Será que o Papa Francisco estabeleceu uma comissão secreta para “reexaminar” contracepção? Esperemos que não.

Por Pete Baklinski, LifeSiteNews, 30 de maio de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com –   Há rumores de que o Papa Francisco tenha estabelecido uma comissão secreta para “reavaliar” o ensino da Igreja sobre o mal da contracepção. Esperemos que eles sejam falsos.

Tal comissão sob a liderança de Francisco eventualmente prejudicaria e até corromperia o belo ensinamento da Igreja sobre o significado e propósito das relações conjugais.

Vimos exatamente esse tipo de subversão acontecendo durante os dois Sínodos da Família. O documento final do papa, o ambíguo Amoris Laetitia, vem sendo usado para minar a indissolubilidade do casamento, aprovar relações adúlteras, dar comunhão aos adúlteros e fornicadores e colocar a consciência individual acima das leis de Deus, conforme esta é refletida nos ensinamentos perenes da Igreja.

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No começo deste mês, o veterano vaticanista italiano Marco Tosatti, postou em seu blog que “relatos não confirmados provenientes de boas fontes” revelam que Francisco “está prestes a nomear – ou até mesmo cogita-se que já tenha sido formada – uma comissão secreta para examinar e potencialmente estudar mudanças na posição da Igreja sobre o tópico da contracepção”.

“Até agora, não há confirmação oficial sobre a existência e composição desta entidade. Mas um pedido de confirmação ou de negação que foi apresentado às autoridades competentes até agora não foi respondido – o que poderia ser por si só um sinal – no sentido de que, se o que se cogita fosse completamente infundado, não custaria nada reponder “, escreveu Tosatti em 11 de maio.

Em suma, a alegação de Tosatti sobre a existência de uma comissão secreta, ainda não foi confirmada ou negada pelos oficiais do Vaticano.

Seis dias depois, em um artigo de 17 de maio, Maike Hickson, do blog OnePeterFive, informou que ele foi capaz de confirmar a afirmação de Tosatti sobre uma comissão secreta através de uma “fonte fidedigna em Roma” mas, que, no entanto, era incapaz de “dar os nomes específicos dos membros daquela comissão”.

O meu grande temor é que tal comissão com Francisco ao leme só poderá chegar à uma conclusão contrária à fé católica, ou seja, de que o “acompanhamento pastoral” das pessoas em “situações concretas” significa permitir-lhes “discernir” o uso de contraceptivos em “casos sérios” de acordo com uma “consciência bem formada”.

Espero que eu esteja completamente errado. Mas meu receio de que a tal comissão chegue a tal conclusão é baseado no que o próprio Papa Francisco já disse em várias ocasiões sobre a questão da contracepção. Aqui estão algumas amostras do que ele disse e que me deixam realmente preocupado:

1-Em uma entrevista ao Corriere della Sera em março de 2014, Francisco disse que a questão do controle de natalidade deve ser respondida não por uma “mudança na doutrina”, mas ao “fazer com que a pastoral (ministério) leve em consideração as situações que tornam possível às pessoas usá-la.”

2-Durante uma conferência de imprensa em seu vôo de regresso da África, em novembro de 2015, quando perguntado se era hora da Igreja permitir o uso de preservativos para prevenir o HIV, Francisco concordou que o uso de preservativos é “um dos métodos”, mas que isso provocaria um conflito com o quinto e sexto mandamentos.

3- Durante seu vôo de volta do México em fevereiro de 2016, Francisco disse que a contracepção pode ser o “menor de dois males” para os pais que desejam evitar conceber uma criança em áreas afetadas pelo vírus Zika. O então Porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi confirmou as palavras do papa no dia seguinte, afirmando: “O contraceptivo ou preservativo, em casos particulares de emergência ou gravidade, poderia ser objeto de “discernimento” em um caso grave de consciência. É o que o Papa disse.”

4- Em novembro último, Francisco elogiou o teólogo moral alemão dos anos 60, Bernard Häring, um dos dissidentes mais proeminentes da encíclica de 1968 do Papa Paulo VI, Humanae Vitae, por sua nova moralidade, que segundo o papa, ajudou a “a teologia moral a florescer”. Francisco elogiou Häring enquanto respondia a uma pergunta sobre uma moralidade que muitas vezes ele defendeu com base no “discernimento”.

A Igreja Católica condena o uso da contracepção como um ato intrinsicamente mal, o que significa que está gravemente errado em todos os casos. O uso da contracepção contradiz o propósito procriativo do ato conjugal, que deve sempre estar aberto à vida, e viola o caráter unitivo dos cônjuges quando um dos cônjuges nega abertamente o dom da fertilidade ao outro.

A fertilidade no casamento é um dom precioso de Deus. O ato conjugal caminha lado-a-lado com o respeito à beleza e a responsabilidade que acompanham esse grande dom. A contracepção essencialmente destrói o dom da fertilidade dentro do casamento. O resultado é que envenena o amor verdadeiro, transformando o ato conjugal em busca de prazer egoísta.

Por esta razão, a Igreja “ensina que todos e cada um dos atos matrimoniais devem permanecer abertos à transmissão da vida”, como afirma a Humanae Vitae, encíclica de 1968 do Papa Paulo VI, que reiterou o ensino definitivo da Igreja sobre o mal moral da contracepção.

“Usar este dom divino destruindo, mesmo que apenas parcialmente, seu significado e seu propósito é contrariar a natureza do homem e da mulher e do seu relacionamento mais íntimo e, portanto, é contrariar também o plano de Deus e Sua vontade “, declara a encíclica.

A Igreja aconselha aos casais que procuram adiar a gravidez por motivos graves, evitar relações conjugais durante o período fértil da mulher. Os métodos científicos aprovados pela Igreja Católica para determinar quando uma mulher é fértil,  incluem o Método da Temperatura e o Método de Ovulação conhecido como Billings. Estudos têm demonstrado que os métodos de conscientização sobre a fertilidade, quando utilizados corretamente, são tão eficazes ou ainda mais efetivos para adiar a gravidez quando comparados aos métodos contraceptivos hormonais e de barreira.

Será que Francisco mudará o ensino católico contra o mal da contracepção se tais rumores se revelarem verdadeiros? Ele não pode, mas, infelizmente, podemos esperar que sua conclusão sobre “os achados” dessa comissão seja suficientemente ambígua para que qualquer um que deseje fazer uso de anticoncepcionais em “boa consciência” se sinta justificado ao fazê-lo. Imagino que isso seria uma reavaliação da infame “Declaração de Winnipeg” dos bispos canadenses que dissentiu abertamente da Humanae Vitae.

Poderiam os Católicos que optarem pela contracepção com base em um ensinamento ambíguo do Papa serem culpados por suas ações pecaminosas? A sua culpa seria diminuída, mas os efeitos temporais do pecado da contracepção causariam outros males em seus casamentos, resultando potencialmente em ruptura matrimonial, divórcio, miséria e, possivelmente, separação eterna de Deus.

Cristo alertou contra aqueles que levam os outros a pecarem. Ele disse que seria melhor que uma pedra de moinho fosse atada em seus pescoços e  que fossem atirados ao mar do que fazer com que outros pecassem. Se o Papa Francisco criou uma comissão para reexaminar “a pílula”, espero e rezo para que qualquer ensinamento que possa surgir daí reafirme o ensino católico anterior em sua plenitude, enfatizando o mal da contracepção e ao mesmo tempo advertindo aos casais católicos para ficarem o mais longe possível desse veneno espiritual.

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9 Comentários to “Será que o Papa Francisco estabeleceu uma comissão secreta para “reexaminar” contracepção? Esperemos que não.”

  1. Sendo a contracepção um mal em si mesmo por contemplar as diversas situações heterodoxas acima enumeradas, a questão ainda tem um outro assunto a se considerar que não teria sido exposto acima, a eventualidade não remota de surgimento dos ABORTOS OCULTOS!
    Nesse caso, com o uso da pílula ou doutros métodos abortivos similares, em cada relação haveria 50% de chances de haver ou não a concepção e, nesses casos de casual fecundação, a pílula simplesmente obstruirá a nidação do óvulo no útero da mulher, portanto, invisivel e insensivelmente expulsando um micro feto já fecundado, para fora – aborto consumado!
    Após a morte, quantas mulheres e seus maridos coniventes ou instigantes de uso desses abortivos poderiam dar conta de tantos abortos, levando-se em conta a quantidade delas que se valem desses métodos artificiais contraceptivos para não procriarem, em nada se diferenciando de cometimento de um aborto(interrupção da gravidez, eufemismo da midia globalista) aos 2, 4, 7 meses ou após o parto exterminar o recém nascido e, sem exceção, ninguém na Igreja tem condições de mitigar ou condicionar a situações as Leis do Decálogo, no caso o 5º Mandamento.
    A questão dos discernimentos, seria uma porta aberta a cada um avalizar sempre em favor de si, de ser aconselhado por mentes divergentes na fé dentro da Igreja, deformadas ou perversas e, nessa hora, a midia relativista dá aquela força às invencionices, sempre as recomendando para o momento, até que “passe a crise” – e a situação chegar ao ponto de se cair até num “adulterio sem culpa”..
    Tudo o acima anticoncepcionalista em geral seria também facilitado em nome das “comodidades, prazer, aproveitar a vida” e doutros interesses materiais transitorios, arriscando a propria salvação por prazeres fugais.
    “Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que se apoderam dele” Mt 11,12.

  2. Depois de 4 anos de franciscanismo, tal informação não só é verossímil como altamente provável. Francisco mudando a doutrina através de uma mudança na pastoral, abandonando a moral objetiva das Escrituras, da Tradição e Doutrina pela consciência subjetiva dos fieis atolados numa cultura niilista e egoísta… uma estratégia terrivelmente perfeita.
    E vem também o (começo do) fim do celibato com a desculpa da falta de vocações para a Amazônia. A ordenação de mulheres diaconisas, para suprir a falta de clero na Europa. Tudo em nome da pastoral, mas sem “tocar na doutrina”.
    Com isso Francisco transforma a doutrina católica num livro empoeirado, que deve figurar apenas nas prateleiras das cúrias diocesanas como uma memento de “tempos idos, nunca esquecidos”.
    Com isso Francisco transforma a Igreja Católica num espelho da igreja anglicana, caminhando, sofrivelmente para seu fim.
    Alguém poderia dizer “ah! Mas Jesus prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam!”.
    E eu respondo: “Isso é doutrina. A prática é diferente”. Bem-vindo a Igreja do Papa da Misericórdia.

  3. “Católicos não devem se reproduzir ‘como coelhos’, aconselha o papa.
    Essa frase diz tudo.
    Moral: de boas intenções, o inferno está cheio.
    Sinal dos Tempos!

  4. Na foto, a cara do cerimoniário – afetadíssima, porém inócua e desveladora de consumo de boa pasta regada pelos melhores Frascatti.
    Reveladora e subtilmente apocalíptica está a pontifícia cara desentendida do Epíscopo Bergoglio. Eis a a putrefacta e nauseabunda primavera de João XXXIII, o papa bom (de garfo).
    “Quando Israel saiu do Egypto, a casa de Jacob de um povo bárbaro…”

  5. Existem, de fato, muitos atalhos e sutilezas possíveis em Teologia Moral, para serem aplicados a casos especiais, mas essa aplicação precisa ater-se ao limite de não aprovar nada que seja intrinsecamente mau. Ora, tanto pela pura luz da razão natural, quanto pela Fé de sempre, sabemos que os atos perfeitos e consumados entre cônjuges destinam-se essencialmente à procriação – e essa destinação se deve a razões metafísicas, não a proibições meramente positivas. Nem Deus pode mudar isso. Somente se a própria criação houvesse sido feita por Ele de um modo muito diferente do atual, é que algo poderia ser diferente nessa matéria. Logo, são vãs as tentativas de justificar a contracepção com base em sutilezas morais e no apelo aos “casos especiais”.
    Todavia, eu não me esqueço aqui de que casos especiais são realmente um terreno fértil para a aplicação de sutilezas morais, desde que se evite qualquer coisa intrinsecamente má. Um caso sumamente especial, por exemplo, e que nos afeta a todos (mas a uns mais que a outros), é a crise na Igreja nestes tempos pós-Vaticano II. À força de sutilezas morais, são lícitas no fim das contas, as mais diversas posições teóricas e práticas frente a essa crise. Eu mesmo, após muito penar em tentativas de participação eclesial, optei por me afastar completamente do clero, tanto moderno quanto tradicionalista, e permanecer sem missa nem sacramentos. Fazem sete anos que não vou à missa e nem recebo os sacramentos, e não tenho intenção de alterar essa situação enquanto não for solucionada em verdade a crise no clero [que é bem mais que uma crise apenas moral]. Longe de mim julgar que os outros católicos sejam obrigados a fazer como eu, mas tenho bons álibis para minha atitude, e os sei empregar em consciência, à luz da teologia moral tradicional, e tudo no caso não envolve mais que leis positivas. (Não lhes conto isso para estimulá-los a me imitarem, mas apenas para que vejam uma aplicação legítima de sutilezas morais levadas ao extremo de onde podem ir, e simultaneamente notem até que ponto a atual crise na Igreja é capaz de afetar as consciências individuais.)

    • Prezado,
      Entendo sua posição, mas privar-se dos sacramentos por tantos anos é mais que temerário, sobretudo pq nossos maiores nos deixaram o exemplo contrário. Não obstante a defecção generalizada, mesmo nos ambientes ditos tradicionais, é possível assistir-se a uma Missa válida e lícita.
      N Sa o.proteja

    • Já li comentários em que o sr. afirma que seguia o Prof. Orlando Fedeli. Sete anos sem sacramentos e sete anos do falecimento do Professor é mera coincidência?

  6. A apostasia virá do cume, não esqueçamos.

  7. Prezado Bhartolomeu, penso que a decisão de se afastar voluntariamente dos sacramentos, até que cesse a crise de fé que grassa na hierarquia da Igreja, seguramente não vem de Deus, visto que é impossível se viver na graça santificante longe dos sacramentos. Tal atitude extremada além não ter qualquer utilidade para a salvação da alma, remete a um estado de alma muito pior que o do sedevacantismo, pois se está afirmando que nada mais na igreja se aproveita. Isso é gravíssimo. Peço que reflita e mire-se no exemplo dos santos que, mesmo diante de enormes adversidades, não se apartaram dos sacramentos jamais.