O “giro luterano” do Papa Francisco.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 09-11-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comEm 31 de outubro de 2016, o papa Bergoglio inaugurava o ano de Lutero, reunindo-se com representantes do luteranismo mundial na catedral sueca de Lund. A partir de então, reuniões e celebrações “ecumênicas” se sucederam ad abundantiam no interior  da Igreja.

Selo 500 anos de LuteroA um ano exato daquela data, o “giro luterano” foi chancelado por um ato simbólico, de cuja gravidade poucos se deram conta: a emissão, pelos Correios do Vaticano, de um selo comemorativo do nascimento do protestantismo em 31 de outubro de 1517, com a afixação das 95 teses de Lutero na porta da capela do castelo de Wittenberg.

“V Centenário da Reforma Protestante”, lê-se no topo do selo, apresentado em 31 de outubro deste ano pelo Departamento Filatélico do Vaticano. Segundo o comunicado oficial, o selo retrata “em primeiro plano, Jesus crucificado, tendo ao fundo um céu dourado sobre a cidade de Wittenberg, onde em 31 de outubro de 1517 foram fixadas pelo frei agostiniano as 95 teses. De joelhos, à esquerda, Martinho Lutero com uma Bíblia, enquanto à direita está seu amigo Felipe Melanchton – um dos maiores divulgadores da Reforma – tendo em mãos a Confissão de Augsburgo, o primeiro documento oficial dos princípios do protestantismo.”

A substituição, ao pé da Cruz, de Nossa Senhora e de São João pelos heresiarcas Lutero e Melanchton é uma afrontosa blasfêmia que nenhum cardeal ou bispo católico até agora criticou abertamente. O significado desta representação é explicado pela declaração conjunta da Federação Luterana Mundial e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, publicada no mesmo dia do lançamento do selo. A nota se refere ao balanço positivo do diálogo entre católicos e luteranos, confirma a “nova compreensão dos eventos do século XVI que provocaram a [sua] separação” e afirma como ambas as partes “d[ão] graças pelos dons espirituais e teológicos recebidos através da Reforma”.

Como se não bastasse, naqueles mesmos dias La Civiltà Cattolica, a voz “oficiosa” do Papa Francisco, celebrou Lutero com um artigo do padre Giancarlo Pani (Martinho Lutero, quinhentos anos depois, in La Civiltà Cattolica de 21 de outubro a 4 de novembro de 2017, pp. 119-130).

O Pe. Pani é o mesmo que em 2014 afirmou que os Padres do Concílio de Trento teriam admitido a possibilidade do divórcio e do novo casamento em caso de adultério, de acordo com o costume em voga na igreja cismática grega. Agora ele sustenta que Martinho Lutero não foi de nenhum modo um herege, mas um verdadeiro “reformador”. De fato, “as teses de Wittenberg não são nem um desafio nem uma rebelião contra a autoridade, mas a proposta de renovação da proclamação evangélica, no desejo sincero de uma ‘reforma’ da Igreja” (p. 128). Apesar da reivindicação “tanto da Igreja de Roma quanto de Lutero, de encarnar em tudo a verdade e de serem os seus dispensadores”, “não se pode negar o papel que Lutero teve como testemunha da fé. Ele é ‘o reformador’: soube iniciar um processo de ‘reforma’ do qual – sejam quais tenham sido então os resultados – a Igreja Católica também se beneficiou” (p. 129).

De ser assim, Lutero teria sido injustamente perseguido e difamado pela Igreja durante 500 anos, e a hora de reabilitá-lo teria chegado. Para isso, não bastaria limitar-se a apresentar o seu rosto profético, mas seria necessário que a Igreja acolhesse e pusesse em prática suas iniciativas reformadoras. E a Exortação pós-sinodal Amoris laetitia representaria uma etapa decisiva nesse caminho. Não se equivocaram,  pois, os autores da Correctio filialis ao Papa Francisco, quando enfatizaram “a afinidade entre as ideias de Lutero sobre a lei, a justificação e o casamento, e aquelas ensinadas ou favorecidas pelo Papa Francisco em Amoris laetitia e outros lugares”.

Vale a esta altura lembrar que o papa Bergoglio pertence, como o Pe. Pani, à Companhia de Jesus, e que o fundador desta, Santo Inácio de Loyola, foi o campeão da fé suscitado pela Divina Providência no século XVI contra o luteranismo. Na Alemanha, apóstolos como São Pedro Canísio e o Beato Pedro Fabro disputaram palmo a palmo o terreno com os hereges, e no plano da controvérsia antiprotestante ninguém superou São Roberto Belarmino.

La Civiltà Cattolica foi fundada em 1850 com o encorajamento de Pio IX e desempenhou durante muito tempo o papel de bastião doutrinário contra os erros da época. Em sua primeira edição, em 6 de abril de 1850, ela dedicou um amplo ensaio (anônimo, mas de autoria do Pe. Matteo Liberatore) intitulado Racionalismo político da Revolução italiana, o qual encontrava no protestantismo a causa de todos os erros modernos. Essas teses foram desenvolvidas, entre outros, por dois conhecidos teólogos jesuítas, os padres Giovanni Perrone (O protestantismo e regra de fé, “La Civiltà Cattolica”, Roma, 1853, 2 vol.) e Hartmann Grisar (Lutero, Herder, Freiburg im Breisgau 1911/1912, 3 vols.).

Mas assume particular significado a comemoração da revolta luterana feita pela revista da Companhia de Jesus em outubro de 1917, no IV centenário da afixação das teses de Wittenberg (Lutero e o luteranismo, in La Civiltà Cattolica, IV (1917), pp. 207 -233; 421-430). O teólogo da Civiltà Cattolica explicava que: “A essência do espírito luterano, ou seja, do luteranismo, é a rebelião em toda a sua extensão e em toda a força da palavra. A rebelião que Lutero personificou foi variada e profunda, complexa e vastíssima; na aparência, ela de fato surgiu e foi violenta, odiosa, trivial, obscena e diabólica; mas, na realidade, foi planejada e dirigida de acordo com as circunstâncias, e visava objetivos conjunturais e de grande interesse, procurados e desejados com ânimo mesurado e tenacíssimo” (pp. 208-209).

Lutero – continua La Civiltà Cattolica“começou aquela indigna paródia com a qual o monge rebelde atribuía a Deus as ideias, as maldições, as infâmias de sua mente pervertida: ele ultrajou de modo inaudito o Papa em nome de Cristo; amaldiçoou a César em nome de Cristo; blasfemou contra a Igreja, contra os bispos, contra os monges com a mesma impetuosidade infernal, em nome de Cristo; jogou sua batina na árvore de Judá em nome de Cristo, e em nome de Cristo juntou-se com uma freira sacrílega” (p.209). “Com o pretexto muito cômodo de seguir a Escritura como a única fonte que contém a palavra de Deus, ele voltou sua guerra contra a teologia escolástica, a tradição, o direito canônico, a todas as instituições e preceitos da Igreja, aos Concílios: a todas essas coisas tão augustas e venerandas, ele, Martinho Lutero, monge pervertido e teólogo recauchutado, se substituiu com a sua autoridade! Os papas, os doutores, os Santos Padres não valiam mais nada: mais do que todos valia a palavra de Martinho Lutero!” (p.  212). A teoria da justificação luterana, finalmente, “nasceu da fantasia de Lutero, não a partir do Evangelho ou de outra palavra de Deus revelada aos autores do Novo Testamento: para nós qualquer novidade de Lutero encontra sua origem e estímulo na concupiscência, e seu desenvolvimento na falsificação da Escritura ou na mentira formal” (p.221).

O Pe. Pani não poderá negar que o julgamento que ele faz de Lutero discrepa em 360 graus daquele que seus confrades fizeram na mesma revista há um século. Em 1917, ele era reprovado como apóstata, rebelde, blasfemo; hoje é exaltado como reformador, profeta, santo. Nenhuma dialética hegeliana pode harmonizar o julgamento de ontem com o de hoje. Ou Lutero foi um herege que negou alguns dogmas básicos do Cristianismo, ou foi “testemunha da fé” que iniciou a Reforma da Igreja concluída pelo Concílio Vaticano II e pelo Papa Francisco. Em uma palavra, todo católico é chamado a escolher entre estar do lado do Papa Francisco e dos jesuítas de hoje, ou dos jesuítas de ontem e dos papas de todos os tempos.

É hora de escolher e a meditação de Santo Inácio sobre as duas bandeiras (Exercícios espirituais, nº 137) realmente nos ajuda nestes tempos difíceis.

19 Comentários to “O “giro luterano” do Papa Francisco.”

  1. Nada mais a esperar. Depois deste justo libelo, endereçado corretamente ao “ novo “ Lutero, nada mais temos a esperar de Roma, onde tremula triunfante a pusilanimidade.

  2. Pela graça de Deus fico, do mais íntimo de minha alma, do lado dos Jesuítas de ontem e dos Papas de todos os tempos. Com o auxílio divino e a proteção de Maria Santíssima quero continuar seguindo o estandarte de Nosso Senhor Jesus Cristo: DESAPEGO DOS BENS TERRENOS, HUMILDADE E CASTIDADE.
    Abaixo os jesuítas modernos que seguem o estandarte do demônio, empunhado por Lutero!!!
    Nossa Senhora esmagará a cabeça envenenada da serpente infernal: ela disse: “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará”.
    Nosso Senhor Jesus Cristo na sua misericórdia infinita chamou-me para o sacerdócio e especificamente deu-me a vocação de seguir a Santo Inácio de Loiola. Mas não me foi possível entrar para a Companhia de Jesus. Agradeço a Deus, pela graça insigne de ter sido bem orientado por D. Antônio de Castro Mayer, de santa memória. Quando entrei no Seminário em 1962 nem de longe poderia passar por minha cabeça que um dia, ver-me-ia obrigado em consciência em discordar de um papa e este, por sinal, jesuíta (moderno).

    • Padre a sua bênção, Mesmo antes do papa francisco, assim no minúsculo mesmo, aqui em Santa Luzia , MG, já era difícil ir em uma MISSA e não se sentir em um templo protestante. Agora com a chancela de um papa como não esta? Eu não posso responder, porque eu não vou mais a SANTA MISSA aqui. Assisto em Belo Horizonte no rito tridentino. Penso criar um movimento aqui em Santa Luzia para quem sabe trazer o rito para cá. Eu sei que a minha lutar será grande, mais se agente não lutar… peço que me oriente para eu começar , por onde começar e como. A impressão que eu tenho é que “mortinho lutero ” ressuscitou, e do abismo ressurgiu dentro do VATICANO. Esse selo lançado pelo Vaticano é afronta ao catolicismo. O papa tem dito que DEUS não é católico. Se prestarmos atenção em tudo o que ele diz e faz, concluiremos facilmente que o papa atual, é que não, o é.

  3. Não estão vendo os clarões no horizonte? E ouvindo os trovões a distância? A tempestade se aproxima, tudo o que aconteceu desde o CVII foi um ensaio, a crise real e terrível vem agora!

  4. Alguém poderia me dizer algum bem ou virtude que a revolta luterana trouxe para a Igreja – qualquer que seja a matéria – ou para sociedade ou civilização em algum lugar do orbi? Seja um exemplo teórico ou caso concreto?

    • Prezado RC,

      Segundo Max Weber, trouxe o capitalismo. Ah, não sou marxista nem TL, antes que me acusem.
      Att,

  5. “Em uma palavra, todo católico é chamado a escolher entre estar do lado do Papa Francisco e dos jesuítas de hoje, ou dos jesuítas de ontem e dos papas de todos os tempos”.

    Há quem veja o presente agravamento da crise sob a qual muito infelizmente se acha a Santa Madre Igreja, tão somente como apenas mais um “percalço”, dentre tantos outros verificados ao longo de sua bimilenar história. No entanto, minimizar a tremenda gravidade da situação atual é simplesmente não se dar conta de que nunca antes em toda sua história o catolicismo se viu alvo de ataques desferidos por parte de tamanho conluio, tamanha convergência, tamanha somatória de forças… Nunca antes aqueles que compõem as fileiras dos inimigos de Cristo estiveram tão unidos contra Sua Igreja. A questão da tomada decisão, apresentada no artigo, quanto a que lado se está, neste momento tão delicado, é mesmo algo premente e a que de fato de nenhum católico pode mais se furtar. Absortos, vemos diante de nossos olhos, quem demonstra preferir substituir o ” J ” de Jesus, de “Societas Jesu” (Companhia de Jesus, em latim) pela letra ” L ” , de Lutero, erigindo a “Companhia de Lutero”. De minha parte manifesto minha adesão de coração, corpo e alma aos papas de todos os tempos e aos jesuítas da Companhia de Jesus e não aos da “Companhia de Lutero”.

  6. Realmente tem que se fazer uma escolha. O CV II gerou uma nova Igreja, que se declara explicitamente oposta à Igreja Medieval. A Igreja parida do CV II condena explicitamente a Igreja Medieval, e disso eu sou testemunha direta e ocular há mais de vinte anos, no meu relacionamento social com os progressistas.

    A reforma litúrgica e o relativismo dogmático dão prova.

    “Todas as Igrejas são boas, porque todas falam de Deus e só ensinam coisas boas, e porque Deus é um só.”. É uma das coisas que mais ouvi na rua, de protestantes e progressistas. Mas na Igreja me fora ensinado o contrário desta máxima.

    O que Lutero não conseguiu em sua época, o conseguira com a Igreja e a reforma litúrgica que saíram do CV II.

    A Igreja progressista é intensamente protestante, pelo menos no território de Campos.

    Por isso, eu discordei do sistema de aproximação da Administração Apostólica com a Diocese de Campos. São, ou pelo menos eram, tão diferentes como a luz das trevas. E ninguém pode negar isto, somente um mentiroso. Não é a mesma Igreja, em tudo. Tudo é diferente. Se uma é católica, a outra não é.

    Repito: Não é a mesma Igreja.

    Tem muito de errado e estranho no progressismo, mais do que já conseguimos descobrir. Ainda tem mistério e coisa pra aparecer.

  7. Discordo que se atribua ao ocupante “Francisco” alguma afinidade doutrinal com o simiesco Lutero.
    Pois o dito ocupante não tem sutileza e erudição teológica para entrar numa discussão desse calibre. Dirão (com voz fanha e esganiçada): “mas ele é o meu querido papa; ele me trouxe segurança e tranquilidade pra pecar sem niguém me julgar”.

    Mas se Gramscisco tem de fato alguma afinidade doutrinal com o chimpanzé de Witemberg, ela é apenas material, per accidens, assim como os papagaios podem repetir, com seus grunhidos, elogios ou xingamentos conforme o tango que toca na radiola primaveril.

  8. “Em uma palavra, todo católico é chamado a escolher entre estar do lado do Papa Francisco e dos jesuítas de hoje, ou dos jesuítas de ontem e dos papas de todos os tempos”.
    Sem pestanejar por um segundo, fiquemos com os papas de todos os tempos e os jesuítas de ontem, verdadeiros JESUÍTAS e não essa corja de traidores indignos filhos de S. Inácio…
    Discordo que se atribua ao ocupante “Francisco” alguma afinidade doutrinal com o simiesco Lutero.
    Pois o dito ocupante não tem sutileza e erudição teológica para entrar numa discussão desse calibre.” ( II )
    Francisco em questão de TEOLOGIA é um fiasco completo, não é sem razão, que a trupe asquerosa de que ele, propositalmente, se cercou, só vomita nojeiras…
    As “ambiguidades teológicas” do Vaticano II, coisa totalmente absurda e impensável para quem tenha um mínimo de bom senso e não seja tolo, está dando seus frutos há 50 anos…Francisco é um deles…
    Sem pestanejar por um segundo, fiquemos com os papas de todos os tempos…
    São Leão Magno, rogai por nós!

  9. Segundo o dito popular: Deus escreve certo por linhas tortas. Na verdade seus desígnios são insondáveis mas cheios sempre de infinita misericórdia. Para aqueles que amam a Deus, tudo coopera para o bem.
    Penso na misericórdia de Deus para comigo! Chamou-me para seguir o carisma de Santo Inácio de Loiola e, embora, não podendo e não devendo entrar para a Companhia de Jesus (que hoje infelizmente é o Afastamento de Jesus) procurei nestes quase 43 anos de sacerdócio, pela orientação de D. Antônio de Castro Mayer, seguir a Santo Inácio, fazendo eu mesmo o seus Exercícios Espirituais e pregando para o povo Missões e Retiros. Ultimamente me dedico mais ao apostolado virtual, sem é claro, deixar de lado o cuidado dos fiéis das capelas que o meu bispo me destinou.
    Desculpem-me por este testemunho próprio, mas foi para completar o meu comentário anterior. “Tudo para maior glória de Deus!”. Santo Inácio de Loiola, rogai por nós!

  10. Já imaginou se o padre Pio de Pietrelcina – hoje, São Pio – ainda estivesse entre nós, deparando-se com com a entronização de Lutero, além de que nada oferecem em troca de tanta deferencia católica para com esses hereges?
    Idem, incensando e compartilhando em cultos profanantes dentro da Casa do Senhor Deus com seus asseclas e compartilhando com suas diabruras, logo a partir do papa Francisco?
    Disse ele em certa oportunidade: “Não sabeis que o protestantismo também possui um fundador sobrenatural? Sabeis agora, trata-se de um anjo, e seu nome é Lúcifer”.
    É preciso salientar, ademais, que o Pe Pio residia isolado dentro de um convento, e não possuía contato direto com o mundo, no entanto, sua cólera contra o relativista protestantismo se devia à sua mística, comprovando-o quando diz:
    “É a Virgem quem chora porque não combatemos este inimigo [o protestantismo]”.
    Similarmente S Pedro Canisio: “Abomino Lutero, detesto Calvino, amaldiçoo todos os hereges; não quero ter nada em comum com eles, porque não falam nem ouvem retamente, nem possuem a única regra da verdadeira Fé proposta pela Igreja una santa católica apostólica e romana.
    Uno-me, em vez disso, na comunhão, abraço a fé, sigo a religião e aprovo a doutrina daqueles que ouvem e seguem a Cristo, não apenas quando ensina nas Escrituras, mas também quando julga pela boca dos Concílios Ecumênicos e define pela boca da Cátedra de Pedro, testemunhando-a com a autoridade dos Padres” etc…
    A Bula EXSURGE DOMINE em 15/06/1520 do papa Leão X condena os erros defendidos pelo SOBERBO E ARROGANTE heresiarca Lutero em 1517 e o sentenciando: “Pela autoridade do Deus Todo-Poderoso, dos santos apóstolos Pedro e Paulo, e de nossa própria autoridade, nós condenamos, reprovamos, e rejeitamos completamente cada uma dessas teses ou erros como heréticos, escandalosos, falsos, ofensivos aos ouvidos piedosos ou sedutores das mentes simples, e contra a verdade católica. Listando-os, nós decretamos e declaramos que todos os fiéis de ambos os sexos devem considerá-los como condenados, reprovados e rejeitados […] Nós os proibimos a todos em nome da santa obediência e sob as penas de uma automática excomunhão […]”,
    A EXCOMUNHÃO A QUE FOI E SE MANTÉM SUBMETIDO O REVOLUCIONARIO E GENOCIDA LUTERO E INCORREM SEUS SEQUAZES NÃO FOI E NEM PODE SER PROSCRITA POR NINGUÉM QUE SE ARROGUE A TAL AUTORITARISMO!.

    • Se São Pio ousasse criticar as derrapadas de Francisco,seria execrado por toda a turba modernista,vide o que ocorre hoje com os cardeais,bispos e presbíteros que tem a coragem de insurgirem-se contra Bergoglio.

  11. 1) “Por isso, as Igrejas e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação” (Conc. Vat. II, Unitatis Redintegratio, n. 3).

    1) Lógica: Não é necessário ser católico, ou pertencer à Igreja Católica, para obter a salvação eterna; Não é necessário empreender esforço para converter os seguidores de heresias; Os seguidores de heresias não têm o dever de meditar, ter retidão e buscar conhecer a verdade revelada, inclusive acerca da verdadeira Igreja de Cristo. Se a Igreja Católica não é necessária pra salvação, então pra quê Cristo a instituiu?

    2) “Aqueles, porém, que agora nascem em tais comunidades e são instruídos na fé de Cristo, não podem ser acusados do pecado da separação, e a Igreja católica os abraça com fraterna reverência e amor. Pois que crêem em Cristo e foram devidamente batizados, estão numa certa comunhão, embora não perfeita, com a Igreja católica.” (Conc. Vat. II, Unitatis Redintegratio, n. 3).

    2) Lógica: Podem, os cismáticos e seguidores de heresias, serem instruídos na fé de Cristo, na Doutrina Cristã e na verdade revelada, sem abandonarem a seita herética; A Igreja Católica “abraça com fraterna reverência e amor” os seguidores de heresias; É possível crer em Cristo sem crer nele totalmente.

    —————–

    A) “Este sagrado Concilio, portanto, exorta todos os fiéis a que, reconhecendo os sinais dos tempos, solicitamente participem do trabalho ecuménico.” (Conc. Vat. II, Unitatis Redintegratio, n. 4).

    A) “Mas é evidente que o trabalho de preparação e reconciliação dos indivíduos que desejam a plena comunhão católica é por sua natureza distinto da empresa ecumênica” (Conc. Vat. II, Unitatis Redintegratio, n. 4).

    Contra A) “Afirmam eles que tratariam de bom grado com a Igreja Romana, mas com igualdade de direitos, isto é, iguais com um igual. Mas, se pudessem fazê-lo, não parece existir dúvida de que agiriam com a intenção de que, por um pacto que talvez se ajustasse, não fossem coagidos a afastarem-se daquelas opiniões que são a causa pela qual ainda vagueiem e errem fora do único aprisco de Cristo. Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.” (Pio XI, Mortalium Animos, 9-10).

    B) “Por ‘movimento ecuménico’ entendem-se as actividades e iniciativas, que são suscitadas e ordenadas, segundo as várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos cristãos. Tais são: primeiro, todos os esforços para eliminar palavras, juízos e acções que, segundo a equidade e a verdade, não correspondem à condição dos irmãos separados e, por isso, tornam mais difíceis as relações com eles; depois, o ‘diálogo’ estabelecido entre peritos competentes, em reuniões de cristãos das diversas Igrejas em Comunidades, organizadas em espírito religioso, em que cada qual explica mais profundamente a doutrina da sua Comunhão e apresenta com clareza as suas características. Com este diálogo, todos adquirem um conhecimento mais verdadeiro e um apreço mais justo da doutrina e da vida de cada Comunhão. Então estas Comunhões conseguem também uma mais ampla colaboração em certas obrigações que a consciência cristã exige em vista do bem comum. E onde for possível, reúnem-se em oração unânime. Enfim, todos examinam a sua fidelidade à vontade de Cristo acerca da Igreja e, na medida da necessidade, levam vigorosamente por diante o trabalho de renovação e de reforma.” (Conc. Vat. II, Unitatis Redintegratio, n. 4).

    Contra B) “não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela” (Pio XI, Mortalium Animos, 16).

    Às vezes, eu tento salvar os documentos, ver o que tem de bom, ceifar o trigo do joio, tentar entender segundo uma hermenêutica da continuidade… Mas é cada uma que vou te contar… Pode virar cambalhota, plantar bananeira, dançar balé, que não sai lógica e coerência… Durma-se com um barulho desse!

  12. O texto “Lutero e il Luteranismo” da revista La Civiltà Cattolica, em que se “comemora” os 400 anos da Reforma Protestante, pode ser lido pode ser lido em italiano no endereço:
    http://progettobarruel.hostfree.pw/novita/16/Civilta_Cattolica_Lutero_e_luteranismo_I.html
    No mesmo site podem ser lidos textos do Padre Giovanni Perrone, S.J.. Entre outras obras de apologética contra o protestantismo, Padre Perrone escreveu um livro particularmente importante, o livro “L’apostolato Cattolico e il proselitismo Protestante ossia l’opera do Dio e l’opera dell’uomo”. No livro ele condena o proselitismo e o atribuí justamente as seitas protestantes. Ao Católico ele lembra que recebeu o nome de apóstolo, e deve fazer apostolado. É um livro interessante para compreender as falas de Francisco contra o proselitismo (que o Católico não pode fazer). A simples distinção entre apostolado e proselitismo, feita pelo Padre, faz questionar o por que de Bergoglio não falar sobre apostolado. Ao contrário disso ele parece reduzir o apostolado ao proselitismo. Talvez seja porque desde o Concílio a Igreja tem tentado dar respostas a problemas Protestantes. Como por a questão do “subsistit in”. O Padre Perrone viveu no século XIX, naquele tempo escreveu um livro intitulado “L’idea di Chiesa distrutta pel protestantesimo” onde ao falar das concepções de Igrejas Protestantes, ele mostra que os de formadores sempre falam de duas Igrejas. Sempre falam da relação entre a Igreja deles com a Igreja de Cristo dos modos mais grotescos. Esse problema não existia na Igreja Católica até antes do Concílio, a partir dele se passa a falar da relação entre a Igreja de Cristo e a Igreja Católica: ainda que se afirme a plena subsistência…, não é a mesma coisa da simples verdade “a Igreja Católica é a Igreja de Cristo”. Não parece ter sido atoa o termo “subsistit in” veio de um Protestante que o sugeriu ao então Cardeal Joseph Ratzinger.

  13. “Ele (Lutero) é ‘o reformador’: soube iniciar um processo de ‘reforma’ do qual – sejam quais tenham sido então os resultados – a Igreja Católica também se beneficiou” (p. 129)”.
    Esse é o tipo da argumentação ingênua ou mal intencionada (para seduzir ingênuos). Com efeito, analisadas as coisas a posteriori, qualquer heresia na história da Igreja serviu-lhe, em definitiva, de benefício, afinal, é doutrina católica a convicção de que Deus é poderoso para tirar bens até mesmo dos piores males. Tal fato não elimina o caráter maléfico e pernicioso desses mesmos males, no caso, dessas heresias, nem justifica que se produzam males propositais para daí conseguirmos bens, pois isso seria tentar a Deus.
    O arianismo, por exemplo, propiciou o primeiro concílio ecumênico da história e a definição de fé (o Símbolo niceno) usada até hoje.
    O maior benefício ocasionado à Igreja pela heresia protestante foi, em primeiro lugar, a contundência e a clareza das inúmeras definições dogmáticas do Concílio de Trento, de grande valia até os nossos dias, entre as quais, cite-se, a própria definição dogmática a respeito dos livros que compõem o cânon inspirado das Sagradas Escrituras. Ironicamente, a própria Bíblia, que para um protestante cai do céu pronta na sua cabeça (enviada por um meteoro, talvez?), foi definida como tal no conjunto de seus livros graças à investida herética de Lutero. Negando alguns dos livros bíblicos, desde sempre usados pelos cristãos, e apoiando-se num critério esdrúxulo, ditado por rabinos do século I d.C. (que autoridade teriam eles sobre a Igreja de Deus?), Lutero – ou melhor, a Providência de Deus valendo-Se do erro dele – garantiu-nos a clareza sobre quais são os livros verdadeiramente inspirados.
    A propósito, pergunte a um protestante se ele sabe por que escritos como o Evangelho de Tiago ou o de Tomé, a 3ª carta aos Coríntios ou o Pastor de Hermas não fazem parte da Bíblia. O pobre terá um curto-circuito mental.

  14. Então, Luciano, haja mesmo um mal moral que Deus nunca quer, mais está aí para ser tirado um bem?

    Depois disso o que mais esperar?

    https://fratresinunum.com/2016/01/07/quando-idolos-aparecem-em-um-video-oficial-do-vaticano/

    Por exemplo, jogou luz em um cardeal considerado conservador.

    Dom Odilo aos pés de buda?

    Nossa senhora no carnaval?

    O Cardeal Gestapo Scherer está em franca campanha para sucessor de Francisco: um papa brasileiro?

    Lembrando que o dito cardeal sempre foi progressista. Estava mais acanhado antes de Francisco. Agora o que esconder?

    É…com Francisco as coisas estão ficando mais claras. O preto e branco como nunca. Antes e depois do vaticano ii.

  15. Muito bom…

  16. Excelente artigo. Não obstante, em vez de 360°, o julgamento de pe Pani discrepa precisamente 180° daquele que seus confrades fizeram na mesma revista há um século. Se, todavia, discrepa 360º, logo não discrepa em nada, pois deu uma volta completa e parou no mesmo lugar de antes…

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