Reflexões da Sagrada Escritura: Sertum Laetitiae.

Nosso caríssimo padre Élcio está de recesso por dois meses para tratamento de saúde, pelo que pedimos suas orações. Durante sua ausência, republicaremos suas colunas mais importantes – a que segue, foi publicada originalmente em 14 de maio de 2016.

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“Quem busca a lei será cheio de bens; mas quem obra com simulação, nela achará ocasião de tropeço” (Eclesiástico XXXII, 19).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

“SERTUM LAETITIAE” é uma Carta Encíclica que o Papa Pio XII escreveu em 1º de novembro de 1939 à Hierarquia Eclesiástica dos Estados Unidos da América. Depois de louvar o progresso espiritual daquele país, passa a mostrar os males a serem combatidos.

Eis o que a respeito diz o grande Pio XII:

Pio XII“Queremos, todavia, que o nosso louvor seja salutar. A consideração do bem já obtido não deve levar à inércia do ócio, nem produzir deleites de vã glória nos espíritos, mas acender novos ardores no combate contra o mal e solidificar com maior firmeza todas as obras salutares, úteis e dignas de louvor. O cristão que respeita a dignidade do seu nome nunca deixa de ser apóstolo; o soldado de Cristo jamais há de sair do combate, de cuja participação somente a morte o pode arrancar. Bem conheceis onde deve ser mais atenta a vossa vigilância e que programa de ação traçar ao trabalho dos sacerdotes e fiéis, para que a Religião de Cristo, removidos os óbices, senhoreie os espíritos, oriente os costumes, e, causa única da salvação, penetre os refolhos íntimos e as próprias veias da sociedade civil.

Muito embora os progressos dos bens exteriores e materiais, nos confortos melhores e mais copiosos que dele provêm para a vida, não se devam desprezar; não obstante, de modo algum são eles suficientes para o homem, nascido para coisas melhores e mais sublimes. Feito à imagem e semelhança de Deus, a Deus anela por inelutável impulso da alma, sempre triste e inquieto, se escolhe colocar seu amor onde não está presente a verdade suma e o infinito bem. De Deus afastar-se é morrer, para Deus converter-se é viver, em Deus permanecer é iluminar-se; a Deus, porém, não se chega com atravessar espaços corpóreos, mas sob a direção de Cristo, pela plenitude de uma fé sincera, intemerata consciência, e vontade reta, pela santidade das obras e pela obtenção e uso de uma liberdade genuína, cujas sagradas normas foram promulgadas pelo Evangelho. Se, ao contrário, se desprezam os divinos mandamentos, não só não se obtém a felicidade posta além do breve espaço de tempo assinado à existência terrena, mas vacila a própria base na qual assenta a verdadeira civilização da humanidade, e só se devem esperar lastimáveis ruínas; é que os caminhos que levam à vida eterna são a força viva e seguro alicerce das realidades temporais.

Como, de feito, podem ter garantias o bem público e o decoro da civilização, se se subverte o direito e se despreza e ridiculariza a virtude? Acaso não é Deus a fonte e o sustentáculo do direito? O inspirador e prêmio da virtude? Ele, a Quem nenhum legislador se assemelha (Cf. Job 36, 22)? Em toda parte  –  segundo a confissão de homens sérios  –  é esta a raiz amarga e fértil de males: o desconhecimento da divina majestade, a negligência dos preceitos morais oriundos do alto, uma lamentável inconstância que hesita entre o lícito e o ilícito, o bem e o mal. Daí o cego e imoderado amor próprio, a sede dos prazeres, o alcoolismo, as modas dispendiosas e impudicas, a criminalidade mesmo de menores, a ambição do poder, a negligência com relação aos pobres, a cupidez de riquezas iníquas, o abandono dos campos, a leviandade em contrair o matrimônio, os divórcios, a desagregação das famílias, o resfriamento do mútuo afeto entre pais e filhos, a desnatalidade, a degenerescência da raça, o enlanguescimento do respeito para com as autoridades, o servilismo, a revolta, a negligência dos deveres para com a pátria e para com o gênero humano. Elevamos, além disso, a voz de nosso paterno lamento, porque ainda em tantas escolas frequentemente se despreza ou se ignora a Jesus Cristo, restringe a explicação do universo e da humanidade ao naturalismo e racionalismo, e se ensaiam novos sistemas educativos, dos quais não se podem esperar senão tristes frutos para a vida intelectual e moral da Nação.

A vida doméstica, outrossim, se, observada a lei de Cristo, floresce de verdadeira felicidade, assim também, quando repudia o Evangelho, perece miseravelmente e é devastada pelos vícios. “Quem busca a lei será cheio de bens; mas quem obra com simulação, nela achará ocasião de tropeço” (Ecli 32, 19). Que pode haver na terra mais jucundo e alegre que a família cristã? Nascida junto ao altar do Senhor, onde o amor foi proclamado santo vínculo indissolúvel, consolida-se e cresce no mesmo amor que a graça suprema alimenta. E então “é por todos honrado o matrimônio e imaculado o tálamo” (Heb 13, 4); as paredes tranquilas não ressoam de litígios nem são testemunhas de secretos martírios pela revelação de astutos manejos de infidelidade; a solidíssima confiança mútua afasta o espírito das suspeitas; no recíproco afeto de benevolência se aliviam as dores, e acrescentam-se as alegrias. Lá os filhos não são considerados peso insuportável, senão dulcíssimo penhores; nem uma condenável razão utilitária ou a procura de estéril prazer fazem que se impeça o dom da vida e que caia em desuso o suave nome de irmão e irmã.

Com que solicitude cuidam os pais que cresçam os filhos não apenas fisicamente vigorosos, senão que, seguindo a tradição dos antepassados, que lhes são frequentemente relembrados, sejam adornados da luz que lhes comunica a profissão da fé puríssima e a honestidade moral! Comovidos por tantos benefícios, os filhos cumprem seu máximo dever, isto é, honram a seus progenitores, secundam os seus desejos, sustentam-nos na velhice com seu auxílio fiel, tornam jucundas suas cãs com um afeto que, inalterado pela morte, no céu se há de tornar ainda mais glorioso e completo. Os membros da família cristã, não queixosos na adversidade, não ingratos na prosperidade, sempre estão plenos de confiança em Deus, a cujo império obedecem, a cujo querer se confiam, cujo socorro jamais esperam em vão. Aqueles, pois, que nas igrejas exercem funções diretivas ou de magistério, exortem assiduamente os fiéis a que constituam e mantenham famílias segundo a norma da sabedoria do Evangelho  – buscando assim com assíduo cuidado preparar para o Senhor um povo perfeito. Pelo mesmo motivo, cumpre também sumamente atender a que o dogma, que por divino direito afirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio, seja compreendido em sua importância religiosa e santamente respeitado por todos os que contraem núpcias. Que tão capital ponto da doutrina católica tenha validíssima eficácia para a sólida estrutura da família, para o bem-estar crescente da sociedade civil, para a saúde do povo e para uma civilização cuja luz não seja falsa (…). (…) Nada mais feliz pode haver para cada homem, cada família e cada nação, do que obedecer ao Autor da salvação, seguir seus mandamentos, aceitar o seu Reino, no qual nos tornamos livres e ricos de boas obras: “Reino de verdade e vida, reino de santidade e graça, reino de justiça, amor e paz” (Prefácio da Missa de Cristo Rei). (Apenas excertos da encíclica “Sertum Laetitiae”).

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One Comment to “Reflexões da Sagrada Escritura: Sertum Laetitiae.”

  1. Para obtermos a coroa da gloria – SERTUM LAETITIAE e tanto se difere da atual AMORIS LAETITIAE – devemos nos empenhar a todo custo para alcançá-la e, se em remotos tempos do papa Pio XII já elencava diversos erros muito deles em práticas corriqueiras, ainda tão distante dos anos 60 adiante, no presente, estão acrescidos de adendos perniciosos; já estamos profundamente atolados no lamaçal dos vicios e paixões até ao alto da cabeça, comentando por tópicos:
    “Em toda parte – segundo a confissão de homens sérios – é esta a raiz amarga e fértil de males: o desconhecimento da divina majestade, a negligência dos preceitos morais oriundos do alto, uma lamentável inconstância que hesita entre o lícito e o ilícito, o bem e o mal”: o homem atual em geral é antropocentrista, glorifica-se a si mesmo e essa estupidez está à vista de todos, numa terra onde prevalecem apenas revolucionarios convulsos, com as novas gerações subsequentes mais ainda deterioradas.
    “Daí o cego e imoderado amor próprio, a sede dos prazeres, o alcoolismo”… naquele tempo nem se comentava acerca das drogas fora do álcool – os entorpecentes não constavam ainda em escala de uso populacional, hoje quase se necessitar saber quem não as usa, sempre em mais, a partir da infancia e juventude, instigadas desde os altos poderes!
    “As modas dispendiosas e impudicas”: hoje em dia a um clic, nas novelas da Rede Globo da Teledepravação, A Fazenda, BBBs etc. de similares redes, têm-se cenas de quarto de motel no lar, com os menores juntos com seus pais compartilhando de como se perverterem e, em público, quase todas as mulheres competindo em imodestia, despudor e lascivia com as meretrizes!
    “a criminalidade mesmo de menores, a ambição do poder, a negligência com relação aos pobres, a cupidez de riquezas iníquas, o abandono dos campos, a leviandade em contrair o matrimônio, os divórcios, a desagregação das famílias, o resfriamento do mútuo afeto entre pais e filhos”: Por falta de advertencia de tantos pastores, os mafiosos revolucionarios subiram para o poder, subverteram e domesticaram imensas multidões à vista deles omissos e/ou com apoio de tantos supostos religiosos, desde o Vaticano.
    “a desnatalidade”: o Ocidente em poucas décadas terá sua população substituída por tantos filhos de muçulmanos que varrerão os anfitriões que os recebem, ajudados por varios governantes e líderes conspiradores social comunistas e seus apoiadores, PSDB-Doria etc., para eles “a terra pertence a Alá o os outros são penetras e parias”!
    “a degenerescência da raça”: as drogas entorpecentes cuidarão desse item, caso de filhos de “familias” de viciados no lar…
    “o enlanguescimento do respeito para com as autoridades, o servilismo, a revolta, a negligência dos deveres para com a pátria e para com o gênero humano”: No presente, os grandes libertinos, traidores da Igreja e da patria e salteadores da nação se encontram nos poderes e quantos desses não são beneficiados pela “justiça”, caso do STF-Toffoli-Lewandowski-Barroso-Fachin etc. e na PGR-Janot etc?
    “Elevamos, além disso, a voz de nosso paterno lamento, porque ainda em tantas escolas frequentemente se despreza ou se ignora a Jesus Cristo, restringe a explicação do universo e da humanidade ao naturalismo e racionalismo, e se ensaiam novos sistemas educativos, dos quais não se podem esperar senão tristes frutos para a vida intelectual e moral da Nação”: ponto chave dos revolucionarios atuais é infiltrar a escolas para subverterem as mentes desde a mais tenra idade no niilismo marxista, contando com tantos “religiosos” – infiltrados da diabólica maçonaria na Igreja – desde o topo, sendo que no clero são muito numerosos, quer silentes ou cooperadores com a Revolução.