Um testemunho do Milagre do Sol: “Se não fosse católico, nesse momento ter-me-ia convertido”.

Bernardo Motta reuniu em livro cerca de centena e meia de testemunhos do Milagre do Sol. O livro sai no último dia das celebrações do Centenário das Aparições de Fátima. Leia aqui um dos depoimentos.

Por Observador, 12 de outubro de 2017 –

Há 100 anos, a 13 de outubro de 1917, dezenas de milhares de pessoas assistiram, à hora prevista, ao chamado “Milagre do Sol” — um sinal pedido a Nossa Senhora por irmã Lúcia, três meses antes, para que todos acreditassem nas aparições de Fátima. Bernardo Motta recolheu cerca de centena e meia de depoimentos de testemunhas oculares, que transcreveu e reuniu num livro. O Milagre do Sol segundo testemunhas oculares chega às livrarias esta sexta-feira — o dia em que se encerram as celebrações do Centenário das Aparições de Fátima.

O Observador pré-publica um desses depoimentos: o de Luís António Vieira de Magalhães e Vasconcelos.

«Depoimento que faz pela sua honra e pela sua fé de cristão, Luís António Vieira de Magalhães e Vasconcelos, solteiro, advogado e oficial do registo civil no concelho de Vila Nova de Ourém, sobre os factos ocorridos nas proximidades do lugar da Fátima, deste concelho, no ano de 1917. Já há meses corriam variadas versões de que a Virgem Nossa Senhora aparecia nas proximidades do lugar da Fátima a umas pequenas pastoras. Eu tinha conhecimento dessas versões e sabia que era grande a afluência de gente de várias categorias sociais ao local indicado pelas referidas pastoras, principalmente nos dias 13 de cada mês, pois eram os dias em que estas diziam que se davam as aparições. Tais boatos começaram a interessar-me e por esse motivo pretendi então informar-me do que se passava. Falando com algumas pessoas que lá tinham estado no dia treze de setembro, umas declararam-me que nada tinham visto, outras que tinham visto uma estrela, outras faziam descrições fantásticas. Tão pouca uniformidade havia nos seus depoimentos que me convenci de que se tratava de uma “blague” sem o menor fundamento. Esta minha convicção mais se avigorou, quando dias depois falei com um venerando sacerdote deste concelho, que me disse ter sabido casualmente que as pequenas pastoras tinham em casa um livro onde se descreviam os milagres de Nossa Senhora de Lourdes e da Virgem de La Salette. Este venerando Sacerdote mostrava-se pouco inclinado a acreditar na sinceridade das revelações feitas pelas pequenas.

Escrupulosamente, conservava-se na espectativa, alheio a tudo, como alheio a tudo se tem conservado e conserva o clero deste concelho. Pela minha parte pensei então que a imaginação das crianças podia deixar antever toda a possibilidade de uma visão irreal, meramente subjetiva. Podia também tratar-se de uma mistificação de intuitos espetaculosos ou lucrativos e por isso entendi que era dever não me fazer eco desses boatos que visavam um assunto tão grave e tão melindroso. Com o insucesso só a Nossa Religião poderia perder.

Por isso, quando se falava no caso, de aí em diante, mostrei sempre mais descrença do que espectativa. Foi nestas disposições de espírito que eu, no dia 13 de Outubro, próximo passado, pela primeira vez me dirigi para o local das aparições. Era curioso; não era um romeiro. Na véspera e antevéspera desse dia, e mesmo durante a noite, eu vi uma enorme multidão atravessar esta vila em direcção à Fátima. De longes terras vinham ranchos de camponeses, na sua maior parte descalços, que cheios de fé e devoção atravessavam esta terra, entoando cânticos religiosos como o “Bendito” e o “Queremos Deus”. Alguns com quem falei já vinham de catorze léguas de distância, mortos de fome e de fadiga, mas mostravam-se esperançados e contentes. Estes eram por certo os romeiros. Veículos de toda a espécie, desde a carroça desconjuntada até à “limusine” perfumada, atravessavam também a terra numa fila interminável. Estes últimos eram talvez na sua maior parte os curiosos, os “mirones”. Tive informações de que nas estradas de Torres Novas e de Leiria a concorrência foi igual. Como atrás deixei dito, no dia 13 parti para o local das aparições, logo de manhã, às oito horas, aproximadamente. Acompanhavam-me meus irmãos António e Fernando. Logo à saída daqui, a chuva começou caindo copiosamente, tornando as estradas num contínuo lamaçal. O vento soprava rijo, principalmente nas alturas da serra da Fátima. Pelas estradas continuava ainda enorme concorrência. Passámos ao lugar da Fátima e seguimos pela estrada que liga este lugar com a vila da Batalha. A chuva continuava caindo torrencialmente. À distância de um quilómetro, aproximadamente, vimos uma multidão de muitos milhares de pessoas que de preferência se aglomerava nos outeiros. Seriam trinta mil pessoas, seriam cinquenta mil? Ninguém o poderia dizer ao certo. Parámos. Centenas de carros e automóveis, pejavam por completo a estrada enlameada. No fundo do vale, por entre a multidão, consegui divisar uns toscos postes de madeira clara que se assemelhavam a um trapézio, os quais eram encimados por uma pequena cruz, segundo depois observei de mais perto. A chuva era agora menos intensa.

O sol continuava escondido entre grossas nuvens pardacentas. Em volta do trapézio a que me referi, aglomerava-se um numeroso grupo. Era o local indicado pelas pastoras, no qual se concentravam todas as atenções. A paisagem naquele ponto é agreste e nada tem de interessante. Montes na maior parte cobertos de pedra e urze. Alguns carvalhos e azinheiras de pequeno porte alternam com um pinhal escasso que fica para os lados do nascente. Aqui e além, baixas paredes de pedra solta, quase desmoronadas, afirmam alguma estrema. Encontrei nessa ocasião, bastantes pessoas das minhas relações tanto de Lisboa como de vários pontos afastados daqui. Quase todas perguntavam a minha opinião, talvez com particular interesse, por saberem que vivia nesta região. A todas respondi, sorrindo incredulamente, que tudo era uma “blague”. “Que como católico, me não repugnava acreditar na possibilidade de um milagre mas que por isso mesmo que era católico, é que não acreditava, enquanto esse milagre se não operasse por uma forma evidente, inconfundível. Que o próprio clero do concelho duvidava também, segundo me constava”. Entre outras pessoas, lembro-me que disse isso à esposa do Snr. Emílio Infante da Câmara, de Vale de Figueira e a seus filhos Emílio e José, ao Dr. Gualdim de Queirós, de Cernache de Bonjardim, ao Snr. José Rino de Alcobaça e a sua esposa, a Senhora Dona Capitolina Guimarães Rino. Tentei aproximar-se do ponto onde estavam as pastoras que era junto do trapézio a que me referi anteriormente, a uns duzentos metros da estrada, mas não o consegui, tão compacto era o círculo de gente que se formava em volta delas. Assim não as consegui ver nem ouvir nessa ocasião; percebi apenas que oravam.

Voltei para cima, para a estrada, e aproximei-me do Snr. José Rino e de sua esposa que estavam junto da sua “limusine” conversando com várias pessoas. Foi então que estes meus bons amigos que desde criança me conhecem pediram a minha opinião que lhes manifestei pela forma que anteriormente expus.

Mostraram-se quase indignados e disseram-me “que para eles não restava a menor dúvida de que se tratava de um milagre, pois que eles já anteriormente, no dia 13 de Setembro último, ali tinham estado e tinham presenciado no sol extraordinários fenómenos luminosos, precisamente à hora indicada pelas pastorinhas; que o clero não estava bem informado e que, se eu duvidava, que esperasse”. Como insistir seria inconveniência, calei-me, mas fiquei absolutamente convencido de que nada veria. Recordei então, como já por várias vezes tinha recordado aquele princípio de Gustave Le Bon que se resume à corrente hipnótica que a domina. Era preciso precaver-me, não me deixar influenciar. Esse meu amigo, tirando o relógio disse-me: faltam cinco minutos, à uma hora olhe para o sol, foi a hora anunciada pelas pastorinhas, depois me dirá. Isto surpreendeu-me pois que para onde eu tencionava olhar e para onde eu julgava que todos olhariam era para o local onde se encontravam as pastoras. Constava-me que elas tinham afirmado que nesse dia se daria uma coisa que depois disso ninguém poderia duvidar. O céu nesse momento estava duma cor plúmbea. A chuva tinha parado. O sol não se via, encoberto pelas nuvens, e ninguém diria que ele tornaria mais a aparecer nesse dia tão chuvoso e tão desabrido. À uma hora em ponto, ouço um grande clamor. Esses meus amigos gritam-me: olhe, olhe, mas eu a princípio apenas via nuvens correndo ligeiras deixarem o sol a descoberto. De repente vejo uma orla intensamente cor-de-rosa, circundar o sol que se assemelhava a um disco de prata fosca, como já alguém disse, ao mesmo tempo que me dava a impressão de que este se deslocava da sua primitiva posição. Nuvens diáfanas, vaporosas, um tanto roxas, um tanto alaranjadas, perpassavam. Em vários pontos da linha do horizonte, contrastando com a cor plúmbea do céu, eu vi também manchas cor-de-rosa e amarelas. O clamor cada vez era maior. Isto não durou segundos: durou talvez minutos. Ao observar estas manifestações, que não duvidei um momento fossem devidas à Infinita Omnipotência de Deus, uma indiscritível impressão se apoderou de mim.

Sei apenas que gritei, creio, creio, creio, e que as lágrimas caíam dos meus olhos, maravilhado, extasiado, perante essa demonstração do Poder Divino. Sei também que não senti a menor sombra de receio ou terror. Se não fosse católico, nesse momento ter-me-ia convertido. Lembro-me também que não ajoelhei mas a maior parte das pessoas caíram de joelhos sem se importarem com o enorme lamaçal. Então estes fenómenos escapam à previsão da ciência e não escapam à previsão de umas pequenas pastorinhas da serra, que os anunciam com uma precisão verdadeiramente matemática?!… Demais, sendo eles tão deslumbrantes, tão maravilhosos?!

Fui procurar meus irmãos que me disseram ter presenciado o mesmo, assim como as restantes pessoas que encontrei, variando um tanto as descrições do que observaram no sol. Às pessoas a quem tinha classificado o caso de “blague” disse-lhes o que vira e que estava agora absolutamente convencido de que estávamos em face de um milagre. O astro-rei brilhava agora intensamente e não mais deixou de brilhar nesse dia, assim como não tornou a chover. Quase no momento da partida encontrei o meu amigo Emílio Infante da Câmara que me disse ter ido ver as pastoras e que estas tinham dito: que a guerra acabaria brevemente, ou que acabaria de ali a oito dias (não posso precisar). Disse-me também que elas estavam vestidas com “toiletes” de primeira Comunhão. Começava a debandada. Regressámos a casa.

Algumas semanas depois voltei ao local das aparições para entrevistar as pastoras. Desejava conhecer essas crianças. Acompanharam-me minha mãe, a Baronesa de Alvaiázere, minha irmã, Maria Celeste, e o meu particular amigo Conde do Juncal, e sua Ex.ma Mulher, que então eram nossos hóspedes. Junto da Igreja da Fátima parámos e pedimos que nos dissessem onde se encontravam as pastorinhas. Disseram-nos que deviam estar no local das aparições e que o pastorinho que as acompanhava e a quem a Virgem também aparecia que estava ali próximo e que o iam chamar. Pouco depois apareceu este.

Era uma criança de dez a doze anos, trajando à moda do campo, bastante alegre e despreocupado, ao que parecia. Convidámos o pequeno a acompanhar-nos ao que ele se prontificou logo, saltando sorridente para o automóvel que nos conduzia. Fizemos-lhe várias perguntas mas ele sorria mais do que falava, mostrando-se muito deslumbrado com as várias peças do automóvel. Junto do local, em frente de uma mesa de madeira bastante velha, onde estava colocado um Crucifixo, várias pessoas oravam. Lá estava o tronco da azinheira cortada e os tais postes de madeira dos quais pendiam duas lanternas de lata. Ajoelhámos e rezámos também. A pequena Lúcia, aquela a quem a Virgem aparecia, conversava a certa distância com alguns forasteiros. Esperámos que estes a deixassem e aproximámo-nos dela. Esta era uma criança dos seus doze anos, de feições grosseiras e de cor muito macilenta. Estava vestida pobremente, à moda do campo, tendo ao peito uma pequena flor de papel vermelho e nas mãos um pequeno cofre, onde tilintavam algumas moedas. Tinham um ar tristonho e sombrio. Narrou-nos a aparição da Virgem da forma que já é de todos conhecida. Que a Virgem lhe dissera “que nós tínhamos ofendido muito a Deus e que nos emendássemos”. “Que fizéssemos ali uma capelinha e que lhe pusessem o nome da Senhora do Rosário”. “Que a guerra acabaria em breve”. Perguntando-lhe minha irmã o que vira ela no sol na ocasião do milagre, respondeu “que vira S. José”. Perguntei-lhe também se ela não tinha receado que se não desse o milagre pois que o povo a poderia matar julgando que ela estivesse enganando todos, disse-me com certa energia “que sabia que o milagre se daria e que por isso nem em tal perigo tinha pensado”. Disse-nos também que já tinha anteriormente ouvido contar os milagres da Senhora de Lourdes. Uma mulher que dizia ser tia dela auxiliava-a algumas vezes nas respostas e fazia várias considerações sobre um segredo que elas tinham e que a ninguém o revelavam embora já lhes tivessem feito vários prometimentos sedutores e até as tivessem ameaçado de que as deitariam a um poço ou de que as queimariam se elas o não revelassem.

Disseram-nos ainda que as esmolas que recebiam eram para a construção de uma capela e que dessas esmolas era depositária outra mulher que ali se encontrava. Informaram-nos também ali que a pequena se encontrava fatigadíssima com a constante série de perguntas que toda a gente lhe fazia. A referida pequena, umas vezes me parecia concentrada, outras vezes me parecia distraída. Devo declarar que a impressão que me deixou não foi boa, ou foi pelo menos muito diferente da que eu esperava. Uma criança cheia de lógica, de coerência e de perspicácia seria também de recear. Se apesar dessas aparências estava ali uma criatura escolhida por Deus para uma tão assombrosa revelação, não posso eu dizê-lo. No regresso, parámos novamente junto da Igreja da Fátima; ali conseguimos falar à outra pequena, cujo nome não me recorda. Subiu ao estribo do automóvel que nos conduzia mas não conseguimos arrancar-lhe uma palavra por mais diligências que empregámos para esse fim. Tinha esta aspeto muito jovial e uns olhos expressivos. Devia ter sete ou oito anos de idade. Do que venho expondo concluo duas coisas que pelos menos aparentemente brigam uma com a outra. A primeira: se Deus não quisesse mostrar a todos os que foram ao local das aparições, que eram exatas as revelações feitas pelas referidas pastoras, teria a Sua Infinita Omnipotência impedindo que se dessem essas deslumbrantes manifestações tão extraordinárias no Sol e no Céu, as quais toda a gente que estava nesse local, observou no dia 13 de Outubro, próximo passado, e que foram anunciadas pelas mesmas pastoras, e só por estas, com grande antecedência e com uma precisão da hora e local absolutamente matemáticas. A segunda: tendo as mesmas pastoras declarado que a Virgem Nossa Senhora lhes dissera que a guerra acabaria brevemente e sendo certo que esta ainda não acabou, teremos de concluir que as pastoras faltam à verdade, pois a Virgem é que por certo se não enganava, nem tal é admissível. Que se referiam à guerra europeia, não há dúvida pois que, segundo ouvi dizer, as referidas pastoras ainda acrescentaram que os nossos soldados em breve regressariam à pátria, mas não poderá o advérbio brevemente ser tomado numa acepção mais lata e não poderá assim referir-se a um período de tempo maior dos que os três meses que aproximadamente já decorreram? Não podia haver qualquer equívoco por parte das mesmas crianças na interpretação das Expressões Divinas? Que o digam aqueles que têm de proferir o seu “veredictum” sobre este assunto gravíssimo, porque se assim fôr, por completo desapareceram todas as contradições para só ficar de pé em todo o seu esplendor a minha primeira conclusão, isto é, a de que as pastorinhas falam verdade e se estas falam verdade não pode haver dúvidas de que foi um milagre o que se deu no dia 13 de Outubro próximo passado, nas proximidades do lugar da Fátima. Não cabem nos moldes deste depoimento quaisquer considerações científicas ou filosóficas e por isso me limitei a narrar circunstanciadamente o que vi e observei, com toda a exactidão e com toda a imparcialidade, desapaixonadamente, o que mais uma vez juro pela minha fé de cristão e afirmo pela minha honra.

Vila Nova de Ourém aos trinta de Dezembro de mil novecentos e dezassete.

Luís António Vieira de Magalhães e Vasconcelos

 

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16 Comentários to “Um testemunho do Milagre do Sol: “Se não fosse católico, nesse momento ter-me-ia convertido”.”

  1. O milagre do sol foi uma grande misericórdia de Deus para com a humanidade. Acredito que, se não fossem os nossos pecados, veríamos muito mais milagres estupendos ocorrendo também em nossos dias. Como, porém, cada vez mais os homens vão abandonando a Lei Divina, então Deus, em justa punição de seus pecados, deixa que sigam seu caminho sem serem muito ‘incomodados’ pelos chamados da Graça à conversão – no fim desse caminho, todavia, o inferno os espera. O maior castigo, sem dúvida, que Deus pode enviar à humanidade apodrecida no pecado é precisamente deixá-la seguir ‘tranquilamente’ em seu caminho para o abismo. “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno…”

  2. A melhor leitura para um dia tão especial como hoje!
    Deus recompense o Fratres in Unum!

  3. Onde compro este livro?

  4. Não há a menor dúvida de se tratar de uma extraordinária manifestação sobrenatural, foi como que o supremo esforço do amor do Senhor Deus para com o mundo pecador para que se convertesse, proporcionando pelos testemunhos dos presentes acordarem a humanidade que já naquele tempo afundava nos erros e não se interessava em se arrepender!
    Imaginemos, pois, a diferença para muito pior de hoje, quando o pecado é ostensivo e praticado de forma desafiante às Leis do Senhor Deus e simultaneamente visto e instigado em imensas multidões, podendo-se quase imaginar nesses devassos e atrevidos praticantes das perversões, quem sabe haveria uma possível possessão coletiva?
    Assim, esse milagre visou atrair todos os de boa vontade e dispostos para conhecerem, aderirem à fé católica e a se dedicarem com entusiasmo e devoção ao estabelecimento de uma sincera e permanente amizade com o Senhor, procurando cultivarem o direito, a justiça, o amor fraterno e rejeitando o mundanismo para que se estabelecesse a paz, não a do mundo, aquela tão somente de ausencia de conflitos internos e guerras.
    A grandeza desse fato é testemunha da dimensão infinita do poder divino, oportunizando-nos a felicidade que a amizade e o amor do Senhor Deus proporcionam a todos os seus filhos que buscam humildes e agradecidos servi-Lo, disso decorrer sua tão desejada e eficaz proteção nessa vida – para a outra, alcançarem a salvação.

  5. Eu sinceramente achei bem estranho o relato sobre o comportamento das crianças.
    Certo indiferentismo, afinal, elas acabaram (ou pelo menos estavam vendo naquele período), de ver Nossa Senhora!
    Não quero julgar baseado na minha imaginação, mas francamente, a cena do cofrinho, a mulher não identificada que ajudava nas respostas e tal senhora que era depositária das esmolas, muito me lembrou essas crianças que pedem dinheiro nos sinais de transito, com a mãe ao longe.
    Outra dúvida minha, é sobre o nome milagre. O anúncio feito pela Diocese de Leiria, por Dom Jose Alves Correia da Silva em outubro de 1930, declara que é digno de crença as visões das crianças pastoras na Cova da Iria, paróquia de Fatima, durante o período de 13 de maio até 13 de outubro. E que, portanto, oficialmente permite o culto a Nossa senhora de Fatima.
    Pergunto: qual o esclarecimento oficial que a comissão investigadora fez sobre esse milagre?
    Outra pergunta:
    Existe outro documento oficial da Santa Sé sobre Fatima ente o período de 1930 e 1958?
    E, por fim, mais uma dúvida minha, sobre a objetividade do milagre relatado, não parece perfeitamente claro, dá uma impressão de uma confusão de nuvens, luzes e cores. O autor cita até mesmo a linha do horizonte, que, supostamente não deveria ter relação nenhuma com o milagre do “sol”. O que eu quero dizer é que esse milagre deveria se opor de maneira clara ao que já entendido como natureza, como por exemplo, um santo entrar no fogo e não se queimar, sabemos que o fogo queima, fica fácil a constatação do milagre. Portanto, o que exatamente houve em oposição, ao que se conhece de natural? Cores, nuvens e luzes?
    Agradeceria qualquer esclarecimento de algum colega que conheça bem o que a doutrina católica ensina sobre a correta definição de milagre.
    .
    .
    P.S, Já ouvi dizer que o sol se moveu, ora, isso materialmente catastrófico, provocaria destruição, portanto, essa afirmação é absurda. Se provocou através do sentido da visão, uma impressão de que o sol se moveu, então não seria milagre, seria uma visão.

    • Prezado sr. Roberto,
      há um livro excelente (em francês) sobre a questão dos milagres, que eu gostaria de lhe indicar (bem como aos demais interessados); trata-se de uma obra escrita por um muito erudito Cardeal contemporâneo a São Pio X:
      “LE MIRACLE: SA NATURE, SES LOIS, SES RAPPORTS AVEC L’ORDRE SURNATUREL – TRAITÉ PHILOSOPHICO-THÉOLOGIQUE” – Cardinal Alexis Marie LÉPICIER, O. S. M.
      Nos 20 capítulos dessa obra, o Cardeal destrincha meticulosamente a questão dos milagres sob diversos pontos de vista; seu livro foi expressamente louvado pela Santa Sé na época da publicação.
      Pode ser acessado, em versão completa, neste link:
      http://christ-roi.net/index.php/Cardinal_L%C3%89PICIER,_Le_Miracle

    • Quer dizer que o sol se mover é absurdo mas um homem andar sobre uma fogueira e não se queimar não é? Ora, o fogo, de acordo com sua lógica, deveria ter um efeito catastrófico na pele do homem mas não teve, onde está a diferença?

  6. Sr. Roberto Santana,

    Não posso responder com o rigor que o senhor com razão deseja, e também eu notei essas coisas que o senhor aponta, mas não nos esqueçamos que se trata de um testemunho de terceiro que,como tal, passa pelo subjetivismo do autor, tanto na compreensão dos fatos quanto na escolha das palavras para descrevê-lo. A mim também pareceu pouco piedoso, mas é bem provável que, apesar de bastante católico e finalmente convencido da veracidade das aparições, a testemunha ainda assim relate um pouco mais secamente do que estamos acostumados quando ouvimos falar de Fátima, como se isto fosse próprio da personalidade da testemunha mesmo.

    Ademais, não são raros os relatos sobre a ignorância e a pouca verossimilhança dos relatos das crianças, sobretudo por se tratarem de pessoas muitíssimo rústicas, camponesas; à descrição de Lúcia já li até mesmo gente bastante fiável praticamente a chamando de “feia”. Aparentemente, absolutamente ninguém que soubesse juntar 2 letras acreditaria nos relatos daquelas crianças, como a própria mãe de Lúcia, “uma santa”, segundo o seu relato, mesmo agraciada por um milagre de Nossa Senhora, “nunca acabava de crer”.

    Essas perplexidades aparentemente refletem bem o estado de pouca fé de todos nós.

    A despeito disto tudo, o testemunho cheio de doçura fica por conta das memórias da própria Irmã Lúcia, a quem, suponho, Nossa Senhora mandou que fosse à escola para um dia nos dar o testemunho mais fiel de todos. E assim se deu: o mais lindo, e esse sim, dando o devido acento àquilo de mais sobrenatural, com riqueza de detalhes esses sim causadores de moção à alma.

    O Padre Portocarrero de Almada teceu comentários sobre a cientificidade do milagre do sol. Eu particularmente discordo dele, cujo artigo me pareceu bastante racionalista. Está no site de origem do post. Quem sabe lá o senhor encontrará algo de mais científico e menos empírico do que minhas impressões. Fique com Deus!

    • Prezado FEC,
      Obrigado por suas considerações, sem dúvida, existem essas particularidades, esses pormenores, na avaliação desse relato sobre essas crianças.
      Agradeço a indicação do link, entretanto, venho tentando compreender a relação do milagre com o comportamento do que é conhecido, entendido e aceito como natural no mundo criado. Estou lendo ainda sobre o conceito de milagre na Enciclopedia Catolica.
      Portanto, espeto compreender melhor o que foi o Milagre do Sol.

  7. No dia 13/out/2017 passaram-se 100 anos do milagre do Sol ocorrido na última aparição da Virgem em Fátima.
    Penso que os 100 anos concedido por Deus a satanás atacar a Igreja expirou-se, segundo a visão do santo padre o papa Leão XIII.

    O Tempo da Misericórdia (última tábua de salvação da humanidade) está se encerrando…
    Iniciar-se-á o Tempo da Justiça, predito pelas profecias bíblicas. Conversão rápida, penitências, orações do rosário, confissões mensais, jejuns, leitura da bíblia são as palavras de ordem para os soldados de Maria em ordem de batalha.

    Preparemo-nos, irmãos, para os tempos de provação da Grande Tribulação. Mas “onde abundou o pecado, superabundou a graça”, nos revela S. Paulo. Senão, vejamos:

    Ontem, dia 13/out, realizamos a reza do Terço em desagravo às ofensas dirigidas GRATUITAMENTE contra a FÉ CRISTÃ E SÍMBOLOS CRISTÃOS levada a cabo pela satânica exposição:
    “Faça vc mesmo a sua capela Sistina”, Pedro Moraleida (artista que se suicidou), em cartaz no Palácio das
    Artes de Belo Horizonte. Estiveram presentes religiosos e leigos católicos, inclusive nossos irmãos na fé os Protestantes. Aí está o verdadeiro ecumenismo, pois só há duas religiões, contra ou a favor de Cristo.

    Tal espaço cultural é bancado pelo rico contribuinte de BH, cujo prefeito é ateu. Essa exposição promove a pedofilia, a pornografia, blasfêmia contra a fé cristã e símbolos cristãos (A cruz é pisada pelos visitantes – vide link abaixo). Pior. Quem colocou o ex-presidente do clube de futebol (Atlético mineiro) na política foi o jovem deputado federal Marcelo Aro (“católico”). Lembremo-nos de que há Trigos e Joios misturados na seara do Senhor e que os maiores inimigos da Igreja estão infiltrados nas suas fileiras (profetizou o papa Bento XVI).

    Alegremo-nos, cristãos, pois chegaram os TEMPOS FINAIS!!!

    Vem, Senhor, Jesus!

    https://www.google.com.br/search?q=fa%C3%A7a+vc+mesmo+sua+capela+sistina&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiYrqTS3fDWAhWJx5AKHbo1D6UQ_AUICigB&biw=1280&bih=918

  8. Caro Roberto Santana, esse seu questionamento sobre o comportamento dos pastorzinhos de Fátima nos remete a outro grande milagre e dogma da Igreja que é a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora.
    Desde os primórdios do Cristianismo, Maria é venerada como “ Áiepartenon”, isto é, “Sempre Virgem”. Maria permaneceu sempre virgem, antes, durante e após o parto fazendo de Jesus seu único filho, cuja concepção e nascimento são considerados milagrosos.
    O nascimento de Cristo não diminuiu a integridade virginal de sua mãe, mas santificou-a. Da mesma forma, podemos dizer que Deus ao se utilizar do elemento humano para realizar um milagre não viola nem sua liberdade e nem tampouco a sua humanidade.
    Os pastorzinhos eram camponeses rústicos e assim permaneceram. Mas suas virtudes naturais se acentuaram pela vida de santidade que levavam.
    Eu tive a oportunidade de conversar com a sobrinha de Lucia em Fátima, a senhora Maria dos Anjos e ela me contava que Lucia era uma pessoa absolutamente normal que sempre lhe pedia pra que não se esquecesse de rezar o Rosário todos os dias porque muitos não rezavam, porque muitas almas vão para o inferno porque não há quem reze por elas.
    A senhora Maria dos Anjos também me contou que sempre que era possível a sua família ia visitar Lucia no Convento e ela também ia junto.
    Em Pontevedra as Irmãs do Convento das Dorotéias também nos relataram que Lucia era como as demais irmãs e lá não se mencionava as aparições de Fátima, mas devido ao grande número de pessoas que iam lá atrás dela, foi-lhe indicado o Carmelo de Coimbra.
    Quanto aos milagres por intercessão dessas crianças, basta você procurar saber do motivo pelo qual elas foram canonizadas.
    https://geska.smugmug.com/Postagens/n-BrZPZB/i-n9kjv6X/A

  9. Prezado bhartolomeu,
    Muitíssimo obrigado pela indicação do livro.
    Mesmo com grande deficiência que tenho no idioma francês, farei todo o esforço na leitura do livro.
    Muito bom.

  10. Cara Sra. Gercione!

    Mais um Dia do Professor aqui no Brasil. Obrigado por nos ensinar com seus comentários. Deus te abençoe e melhoras.

  11. Anderson Fortaleza ,
    Quando nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz a Terra ficou em trevas, não somente Jerusalém, o eclipse milagroso foi constatado em outros lugares da Europa. O milagre é sensível aos olhos de todos, não somente aos olhos de alguns, o efeito do milagre é evidente, portanto, qualquer pessoa que estivesse no hemisfério da terra virado para o sol na determinada hora, seria capaz de ver o deslocamento do sol, de um simples acampamento beduíno no deserto da África do Norte, até cidades como Londres, Paris e pelo menos toda a Europa e o continente africano, o deslocamento, mesmo que milagroso, seria visto por muitos.

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