CNBB não é pró aborto, por ex., se jamais denunciou o PT nesses 14 anos se esse partido genocida o tem como programa oficial de governo e disse seu mentor, vociferando contra Lc 18,25: “bobagem, essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus. … Queremos que todo mundo vá pro céu, agora…
    E a Conferencia da França onde haveria um bispo que bradaria o Alahu Akhbar e mais alguns silentes ou coniventes com os vermelhos?
    E a Conferencia Episcopal Alemã de varios no conhecido relativismo da S Comunhão para recasados em adulterio, além de certos adeptos doutros atentados à fé, há tempos caídos no relativismo, até como opositores patentes ao papa Bento XVI?
    Aonde pararíamos com mais essa, dando um alento adicional ao relativismo com consequente perversão do povo, lançando-o ainda mais no profundo material-ateísmo que já se encontra?

  7. Não foi o próprio Bergoglio que disse não se importar em dividir a Igreja?

  8. “E disse Jesus a “desconferência” episcopal palestina: Confirme na fé os teus guerrilheiros… digo… irmãos! Conforme as necessidades dos tempos, das pessoas, da ciência, da política, da modernidade, da economia e assim por diante… (no caso da brasileira, do mato) Ah, volta e meia Pedrão vai palpitar mas, não precisa seguir se não for conveniente… é só um palpite.” 2 Heresias 55: 33.

  9. Chegou a hora de um papa africano. Esse seria um grande dom de Deus para sua Igreja!

  10. Apenas uma pequena observação: No texto, sobre Yahya Pallavicini é dito que é “uma ex-católica italiana que se converteu ao islã”. Yahya Sergio Yahe Pallavicini é um homem, de mãe japonesa e pai italiano [ Felice Abdul Wahid Pallavici, que era ligado a Guènon] convertido ao islão e, até onde sei, de corrente Sufi. Yahya foi educado como muçulmano desde criança, não tendo jamais sido católico, ao contrário de seu pai, este sim, convertido ao islão.
    Acredito que o Cardeal se tenha equivocado, ou fora uma lapso na tradução.

  11. Se o Espírito Santo votar no próximo conclave, é possível a eleição do Cardeal Sarah. Mas se votarem os cardeais, aí fica difícil…

  12. Aí eu me pergunto: por que a missa-afro que celebram no Brasil não é igual à missa que os padres do continente africano celebram? Abaixo alguns exemplos das “belezas litúrgicas”…





    Até na basílica da mãe…


    Tem horas que eu tenho vergonha de ser católico… como defender o Magistério da Igreja dessa forma?
    Os srs padres e bispos no Brasil que gostam de missa-afro poderiam aprender com esse cardeal que é de lá.

    • Já tem um bom tempo que é constrangedor ser Católico… uma conhecida minha protestante veio me perguntar se a Igreja possui algum tipo de conduta moral para os fiéis seguirem, quando eu perguntei “como assim” ela disse “sei lá, você só vê Católico mentindo, roubando, se vestindo de qualquer jeito, bebendo”… Embaraçoso…