Conselho de Cardeais, coordenado por Maradiaga, propõe a descentralização da Igreja.

Por Hermes Rodrigues Nery

FratresInUnum.com, 26 de junho de 2017 – Em março de 2005, um sorridente Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, numa entrevista de televisão,1 dizia estar confiante de que um sopro do Espírito Santo “no momento oportuno”2, traria novamente uma abertura de janela, a exemplo do que ocorreu em 1958, com João XXIII, do mesmo modo, pois ele estava convicto de que haveria uma surpresa para a Igreja, no momento oportuno. Um papa latino-americano seria essa surpresa que Maradiaga (como também Leonardo Boff e tantos outros) tanto ansiavam?

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Cardeal Maradiaga

O fato é que Jorge Mário Bergoglio teve 40 votos, pouco mais de um mês depois daquela entrevista. E no conclave de 2013 recebeu “mais votos do que Ratzinger, em 2005. Ao fim são 88; só trinta cardeais não votaram nele”.3 Na mesma entrevista, Maradiaga se diz um entusiasta defensor da integração latino-americana, não somente econômica, mas política4, e tanto Maradiaga (o candidato a papa, preferido de Leonardo Boff, como ele mesmo expressou no programa de televisão, no dia da renúncia de Bento XVI5), quanto Bergoglio (eleito papa em 2013) eram defensores da integração latino-americana, do bloco regional conhecido por “Pátria Grande”, ideologicamente alinhado com o internacionalismo de esquerda.

Vendo entrevistas de Maradiaga e de Bergoglio no youtube5 (antes do conclave de 2013), percebe-se que o candidato a papa preferido por Boff, tem muito mais envergadura intelectual e desenvoltura de comunicação, e não se compreende por que Bergoglio acabou sendo escolhido pelas forças progressistas dentro da Igreja. Mesmo assim Maradiaga foi chamado a coordenar o grupo de cardeais comprometidos em realizar a reforma da cúria romana. Como presidente da Cáritas Internacional e membro do Religions for Peace, por que Maradiaga não conseguira força política suficiente para obter os votos necessários no conclave? Maradiaga não apoiara Zelaya, no golpe de 2009, em Honduras. Mas Bergoglio também não estava tão à esquerda no período da ditadura militar argentina, apesar dos jesuítas terem dado a guinada à esquerda depois da gestão de Pedro Arrupe. Mesmo Bergoglio não ter sido um explícito defensor da teologia da libertação, seu pensamento e ações enquanto atuou na Argentina, estavam em sintonia com a teologia do povo. Juan Carlos Scannone reconhece a influência da teologia do povo em Bergoglio, como uma das “quatro correntes da teologia da libertação”7, mas que – para ele –  “de forma alguma, teve algo a ver com a marxista”8, como a vertente defendida por Boff.   Mas Bergoglio e Maradiaga estiveram muito mais unidos depois do Habemus Papam de 2013, para que a agenda política do internacionalismo de esquerda e do globalismo das fundações internacionais e da ONU, se alargasse cada vez mais, causando, em vários momentos, perplexidade entre muitos católicos.

Um dos pontos fundamentais que unem Maradiaga a Boff, é o projeto de descentralização do governo da Igreja, defendido por Boff em artigo publicado um dia depois do Habemus Papam de 2013, dizendo que o papa Francisco, “com uma nova visão das coisas, a partir de baixo, poderá reformar a Cúria, descentralizar a administração e conferir um rosto novo e crível à Igreja.”9 Maradiaga foi nomeado por Bergoglio como chefe do Conselho de Cardeais, coordenando assim a chamada reforma da cúria romana; que, na verdade, seria a execução de uma profunda reforma da Igreja.

“Papa Francisco irá descentralizar o governo da Igreja, diz Leonardo Boff”10, foi a manchete do The Christian Post, uma semana após o início do seu pontificado. “Ele dará peso decisório ao Sínodo dos Bispos (cada três anos) e não apenas peso consultivo, criando mais autonomia às igrejas continentais e nacionais em nome da colegialidade”11, destacou Boff. E ainda, na mesma reportagem, acrescentou: “Como o papa Francisco enfatiza muito o tema dos pobres e da necessidade da justiça social e não da filantropia vai, obviamente, reforçar as novas democracias de cunho popular e que fazem políticas sociais voltadas para os pobres, como no Brasil, no Uruguai, na Venezuela e um pouco em todos os países onde se está consolidando este tipo novo de democracia”12.

A descentralização do governo da Igreja, portanto, faz parte dessa estratégia de “reforçar as novas democracias de cunho popular”13, também dentro dos organismos e estruturas da Igreja, instrumentalizando-a para fins políticos, muitas vezes, contrários aos princípios e valores da doutrina social da Igreja. Não apenas Boff como ideólogo dessa subversão, mas também Maradiaga como executor de tão esperada revolução na Igreja, com um papa latino-americano na condução desse processo revolucionário, fazem da descentralização uma meta prioritária, para se chegar a uma Igreja dirigida por conselhos populares. Por isso Bergoglio curvou-se ao povo, pedindo-lhe a benção, quando apareceu pela primeira vez na loggia da Basílica de São Pedro, em 13 de março de 2013.

O conceito da descentralização emergiu, desde o início, como prioridade a ser alcançada no pontificado de Francisco, como se fosse a missão principal, a partir do qual todas as demais ações revolucionárias virão posteriormente. Sem a descentralização, o processo revolucionário estaria comprometido, daí a sua relevância. Por isso, Bergoglio incluiu – todas as vezes que pode – o conceito da descentralização, nos documentos e pronunciamentos-chaves de seu pontificado: na exortação apostólica Evangelii Gaudium, na exortação apostólica pós-sinodal (após o controverso Sínodo da Família de 2014-2015) e na decisão da XXª reunião do Conselho de Cardeais, em junho de 2017, etc.

Tratei desse assunto com o então presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno, amigo do papa Francisco e um dos presidentes do Sínodo da Família, em uma entrevista concedida em Aparecida (SP)14.  Na ocasião, perguntei a ele: “…a Evangelii Gaudium que o sr. citou agora há pouco, traz uma questão, que é a discussão sobre a reforma da cúria romana, que traz em uma de suas partes o aceno à possibilidade de dar autoridade doutrinal para as conferências episcopais. Como o sr. vê este processo da reforma da cúria romana, como presidente de uma conferência episcopal?”15 Ao que ele respondeu:É uma questão que também não foi discutida, que está acenada na Evangelii Gaudium mas que não foi discutida, nem aprofundada.”16 E acrescentei: “’A partir da sua experiência, o que sr. tem a dizer sobre isso?’ Ao que ele afirmou: ‘Creio que muitas atribuições poderiam ser dadas às Conferências Episcopais, sem necessidade de  recorrer à Santa Sé, para tomar determinadas decisões de âmbito nacional. Situações que, realmente, não são de grande importância, que poderiam ser resolvidas  pelas Conferências Episcopais. Há muitas questões para as quais devemos recorrer à Santa Sé, e eu creio que muitas poderiam ser atribuições próprias da Conferência porque é algo do conhecimento delas, da esfera delas e que não entram em questões doutrinárias propriamente. São questões muitas vezes administrativas, que poderiam ser resolvidas pelas Conferências Episcopais.’”17 Dom Damasceno, portanto, estava inteiramente alinhado à proposta da descentralização, comungando as mesmas ideias, nesse sentido, com as de Leonardo Boff e Oscar Andrés Rodriguez Maradiaga.

A descentralização do governo da Igreja trouxe preocupações entre os católicos, especialmente ao final do Sínodo da Família. Ainda em Roma, em outubro de 2015, escrevi sobre estas apreensões, em meu artigo “Uma questão de método”18, destacando: “As fichas agora foram colocadas em seu desejo de ‘descentralização’, que havia sido acenado na exortação apostólica Evangelii Gaudium, mas afirmado com veemência no pronunciamento de 17 de outubro, como que determinando o tom e a saída política que parece pretender oferecer aos impasses que não pôde resolver durante os dois Sínodos (tanto do ano passado, quanto deste ano). Então, a solução seria mesmo política, bem ao gosto do estilo descrito por Piqué, delegando tão graves decisões, num primeiro nível, às igrejas particulares e, num segundo nível, de modo especial, às conferências episcopais. (…)  ‘Com a descentralização, estará desferindo assim um duro golpe à instituição do papado, com consequências bastante imprevisíveis. É isso o que tememos, pois não sabemos até que ponto ele está ou não disposto, e em que proporções. Ele próprio disse sentir a necessidade disso.’”19

No dia seguinte ao Habemus Papam de 2013, Leonardo Boff  escrevia em seu blog pessoal, com entusiasmo, sobre a revolução que Bergoglio seria capaz de fazer, especialmente a descentralização do governo da Igreja, altamente estratégica: a descentralização, vindo “de baixo”20.

Quando o Conselho de Cardeais coordenado por Maradiaga propôs, em junho de 2017, “transferir algumas competências da Cúria Romana para os bispos locais ou para as conferências dos bispos”21, sinalizou assim a disposição efetiva de Jorge Mário Bergoglio pela descentralização do governo da Igreja.

Além de chefe do Conselho de Cardeais, Maradiaga também ocupa duas posições-chaves, comprometidas com a revolução bergogliana na Igreja: como presidente da Cáritas Internacional e membro do Religions for Peace. Em 31 de outubro de 2016, a Cáritas Internacional firmou uma carta de intenções para trabalhar em conjunto com o Serviço Mundial da Federação Luterana, no evento ecumênico de Malmö, na Suécia, documento este assinado na presença do papa Francisco. “Já havíamos  nos encontrado, mas não de forma planejada. Desta vez, montamos uma estratégia com um mesmo testemunho cristão”22, afirmou Michel Roy, Secretário-Geral da Cáritas Internacional. Sobre esta estratégia, tanto Maradiaga quanto Boff estão não apenas sintonizados, mas cada um em sua frente de ação, mobilizados para intensificar o processo de descatolização da Igreja, acentuando cada vez mais a sua protestantização.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida.

Notas:

  1.   Entrevista al Cardenal Rodríguez Maradiaga, 02/03/2005, Canal Sur Televisión: https://www.youtube.com/watch?v=84C7wVrjHvg, aos 05:00).
  2. Ibidem.
  3. Englisch, Andreas, Francisco, o Papa dos Humildes, p. 19, Universo dos Livros, 2013, São Paulo – SP.
  4. Entrevista al Cardenal Rodríguez Maradiaga, 02/03/2005, Canal Sur Televisión: https://www.youtube.com/watch?v=84C7wVrjHvg, aos 11:10).
  5. Leonardo Boff comenta renúncia de Bento XVI – Repórter Brasil (noite), 11 de fevereiro de 2013: https://www.youtube.com/watch?v=QAJVh1vnYek&hd=1
  6. Entrevista al Cardenal Rodríguez Maradiaga, 02/03/2005, Canal Sur Televisión: https://www.youtube.com/watch?v=84C7wVrjHvg; Cardinal Óscar Rodríguez Maradiaga – Witness:  https://www.youtube.com/watch?v=qOoRp7meNPk; Cardinal Oscar Rodriguez (Spanish): https://www.youtube.com/watch?v=hfI0Hv-q2r4; Cardinal Oscar Rodriguez (English):  https://www.youtube.com/watch?v=LWLtY2tKxSM; Con el papa Francisco entra aire fresco en el Vaticano: este vídeo no te dejarán indiferente: https://www.youtube.com/watch?v=9oE0X-XcT5M&index=8&list=RDbGqQX_SqgGs; Entrevista exclusiva del Cardenal Bergoglio, hoy Papa Francisco, con EWTN:  https://www.youtube.com/watch?v=NZ1ZczyyKwM; Jorge Bergoglio, Papa Francisco declara ante la justicia argentina por secuestro sacerdotes: https://www.youtube.com/watch?v=u8EoFlIbDPw
  7. Pittaro, Esteban, Aleteia, “A ‘Teologia do Povo’ no Papa Francisco, 29 de janeiro de 2014: https://pt.aleteia.org/2014/01/29/a-teologia-do-povo-no-papa-francisco/
  8. Ibidem.
  9. Boff, Leonardo, “O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja”, site pessoal, 14 de março de 2013: https://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/14/o-papa-francisco-chamado-a-restaurar-a-igreja/
  10.   Gigliotti, Amanda, Papa Francisco irá descentralizar o governo da igreja, diz Leonardo Boff, The Christian Post, 20 de março de 2013: http://portugues.christianpost.com/news/papa-francisco-ira-descentralizar-o-governo-da-igreja-diz-leonardo-boff-15269/
  11.  Ibidem.
  12.  Ibidem.
  13.  Ibidem.
  14.  Igreja e Sociedade segundo Dom Damasceno, Fratres in Unum, 4 de março de 2015: https://fratresinunum.com/2015/03/06/igreja-e-sociedade-atual-segundo-dom-damasceno/
  15.  Ibidem.
  16.  Ibidem.
  17.  Ibidem.
  18.  Nery, Hermes Rodrigues, Uma Questão de Método, Fratres in Unum, 26 de outubro de 2015.
  19.  Ibidem.
  20.  Boff, Leonardo, “O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja”, site pessoal, 14 de março de 2013: https://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/14/o-papa-francisco-chamado-a-restaurar-a-igreja/
  21.  Cardeais propõem descentralização de alguns aspectos do governo da Igreja, Canção Nova, com Agência Ecclesia, 14 de junho de 2017, https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/cardeais-propoe-descentralizacao-de-alguns-aspectos-governo-da-igreja/
  22.   Caritas Internacional: em conjunto com os luteranos, Radio Vaticano, Rádio Vaticano, 4 de novembro de 2016:http://br.radiovaticana.va/news/2016/11/04/caritas_internacional_em_conjunto_com_os_luteranos/1270083
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9 Comentários to “Conselho de Cardeais, coordenado por Maradiaga, propõe a descentralização da Igreja.”

  1. Leonardo Boff é uma fraude intelectual. Somente num ambiente boçal, frequentado por masoquistas frequentadores da prostituição masculina, é que um quadrúpede da qualidade de Genescio Boff pode ter audiência. A tese principal de “Igreja Carisma e Poder” está em Calvino. Foi esse outro quadrúpede que sustentou a tese da usurpação (por Roma) dos direitos das Igrejas locais e da usurpação (pelo clero) do poder da comunidade.
    Quer dizer Genescio e o bando de cadelas furiosas que o seguem são CALVINISTAS.

  2. Bem que poderia indicar o processo de descentralização na Igreja, aportando poderes às conferencias episcopais que atenderiam o de “dividir para dispersar, para se combaterem, para se desligarem de Roma, cairem num cisma, como a Igreja Ortodoxa Russa-IOR em que até o patriarca se nivela a cada um de seus prelados e ainda por cima é atrelada ao governo” – o resto já se poderia deduzir dessa dispersão; seria a diáspora versão “católica”?
    … “A descentralização do governo da Igreja, portanto, faz parte dessa estratégia de “reforçar as novas democracias de cunho popular”13. Isso corresponderia um capcioso jogo de palavras cuja tradução corresponderia a: “A descentralização do governo da Igreja, portanto, faz parte dessa estrategia de “reforçar as DITADURAS DE ESQUERDA(PCs) a cargo dos movimentos sociais que são as milicias comunistas, tipo MST etc.
    … “Como o papa Francisco enfatiza muito o tema dos pobres e da necessidade da justiça social e não da filantropia vai, obviamente, reforçar as novas democracias de cunho popular e que fazem políticas sociais voltadas para os pobres, como no Brasil, no Uruguai, na Venezuela e um pouco em todos os países onde se está consolidando este tipo novo de democracia”12.
    No Brasil, por ex., os cangaceiros do pobrista PT sob Lulampião e esse aliado de banqueiros, burgueses e grandes capitalistas, forjou a criação dos que 14 000 000 de desempregados e a miserabilização do povo para fins de dominação; no Uruguai do guerrilheiro tupamaro Mujica, “ajudando os pobres”, o aborto liberado até à 12ª semana de gestação e o cultivo do maconha; na paupérrima Venezuela do Maduro, a se tornar um pandemonio, já com mais de 80 assassinatos por colectivos do governo e o país a nível de campo de refugiados, desesperados, famélicos, sendo essas, sem acrescentarem mais para estender, algumas das consequencias do modelo aloprado comunista de “opção preferencial pelos pobres” e bastante descaradamente rosnando o termo “democracia” a todo instante!…
    Nesse caso, L Boff da Heresia da Libertação, sedizente Teologia da Libertação e mais esquerdóides, desde já se regozijam por o projeto do Cardeal Maradiaga et alii atenderem a causa globalista, de aplainar as vias para o anticristo!…

  3. Já vi está gente colocar uma faixa de partido da esquerda cobrindo o crucifixo, na secretaria da Igreja Bom Jesus em Curitiba. Não estão muito longe para substituírem o Cristo por che guevara. O papa deles, já escolheram!

  4. Esses malditos vão pagar caro…

  5. Se Deus não intervir, eles vão dissolver a Igreja mesmo. Já estão fazendo isso no campo doutrinário, e agora farão também no campo temporal

  6. Eu acho que a igreja atual já é uma diluição da Igreja pré-conciliar. Meu bisavô, um leigo nascido em 1900 e morto em 1995, dizia que não reconhecia, na igreja posterior aos anos 60, a Igreja que conheceu antes. Mas imaginemos que esses senhores consigam dissolver a Igreja; qual seria, então, a conduta do fiel católico? Voltar a congregar nas catacumbas com os padres que se mantiverem fiéis a Cristo? Para isto, serviria a FSSPX? Desculpem minha ignorância, sou realmente desconhecedor do assunto e nunca estive em uma missa celebrada por padres da FSSPX. Talvez seja importante começarmos a pensar em alternativas, como leigos, para manter vivas a fé, a doutrina e a tradição.

    • Caríssimo Leonardo, que Deus, Nosso Senhor, o abençoe e conserve assim o seu coração simples, humilde e com sincera boa vontade de continuar praticando a única verdadeira religião que é a que Jesus Cristo fez. Jesus, antes da Ascensão fundou a sua Igreja, e fê-la com os sacramentos como canais de sua graça. Deixou seus representantes, seus ministros: “Ide e ensinai a todos os povos tudo o que eu vos ensinei”; “quem vos ouve a mim ouve, quem vos despreza a mim despreza”. A igreja tem sua parte humana, e aí podem aparecer as fraquezas e erros. Mas nem por isso, podemos imaginar uma Igreja sem o clero e, portanto sem os sacramentos. Percorrendo atentamente toda a História da Igreja, vemos que não houve um século sequer em que a Igreja não fosse perseguida ou externa e/ou internamente, de uma maneira ou de outra. Mas, como já ensinava Santo Irineu, mesmo nas maiores crises, haverá uma parte sã, uma parte fiel. Só para dar um exemplo: na época do arianismo, só dois bispos, se destacaram na defesa da fé, Santo Atanásio no Oriente, e Santo Hilário no Ocidente. E mesmo quando Deus escolhe um leigo ou uma leiga para resolver a crise da Igreja, este leigo ou leiga, agirá guiado(a) por Deus, para corrigir as falhas havidas na hierarquia eclesiástica. Santa Catarina de Sena, é o exemplo clássico disto. Agora, nunca será uma solução procurar a fé, a doutrina e a tradição só em leigos. Assim pretendeu Lutero, e sua Reforma, foi uma pseudo-reforma, foi antes, a destruição do que Jesus fez. Infelizmente o grande escólio hoje é cair no anti-clericalismo, ou seja, no laicismo. Não quero com isto dizer que os leigos não podem ajudar; podem e devem. E há muitos exemplos na História da Igreja, Mas nunca podem se colocar acima da hierarquia eclesiástica, ou em substituição a ela, mas sempre lutando e dando sua contribuição à parte sã da hierarquia, por menor que seja, como o é hoje mais do que nunca.
      O anel luminoso que sempre aparece em alguns eclipses totais do sol, é símbolo da Sagrada Tradição. E hoje, além de alguns poucos bispos conservadores (como os 4 cardeais das “DUBIA”, podemos dizer que a FSSPX é aquela parte fiel à Tradição, é aquele anel luminoso nesta eclipse total ou quase, do sol da verdade. De coração aconselho-te, a conhecer, e, na medida do possível, a acompanhar esta obra realizada por um homem que amava entranhadamente a Santa Madre Igreja, D. Marcel Lefebvre.
      Um dos sinais evidentes da verdade afirmada pelo seu bisavô, é que justamente estes 3 bispos e mais de 600 padres da FSSPX, não são ainda reconhecidos total e oficialmente (porque em particular o Papa Francisco os reconhece como católicos, pelo menos assim afirmou a D. Fellay); não o são justamente porque querem conservar a Santa Missa de Sempre e a Tradição em sua integridade. Suponhamos que estivéssemos na época de Pio XII, a FSSPX seria elogiada pelo Sumo Pontífice como uma obra de Deus, como uma obra verdadeiramente providencial.

  7. Serei breve:
    Para eles, a descentralização caberá ao próximo papa, e não ao absoluto Bergoglio, que, com mãos de ferro, constrói uma nova igreja segundo a sua imagem.

  8. Padre Elcio Murucci, muito obrigado pela benção e por sua resposta. Suas palavras me encheram de fé e esperança de que a Igreja sobreviverá às perseguições atuais! Irei procurar conhecer a FSSPX.