O Concílio Vaticano II e a Mensagem de Fátima.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 2-8-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comRorate Coeli, Corrispondenza Romana e outras publicações católicas reproduziram uma valiosa intervenção de Dom Athanasius Schneider sobre a “interpretação do Concílio Vaticano II e a sua relação com a atual crise da Igreja”. De acordo com o Bispo Auxiliar de Astana, o Vaticano II foi um Concílio pastoral e seus textos devem ser lidos e julgados à luz do ensinamento perene da Igreja.

De fato, “do ponto de vista objetivo, os pronunciamentos do Magistério (Papas e concílios) de carácter definitivo têm mais valor e mais peso frente aos pronunciamentos de carácter pastoral, os quais são, por natureza, mutáveis e temporários, dependentes de circunstâncias históricas ou respondendo às situações pastorais de um determinado tempo, como é o caso com a maior parte dos pronunciamentos do Vaticano II”.

Ao artigo de Dom Schneider seguiu-se, em 31 de julho, um equilibrado comentário do padre Angelo Citati, FSSPX,  segundo o qual a posição do bispo alemão se assemelha àquela reafirmada constantemente por Dom Marcel Lefebvre: “Dizer que avaliamos os documentos do Concílio ‘à luz da Tradição’ significa, evidentemente, três coisas inseparáveis: que aceitamos aqueles que estão de acordo com a Tradição; que interpretamos segundo a Tradição aqueles que são ambíguos; que rejeitamos aqueles que são contrários à tradição” (Mons. M. Lefebvre, Vi trasmetto quello che ho ricevuto. Tradizione perenne e futuro della Chiesa, editado por Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, Sugarco Edizioni, Milão 2010, p. 91).

Tendo sido publicado no site oficial do Distrito italiano, o artigo do padre Citati também nos ajuda a compreender qual poderia ser a base para um acordo visando regularizar a situação canônica da Fraternidade São Pio X. Devemos acrescentar que, no plano teológico, todas as distinções podem e devem ser feitas para interpretar os textos do Concílio Vaticano II, que foi um Concílio legítimo: o vigésimo primeiro da Igreja Católica. Dependendo do respectivo teor, esses textos poderão então ser classificados como pastorais ou dogmáticos, provisórios ou definitivos, conformes ou contrários à Tradição.

Em suas obras mais recentes, Mons. Brunero Gherardini nos dá um exemplo de como um juízo teológico, para ser preciso, deve ser articulado (Il Concilio Vaticano II un discorso da fare, Casa Mariana, Frigento 2009 e Id., Un Concilio mancato, Lindau, Turim 2011). Para o teólogo, cada texto tem uma qualidade diferente e um grau diverso de autoridade e cogência. Portanto, o debate está aberto.

Do ponto de vista histórico, contudo, o Vaticano II é um bloco inseparável: tem sua unidade, sua essência, sua natureza. Considerado em suas raízes, no seu desenvolvimento e em suas consequências, ele pode ser definido como uma Revolução na mentalidade e na linguagem que mudou profundamente a vida da Igreja, iniciando uma crise religiosa e moral sem precedentes.

Se o juízo teológico pode ser matizado e indulgente, o juízo histórico é implacável e inapelável. O Concílio Vaticano II não foi apenas um Concílio malogrado ou falido: foi uma catástrofe para a Igreja.

Uma vez que este ano marca o centenário das aparições de Fátima, convém debruçar sobre a seguinte questão: quando, em outubro de 1962, inaugurou-se o Concílio Vaticano II, os católicos de todo o mundo esperavam a revelação do Terceiro Segredo e a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. O Exército Azul de John Haffert (1915-2001) liderou durante anos uma maciça campanha nesse sentido.

Haveria melhor ocasião para João XXIII (falecido em 3 de Junho de 1963), Paulo VI e os cerca de 3000 bispos reunidos em torno deles, no coração da Cristandade, corresponderem em uníssono e solenemente aos desejos de Nossa Senhora? Em 3 de fevereiro de 1964, Dom Geraldo de Proença Sigaud entregou pessoalmente a Paulo VI uma petição assinada por 510 bispos de 78 países, na qual se implorava que o Pontífice, em união com todos os bispos, consagrasse o mundo, e de maneira explícita a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria. O Papa e a maioria dos Padres Conciliares ignoraram o apelo. Se a consagração pedida tivesse sido feita, uma chuva de graças teria caído sobre a humanidade. E um movimento de volta à lei natural e cristã teria iniciado.

O comunismo teria caído com muitos anos de antecedência, de maneira não fictícia, mas autêntica e real. A Rússia se teria convertido e o mundo teria conhecido uma era de paz e de ordem, como Nossa Senhora prometera. A consagração omitida concorreu para que a Rússia continuasse a espalhar seus erros pelo mundo, e para que esses erros conquistassem as cúpulas da Igreja Católica, atraindo um castigo terrível para toda a humanidade. Paulo VI e a maioria dos Padres Conciliares assumiram uma responsabilidade histórica, cujas consequências bem podemos hoje medir.

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5 Comentários to “O Concílio Vaticano II e a Mensagem de Fátima.”

  1. Fratres, uma contribuição a respeito do assunto:
    .
    Os Três Segredos de Fátima – Análise e Explicação (Atualização 7)
    https://www.4shared.com/web/directDownload/gY1PSY-Kca/l9hKI7l4.6a2dfb5f9f880c9eddc04459a02bf703
    .
    Salve Maria!

  2. A história já julgou o Concílio! Eis aí uma verdade que muitos clérigos não conseguem ver; sobretudo aqueles adeptos da Teologia da Libertação.

  3. O grande problema do Vaticano II se deu ao aceitar as imposições dos governos russo e de sua agencia de espionagem, a KGB, ambos maçonistas àquela época quererem, exigirem que não se condenasse o comunismo, a praga que devastava a humanidade e, até à oportunidade, já cometera diversos genocidios com dezenas de milhões de mortos e, mesmo assim, muitos padres conciliares não se dispuseram a acatar a ideia que condenarem o satanismo chamado comunismo!
    Dessa forma, pelo pacto de Metz, a esquerda da Igreja travestida de católica aceitou a imposição dos acima via agente da KGB o metropolita D Nikodin e o progressista Cardeal Tisserant para enviarem seus representantes – embora farsantes, passando-se por religiosos – para tomarem parte do Vaticano II, mas eram agentes da KGB travestidos de bispos ortodoxos, como é o atual da IOR em sua sequencia até ao presente, o metropolita Cirilo I, outro ex agente.
    O que mais nesse momento podemos imaginar é que os opositores à Consagração da Russia bem que poderiam ser infiltrados da maçonaria e/ou pró protestantes já atuantes dentro da Igreja, desde tempos atrás, com seus tentáculos bastante fortalecidos entre os partidos comunistas e seitas protestantes mancomunados atuando na tentativa de implosão da Igreja!
    Daí adiante foi que a KGB montou a esquerdista “Teologia da Libertação” para espalhar o socialismo, MARXISMO CULTURAL, nas ideias dos adeptos do PACTO DAS CATACUMBAS de D Hélder & Cia, usando como parãmetros a doutrina católica e bíblica reformuladas em sofisticados laboratorios de engenharia social!
    Assim, hoje nós quase respiramos socialismo sem as multidões o perceberem, inclusive entre bispos e muitos dos sacerdotes – embora desses, muitos infiltrados a serviço das esquerdas, como os vermelhos TL e tantos associados a suas ideias, infestando paroquias e ajudando elegerem partidos comunistas, caso das pestes PSDB-PT, PC do B, PSOL etc., e tantos mais PCs que, se sobrevivem, são graças a uma CNBB seduzida para a esquerda, além de grandes seitas relativistas protestantes-maçonistas apoiando esses material-ateístas, caso da IURD-PRB da base do PT!

  4. Basta agora que os empolgados reconhecedores do Vaticano Dois expliquem como um concílio ecumênico ensinou heresia. Pois nisso as conservadoras estão certas: se é um legítimo concílio ecumênico, então é impossível que tenha ensinado heresia. Se não ensinou, a questão está encerrada, e deve ser aceito integralmente. Caso contrário, inaugurar-se-ia a era do livre-exame do magistério.

  5. Já durante o Vaticano Dois, certo grupo de bipos pediu que os documentos recebessem qualificação teológica. O pedido foi aceito e isso deu origem à “nota prévia” a qual, no entanto, nas edições, consta no final dos textos… Esse pedido dos bispos mais conservadores era uma espécie de cunha posta entre os documentos a fim de possibilitar ulteriores discussões (a favor da tradição).
    Mas a questão toda da legitimidade do Vaticano Dóis, para atacar o ponto certo e evitar impasses e leituras rabínicas e bizantinas, deve se centrar naquilo que já foi indicado, por exemplo, por Romano Amerio,.a.saber,.que Paulo VI violou a regularidade canônica daquela assembléia. Ora, a observância “dos sagrados cânones” deriva sua cogencia da estrutura sacramental da Igreja. Não se trata, de fato, de mero jurisdicismo, mas da garantia mesma, mediante a escrupulosa observância canônica, da assistência.divina para os atos conciliares.
    Toda a publicidade dada à manipulação do último sínodo da família por grupos de pressão contra a liberdade dos padres sinodais serve para ilustrar o que se deu durante o Vaticano Dois.

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