A crise na Ujucasp, a PUC-SP, a Ujucarj e uma nova possibilidade.

Por Edson Luiz Sampel

Quando, às vezes, calcorreio pelo campus Monte Alegre da PUC-SP, através dos rostinhos dos jovens universitários vejo bastantes corações puros, prenhes de esperança. Segundo certo eclesiástico da Ujucasp, “ (…) a Universidade é um espaço de livre discussão de posições e ideias ”. As ideias, entretanto, têm de ser debatidas na integralidade, isto é, todas as ideias e posições; e não apenas as ideias que têm em mente os que aborrecem a moral católica.

Em respeito à pureza da grande maioria de jovens que se matriculam numa universidade católica, muitos deles também incautos, dever-se-ia, ao menos, garantir na mesa de debates a presença de um docente capacitado a explanar a “posição” católica aos efebos interlocutores. Essa precisa ser uma prática constante! Por isso, neste sítio cibernético, meu amigo, dr. Rodrigo Pedroso, membro da Ujucasp, proferiu eloquente, enérgica e profética admoestação: “Efetivamente, o que se anuncia na PUC/SP não é um debate pluralista e igualitário entre defensores e impugnantes da ideologia de gênero, em paridade de armas, o que já seria escandaloso numa universidade católica, por meter em pé de igualdade o falso e o verdadeiro.”

Vejamos o que reza o artigo 5.º das Diretrizes e Normas para as Universidades Católicas no Brasil (Doc. 64; CNBB): “Missão da universidade católica é servir à humanidade e à Igreja: garantindo, de forma permanente e institucional, a presença da mensagem de Cristo, luz dos povos, centro e fim da criação, no mundo científico e cultural (…).” Demais, preceitua a constituição apostólica Ex Corde Ecclesiae, a lei canônica que disciplina as universidades católicas, que uma das características essenciais desse jaez de instituição de ensino consiste na “fidelidade à mensagem cristã tal como é apresentada pela Igreja” (13, 3).”

A Ujucarj (União dos Juristas Católicos do Estado do Rio de Janeiro), apesar de otimamente organizada, com grupos temáticos etc. (http://juristascatolicosrj.org/), corre o risco de passar pela mesmíssima crise da Ujucasp, assim que algum membro do sodalício de juristas fluminenses se der conta dalguma “posição” da PUC-Rio antagônica à moral cristã. Por quê? Simplesmente porque a autoridade máxima da Ujucarj também é a autoridade máxima da PUC-Rio. O mesmo fenômeno jurídico-canônico ocorre em São Paulo: o moderador da Ujucasp é o grão-chanceler da PUC-SP. Em suma: a Ujucasp e a PUC-S P são entidades irmãs, pois possuem um mesmo “pai”: o arcebispo de São Paulo.

Cuido que uma boa saída para esse impasse poderia ser a criação de uma sociedade de juristas católicos autônoma, sem liame jurídico-canônico com nenhuma diocese. Uma espécie de “autarquia” (com muitas aspas), com reconhecimento canônico, é claro, porém vinculada diretamente à conferência episcopal (CNBB). Uma instituição parecida com a Sociedade Brasileira de Canonistas (SBC). Esta alternativa talvez desonerasse os bispos, já tão assoberbados pelo múnus pastoral, dos incômodos das “aporias existenciais” que lhes flagelam, em virtude de determinados conflitos entre instituições atreladas a uma única Igreja particular.

O direito natural de reunião, outrossim direito divino positivo, sufragado no cânon 215 do código canônico (CIC), como direito subjetivo fundamental (constitucional) dos fiéis, possibilitaria a ereção de uma sociedade de juristas católicos (ou de diversas sociedades), composta de leigos e clérigos. Uma ideia (sugestão) para amadurecermos e estudarmos sua viabilidade jurídico-canônica.

Edson Luiz Sampel

Teólogo, doutor em Direito Canônico e membro da Sociedade Brasileira de Canonistas (SBC)

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3 Comentários to “A crise na Ujucasp, a PUC-SP, a Ujucarj e uma nova possibilidade.”

  1. Os ideologistas das esquerdas, sabendo que a doutrina que professam é desprovida de bases sólidas, tentam compensar suas deficiencias subornando as mentes por massivas propagandas, muito bem elaboradas em laboratorios de engenharia social que desvirtuam os incautos sem grandes dificuldades, ou seja, são experts em promoverem lavagem cerebral!
    Dessa forma, as crianças são suas primeiras vítimas – inocentes, faceis de se manipularem – e os esquerdistas seguem na mesma trilha perversora desde as escolas infantis até às universidades, nas quais os alunos são finalmente (des)orientados para servirem ao marxismo, particularmente nas universidades católicas, estando a Igreja, hoje em dia, muito infiltrada por tantos de seus inimigos, ostensivamente defendendo o caótico doutrinario marxista, a começar de dentro das PUCs que deveriam se preservar de contaminação!
    Porém, defendendo as esquerdas, varios partidarios maus elementos infiltrados no magisterio do clero esquerdista em todos os niveis, idiotizam a muitos alunos, fazem-nos de autômatos dos PCs que serão seus doceis próximos propagandistas e não mais decidirão por si mesmos – seguirão apenas os ditames desses ideólogos e dos PCs.!
    Pois bem, … “sendo o mesmo pois possuem um mesmo “pai”: o arcebispo de São Paulo”, eis outro problema: nunca se sabe do Grão Chanceler com certeza qual será sua decisão, de que lado está ou se defende ambos lados, ora o lado cristão ou das esquerdas…
    Outro acima …”é claro, porém vinculada diretamente à conferência episcopal (CNBB)” teria que ser reavaliado pois, se depender da CNBB tal como tem agido, transformaria qualquer universidade em centro de formação marxista – seria notoria apologizadora das esquerdas, como a TL!
    Na crise atual, deveriam se pautar sempre numa ujucasp, ujucarj, ujucasc etc., da Igreja de sempre, tradicional, para que nunca permitissem entrada de estranhos à fé e dependessem nesse tempo de eventuais altos hierárquicos indecisos entre a fé e o modernismo, caso da PUC-BH, possuidora de um renomado esquerdista, D Joaquim G Mol!

  2. Vinculada a CNBB? É tão difícil perceber que, hoje, a CNBB é uma organização inimiga infiltrada na Igreja Católica. Que é ela, a CNBB a patrocinadora da corrupção não meio, não só do clero, mas dos fiéis? A minha sugestão é deixa-lá autônoma. Assim, pelo menos, a associação correrá o risco de dar certo.

  3. Sinceramente, prezado articulista, em face da pulverização dos ambientes católicos, e até como meio de preservação da sadia independência de que deve gozar o combate pela verdade, sugiro que futuras Agremiações de leigos católicos fiquem à parte do clero tal como este se apresenta agora.
    Por força de contemporizar e pôr panos quentes sobre as situações mais abjetas e cretinas, a quase totalidade das associações católicas se vê jugulada pela política suja e entreguista do pseudo-clero, apóstata e oportunista, que ocupa os postos de mando na Igreja do Deus vivo e verdadeiro.
    A hora é de combate aberto e destemido contra a mentira e a impostura. E estamos informados à saciedade de que tipos como o senhor Odilo e quejandos não têm vocação nem hombridade para tanto.