Coluna do Padre Élcio: O Matrimônio segundo Santo Tomás de Aquino.

“Este sacramento é grande, mas eu o digo em relação a Cristo e à Igreja” (Efésios V, 32).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

No Suplemento da 3ª Parte da Suma Teológica, nas questões 41-68, o Doutor Angélico fala sobre o Matrimônio. Da questão 42 traduzirei na íntegra o artigo primeiro:

ART. I – Se o matrimônio é um sacramento.

Este primeiro artigo discute-se assim: parece que o matrimônio não é sacramento. [Seguem-se cinco argumentos que são objeções pretendendo provar o contrário da verdade, isto é, que o matrimônio é um sacramento].

matrimonio1. Pois, todo sacramento da Lei Nova tem uma forma que é da essência dele. Ora, a bênção dada pelo sacerdote nas núpcias não é da essência do matrimônio. Logo, o matrimônio não é sacramento.

2. Demais: O sacramento, segundo Hugo (lib. I De sacram., IX, c. II) é um elemento material [=sinal sensível]. Ora, o matrimônio não tem por matéria nenhum elemento material. Logo, não é sacramento.

3. Demais: Os sacramentos tiram da Paixão de Cristo a sua eficácia. Ora, pelo matrimônio não nos conformamos com a Paixão de Cristo, que foi um pena; pois o matrimônio é acompanhado de prazer. Logo, não é sacramento.

4. Demais: Todo Sacramento da Lei Nova realiza o que figura. Ora, o matrimônio não opera a conjunção entre Cristo e a Igreja, que significa. Logo, o matrimônio não é sacramento.

5. Demais: Nos outros sacramentos há a realidade e o sacramento. Ora, tal não pode dar-se com o matrimônio, que não imprime caráter; do contrário não seria reiterado. Logo, não é sacramento.

SED CONTRA.  Mas EM CONTRÁRIO é o que São Paulo diz em Efésios, V, 32:

Este sacramento é grande. Logo, etc.

2. Ademais o Sacramento é sinal de uma coisa sagrada. Ora, tal é o matrimônio. Logo, etc.
RESPONDO dando a SOLUÇÃO: O sacramento tem por fim ministrar um remédio de santificação contra o pecado, remédio que se apresenta sob sinais sensíveis. Ora, como tal se dá com o matrimônio, é contado entre os sacramentos.

DONDE A RESPOSTA À 1ª OBJEÇÃO:   As palavras com que se exprime o consentimento matrimonial são as formas deste sacramento; mas não a bênção sacerdotal que é um como sacramental.

RESPOSTA À 2ª OBJEÇÃO: O sacramento do matrimônio se consuma pelo ato de quem o recebe, assim como a penitência. Por onde, como o sacramento da penitência não tem outra matéria senão os dotes mesmos que caem sob o domínio dos sentidos e que têm lugar de elemento material, assim também se dá com o matrimônio.

RESPOSTA À 3ª OBJEÇÃO:  Embora pelo matrimônio não nos conformamos com a Paixão de Cristo como pena, conformamo-nos porém com ela pela caridade com que Cristo sofreu pela Igreja que se lhe ia unir como esposa.

RESPOSTA À 4ª OBJEÇÃO: A união entre Cristo e a Igreja não é a realidade contida neste sacramento, mas a realidade significada mas não contida; e essa realidade nenhum sacramento a produz. Ma tem outra realidade contida e significada que produz, como dissemos (ad 5). O Mestre porém (IV, dist. XXVI) se refere à realidade não contida, por pensar que o matrimônio não é causa de uma realidade que possa conter.

RESPOSTA À 5ª OBJEÇÃO:  Também o sacramento do matrimônio encerra esses três elementos. Porque o que constitui só o sacramento são os atos externos aparentes; a realidade e sacramento é o laço resultante de tais atos, que prendem o homem à mulher; a realidade última contida é o efeito deste sacramento; e a não contida é a realidade, que
designa o Mestre.

Da questão 67 traduzirei na íntegra o artigo primeiro:

ART. I  –  Se a indissolubilidade do matrimônio é de lei natural. Este primeiro artigo discute-se assim: parece que a indissolubilidade do matrimônio não é de lei natural.

1. Pois, a lei da natureza é comum para todos. Ora, nenhuma lei, senão a de Cristo, proíbe repudiar a esposa. Logo, a sua união inseparável com o marido não é de lei natural.

2. Demais.  –  Os sacramentos não foram instituídos pela lei natural. Ora, a indissolubilidade do matrimônio pertence ao bem do sacramento. Logo, não é de lei natural.

3. Demais.  –  A união dentre homem e mulher se ordena principalmente à geração dos filhos, à criação e à instrução deles. Ora, tudo isso se realiza num tempo determinado. Logo, depois desse tempo, é lícito ao marido separar-se da esposa, sem colidir em nada com a lei natural.

4. Demais.  –  O fim principal do matrimônio é o bem da prole. Ora, a dissolubilidade do casamento contraria esse bem; porque, como dizem os filósofos, não pode ter filhos de uma mulher um homem que também poderia tê-los de outra, e a qual por seu lado também poderia conceber de outro homem. Logo, a indissolubilidade do matrimônio é antes contrária à lei da natureza, que estabelecida por ela.

SED CONTRA. – Mas em contrário.  –  Aquilo sobretudo é de lei natural, que a natureza teve, desde o seu princípio, como bem instituído. Ora, tal é a indissolubilidade do matrimônio, como fica claro em Mateus, XIX. Logo, é de lei natural.

Ademais é de lei natural que o homem não desobedeça a Deus. Ora, de certo modo podia desobedecer-Lhe se separasse os que Deus uniu.  Como, portanto disto se conclui a indissolubilidade do matrimônio em Mateus XIX, 6: vê-se que ela é de lei natural.

RESPONDO dando a SOLUÇÃO:  Deve-se dizer que o matrimônio por intenção da natureza se ordene para a educação da prole, não só por algum tempo, mas por toda a vida deles. Por isso é de lei natural que os pais entesourem para os filhos, e estes sejam herdeiros dos pais (2 Cor. XII, 14). Logo, sendo os filhos o bem comum do marido e da esposa, deve a sociedade conjugal ficar perpetuamente indissolúvel, segundo o ditame da lei natural. E assim conclui-se que a indissolubilidade do casamento é de lei natural.

DONDE A REPOSTA À 1ª OBJEÇÃO: Deve-se dizer que só a lei de Cristo conduziu o gênero humano à perfeição restituindo-lhe o estado novo da natureza [como Deus a fizera no início]. (ndt. : Seria um absurdo afirmar que no estado atual da humanidade, de um paganismo prático, a Lei de Jesus Cristo deva ficar só no papel, porque a misericórdia deve ir ao encontro dos recalcitrantes para abraçá-los com o pecado e tudo.

Mas, dirão os modernistas: e os filhos? Respondo: A primeira coisa que os pais devem fazer é não escandalizá-los e sabemos o que o Supremo Legislador disse a respeito do escândalo. Mas continuemos acompanhando o Santo Doutor. Por isso à lei de Moisés nem às leis humanas foi possível fazer desaparecer tudo o contrário à lei natural; isto estava reservado só LEI DO ESPÍRITO E DA VIDA [destaque meu], (cf. Rom. VIII, 2).

RESPOSTA À 2ª OBJEÇÃO: A indissolubilidade é natural ao matrimônio, como símbolo da perpétua conjunção entre Cristo e a Igreja, e como exigido pela sua função natural, ordenada ao bem da prole, como se disse. Mas porque a separação do matrimônio mais diretamente repugna à significação do sacramento do que ao bem da prole, a que só por consequência repugna, como foi dito na q. 65, a. 3: por isso a indissolubilidade do matrimônio se entende antes, como para o bem do sacramento que para o da prole. Embora possa estar compreendido tanto num como noutro bem. Ora, enquanto pertencente ao bem da prole, será a indissolubilidade de lei natural; mas não enquanto pertinente ao bem do sacramento.

RESPOSTA À 3ª OBJEÇÃO: A solução fica patente pelo que foi dito.

RESPOSTA À 4ª OBJEÇÃO: O matrimônio principalmente se ordena ao bem comum, em razão do fim principal, que é o bem da prole; embora em razão do fim secundário também se ordene ao bem comum da pessoa que o contraiu, pois o casamento é, em si mesmo considerado, remédio à concupiscência. Por isso, nas leis reguladoras do matrimônio mais se consulta ao interesse geral que a casos particulares. Assim, pois, embora a indissolubilidade do matrimônio impeça o bem da prole num caso particular, contudo convém a esse bem absolutamente considerado. Por isso a objeção não colhe.

Queremos ainda pedir a atenção de todos para mais alguns tópicos da Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino no que diz respeito ao matrimônio:

No artigo V da q. 62  Santo Tomás prova que a mulher repudiada não pode casar com outro: “O Apóstolo diz: ‘Mando, não eu, senão o Senhor, que a mulher se não separe do marido; e se ela se separar, que fique sem casar’ (1 Cor. VII, 10). Demais. – Ninguém pode tirar qualquer vantagem do pecado. Ora, tirá-la-ia a adúltera a que fosse lícito contrair núpcias mais desejadas; e daria isso ocasião de adultério aos desejosos de contrair novo matrimônio. Logo, não é lícito contrair novo matrimônio, nem ao homem nem a mulher. “Nada que venha sobre o matrimônio pode dissolvê-lo [Nihil adveniens supra matrimonium potest ipsum dissolvere]. Pois, como diz Agostinho, ‘o vínculo conjugal subsiste entre ambos por toda a vida, nem pode ser quebrado pela separação ou pela união com outra pessoa. Portanto, enquanto vive um não pode o outro passar a segundas núpcias'(lib. I De nupt. et concupisc., cap. X). Portanto, enquanto vive um não pode o outro passar a segunda núpcias. (Idem ad 3: “Embora a mulher, depois do divórcio, não esteja obrigada a cumprir o dever conjugal para com o marido adúltero e a coabitar com ele contudo ainda subsiste o vínculo matrimonial que a obrigava. Portanto não pode contrair outro casamento, durante a vida do marido.

No Supl. da 3ª Parte, questão 42, a. II, Santo Tomás prova que o matrimônio devia ser instituído antes do pecado e mostra, outrossim, que este bem do matrimônio foi instituído diversamente conforme os diversos estados humanos: “Em Mateus XIX, 4 diz: ‘Não tendes lido que quem criou o homem desde o princípio fê-los macho e fêmea?

Demais: O matrimônio foi instituído para a procriação dos filhos. Ora, já antes do pecado era necessário ao homem essa procriação. Logo, o matrimônio devia ser instituído antes do pecado. SOLUÇÃO: A natureza inclina para o matrimônio tendo em vista um bem, que varia segundo os diversos estados em que vivem os homens. Por isso, e necessariamente, esse bem foi instituído diversamente conforme os diversos estados humanos. Por isso, o matrimônio, enquanto ordenado à procriação de filhos, necessária mesmo antes de existir o pecado, foi instituído antes do pecado. Mas enquanto remédio contra as feridas causadas pelo pecado, foi instituído depois do pecado, no tempo da lei da natureza. Quanto, porém, a determinação de pessoas, a instituição teve lugar na lei de Moisés. Mas enquanto representa o mistério da união entre Cristo e a Igreja, foi instituída na Lei Nova, sendo assim sacramento dessa lei. Quanto enfim às outras utilidades resultantes do matrimônio,… haure sua instituição na lei civil.  –  Mas como um sacramento deve por essência ser um sinal e um remédio, o matrimônio é um sacramento em razão das instituições intermediárias de que foi objeto. Pela sua primeira instituição, porém foi estabelecido como uma função natural; e quanto à última, desempenha o papel de um ofício social”. Respondendo à 4ª objeção que assim foi formulada: “A instituição de um sacramento deve ser feita por Deus. Ora, antes do pecado, as palavras referentes ao matrimônio não foram determinadamente proferidas por Deus, mas por Adão. Quanto às palavras pronunciadas por Deus em Gen. I, 28: “Crescei e multiplicai-vos, também se aplicam aos brutos, para os quais não há matrimônio. Logo…

Santo Tomás responde: “O matrimônio foi instituído por Deus antes do pecado, quando formou o corpo da mulher de uma costela de Adão, dando-lhe a este como companheira e dizendo-lhe: Crescei e multiplicai-vos. As palavras que, embora também as tivesse dito aos animais, não deviam contudo ser realizadas pelos brutos do mesmo modo como pelos homens. Quanto a Adão, foi por inspiração de Deus que pronunciou essas palavras,(cf. Gên. II,23 e 24) para que compreendesse que a instituição do matrimônio foi feita por Deus”.

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5 Comentários to “Coluna do Padre Élcio: O Matrimônio segundo Santo Tomás de Aquino.”

  1. Quando pergunto aos mais velhos sobre a igreja antes do CVII, a maioria diz que hoje esta melhor, mas se aprofundar a conversa, veremos eles nos dizerem “…antigamente a igreja mentia, dizendo que tudo era pecado. Depois do CVII os padres passaram a dizer a verdade…”Pois entendam, quando os ventos do CVII começaram a soprar, as pessoas saíam confusas dos confessionários, tudo que valia antes não valia mais. Os padres diziam que havia mudado, oras, se uma verdade pode mudar, então significa que não é uma verdade absoluta, é assim que os mais velhos do povo entendem.

    • Fico honrado que meu breve comentário levantou tanta reflexão. Então vou expor um pouco de minha história.

      Nasci em 28//04/1971,dia de São Luís Maria Grignion de Monfort, e fui Batizado no dia de Santo Atanásio, meus pais me deram essa nome por causa do filme “Marcelino Pão e Vinho”, que, aliás, eles nem assistiram, só ouviram a história contada por um frei em sua juventude.
      Pois bem, a lembrança mais antiga que tenho, é de como gostava do colo de minha mãe. Angustiava-me ficar longe dela, como as vezes, quando meu avô me levava para passear em um caminhão de um vizinho. A lembrança dessas horas de angustia eu não esqueci, e eu deveria ter um ano apenas.
      Da mesma forma eu me sentia quando era levado a Igreja, falando sério, me sentia do mesmo jeito, como se faltasse alguma coisa.
      Minha avó me deixava olhar um antigo livro de piedade que possuía, era um resumo da Bíblia e antes de aprender a ler, aquelas imagens foram a minha catequese.
      Mas quando aprendi a ler, aqueles papeluchos da missa abalaram minha fé. Eu lia os sermões prontos no final, que na verdade os padres não usavam. Nessas homilias prontas, carregadas de teologia da libertação, Jesus Cristo era reduzido a mero professor de moral e revolucionário, seus milagres eram reduzidos a meros símbolos, e Nossa Senhora era apenas uma cozinheira dos ricos, porque estaria cozinhando nas bodas de Caná, tal qual as mulheres fazem nas festas de igreja. Daí, a saber, que faltava vinho. A multiplicação dos pães virou partilha, a Paixão e morte por nossos pecados se tornou a “opressão nas mãs dos poderosos”, e em vez dos católicos rezarem em contrição e piedade para alcançarem o Céu, passou-se a pedir revolução neste mundo.
      Não conseguia entender como essa igreja conseguiu sobreviver por 2000 anos. A resposta mais obvia me parecia aquela dada pelos professores que faziam curso de socialismo em Cuba, isso já nos anos 80, as quais prefiro nem comentar, pois todos já conhecem.
      O tempo passou, eu cresci, mas ir à missa era obrigação, eu tinha apenas o sentimento de buscar salvação, e de que não havia salvação fora da igreja. Eu gostava das histórias da Bíblia, da vida dos Santos, mas não passava disso, e hoje vejo que com meus amigos daquela época era mais ou menos assim também.
      Ir a missa era com se fosse um fardo, não era raro eu cochilar durante a celebração, até mesmo durante as escandalosas missas carismáticas. Eu era indiferente.
      Foi assim até 2014, quando comprei um livro que diretamente não falava de religião, mas me ajudou a abrir os olhos. O livro é “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” do professor Olavo de Carvalho. Através desse livro, em artigos que foram escritos nos jornais desde 1999, o professor falava da igreja de um jeito que eu nunca tinha ouvido nenhum padre falar, o que era ensinado nas escolas estava errado, a Igreja católica não era aquela instituição da qual os professores falam até hoje.
      Em seguida, um amigo emprestou-me o livro de Tom Woods, “Como a Igreja católica construiu a civilização ocidental”, onde eu descobri que longe de ser obscura e ignorante, a idade média foi um período de luzes, e nossa civilização não existiria sem a igreja.
      O próximo passo aconteceu em parte com meu filho, no ensino médio. Ele teve um professor, ex-testemunha de Jeová, convertido, que nos emprestou o livro do professor Roberto De Mattei, “O concílio Vaticano II – A história nunca escrita”.
      Através desse livro, eu descobri que esse concílio, tão celebrado pela Igreja, não tem nada para ser comemorado, pelo contrário, foi o início dessa demolição do sagrado que vemos até hoje.
      Esse amigo do meu filho, nos falou sobre a missa tridentina. Até ali eu só tinha ouvido dizer que a missa em latim ninguém entendia, e que o concílio melhorou a missa, e eu pensava “puxa vida, se é tão chata hoje em dia, imagine antes”. Pois sermões dos padres nos anos 70/80 não ajudavam nada, eram recheados de teologia da libertação, o que fez muitos católicos abandonarem a igreja, eu vi acontecer. Bom, esse nosso amigo nos convidou a conhecer a missa em rito ucraniano, já que missa tridentina não tem aqui na nossa região, e lá fomos nós em meu fusquinha, até a cidade de Itaiópolis, no planalto norte catarinense.
      Chegando lá, me surpreendeu a importância que os padres basilianos dão a confissão, pois aqui no vale do Itajaí, confissão só pedindo, e eles nem nos ouvem direito, vão logo absolvendo. E a missa então? Que maravilha, pouco me importou que o idioma usado fosse o ucraniano, eu vi, eu senti. O padre faz reverencia voltado para o sacrário, benze o altar, a missa é centrada no Cristo, na Eucaristia, a Eucaristia, aliás, é dada na língua, em duas espécies. Não achei nada estranho ele estar de costas para o povo, na verdade, achei natural, foi ali que me senti como que voltando aos braços de minha mãe, estava em segurança, sem dúvidas. Eu entendi a liturgia, tudo fez sentido. Eu estive no céu, e não queria voltar. Quando a missa terminou, meus olhos estavam molhados de emoção, e nosso amigo, sabendo o que eu sentia me disse, “o católico reconhece a sua missa”.
      Em 2016, eu finalmente conheci a missa tridentina, e o que posso dizer? É ir ao céu, aqueles cantos em latim me tocam fundo, com disse antes, me sinto no colo de minha mãe outra vez.
      Quem me dera se o Espírito Santo me tivesse dado o dom da palavra, como os grandes pregadores, pois eu tentei falar com nossos padres sobre isso, e eles me olham como se eu fosse um retardado, até mesmo o bispo, e recentemente um deles ficou de mal comigo porque tentei mostrar a ele o que sentia.
      Que coisa linda é a missa tridentina, aquela igrejinha enche de jovens, com sede de Cristo e cientes da doutrina que seguem. Aqui na minha cidade a maioria dos que vão á igreja são velhos que já nem sabem direito o que é ser católico, tornaram-se protestantes na mentalidade e nem se dão conta disso. Sei disso, pois os ouço negar partes do credo, e até mesmo dos mandamentos. Há os saem da missa e vão ao culto evangélico, ao centro espírita ou terreiro de macumba, imagine. E diga alguma coisa para eles? Ficam bravos, dizem que é lá que se sentem bem.
      E nossos padres?
      Quando nossa cidade fazia parte da diocese de Joinville, era mais ou menos, mas depois Blumenau virou diocese. Dom Angélico Sândalo Bernardino, primeiro bispo, mandou tirar os Sacrários e Cruzes dos Altares, ficou só uma mesinha e às vezes uma imagem de Cristo ressuscitado, altares laterais foram demolidos. Os Sacrários foram colocados em capelas laterais, que lembram armários de vassouras, na matriz Santa Inês, aqui em Indaial, pasme, ao lado da entrada, ou seja, quando as pessoas se ajoelham, o Sacrário esta as nossas costas.
      Dom Angélico aposentou-se e veio Dom José Negri, quis restaurar tudo, mas sofreu oposição daqueles que deram dinheiro para as reformas dos altares, assim está até hoje.
      Saiu Dom José, veio Dom Rafael Biernaski. Estou preocupado, de repente parece que voltamos aos anos 70/80, os padres falando de “povo oprimido”, “opção pelos pobres”, “justiça social”, enfim teologia da libertação. Onde esta o “buscai primeiro o Reino de Deus”? Parece que foi escondido junto com os Sacrários.
      Na quaresma de 2016 eu vi um jovem pedir ao padre para tornar-se católico, pois era evangélico, e para meu espanto, o padre disse, “fique lá”. Uma das diretrizes do concílio, a Igreja não quer mais converter ninguém, dizem eles que todas as religiões salvam.
      Eu procuro ler o que encontro que seja anterior ao concílio, e olhe, encontrei tesouros. As encíclicas dos Papas anteriores á João XXIII, o catecismo do concílio de Trento para Sacerdotes, Patrística, A Legítima interpretação da Bíblia, de Lúcio Navarro, os livros de São Luís Maria Grinion de Monfort.
      Eu encontrei rochedos que jorram palavras de vida eterna, e porque os padres não falam mais assim?
      Li recentemente também O derradeiro combate do demônio, do padre Paul Kramer, e Pedro tú me amas? De Daniel Leroux. Que mostram as consequências do modernismo.
      As vezes penso se estou sozinho vendo a tempestade que esta escurecendo o horizonte.

  2. Acompanho as palavras do sr. Marcelino Pachuczki, embora não seja da época anterior ao CVII, fui criado no hoje denominado movimento “Tradicionalista” da Diocese de Campos-RJ. Nessa época dos anos 80 e 90, os membros a antiga União Sacerdotal São João Vianney, formavam uma diocese vamos dizer assim paralela à de Campos, o catolicismo anterior ao CVII permanecia firme e fiel à Igreja de vinte séculos. Os padres sempre com seu hábito clerical, baluartes da Doutrina e da Moral Católica. Basta dizer que homens não eram bem vistos na comunidade se trajassem bermudas, eu fui repreendido ainda no tempo de catecismo, publicamente por estar de bermuda, isso com uns 9 anos de idade. Depois disso nunca mais passava frente a igreja assim. As mulheres então, somente saias a baixo do joelho, inclusive as meninas, mesmo na rua e em casa. Festas da cidade, mundanas, era caso de suspensão de comunhão, ou expulsão da Cruzada Eucarística, e de outras associações religiosas. Contudo éramos chacota das pessoas da cidade, pois nada de fazer parte de festinhas, usar roupas “indecentes”, me lembro que para edução física nas escolas, as meninas eram de certo modo constrangidas, pois exigiam o uso de shorts delas. Mas recebíamos os ensinamentos que um São Domingos Sávio recebeu de D.Bosco, as meninas tinha o exemplo de Santa Maria Goretti e Santa Terezinha. Nos meses de maio e outubro a verdadeira devoção à Mãezinha do Céu, florescia com reza diária do Santo Rosário, das 5:30 da manhã até ás 19:00 horas, alternando o grupo de pessoas que o faziam na igreja inacabada. No mês de maio era comum ainda a coroação de Nossa Senhora, no sábado e domingo. Somente as meninas possuíam esse privilégio, mas para merecê-lo era necessário estar em dia com ás obrigações de uma alma temente a Deus. Nós meninos, corríamos para poder acolitar a Santa Missa, até nos “estranhávamos” por isso, que Deus nos tenha perdoado, mas era uma justa causa. Enfim, a moral e o bom comportamento, não só nos átrios da igreja, eram observadas por todos, desde as crianças aos adultos. Hoje quando vejo que o relativismo adentrou a Igreja, onde as cerimonias apenas retratam, como muitos clérigos dizem, uma mera peculiaridade, mero costume, mera tradição do rito antigo, da moral antiga, é como que tudo era um mero conservadorismo simplório, radical, sem valor algum para Deus. Se assim for, muitas almas se salvaram pois não observaram essas “peculiaridades”, e hoje riem de nós que eramos chamados de “filhos do padre”, “barata de sacristia”; as meninas e senhoras de “beatas”, “maria-mijonas” ( por causa das saias compridas). Ia me esquecendo de “excomungados”, “sem papa”, seita, etc. Quando passo pelo centro do Rio de Janeiro, minha cidade atual, vejo aquela multidão de pessoas que correm para lá e para cá, sem saber para onde e de onde, pois correm, corremos por questão de trabalho, estudo, passeio, mas e depois? Existe uma “religiosidade”, em toda igreja, templo, que passo sempre tem alguma pessoa lá, rezando, ou descansando, ou ainda participando de uma Missa, mas por mais que agora, ou melhor coisa tudo,é aceito, não consigo acreditar que tudo que aprendi lá na mato, seja hoje supérfluo para salvar minha alma. Espero que não me entendam como soberbo, como aquele fariseu que sobe ao templo para rezar. Mas os Dez Mandamentos não foram revogados, não expressamente, ainda não venho o próprio Deus e ensinou algo diferente do que Seu Divino Filho ensinou. As aparições,sobre tudo de Fátima, não foram contrárias a nenhum ensinamento da Sã Doutrina, e são bem atuais pois só reiteram oração e penitência, como Nosso Senhor já havia pedido. Apesar de todo mal que a mídia prega, não nos é lícito comportar como os que não reconhecem a Deus. O ecumenismo nefasto que se prega é ateísmo, pois se rejeita ao Deus Verdadeiro, e constrói-se uma panteon para os falsos deuses. Realiza aquilo que aconteceu com São Paulo, chegando ao panteon dos pagãos encontra lá altares para vários deuses, e ao contemplar um altar inscrito ao deus não conhecido, ele então diz, que é esse deus que ele veio pregar. O Deus dos cristãos não era cultuado, porque Ele só quer o culto para Ele: de fato é Ele o Único e Verdadeiro Deus.

    • Eu sou de 88 (S. A. de Pádua). Fui batizado já na União Sacerdotal. Também vi e vivi esta realidade. Bons tempos! Tudo fizemos sem qualquer apoio da Igreja oficial (digo falsa Igreja), pelo contrário, tivemos e ainda tenho que encarar todo tipo de perseguição que vomitaram e vomitam contra um povo não numeroso…
      Deus abençoou e socorreu muito este pobre, pequeno e pecador Povo!
      Ele ainda tem muito a dar àqueles que, abandonados pela Roma nova, agredidos como por uma bofetada de Satanás, no entanto buscam fazer o que podem.
      É impressionante a imagem e a cena, que não presenciei, mas outros viram e sentiram, daquele povo saindo de suas igrejas com seus sacerdotes sendo chutados e expulsos! E Roma não sabia de nada…
      Sou feliz e satisfeito por nunca ter tido qualquer vínculo com a nova Diocese de Campos. Prefiro carregar o título de cismático, herege, doido etc do que estabelecer laços com aquela gente.
      A única Igreja de Campos que conheci e conheço é a União Sacerdotal, atual Administração Apostólica.
      Aos irregulares, acho que seja melhor permanecerem assim, até que a falsa Igreja volte à Fé da verdadeira.
      Abraço

  3. *”Quanto ao Sacramento do Matrimônio, que simboliza a união de Cristo com a Igreja, será atacado e profanado em toda a extensão da palavra. …. Impor-se-ão leis iníquas com o objetivo de extinguir esse Sacramento, facilitando a todos viverem mal, propagando-se a geração de filhos mal-nascidos, sem a bênção da Igreja. Irá decaindo rapidamente o espírito cristão.
    “Apagar-se-á a luz da Fé até se chegar a uma quase total e geral corrupção de costumes. Acrescidos ainda os efeitos da educação laica, isto será motivo para escassearem as vocações sacerdotais e religiosas” (II,6 e 7).
    Se até dentro da Igreja exstem varios conspirando contra o Matrimonio e aprovando o Estado laico – embora seja Estado ateu-militante – imaginemos os de fora, anti familia? A conspurcação do Sacramento do Matrimônio, aprovação do aborto e dos contraceptivos de varias modalidades não poderiam ter chegado ao seu ápice sem a omissão ou aprovação em diversos países do sedizente “casamento” homossexual por falta de seria oposição de tantos da Igreja, a começar do Vaticano, esse havendo globalmente varios o apoiando!
    Nesse mundo material-ateísta atual onde o matrimonio se realiza por paixões, interesses pessoais, “inve$timento” de parte de um dos nubentes, escolhas e mais motivações de cunho material, até as crises financeiras afetariam certos casais; assim, a relação conjugal não firmando no amor transcendente e no amor-doação, em Deus, nas graças que Ele concede para ambos resistirem às tentações e crises, naufragará, quase com certeza!
    Assim, não conservando a unidade que prometeram sob quaisquer circunstancias, nesses momentos, poderiam surgir acusações entre si, ora de sentimentos de inferioridade ou superioridade, e a falta de recursos poderia se tornar o “bode expiatório” e colocarem a união estável sob a fé ser posta ao sabor de circunstancias materiais, a ponto de separação, ainda mais nesse mundo que privilegia o bem estar e o conforto material como primordial numa familia moderna!
    Às vezes, pensamos que a infidelidade começa quando um dos parceiros se entrega a uma nova “paixão” –
    as tentações não faltam – mas ela pode começar bem antes ao nos fecharmos em nós mesmos, analisando os erros um do outro e piorando se os desnudarem a terceiros. De nada adianta tal atitude que, além de envenenar o relacionamento, pode colocar na mão de falsos conselheiros que, infelizmente se alimentam e até se alegram em fomentar a divisão entre os dois, como por interesses pessoais e varios mais motivos futeis.
    * N Senhora do Bom Sucesso.