“Não seguiremos os pastores que se encontram no erro.” Manifesto de resistência dos pró-vida ao papa Bergoglio.

Por Emmanuele Barbieri[1], Corrispondenza romana, 13 de dezembro de 2017. Tradução: André Sampaio | FratresInUnum.com[2] – Nos mesmos dias em que o papa Francisco atribui valor magisterial[3] à declaração dos bispos argentinos em favor dos divorciados recasados[4], 37 movimentos pró-vida e pró-família de treze diferentes nações vêm a campo com uma histórica declaração de separação dos erros do papa Bergoglio.

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“Se existe conflito entre as palavras e os atos de qualquer membro da hierarquia, até mesmo do papa, e a doutrina que a Igreja sempre ensinou, permanecemos fiéis ao ensino perene da Igreja. Se abandonássemos a fé católica, nós nos separaríamos de Jesus Cristo, a quem queremos estar unidos por toda a eternidade.” É este o ponto básico da Promessa de fidelidade ao ensinamento autêntico da Igreja, difundida no site http://www.fidelitypledge.com[5], sob o título “Fiéis à verdadeira doutrina, e não aos pastores que se encontram no erro”, para expressar a resistência dos líderes dos principais movimentos internacionais pró-vida e pró-família frente às palavras e aos atos de muitos pastores, inclusive do próprio papa Francisco, que contradizem o ensino da Igreja. Um dos signatários mais conhecidos, John-Henry Westen, cofundador e diretor do LifeSiteNews[6], o maior portal internacional de defesa da vida e da família, declarou: “Hoje, mesmo em algumas fiéis fortalezas católicas, preocupações acerca do aquecimento global têm tido precedência sobre o holocausto de crianças no útero materno; o desemprego juvenil tem tido primazia sobre a ameaça que pende sobre a alma dos nossos filhos pelo desvio sexual; e a imigração tem sido sobreposta à evangelização. A confusão deve terminar, e é chegado realmente o momento de traçar uma linha fronteiriça sobre a areia”.

Outro notável signatário, John Smeaton, diretor da Society for the Protection of the Unborn Children (SPUC), que é a mais antiga organização pró-vida do mundo, declarou, por sua vez: “A fé católica foi, para muitos dos nossos apoiadores, a fonte de sua clareza acerca do valor de cada vida humana e do consequente dever de proteger todas as crianças não nascidas, sem exceção. A propagação da negação dos absolutos morais em toda a Igreja tem o potencial de destruir tudo aquilo que o movimento pela vida fez nos últimos 50 anos: o front deslocou-se, dos campos de batalha políticos nacionais e de instituições internacionais como a ONU, para o coração da Igreja Católica. Nos últimos dois anos, o papa Francisco e as autoridades vaticanas cederam à “cultura de morte”, apoiando os objetivos de desenvolvimento sustentável pró-aborto das Nações Unidas[7] e promovendo a agenda do lobby internacional pró-educação sexual através da Amoris laetitia[8] e do programa pornográfico de educação sexual elaborado pelo Pontifício Conselho para a Família[9]. Tudo isso tem um efeito direto sobre crianças reais e famílias reais”. “Devemos incessantemente pedir aos nossos sacerdotes e bispos que ensinem a inteireza da doutrina da Igreja e não colaborem, nem por um momento, para a propagação dos erros que tragicamente vêm sendo difundidos por Sua Santidade, o papa Francisco, e por muitos outros membros anciãos da hierarquia. Se não sairmos para assumir esse posicionamento, falharemos no nosso dever para com as crianças frágeis e vulneráveis por cuja proteção estamos empenhados.”

Outras históricas associações aderem à Promessa de fidelidade. Entre elas, estão: SOS Tout-Petits, cujo fundador, o médico Xavier Dor, foi preso onze vezes por se ter manifestado contra o aborto; a Alianza Latinoamericana para la Familia, de Christine de Marcellus Vollmer; e a Family of the Americas, de Mercedes Arzú Wilson. Tanto Christine Vollmer quanto Mercedes Wilson serviram por anos na delegação da Santa Sé junto à ONU e foram chamadas por João Paulo II a fazer parte da Pontifícia Academia para a Vida, da qual foram “licenciadas” em 2016 juntamente com outros ilustres membros[10], tais como Philippe Schepens, fundador da World Federation of Doctors Who Respect Human Life, e Thomas Ward, presidente da National Association of Catholic Families, os quais também assinaram a declaração em nome de suas associações. Vai depois citada a importante presença de Judie Brownpresidente da American Life League, a mais antiga organização pró-vida dos Estados Unidos, e, entre os muitos signatários daquele país, o produtor do filme pró-vida Bella[11], Jason  Jones, fundador do I Am Whole Life. Outras duas destemidas combatentes na defesa da vida e da família que assinaram o documento são: da Nova Zelândia, Coleen Bayer (Family Life International), e, da Romênia, a Dr.ª Anca Maria Cernea, representante da conferência episcopal de seu país durante o Sínodo sobre a Família de 2015 (Ioan Barbus Foundation). Na Alemanha, adere Mathias von Gersdorf, da popular Aktion Kinder in Gefahr, e, na França, Guillaume de Thieulloy, diretor do muito difundido blog Salon BeigeBernard Antony (Chrétienté-Solidarité), François Legrier (Mouvement Catholique des Familles), Jean-Pierre Maugendre (Renaissance Catholique), Yves Tillard (Action Familiale et Scolaire). Na Itália, além da associação Famiglia Domani, fundada há 30 anos pelo marquês Luigi Coda Nunziante, há a Fondazione Lepanto (Roberto de Mattei), Federvita Piemonte (Marisa Orecchia), Il Cammino dei Tre Sentieri (Corrado Gnerre), Ora et Labora in difesa della Vita (Giorgio Celsi), Famiglie Numerose Cattoliche (Vittorio Lodolo d’Oria), Voglio Vivere (Samuele Maniscalco), SOS Ragazzi (Diego Zoia).

A Promessa de fidelidade enumera uma série de declarações e ações de pastores da Igreja sobre temas como contracepção, homossexualidade, divórcio e ideologia de gênero que “causaram danos imensuráveis à família e aos seus membros mais vulneráveis”, e afirma: “Nos últimos cinquenta anos – se lê –, o movimento pró-vida e pró-família cresceu em dimensão e escopo para fazer frente a esses graves males, que ameaçam tanto o bem temporal quanto o bem eterno da humanidade. O nosso movimento reúne homens e mulheres de boa vontade provenientes de uma grande variedade de âmbitos religiosos. Estamos todos unidos na defesa da vida e dos nossos irmãos e irmãs mais vulneráveis, por meio da obediência à lei natural, impressa em todos os nossos corações (cf. Rm 2, 15). Por outro lado, nesta última metade de século, o movimento pró-vida e pró-família se confiou de modo particular ao ensinamento imutável da Igreja Católica, que afirma a lei moral com a máxima clareza. É, então, com profunda dor que nos últimos anos temos constatado que a clareza doutrinal e moral relativa a questões ligadas à tutela da vida humana e da família tem sido, cada vez mais, substituída por doutrinas ambíguas e até mesmo diretamente contrárias ao ensinamento de Cristo e aos preceitos da lei natural”.

“Como líderes católicos pró-vida e pró-família – continua o documento – declaramos a nossa completa obediência à hierarquia da Igreja Católica no legítimo exercício de sua autoridade. Todavia, nada poderá, jamais, convencer-nos ou obrigar-nos a abandonar ou contradizer qualquer artigo da fé e da moral católica. Se existe conflito entre as palavras e os atos de qualquer membro da hierarquia, até mesmo do papa, e a doutrina que a Igreja sempre ensinou, permanecemos fiéis ao ensino perene da Igreja. Se abandonássemos a fé católica, nós nos separaríamos de Jesus Cristo, a quem queremos estar unidos por toda a eternidade. Nós, subscritos, prometemos que continuaremos a ensinar e propagar os princípios morais supracitados e todos os outros ensinamentos autênticos da Igreja e que nunca, por razão nenhuma, nos afastaremos disso.”

A Promessa de fidelidade, que se situa na linha da Filial súplica[12] de setembro de 2015 e da Correctio filialis[13] de setembro de 2017, se destaca pelo número e pela posição dos signatários, aos quais se reportam centenas de milhares de militantes pró-vida e pró-família em todo o mundo. Ignorar-lhes a mensagem seria um grave erro da parte da Santa Sé.

[1] https://www.corrispondenzaromana.it/non-seguiremo-pastori-sbagliano-manifesto-resistenza-dei-pro-life-papa-bergoglio/

[2] https://fratresinunum.com/

[3] https://rorate-caeli.blogspot.com/2017/12/pope-francis-promulgates-buenos-aires.html

[4] https://fratresinunum.com/2016/09/12/surge-carta-do-papa-dando-a-impressao-de-apoiar-a-comunhao-para-divorciados-recasados/

[5] https://www.fidelitypledge.com/

[6] https://www.lifesitenews.com/

[7] http://voiceofthefamily.com/in-depth-analysis-papal-support-for-un-2030-agenda-poses-immediate-threat-to-lives-of-children/

[8] http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html

[9] https://www.lifesitenews.com/opinion/exclusive-the-new-threat-to-catholic-youth-the-meeting-point

[10] http://magister.blogautore.espresso.repubblica.it/2017/06/13/nome-per-nome-la-metamorfosi-della-pontificia-accademia-per-la-vita/

[11] http://www.bellamoviesite.com/

[12] http://filialsuplica.org/

[13] http://www.correctiofilialis.org/pt-pt/

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34 Comentários to ““Não seguiremos os pastores que se encontram no erro.” Manifesto de resistência dos pró-vida ao papa Bergoglio.”

  1. Na verdade, esta confusão começou com Paulo VI, que permitiu comunhão a ortodoxos que “demonstrassem as devidas disposições”. E quase ninguém falou nada sobre isso, com as devidas exceções. Agora, Bergoglio apenas segue esta lógica e amplia o ecumenismo e a “misericórdia”, permitindo comunhão a maçons, recasados e homossexuais que “demonstram as devidas disposições”. Lógico!

  2. “Se existe conflito entre as palavras e os atos de qualquer membro da hierarquia, até mesmo do papa, e a doutrina que a Igreja sempre ensinou, permanecemos fiéis ao ensino perene da Igreja.”
    D. Lefebvre dizia exatamente isso, e os neo-cons e joaopaulosegundistas o chamavam de cismático, rebelde e protestante de direita. O mundo dá voltas.

    • Exatamente, Filipe.
      A resistência de D. Lefebvre foi ainda mais profunda e certeira, porque ele viu isso no início e não fugiu ao seu dever de Bispo. Não é possível tolerar a fraude da doutrina e da Missa (que expõe uma doutrina). A Missa Nova expõe uma nova doutrina, um “outro evangelho”, como dizia São Paulo, e não se pode fazer outra coisa senão não dar-lhe ouvidos.

  3. Se Bento XVI não tivesse prometido obediência ao seu sucessor quando fez a sua renúncia, penso que já haveria um cisma na Igreja. De qualquer forma, é digno de atenção o descontentamento daqueles que estão conscientes da gravidade das mudanças (revolução) que Francisco tem feito na Igreja. Por outro lado, infelizmente, há uma grande massa de católicos que estão totalmente alienados do que está acontecendo na Igreja e aclamam e aplaudem tudo que Francisco faz, sem o menor censo crítico.

  4. “*Uma autoridade eclesiástica que emite normas ou orientações pastorais que prevê tal admissão, arroga para si um direito que Deus não concedeu. Um acompanhamento e discernimento pastoral que não comunica à pessoa adúltera, os chamados divorciados recasados, a obrigação divinamente estabelecida de viver em continência como uma condição sine qua non para admissão aos sacramentos, trata-se, na realidade, de clericalismo arrogante, uma vez que não há clericalismo tão farisaico como aquele que arroga para si os direitos reservados a Deus”.
    … **Aqueles que têm medo de enfraquecer a unidade da Igreja criticando os ensinamentos do Papa Francis devem lembrar que o Papa é servo da Igreja, disse Schneider. “Ele é o primeiro que tem que obedecer de forma exemplar a todas as verdades do Mistério imutável e constante, porque ele é apenas um administrador e não um dono das verdades católicas …” O Papa deve “se ligar constantemente e Igreja a obediência à palavra de Deus “, acrescentou.
    D Schneider disse também que quando um papa tolera erros e abusos generalizados, os bispos não devem se comportar como os “funcionários servos” do papa.
    O Menino Jesus nasceu para nós, assim com em seu tempo perseguido desde a infancia, nesse ano de 2017 pessimamente comemora-se seu nascimento, a principiar de Altos Dignitarios membros da Igreja, ao invés de Lhe prestarem as devidas homenagens como o Deus-Menino que veio nos redimir da morte para a vida, o pior mau exemplo nos apresenta o Vaticano com seu blasfemo projeto!
    Dessa forma, trataram-nO da pior forma possível, num presepio tão vilipendiado a ponto de certos veículos de comunicação o deletarem, como improprio, foi o caso do globalista FACEBOOK: “Not appproved. Your ad can’t include images are sexually suggestive or provocative”.
    Foi como levar o Menino Jesus para um meretricio e, num ambiente improprio e sórdido como esse, irmos prestar as devidas homenagens ao Rei do Universo, enquanto isso, regozijam-se a maçonaria com sua midia globalista com esse presente de “Natal”!
    Trechos da fala do papa Francisco sobre o presepio desse ano, encontrado no site da CNBB que contrastariam com o visual que nos apresenta:
    … “Na simplicidade do presépio encontramos e contemplamos a ternura de Deus, manifestada na do Menino Jesus…
    … O presépio este ano, realizado na típica expressão da arte napolitana, inspira-se nas obras de misericórdia. Elas recordam-nos que o Senhor nos disse: “O que quiserdes que os homens vos façam, também vós fazei a eles” (Mt 7, 12). O presépio é o lugar sugestivo no qual contemplamos Jesus, que assumindo sobre si as misérias do homem, nos convida a fazer o mesmo através de ações de misericórdia. A árvore, proveniente este ano da Polónia, é sinal da fé daquele povo que, inclusive com este gesto, quis exprimir a própria fidelidade à sé de Pedro.
    Queridas crianças, o meu obrigado é dirigido sobretudo a vós… …. Obrigado pelo vosso testemunho, por terdes tornado mais bonitos esses símbolos natalícios, que os peregrinos e os visitantes provenientes do mundo inteiro poderão admirar. Obrigado! Obrigado!
    O Natal do Senhor seja ocasião para estarmos atentos às necessidades dos pobres e daqueles que, como Jesus, não encontram alguém que os acolha… … Também vós rezai por mim e pelo meu serviço à Igreja…
    *Palavra final sobre a “Amoris laetitia”.
    *Maike Hickson para OnePeterFive e 19/09/17.

  5. O próprio Bento XVI deu a sagrada comunhão a um tal de “irmão Roger”, membro de um mosteiro ecumênico e abertamente protestante: não houve tanto escândalo por isso quanto pelas extravagâncias e heresias de Francisco, o “arauto da misericórdia”. É preciso analisar a situação racionalmente, sem ingenuidade nem sentimentalismo: a debacle já vem ocorrendo há décadas, e não começou com o papa argentino.

  6. Infelizmente a maioria dos ditos católicos se quer tem conhecimento deste desastroso papado ao qual estamos sujeitos! Ignoram que ignoram! Vivem na mais ingênua jujubice, ostentando tolerância, respeito à diversidade, ecumenismo e outras coisas nefastas que assolam a Igreja e o homem! Senhor, não tardeis em vir em nosso auxílio!

    • Para muitos desses, a única fonte de notícias a respeito da Santa Sé e do Papa são as reportagens da senhora Ilze Scamparini no Jornal Nacional.

  7. Realmente, não podemos equiparar Fé e Moral (que é essencial) com Doutrina Social da Igreja (que é secundária e não vinculante).

    A primeira se apoia na Revelação e tem como fim a salvação das almas.

    A segunda se apoia em métodos humanos provisórios e tem como fim um melhor ordenamento da ordem temporal.

    É evidente que a segunda não pode ocorrer em detrimento da primeira; tentar fazê-lo, seria perverter a religião em seus fundamentos, e perverteria também a própria sociedade, bem como a compreensão da Lei Natural nas sociedades não evangelizadas.

    • Questões como aborto, divórcio, homossexualidade, eutanásia, prática sexual, ecumenismo tal como definido pelo CV II, pertencem ao campo da Fé e Moral – campo este que é a base de tudo na Igreja.

      Já questões como desemprego, imigração, meio ambiente e distribuição de renda, pertencem ao campo da Doutrina Social da Igreja – que se inspira na Revelação, mas não objetiva apresentar soluções infalíveis e definitivas.

  8. “Se existe conflito entre as palavras e os atos de qualquer membro da hierarquia, até mesmo do papa, e a doutrina que a Igreja sempre ensinou, permanecemos fiéis ao ensino perene da Igreja.”
    D. Lefebvre dizia exatamente isso, e os neo-cons e joaopaulosegundistas o chamavam de cismático, rebelde e protestante de direita. O mundo dá voltas. (2)
    Subscrevo tudo. E acrescento que o mesmo raciocínio se pode aplicar a todas as fraturas engendradas fraudulentamente pelo concílio, e bem assim à missa nova. Isto não é cisma, é fidelidade à verdade.

  9. Essa vigorosa e ampla manifestação de RESISTÊNCIA aos desvios dos Papas e altos prelados católicos teve como marco inicial a histórica declaração de Plinio Corrêa de Oliveira em 1974, que teve grande repercussão mundial na época (http://www.pliniocorreadeoliveira.info/MAN%20-%201974-04-08_Resistencia.htm#.VVOAqvBRU6E).
    .
    Com passo decidido o Papa Francisco caminha dentro de zona cinzenta, deslizando da ortodoxia duvidosa em direção à apostasia declarada. Diante desses passos cada vez mais “a fide devius”, em breve o brado da fidelidade poderá não ser mais o de Resistência, mas o de Denúncia de Heresia. Quando as ovelhas são de tal modo agredidas pela realidade dos fatos, mesmo sem a oportuna manifestação do corpo de Cardeais e Bispos, é uma espécie de instinto de sobrevivência delas que vem à tona.
    .
    Com efeito, a Fé é a seiva da vida sobrenatural da graça na alma. Quando as ovelhas se sentem em perigo extremo quanto à Fé, ainda que constituam uma parcela do rebanho, seu brado pungente poderá ter efeito surpreendente e alcançar repercussão decisiva. Se nos reportamos ao conto do Rei que desfilou nu sob o aplauso da multidão, até que uma criança inocente bradou a denúncia, então percebemos que não foram as instituições do reino que emitiram seu juízo declaratório ou condenatório. De modo análogo, dentro da Santa Igreja, a calamidade apocalíptica dos tempos que vivemos parece apontar para o momento – já não distante no tempo – em que o clamor popular abreviará o atual pontificado. Sem dúvida não há na Igreja uma soberania popular instituída por Cristo. Mas as condições morais e práticas de governabilidade podem se tornar precárias ou insuficientes quando o rebanho categoricamente rejeita o Pastor convertido em lobo.

  10. Tudo leva a pensar que a côrte caprina e transviada continuará com a picareta em mãos devastando tudo o que puder, sob os olhares complacentes e enternecidos dos conservadores de calça justa (e vincada). Estes, sobraçando o “Compêndio do Vaticano II” e a “Pergunte de Deformaremos”, só sabem se amoitar ou, pior, transigir com todos os infernos para defender a própria pança. Dia 25 irão almoçar na casa de Dona Lulusberca Marinho e posar pra foto com suas caras de sonsos e vendidos.

    Em vista dessa infindável palhaçada, os fieis leigos devemos mesmo nos opor a todos esses tipos, criaturas moralmente minúsculas ou nulas, e dizer-lhes simplesmente isso: “nós, pela condição e pela dignidade de batizados temos o DIREITO de receber a doutrina e os sacramentos da Igreja, e não essa zurrapa venenosa que vocês querem servir a mando do diabo”.

    E nunca é demais lembrar que “o Simbolo da fé que a Santa Igreja Romana utiliza (…) é o único e sólido fundamento contra o qual ‘as portas do inferno jamais prevalecerão’ “. (Concílio de Trento, III Sessão)

  11. “Nos mesmos dias em que o papa Francisco atribui valor magisterial[3] à declaração dos bispos argentinos em favor dos divorciados recasados[4]”
    No site linkado não indica a data em que Bergoglio atribui valor magisterial à declaração dos bispos argentinos. Tomei conhecimento disto hoje.
    Se ele atribui valor magisterial à declaração dos bispos argentinos, então está fazendo isso como papa, e se ele está fazendo isso como papa, está defendendo uma heresia como papa. Se um papa defende uma heresia então não pode ser mais reconhecido como papa, pois este não está sendo guiado pelo Espírito Santo.

    • E qual seria a solução? Tem que haver. O senhor sabe qual? Gostaria de saber para dirimir minhas dúvidas.

    • Em tese, se alguém professa formalmente uma heresia, então se pôs a si mesmo, ipso facto, fora da comunhão da Igreja. Além disso, se o dito herege formal exerce algum tipo de jurisdição na Igreja, os seus súditos estão automaticamente desligados da obediência religiosa. Quem se pôs para fora da Igreja obviamente não a pode reger. No caso de tratar-se de ministro ordenado, não se pode invocar o benefício da ignorância da doutrina, pois tal ignorância é inescusável neste caso (é preciso que a conheça por dever de ofício).

      É evidente que fieis leigos e ministros ordenados, no tempo da dita Reforma protestante, não cometiam pecado algum ao se afastarem de seus prelados caídos publicamente em heresia.

      A falta de retratação, ou pertinácia, é uma das notas da heresia. Jorge Bergoglio foi publicamente advertido por quatro cardeais, e muitos outros teólogos, para que explicasse (e retificasse) a sua doutrina acerca da natureza e da disciplina do sacramento do matrimônio. Uma vez que o dito prelado argentino se negou a dar tais explicações, SUPÕE-SE que ele professa efetivamente os erros que lhe são imputados e caiu em heresia.

      Do ponto de vista prático, resta-nos esperar que ele desocupe voluntariamente a Sé Apostólica ou venha a falecer.

  12. Não quero ser pessimista, mas acredito que ninguém mais tira Bergoglio do trono pontifício. Depois de ele ter-se sentado lá, só Deus agora para tirá-lo de lá.

    No mais, “se existe conflito entre as palavras e os atos de qualquer membro da hierarquia, até mesmo do papa, e a doutrina que a Igreja sempre ensinou, permanecemos fiéis ao ensino perene da Igreja.”

  13. Não tinha visto o comentário do PW a respeito da indagação do sr. José Lopes. De qualquer forma, meu comentário vai mais no sentido prático.

  14. Diante de tanta confusão que Francisco tem causado na Igreja, penso que sejam oportunas certas palavras que o cardeal Ratzinger disse alguns anos atrás:
    “A Igreja é muito mais que o Papa, os bispos, do que aqueles que estão revestidos do ministério sacramental.” (Cardeal Ratzinger)
    https://youtu.be/2OeULWZbTV8

  15. Sr. Maxwell, no início deste mês veio à luz a informação de que, em 5 de junho passado, Francisco deu ordem de que fossem publicados nas Acta Apostolicae Sedis, “velut magisterium authenticum” (como magistério autêntico), as lastimáveis diretrizes interpretativas de 2016 de bispos argentinos acerca do capítulo VIII da Amoris laetitia bem como a carta-resposta do próprio Bergoglio, na qual ele aprova o texto latino-americano como “única interpretação possível”. Do ponto de vista canônico, sabemos que, se Bergoglio um dia foi verdadeiro papa (talvez desde o princípio tenha sido apenas pontífice putativo, um antipapa), em junho deste ano teria passado, ipso facto, ao status de excomungado da Igreja – nem mais católico e, consequentemente, nem mais papa –, dada a heresia formal cometida, que se mostra em claríssima contradição com os Evangelhos, a Tradição apostólica, o Magistério perene e o direito canônico. Nesse contexto, restaria oportuna, para fins práticos, alguma espécie de declaração, por parte do colégio cardinalício, ou de outros prelados, p.ex., acerca desse fato consumado e de suas consequências formais. Ainda que – por temor ou por razões ideológicas – nenhuma autoridade eclesiástica venha a público manifestar-se enquanto Francisco está em seu pelo menos aparente ministério pontifício, um futuro papa – um bom e justo papa – poderá, ao avaliar o “pontificado” bergogliano, decretar seus elementos de nulidade e heresia.

    • Retificando: […] que fossem publicadAs […].

    • Prezado André Sampaio,
      Diz o sr.:
      “Nesse contexto, restaria oportuna, para fins práticos, alguma espécie de declaração, por parte do colégio cardinalício, ou de outros prelados, p.ex., acerca desse fato consumado e de suas consequências formais.”
      Pelo pouco que sei, isso não pode ser feito uma vez que um papa (embora putativo, como parece ser o caso) não pode ser julgado (sentenciado) por ninguém (sínodo, concílio, colégio cardinalício: o que for) que não outro papa.
      Vide o que é “conciliarismo”.

    • Sr. PW, agradeço-lhe o comentário. Não me reportei ao conciliarismo, que, naturalmente, como bem sabemos, deve ser rejeitado, dada a essência e a natureza do ministério petrino. Mas, em meu sinóptico comentário, acabei deixando, infelizmente, de assinalar que, como bem sabemos, a questão acerca da possibilidade ou não de a Igreja depor um papa herege é controversa. O teólogo dominicano João de São Tomás (séc. XVII), p.ex., assim como muitos outros, considerava que a Igreja tem o direito de separar-se de um pontífice herege e dos danos que este lhe estaria a causar. Mas de que meios ela poderia dispor para esse fim? É bastante interessante, p.ex., a exposição que disso faz o teólogo Pietro Ballerini (séc. XVIII). Na opinião dele, seriam imprescindíveis admoestações ao papa herege; em havendo contumácia, mesmo depois de advertências solenes, o pontífice estaria, por si próprio, se afastando da Igreja. A sentença que ele estaria assumindo contra si mesmo, então, precisaria ser dada a conhecer à Igreja inteira. Enfim, são muitas as opiniões, e a questão é bastante difícil. Se nossa realidade fosse outra, bons teólogos e altos prelados, diante da situação atual, poderiam dispor-se a estudá-la a fundo, para verificar meios de a Igreja defender-se dos perigos à fé que representa Bergoglio. E, a propósito, um próximo papa poderia estabelecer alguma norma para que a Igreja pudesse lidar com eventuais situações dessa natureza. Que Deus se apiede de sua Santa Igreja.

  16. Sr. Maxwell, no início deste mês veio à luz a informação de que, em 5 de junho passado, Francisco deu ordem de que fossem publicadas nas Acta Apostolicae Sedis, “velut magisterium authenticum” (como magistério autêntico), as lastimáveis diretrizes interpretativas de 2016 de bispos argentinos acerca do capítulo VIII da Amoris laetitia bem como a carta-resposta do próprio Bergoglio, na qual ele aprova o texto latino-americano como “única interpretação possível”. Do ponto de vista canônico, sabemos que, se Bergoglio um dia foi verdadeiro papa (talvez desde o princípio tenha sido apenas pontífice putativo, um antipapa), em junho deste ano teria passado, ipso facto, ao status de excomungado da Igreja – nem mais católico e, consequentemente, nem mais papa –, dada a heresia formal cometida, que se mostra em claríssima contradição com os Evangelhos, a Tradição apostólica, o Magistério perene e o direito canônico. Nesse contexto, restaria oportuna, para fins práticos, alguma espécie de declaração, por parte do colégio cardinalício, ou de outros prelados, p.ex., acerca desse fato consumado e de suas consequências formais. Ainda que – por temor ou por razões ideológicas – nenhuma autoridade eclesiástica venha a público manifestar-se enquanto Francisco está em seu pelo menos aparente ministério pontifício, um futuro papa – um bom e justo papa – poderá, ao avaliar o “pontificado” bergogliano, decretar seus elementos de nulidade e heresia.

  17. A pergunta que não quer calar. As dúbias foram respondidas com o “novo” magistério do papa? E em caso afirmativo , o que acontece agora?

  18. É certo que algum dia, algum papa segundo o Coração Sacratíssimo de Nosso Senhor Jesus Cristo irá colocar as coisas em ordem no Trono de São Pedro e na Igreja com um todo! Mas não esperem isso a curto prazo, pois, a não ser que haja uma intervenção sobrenatural, o que temos em matéria de cardeais (exceto um ou outro fiel ao Magistério Perene) é de uma subserviência, comodismo e obtusidade inequívocas! De qualquer forma, rezemos pela Igreja, para que esta situação de crise seja superada e que o Imaculado Coração triunfe!

  19. O fato do site do Vaticano ter dado publicidade à carta do Santo Padre, não é suficiente para classificá-la como um ato de magistério do Romano Pontífice. Infelizmente é algo que incrementa a confusão na instaurada, mas há esperança. Rezemos e combatamos. Com respeito á hierarquia e temor ao Senhor.

    • Humildemente reconheço o meu erro de não atribuir valor magisterial á publicação da carta resposta aos bispos argentinos.

  20. PW,

    Não há nenhuma indicação de doutrina na Historia da Igreja de que apenas um Papa pode julgar outro. Se o proprio dispositivo da lei em si já declara a causa julgada por si em relação a fatos evidentes. Houve uma disseminação, principalmente no meio tradicionalista brasileiro, de que um Papa só pode ser julgado por outro. Esta afirmação foi principalmente feita e difundida pelo prof Orlando Fedeli. Mas, de novo, não parece haver nenhum dispositivo que confirme isso.

  21. Vladimir, salve Maria. É verdade de fé que ninguém pode julgar o Papa, e muito menos salvar-se sem estar submetido ao Papa:

    “(…) A verdade o atesta: o poder espiritual pode estabelecer o poder terrestre e julgá-lo se este não for bom. Ora, se o poder terrestre se desvia, será julgado pelo poder espiritual. Se o poder espiritual inferior se desvia, será julgado pelo poder superior. Mas, SE O PODER SUPERIOR SE DESVIA, SOMENTE DEUS PODERÁ JULGÁ-LO E NÃO O HOMEM. (…) Por isso, declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO À SALVAÇÃO DE TODA CRIATURA HUMANA ESTAR SUJEITA AO ROMANO PONTÍFICE – Bula Unam Sanctam (1302) – Papa Bonifácio VIII

    • Tem também o artigo 1404 do CDC de 1983, cuja fonte é a bula de Paulo IV, a Cum Ex Apostolatto Officio. Ou ainda o Canon 1556 do CDC de 1917: “A Sede Primeira não é julgada por ninguém”. Por Sede Primeira entenda-se “O Papa”.

      Completando o subentendido, “a menos que se encontre desviado da fé”.