O Papa político. Livro nos Estados Unidos analisa criticamente o Pontificado de Bergoglio.

Por Marco Tosatti, 7 de maio de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Nos parece interessante relançar alguns trechos da entrevista que Maike Hickson, do OnePeterFive, fez com George Neumayr, autor do livro “O Papa político”, e cujo subtítulo é “Como o Papa Francisco está encantando a esquerda liberal e abandonando os conservadores”. O livro de Neumayr, lançado no dia 2 de maio passado, nos Estados Unidos, é uma análise crítica dos primeiros quatro anos do reinado do papa Bergoglio. Não sabemos se e quando sairá na Itália; mas, certamente, divulgar uma voz como a de Neumayr é uma contribuição para o diálogo sobre a situação da Igreja.

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“Quanto mais [o Papa] fala, pior fica. […] A Igreja está se tornando irreconhecível” – Um oficial do Vaticano.

Citamos algumas frases da longa entrevista, recomendando-a para quem quiser ler o original em inglês. Entre outras coisas, no site do OnePeterFive, Neumayr deu permissão para tornar público o primeiro capítulo de sua obra.

* * *

“Desde o primeiro momento em que eu o vi, eu sabia que ele seria uma bola de demolição modernista, ele me chamou atenção desde o início como o típico ‘jesuíta progressista’. Eu percebi que seria um pontificado historicamente angustiante… mas, na medida em que ia se desenvolvendo, tornava-se cada vez mais claro que alguém tinha que fazer um registro desse pontificado caótico”.

Neumayr estudou numa universidade jesuíta. “O programa de Francisco foi tão obviamente criado para promover o liberalismo político e, ao mesmo tempo, minimizar a doutrina. Aquela era a mesma fórmula do catolicismo vazio e de moda que eu vi em exposição na Universidade dos Jesuítas em San Francisco”.

Neumayr leu todos os livros biográficos existentes sobre Jorge Bergoglio, falou com sacerdotes, com os jesuítas, com ativistas católicos, especialistas em Direito Canônico e professores católicos. A maioria deles preferiu falar sob condição de anonimato. Ele tratou do Bergoglio de antes e depois de sua eleição à Cátedra de Pedro. A conclusão?

“A conclusão inegável é que a Igreja Católica está sofrendo sob um mau papa e que os cardeais têm que enfrentar esta crise.”

Segundo Neumayr, o Papa “é o produto de um esquerdismo político e de um modernismo teológico. Sua mente foi formada por todas as heresias pós-iluministas e ideologias de Marx a Freud e Darwin. Ele é a realização da visão do Cardeal Martini de uma igreja modernista que está em conformidade com as heresias do Iluminismo. Em quase todas as frentes, Francisco é um seguidor da escola modernista.” Isto, diz Neumayr, se pode ver pela interpretação de certas passagens do Evangelho, “Como por exemplo, quando ele descreve o milagre dos pães e peixes como uma metáfora e não como um milagre.”

“Esse pontificado é um exemplo flagrante de um clericalismo fora de controle. Papa Francisco usa o púlpito do papado não para apresentar os ensinamentos da Igreja, mas, em vez disso, para promover a sua própria agenda política”.

“Muitas de suas declarações não estão alinhadas aos ensinamentos da Igreja, como documentado no livro.”

Neumayr cita, entre os mestres do pensamento do Pontífice, Esther Ballestrino de Careaga, uma comunista fervorosa, e também Paulo Freire, autor do livro “Pedagogia do Oprimido”. Segundo Neumayr, Bergoglio ainda reabilitou os teólogos da libertação.

“Ele presta homenagem ao relativismo moral e ao socialismo, que são o centro da esquerda global. Não é por acaso que suas frases-chavão são ‘Quem sou eu para julgar’ e a “desigualdade é a raiz de todos os males”. É um queridinho da esquerda globala porque promove muitos dos temas de sua agenda como o ativismo para a mudança climática, a abertura das fronteiras e a abolição da pena de morte”.

“O Papa favorece o voluntarismo inerente aos liberais, que se caracteriza por um relativismo moral que, por sua vez, é o modo como o socialismo tenta se mostrar virtuoso… em outras palavras, os liberais gostam de se aparentar bons sem o ser na verdade. E um pontificado que junta o liberalismo político com o relativismo doutrinal e moral é compatível com a sua política de auto indulgência. Eles também adoram, em sua política, aquele toque do espiritualismo não ameaçador que um jesuíta amador da América Latina sabe bem como fornecer”;

Sobre a “Amoris Laetitia”,  Neumayr é bem crítico: “é um dos documentos mais escandalosos na história da Igreja. Papa Francisco dá uma óbvia piscadela e um aceno de aprovação aos adúlteros na nota 329 do documento. No meu livro, falo da ambigüidade proposital desse documento, típico de um jesuíta”.

Neumayr também critica a fraca resposta da parte dos prelados. E afirma ser necessário tomar uma iniciativa. “Minha posição é que os cardeais deveriam confrontar diretamente o Papa sobre esta questão e deixar claro que a posição heterodoxa à qual ele adere é absolutamente inaceitável. E se ainda ele falhar em responder aos dubia, eles devem encaminhar uma uma correção formal”.

Neumayr nasceu em 1972. O que ele diz de si mesmo é que pertence àquela geração de católicos que “pediram pão e receberam pedras”. Ele espera que seu livro “possa contribuir para um retorno à ortodoxia e à santidade na Igreja, e creio que é dever dos jornalistas dizer a verdade sem medo ou favoritismos”.

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10 Comentários to “O Papa político. Livro nos Estados Unidos analisa criticamente o Pontificado de Bergoglio.”

  1. “Segundo Neumayr, Bergoglio ainda reabilitou os teólogos da libertação.” Essa frase, embora pequena e breve, diz algo muito importante para nós que vivemos na América Latina. O fato de o Papa Francisco ter reabilitado, eu diria, o fato de o Papa Francisco estar reavivando (e impulsionando) a Teologia da Libertação é muito preocupante para nós católicos latino-americanos, pois sabemos do estrago que essa falsa teologia tem feito à Igreja, especialmente, no Brasil. Eu diria, partindo de minha visão de católico crescido e criado na América Latina (no Brasil especificamente) que a impressão que eu tenho é de que o Papa Francisco deseja não somente “reabilitar” a Teologia da Libertação na América Latina, mas espalhá-la, divulgá-la para o mundo todo. É uma impressão que eu tenho. Será que ela está errada? Gostaria de saber da opinião dos demais leitores sobre essa impressão minha. Faço esse pedido, pois gostaria de receber opiniões de pessoas que têm uma visão de Igreja mais ampla e mais rica que a minha, que é bem limitada, devo confessar, mas tenho o desejo de ter uma visão mais ampla da Igreja.

  2. O mais importante é que N Senhor Jesus Cristo está no comando, enquanto os membros da Igreja podem até se precipitarem quase todos no abismo, outro caso, mas a Igreja, extensão do Corpo do Divino Mestre, de todos os flagelos e tormentas sairá ilesa; nem o diabo tem poder de a destruir – ele sabe disso – mas, não custa tentar, cooptando altos hierárquicos e dentro dela introduzindo sabotadores – são varios e alguns junto ao papa – afinal, não foi esse o pedido que fizera a Jesus, conforme ouvido e transmitido pelo papa Leão XIII naquela sua audição?
    Notorio é que após a saída do papa Bento XVI houve regozijo geral das esquerdas, dos lobbies anexos aos globalistas e sua midia que vergastava seu antecessor, dos ateus e tudo quanto seja a fauna que ameaçavam levar a Igreja até ao Tribunal de Haia para processá-la por “crimes” e, após a entrada do papa Francisco, houve um apaziguamento geral!
    De forma bastante farisaica manifestou-se o “Grande Mestre da Grande Loja da Itália” U.m.s.o.i. (Unione Massonica Stretta Osservanza Iniziatica), Gian Franco Pilloni — divulgado em seu perfil no Facebook –, no qual afirma ter escrito uma carta ao Papa Francisco, em 09/10/2013, regozijou-se com sua eleição, 3 trechinhos:
    “Com extrema comoção e infinita alegria, me dirijo a Vós Santidade, para fazer-Vos uma humilde requisição a fim de que se trabalhe para pôr fim às divisões que atingem as relações entre a Igreja Católica e a Maçonaria, com a esperança de que finalmente possa reinar a justa serenidade entre as duas partes, colocando fim às divergências que ainda hoje elevam um muro entre as relações”.
    “[…] não somos um componente adversário da Igreja Católica por Vós Dignamente representada, mas antes, pelo contrário – continua a carta – as nossas estradas são paralelas, de fato, a pensamos como Vós quanto à totalidade dos problemas que afligem a sociedade contemporânea…
    … A natureza da Maçonaria é humanitária, filosófica e moral. Estimula a tolerância. Pratica a justiça, ajuda aos necessitados, promove o amor ao próximo. A Maçonaria deixa a qualquer um dos seus membros a escolha e a responsabilidade pelas próprias opiniões religiosas e tem uma relação de respeito absoluto para com qualquer religião”.
    Dessa forma, de acordo com as conveniencias de momento, agem seus subsidiarios socialistas e comunistas e apoiadores, os quais junto com os conspiradores grupos marxistas de aparencias católicas, caso da vermelha Teologia da Libertação-TL coligada com os PCs, por meio de varios seus porta-vozes alegraram-se sobremodo com a eleição do papa Francisco, caso do relativista L Boff e tudo quanto seja ateísmo e esquerdismo. A CNBB, por ex., está afinada com ele e todos esses não se afeiçoavam ao papa Bento XVI por considerá-lo rígido e doutrinario.
    Evidente que as considerações do autor estariam sintonizadas com tantos fatos ocorrendo, como privilegiarem-se grupos esquerdistas e revolucionarios associados a eles que têm sido evidentes, ao Islã, recebendo os seus em detrimento dos cristãos deixados às hienas muçulmanas…
    Acresçam-se como incentivo às anarquistas milicias comunistas (movimentos sociais) promotoras de caos na sociedade, idem de mercenarias abortistas ao estilo “católicas” pelo direito de decidir(de assassinarem nascituros), apoio a governos “democráticos”, Cuba, Venezuela, Brasil na era PT, a grupos sodomitas, para não se praticar “homofobia”(interpretada sob o politicamente correto) e evidenciar exigencias mais de ordem natural que de transcendencia, caso 3T etc.

  3. Muito bom o posicionamento de George Neumayr; apenas não me parece justa sua fala de que a ambiguidade da Amoris Laetitia seria algo “típico de um jesuíta”. Só se ele estiver falando dos jesuítas de depois do Vaticano II, porque antes o jesuíta típico era perfeitamente ortodoxo e muito claro e preciso em seu ensino das verdades da fé. Quem inventou a caricatura do ‘jesuíta maquiavélico e amoral’ foram os inimigos da Igreja, particularmente os jansenistas do séculos XVII e os maçons do século XVIII. É importante não confundir Bergoglio com a verdadeira Companhia dos filhos de Santo Inácio!

    • Mas infelizmente, caro Bartolomeu, a verdadeira Companhia de santo Inácio não existe mais em nenhum canto deste planeta. Ela morreu quando Pedro Arrupe se tornou Geral. Para quem quiser entender melhor o que estou falando, recomendo a leitura do livro do padre Malachi Martin.

  4. Seria oportuno também lembrar o que disse o maior expoente da Teologia da Libertação no Brasil.
    “Nós teólogos, que fomos vigiados, perseguidos, sentimos já que há outro atmosfera.” (Leonardo Boff)
    https://youtu.be/7DdrcIc25zI

  5. Pode ser que eu esteja enganado, ou que a minha visão seja limitada, mas eu acho que o Papa Francisco, acima de outras atribuições que possam fazer a ele, ele é sobretudo um papa que encarna os ideais da Teologia da Libertação. Nesse sentido, se me permitem, partilho mais um vídeo com a opinião do Leonardo Boff sobre o pontificado do papa Francisco.
    https://youtu.be/w2tfM-5T6z4
    P.S.: Viram que fizeram um mural blasfemo que representa o Papa Francisco beijando Donald Trump?

  6. No google translator fica bastante compreensível o Capítulo 1. Trecho: “Os soviéticos haviam encarado a Igreja Católica durante muito tempo para infiltrar-se. Na década de 1950, Bella Dodd, ex-chefe do Partido Comunista da América, controlado pelos soviéticos, testemunhou perante o Congresso dos EUA que os comunistas ocupavam alguns dos “lugares mais altos” da Igreja Católica. “Colocamos onze centenas de homens no sacerdócio para destruir a Igreja de dentro”, disse ela. “A idéia era que esses homens fossem ordenados, e então subissem a escada de influência e autoridade como monsenhor e bispo”. Como membro ativo do partido, Dodd disse que conhecia “quatro cardeais dentro do Vaticano que estavam trabalhando para nós.”
    Me parece também importante a parte que fala dos primeiros anos dele, porque podemos ver hoje no Brasil político como estas pessoas iniciadas no socialismo ou comunismo não mudam mais. Às vezes atuam disfarçadamente e com o tempo a verdade aparece. http://www.tierrasdeamerica.com/2015/07/16/misterio-resuelto-bergoglio-conservo-durante-cuarenta-anos-los-libros-comunistas-de-esther-balestrino-ahora-sabemos-que-los-destruyo-sino-que-los-devolvio-sus-hijas/
    Em uma ocasião, o Papa explicou que Ballestrino foi a sua primeira chefe e “uma das pessoas que lhe ensinaram a pensar.” E Methol Ferré, o amigo e filósofo uruguaio, que segundo ele também lhe ensinou a pensar. https:// http://www.youtube.com/watch?v=mKNQ2Z3Qtnk

  7. Provavelmente esse livro passará longe do Brasil, como aliás aquele dos quatro cardeais acerca do ensinamento patrístico sobre o matrimônio indissolúvel, do qual até hoje não se tem nem sinal por aqui.

  8. O estilo “barroco” dos jesuítas sempre teve a ortodoxia da doutrina como objetivo de suas pregações, mas o método era “maquiavélico” (vide os sermões do Padre Antonio Vieira) e usado a favor da Igreja. Os inimigos entenderam isso e consideraram esse método muito útil aos seus propósitos quando decidiram tomar a Igreja por dentro.

  9. O estilo “barroco” dos jesuítas sempre teve a ortodoxia da doutrina como objetivo de suas pregações, mas o método era “maquiavélico” (vide os sermões do Padre Antonio Vieira) e usado a favor da Igreja. Os inimigos entenderam isso e consideraram esse método muito útil aos seus propósitos quando decidiram tomar a Igreja por dentro.

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