“Gay se nasce”. Eminência Reverendíssima Cardeal Kasper, permita-me uma pergunta.

Por Luigi Amicone, 2 de outubro de 2015, Tempi | Tradução: FratresInUnum.com: “O teólogo reformista Kasper disse: ‘Gay se nasce. Não aos fundamentalistas em nome do Evangelho’.” É um título realmente sugestivo, caro Cardeal Walter Kasper, aquele que o Corriere dela Sera usou para apresentar a sua entrevista ao vaticanista do diário de Milão, Gian Guido Vecchi.

Agora, porém, o senhor deve nos dizer onde foi que erramos ao constatar apenas nas dez primeiras linhas de sua conversa um exemplo espetacular de confusão e, juntamente, uma politicagem em nada misericordiosa e de forma alguma pastoral.

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Cardeal Walter Kasper

Não esquecendo também que o senhor é, entre outras coisas, o autor do relatório apresentado no consistório extraordinário sobre a família que se tornou a base de discussão sobre o tema do Sínodo do dia 4 de outubro, deixamos claro a seguir o nosso pedido para que possamos ser contraditos, censurados ou esclarecidos por Sua Eminência Reverendíssima.

Quanto à politicagem, recordo-lhe o início da sua entrevista, onde diante da pergunta capciosa: “Por que existe tanta resistência, Eminência? Como na véspera do Sínodo do ano passado, desta vez surgiram até Cardeais assinando um livro em defesa do matrimônio e da família e também da “doutrina” … “e o senhor respondeu sinuosamente com um “mas, olha, eu não quero entrar nessa controvérsia. O Sínodo foi feito justamente para se discutir“. E logo em seguida partiu para o ataque: “Sim, alguns querem se fechar, não há nada para discutir, basta“.  Dá um suspiro – volta-se para o Corriere – sorri e diz :” Vê – o senhor continua, – existe um certo fundamentalismo… se faz uma ideologia para apoiar a própria tese…”.

Neste breve giro de palavras o senhor se permite fazer uma fogueira em torno dos autores do livro citado pelo seu entrevistador e sai catalogando de Carlo Caffara a Angelo Scola como “fundamentalistas” e “ideólogos”, seus colegas cardeais cuja única culpa é terem um pensamento diferente do seu.  E é isso que o senhor chama de “não entrar em controvérsias” e como uma “boa preparação do terreno das discussões sinodais”?

Segunda observação: a confusão. Após o ataque a seus colegas cardeais, encontramos esta bela pérola proferida pelo senhor, Eminência Reverendíssima (que o Corriere define, se não me engano, também a Botteghe Oscure, como “o ponto de referência dos reformistas”): “Para mim, essa inclinação (a homossexualidade, nota do editor) é um ponto de interrogação: ela não reflete o plano original de Deus, mas todavia é uma realidade porque gay se nasce”. Para dizer a verdade, Eminência, tivemos que esfregar os olhos, acreditamos ter lido errado. Então, resolvemos ler e reler, mas não há dúvida! O senhor realmente pede, como escreve entre aspas o Corriere, para que no Sínodo se abra um “diálogo” sobre a contracepção que já está difundida entre os fiéis (“Eu espero que sim, este cisma não pode durar“) e fala de acolhida e respeito pelos homossexuais: “Para mim, essa inclinação é um ponto de interrogação: não reflete o projeto original de Deus, mas todavia é uma realidade, porque gay se nasce“.

O senhor,  Eminência Reverendíssima, disse exatamente assim: “uma coisa é ‘o projeto original de Deus’, uma outra – porém – é o fato de que ‘gay se nasce’.” Ora, a perplexidade gerada por essas suas palavras é evidente e pedimos aos leitores que recorram a todos os seus recursos da lógica para nos responder: isso quer dizer que Sua Eminência Reverendíssima tem um questionamento? Deixemos de lado o debate sobre Igreja e homossexualidade, porque essa seria outra discussão. Existe algo muito mais radical em suas palavras. Na verdade, suas palavras, Eminência Reverendíssima, são claríssimas: o senhor diz que “a inclinação homossexual não reflete o projeto original de Deus” mas logo em seguida diz “todavia é uma realidade”, não porque a homossexualidade é uma realidade como o são um monte de outras coisas que também não refletem o projeto original de Deus (como colocar o dedo no nariz, roubar uma marmelada e até coisas mais graves), mas “porque gay se nasce.” Olha a confusão! Que pergunta pode surgir quando se afirma ao mesmo tempo o “projeto original de Deus” e o projeto original do “gay se nasce”?

Parece-me lógico deduzir que o senhor, Eminência Reverendíssima, está convencido de uma das duas coisas, e que a sua pergunta se coloca dentro da seguinte alternativa: ou Deus, se existe, não tem nada a ver com o nascimento (ergo, não tem nada a ver com a criação presente, Ele criou o mundo há algum tempo e depois deixou correr à revelia como um joguinho impulsionado por uma mola, o que seria uma patente heresia); ou Deus, se existe, adora criar coisas novas contrárias ao seu projeto inicial (heresia dupla). E aqui, na verdade, já podemos ir parando porque todo o resto, como diria o grande Cardeal Elio Sgreccia ao Avvenire, nasce de uma questão fundamental e radical: “A misericórdia é verdade vivenciada, não há separação. Não se pode separar em Cristo a verdade do amor”.

Para o senhor, no entanto, Cardeal Walter Kasper, tudo parece nascer de uma divisão original escondida como uma cobra no seio do próprio Ser. Existe a verdade, mas também não existe porque a realidade vai para outro lado e ao invés de chamar esse outro lado de “pecado”, ou seja, a experiência verdadeiramente histórica que o homem não consegue fazer em face da verdade que ele vê (“o bem que eu quero não faço, mas faço o mal que eu odeio”, diz São Paulo), o senhor prefere chamar de “misericórdia” a anestesia em cima do “eu não consigo”. Assim, existe o ideal: dizer aos jovens para se casar, afirmar que o Sacramento é obra de Deus que torna infinita, indissolúvel e para sempre a liberdade infinita de um homem e de uma mulher (exceto os casos nulos onde não existiu a liberdade e, portanto, não existe sacramento), exorta-os a desafiar as dificuldades, traições, modas e caprichos. Mas, logo em seguida, o senhor mesmo parece dar a entender que não acredita muito nesse ideal e procura camuflar seu ceticismo com a pastoral. Claro que existe uma pergunta que devemos fazer e que é a mesma que Sua Eminência também deveria fazer. E a pergunta é: afinal quem são mesmo os fundamentalistas e ideólogos?

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14 Comentários to ““Gay se nasce”. Eminência Reverendíssima Cardeal Kasper, permita-me uma pergunta.”

  1. É fácil para o Kasper falar essa bobagem de que “gay se nasce”. Queria ver é ele provar isso filosófica e/ou cientificamente. E depois de provar que a homossexualidade é uma doença “de nascença”, ele ainda teria que provar que ela é radicalmente incurável, tanto com os recursos presentes quanto com os recursos futuros da ciência. Provado tudo isso, ainda restaria provar que essa condição especial de doença seria suficiente para erigir, para seus enfermos, direitos morais diferentes daqueles que valem para o resto da humanidade. Ora, nada disso, na verdade, pode ser provado; logo, as baboseiras do Kasper só merecem o nosso desprezo íntimo e o nosso combate público por desmascará-las.

  2. Eu fico me perguntando como é que um cara desses mantém-se em uma vida casta e cumprindo suas obrigações religiosas pensando desse jeito. Eu não conseguiria, não dá pra substituir fundamentos
    de concreto por fundamentos de borracha e esperar que se mantenham de pé os muros de pedra.

  3. Eu realmente não sei o que tinha São João Paulo II na cabeça quando decidiu que este senhor seria cardeal.Foi um completo desserviço à Igreja.

  4. Impressiona como Cardeais como Walter Kasper falam tudo aquilo que é contra a moral da Igreja e nada lhe acontece!

  5. Sem querer defender o card.Kasper, de quem discordo sempre em gênero, número e grau, e por quem possuo profunda antipatia e aversão, desde que ele chamou de “mito” a própria ressurreição do Senhor… mas me ficou uma pergunta: o que Jesus quis dizer com “há eunucos que nasceram assim do ventre de suas mães…” Ele não se referia ao sentido social da palavra pois ninguém nasceria castrado do ventre de suas mães. O que Ele quis dizer? Não estaria ele de certa forma indicando isso que o cardeal falou?

  6. Teresa e o que “eunucos” tem a ver com homossexuais? Você cita o evangelho em que Jesus diz:

    “Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que pelos homens foram feitos tais; e outros há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isso, aceite-o.” (Mateus, 19:12)

    Ora, eunuco é um homem castrado, que teve os testículos e/ou o pênis removidos. No sentido figurado o termo é usado com o significado de “estéril” ou “impotente”.
    É claro que existem casos de malformação congênita que fazem com que algumas crianças nasçam com problemas como hermafroditismo ou até afalia completa:
    http://noticias.r7.com/saude/noticias/ma-formacao-do-penis-atinge-um-em-cada-300-meninos-nascidos-no-mundo-20091120.html
    Então está explicada a parte em que Jesus diz que há eunucos que nascem assim.
    Mas há um segundo caso, “há eunucos que pelos homens foram feitos tais”. E nesse caso Jesus se refere a uma prática muito comum no antigo Império Romano, Oriente Médio e na China, onde o eunuco encarregado de cuidar dos haréns, das esposas e das concubinas era sempre um escravo castrado.
    Jesus cita primeiramente esses exemplos para depois falar sobre um outro tipo de eunuco: aquele que praticava o celibato para se dedicar exclusivamente à vida religiosa, ao reino dos céus. Aquele que renuncia livremente aos prazeres da carne para viver pelo Espírito.
    Nenhum desses três casos se aplica aos homossexuais, porque até os que se mutilam pra tentar assumir uma identidade feminina continuam sexualmente ativos.

  7. Eu não entendo esses prelados. É tanta confusão que dar medo! se eles querem seguir suas ideologias e na a Igreja, porque não se afasta dela? Essa é a minha pergunta…

  8. Senhores, permitam-me uma pergunta: afinal, ”gay se nasce” ou é “dom dado por Deus”? Biológico ou espiritual? Será que querem nos endoidar? Muito complicado…

  9. Existe uma das teorias em que se explicaria os homossexualismos masculino e feminino: o homem teria nascido com mais hormonios femininos, a progesterona, e a mulher com testosterona, a cada um deles dariam caracteres e tendencias ao inverso de serem o sexo que apresentariam.
    Dessa forma, sucederia por ações de fatores não bem determinaveis, como um deles seriam por questões genéticas, explicados numa linguagem bastante complexa e inacessível para nós leigos nesse assunto tão complexo, sabendo tratarem-se de teorias.
    No entanto, o gayzismo atual é muito diferente de eventuais disturbios acima pois é usado para relativizar as pessoas: os ideologistas o instigam por todos os meios por a humanidade ter na atração sexual muito interesse, notando-se no entanto que procedem de forma indevida, objetivando gerar o pansexualismo e a alienação social, como se fosse diversão e algo descompromissado, apenas fonte de satisfação, nada mais que isso.
    O pior de tudo é que hoje dentro da Igreja – mais se pareceriam infiltrados maçonistas nesse intuito – estão cortejando o homossexualismo como se fosse um bem, assim como exaltado como tal em diversas peças teatrais, varios modelos de programas midiáticos como um ideal a ser adotado, e os lobos rapaces promotores dessa anomalia têm nisso uma dos fronts de vilipendiarem a doutrina da Igreja, como desmerecendo a castidade e todos os ensinamentos dos santos padres até ao presente, sendo o Cardeal W Kasper um prelado irrecomendável como pastor de almas, nessa e noutras oportunidades anteriores quando doutrina pareceria apelar para o sistema das esquerdas: uma linguagem sujeita a interpretações, suscitadoras de dúvidas e afeita a controversias!

  10. Excelentes postagens, principalmente de Bhartolomeu. Este senhor Kasper sofre de ignorância arrogante cavalar. Sou médico, professor titular de Psiquiatria e sei que NÃO EXISTE nenhuma base científica para se afirmar que alguém nasce ” gay”( por que não dizer viado? Gay é um inadequado e tndencioso estrangeirismo, arma semântica numa guerra semântica). TEM QUEM NASÇA HEMOFÍLICO. Isto sim, se nasce, e tem a ver com o cromossomo Y( por isto, NÃO EXISTEM mulheres hemofílicas). Tm quem nasça do sexo masculino. ISTO TAMBÉM DEPENDE DO CROMOSSOMO Y, DESDE QUE SE COMPLEMENTANDO COM UM CROMOSSOMA X . Havendo um par XY, temos um homem. Se for XX, uma mulher. Havendo trissomias genéticas, OU haverá um par XY, com mais algum X ou Y, ou somente existirão X .Exemplos: XYY( logo, XY + Y), XXX( logo XX + X) , XXY ( logo X+ XY).Tem quem nasça com as desarmonias informático genéticas que determinam a Síndrome de Down. Mas NÃO tem quem nasça viado ou pederasta, boiola, invertido, boneca, baitola, qualira, frango, ou designativo equivalente. Tal condição é uma desarmonia cibernética, do software, E ADQUIRIDA, psicogênica, totalmente curável. Sempre, em tese( salvo ausência de tratamento, morte súbita, etc) curável.Com aspectos morais sobrepostos, como qualquer coisa humana. No caso, dependendo do CONSENTIMENTO livre ou DA NÃO ACEITAÇÃO E BUSCA DA CURA. Ou seja, na maioria dos casos, práticas externas ou internas( solitárias) com feição homossexual são doença mental, adquirida e curável, ” safadeza”( na medida dos variáveis consentimentos volitivo-morais) e tremendo mau gosto. No mundo concreto, são MILITÂNCIAS de posturas sediadas no ORGULHO e no SENSUALISMO, sempre de soberba, a serviço, consciente ou inconsciente de grandes grupos ocultos de manipulação, aos quais a Ideologia de Gênero, que é uma coleção de aberrantes alienações insistentemente ” pregadas” pela grande mídia, por ” intelectuais”, por hediondos grupos enraizados nas Nações Unidas, em altos postos da parte terrena da Igreja Católica A.Romana, de algumas outras igrejas, em graus variados, e em estruturas médicas ou pseudo médicas internacionais. Sugiro pesquisar, no google, Grupo de Bilderberg, Skull and Bones, Trilateral, Relatório Kissinger, Fundações MacArthur , Rockfeller, Rotschild, Mosanto, International Foods, Grupo de Davos, Ideologia de Gênero, Feminismo, Política Feminista nas Nações Unidas e conexos.

  11. Fazendo o papel do advogado do diabo…

    “Parece-me lógico deduzir que o senhor, Eminência Reverendíssima, está convencido de uma das duas coisas, e que a sua pergunta se coloca dentro da seguinte alternativa: ou Deus, se existe, não tem nada a ver com o nascimento (ergo, não tem nada a ver com a criação presente, Ele criou o mundo há algum tempo e depois deixou correr à revelia como um joguinho impulsionado por uma mola, o que seria uma patente heresia); ou Deus, se existe, adora criar coisas novas contrárias ao seu projeto inicial (heresia dupla).”

    A contestação acima é uma falsa dicotomia muito fácil de se contornar: nós, por exemplo, nascemos com pecado original embora esse não tenha sido o “projeto original de Deus”. Vejam: não estou entrando no mérito acerca de se nascer gay ou não, nem em relação às (muito provavelmente más) intenções do Card. Kasper, mas o questionamento, a meu juízo, foi fraco.