A “perspectiva protestante” das “teologias da libertação”, como “parte da teologia moderna”.

Por Hermes Rodrigues Nery – FratresInUnum.com, 9 de novembro de 2017

Tanto na Mensagem de Natal à Cúria romana (2005), quanto à exposição que fez ao clero romano (em 14 de fevereiro de 2013), Bento XVI permaneceu convicto de que as incompreensões do Concílio Vaticano II se deram pelo modo como os mass media estimularam e se simpatizaram por “uma hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”1, causando confusão, “e também de uma parte da teologia moderna”2.

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Talvez esteja aqui, nessa colocação, o que aproxima e o que distancia Joseph Ratzinger do grupo que elegeu Jorge Mário Bergoglio, em 2013. Isso porque certos tradicionalistas dizem que tanto Ratzinger, quanto Bergoglio estão em sintonia com a mesma visão modernista de Igreja, a diferença está apenas no grau, sendo que Bergoglio mostrou-se disposto, desde o início a pisar no acelerador, por uma revolução sem precedentes, como um novo João XXIII.

Mas Bento XVI há muito havia colocado a mão no breque, aí talvez começou a se distinguir. Na sua exposição ao clero romano, Bento XVI associou a “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”3 estimulada pelos mass media e também por “uma parte da teologia moderna”4.

Desse modo, retomou o que já havia escrito em 1984, em sua “Instrução sobre alguns aspectos da teologia da libertação”5, pontuando os seus equívocos, dentre outros fatores, da concepção que “deriva inevitavelmente uma politização radical das afirmações da fé e dos juízos teológicos”6, equívocos não somente “das teologias da libertação”7, mas das demais correntes do pensamento modernista (somadas às teologias da libertação) se impregnaram no seio da Igreja, em diversas expressões, causando assim tantas “divisões no corpo eclesial”8, especialmente depois do Concílio Vaticano II. Com isso deixou evidente de que a sua posição (principalmente em seu pontificado) não correspondia inteiramente a esta teologia moderna, que ele destacou como parte da causa de tantas dissensões internas, ad intra.

Nesse sentido, na “Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação”, Ratzinger, enquanto Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou que “como todo movimento de ideias, as ‘teologias da libertação’ englobam posições teológicas diversificadas”9 e “suas fronteiras doutrinais são mal definidas”10, pois que cedem, muitas vezes, “à tentação de reduzir o Evangelho da salvação a um evangelho terrestre”11. E explica que “sob um ponto de vista descritivo, convém falar das teologias da libertação, pois a expressão abrange posições teológicas, ou até mesmo ideológicas, não apenas diferentes, mas até, muitas vezes, incompatíveis entre si”12, com “erros que ameaçam diretamente as verdades de fé sobre o destino eterno das pessoas”13, pois “propõem uma interpretação inovadora do conteúdo da fé e da existência cristã, interpretação que se afasta gravemente da fé da Igreja, mais ainda, constitui uma negação prática dessa fé”14.

Desse modo, as teologias da libertação contribuíram para acentuar cada vez mais uma ideologização da fé, instrumentalizando setores progressistas da Igreja para fins políticos, muitas vezes em dissonância com os princípios e valores da sã doutrina moral e social católica. Isso porque “os a priori ideológicos”15 tornaram-se “pressupostos para a leitura da realidade social”16, com reducionismos e simplificações, e consequências danosas, em vários aspectos.

Ao se posicionar oficialmente, enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre a controversa obra de Leonardo Boff, “Igreja, Carisma e Poder”, em 11 de março de 1985, o então Cardeal Joseph Ratzinger afirmou que “certas opções do livro de L. Boff manifestam-se insustentáveis”17, concluindo que tais opções “são de tal natureza que põem em perigo a sã doutrina da fé”18.

Não apenas a obra intelectual de Boff, mas também a sua vida pessoal foi marcada por rebeldia, incoerência e soberba.  O próprio Boff reconheceu a importância de Lutero no seu pensamento como teólogo da libertação e também na sua atitude como revolucionário. Para Boff, Lutero “é um dos pais do espírito emancipatório moderno e um dos doutores comuns do cristianismo. Nele há inegavelmente uma aura libertária e uma coragem para o protesto que têm a ver diretamente com a teologia latino-americana de libertação”19.

Quando foi recebido na Congregação para a Doutrina da Fé, em 7 de setembro de 1984, para falar sobre “alguns problemas eclesiológicos surgidos da leitura do livro ‘Igreja: Carisma e Poder’”20, no histórico colóquio com Ratzinger, um dos problemas encontrados na obra, era justamente “a perspectiva protestante”21, como explica Antonio Carlos Ribeiro, em “Boff: diálogo com Lutero”:

“A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé tinha encontrado duas dificuldades consideradas sérias na obra ‘Igreja: carisma e poder’, que gerou a notificação, o processo em Roma e a condenação. A primeira era a perspectiva protestante. Segundo Boff, no interrogatório sobre sua teologia, lhe foi dito: ‘O teu livro é protestante, quem fala assim são os protestantes, eles não são como os católicos’. Ele reagiu: ‘Absolutamente, é o lado evangélico do protestantismo, e temos muito o que aprender com Lutero. Então, não aceito que seja o lado protestante, é o lado são da teologia, que percebe o excesso, o abuso de poder da Igreja, a soberba, e pertence à teologia ter uma palavra crítica sobre isso. E há uma tradição profética. A gente, quando é batizado, é batizado para ser profeta, além de sacerdote. Ninguém lembra de ser profeta na Igreja. Os profetas se confrontam com o poder’”22.

E certamente Leonardo Boff obteve mais admiração por Lutero, após aquele dia em que saiu da Congregação para a Doutrina da Fé, apoiado pelos amigos e defensores Paulo Evaristo Arns e Ivo Lorscheiter (na época, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Meses depois de Ratzinger ter afirmado que as suas opções colocavam “em perigo a sã doutrina da fé”23,  Boff publicou “E a Igreja se Fez povo”, dedicando um capítulo inteiro a Martinho Lutero, que exigiu “conversão e Reforma de toda a Igreja”24.

Quinze anos antes, quando Leonardo Boff esteve na Alemanha de Lutero (entre 1965 a 1970), aonde doutorou-se em Filosofia e Teologia, na Universidade de Munique, conhecera Ratzinger, que orientou a sua tese “A Igreja como sacramento no horizonte da experiência do mundo. Tentativa de uma fundamentação estrutural-funcional da eclesiologia”25. E o próprio Boff relatou a generosidade de Ratzinger, que havia ajudado a publicar a sua tese:

“Como jovem teólogo recém formado em Munique tinha dificuldade em publicar minha tese de 600 páginas. Ele se mostrou tão entusiasmado que por sua conta procurou uma editora e me deu um montante considerável de dinheiro para facilitar a publicação, coisa que agradeço no prefácio do livro. Era sobre como a Igreja pode ser sinal e instrumento do divino no mundo moderno, especialmente, em épocas de revolução. Ficamos amigos e trocávamos tudo o que escrevíamos. Outra vez quando estava na fila para cumprimentar João Paulo II em Roma, ele me tirou da fila e me apresentou pessoalmente ao papa com palavras elogiosas”26

Mas depois que saiu da sala da Congregação para a Doutrina da Fé,  aonde havia sido interrogado por Ratzinger sobre o seu livro “Igreja, Carisma e Poder”, já não havia mais o sentimento de estima e gratidão pelo professor de Teologia que tanto se empenhou em publicar a sua tese. Houve ali uma cisão, uma ruptura pessoal, uma confirmação de que ele estava do outro lado da margem do rio, que não havia mais como ele aceitar as determinações vindas de cima para baixo, numa lógica que para ele era inquisitorial. Além do rancor e do ódio que sentira, não apenas naquele dia, mas que carregou consigo, dali para a frente, tornou-se o mais implacável inimigo de Ratzinger e tudo o que ele representava enquanto Igreja. Para Boff, era preciso resistir. Ele já estava engajado na resistência contra a hierarquia, contra a instituição do papado como estava constituída, desde quando voltou ao Brasil, após seus estudos na Alemanha. Havia decidido ser o intelectual orgânico e utilizar a própria estrutura da Igreja para subvertê-la, por dentro, aparelhando-a ideologicamente, como ele mesmo conta:

“Eu chego em 1970 e encontro a CNBB numa linha, quer dizer, a Igreja no Brasil era plenamente uma igreja de resistência e falando de libertação. Logo que cheguei assumi a direção da Revista Eclesiástica Brasileira e da Revista Concilium, fui feito diretor do editorial religioso. Praticamente eu decidia tudo o que era publicado na área religiosa e me metia também na área leiga. E eu utilizei aquela máquina ideológica, utilizei mesmo, de forma consciente. Eu dizia: ‘nós temos que – era um velho sonho meu quando fui estudar na Europa – conquistar a igreja para o povo, a libertação vai entrar por aqui, no Brasil’. E incentivava tudo o que ia nesta linha de libertação, inclusive levando diretamente para as máquinas meus textos”27.

Leonardo Boff passou a apoiar e difundir a teologia da libertação, tornando-se ele mesmo um dos seus mais expressivos expoentes, agindo como o intelectual orgânico proposto por Gramsci, para, por dentro da Igreja, alargar uma rede de subversão.  A punição do Vaticano por suas ideias libertárias lhe traumatizou, mas de modo algum o silenciou, e muito menos o inibiu em seu engajamento. Não foram poucas as oportunidades em que ele se vitimizou (especialmente à imprensa), pelo silêncio que Ratzinger lhe impôs, e pelas demais sanções sofridas por causa das suas ideias e da sua visão de Igreja: “foi proibido de dar aulas, fazer conferências e escrever – destino semelhante ao de Barth na 2ª Guerra, que sofreu a mesma punição, recorreu, venceu na justiça trabalhista, mas foi demitido pelo ministro da cultura da Prússia, do Terceiro Reich – e, sete anos depois, da censura prévia a cada escrito, dos novos embates, da deposição da cátedra, da chefia editorial da Vozes e da função de redator, até desligar-se da Ordem dos Frades Menores e do sacerdócio28.

A resposta de Leonardo Boff à sua punição, foi dada com a publicação do seu livro “E a Igreja se Fez povo”, não apenas aprofundando mais ainda o seu pensamento revolucionário, como também um verdadeiro programa de Igreja libertária, ancorada no carisma de São Francisco de Assis, “patrono da opção pelos pobres” (capítulo XI) e  também a rebeldia de Lutero (capítulo XII).

“A escolha desta obra como representativa da recepção de Lutero em Leonardo Boff se deve a algumas razões. A primeira é que é representativa do período seguinte à condenação. No livro, ele está soerguendo-se, exausto e desgastado do processo jurídico-teológico, em moldes romanos e com a força institucional à mostra na sumariedade do rito, com a mesma instância na acusação, na defesa de um advocatus proautore – com o qual não pode ter contato – e na sentença, executada pela instituição, com a pompa e circunstância da época em que detinha os poderes espiritual e temporal”29.

Dom Mauro Morelli não apenas autorizou a publicação do livro “E a Igreja se Fez Povo”, como fez questão de prefaciar a obra, em 6 de janeiro de 1986, animando-o a prosseguir na causa da libertação, chamando-o de “profeta da mudança e evangelista de um tempo novo”. E ressaltou:

“Não estás sozinho (…) Enquanto grandes e fariseus se perturbam, vamos crescer  em esperança, com os pobres do mundo”30.

Impressões das minhas duas primeiras viagens a Roma, em 1993 e 1998

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1993: primeira viagem a Roma

Alguns anos depois, em dezembro de 1993, fiz a minha primeira viagem à Roma, e ainda sem informações maiores sobre a grave crise que havia dentro da Igreja, já percebia os efeitos da teologia da libertação, especialmente nos grupos de jovens, na catequese, na preparação para a crisma, etc., e também no relativismo que já grassava principalmente no meio acadêmico.

O papa São João Paulo II havia publicado a sua encíclica Veritatis Splendor, no começo do semestre daquele ano (como no ano anterior publicara também o Catecismo da Igreja Católica), confirmando a doutrina moral e social da Igreja, ressaltando na Veritatis Splendor que “modelada sobre a de Deus, a liberdade do homem não só não é negada pela sua obediência à lei divina, mas apenas mediante essa obediência, ela permanece na verdade e é conforme à dignidade do homem”31. E numa das conversas, naquela época, haviam me chamado a atenção à desobediência e à soberba de Leonardo Boff, e o quanto ele odiava Joseph Ratzinger, pelo que fizera com ele, exigindo o “silêncio obsequioso” depois que escreveu “Igreja, Carisma e Poder”.

Na redação do L’Osservatore Romano, eu estivera com Mons. Expedito Marcondes, e também passei pelos dicastérios romanos, aonde conversara com os cardeais Lucas Moreira Neves e Geraldo Majella Agnello. Não era tão unânime assim (como eu pensei que poderia ser) a afeição do clero para com João Paulo II, que Dom Geraldo reconhecia ser um “gigante da fé”32. Já se discutia, nos bastidores, a sucessão do papa Wojtila, que a cada mês parecia mais abatido, especialmente pelo Parkinson. “O papa já não tem a mesma força, mas esperava chegar a celebrar o Grande Jubileu, em 2000, que era um grande sonho seu”, me falou Dom Geraldo, ao me entregar o convite para receber a Sagrada Comunhão de suas mãos, na Missa do Galo, na véspera de Natal, na Basílica de São Pedro. “Sim, ele chegará ao Grande Jubileu, se Deus quiser, ele é forte”, respondi, agradecendo a solicitude de Dom Geraldo, que me recebeu muito cordialmente.

Conversando ainda com prelados de meia idade e até seminaristas, percebi o ressentimento de alguns pelo modo firme e claro como São João Paulo II se posicionara em relação à teologia da libertação. Mais ojeriza ainda tinham para com o Cardeal Ratzinger, que considerava “inconciliável a politização da Igreja com a fé”33. As hostilizações sofridas pelo papa João Paulo II, especialmente em suas primeiras viagens à América Latina (como, por exemplo, na Nicarágua, em 1983), sinalizavam que a teologia da libertação parecia fazer emergir uma “outra igreja”34 no seio da Igreja Católica, e que as correções que Ratzinger se propusera a fazer não foram suficientes para debelar a força de um movimento que se tornava cada vez mais insurgente contra a sã doutrina católica.

Com a queda do muro de Berlim (1989) e o fim da URSS (Natal de 1991), organismos políticos do internacionalismo de esquerda buscaram se reorganizar, priorizando a estratégia de viabilizar governos de esquerda na América Latina, através do Foro de São Paulo e outros grupos, nesse sentido. Padres e bispos alinhados com a teologia da libertação foram fundamentais para favorecer o projeto de poder dos governos de esquerda que foram se constituindo nos anos 90. Cláudio Hummes desempenhou um papel relevante para a ascensão política de Lula, a partir da Pastoral Operária, que ele fundou, assessorado por Frei Betto35. Hummes também sucedeu ao cardeal Paulo Evaristo Arns na Arquidiocese de São Paulo, alargando ainda o trabalho iniciado por Arns de fomento de pastorais sociais progressistas, muitas delas servindo de base política para partidos de esquerda, dentre os quais o PT. Mesmo punido por Ratzinger, Boff continuou exercendo forte liderança, com apoio não apenas de leigos e padres, mas também bispos e cardeais.

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1998: segunda viagem a Roma, com Dom Geraldo Majella Agnelo, na praça de São Pedro, no dia seguinte ao da beatificação de Frei Galvão.

Durante a minha segunda estada em Roma, em 1998, para a celebração da beatificação de Frei Galvão, a saúde do Papa São João Paulo II já estava bastante debilitada, e quanto mais se acentuava a sua fragilidade física, mais avançava o clero progressista, inclusive conseguindo nomeações em dicastérios romanos, numa estratégia de gradativa ocupação de postos de decisão.

Logo de manhã, bem cedo, no domingo, 25 de outubro, ao chegar na Praça de São Pedro, vi muitas bandeirinhas brasileiras erguidas por fiéis, especialmente jovens. No dia seguinte, eu havia visitado novamente Dom Geraldo, que me presentara com um exemplar da encíclica Fides et Ratio. Na época, eu era editor de uma revista católica, em São Paulo, e havia programado entrevistar alguns religiosos, numa casa que ficava a algumas quadras dos discatérios romanos. Antes, havia passado pelo Museu do Purgatório, pois também estava estudando aquele tema. Chegando na casa dos MSC, depois de esperar um bom tempo no jardim, aonde haviam belíssimas imagens sacras, fiquei chocado quando um dos religiosos me disse que aguardava com ansiedade já um novo pontificado, pois – para ele – João Paulo II dificilmente chegaria ao Grande Jubileu. Voltei a dizer que, sim, que o grande papa polonês teria força para celebrar o ano 2000. E então, ficou evidente na fala deles, e também na expressão de seus rostos, o ressentimento que tinham pelo papa (que eles consideravam retrógrado), principalmente por ele ter combatido a teologia da libertação, pelo que Ratzinger fizera com Leonardo Boff. “A esperança da Igreja está na América Latina”, afirmaram. O mesmo me haviam dito em Paris, em 1989, o que comprovou como Boff tinha influência no exterior. Do mesmo modo que Frei Betto, eles tinham também a convicção de que a Igreja de Helder Câmara, Paulo Evaristo Arns e Leonardo Boff teria ainda um dia (e muito brevemente) espaço nas instâncias decisórias do Vaticano. Mas isso – para eles – só seria possível depois do pontificado de João Paulo II.

Sinceramente não entendi o porque de tanto ressentimento, de modo especial, contra Ratzinger. A maneira hostil como eles falavam, me parecia faltar com a caridade. Ao sair da casa dos religiosos, fiquei caminhando por um bom tempo á margem do rio Tibre, até chegar ao Castelo de Santo Ângelo, aonde pude avistar a imagem de São Miguel Arcanjo. Para mim, Ratzinger havia apenas cumprido o seu dever. Mais tarde, pude compreender também as palavras de seu irmão Georg:

“O bode expiatório era sempre Ratzinger, a quem a imprensa batizou de ‘cão de guarda de Deus’, ‘cardeal blindado’ e ‘Grande Inquisidor’. ‘Há também cães de guarda de boa índole’, ele comentou com bom humor cordial.

Na verdade, ele nunca foi uma pessoa de caráter opressivo. ‘Sempre falou em um tom baixo e suave. Nunca levantou a voze nunca demonstrou raiva ou aborrecimento’, contou um de seus assessores mais próximos. ‘É um homem sem preconceitos e, em princípio, disposto a falar com todo mundo. Ele respeita a todos e nunca ataca pessoas, apenas ideias que considere erradas. Evita brigas; prefere convidar um adversário para comer com ele para explicar, com calma e em detalhes, onde reside o erro em sua opinião. Isso tudo acontece de uma forma tranquila, amigável e modesta, sem que ninguém se sinta ferido ou agredido.

No entanto, surgiu, especialmente na Alemanha e até mesmo nos círculos religiosos, uma certa distorção da imagem de Ratzinger. Quem não ousava atacar diretamente o popular e carismático João Paulo II, fazia de Ratzinger sua sombra. ‘O papa teria gostado de fazer isso’, diziam então, ‘mas Ratzinger não deixou’. Puras bobagens, como sempre souberam os que faziam parte das atividades internas. ‘João Paulo II tinha a cabeça dura de um polonês, ele nunca teria deixado que alguém conduzisse seus atos’, disse um colaborador, ‘e muito menos Ratzinger teria se atrevido a ditar qualquer regra ao papa. Ele o respeitava muito e estava longe de se julgar importante o suficiente para uma intromissão’.

Ratzinger nunca foi um homem de política ou de intriga. Ele sempre evitou a constituição de uma base de poder individual, nunca formou redes pessoais, e sempre rejeitou, por princípio, a conspiração de grupos individuais que se veem como uma nova elite. Poder, carreira e influência nunca o interessaram. Seu mundo são os livros, seu objetivo é explorar a verdade, seu propósito de vida é a fé. Quem teve a oportunidade de vê-lo uma vez em seus trajes litúrgicos entre os outros cardeais, com certeza percebeu a inocência em seus traços quase infantis, sua ingenuidade e sua devoção refletidas nas mãos cruzadas em oração. ‘Ele é um homem de oração, um dos poucos que merecem ser chamados de ‘temente a Deus’; ele celebra a missa com um fervor real – é um verdadeiro padre’, confiou-me o mesmo colaborador”36.

Ao contrário de Ratzinger, Leonardo Boff era extremamente político, de redes pessoais e de muita influência, e que esperava por um papa mais político, e mais sintonizado com as demandas do mundo globalizado, capaz de dialogar num mundo cada mais plural. Nesse sentido, Boff se exultou com a eleição de Jorge Mário Bergoglio, tendo afirmado inclusive, em entrevista no mesmo dia do Habemus Papam de 2013:  “Eu já fiz a profecia no twitter, há uma semana, que o futuro papa ia se chamar Francisco. Porque Francisco não é um nome, é todo um programa de Igreja, uma igreja simples, sem poder, ligada aos pobres, com uma relação totalmente diferente com a natureza”37.

Como Boff sabia, há uma semana do Habemus Papam, “que o futuro papa ia se chamar Francisco”38, cuja inspiração pelo nome do “Poverello de Assis”, teria sido sugestão do também franciscano Cláudio Hummes? Se Francisco é mais que um nome, mas “todo um programa de Igreja”39, por que Bergoglio esteve, desde o primeiro instante em que apareceu na sacada da Basílica de São Pedro, tão em sintonia com o programa exposto por Boff, em seu livro “E a Igreja se fez Povo”, escrito em 1985, como resposta de Boff à punição que sofrera por Ratzinger?

NOTAS:

  1. BENTO XVI, “Discurso aos Cardeais, Arcebispos e Prelados da Cúria Romana, na apresentação dos votos de Natal”, Vaticano, 22 de dezembro de 2005. http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2005/december/documents/hf_ben_xvi_spe_20051222_roman-curia.html
  2. Ibidem.
  3. Ibidem.
  4. Ibidem.
  5. RATZINGER, Cardeal Joseph, “Instrução sobre alguns aspectos da ‘Teologia da Libertação’”, Vaticano, Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 6 de agosto de 1984. http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19840806_theology-liberation_po.htmlIX – TRADUÇÃO « TEOLÓGICA » DESTE NÚCLEO IDEOLÓGICO, 6.
  6. Ibidem.
  7. Ibidem.
  8. BENTO XVI, “Homilia na Santa Missa, Benção e Imposição das Cinzas”, Basílica de São Pedro, 13 de fevereiro de 2013. http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2013/documents/hf_ben-xvi_hom_20130213_ceneri.html
  9. RATZINGER, Cardeal Joseph, “Instrução sobre alguns aspectos da ‘Teologia da Libertação’”, Vaticano, Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 6 de agosto de 1984. http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19840806_theology-liberation_po.html
  10. Ibidem.
  11. Ibidem.
  12. Ibidem.
  13. Ibidem.
  14. Ibidem.
  15. Ibidem.
  16. Ibidem.
  17. RATZINGER, Cardeal Joseph, “Notificação sobre o livro ‘Igreja, Carisma e Poder. Ensaios de Eclesiologia Militante’, de Frei Leonardo Boff, O.F.M.”, Vaticano, Congregação para a Doutrina da Fé, 11 de março de 1985. http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19850311_notif-boff_po.html
  18. Ibidem.
  19. SINNER, Rudolf von, “Leonardo Boff – um católico protestante”, Estudos Teológicos, v. 46, n. 1, p. 152-173, 2006. http://www3.est.edu.br/publicacoes/estudos_teologicos/vol4601_2006/et2006-1jrvsinner.pdf
  20. RATZINGER, Cardeal Joseph, “Notificação sobre o livro ‘Igreja, Carisma e Poder. Ensaios de Eclesiologia Militante’, de Frei Leonardo Boff, O.F.M.”, Vaticano, Congregação para a Doutrina da Fé, 11 de março de 1985. http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19850311_notif-boff_po.html
  21. RIBEIRO, Antonio Carlos, “Boff: Diálogo com Lutero”, Horizonte, v. 7, n. 13, p. 183-215, Belo Horizonte, 2008. https://pt.scribd.com/document/318431902/Boff-dialogo-com-Lutero
  22. Ibidem.
  23. RATZINGER, Cardeal Joseph, “Notificação sobre o livro ‘Igreja, Carisma e Poder. Ensaios de Eclesiologia Militante’, de Frei Leonardo Boff, O.F.M.”, Vaticano, Congregação para a Doutrina da Fé, 11 de março de 1985. http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19850311_notif-boff_po.html
  24.  BOFF, Leonardo, E a Igreja se fez Povo – Eclesiogênese: a Igreja que nasce da fé do povo, p. 194, Círculo do Livro S.A., 1986, São Paulo.
  25. BOFF, Leonardo, currículo acadêmico e de publicações, 2010. http://leonardoboff.eco.br/site/bio/cv.htm[verificar pdf da tese]
  26. SILVA, Bruno Marques, Fé, razão e conflito. A trajetória intelectual de Leonardo Boff, http://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert-2007_SILVA_Bruno_Marques-S.pdf
  27. Entrevista de Leonardo Boff a Revista Memória e Caminhada. Op. cit., p. 24. http://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert-2007_SILVA_Bruno_Marques-S.pdf.
  28. RIBEIRO, Antonio Carlos, “Boff: Diálogo com Lutero”, Horizonte, v. 7, n. 13, p. 183-215, Belo Horizonte, 2008. https://pt.scribd.com/document/318431902/Boff-dialogo-com-Lutero
  29. Ibidem.
  30. MORELLI, Mauro, prefácio ao livro “E a Igreja se Fez povo – Eclesiogênese: a Igreja que nasce da fé do povo”, Círculo do Livro S.A., 1986, São Paulo.
  31. VeritatisSplendor, 42 [ http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_06081993_veritatis-splendor.html]
  32. MAJELLA, GERALDO AGNELO, João Paulo II, O Gigante da Fé, 30 Dias, na Igreja e no Mundo, Recordando João Paulo II, as recordações de 20 Cardeais, n°. 4, 2005. http://www.30giorni.it/articoli_id_8498_l6.htm
  33. “A luta de São João Paulo II e Bento XVI contra a Teologia da Libertação”, Sanctus Angele Domini II, publicado em 28 de setembro de 2016. https://www.youtube.com/watch?v=fzKNY2FXZAE
  34. NERY, Hermes Rodrigues, “Aquela não é a nossa Igreja”, FratresinUnum.com, 14 de novembro de 2013. https://fratresinunum.com/2013/11/14/aquela-nao-e-a-nossa-igreja/
  35. BETTO, Frei, “O amigo Lula: Frei Betto narra a transformação do líder sindical do ABC em presidente”, O Globo, 4 de novembro de 2011, artigo publicado em 2002. https://oglobo.globo.com/politica/o-amigo-lula-frei-betto-narra-transformacao-do-lider-sindical-do-abc-em-presidente-2910790
  36. RATZINGER, Georg Ratzinger, “Meu Irmão, o Papa, Ed. Europa, pp. 216-217.
  37. STURM, Heloísa Aruth, “Francisco não é um nome, é todo um programa de Igreja, diz teólogo”, O Estado de São Paulo, 13 de março de 2013. http://www.estadao.com.br/noticias/geral,francisco-nao-e-um-nome-e-todo-um-programa-de-igreja-diz-teologo,1008313
  38. Ibidem.
  39. Ibidem.

Este artigo é um trecho da primeira parte do livro que Hermes Rodrigues Nery vem escrevendo, de apontamentos sobre a renúncia de Bento XVI, e de reflexões sobre a Igreja, após o conclave de 2013.

19 Comentários to “A “perspectiva protestante” das “teologias da libertação”, como “parte da teologia moderna”.”

  1. houve ruptura, infelizmente, no CVII. A proposta pastoral disfarça mas não esconde a contradição com a tradição, os documentos papais anteriores, enfim…

    • Sim, e olhe só como é incoerente a posição liberal: ao mesmo tempo que negam os erros de Bento XVI, acusando de estarem no erro “certos tradicionalistas” que “dizem que tanto Ratzinger, quanto Bergoglio estão em sintonia com a mesma visão modernista de Igreja, a diferença está apenas no grau, sendo que Bergoglio mostrou-se disposto, desde o início a pisar no acelerador, por uma revolução sem precedentes, como um novo João XXIII.”

      Mas depois, com a maior cara de pau, o mesmo autor diz que Bento XVI “deixou evidente de que a sua posição (principalmente em seu pontificado) não correspondia INTEIRAMENTE a esta teologia moderna”…

      Ah, sim…

      Deixa ver se entendi: Bento XVI não estaria em sintonia com a visão modernista, ou “teologia moderna” nas palavras do conservador de panos quentes, muito menos estaria diferenciando de Francisco apenas no grau de assentimento à esse pensamento, porém logo em seguida ele reconhece que o pontificado de Bento XVI correspondeu à essa teologia moderna que Francisco pisa sem dó no acelerador, como assim? Aahhh.. É que Bento XVI correspondeu EM PARTE, não INTEIRAMENTE, uma mínima, diminuta, quase ínfima e ignorante parte, coisa que devemos deixar de lado…

      Eu e essa mania de rigorismo com uma coerência lógica.. pronto, resolvido o problema, vamos ignorar os erros e bola pra frente!

  2. Gostei, mostra um lado do Papa francisco que eu ainda não havia vislumbrado.

  3. O papa Francisco tem o mérito da sinceridade no que diz e pensa. O que faltou a outros.

  4. Para variar, a absoluta cegueira dos “conservadores” que, há 52 anos saem com a sua peneira debaixo de braço, movidos pelo vão intuito de tapar o sol da evidência. E, por serem voluntariamente cegos, presos a uma concepção romântica, romanesca, romanceada e como que pictórica da religião, fica-lhes muito difícil, embora não impossível, achar onde está o sol (as plantas, que não têm olhos, sabem onde está o sol).

    Dois erros conduzem a esse eclipse mental. O primeiro, é o de ignorar o movimento teológico anterior ao Concílio, sobretudo as intervenções de Pio XII que alcançaram, no já distante 1950, notas realmente dramáticas com a “Humani Genersi”, cujo “ameno” subtítulo é: “sobre as falsas opiniões que ameaçam ARRUINAR/subverter os fundamentos da doutrina católica” (de nonnulis falsis opinionibus quae catholicae doctrinae fundamenta SUBRUERE minantur). Então, sejamos lúcidos, a situação estava muito mal parada antes mesmo do Concílio, e isso se devia sobretudo à chamada Nouvelle Theologie. Como se sabe, Pio XII, sem citar os nomes (Jean Daniélou, Henri de Lubac, Pierre Teilhard de Chardin, Hans Urs von Balthasar, Yves Congar, Karl Rahner, Hans Küng, Edward Schillebeeckx, Louis Bouyer, Pierre Ganne, Jean Mouroux e Joseph Ratzinger) condenou expressamente a doutrina desses figurões, a saber, os mesmos que, depois, foram admitidos na rocambolesca aula conciliar como peritos; dentre eles, e um dos mais nefastos, temos o dominicano M.-D. Chenu. A vaidade, que sempre foi a pedra no sapato dos (maus) dominicanos, explodiu num show de histrionice personalista a qual, porém, foi docemente afagada pelo ecumenômano Paulo Sexto, o fracassado. E, para não ficarem fora da onda de elevação espiritual e fidelidade à Igreja, o jesuíta Jean Daniélou, perito do Concílio, e já cardeal, expirou piedosamente dentro de um prostíbulo (feminino, ufa!) da rue Dulong, 56, em Paris. Outro jesuíta dizia que o inferno estava vazio. Outro, enfim, mais recente, que não foi perito do concílio, mas o é em casamento-test drive e poligamia sequencial prefere acreditar que numa espécie de raio-desintegrador.

    O segundo erro dos conservantes, e mais grave, consiste em não perceber que a desorientação advinda depois do Concílio não se deve apenas às desastrosas e caóticas reformas impostas por Paulo Sexto, nem ao chamado “espírito do Concílio”, isto é, não percebem que são os próprios documentos do Concílio, cheios de ambiguidades e baboseiras, que levam à apostasia da fé. E isso é um fato.

    Que Bento XVI tenha tentando frear a despedaçada carroça conciliar à beira do precipício, isso já o sabemos. Fez o que pôde, e isso parece ter sido uma grande graça que ele recebeu. A tal hermenêutica da continuidade é apenas isso: vamos fazer de conta que houve um mal súbito, que baixou a pressão, e continuemos depois com o Magistério de sempre. Faz de conta que nada aconteceu. Onde houver ambiguidade, baboseira doutrinal e perigo eminente de apostasia da fé católica, sigamos o Magistério anterior ao V2. É claro que Bento XVI não iria amanhecer belo dia e sair gritando desgrenhado pelo Palácio Apostólico que o Concílio, e tudo aquilo que saiu do Concílio, arruinou a Igreja católica e de tal maneira que só cabia esperar o ato final da opereta bufa: “Francisco”, o absurdo.

    Pois Francisco é uma espécie de encarnação de toda a mentira e contrafação conciliar; de fato. ele é o coroamento de toda a aventura conciliar. Quanto a certos outros, elevados ao Olimpo da superstição mediante processos canônicos viciados, todos eles, digo, esses histriões que punham (e põem) o Buda em cima do Altar, recebem o tilak, celebram Missa em presença de mulher pelada, figem que não há casos de pedofila a serem punidos e se servem com voracidade inaudita do velho fermento dos fariseus, beijando-lhes sofregamente as mãos, todos realmente merecem o seu nicho na igreja-revista-caras-que-está-aí. Este o perfeito acabamento de suas vidas autorreferentes e narcisistas, posto que preferiram agradar mais aos homens, por dependerem doentiamente de seus aplausos, que a Deus. Nasceram para isso. Nem se deve perguntar por que Deus endureceu o coração do Faraó.

  5. Prezado Prof. Hermes, gostei muito de seu texto e já estou ansioso para ler o livro que está em preparação. Espero que saia logo.
    Aproveitando, tomo a liberdade de dar-lhe uma sugestão bibliográfica: uma obra que considero essencial para entender todo esse contexto Boff-Ratzinger é o livro/folheto “Frei Boff e o neogalicanismo da igreja brasileira” (1984), do dom João Evangelista Martins Terra, SJ. Em apenas 34 páginas, escritas de maneira brilhante, dom Terra desmascara as intenções de Boff e seu grupo. Infelizmente essa obra não circulou tanto como outras do autor, mas certamente ainda pode ser encontrada na Estante Virtual.
    Deus abençoe!

  6. Os ideologistas sedizentes teólogos da Libertação, antes de mais nada, pertencem a uma doutrina que foi maquinada dentro dos laboratorios de engenharia social da KGB para disseminar marxismo mais especialmente na América Latina, incluindo-se a América Central e mesmo a África sob a forma de doutrinario católico montado de forma sutil e camufladamente socializado, de forma que não fossem detectáveis os subornos dessa sedizente Teologia da Libertação, a famigerada TL, cujos erros seriam perceptiveis apenas por quem tivesse argucia.
    De imediato, como os marxistas, vêm agindo como até hoje dentro das livrarias católicas, infiltrando-as com seus “agentes de transformação” travestidos de sacerdotes, como desses os tantos TLs, apoiadores dos PCs, caso do PT.
    Assim, a *BIBLIA. EDIÇÃO PASTORAL e o folheto dominical O DOMINGO por ex., da Editora Paulus, sempre contou naquele semanario com varios que redigiam as “Preces Comunitarias” que seriam até chamados à inssurreição geral via “Lutas de Classes”, sempre usados em muitas paróquias, apregoando uma cínica libertação de tudo quanto fosse “opressão dos burgueses e capitalistas exploradores dos pobres”, mas jamais relatavam quem estava por detrás disso, era a Russia, que vem espalhando seus erros há varias décadas!
    Se conferirem em O DOMINGO nº 16, a coluna CAMINHOS DE EXISTENCIA por ex., do Pe João B Libanio lerão seu doutrinario material-ateísta!
    Nesse semanario “litúrgico catequético” acima, exaltava revolucionarios como Fidel Castro, Che Guevara e mais escorias da humanidade que eram incensados como “libertadores do povo” – Pe Libanio era um dos expoentes, idem como D Sândalo Bernardino e mais esquerdoides – enquanto isso, aludiam a seus opositores como uns reacionarios, gananciosos e exploradores do povo, e hoje todo o Brasil sentiu na pele e seguirá por tempo indeterminado depois da passagem das aves-de-rapina, particularmente do PT e de seu capacho PSDB pelos infindos maleficios desses demonios encarnados e asseclas impingiram ao Brasil ao prestigiar esses e mais carniceiros comunistas!
    A TL progrediu também por adesão de varios países que cairam no golpe das esquerdas elegendo os pestíferos comunistas seus aliados que lançaram profundas raízes, como no Brasil, pela quantidade de PCs existentes que necessitam ser expurgados em 2018 para ver se acaso a nação melhoraria algo, pois todas as subversões as mais variadas podem serem creditadas a esses malfeitores das esquerdas, desde uso das instancias de poder para proprio proveito das mafias de tantos bandidos, chegando aos Queermuseus e ao desmonte ético-moral religioso cristão católico – o pior de tudo – assim como a derrocada financeira da sociedade.
    A caótica e misérrima Venezuela é o atual retrato onde os comunistas metem suas patas!
    * Observações de D Estêvão Bittencourt.

  7. Gostaria de um esclarecimento. No último parágrafo do texto acima teria ocorrido um erro de digitação e seria “… tão em sintonia…” ou é como está no texto: “…tão sem sintonia…?

  8. Caro Rubens, grato pela observação e correção: é tão “em sintonia”.

  9. Obrigado Carlos pela referência indicada.

  10. Os maestros do CVII não souberam reger a orquestra, diria-se que não conhecem a música, e agora querem convencer o mundo de que seus ruídos dissonantes são a música.

  11. Hoje se completam 285 anos da fundação da Congregação do Santíssimo Redentor, por Santo Afonso de Ligório, em Scala – Nápoles. Fico pensando em quantas almas teriam deixado de ser salvas se, ao invés de se preocupar com o bem sobrenatural delas, Santo Afonso e seus companheiros buscassem antes a simples “libertação” social e temporal dos homens… Os “teólogos da libertação” não dão a mínima importância para a salvação eterna das almas – só querem falar em temas sociais e políticos, e se esquecem de que não adianta nada o homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma.
    Que Santo Afonso e todos os Santos intercedam por nós, para que fiquemos livres dessa praga espiritual que é a infame “Teologia da Libertação”!

    • Almas? E essa gente acredita em alma? Salvação? Deus?

      Eles acreditam em focas, árvores, rios despoluídos, cristais e dinheiro.

  12. Excelente artigo, sr. Hermes Rodrigues Nery! Muito esclarecedor. Obrigado por tê-lo escrito e ao blog por tê-lo publicado.

  13. Há tempos venho refletindo na analogia entre a igreja e um hospital. O Santo Padre é o Diretor Geral, os bispos e cardeais são os médicos e os padres são os enfermeiros. Nós leigos somos os pacientes, com diversos grau de enfermidade. Porém, nos últimos tempos a direção e os médicos têm visivelmente duvidado das enfermidades, se deslumbrando por caminhos alternativos, não se empenhando em curar os doentes. Eu como paciente, reconheço que preciso dos serviços deste hospital, único por sinal, porém, é com pouquíssimas esperanças que me encaminho para lá. Os poucos enfermeiros que buscam curar os doentes, são repreendidos pelos médicos. Os médicos que não entram na ciranda da medicina alternativa, são colocados pra escanteio ou afastados por tempo indeterminado, e a direção geral está ocupada demais buscando formas de agradar a quem se empenha por adoecer a humanidade, quase como se fosse um experimento científico para ver até aonde os pacientes suportam.
    Voltando à realidade, confesso que tenho preferido o silêncio de minha casa, mesmo sem os remédios necessários, do que entrar nessa ciranda diabólica que se não nos mata o corpo, nos tira a sanidade mental.
    Que Jesus Nosso Senhor e Nossa Senhora da Conceição Aparecida nos ampare e proteja, pois nosso hospital está a cada dia mais semelhante a um hospício onde os loucos tomaram o controle.

  14. Os elogios que os modernistas (incluo os da TL) sempre fizeram ao CVII dizem tudo e agora, como Francisco é o papa que mais tem a peito levar o Vaticano II até as suas últimas consequências almejadas pelos modernistas, fica bem explicado e ululantemente óbvio porque, para eles, combater Francisco é o maior pecado! Na verdade, o que os modernistas não conseguiram dentro dos quase três anos de concílio, determinaram conseguir na prática: eleições dos futuros papas e conferências episcopais. E a arma a ser empregada para evoluir os dogmas seria a ambiguidade… Esta a areia que atiram nos olhos de muitos tradicionalistas que querem ficar cegos por interesses pessoais.

  15. Excelente comentário!!! Ao ler sobre o CVII e seus ideologizadores, sempre me perturbou o fato de que muitas ideias doutrinárias heterodoxas, ratificadas sob Paulo VI, já estavam sendo fomentadas anos antes de João XXIII conclamar o concílio. Tudo já estava orquestrado para a execução de uma desafinada sinfonia de heresias, ambiguidades, ecumenismo e toda sorte de doutrina de demônios; o que já era profetizado por São Paulo! Miserere Nobis!

  16. Apenas uma pequena indagação. Não teria sido Dom Aluisio Lorsheider (primo de Dom Ivo) que junto com Dom Paulo Evaristo Arns acompanhou o então Frei Leonardo Boff na arguição? Todos os registros que vi anteriormente assim citavam.

  17. Apenas uma pequena indagação. Não teria sido Dom Aloisio Lorsheider (primo de Dom Ivo) que junto com Dom Paulo Evaristo Arns acompanhou o então Frei Leonardo Boff na arguição? Todos os registros que vi anteriormente assim citavam. Inclusive citavam o fato de serem os dois cardeais Franciscanos, assim como o arguido.

    Ademais, destacar que, apesar da simpatia que tinha à época por uma visão progressista mais moderada (nunca tão escancarada quanto a da TL e da a da TLSCD – Teologia do Samba do Crioulo Doido, esta predominante atualmente com sincretismo, histrionismo e frouxidão doutrinária), jamais entendi a insubmissão de Boff, um Franciscano, diante de uma determinação da Cúria do Vaticano. Ainda que ele estivesse certo (pois assim o mesmo se achava) e o dicastério errado, este último falava pelo Papa. A atitude franciscana deveria ser de obediência total e irrestrita, exceto se lhe tivessem pedido para renunciar a fé em Jesus Cristo, o que obviamente não foi o caso.

    Já no momento de sua insubmissão, ao não cumprir o silêncio obsequioso proposto, Boff depôs contra si, mostrando que não vivia aquilo que pregava. Aliás, mostrando que sequer foi um dia um verdadeiro Franciscano. Já ali, não apenas por não aceitar a correção, mas principalmente por não submeter à punição (há uma diferença, nem tão sutil), vi que Boff não era digno do hábito franciscano e nem podia ser inspiração pra qualquer movimento que se pretendesse Cristão, seguidor de Jesus Cristo, o homem que aceitou em total silêncio e submissão a uma hierarquia terrena bem menos digna (a Roma de Tibério e seus prepostos) um castigo incomensuravelmente maior.

    O péssimo exemplo de Boff, de empáfia e insubmissão, nos faz refletir com tristeza sobre o pouco cuidado que temos hoje com nossa palavra escrita ou vocalizada a respeito (e sem qualquer respeito) do atual sucessor de Pedro. Não estou aqui propondo juízo sobre a natureza, as intenções ou o mérito de suas medidas e de seu governo. Mas apenas lembrando de que se trata do Papa, autoridade constituída, ainda que por homens e seus movimentos, sob a estrita permissão de Jesus, o dono da Igreja e do mundo. Ou assim não cremos? Se Cristo é o dono da Igreja, ele saberá corrigi-la, ao seu tempo. Ou achamos que em muitas outras ocasiões não ouve falhas no papado? Alexandre Bórgia foi Papa! E nem assim a Igreja se desfez.

    São Francisco, em vida, sempre mostrou receio de que seus filhos adentrassem aos círculos dos intelectuais, teólogos, filósofos, chegando, em algumas ocasiões, a se mostrar contrário ao excesso de estudos entre os seus frades. Posteriormente, já no começo da ordem, nomes como os de Santo Antônio de Pádua e São Boaventura de Bagnoregio, mostraram que poderia, sim, haver Franciscanos grandes teólogos e fieis à Igreja. Porém, ao ver onde descambou, 800 anos depois, a aventura de um frade da ordem naqueles círculos temidos pelo fundador, não podemos deixar de ver um certo tom de profecia nos receios do santo de Assis.

    Para concluir, vejamos como terminou Boff. Um homem que fez voto de pobreza, de humildade, de submissão, de castidade, quebrou todos estes votos, renunciou ao sacerdócio e ao hábito franciscano. Vive hoje defendendo religiões não apenas não cristãs, como xamanismo, budismo e outras. Mas ainda assim se sente a vontade de opinar com pretensa propriedade sobre os assuntos da Igreja a qual renunciou. Quer dizer que quando abraçou a Igreja, sabendo o que e quem ela era, e fez todos aqueles votos ele estava enganado, errado? Ou está enganado, errado, agora?

    Pax et bonum.

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