Cardeal Sarah: “Vocês não são tradicionalistas: vocês são Católicos”.

A resposta do Cardeal Sarah a quem considera o uso da missa tridentina como algo do passado ou saudosista: “A quem nutre algumas dúvidas em relação a isso, eu diria: visitem estas comunidades e procurem conhecê-las, especialmente os jovens que fazem parte delas. Abram seus corações a mentes a estes nossos jovens irmãos e irmãs, e vejam o bem que eles fazem. Não são saudosistas nem amargurados, nem oprimidos pelas lutas eclesiásticas das décadas atuais; eles são cheios da alegria de viver a vida de Cristo em meio aos desafios do mundo moderno”

Por Andrea Zambrano, La Nuova Bussola Quotidiana, 15 de setembro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com

Sarah aos grupos estáveis de fiéis ligados à Missa Tradicional: “Não sejam tradicionalistas, sejam católicos. Saiam do gueto”.

“Não sejam tradicionalistas, sejam católicos, tanto quanto eu e o Papa” As palavras do cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, chegam pontuadas quase ao término da conferência dada pelo purpurado no Congresso de dez anos do [motu proprio] Summorum Pontificum de Bento XVI. E parecem pôr fim a uma longa travessia no deserto realizada por grupos estáveis e por tantos monges e religiosos (lá no Angelicum de Roma, estavam ontem sobretudo franceses e italianos) que nestes anos experimentaram os benefícios da forma extraordinária do rito romano.

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Peregrinação Summorum Pontificum 2017 – Cardeais Burke, Muller e Sarah na primeira fila.

É a assim chamada missa em latim ou missa tridentina. Um clichê linguístico usado para controlar e enquadrar um fenômeno nascido na surdina, mas que hoje cresceu a tal ponto que o termo tradicionalista parece muito estreito e em certas situações é já insuficiente, visto que a maior parte dos fiéis que têm esta sensibilidade são jovens e não são saudosistas de nada. Para dar plena cidadania à forma extraordinária do rito romano vem também o atual Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, que aproveitou a ocasião de sua lectio magistralis de ontem para esclarecer também algumas de suas expressões, que haviam desencadeado as suspeitas de alguns guardiões da revolução: a Missa ad orientem, em primeiro lugar, e a Reforma da Reforma, secundariamente.

Não antes de recordar que o motu proprio foi um “sinal de reconciliação na Igreja e que trouxe muito fruto e, neste sentido, foi realizado também pelo Papa Francisco”. Partindo de Ratzinger, o cardeal recordou que o “esquecimento de Deus é o perigo mais urgente do nosso tempo”. “Se a Igreja de hoje é menos zelosa e eficaz em levar as pessoas a Cristo — disse ele à plateia do Angelicum –, uma das causas pode ser a nossa falta de participação na Sagrada Liturgia de um modo autêntico e eficaz. E isto talvez seja devido, por sua vez, à falta de uma adequada formação litúrgica — com a qual talvez esteja preocupado também o nosso Santo Padre, o Papa Francisco, quando diz que “uma liturgia que estivesse desligada do culto espiritual arriscaria de esvaziar-se”.

Para Sarah “isto pode ser também devido ao fato de que, muito frequentemente, a liturgia, tal como vem sendo celebrada, não é fiel e não corresponde plenamente a como é entendida pela Igreja, mas depaupera-se ou priva-se daquele encontro com Cristo na Igreja, que é um direito de todos os batizados”. Tanto que “muitas liturgias não são realmente nada mais que ‘antropocêntricas’, um teatro, um divertimento mundano, com muito barulho, danças e movimentos corporais, que se assemelham às nossas manifestações folclóricas”. Ao contrário, a liturgia é o momento de um encontro pessoal e íntimo com Deus e, aqui, o cardeal exortou a África, a Ásia e a América Latina a refletir “sobre as suas ambições humanas de inculturar a liturgia, de modo a evitar a superficialidade, o folclore e a auto-celebração cultural”.

Mas o que isso tem a ver com a Missa tridentina? Tem a ver porque no assim chamado usus antiquor estes riscos são notavelmente despotencializados. Como o de perder uma orientação litúrgica que, longe de ser uma questão meramente formal, representa, ao contrário, um detalhe fundamental para falar com Deus. Detalhe. Sarah repete-o, recordando já o ter mencionado e como, nos últimos anos, o retorno ao “voltar-se ad Deum ou ad orientem durante a liturgia eucarística seja uma gestualidade quase universalmente assumida nas celebrações do usus antiquor“.

Mas também a prática do orientamento “é perfeitamente apropriada — e eu o insisto — e pastoralmente vantajosa, na forma mais moderna do rito romano”. O cardeal é consciente de que isto lhe poderia ser motivo de acusação por ser atento aos detalhes: “Sim — prosseguiu –, porque como todo marido e mulher sabem, em cada relação de amor, os mais pequenos detalhes são importantes, porque é nestes e através destes que o amor se exprime e se vive dia-a-dia. As ‘pequenas coisas’, na vida matrimonial, exprimem e protegem as realidades maiores, tanto que o matrimônio inicia a romper-se quando estes detalhes são descuidados. Assim, também na liturgia: quando os seus pequenos rituais se tornam routine e não são mais atos de culto que exprimem as realidades do meu coração e da minha alma, quando não cuido mais dos detalhes, então aí está um grande perigo de que o meu amor ao Deus Onipotente se esfrie”.

O mesmo argumento para o silêncio, que é o único que “pode edificar aquilo que sustentará a sagrada celebração, porque o barulho assassina a liturgia, mata a oração, nos destrói e nos exila distantes de Deus”. Chega-se, assim, no coração da solene celebração da Santa Missa no usus antiquor que “é um ótimo paradigma disso, porque, com os seus níveis de rico conteúdo e de diversos pontos de coligação com a ação de Cristo, permite-nos alcançar tal silêncio. Tudo isso é certamente um tesouro com o qual possam ser enriquecidas algumas celebrações do usus recentior, às vezes horizontais demais e barulhentas”.

As reflexões de Sarah, porém, têm como protagonista a missa em geral e não apenas a da forma extraordinária. De fato, o cardeal convidou “a não rezar o breviário com o próprio telefone ou o iPad” porque “não é digno, dessacraliza a oração. Este aparelho não é um instrumento consagrado e reservado a Deus”. Mas também tirar fotografias durante a Santa Missa por parte de presbíteros não é digno.

Sobre os grupos estáveis de fiéis ligados à Missa Tradicional, Sarah expressou toda a sua gratidão, testemunhando “a sinceridade e a devoção destes jovens, homens e mulheres, sacerdotes e leigos, e das boas vocações ao sacerdócio e à vida religiosa que nasceram nas comunidades que celebram o usus antiquor. É a melhor resposta a quem considera o uso da missa tridentina como algo do passado ou saudosista: “A quem nutre algumas dúvidas em relação a isso, eu diria: visitem estas comunidades e procurem conhecê-las, especialmente os jovens que fazem parte delas. Abram seus corações a mentes a estes nossos jovens irmãos e irmãs, e vejam o bem que eles fazem. Não são saudosistas nem amargurados, nem oprimidos pelas lutas eclesiásticas das décadas atuais; eles são cheios da alegria de viver a vida de Cristo em meio aos desafios do mundo moderno“. Um apelo estendido também “aos meus irmãos bispos: estes fiéis, estas comunidades têm uma grande necessidade de cuidado paterno. Não devemos deixar que as nossas preferências pessoais ou as incompreensões do passado mantenham distantes os fiéis que aderem à forma extraordinária do rito romano“.

Porque — é o sentido das palavras de Sarah — o usus antiquor deveria ser considerado como uma parte normal da vida da Igreja do século XXI. “Estatísticamente, isso pode representar uma bem pequena parte da vida da Igreja, como previa o Papa Bento XVI, mas não por isso é uma via inferior de ‘segunda classe’. Não deveria haver concorrência entre a forma ordinária e a extraordinária do único Rito Romano: a celebração de todas as duas formas deveria ser um elemento natural da vida da Igreja nos nossos dias”.

Enfim, uma palavra “paterna” a todos aqueles que estão associados à forma mais antiga do Rito Romano. “Alguns chamam vocês de ‘tradicionalistas’ e, às vezes, até vocês mesmos se chamam assim. Por favor, não façam mais isso. Vocês não estão fechados em uma caixa num compartimento de uma livraria ou num museu de curiosidades. Vocês não são tradicionalistas: vocês são católicos do Rito Romano, tanto quanto eu e como o Santo Padre. Vocês não são de segunda classe ou membros particulares da Igreja Católica por causa do seu culto ou de suas práticas espirituais, que foram as de inumeráveis santos. Vocês são chamados por Deus, como todos os batizados, a tomar o seu lugar na vida e na missão da Igreja no mundo de hoje, ao qual também vocês são enviados”.

E ainda: “Se vocês não deixaram ainda os limites do ‘gueto tradicionalista’, por favor, façam isso hoje. O Deus Onipotente chama vocês a isso. Ninguém lhes roubará o usus antiquor, mas muitos serão beneficiados, nesta vida e na vida futura, pelo seu fiel testemunho cristão que terá tanto a oferecer, considerando a profunda formação na fé que os antigos ritos e o ambiente espiritual e doutrinal relacionados a eles deram a vocês, porque ‘não se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sobre uma lanterna para que ilumine a todos aqueles que estão na casa’. Esta é a sua verdadeira vocação, a missão para a qual lhes chama a Providência divina, quando suscitou no tempo oportuno o Motu Proprio Summorum Pontificum“.

20 Comentários to “Cardeal Sarah: “Vocês não são tradicionalistas: vocês são Católicos”.”

  1. “Alguns chamam vocês de ‘tradicionalistas’ e, às vezes, até vocês mesmos se chamam assim. Por favor, não façam mais isso. Vocês não estão fechados em uma caixa num compartimento de uma livraria ou num museu de curiosidades. Vocês não são tradicionalistas: vocês são católicos do Rito Romano, tanto quanto eu e como o Santo Padre. Vocês não são de segunda classe ou membros particulares da Igreja Católica por causa do seu culto ou de suas práticas espirituais, que foram as de inumeráveis santos. Vocês são chamados por Deus, como todos os batizados, a tomar o seu lugar na vida e na missão da Igreja no mundo de hoje, ao qual também vocês são enviados”…“Se vocês não deixaram ainda os limites do ‘gueto tradicionalista’, por favor, façam isso hoje.

    Uma pergunta, cardeal: COMO???

  2. Ah, sim, eminência. Saiamos do nosso gueto. Mas para quê? Surtiu algum efeito os ditos “ecclesiæ dei”?
    O senhor mesmo nos coloca no gueto quando faz distinção entre uso moderno e antigo do “rito romano”…

  3. Perfeito!
    Não existem católicos tradicionais, progressistas, moderados, de direita ou de esquerda. Há tão-somente católico.
    Em tempo: Hoje, dia 19 de setembro (terça-Feira, Tuesday, Martes, Martedi, Dienstag, Mardi, Martis Dies, ka-yo-u-bi, Mangalavdra, Tyrsdagr e demais idiomas) corresponde a data que, historicamente, ocorre a liquefação do sangue de São Januário. No centenário de Fátima, se o fenômeno (ateus) ou milagre (crentes) não se repetir nesta data, como ocorreu em dezembro de 2016, o que ocorrerá na Terra (só o tempo responderá).
    Vale a admoestação de Cristo Jesus: Convertei-vos pois o Reino de Deus está próximo!
    A tábua de Salvação é a Consagração ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria.
    O tempo urge, pessoal!
    Saiba mais sobre o Milagre de São Januário:
    “Por que o milagre de São Januário é tão importante?
    O mundo inteiro está falando do sangue de São Januário. Mas você sabe, afinal, em que consiste o milagre da sua liquefação e o que ele realmente significa?
    Não é a primeira vez que o milagre da liquefação do sangue de São Januário vira notícia recentemente. Em 21 de março de 2015, dia incomum para a ocorrência do fenômeno, os restos sanguíneos do padroeiro de Nápoles se dissolveram à vista do Papa Francisco, conforme também nós reportamos aqui. Agora, no último dia 16 de dezembro, o que causou estranheza mundo afora foi justamente a ausência do milagre, a qual, como já dito, “sempre esteve ligada a momentos nefastos da história da cidade” italiana.
    Considerando toda a atenção que se vem dando a este acontecimento de caráter realmente sobrenatural, transcrevemos abaixo uma pequena matéria, publicada no blog português Senza Pagare, que descreve de modo bem resumido em que consiste este milagre e qual é, afinal, a sua importância.
    No passado dia 16 de dezembro, ao contrário do habitual, não aconteceu o milagre da liquefação do sangue de S. Januário, em Nápoles.
    Este milagre acontece 3 vezes por ano: 19 de setembro, dia de S. Januário; 16 de dezembro, porque nesse dia, em 1631, foi feita uma procissão com as relíquias de S. Januário que impediu a iminente erupção do vulcão Vesúvio; no sábado que antecede o primeiro domingo de maio, dia da primeira trasladação do corpo do santo.
    As datas da liquefação do sangue de São Januário são celebradas com grande pompa e esplendor.
    As relíquias são expostas ao público, e se a liquefação não se verifica imediatamente, iniciam-se preces coletivas. Se o milagre tarda, os fiéis convencem-se de que a demora se deve aos seus pecados. Rezam então orações penitenciais, como o salmo ” Miserere”.
    Quando o milagre ocorre, o Clero entoa um solene Te Deum, a multidão irrompe em vivas, os sinos repicam e toda a cidade rejubila.
    Entretanto, sempre que nas datas costumeiras o sangue não se liquefaz, isso significa o aviso de tristes acontecimentos vindouros, segundo uma antiga tradição nunca desmentida.
    O sangue de São Januário está recolhido em duas ampolas de vidro, hermeticamente fechadas, protegido por duas lâminas de cristal transparente. A ampola maior possui 60 cm cúbicos de volume; a menor tem capacidade de 25 cm cúbicos. Em geral, o sangue endurecido ocupa até a metade da ampola maior; na menor, encontra-se disperso em fragmentos.
    A liquefação do sangue produz-se espontaneamente, sob as mais variadas circunstâncias, independentemente da temperatura ou do movimento, o sangue passa do estado pastoso ao fluido e, até, fluidíssimo. A liquefação ocorre da periferia para o centro e vice-versa. Algumas vezes, o sangue liquefaz-se instantânea e inteiramente, ou, por vezes, permanece um denso coágulo em meio ao resto liquefeito. Varia o colorido: desde o vermelho mais escuro até o rubro mais vivo. Não poucas vezes surgem bolhas e sangue fresco e espumante sobe rapidamente até o topo da ampola maior.
    Trata-se verdadeiramente de sangue humano, comprovado por análises espectroscópicas.
    Há algumas peculiaridades, que constituem outros milagres dentro do milagre liquefação, há uma variação do volume: algumas vezes diminui e outras vezes aumenta até o dobro. Varia também quanto à massa e quanto ao peso. Em janeiro de 1991, o Professor G. Sperindeo fazendo uso, com o máximo cuidado, de aparelhos de alta precisão, encontrou uma variação de cerca de 25 gramas. O peso aumentava enquanto o volume diminuía. Esse acréscimo de peso contraria frontalmente o princípio da conservação da massa e é absolutamente inexplicável, pois as ampolas encontram-se hermeticamente fechadas, sem possibilidade de receber acréscimo de substâncias do exterior.
    A notícia escrita mais antiga e segura do milagre consta de uma crônica do século XIV. Desde 1659, estão rigorosamente anotadas todas as liquefações, que já perfazem mais de dez mil!
    Quanto à chave de interpretação com que devemos ler esse milagre (ou, no caso, a ausência dele), é a reação dos próprios fiéis napolitanos que nos ensina: ” Se o milagre tarda, os fiéis convencem-se de que a demora se deve aos seus pecados”. É a luta contra os nossos pecados, portanto, o que nos deve preocupar de modo especial ao sabermos que São Januário não quis operar o seu costumeiro milagre diante do povo de Nápoles.
    Mais do que traçar conjecturas sobre o que acontecerá no mundo, mais do que perguntar que tipo de desgraça pode se abater sobre a humanidade, o momento presente pede oração e penitência. E essa é a mensagem não apenas do sangue de San Gennaro (como o chamam os italianos) ou da aparição de Nossa Senhora em Fátima, cujo centenário está às portas, mas de toda a revelação cristã. “Se não vos converterdes”, afinal, diz o próprio Senhor, “perecereis todos do mesmo modo” (Lc 13, 3).
    Essas palavras são muito sérias. O cristianismo é coisa muitíssimo séria. Mas, pelo visto, poucos de nós estão dispostos a emendar-se de vida e atender aos apelos que o próprio Céu nos tem feito com tanta insistência, especialmente nas últimas décadas. Nossos pecados se multiplicam indefinidamente, levando-nos para longe da presença de Deus, como mostrou a Virgem de Fátima aos três pastorinhos, e nós ficamos a pensar em que tipo de catástrofe se irá suceder aqui ou acolá, este ano ou ano que vem, preocupados com desastres físicos e materiais. Quando vamos acordar e perceber que a pior tragédia de todas se chama perdição das almas e já está acontecendo há muito tempo? Quando vamos abrir os olhos da fé, afinal, para enxergarmos o mundo sobrenatural à nossa volta e tomarmos então consciência verdadeira da situação em que nos encontramos?
    Repitamos com o venerável bispo norte-americano Fulton Sheen uma verdade mais do que necessária para tempos conturbados como os nossos: ” Se as almas não forem salvas, nada se salvará”. As almas, as almas cuja salvação sempre foi a lei suprema da Igreja, as almas cujo preço foi o próprio sangue de Cristo derramado na Cruz: são elas a nossa meta, porque são elas a meta de Deus! Que eventos como o milagre de São Januário — ou o silêncio de São Januário — sirvam para lembrar-nos desta realidade e ressuscitem aqueles que estão na morte do pecado para a vida sobrenatural da graça.”
    Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/por-que-o-milagre-de-sao-januario-e-tao-importante

  4. O apoio que Burke e Sarah dão à “causa da tradição”, isto é, à Igreja católica, decerto tem algum traço de saudade, por parte deles, daquilo que viram e aprenderam ser a Igreja católica (quando jovens) e essa contrafação circense e grotesca que aí está, à deriva, e sem timoneiro. A comparação é inevitável.
    Se os jovens tradícolas (habitantes da tradilândia) não têm idade para ter saudade, eles, Burke e Sarah, mais Sarah que Burke, têm.
    Sob esse aspecto, aproveita muito ler “Deus ou nada” do Cardeal Sarah. Ele faz uma bela retrospectiva da sua vida, e nos fala também dos anos de chumbo de Paulo Vi, que o fez bispo, embora sequer tivesse idade canônica para sê-lo.
    Falta-lhes talvez um pouco mais de lucidez e coragem para ver que “uma árvore boa não dá maus frutos”. Digo, o convescote de censurados, anatematizados e proscritos do Pontificado de Pio XII que viraram doutores da fé no Vaticano Dois. A “fé” do Vaticano Dois, é claro, que não é, em pontos essenciais e acidentais, a fé da única Igreja Cristo.

  5. Obrigado cardeal pelos paternais conselhos. O senhor sabe reconhecer o que em nós existe de bom e o que precisa ser melhorado. Sinto que o senhor quer o nosso bem.

  6. Pra mim o “gueto tradicionalista” é o lugar do retiro da Mulher do Apocalipse, que sofre pra dar a luz ao Cristo. Mulher contra à qual o dragão vomita, mas o vômito não a atinge. E com grandes asas voa para o lugar de seu retiro. Esta mulher é a Igreja. Aliás, o “gueto tradicionalista” é um oásis no deserto, um lugar onde se pode respirar ar puro. Todos são convidados, mas só vem quem quiser, pois não é a Igreja uma escrava a implorar de joelhos diante do mundo para que este se converta. A porta está aberta, mas só entra quem quiser. E quem não quiser, não entra. Deus preparou para a Mulher um retiro onde ela é alimentada. Trata-se de um oásis, e não de um gueto. É bom que quem não gosta procure seu espaço e deixe os outros na sua paz.

  7. “Vocês são os católicos”, isso é, os universais, diz o cardeal Sarah, portanto, os não submissos a variações litúrgicas que indicariam uma certa igreja conformada a padrões culturais, ou chegando a serem desde animados shows de auditorio em que o celebrante é o apresentador, os fieis a plateia, ora aplaudindo ou silentes ou em ações de tal modo distanciadas dos ritos católicos que mais se pareceriam sincretismos religiosos das mais diversas matizes!
    Algumas celebrações recordam exasperação das emoções, levando diversos presentes às lágrimas, como as “missas animadas” de tantos sacerdotes conhecidos, caso do Pe Marcelo Rossi, com momentos de aspersão de baldes de agua benta, muitas músicas retumbantes, em que os presentes têm “efetiva participação”!
    O modelo acima é um inverso àquelas celebrações preconizadas pelos conservadores que valorizam a catolicidade, em que estariam meditantes por todo o tempo, com músicas adequadas ao modelo não dissipante das mentes causado pelo ruído intenso, porém, contemplativas, interiorizantes e de grande proveito para a fé!
    Maior ainda é o proveito se os celebrantes forem contundentes em enumerar os vicios desse mundo de ideologistas nesse ambiente meditativo, complementando necessariamente quais são os malfeitores – contrastantes àquelas liturgias hilariantes que deterioram ainda mais o estado da alma!

  8. “nem oprimidos pelas lutas eclesiásticas das décadas atuais”

    Basta ver que tfpistas frequentam agradavelmente missas em que se concentram membros do IBP; ou a FSSPX acorre sem escrúpulos aos sacramentos oferecidos pela Administração Apostólica. Sim, muy unidos e lutando bem pouco…

  9. Não entendi o que é que tem errado ser chamado ( ou se identificar) como “tradicionalista”. É para encorajar mais aqueles “inquisidores” do setor dito “progressista” que transformam esse termo num palavrão ? Negando a identidade tradicionalista, não legitimaria mais o “gueto” e fortaleceria os próprios “progressistas” que tratam os fiéis com tal espiritualidade como algum sinal de uma “nova lepra “ou algo assim?

    • Kauê, concordo com seu questionamento. Podemos indagar: O que há de errado em ser tradicionalista? Tradicionalistas também não são católicos? Embora em outro plano, é como se um direitista negasse ser de direita por medo de receber críticas dos esquerdistas.

  10. Achei digno de toda nota este pensamento do Cardeal Sarah: Tanto que “muitas liturgias não são realmente nada mais que ‘antropocêntricas’, um teatro, um divertimento mundano, com muito barulho, danças e movimentos corporais, que se assemelham às nossas manifestações folclóricas”.

    Esse é o retrato da quase absoluta maioria das missas celebradas no Brasil. Diante de um fato desses, eu não entendo como é que certos padres, especialmente padres carismáticos, ficam mandando os fieis irem a missa todo dia. Ir a missas dessas pra quê? Missas onde o homem é exaltado e Deus é sutilmente ou descaradamente colocado de lado (em segundo plano). Missas assim, mesmo que a consagração seja válida, não santificam nem curam as pessoas porque Deus é colocado de lado e o homem é exaltado no lugar de Deus. Como esperar se santificar ou ser curado numa missa onde Deus é não é adorado como merece e, no seu lugar, se presta um culto sutil ou descarado ao homem?!?! Quão grande é a cegueira desses padres que ficam mandando os fieis irem a essas missas desacralizadas todo os dias!!!

  11. Outro dia eu assisti a uma “missa de cura” pela primeira vez. Não recusei porque fui convidado por uma grande amiga. Nunca havia assistido porque frequento a missa tridentina desde que me converti (eu já fui um ateu ignorante). Saí de lá com a sensação de ter ido a um culto de seita evangélica. Desde o sujeito que tocou guitarra no altar (deveria ser mais apropriado chamar de palco), à homilia do padre, passando pelas velhinhas que batiam palminha e se abraçavam e pelo corpo de Nosso Senhor sendo distribuído por uma dona vestida de branco da cabeça aos pés. Depois, a leitura do evangelho feita por uma outra dona, de roupa comum de trabalho, enquanto o padre ficava encostado no fundo de braços cruzados (não havia altar antigo, mas uma simples parede lisa). No final, mais abracinhos, beijinhos, palminhas, e o padre se despedindo de todos benzendo os fiéis com um sinal da cruz feito às pressas, de qualquer jeito, incompleto. Ao menos não ouvi nenhuma pregação militante esquerdista. Eu não duvido da boa intenção das pessoas que estavam lá, inclusive do padre, mas fui incapaz de reconhecer o elemento sagrado daquela missa. Talvez eu seja conservador, tradicionalista, reacionário, o que queiram me chamar, mas o fato é que eu sou não sou tão velho ainda e nasci após o Concílio. Não tenho saudades de nada, pois não vivi o passado, só tenho sensibilidade para reconhecer o que é sagrado e o que não é, o que é católico e o que não é.

    • Leonardo, bem lembrado as missas de cura e libertação. Também não nego a boa intenção das pessoas que vão a essas missas e nem a boa intenção de ALGUNS padres que celebram essas missas, porque, do outro lado, há certos padres celebram essas missas mais por motivações pessoais do que pelo desejo de fazer o bem ao próximo. Mas o aspecto anti-litúrgico dessas missas é flagrante, dá muito nas vistas. E aqui entra uma outra questão que é o atendimento a pessoas com algum distúrbio diabólico: será que a missa é o lugar apropriado para atender pessoas com problemas espirituais graves, como distúrbios diabólicos?! Por que não um atendimento individual a essas pessoas, fora da missa?

  12. Eminência, sou católico tradicionalista! E com muito orgulho! Rejeito liminarmente essa falsa opção proposta: ou tradicionalista ou católico. Ser católico tradicionalista significa fazer uma proclamação de Fé na doutrina bimilenar pregada por Santos e Doutores, pelo Magistério, ilustrada pelo testemunho de santidade de incontáveis pessoas. Não é um gueto, não é um cárcere para as consciências. É a cor mais expressiva, o teor mais denso, a fina ponta da catolicidade, nestes tempos tão maus em que as trevas parecem vencer a luz.

  13. Dorothy Cummings McLean
    NEWSCATHOLIC CHURCH Ter Set 19, 2017 – 10:51 am.
    O Bispo D Schneider: O Papa não é o “dono” das verdades católicas … Os que têm medo de enfraquecer a unidade da Igreja criticando os ensinamentos do Papa Francisco devem lembrar que o Papa é servo da Igreja, disse D Schneider. “Ele é o primeiro que tem que obedecer de forma exemplar a todas as verdades do Mistério imutável e constante, porque ele é apenas um administrador e não um dono das verdades católicas …
    ” O Papa deve “se ligar constantemente e Igreja a obediência à palavra de Deus “, acrescentou.
    D Schneider disse também que quando um papa tolera erros e abusos generalizados, os bispos não devem se comportar como os “funcionários servos” do papa.
    D Schneider se antecipou e espondeu às dubia!

  14. É isso ai como dizia o velho professor Orlando, Sou simplesmente católico Apostólico Romano!

  15. São Pio X ele mesmo usou a expressão “tradicionalista”. Também achei de uma ambiguidade absurda essa colocação do Cardeal Sarah. Não adianta, onde está a contradição, ali não estou eu. Não empresto meus ouvidos a Sarah. Essa lisonja boba serve mais aos neoconservadores, “papaventos”, “salvadores de papéis”, que são os que querem salvar a letra do concílio.