Um papa “de baixa intensidade”, como ditam os tempos.

Por Sandro Magister, 30 de abril de 2017. Tradução: André Sampaio | FratresInUnum.com — Os diagnósticos mais atualizados do fenômeno religioso no Ocidente convergem ao defini-lo como sendo “de baixa intensidade”. Líquido, sem dogmas, sem autoridades vinculantes. Muito visível, porém irrelevante no cenário público.

CudaTambém o catolicismo está seguindo esse modelo. E o pontificado de Francisco se adapta espetacularmente a essa nova fenomenologia, tanto em seus êxitos quanto em seus limites.

Como bom jesuíta, Jorge Mario Bergoglio instintivamente favorece os sinais dos tempos. Nem sequer tenta deter a crescente diversificação dentro da Igreja. Antes, a encoraja.

Não responde aos cardeais que lhe submetem os dubia e lhe pedem clareza.

Deixa que se difundam as opiniões mais temerárias, como as do novo superior-geral dos jesuítas, o venezuelano Arturo Sosa Abascal segundo o qual não se pode saber o que disse exatamente Jesus, “porque não havia gravadores”.

E ele mesmo as diz, sem temor de assolar os artigos fundamentais do Credo.

No último 17 de março, em uma audiência no Palácio Apostólico, para explicar o que entende por “unidade na diferença”, ele disse que “também dentro da Santíssima Trindade estão todos disputando a portas fechadas, enquanto fora a imagem é de unidade”.

Em 19 de abril, em uma audiência geral na Praça São Pedro, disse que a morte de Jesus é um fato histórico, mas que sua ressurreição não o é; é somente um ato de fé.

Em 4 de abril, em uma homilia em Santa Marta, disse que Jesus, na cruz, “se fez diabo, serpente”.

E essas são apenas as últimas de uma série, não pequena, de frases ousadas que, todavia, escapam como a água sobre o mármore, sem efeito sobre a opinião pública, católica e não, para a qual este papa continua a ser popular também porque diz de tudo, e com toda a tranquilidade.

Luca Diotallevi, um dos mais atentos sociólogos da religião, especificou diversas similitudes entre o pontificado de Francisco e o fenômeno Donald Trump, entre as quais o comum ressentimento contra o establishment.

Quem sofre as consequências é a Cúria Romana, sobretudo a Congregação para a Doutrina da Fé, que atualmente é a sombra do que era, quando vigiava sobre a mínima palavra que saía da pena ou dos lábios de um papa. Francisco a ignora totalmente.

Também deixaram de estar visíveis os episcopados nacionais, a começar pela Conferencia Episcopal Italiana, antes poderosa e agora aniquilada.

A metamorfose deste catolicismo “de baixa intensidade” é clamorosamente evidente no cenário político. Os Estados Unidos e a Itália são dois exemplos disso.

Em ambos os países, os católicos têm uma maior presença numérica, também nos vértices nacionais, em relação ao passado. Nos Estados Unidos é católico o chefe de estratégia política de Trump, Steve Bannon. São católicos cinco dos nove juízes da Suprema Corte, como também 38% dos governadores. São católicos 31,4% dos membros do Congresso, dez pontos a mais que entre os cidadãos adultos de todo o país.

No entanto, apesar dessa forte presença dos católicos na política, os princípios inegociáveis da Igreja em matéria de divórcio, aborto, eutanásia e homossexualidade não incidem com igual força sobre as leis. Pelo contrário, cada vez se distanciam mais.

Na Itália se passa o mesmo. Os últimos primeiros-ministros, de Mario Monti a Enrico Letta, Matteo Renzi ou Paolo Gentiloni, são todos católicos praticantes, como o é também o atual presidente da República, Sergio Mattarella. E é católico um grande número dos membros do governo e dos deputados de todos os partidos.

Porém a influência da Igreja na esfera política atualmente é quase nula, como demonstram as leis sobre as uniões homossexuais e sobre o final da vida.

Faz muito tempo que não há um “catolicismo político” do nível de um Sturzo [n.d.t.: Luigi Sturzo, 1871-1959, sacerdote e, com o aval de Pio XII, senador vitalício na Itália; ferrenho opositor do fascismo e do comunismo-marxismo] ou de um De Gasperi [n.d.t.: Alcide De Gasperi, 1881-1954, leigo católico italiano declarado Servo de Deus, político, fundador do partido da Democracia Cristã]. Mas também há um papa cuja vontade deliberada é a de evitar que ele ou a Igreja se impliquem em compromissos de alta intensidade sobre questões políticas que dividem as consciências. E também por isso ele é tão popular.

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Na foto acima, a primeira pessoa à direita é a teóloga argentina Emilce Cuda, docente na Pontifícia Universidade Católica de Buenos Aires, muito próxima do arcebispo Víctor Manuel Fernández, reitor da mesma universidade e escutado conselheiro e escritor-fantasma do papa Francisco.

Foi ela quem referiu as palavras do papa acerca da Santíssima Trindade, dentro da qual “estão todos disputando a portas fechadas, enquanto fora a imagem é de unidade”, pronunciadas em 17 de março último durante uma audiência para o Catholic Theological Ethics in The World Church, entidade da qual ela faz parte. Essas palavras foram tornadas públicas pelo vaticanista inglês Austen Ivereigh, biógrafo de confiança de Jorge Mario Bergoglio.

Para a categoria de low-intensity religion, “religião de baixa intensidade”, aplicada às novas formas do fenômeno religioso, leia-se o ensaio de Bryan S. Turner, Religion and Modern Society [n.d.t.: Religião e Sociedade Moderna, em tradução livre], Cambridge University Press, 2011, e o de Luca Diotallevi, Finecorsa. La crisi del cristianesimo come religione confessionale [n.d.t.: Fim da linha. A crise do cristianismo como religião confessional, em tradução livre], Edizioni Dehoniane, Bolonha, 2017; este último inclui um capítulo sobre “Il cattolicesimo italiano al tempo di Francesco” [n.d.t.: “O catolicismo italiano no tempo de Francisco”].

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21 Comentários to “Um papa “de baixa intensidade”, como ditam os tempos.”

  1. A desgraca do Novus Ordo e tao grande, que ate mesmo os que supostamente seriam contrarios a Igreja Catolica, nao suportam ver mais tanta bagunca.
    Talvez algum fenomeno da natureza social e humana, algo assim. O impio passa a odiar mais ainda aquilo que era bom e passou a ser ruim, um antagonismo que encontra um paralelo ou coisa semelhante so mesmo no inferno, o demonio odeia mais aquele que foi pior.
    De uma serie de televisao (!): (Um discursos desses seria pelo menos, chamado de…”alta intensidade”:

    * Nao considerar os breves comentarios que o protestante faz ao longo do video, se bem que o dia que surgir um verdadeiro Sumo Pontifice ele sera acusado de anti-cristo, mas justamente por aqueles que menos se espera!

  2. Certamente, várias são as fontes dessa “baixa densidade” religiosa entre os [que se dizem] católicos hoje em dia. Uma delas, porém, e que me parece tão poderosamente influente quanto perigosamente sutil reside no abandono da doutrina clássica sobre a Graça: esse abandono é a essência mesma do Naturalismo “católico”.
    Alguns anos atrás, conversando com o padre superior duma casa de jesuítas, ele me fez uma pergunta cuja gravidade eu só vim a entender mais tarde: “A graça é uma relação ou uma coisa?” Ele defendia que era uma relação, e eu no momento, surpreendido com essa pergunta meio inesperada, fiquei sem saber o que dizer. Só depois, estudando o tomismo, eu consegui entender que da resposta a essa pergunta dependia todo o valor de inúmeros pontos do catolicismo tradicional, e que é por considerarem a graça como uma pura relação que os modernistas se julgam acertados nas mudanças que querem efetuar na prática religiosa católica: puras relações têm menos “densidade” que coisas, que substâncias propriamente ditas. O estabelecimento de uma pura relação requer muito menos que a constituição ontológica de uma coisa. Para a teologia tradicional, a graça é (‘trocando em miúdos’) uma coisa por meio da qual se estabelece uma relação – não é uma pura relação. O âmago do erro de Lutero sobre a justificação foi justamente tomar a graça como pura relação, e a condenação de Trento às teses luteranas sobre a justificação foi uma corroboração decisiva da doutrina da substancialidade da graça.
    Para a teologia católica clássica, a amizade com Deus é a posse, pela alma, de um algo chamado graça santificante – é a posse física (isto é, substancial, embora espiritual) desse algo que faz da criatura um filho de Deus. E essa posse depende de condições rigorosamente precisas, algumas delas por necessidade de meio (isto é, substancialmente indispensáveis) e outras por necessidade de preceito (isto é, aquelas cuja ausência, em certas circunstâncias, não impede em absoluto a existência da graça na alma). É fisicamente impossível (por impossibilidade absoluta, escapando até à onipotência de Deus) que uma alma se salve eternamente (isto é, chegue à visão beatífica), sem possuir a graça santificante. E há uma estrita proporção entre a intensidade da visão beatífica da alma no céu e o grau de graça que ela conquistou em vida.
    Já, se a amizade do homem com Deus for uma pura relação, que não envolva alterações ontológicas na alma do homem, então tudo se reduz a uma amizade de nível psicológico, e bastaria o homem “se dar bem” com Deus, para o problema de sua salvação estar resolvido. Aliás, esse problema quase nem existiria no fim das contas, porque a visão beatífica também não passaria de um estado psicológico pós-morte, só dificultado (mas nunca impossibilitado em definitivo) para quem morresse com disposições psicológicas não muito ‘alegres’. O papel do catolicismo, portanto, como o das outras religiões, seria ajudar as pessoas a cultivarem relações psicologicamente boas para com Deus e o próximo – ou, pelo menos, para com Deus através do próximo, visto que basta ser ‘fã’ das obras de um artista para já agradar a esse artista. Pecados que ‘não prejudicam ninguém’ são inofensivos para essa ‘santidade psicológica’.
    Prestem atenção, porém, que tudo na religião católica tradicional converge para a visão da graça como substância, e não como pura relação. A graça é uma coisa – a coisa mais valiosa dentre as realidades criadas.
    Hoje começa a novena do centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima: peçamos a Ela, que é a pura criatura que mais graça conquistou em vida, que nos livre dos erros modernos e nos ajude a guardarmos a verdade, ainda quando inúmeros irmãos nossos a neguem!

  3. O maior engano desse pontificado, não são as dúbias, os foicefixos ou o relativismo, tudo isso poderia ser desfeito por um sucessor. O mal maior é Bergoglio pretender fazer a sua obra ir além si, sua intenção é aparelhar a Igreja, formar um colégio cardinalício à sua semelhança para forjar o próximo papa.

  4. Papa de “baixa intensidade”, “religião de baixa intensidade”, catolicismo de “baixa intensidade: Sandro Magister faz uma leitura sociológico-filosófica da Roma atual. Não há mais solidez na rocha de Pedro, apenas liquidez, como a água que escorre pelo mármore. Nem há preocupação com os dogmas, o que realmente importa é a estrita observância da práxis pastoral considerada “politicamente correta”. O Pontífice goza de alta visibilidade midiática enquanto prossegue sem interrupção e em marcha acelerada a sistemática ablação do espírito católico nas instituições, leis e costumes da sociedade.
    .
    “Baixa intensidade”, eufemismo fenomenológico que recobre com véu transparente a Grande Apostasia!

  5. Tem-se impressão que o povo estaria satisfeito com o papa Francisco, assim como os bispos e cardeais – à exceção dos poucos opositores – pois as reações de eclesiásticos em todos os niveis contra certos procedimentos dele são muito pontuais, sendo os conhecidos quase se os podendo nomear, de tão escassos.
    Aqui no Brasil, que se tenha conhecimento no episcopado, apenas D Algo Pagotto que estaria descontente com ele, mas já perdeu o cargo, não afirmando sê-lo sucedido devido a ele ser conservador, defensor da Tradição e avesso às esquerdas, contras as quais já se insurgiu noutras oportunidades na midia – YOUTUBE, por ex., x o PT – embora não se possa subestimar se acaso o tiver sido, eventualmente como algo verdadeiro.
    “Coisas horriveis e espantosas se têm feito nessa terra: Os profetas profetizam mentiras, os sacerdotes governam de acordo com seus próprios critérios e vontades, e mais, o povo amou essas coisas! Que castigo não virá, pois, sobre essa gente no fim de tudo isso? Jer 5 30-31.
    O momento presente aptado à antiguidade corresponderia à reedição do arianismo, com quase todos embarcando nessa onda, versão séc XXI!
    … “também dentro da Santíssima Trindade estão todos disputando a portas fechadas, enquanto fora a imagem é de unidade”… se pronunciou isso de fato e mais os citados, embora poderiam ser heresias, mesmo o papa Francisco sendo finito, “conseguiu” penetrar nos arcanos da eternidade – algo de assustar assombração!
    Domingo pp um padre idoso muito forte ainda na homilia lamentou de muitos se opondo à greve, que foi por causa dos “poderosos” – jamais nenhum deles cita quais, assim como as causas e muito menos ainda seus próceres – e havia uma garota muito sapeca a meu lado, 4-5 anos aprox., e ele acabou de falar, se não ouvi mal dela, disse: oh, m’ntiroso!
    Após a missa fui falar com ele refutando que não corresponderia à verdade e foi por causa do imposto sindical que os pelegos da CUT se revoltaram, cortaram-lhes as “bocas”; perguntei: concorda: NÃO CONCORDO, disse ele com voz forte!
    Insisti bem mais longamente discorrendo sobre a CNBB sempre ao lado do PT, parecendo ser subserviente dele, que sutilmente apoia o aborto por servir o PT e a mais esquerdistas e de novo, idem: concorda? NÃO CONCORDO!
    Agradeci e saí!

  6. Li a mensagem do Papa do dia 19 de abril (está em português). O Papa não negou a ressurreição como fato histórico, ao contrário, ele a afirmou. Sandro Magister deve estar forçando a barra neste artigo.

    • Caro Alcleir Silva não é Sandro Magister que está forçando a barra mas sim você por favor leia bem a mensagem: “Aceitar que Cristo morreu, e morreu crucificado, não constitui um gesto de fé, mas um acontecimento histórico. Ao contrário, crer que ressuscitou, sim.”* Portanto crer que Jesus ressuscitou é um gesto de de fé para Bergoglio não um fato histórico como você pretende forçar. Pelos vistos para o papa São Tomé não tocou nas feridas de Jesus Cristo, para Bergoglio os encontros com o ressuscitado não passam de uma invenção da Igreja dos primeiros tempos, teoria, entre muitas outras heresias, que os modernistas há muito já clamam dentro dos seminários e universidades católicas.
      http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2017/documents/papa-francesco_20170419_udienza-generale.html

    • Alcleir: Um NÃO pode ser DISSOCIADO do OUTRO FATO!
      “Porquanto, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, da mesma maneira devemos crer que Deus, por intermédio de Jesus, trará juntamente com Ele os que nele faleceram. 1 Tes 4 14.

  7. Eles querem transformar a Igreja católica numa cloaca, pois é nesse ambiente que as suas almas atormentadas se sentem bem, ora imersos ora submersos no rio de imundices. Quando imersos, vomitam o que deste rio bebem.
    Essa gente perdeu a fé (creio que muitos nunca a tiveram) e age com uma irreverência e um deboche que causariam escândalo até mesmo entre os mais enfurecidos hereges do passado.

  8. «Eu abraço firmemente e acolho total e singularmente o que o Magistério infalível da Santa Igreja definiu, afirmou e proclamou, sobretudo aqueles capítulos da Doutrina que contradizem directamente os erros deste tempo.
    Primeiro: Confesso que Deus, Princípio e Fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza, e também pode ser demonstrado com a luz natural da razão, por meio das coisas que foram feitas, isto é, por meio das obras visíveis da Criação, como Causa por meio dos efeitos.
    Segundo: Admito e reconheço as provas externas da Revelação, isto é, as Acções Divinas, antes de tudo, os milagres e as profecias, como sinais certíssimos da origem Divina da Religião Cristã, e os considero ser PERFEITAMENTE ADAPTADOS À INTELIGÊNCIA DE TODAS AS GERAÇÕES, E DE TODOS OS HOMENS, TAMBÉM OS DESTE TEMPO.
    Terceiro: Creio igualmente com firme Fé, que a Santa Igreja, Guardiã e Mestra da Palavra Revelada, foi instituída, imediata e directamente, PELO MESMO VERDADEIRO E HISTÓRICO JESUS CRISTO, ENQUANTO VIVIA ENTRE NÓS, e que ela foi edificada sobre Pedro, Príncipe da Hierarquia Apostólica, e sobre os seus sucessores, para sempre.
    Quarto: Acolho sinceramente a Doutrina da Fé, transmitida até nós pelos Apóstolos, por meio dos Padres Ortodoxos, no mesmo sentido, E SEMPRE COM O MESMO CONTEÚDO, e por isso afasto totalmente A HERÉTICA INVENÇÃO DA EVOLUÇÃO DOS DOGMAS, QUE PASSAM DE UM SIGNIFICADO A OUTRO, DIFERENTE DAQUELE QUE ANTES RETINHA A IGREJA. Do mesmo modo condeno cada erro com que, ao Divino Depósito entregue por Cristo à Sua Esposa para ser por ela fielmente guardado, VEM SUBSTITUÍDA A INVENÇÃO FILOSÓFICA, OU A CRIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA HUMANA, LENTAMENTE FORMADA COM O ESFORÇO DOS HOMENS, APERFEIÇOANDO-SE PARA O FUTURO, NUM PROGRESSO INDEFINIDO.
    Quinto: Por certo terei fixo e sinceramente confesso que a Fé NÃO É SENTIMENTO RELIGIOSO CEGO QUE IRROMPE DA OBSCURIDADE DO SUBCONSCIENTE, POR IMPULSO DO CORAÇÃO, E POR INCLINAÇÃO DA VONTADE MORALMENTE FORMADA, MAS VERDADEIRO ASSENTIMENTO DO INTELECTO, E VERDADE RECEBIDA DO EXTERIOR, MEDIANTE A ESCUTA, PELOS QUAIS, SOB O FUNDAMENTO DA AUTORIDADE DE DEUS SUMAMENTE VERAZ, NÓS CREMOS QUE SÃO VERDADEIRAS TODAS AS COISAS QUE DE DEUS, CRIADOR E SENHOR NOSSO, FORAM DITAS, ATESTADAS E REVELADAS. (…)
    Declaro-me enfim, totalmente avesso, em geral, ao erro com o qual os modernistas consideram que, na Sagrada Tradição, nada há de Divino, ou algo de muito pior, ADMITEM-NO DE MODO PANTEÍSTA, FAZENDO COM QUE NADA MAIS RESTE SENÃO O SIMPLES FACTO DE IGUALAREM-SE OS FACTOS COMUNS DA HISTÓRIA; declaro pertencer àqueles homens que continuam, através das gerações que se sucedem, com o seu empenho, habilidade e engenhosidade, a Escola iniciada por Nosso Senhor Jesus Cristo e Seus Apóstolos. CONSERVO, PORTANTO, E CONSERVAREI ATÉ AO ÚLTIMO SUSPIRO DA MINHA VIDA, A FÉ DOS PADRES NO CARISMA CERTO DA VERDADE QUE FOI, É, E SERÁ SEMPRE NA SUCESSÃO DO EPISCOPADO DOS APÓSTOLOS; NÃO PARA QUE SE MANTENHA O QUE PODE PARECER MELHOR E MAIS ADAPTADO, SEGUNDO A CULTURA PRÓPRIA DE CADA ÉPOCA, MAS PARA QUE NÃO SEJA NUNCA ACREDITADA E COMPREENDIDA DE MODO DIFERENTE, A ABSOLUTA E IMUTÁVEL VERDADE ANUNCIADA DESDE O INÍCIO PELOS APÓSTOLOS.»
    JURAMENTO ANTI-MODERNISTA, integrado na encíclica “Sacrorum Antistitum”, promulgada em 1 de Setembro de 1910, Pio X Papa.

  9. “Luca Diotallevi, um dos mais atentos sociólogos da religião, especificou diversas similitudes entre o pontificado de Francisco e o fenômeno Donald Trump, entre as quais o comum ressentimento contra o establishment”. Me parece que o Papa é o grande promotor do establisment globalista, ele é contra o capitalismo. O “porta-voz” (exagerando) da ONU, com 2 missões principais. Uma é esta mesmo de que trata o início do texto, como fazia em BsAs. http://www.uri.org/the_latest/2017/03/uri_and_the_united_nations A Carta URI sugere que “proselitismo” e a defesa da moral cristã podem ser consideradas ameaças à paz.
    http://www.sensusfidei.com.br/2014/12/18/uri-instaurando-a-religiao-mundial-com-bencao-do-papa-francisco/#.WQtdjvnyupo Não sei se este artigo é confiável, até gostaria que alguém me dissesse. E a outra é o “aprirsi all’altro”, transformar os “duros di cuore” para a solidariedade, a integração e o acolhimento dos migrantes e refugiados, que hoje é uma das principais metas da ONU para reduzir a pobreza. Tenho navegado nos sites da ONU, é tudo em função da migração, e as frases do Papa que ouço há quase 4 anos sempre me vem… É impressionante. Replacement migration: a solution to declining and ageing population. A ONU tem calculado, e atualizam anualmente, quantos milhares de migrantes por milhão de habitantes cada país deve receber até 2030, para todos os países membros. “Migration-driven according to negative population growth”.

    • Só para completar, esqueci de comentar o que me levou a ler mais sobre a ONU. CEI, sobre “ONGs buscando na Africa os migrantes”, ilfattoquotidiano.it/2017/05/02: “Os ataques são hipócritas”. Em LA7, o novo arcebispo de Ferrara, sobre o tema da acolhencia: “São muitas pessoas que estamos acolhendo ? 175 mil pessoas difusas em 8 mil municipios italianos. Eu acho que é um ato inteligente e de responsabilidade. Especialmente em um país que está morrendo (em 2016, teve 150 mil mortes a mais do que nascimentos) e que pode encontrar seu futuro num percurso de ‘mestiçagem’, como repetidamente diz o cardeal Angelo Scola, e, como é sempre o caso na história italiana , desta vez de forma pacífica. ” Uma acolhencia que, no entanto, não pode ser só italiana: “É claro que a Europa precisa acordar do sono e promover em todos os 27 países. ” O monsenhor sublinhou que a questão da crise líbia foi criada pelas escolhas equivocadas de europeus e não pode ser paga por aqueles que agora são forçados a lançar-se ao mar e vêm até nós, os migrantes”. Político Part. Democrático, Il Giornale, 04/05/17: “Eu não entendo por que deveríamos distinguir entre refugiados e migrantes económicos. Se alguém morre de fome, não devem migrar?”. Em seu discurso à Conferência Interparlamentar dos países do G7/G20. “A migração deve ser orientada e regulada – continua Romano Prodi – a parcela do PIB Africano na quota do PIB mundial não mudou desde 1980. A diferença é que a população Africana aumenta de forma constante.” O ex-presidente do Conselho sublinha a enormidade do fenômeno migrante: “Desde a Segunda Guerra Mundial e até 1980 na Europa não chegaram migrantes. Após 1980 migrantes chegam 1,5 milhões a cada ano e os números vão aumentar . Além disso, a idade média na Itália é de 46 anos e em breve vamos chegar a 50 anos na Itália há mais pessoas que celebram o octogésimo em vez de nascimentos. na África há países onde as ‘idade média são de 17-18 anos. ” A visão habitual da Itália que envelhece e os imigrantes que trazem linfa nova. A este ritmo, de acordo com dados divulgados nos últimos dias por Istat, entre agora e 2065 vão “desaparecer” 7 milhões de italianos e serão substituídos por 14,5 milhões de imigrantes. “Uma vera e própria sostituizione etnica.

    • Se precisam de migrantes para dar seguimento na perda de população na Italia, porque nao recorreram aos cristãos perseguidos nas regiões do E Islãmico e em outros países de tradição cristã, das Américas Latina e Central na pobreza, deixando os maometanos de lado, seria o ideal e nao encher o país dessa gentalha, crias de Maomé e crentes da deusa lua Alá!

  10. Na verdade, embora a ressurreição seja um fato histórico, pois Jesus Cristo ressuscitou em seu “verdadeiro corpo”, exige, sim, a fé. Os evangelhos deixam claro que, por si só, o túmulo vazio é um sinal ambíguo: enquanto para os judeus, o corpo foi roubado, para os discípulos, que tem fé, o Senhor venceu a morte e não morre mais. Entretanto, também a morte de Jesus na cruz, embora seja um fato histórico, exige a fé: simplesmente constatar historicamente que ele morreu, não basta; deve-se crer que “ele morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras”. Enfim, apenas por meio da fé, pode-se conhecer verdadeiramente Jesus Cristo, quer em sua morte, quer em sua ressurreição. De fato, todo o mistério pascal se realizou na história, mas, ao mesmo tempo, transcende a história e se torna, para nós, o princípio da vida eterna, para além de nossas categorias de tempo e espaço.

    • Caro LC,
      se a aceitação da ressurreição de Jesus exige já a fé, como ela pode ser o fundamento da fé, como diz S. Paulo? Se o fundamento exige já o fundamentado, não estaríamos andando em círculos?
      Secundariamente, é claro que a ressurreição deve ser crida, como qualquer outro dogma, mas primariamente ela é objeto de uma investigação puramente racional, destinada a estabelecer a própria veracidade da Revelação – investigação a que se dá o nome de Apologética.
      Ora, se a Apologética devesse já pressupor a fé, que sentido ela teria?
      Logo, os fatos históricos sobre os quais se baseia a investigação racional preliminar à Fé não podem ser considerados como sendo principalmente objetos de fé. Eles só podem vir a ser objetos de fé se, primariamente, forem objetos de razão, passíveis de investigação e análise histórica e filosófica. A elaboração teológica que posteriormente se possa fazer sobre eles não altera esse seu caráter fundamental – e nem pode pretender fazê-lo sem se destruir a si mesma.
      Ou os fatos da Revelação são históricos, ou também não podem legitimamente ser objetos de Fé. “Tertium non datur”.

      [Para maiores detalhes sobre essa questão, recomendo as obras do jesuíta Padre Cerruti, antigo professor da PUC-RJ: “A Caminho da Verdade Suprema” e “O Cristianismo em sua origem histórica e divina”, disponíveis ambas aqui: http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/2015/12/sintese-da-teologia-catolica-volumes-i.html%5D

    • Caro LC,
      se a aceitação da ressurreição de Jesus exige já a fé, como ela pode ser o fundamento da fé, como diz S. Paulo? Se o fundamento exige já o fundamentado, não estaríamos andando em círculos?
      Secundariamente, é claro que a ressurreição deve ser crida, como qualquer outro dogma, mas primariamente ela é objeto de uma investigação puramente racional, destinada a estabelecer a própria veracidade da Revelação – investigação a que se dá o nome de Apologética.
      Ora, se a Apologética devesse já pressupor a fé, que sentido ela teria?
      Logo, os fatos históricos sobre os quais se baseia a investigação racional preliminar à Fé não podem ser considerados como sendo principalmente objetos de fé. Eles só podem vir a ser objetos de fé se, primariamente, forem objetos de razão, passíveis de investigação e análise histórica e filosófica. A elaboração teológica que posteriormente se possa fazer sobre eles não altera esse seu caráter fundamental – e nem pode pretender fazê-lo sem se destruir a si mesma.
      Ou os fatos da Revelação são históricos, ou também não podem legitimamente ser objetos de Fé. “Tertium non datur”.
      [Para maiores detalhes sobre essa questão, recomendo as obras do jesuíta Padre Cerruti, antigo professor da PUC-RJ: “A Caminho da Verdade Suprema” e “O Cristianismo em sua origem histórica e divina”, disponíveis ambas aqui: http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/2015/12/sintese-da-teologia-catolica-volumes-i.html ]

    • Os Doze, alguns discípulos e muitos outros não tinham apenas fé na Ressurreição, mas foram testemunhas desta. De resto, a justaposição dos temas “história” e “fé”, entendendo-se “fé” no sentido de “reflexão teológica da comunidade primitiva”, é lugar comum: Bergoglio, muito provavelmente, quis mais uma vez ser ambíguo e bifido.
      Eu tinha apenas 13 anos quando o sacramentino da minha paróquia negou rotundanente a realidade histórica da Ressurreição. Estávamos apenas os dois conversando, perto do seu aquário de salamandras. Ignorei o veneno padresco e continuei crendo, graças a Deus.

  11. Na décadas de 1930 e 1940 houve uma série de livros verdadeiramente entusiasmantes sobre Jesus […]. Em todos estes livros, o retrato de Jesus era esboçado a partir dos Evangelhos, tal como Ele como homem viveu sobre a terra, mas – sendo totalmente homem – tendo trazido ao mesmo tempo Deus ao homem, com o qual Ele, como Filho, era um só. Desde modo, por meio do homem Jesus torna-se visível Deus, e, a partir de Deus, a imagem correta do homem. A partir dos anos de 1950, a situação alterou-se. A cisão entre o “Jesus histórico e o “Cristo da fé” tornou-se cada vez mais profunda, afastando-se ambos rapidamente cada vez mais um do outro. Mas o que é que pode significar a fé em Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, se o homem Jesus foi totalmente diferente daquele que os evangelistas representam e daquele que a Igreja, partindo dos Evangelhos, anuncia?
    Os progressos da pesquisa histórico-crítica conduziram a distinções sempre mais refinadas entre camadas de tradição, por trás da quais a figura de Jesus, à qual precisamente a fé se refere, tornou-se sempre menos clara, perdeu sempre mais contornos. Mas, ao mesmo tempo, as reconstruções de Jesus, que deviam ser procuradas por trás das tradições dos evangelistas e das suas fontes, tornaram-se cada vez mais contrastantes: desde o revolucionário anti-romano, que trabalha pela queda dos poderes constituídos e fracassa, até o manso moralista, que tudo aprova e que assim, de um modo inconcebível, acaba Ele mesmo por moralmente se afundar. Quem lê várias destas reconstruções, umas ao lado das outras, pode rapidamente verificar que elas são muito mais fotografias dos autores e dos seus ideais do que reposição de um ícone, entretanto tornado confuso. Por isso foi crescendo a desconfiança a respeito destas imagens de Jesus; mas a sua figura foi progressivamente se afastando cada vez mais de nós.
    Como resultado comum de todas estas tentativas, ficou a impressão de que sabemos com segurança pouco sobre Jesus e de que a fé na sua divindade só posteriormente é que tenha formado a sua imagem. Este impressão, entretanto, ganhou mais terreno na consciência geral da cristandade. Uma tal situação é dramática para a fé, porque se torna inseguro o seu ponto de referência mais autêntico: a íntima amizade com Jesus, da qual tudo depende, ameaça cair no vazio”. (Joseph Ratzinger, Bento XVI, L. JESUS DE NAZARÉ, Prefácio, p. 9 e 10).

    • Viva o Papa Bento XVI, Sucessor de Pedro, Cabeça visível da Igreja e Vigário de Cristo! Longa vida ao Papa! Que seus perseguidores e opressores sejam cobertos de confusão e de ignomínia!